UFSC lança ‘Cuidoteca’ para filhos de estudantes, servidores e terceirizados nesta quinta

10/03/2026 08:52

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) dará mais um passo concreto em direção à inclusão e à equidade no ambiente acadêmico. No próximo dia 12 de março, às 15h, na Sala dos Conselhos, será lançado o projeto Cuidoteca, um espaço de cuidado destinado a crianças de 4 a 10 anos, com ou sem deficiência, filhos de estudantes de graduação e pós-graduação, servidores e trabalhadores terceirizados da instituição. A ação extensionista foi desenvolvida em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e está inserida na Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024).

O serviço funcionará no turno da noite, período em que as redes de apoio familiar são mais escassas, e terá capacidade para atender até 40 crianças simultaneamente. As atividades ocorrerão no Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI) da UFSC, que disponibilizará duas salas para atividades, cozinha para preparo de refeições e áreas externas e comuns. A proposta inclui práticas lúdicas e acessíveis, rodas de conversa com as famílias e oferta de alimentação saudável. A proporção mínima planejada é de um agente de cuidados para cada grupo de 15 crianças, com pelo menos dois profissionais presentes em todas as atividades. Na ocasião do lançamento do projeto, será aberto o edital de inscrições.

Para a professora Josiana Piccolli, coordenadora do projeto, a Cuidoteca materializa o compromisso social da universidade com sua comunidade. “Quando a universidade cuida, ela amplia possibilidades, transforma permanência em realidade e se torna, de fato, mais justa e possível para todos”. “Mais do que disponibilizar um espaço físico, a universidade afirma que permanência não se constrói apenas com acesso ao trabalho, à vaga ou matrícula efetivada. Permanência exige condições reais para que estudantes e trabalhadores possam seguir suas trajetórias com dignidade, tranquilidade e segurança”, acrescenta.

A pró-reitora de Assuntos Estudantis (PRAE), Simone Sampaio, cujo setor articulou com o MDS, ressalta o caráter inovador da Cuidoteca na história da UFSC. “Estamos estruturando esse espaço a partir de nossos saberes institucionais e essa construção coletiva é o que confere especial relevância a iniciativa”, disse. A gestora sublinha a interlocução do projeto com a Política de Permanência de Estudantes-Mães, aprovada em 18 de dezembro de 2024 e construída com a participação do Coletivo Mães Estudantes, e reforça que a “Cuidoteca se consolida como dispositivo de apoio e reflexão sobre políticas de cuidado, articulando conhecimento acadêmico e experiências cotidianas, tornando-se referência para práticas inclusivas e sustentáveis no campus”.

O reitor Irineu Manoel de Souza destaca o impacto estrutural da iniciativa. “O lançamento da Cuidoteca representa um passo concreto para remover barreiras de permanência na universidade. Ao garantir cuidado infantil gratuito, noturno, público e acessível, fortalecemos o direito de estudar e trabalhar com tranquilidade para quem tem responsabilidades de cuidado — em especial nossas estudantes-mães. Esta é uma resposta institucional a uma demanda real da comunidade e inaugura uma cultura de corresponsabilidade pelo cuidado na UFSC, tornando nosso ambiente mais justo, acolhedor e humano”, afirma o reitor.

O projeto teve como referência uma experiência-piloto bem-sucedida na Universidade Federal Fluminense (UFF), em março de 2025. Além da UFSC e UFF, também estão envolvidas na implantação da Cuidoteca: Universidade Federal do Piauí (UFPI), Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Universidade Federal do Rio Grande (FURG), Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e Universidade Federal do Amazonas (UFAM). A equipe na UFSC será composta por docentes, técnicos-administrativos e bolsistas de graduação e pós-graduação.

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
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UFSC sedia encontro internacional sobre educação científica e tecnológica

03/02/2026 16:06

Mesa de abertura do II EDECT teve a presença do reitor Irineu Manoel de Souza (Fotos: Gustavo Diehl)

Até a próxima sexta-feira, 6 de fevereiro, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sedia um evento internacional dedicado a debater questões relacionadas à educação em ciências. A abertura do II Encontro Internacional Decolonizando a Educação Científica e Tecnológica (EDECT) / III Simpósio Internacional: Educación en Biología y Construcción de Ciudadanías / III Descolonizando Imaginários ocorreu nesta terça-feira, 3 de fevereiro, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC.

