Rede Biotech integra pesquisadores e amplia atuação da UFSC em áreas estratégicas

24/09/2026 16:36

Conectar pesquisadores, laboratórios e diferentes áreas de atuação para transformar competências já existentes na Universidade em novas possibilidades de pesquisa, inovação e desenvolvimento. É esse o movimento impulsionado pela Rede Biotech, criada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2024 e credenciada pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq). Atualmente, a iniciativa reúne 48 professores de diferentes departamentos e centros de ensino, além de pós-doutorandos, estudantes, programas de pós-graduação, laboratórios e instituições parceiras, articulando conhecimentos e infraestrutura em torno de projetos nas áreas de Biodiversidade e Biotecnologia.

Para o pró-reitor de Pesquisa, Jacques Mick, essa experiência pode contribuir para a organização institucional da pesquisa em áreas estratégicas da UFSC. Ao reunir essas competências em uma estrutura institucional, torna-se mais fácil identificar os grupos, as especialidades e as modalidades de pesquisa existentes na Universidade, favorecendo a formação de equipes multidisciplinares e a elaboração de projetos que combinem conhecimentos especializados e infraestruturas específicas.

Para a professora da UFSC e superintendente de Projetos da Propesq, Gislaine Fongaro, a constituição de redes representa uma forma de regulamentar as colaborações que já estão presentes entre diferentes grupos de pesquisa da Universidade. “Transformar isso em rede é um caminho natural. Muitos já operam de forma articulada, mas não se encontram institucionalizadas”, afirma. Segundo ela, a formalização permite reunir competências complementares, compartilhar e otimizar espaços, ampliar a segurança nos laboratórios e fortalecer ações de internacionalização e de transferência de tecnologia.

Na UFSC, a criação e o funcionamento de redes de pesquisa são regidas por resoluções do Conselho Universitário (CUn), assim como grupos, laboratórios multiusuários, núcleos, institutos, cátedras e observatórios. Gislaine também acrescenta que “as redes são constituídas em torno de temas científicos de interesse comum e pressupõem uma colaboração organizada e contínua entre pesquisadores, que vai além de uma parceria pontual ou de um projeto específico”. Nesse contexto, a Rede Biotech também está registrada no Sistema Integrado de Gerenciamento de Projetos de Pesquisa e de Extensão (SIGPEX), que reúne todas as informações sobre pesquisadores, estudantes, colaboradores externos e atividades desenvolvidas.

Laboratórios e programas de pós-graduação envolvidos na Rede

Eixos de atuação

A diversidade de competências da Rede Biotech se reflete nas diferentes frentes de investigação desenvolvidas por seus integrantes. Em artigo publicado na revista acadêmica internacional Trends in Biotechnology, a iniciativa é apresentada a partir dos seguintes eixos: transição ecológica, engenharia de bioprocessos, biotecnologia de precisão, saúde (One Health) e transição energética. A publicação também destaca a engenharia de bioprodutos, área dedicada ao desenvolvimento de moléculas, materiais e processos com potencial de aplicação industrial.

Na transição ecológica, os estudos abrangem biotecnologia vegetal e de algas, tratamento de efluentes, monitoramento ambiental e identificação de poluentes emergentes. Entre as pesquisas estão trabalhos de sequenciamento e caracterização de genomas de espécies vegetais, cultivo de microalgas e macroalgas e desenvolvimento de processos e produtos a partir de sua biomassa. As investigações buscam ampliar o conhecimento sobre recursos biológicos e, ao mesmo tempo, desenvolver alternativas para seu aproveitamento sustentável e para a redução de impactos ambientais.

