Administração Central da UFSC divulga relatório de realizações e legados da gestão 2022-2026

03/07/2026 15:31

A gestão 2022–2026 da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) publicou, nesta sexta-feira, 3 de julho, o relatório de legados e realizações do quadriênio. O documento tem como objetivo registrar, conferir transparência e compartilhar com a comunidade universitária e com a sociedade as principais ações, políticas, projetos, investimentos e resultados desenvolvidos no período.

O relatório reúne iniciativas conduzidas pelas pró-reitorias, secretarias, órgãos suplementares e demais unidades administrativas da Universidade, evidenciando o trabalho coletivo de servidores docentes e técnicos-administrativos em Educação, estudantes, trabalhadores terceirizados, parceiros institucionais e membros da comunidade externa.

“O período foi marcado por desafios e por importantes oportunidades de fechamento e fortalecimento institucional. À retomada gradual das atividades presenciais após a pandemia de Covid-19 somaram-se os esforços de recomposição das estruturas universitárias, de ampliação dos espaços democráticos de diálogo, de fortalecimento das relações institucionais e de reafirmação do papel estratégico das universidades públicas na produção do conhecimento, na formação cidadã e no desenvolvimento social, científico, cultural e econômico do país”, afirmou o reitor Irineu Manoel de Souza, no preâmbulo do documento.

Na apresentação do relatório, o reitor contextualiza o período “caracterizado por restrições orçamentárias, demandas crescentes por inclusão, inovação, sustentabilidade e valorização das pessoas”. Segundo ele, nesse cenário, a UFSC “buscou consolidar políticas acadêmicas, administrativas e sociais orientadas pelos princípios da excelência, da gestão democrática, da responsabilidade pública, da promoção da equidade, do respeito à diversidade, da defesa dos direitos humanos e do compromisso permanente com uma educação pública, gratuita, laica, inclusiva, socialmente referenciada e de qualidade”.

O documento não tem a pretensão de reunir a totalidade das ações desenvolvidas pela Universidade ao longo do período. Em vez disso, apresenta uma seleção de iniciativas mais representativas, estruturantes e de maior relevância institucional. “Espera-se que este relatório contribua para a preservação da memória institucional, para a continuidade de iniciativas que trouxe sua relevância para a Universidade e para o fortalecimento da UFSC como patrimônio público, científico, cultural e democrático da sociedade brasileira”, concluiu o reitor.

Confira o relatório neste link

Rosiani Bion de Almeida | Secom
imprensa.gr@contato.ufsc.br

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UFSC discute políticas institucionais de Enfrentamento à Evasão e de Equidade de Gênero

02/07/2026 14:21

As políticas institucionais de Enfrentamento à Evasão e de Equidade de Gênero da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foram discutidas no Conselho Universitário (CUn), em sessão extraordinária realizada nesta quarta-feira, 1º de julho, no período da tarde, na Sala dos Conselhos. A reunião foi transmitida ao vivo no canal do CUn no YouTube.

Enfrentamento à Evasão

A minuta de resolução normativa que trata do Enfrentamento à Evasão da UFSC foi relatada pelo conselheiro Erasmo Benício Santos de Moraes Trindade, a partir de solicitação da Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd).

Em seu parecer, o conselheiro destacou que a proposta estabelece o compromisso institucional de direcionar esforços e recursos para reduzir a evasão, definida no texto como “todo desligamento voluntário ou involuntário do estudante antes da conclusão do curso, excetuando-se falecimento”. O documento tem como objetivo geral implementar estratégias de prevenção, identificação e redução, além de prever o monitoramento de indicadores, e ações de busca ativa e mitigação de fatores associados ao desligamento de estudantes.

A minuta também estabelece competências para a criação de um setor central de combate à evasão, vinculado ao Prograd, e de setores locais nos centros de ensino. Segundo o documento, os setores locais deverão contar, pelo menos, com um Técnico em Assuntos Educacionais, um Pedagogo e um Assistente em Administração. A proposta prevê ainda avaliação anual das ações e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), além de ter como base a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e a Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES). Ao final, Erasmo manifestou-se favoravelmente à aprovação da resolução.

A conselheira e pró-reitora Dilceane Carraro (Prograd) ressaltou a importância da pauta. Segundo ela, desde o início da gestão havia o propósito de estabelecer ações de enfrentamento à evasão, o que resultou na elaboração de um diagnóstico publicado em 2024. Dilceane afirmou que a política busca dar mais legitimidade e respaldo institucional às ações já em curso.