O EDECT será realizado em formato híbrido (presencial e on-line), reunindo professores da Educação Básica, pesquisadores e estudantes de graduação e pós-graduação, em atividades como mesas-redondas, comunicações orais, painéis e conversatórios. A programação abordará temas como questões raciais, formação de professores, desinformação e negacionismo científico, gênero, decolonialidade e cidadania.

Toda a programação do evento está disponível no site do EDECT. As transmissões podem ser acompanhadas pelo YouTube. O encontro é coordenado pela professora Suzani Cassiani, professora voluntária do Departamento de Metodologia de Ensino (MEN) da UFSC.

Pesquisadores Emanuele Bitencourt Camani, Simone Ribeiro e Alan Brito foram os primeiros palestrantes do II EDECT

A mesa de abertura do evento foi formada pelo reitor Irineu Manoel de Souza; pelo pró-reitor de Pesquisa e Inovação, Werner Krauss; pela professora Suzani Cassiani; pelo professor André Ary Leonel, coordenador do Programa de Pós-graduação em Educação Científica e Tecnológica (PPGECT) e pelo professor Alexandre Toaldo Bello, vice-diretor do Centro de Ciências da Educação (CED).

Após a solenidade de abertura, foi realizada a primeira palestra do encontro, intitulada “Questões raciais nas escolas: racismo científico como colonialidade do ser”.

Texto: Agecom

 

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Três instituições, um resultado: UFSC, IFSC e IFC celebram as conquistas do Vestibular Unificado 2026

13/01/2026 11:07

Gestores da UFSC, IFSC e IFC divulgaram oficialmente o resultado do Vestibular Unificado 2026. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom

Em cerimônia realizada na manhã desta segunda-feira, 12 de janeiro, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e o Instituto Federal Catarinense (IFC) divulgaram oficialmente o resultado do Vestibular Unificado 2026. O processo seletivo ofertou 6.812 vagas — 4.553 na UFSC, 1.268 no IFSC e 991 no IFC — e registrou aumento expressivo no índice de candidatos classificados, além de redução significativa nas reprovações e eliminações em relação ao ano anterior.

O evento também marcou a certificação dos aprovados em políticas de inclusão, com destaque para os processos seletivos voltados a indígenas, quilombolas, pessoas com deficiência (PCD) e pessoas trans. Foram reconhecidos, ainda, os primeiros colocados do processo, com homenagens por recortes institucionais e de origem escolar.

Abrindo a cerimônia, o presidente da Comissão Permanente do Vestibular (Coperve/UFSC), Marcos Baltar, ressaltou o trabalho conjunto das três instituições, iniciado em 2025 e que mobilizou cerca de 3 mil pessoas entre elaboração, aplicação e avaliação das provas.

Estamos muito felizes: oferecemos cerca de 6.800 vagas e tivemos êxito em classificar aproximadamente 80% dos candidatos. Reduzimos o índice de reprovação em 60% em comparação ao último vestibular, passando de cerca de 1.700 para 500 reprovados, e diminuímos as eliminações de 33 para 17. Isso mostra o aprimoramento da prova e a qualidade da execução, fruto de um esforço coletivo entre UFSC, IFSC e IFC.

Baltar destacou que o exame incorporou contribuições de seminários com educadores de escolas públicas, privadas e cursinhos, coordenados pela Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica da UFSC, resultando em melhorias na prova. Ele informou, ainda, que haverá edital de reopção para vagas remanescentes e lembrou do uso das notas do Enem via Sisu como alternativa adicional de ingresso.

A pró-reitora de Graduação e Educação Básica da UFSC, Dilceanne Carraro, reforçou o compromisso com múltiplas portas de entrada e com a diversidade da comunidade acadêmica.

O vestibular unificado é um esforço central, mas não o único. Mantemos processos específicos — como Educação do Campo e Letras-Libras — e vagas suplementares para indígenas, quilombolas, PCD e pessoas trans. Queremos que a universidade reflita a pluralidade da sociedade. Para os não selecionados de imediato, há reopção de curso, Sisu e chamadas subsequentes. É essencial atenção redobrada aos prazos e aos documentos de matrícula, especialmente nas ações afirmativas.