A transição energética concentra pesquisas voltadas à produção de combustíveis renováveis e ao aproveitamento de diferentes tipos de biomassa, além de iniciativas relacionadas à recuperação ambiental. Um dos projetos destacados no artigo é o “Cannabiofuel”, desenvolvido em colaboração com a Polícia Federal, que investiga a conversão, por meio de pirólise, de biomassa de cannabis apreendida em biocombustíveis. A proposta é dar uma destinação alternativa a um material que seria incinerado, transformando-o em produtos como bioóleo, biogás, biocarvão e vinagre pirolítico. A pesquisa avalia o potencial desses materiais e seus possíveis usos em processos energéticos, associando a investigação científica ao aproveitamento de resíduos e à busca por novas fontes de energia.

Na engenharia de bioprocessos, as equipes estudam formas de tornar mais eficientes sistemas de produção baseados em processos fermentativos e enzimáticos. Um dos desafios é fazer com que tecnologias desenvolvidas em laboratório possam ser ampliadas para aplicações industriais, mantendo eficiência, viabilidade econômica e segurança. Os estudos envolvem o uso de consórcios microbianos, o controle de biofilmes e análises técnico-econômicas e de ciclo de vida dos processos.

Já a engenharia de bioprodutos concentra pesquisas voltadas à obtenção e ao aprimoramento de produtos de interesse científico e industrial. Entre os trabalhos estão estudos com bioaromas, biossurfactantes, pigmentos e outras moléculas bioativas, além do desenvolvimento de processos enzimáticos destinados à indústria têxtil. A área também envolve tecnologias de separação e purificação e pesquisas relacionadas à produção de estruturas de suporte para carne cultivada, campo que demanda conhecimentos de diferentes áreas da biotecnologia e da engenharia.

A biotecnologia de precisão reúne ferramentas de biologia molecular, bioinformática e abordagens ômicas para investigar sistemas biológicos em diferentes níveis de complexidade. Entre as aplicações estão a identificação de biomarcadores associados a doenças infecciosas e ao câncer, o desenvolvimento de estratégias vacinais e pesquisas de cultivo in vitro e micropropagação de espécies vegetais.

No eixo de saúde, a perspectiva de One Health amplia o olhar sobre as relações entre saúde humana, animal e ambiental. Nesse contexto, os pesquisadores desenvolvem estudos sobre doenças negligenciadas, como a de Chagas e leishmaniose, além de pesquisas relacionadas a doenças neurodegenerativas, terapias regenerativas e biomateriais. Também fazem parte desse conjunto investigações sobre o potencial terapêutico de canabinoides, especialmente em estudos relacionados à neuroproteção e à medicina regenerativa.

Pesquisa e inovação

A aproximação entre produção científica e inovação é outra dimensão da atuação da Rede Biotech. As pesquisas desenvolvidas pelos grupos participantes abrangem possibilidades de aplicação em setores como saúde, agricultura, indústria, meio ambiente e produção de energia. Entre os exemplos, uma pesquisa que prevê a proteção intelectual de uma pomada à base de canabidiol (CBD) destinada ao uso veterinário.

O processo de transformar resultados obtidos nos laboratórios em tecnologias, produtos ou processos aplicáveis em diferentes setores pode abrir novas possibilidades de cooperação entre a Universidade e o setor produtivo. A transferência de tecnologia também pode contribuir para ampliar a escala de soluções desenvolvidas em ambiente acadêmico e aproximar a pesquisa de demandas identificadas fora da Universidade. “A vantagem é de imagem, de receita própria e de uma agenda de cooperação entre a nossa pesquisa avançada e a indústria”, explica Mick.

A busca por financiamento permanece vinculada aos próprios pesquisadores e grupos que integram a Rede, que desenvolvem suas iniciativas e procuram fontes de recursos de acordo com as características de cada pesquisa. A estrutura institucional funciona como espaço de articulação dessas competências e também prevê a organização de um portfólio de pesquisas, a prestação de serviços, a oferta de cursos, a realização de workshops e encontros científicos e ações de divulgação científica.