Dilceane também informou que o Observatório da UFSC já dispõe de dados sobre evasão e que a Universidade pretende integrar painéis de dados ao Controle Acadêmico de Graduação (CAGR), com apoio da Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e Comunicação (Setic), incluindo o acompanhamento da frequência dos estudantes no Moodle. Sobre os novos setores, ela instruiu que pedagogos e técnicos em assuntos educacionais foram definidos como essenciais, mas ponderou que a UFSC não tem condições de garantir imediatamente todos esses profissionais.

A conselheira Carolina Bahia elogiou a iniciativa, mas chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelas unidades em razão do quadro técnico reduzido. Ela citou o caso do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ), onde diretores tiveram dificuldade de indicar servidores para atuar na função relacionada à evasão por causa do quadro exíguo. Carolina também defendeu que a política dialogue com a Política de Enfrentamento ao Racismo Institucional, aprovada pelo CUn em novembro de 2022.

O conselheiro Tiago Montagna também parabenizou os envolvidos, mas destacou diferenças entre a proposta de enfrentamento à evasão e a política de equidade de gênero, afirmando que esta apresenta metas verificáveis, enquanto aquela não estabelece uma meta quantitativa. Para ele, a minuta também não indica qual fator deve ser atacado primeiro. Ele criticou ainda a repetição de atribuições entre setores, afirmando que, quando há muita sobreposição de trabalho, corre-se o risco de que as ações não sejam realizadas.

A conselheira Miriam Furtado Hartung manifestou preocupação com a criação de setores que exigiam funções gratificadas. Segundo ela, se houver um setor por centro, serão necessários 14 FGs. Miriam lembrou que a Universidade já enfrentou carência de técnico-administrativos e que há coordenadorias de curso sem TAE ou mesmo com sem função gratificada. Para a conselheira, criar um setor e projetar um servidor não garante resultados sem metas e instrumentos precisos.

O conselheiro Renato Milis avaliou que a evasão é um problema generalizado e que é fundamental que uma política preveja pessoal e recursos, a fim de evitar que fique sem efetividade. Renato também defendeu que parte das 140 vagas conquistadas pelo movimento sindical seja destinada aos setores previstos na política, além de sugerir a inclusão de psicólogos educacionais, considerando que a evasão envolve questões de orientação profissional.

A conselheira Heloísa Teles, que relatou a matéria na Câmara de Graduação, afirmou que a graduação é “o coração da universidade” e classificou como absurdo que mais de 50% dos ingressantes não concluam seus cursos. Para ela, a criação de setores específicos é indispensável e representa uma resposta à sobrecarga das coordenadorias de curso, que atualmente realizam esse trabalho de modo intuitivo. Heloísa defendeu que o suporte técnico permitirá profissionalizar o atendimento aos estudantes.

A conselheira Michele Monguilhott destacou que o Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) solicita redimensionamento de pessoal desde o início da gestão. Ela também alertou que a criação de um novo setor exige mudança no regimento interno e pode gerar retrabalho, além de apontar erro de nomenclatura relacionado à designação de FG3 para uma estrutura que, segundo ela, deveria ser uma Divisão. Diante dessas questões, pediu vistas ao processo, encerrando a discussão.

Equidade de Gênero

A proposta de resolução normativa para instituir a Equidade de Gênero da UFSC foi requerida pela Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) e relatada pela conselheira Carolina Medeiros Bahia. A relatora explicou que a política está estruturada em três eixos: promoção, assistência e enfrentamento.

No eixo da promoção, a proposta prevê incentivo a políticas de equidade nas pró-reitorias e cursos, obrigatórios para gestores e ingressantes, uso de linguagem inclusiva e metas de 50% de paridade em cargos de chefia e órgãos deliberativos. No eixo da assistência, contempla a proteção à maternidade e à parentalidade, com extensão de prazos de produtividade e apoio à amamentação. Já no eixo de enfrentamento, organizou-se a rede de acolhimento e o fluxo de denúncias via Ouvidoria, pelo Fala.BR, com previsão de avaliações como demissão em casos de assédio comprovado e medidas protetivas urgentes.

A fundamentação jurídica da proposta baseia-se na Constituição Federal, na Convenção de Belém do Pará e no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) n° 5 da ONU. Carolina informou que acolheu configurações sugeridas pela Secretaria de Comunicação (Secom) relacionadas à Política Institucional de Comunicação e inverteu a responsabilidade para que a Proafe elaborasse orientações com apoio da Secom. A minuta também incluiu sugestões sobre segurança no campus e mentoria para lideranças femininas.