A pró-reitora detalhou os períodos de matrícula:

  • UFSC: 13 a 16 de janeiro
  • IFC: 19 a 23 de janeiro
  • IFSC: 26 a 29 de janeiro

Segundo Dilceanne, o edital de reopção está previsto para 15 de janeiro, e as instituições farão chamadas semanais ou quinzenais para preencher as vagas, inclusive com possibilidade de remanejamento de aprovados do segundo para o primeiro semestre, quando cabível.

O reitor do IFC, Rudinei Kock Exterckoter, destacou o papel transformador do ingresso e das políticas de permanência.

Este é um momento de renovação. A quem ainda não foi chamado, reforçamos: fiquem atentos ao Sisu e aos editais de vagas remanescentes. E, ao ingressar, procurem nossas políticas de permanência e êxito: bolsas de ensino, pesquisa, extensão e auxílios, inclusive para alimentação. É assim que garantimos condições para trajetórias acadêmicas consistentes.

Representando o IFSC, a pró-reitora de Administração, Vanessa dos Santos Grando, celebrou a cooperação entre as três instituições.

O sucesso do vestibular unificado comprova que nossas instituições não competem entre si; elas se fortalecem mutuamente em prol da sociedade. Otimizamos recursos, qualificamos os processos e colocamos o estudante no centro das políticas. Reafirmamos nossa defesa da educação pública gratuita, democrática e socialmente referenciada.

Encerrando os pronunciamentos, o reitor da UFSC, professor Irineu Manuel de Souza, sublinhou a relevância social das instituições públicas de ensino superior e a necessidade de recomposição orçamentária para ampliar ensino, pesquisa, extensão e políticas de permanência.

A UFSC, o IFSC e o IFC abrem portas para a juventude e para a inclusão social. Mesmo com restrições orçamentárias, seguimos investindo na qualidade acadêmica. Defender a educação pública é garantir formação gratuita e de excelência, com ações afirmativas e permanência estudantil. Nosso compromisso é preencher todas as vagas e acolher com dignidade cada estudante.

A cerimônia homenageou os primeiros aprovados nos seguintes processos:

  • Vagas suplementares para indígenas, quilombolas, PCD e pessoas trans (UFSC 2026).
  • Educação do Campo (UFSC) e Pedagogia com ênfase em Educação do Campo (IFC) 2026.
  • Letras-Libras (UFSC) e Pedagogia Bilíngue Libras-Português (IFSC) 2026.

E também foram homenageados os primeiros colocados do Vestibular Unificado 2026, incluindo destaques entre egressos de escola pública e os melhores de cada instituição (IFC, IFSC e UFSC).

A cerimônia foi transmitida ao vivo pelo canal do Departamento de Cultura e Eventos (DCEven) da UFSC no YouTube.

Todas as informações estão disponíveis no site oficial do Vestibular Unificado 2026.

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Fortaleza de Anhatomirim, gerida pela UFSC, inicia restauração com investimento do Novo PAC

22/12/2025 08:06

A Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, em Governador Celso Ramos (SC), deu início às obras de restauração do seu principal conjunto arquitetônico. O anúncio foi feito em cerimônia no próprio monumento, com presença de representantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – gestora da fortaleza desde 1979 – e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pela coordenação da programação Avanços do Patrimônio em Santa Catarina. A intervenção integra um pacote de R$ 30 milhões do Iphan destinado a bens históricos no estado e marca a primeira obra do projeto Restauração das Fortificações Catarinenses #EuValorizoAsFortalezas, iniciativa de três anos voltada a recuperar, modernizar e ampliar o uso público dos monumentos administrados pela UFSC.

Erguida a partir de 1739, a Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim ocupa 2,5 hectares na entrada norte da Ilha de Santa Catarina, onde compunha, ao lado das fortalezas de São José da Ponta Grossa, Santo Antônio de Ratones e Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba, o sistema defensivo concebido no século XVIII pelo Brigadeiro Silva Paes para proteger a baía e o litoral de investidas estrangeiras, em especial as espanholas. Entre os primeiros bens tombados pelo Iphan, em 1938, o conjunto é reconhecido como marco histórico e paisagístico do país e, agora, passará por uma restauração que busca recuperar sua função histórica, qualificar a visitação e fortalecer a educação patrimonial, com obras que contemplam tanto a conservação quanto novos usos culturais e de serviços.