Cooperação e novas oportunidades

A articulação com instituições externas amplia o alcance das pesquisas desenvolvidas pela Rede Biotech. Atualmente, a iniciativa mantém cooperações com instituições como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Associação da Rede de Biotecnologia da Região Sul (SulBiotec). A rede também busca ampliar essa parceria no Brasil e no exterior.

A experiência acumulada pelos pesquisadores também contribuiu para a criação do Instituto Nacional de Biofábricas (INCT-Biofábricas). Coordenado por Débora de Oliveira, o instituto deverá contribuir para ampliar a escala de processos e produtos inicialmente desenvolvidos em ambiente laboratorial. A proposta foi aprovada com financiamento público do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

As atividades da rede dialogam ainda com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, especialmente em temas relacionados à saúde, segurança alimentar, preservação ambiental, inovação e desenvolvimento econômico sustentável. A relação com esses objetivos aparece nas diferentes frentes de investigação, que envolvem desde a conservação e o uso sustentável de recursos biológicos até a criação de processos industriais, produtos para a área da saúde e alternativas para a produção de energia.

Com informações do site redebiotech.ufsc.br e de artigo publicado na revista Trends in Biotechnology, que se encontra disponível para leitura nesta página.

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UFSC realizará avaliação odontológica para trabalhadores da Aliança por Floripa

24/09/2026 10:56

Trabalhadores da Aliança por Floripa nas atividades de revitalização do Campus Trindade da UFSC. Foto: CDL

O Departamento de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realizará, no dia 6 de outubro, a partir das 9h, uma avaliação inicial da saúde bucal dos trabalhadores da Aliança por Floripa, no campus da Trindade, em Florianópolis. Na ocasião, a equipe fará um levantamento das necessidades de tratamento odontológico de cada participante e, após a avaliação, os trabalhadores receberão orientações e encaminhamentos para as diferentes clínicas de atendimento vinculadas aos cursos da UFSC.

A triagem será coordenada pelo professor Thalisson Saymo de Oliveira Silva e contará com a participação das professoras Karin Berria Tomazelli e Letícia Rhuland, da enfermeira Rita de Cassia Christoval da Veiga e da equipe do Departamento de Odontologia da UFSC.

A iniciativa da Universidade atende a uma demanda apresentada pelos próprios trabalhadores que, desde o dia 8 de setembro, atuam em atividades de zeladoria, conservação e melhoria dos espaços externos da instituição.

Atendimento Odontológico na UFSC

Clínica Odontológica da UFSC. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Os atendimentos odontológicos da UFSC são realizados por estudantes do curso de graduação, sob orientação e supervisão de professores. Os serviços proporcionam aos acadêmicos experiência prática, ao mesmo tempo que ampliam o acesso da população aos cuidados com a saúde bucal.

O Departamento de Odontologia dispõe de duas clínicas e inclui, ainda, núcleos especializados como o Centro de Pesquisa e Ensino em Implantes Dentários (Cepid), o Núcleo de Atendimento a Pacientes com Deformidade Facial (Napadf) e o Centro Multidisciplinar de Dor Orofacial (Cemdor), que oferecem suporte a casos com necessidades específicas de diagnóstico e tratamento.

Os atendimentos são gratuitos e integram a Rede de Atenção à Saúde Bucal de Santa Catarina. Além de contribuírem para a formação técnica e humanizada dos futuros profissionais, os serviços aproximam a Universidade da comunidade e reafirmam o compromisso da UFSC com a extensão universitária e com o atendimento às demandas sociais.

 

Mais informações e agendamentos

Informações sobre os atendimentos e os agendamentos são fornecidas pelo Serviço de Captação de Pacientes (Sercap).

Horário de atendimento: de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h.
Telefones: (48) 3721-3500/3404.
Endereço: Rua Delfino Conti, s/nº, Prédio das Clínicas Odontológicas do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Bloco D, térreo (ao lado da rampa).