O conselheiro Juarez Vieira do Nascimento manifestou preocupação quanto à necessidade de consulta à Procuradoria Federal, argumentando que muitos pontos da proposta se apoiam em decretos, que são atos de governo, e não de Estado. Ele sugeriu ajustes na redação sobre “reflexão sobre masculinidades” e propôs que, em vez de disciplinas obrigatórias, a temática seja inserida em disciplinas já existentes, para não impactar as bases da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

A conselheira Miriam Furtado Hartung classificou o documento como potente e afirmou que a UFSC inova, como já havia feito com as cotas étnico-raciais. Para ela, são ações efetivas e metas alcançáveis ​​que transformam a realidade, e não apenas boas intenções. Sobre a transição, Miriam defendeu que a Universidade não deve adiar mudanças e que é preciso enfrentar desde já uma sub-representação das mulheres nas cargos de poder.

O conselheiro Raphael da Hora apresentou dúvidas sobre a aplicação da paridade. Ele questionou por que a obrigatoriedade em cargos eletivos exclui chefes de departamento e coordenadores e disse como seria feito o controle da paridade nos colegiados quando os membros não são eleitos em chapa única.

A pró-reitora Marilise Luiza Martins dos Reis Sayão (Proafe) explicou que a discussão sobre cargos de progressão e chefia atualmente que essas funções, muitas vezes, geram sobrecarga para as mulheres e nem sempre são disputadas. Segundo ela, a política concentrou-se nos encargos em que o chamado teto de vidro é mais forte.

A conselheira Brígida Carvalho Vieira afirmou que a UFSC é uma das poucas universidades do Sul com política voltada para estudantes-mães, mas defende avanços para servidores técnicos e docentes. Ela propôs vincular uma nova política à resolução de permanência de dezembro e propôs que servidoras mães tenham prioridade para teletrabalho ou flexibilização, além de liberação sem programação de horas para reuniões escolares. Brígida também defendeu que uma medida seja contínua aos pais, para evitar que a responsabilidade recai apenas sobre as mulheres.

O conselheiro Hamilton de Godoy Wielewicki ressaltou que as mulheres são maioria, mas seguem na base da pirâmide em termos de pagamentos e poder, muitas vezes como mães solo. Ele defendeu que a política considere as interseccionalidades de gênero e raça. Hamilton também questionou se o prazo de 180 dias para ajuste dos regimentos significa aplicabilidade imediata na composição dos órgãos ou se a aplicação dependeria primeiro da alteração regimental.

A conselheira Ariadne Meneghel Marques defendeu a aprovação da política relacionada à segurança e à permanência das mulheres na Universidade. Ela afirmou que Santa Catarina é um dos estados que mais mata mulheres no país e citou casos de tentativa de estupro e assaltos no campus. Segundo Ariadne, estudantes muitas vezes precisam conviver com seus agressores na sala de aula. Para ela, aprovar a política significa discutir vidas que são impedidas de ocupar espaços políticos.

Ao responder às ponderações, a relatora Carolina Bahia agradeceu todas as contribuições e informou que acolheu a sugestão da conselheira Brígida de vincular a política à resolução de permanência e incluir especificidades para servidores. Sobre a transição, Carolina afirmou entender que a resolução do CUn é superior aos regimentos e passa a ter aplicabilidade imediata, de modo que o ajuste regimental deve ocorrer, mas não condiciona a aplicação da norma.

O parecer foi aprovado por unanimidade pelos conselheiros do colegiado. Ao final da sessão, o reitor Irineu Manoel de Souza agradeceu a discussão qualificada realizada nos últimos quatro anos no Conselho Universitário. “Foi um debate muito respeitoso e aprovamos muitas políticas importantes para a nossa universidade”, afirmou.

Rosiani Bion de Almeida | Secom
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Conselho Universitário delibera sobre renovação do contrato do HU-UFSC com Ebserh

01/07/2026 17:16

O Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aprovou, em sessão extraordinária realizada nesta terça-feira, 30 de junho, o parecer favorável à continuidade das negociações sobre a renovação do contrato da instituição com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), com a fixação de condicionantes para a discussão em Brasília. A reunião foi aberta à comunidade no Auditório da Reitoria, com transmissão ao vivo pelo canal do CUn no YouTube.

Ao abrir a sessão, o reitor Irineu Manoel de Souza informou que tratava-se de pauta única, solicitada pelo Gabinete da Reitoria (GR), e relatoria do conselheiro Rui Daniel Schroder Prediger. Antes da leitura, o parecerista classificou a matéria como uma das mais relevantes apresentadas pela CUn nos últimos anos. Segundo ele, o Conselho não discutiu apenas a renovação de um contrato administrativo, mas “o futuro de uma das principais estruturas estratégicas da UFSC”. Também ressaltou que o Hospital Universitário Professor Polidoro Hernani de Santiago (HU-UFSC) é “patrimônio da UFSC, do SUS e da sociedade catarinense”.