Nesta primeira fase, serão investidos R$ 17 milhões com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), transferidos do Iphan para a UFSC via Termo de Execução Descentralizada (TED). Desse montante, R$ 15 milhões estão destinados diretamente às obras no Quartel da Tropa – o maior e mais imponente edifício do complexo – e aos trabalhos de arqueologia, além da criação de novos sanitários e da implantação de novas redes de infraestrutura hidráulica, elétrica e outras instalações. O canteiro terá monitoramento arqueológico permanente, garantindo que cada intervenção respeite as camadas históricas do sítio.

O escopo técnico prevê a restauração de cobertura, alvenarias, revestimentos, forros, pisos e escadas, com atenção a elementos decorativos em pedra, madeira e metal, além da instalação de novas redes elétricas, eletrônicas, hidrossanitárias, luminotécnicas e de proteção contra descargas atmosféricas. O Quartel da Tropa será adaptado para abrigar um espaço de restaurante com cozinha e banheiros e receberá um ambiente multiuso com tratamento acústico para eventos e reuniões. Dois novos conjuntos de sanitários serão construídos – um em frente ao Quartel da Tropa e outro na área de chegada à Ilha de Anhatomirim -, e uma rede integrada de instalações conectará todas as edificações da fortaleza, preparando o complexo para atendimento ao público, pesquisa e ações educativas.

A cerimônia contou com a presença do assessor de gabinete Alexandre Verzani (representando o reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza), do pró-reitor de Administração, Vilmar Michereff Junior, e da secretária de Cultura, Arte e Esporte, Andréa Búrigo Ventura. Para a realização do evento, a fortaleza foi fechada ao público durante a manhã. Segundo a UFSC, a parceria com o Iphan para preservação, restauração e requalificação inaugura um ciclo de investimentos que prevê soluções de acessibilidade, comunicação visual renovada e novos espaços expositivos nas fortalezas.

O conjunto de ações se insere no projeto Restauração das Fortificações Catarinenses #EuValorizoAsFortalezas, criado em 2021 pela Coordenadoria das Fortalezas da Ilha de Santa Catarina (CFISC), da Secretaria de Cultura, Arte e Esporte (SeCArtE/UFSC). A iniciativa tem aporte total de R$ 67 milhões. Em 2022, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 32,5 milhões para o projeto, que demonstrou como contrapartida R$ 17,5 milhões já aplicados anteriormente nas fortificações pelo Iphan, pelo PAC anterior e pelo Fundo de Direitos Difusos. Somados aos recursos agora anunciados, o montante alcança R$ 67 milhões, destinados exclusivamente às fortalezas.

Além das obras físicas, o cronograma de três anos prevê 25 ações complementares, incluindo apresentações culturais, novos espaços expositivos, comunicação visual, auditórios para eventos e a criação de modais sustentáveis de visitação – um ônibus e uma embarcação movidos a energia elétrica gerada por sistema fotovoltaico – para ampliar o acesso às ilhas de Anhatomirim e Ratones Grande. O objetivo é diversificar os usos e atrair novos públicos, promovendo o acesso à cultura e à história regional e nacional.

Ao recuperar e dar uso ao Quartel da Tropa e dotar o conjunto de meios adequados para receber visitantes, pesquisadores, estudantes e agentes públicos, a obra reforça a relevância de Anhatomirim como referência histórica regional e nacional, com infraestrutura atualizada, mais acessível e orientada à educação patrimonial.

 

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Fotos: Assessoria do Gabinete | UFSC

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Centro Tecnológico da UFSC celebra 65 anos; referência em formação, pesquisa e inovação

17/12/2025 17:22

Evento nesta quarta-feira comemorou os 65 anos do Centro Tecnológico da UFSC. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

A memória institucional e o reconhecimento de contribuições individuais e coletivas foram a tônica dos 65 anos do Centro Tecnológico (CTC) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), celebrados nesta quarta-feira, 17 de dezembro. A história do CTC – indissociável da própria trajetória da UFSC, que completa a mesma idade neste mês – espelha a evolução do ensino de engenharia e tecnologia no Brasil. A cerimônia começou às 10h, no Auditório Professor Luiz Antunes Teixeira, o “Teixeirão”, no campus Trindade, em Florianópolis, e foi prestigiada pelo reitor Irineu Manoel de Souza, pelo assessor do Gabinete Alexandre Verzani, pelo chefe de Gabinete Bernardo Meyer, professores, técnicos, estudantes, autoridades acadêmicas e entidades representativas.