 

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Vice-Reitora da UFSC abre seminário de Politicas Afirmativas da pós-graduação em Saúde Coletiva

19/08/2026 08:05

A vice-reitora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Felipa Amadigi participou, na manhã desta terça-feira, 18 de agosto, da abertura do Seminário de Políticas Afirmativas do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC). A solenidade reuniu gestores universitários, pesquisadores e representantes de instituições, iniciativas e coletivos ligados à promoção da equidade e ao enfrentamento das desigualdades.

Também estiveram presentes na abertura a pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade, Evelise Santos Sousa (Proafe); o pró-reitor de Pós-Graduação (Propg), Juarez Nascimento; e o diretor do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Fabrício de Souza Neves.

Durante o pronunciamento, Felipa ressaltou a importância das políticas afirmativas para a democratização do acesso aos direitos e para a construção do projeto institucional da Universidade. “Ações afirmativas não são concessões. São políticas públicas de enfrentamento às desigualdades produzidas e reproduzidas em nosso país. São instrumentos de democratização de direitos e ocupam lugar estratégico no projeto de Universidade que estamos construindo”, afirmou.

Após a solenidade de abertura, foi realizada a primeira mesa de debates, com o tema “Racismo e políticas afirmativas no Brasil e em Santa Catarina” . A atividade foi mediada pela professora da UFSC, Marta Verdi.

Participaram da discussão Marcelo Castellanos, do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia (ISC/UFBA); Miguel Eusébio, da Universidade Federal do Ceará (UFC); e Karla Garcia Luiz, do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Da UFSC, Evelise Santos Sousa, da Proafe; Marcelo Tragtenberg, da Cátedra Antonieta de Barros; Mirê Chagas, da Rede Trans UFSC.

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Conselho Universitário delibera sobre renovação do contrato do HU-UFSC com Ebserh

01/07/2026 17:16

O Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aprovou, em sessão extraordinária realizada nesta terça-feira, 30 de junho, o parecer favorável à continuidade das negociações sobre a renovação do contrato da instituição com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), com a fixação de condicionantes para a discussão em Brasília. A reunião foi aberta à comunidade no Auditório da Reitoria, com transmissão ao vivo pelo canal do CUn no YouTube.

Ao abrir a sessão, o reitor Irineu Manoel de Souza informou que tratava-se de pauta única, solicitada pelo Gabinete da Reitoria (GR), e relatoria do conselheiro Rui Daniel Schroder Prediger. Antes da leitura, o parecerista classificou a matéria como uma das mais relevantes apresentadas pela CUn nos últimos anos. Segundo ele, o Conselho não discutiu apenas a renovação de um contrato administrativo, mas “o futuro de uma das principais estruturas estratégicas da UFSC”. Também ressaltou que o Hospital Universitário Professor Polidoro Hernani de Santiago (HU-UFSC) é “patrimônio da UFSC, do SUS e da sociedade catarinense”.

Em sua exposição, o relator destacou que o processo possui 470 páginas e disse que foi subsidiado pelo trabalho da comissão presidida pelo chefe de Gabinete Bernardo Meyer, responsável por avaliar a gestão dos últimos dez anos, além da organização cronológica deste processo.

O conselheiro Rui Daniel contextualizou que o contrato especial de gestão entre UFSC e Ebserh foi firmado em março de 2016, com vigência original de dez anos. Como esse prazo se encerrou em março de 2026, houve prorrogação administrativa até 15 de julho de 2026 para permitir a conclusão da análise institucional. De acordo com o relator, o tema ultrapassa a dimensão contratual e envolve a definição das bases de integração entre assistência, ensino, pesquisa, extensão e inovação.

O parecer também recupera o histórico do HU, concebido na década de 1980 em articulação com o Centro de Ciências da Saúde (CCS), com atuação exclusivamente vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS). O professor Rui comentou que o hospital exerce papel central na formação prática de residentes e graduandos e lembrou que, no Plano Diretor Estratégico (PDE) de 2024, estipulou-se como meta tornar-se hospital-escola de excelência até 2028.