Em sua exposição, o relator destacou que o processo possui 470 páginas e disse que foi subsidiado pelo trabalho da comissão presidida pelo chefe de Gabinete Bernardo Meyer, responsável por avaliar a gestão dos últimos dez anos, além da organização cronológica deste processo.

O conselheiro Rui Daniel contextualizou que o contrato especial de gestão entre UFSC e Ebserh foi firmado em março de 2016, com vigência original de dez anos. Como esse prazo se encerrou em março de 2026, houve prorrogação administrativa até 15 de julho de 2026 para permitir a conclusão da análise institucional. De acordo com o relator, o tema ultrapassa a dimensão contratual e envolve a definição das bases de integração entre assistência, ensino, pesquisa, extensão e inovação.

O parecer também recupera o histórico do HU, concebido na década de 1980 em articulação com o Centro de Ciências da Saúde (CCS), com atuação exclusivamente vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS). O professor Rui comentou que o hospital exerce papel central na formação prática de residentes e graduandos e lembrou que, no Plano Diretor Estratégico (PDE) de 2024, estipulou-se como meta tornar-se hospital-escola de excelência até 2028.

Ao tratar da Ebserh, o relator lembrou que a empresa foi criada pela Lei nº 12.550/2011, em resposta à crise estrutural dos hospitais universitários. Segundo o parecer, a legislação preservou a autonomia universitária ao tornar facultativa a adesão. Rui Daniel assinalou ainda que, em 2026, a rede passou a adotar a denominação “HU Brasil” e atualmente administra 46 hospitais em 25 unidades da federação.

O relator recordou que a adesão da UFSC à Ebserh foi antecipada por forte controvérsia interna entre 2014 e 2015, episódio que marcou a história da instituição. Conforme descrito, a consulta pública de 2015 registrou 70% de manifestações contrárias à adesão, mas, em 1º de dezembro daquele ano, o CUn apresentou o início das tratativas por 35 votos identificados e dois contrários, em sessão realizada no Colégio da Polícia Militar.

Sobre os trabalhos da Comissão de Avaliação, instituída no final de 2023, Rui Daniel afirmou que houve um processo de escuta institucional que resultou em 16 recomendações. Entre elas, estão a exigência de cláusula de reabertura e manutenção da emergência pediátrica, bem como dos atendimentos de emergência nas áreas básicas; a consulta prévia obrigatória à comunidade para a escolha do superintendente; a oferta de moradia para médicos residentes; e a criação de um órgão consultivo interno, o Conselho Superior do Hospital.

Também integram as recomendações a criação de um site com indicadores de desempenho em tempo real; a inclusão de índices de rotatividade e absenteísmo entre os indicadores monitorados; a penalização da Ebserh em caso de descumprimento contratual; a integração do planejamento assistencial às necessidades de ensino; a priorização de pesquisas cooperativas por profissionais da UFSC; e mecanismos para atração de profissionais em setores com dificuldade de fixação.

Além disso, a comissão recomendou o fortalecimento da Gerência de Ensino e Pesquisa (GEP), o reinventário de bens patrimoniados em nome da UFSC sob guarda da Ebserh, o aprimoramento dos procedimentos de desfazimento de bens móveis, o reforço da fiscalização pela administração universitária, a retomada das negociações sobre o termo de cessão do espaço no campus Trindade e a melhoria da comunicação entre a gestão do HU e os setores acadêmicos.

Na análise da gestão entre 2016 e 2026, o parecer apresentou avanços e fragilidades. Rui Daniel disse que houve “renovação tecnológica expressiva”, com a incorporação de mais de 500 novos equipamentos, entre tomógrafos e angiógrafos. Ele registrou ainda que, em 2023, o hospital alcançou 78,3% de cobertura financeira por receitas próprias e SUS.

Por outro lado, o relator recomendou a subutilização da capacidade instalada. Segundo os dados apresentados, a taxa de ocupação foi de 73,8% em 2023, abaixo da meta de 80%, e houve redução no número de cirurgias, de 4.686 em 2022 para 3.145 em 2023.

No campo acadêmico, o parecer apontou a persistência de divergências sobre as competências do GEP em relação às estruturas da UFSC e o excesso de burocracia para atividades acadêmicas. Rui Daniel destacou que permanece uma tensão entre a busca pela eficiência financeira da Ebserh e a missão universitária, com percepção de priorização de serviços mais rentáveis ​​em detrimento de áreas de maior valor pedagógico.