O encontro foi marcado por homenagens a ex-diretores que lideraram o centro entre 1960 e 2024, bem como a docentes e técnicos-administrativos aposentados em 2025 – gerações que ajudaram a construir esta história. Ex-dirigentes e representantes de instituições parceiras fundamentais para o ecossistema de inovação catarinense também se manifestaram, entre elas a Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina (Feesc), a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (CREA-SC).

Para o professor Júlio Zeremeta, um dos homenageados e que apresentou uma retrospectiva histórica, o legado é de crescimento sustentado e impacto amplo: a missão de docentes, técnicos e estudantes vem sendo cumprida e deve seguir em trajetória ascendente — uma “derivada positiva” de realizações acadêmicas, econômicas e sociais.

Trajetória e consolidação

Desde sua criação em 1960, o CTC firmou-se como uma das 15 unidades de ensino da UFSC e tornou-se referência nacional em formação, pesquisa e inovação. A infraestrutura atual traduz essa relevância: 10 departamentos, 15 cursos de graduação, 14 programas de mestrado e 12 de doutorado.

A trajetória começou com a Escola de Engenharia Industrial (EEI), marco inaugural da área tecnológica na universidade. Nos anos 1970, a EEI deu lugar ao Centro Tecnológico, consolidando a força da graduação e da pós-graduação. Os anos 1980 trouxeram os primeiros doutorados, elevando a formação de pesquisadores. Na década seguinte, o centro consolidou-se definitivamente, com a expansão da pós-graduação e a diversificação de áreas e linhas de pesquisa.

Ao longo de seis décadas e meia, o CTC manteve clara sua missão: promover o desenvolvimento científico, tecnológico e cultural para melhorar a qualidade de vida. Essa diretriz orienta projetos acadêmicos, parcerias estratégicas com os setores público e privado e iniciativas de inovação que impulsionam o desenvolvimento regional e nacional – reforçando o centro como vetor de transformação social e produtor de conhecimento de excelência.

O reitor Irineu Manoel de Souza ressaltou que se trata “de fato, de um dos centros mais importantes da universidade”, tanto “pela sua grandeza na pesquisa, no ensino, na extensão” quanto pela contribuição social, que segundo ele, o centro é o que mais forma estudantes e insere na sociedade profissionais altamente qualificados.

O reitor reiterou a força acadêmica do centro, resultado do trabalho da comunidade que o compõe, e contextualizou o momento de evasão e de dificuldades de atração para a graduação; Ainda assim, salientou que os cursos do CTC seguem disputados e, a cada semestre, colocam “um número qualificado de profissionais” na sociedade. Ao ampliar o foco para a instituição, sublinhou que a universidade se destaca “em termos de qualidade” no ensino, na pesquisa e na extensão, com reconhecimento em Santa Catarina, no Brasil e internacionalmente, reconhecimento que atribuiu ao esforço, ao apoio e à participação do Centro Tecnológico no projeto universitário.

Retrospectiva histórica

O Centro Tecnológico tem sua origem diretamente vinculada à criação da própria universidade. A Lei 3.849, de 18 de dezembro de 1960, que instituiu a UFSC, já previa a implantação da Escola de Engenharia Industrial, com vocação inicial nas áreas de Química, Metalurgia e Mecânica – frentes que posteriormente foram ampliadas para incluir Engenharia de Materiais.

Em 1961, o professor João David Ferreira Lima foi nomeado primeiro reitor e estabeleceu um convênio estratégico com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para viabilizar a nova escola. Pelo acordo, os professores regentes deslocavam-se quinzenalmente para Florianópolis para ministrar aulas, apoiados por tutores locais. Em 1962, o primeiro curso de graduação entrou em operação: Engenharia Mecânica, instalado no pavilhão da engenharia industrial – hoje bloco B da Engenharia Mecânica.