Ao tratar da Ebserh, o relator lembrou que a empresa foi criada pela Lei nº 12.550/2011, em resposta à crise estrutural dos hospitais universitários. Segundo o parecer, a legislação preservou a autonomia universitária ao tornar facultativa a adesão. Rui Daniel assinalou ainda que, em 2026, a rede passou a adotar a denominação “HU Brasil” e atualmente administra 46 hospitais em 25 unidades da federação.

O relator recordou que a adesão da UFSC à Ebserh foi antecipada por forte controvérsia interna entre 2014 e 2015, episódio que marcou a história da instituição. Conforme descrito, a consulta pública de 2015 registrou 70% de manifestações contrárias à adesão, mas, em 1º de dezembro daquele ano, o CUn apresentou o início das tratativas por 35 votos identificados e dois contrários, em sessão realizada no Colégio da Polícia Militar.

Sobre os trabalhos da Comissão de Avaliação, instituída no final de 2023, Rui Daniel afirmou que houve um processo de escuta institucional que resultou em 16 recomendações. Entre elas, estão a exigência de cláusula de reabertura e manutenção da emergência pediátrica, bem como dos atendimentos de emergência nas áreas básicas; a consulta prévia obrigatória à comunidade para a escolha do superintendente; a oferta de moradia para médicos residentes; e a criação de um órgão consultivo interno, o Conselho Superior do Hospital.

Também integram as recomendações a criação de um site com indicadores de desempenho em tempo real; a inclusão de índices de rotatividade e absenteísmo entre os indicadores monitorados; a penalização da Ebserh em caso de descumprimento contratual; a integração do planejamento assistencial às necessidades de ensino; a priorização de pesquisas cooperativas por profissionais da UFSC; e mecanismos para atração de profissionais em setores com dificuldade de fixação.

Além disso, a comissão recomendou o fortalecimento da Gerência de Ensino e Pesquisa (GEP), o reinventário de bens patrimoniados em nome da UFSC sob guarda da Ebserh, o aprimoramento dos procedimentos de desfazimento de bens móveis, o reforço da fiscalização pela administração universitária, a retomada das negociações sobre o termo de cessão do espaço no campus Trindade e a melhoria da comunicação entre a gestão do HU e os setores acadêmicos.

Na análise da gestão entre 2016 e 2026, o parecer apresentou avanços e fragilidades. Rui Daniel disse que houve “renovação tecnológica expressiva”, com a incorporação de mais de 500 novos equipamentos, entre tomógrafos e angiógrafos. Ele registrou ainda que, em 2023, o hospital alcançou 78,3% de cobertura financeira por receitas próprias e SUS.

Por outro lado, o relator recomendou a subutilização da capacidade instalada. Segundo os dados apresentados, a taxa de ocupação foi de 73,8% em 2023, abaixo da meta de 80%, e houve redução no número de cirurgias, de 4.686 em 2022 para 3.145 em 2023.

No campo acadêmico, o parecer apontou a persistência de divergências sobre as competências do GEP em relação às estruturas da UFSC e o excesso de burocracia para atividades acadêmicas. Rui Daniel destacou que permanece uma tensão entre a busca pela eficiência financeira da Ebserh e a missão universitária, com percepção de priorização de serviços mais rentáveis ​​em detrimento de áreas de maior valor pedagógico.

Ao examinar a minuta de renovação contratual, o relator afirmou que o texto revisado pela comissão reafirma o HU como regulamento suplementar da UFSC, propõe governança compartilhada, retira a obrigatoriedade de adesão ao Exame Nacional de Residência (Enare) e introduz a criação de um órgão colegiado consultivo paritário.