A presença do professor Caspar Erich Stemmer foi decisiva nesta fase inicial. Ele atuou como regente a partir de 1964, e no início de 1965 assumiu a direção da EEI, permanecendo no cargo até 1969. Sob sua liderança, a escola expandiu sua oferta com a criação dos cursos de Engenharia Civil e Engenharia Elétrica, que começaram a funcionar ainda na década de 1960. Para superar restrições de contratação e pagamento de especialistas, especialmente na área elétrica, a EEI criou, em parceria com a Companhia Energética de Santa Catarina (Celesc), a Fundação de Ensino de Engenharia de Santa Catarina (Feesc) em 1966 – pioneira entre as fundações de apoio da UFSC e a única com “ensino” no nome. Esta fundação tornou-se parceira fundamental da universidade desde então.

A partir da reforma universitária de 1970, quando as instituições brasileiras passaram a se organizar em departamentos e unidades de ensino, o CTC acelerou sua expansão. No segundo mandato de Stemmer (1970-1974), já sob influência da reforma, consolidou-se a visão de um centro multidisciplinar, inaugurando oficialmente a era do Centro Tecnológico. A década de 1970 marcou um ciclo de forte expansão, com a abertura de seis novos cursos de graduação.

Em 1969, ainda antes da consolidação formal do CTC, teve início o primeiro programa de pós-graduação da UFSC: o Mestrado em Engenharia Mecânica. Este foi o marco inicial de uma trajetória que resultaria na formação de dezenas de milhares de profissionais em engenharias, arquitetura, computação e sistemas de informação, além de milhares de especialistas, mestres e doutores. Entre os cursos criados neste período de expansão, destacam-se Ciência da Computação em 1976 – em um contexto anterior à popularização dos microcomputadores – e, na sequência, Arquitetura e Urbanismo (1977), Engenharia de Alimentos e Engenharia Química (1978), Engenharia Sanitária e Ambiental (1978), e os cursos de Produção, Mecânica, Elétrica e Civil (1979).

O crescimento do CTC apoiou-se na estruturação de laboratórios, na consolidação da pós-graduação e na articulação entre ensino, pesquisa e extensão. Novos cursos continuaram sendo criados para atender demandas emergentes: Controle e Automação (1990), Engenharia de Materiais e Sistemas de Informação (2000) e Engenharia Eletrônica (2009). Já na década mais recente, o centro aprovou a oferta de Engenharia de Produção Plena (2022) e deu início ao processo de criação de Engenharia de Alimentos e Bioprodutos, refletindo demandas emergentes da sociedade.

Excelência e impacto

Atualmente, ao longo de seis décadas e meia de história, o CTC estruturou-se como um polo de excelência acadêmica. A unidade oferece ainda mestrados profissionais e cursos de especialização que atendem a necessidades específicas, como gestão e avaliação, engenharia ambiental e veículos elétricos e autônomos. As iniciativas são avaliadas por critérios de qualidade que incluem não apenas produção científica, mas também impacto social e econômico.

No campo da pesquisa, o CTC consolidou reconhecimento pela produção contínua de artigos científicos em periódicos de prestígio internacional. Na extensão, inovação e transferência de tecnologia, o centro protagonizou iniciativas que moldaram o ecossistema catarinense: fomentou empresas juniores, concebeu e estruturou os primeiros parques tecnológicos de Florianópolis e de Santa Catarina – como o Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas (Celta), o Parque Tecnológico Alfa e o Sapiens Park – e fortaleceu o modelo de fundações de apoio. A colaboração que levou à Lei 8.958/1994, regulamentando parcerias entre instituições federais de ensino, instituições científicas, tecnológicas e de inovação (ICTs) e fundações de apoio, contribuiu para desonerar pesquisadores de tarefas administrativas e acelerar projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D).

A celebração ressaltou que a trajetória do centro foi construída tanto por grandes marcos institucionais quanto por ações cotidianas, sólidas e sinceras, que sustentaram a formação de pessoas e o fortalecimento da unidade ao longo do tempo. O centro reitera seu compromisso com uma atuação acadêmica relevante e impactante, voltada para a sociedade catarinense, brasileira e internacional.

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