Com base nesse diagnóstico, Rui Daniel apresentou dez diretrizes institucionais para orientar a negociação: preservação da identidade acadêmica e da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão; fortalecimento da governança e do monitoramento anual pelo CUn; desenvolvimento de indicadores acadêmicos e de gestão; integração permanente entre gestão hospitalar e departamentos acadêmicos; fortalecimento da pesquisa, inovação e extensão; valorização da preceptoria; transparência ativa; avaliação periódica com revisão anual no quinto ano; elaboração de cultura permanente de avaliação institucional; e fortalecimento do HU como referência nacional em integração e gestão pública.

Ao final da leitura, o relator apresentou o seu voto: “pela aprovação das diretrizes”, “pelo reconhecimento da minuta revisada como referência”, “pela autorização à Reitoria para negociar em Brasília” e “pela recomendação de prorrogação excepcional de 60 dias”, caso o prazo de 15 de julho fosse insuficiente para os ajustes finais.

Após o debate entre os conselheiros, Rui Daniel agradeceu as contribuições e respondeu aos pontos levantados durante a discussão. Disse que, em relação aos dados, a minuta prevê auditorias independentes custeada pela própria Ebserh. Também afirmou que não encontrou, nos autos, elementos que permitissem apresentar naquele momento um modelo imediato de não adesão. Em seguida, acolheu sugestão de dois conselheiros para alterar a redação do parecer: as “diretrizes” passariam a ser tratadas como “condicionantes fundamentais para a discussão em Brasília”.

Posto em votação, o parecer do relator foi aprovado no colegiado da UFSC por 34 votos favoráveis e 17 contrários.

Leia mais:

Renovação do contrato HU-UFSC e Ebserh (2026)

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Por decisão judicial, área de estacionamento ao lado do HU é cercada para recuperação vegetal

06/03/2026 12:20

Área de estacionamento informal ao lado do HU foi cercada para preparo do solo e replantio de vegetação (Fotos: Gustavo Diehl/Agecom)

Em cumprimento à Sentença Judicial n°5021309-83.2014.4.04.7200, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realizou o cercamento de área de estacionamento informal ao lado do Hospital Universitário (HU) e próximo ao Centro de Ciências da Saúde (CCS), no campus da Trindade, em Florianópolis.

Equipes da Prefeitura Universitária (PU), sob orientação do Grupo de Trabalho Executivo do Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas (PRAD) da UFSC, concluíram o cercamento da área, cuja ação objetiva permitir a regeneração da vegetação na Área de Preservação Permanente (APP) às margens do Rio do Meio, que corta o campus.

A determinação para que as faixas de APP utilizadas como estacionamento fossem cercadas está expressa na autorização emitida pelo Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) para execução do PRAD.

Após a instalação de mourões de madeira com cordas delimitando a área e impedindo o acesso de veículos na APP, terá início a fase de preparação do solo e plantio de vegetação, “com vistas a recuperação vegetal dessas áreas no sentido de retomar as características e funções ambientais e de biodiversidade das margens”, explica o ofício encaminhado pela PU informando sobre a intervenção.

Objetivo do cercamento é permitir a regeneração da Área de Proteção Permanente (APP) às margens do Rio do Meio

Alguns locais do campus já estão sofrendo intervenções e ações de recuperação ambiental. Áreas nas proximidades do laguinho do Hospital Universitário, nos fundos do Centro de Ciências Biológicas (CCB) e no bosque atrás do Restaurante Universitário (RU) já foram cercadas e estão com atividades de plantio em andamento. Futuramente, também serão realizadas intervenções em locais próximos ao prédio da Arquitetura e do Centro de Ciências Físicas e Matemáticas (CFM).

O PRAD da UFSC tem como eixos de ação a recuperação de margens (de cursos d’água) e compensação ambiental; a qualidade da água; esgotamento sanitário e educação ambiental, com acompanhamento do Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA).

Tags: Área de Preservação PermanenteCCSHUInstituto do Meio Ambiente de Santa CatarinaPRADPrefeitura UniversitáriaUFSC
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