Ao examinar a minuta de renovação contratual, o relator afirmou que o texto revisado pela comissão reafirma o HU como regulamento suplementar da UFSC, propõe governança compartilhada, retira a obrigatoriedade de adesão ao Exame Nacional de Residência (Enare) e introduz a criação de um órgão colegiado consultivo paritário.

Com base nesse diagnóstico, Rui Daniel apresentou dez diretrizes institucionais para orientar a negociação: preservação da identidade acadêmica e da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão; fortalecimento da governança e do monitoramento anual pelo CUn; desenvolvimento de indicadores acadêmicos e de gestão; integração permanente entre gestão hospitalar e departamentos acadêmicos; fortalecimento da pesquisa, inovação e extensão; valorização da preceptoria; transparência ativa; avaliação periódica com revisão anual no quinto ano; elaboração de cultura permanente de avaliação institucional; e fortalecimento do HU como referência nacional em integração e gestão pública.

Ao final da leitura, o relator apresentou o seu voto: “pela aprovação das diretrizes”, “pelo reconhecimento da minuta revisada como referência”, “pela autorização à Reitoria para negociar em Brasília” e “pela recomendação de prorrogação excepcional de 60 dias”, caso o prazo de 15 de julho fosse insuficiente para os ajustes finais.

Após o debate entre os conselheiros, Rui Daniel agradeceu as contribuições e respondeu aos pontos levantados durante a discussão. Disse que, em relação aos dados, a minuta prevê auditorias independentes custeada pela própria Ebserh. Também afirmou que não encontrou, nos autos, elementos que permitissem apresentar naquele momento um modelo imediato de não adesão. Em seguida, acolheu sugestão de dois conselheiros para alterar a redação do parecer: as “diretrizes” passariam a ser tratadas como “condicionantes fundamentais para a discussão em Brasília”.

Posto em votação, o parecer do relator foi aprovado no colegiado da UFSC por 34 votos favoráveis e 17 contrários.

Leia mais:

Renovação do contrato HU-UFSC e Ebserh (2026)

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Tags: CCSEbserhHUrenovação contratualUFSC

UFSC inaugura Instituto de Ecologização de Mares, Campo e Cidades para Combate à Fome e Pobreza

24/06/2026 17:00

Programa de Pesquisa e Inovação com Algas será a primeira ação do Instituto de Ecologização de Mares, Campo e Cidades para o Combate à Fome e à Pobreza (Fotos: Divulgação)

A Universidade Federal de Santa Catarina inaugurou no sábado, 20 de junho, o primeiro Instituto de Ecologização de Mares, Campo e Cidades para o Combate à Fome e à Pobreza. O espaço, na Fazenda Ressacada, passa a integrar a estrutura institucional com o propósito de fomentar o ensino, pesquisa e extensão nas áreas de ciências agrárias e ciências biológicas. A iniciativa deverá se dedicar à produção de arranjos e saberes que poderão contribuir para o combate à fome e à pobreza.

A ideia do instituto nasceu de uma visita do Ministro Wellington Dias, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. O ministro incentivou a criação do instituto para ser um modelo acadêmico dentro da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, iniciativa à qual a UFSC foi a primeira universidade brasileira a aderir. Uma emenda parlamentar viabilizou os recursos usados na reforma do espaço e a proposta ganhou apoio institucional do Gabinete da Reitoria, do Centro de Ciências Agrárias (CCA), do Centro de Ciências Biológicas (CCB), centros e departamentos da UFSC, além de instituições do Estado e da sociedade civil.

A solenidade de inauguração contou com a presença do reitor Irineu Manoel de Souza; da vice-reitora Olga Regina Zigelli Garcia; da diretora do CCA, Marlene Grade; do diretor do CCB, Rui Prediger; autoridades políticas, líderes de associações de pescadores e de maricultores; professores e servidores administrativos da UFSC e representantes da sociedade civil.

O professor Paulo Horta, um dos idealizadores do Instituto e coordenador das ações, agradeceu pelo apoio recebido, e a cada uma e cada um “que dedicaram recursos e esforços para transformar um prédio em um espaço de construção de pesquisa, inovação, extensão e ensino, em uma perspectiva crítica e emancipadora”.

Inauguração do Instituto, no dia 20 de junho, teve a presença de diversos apoiadores do projeto

Nesta primeira etapa, o instituto implementará o programa de Pesquisa e Inovação com Algas, conjunto de projetos que devem auxiliar maricultores a expandir e diversificar a produção de algas no Brasil. De acordo com o professor Horta, o Instituto buscará novos apoios para viabilizar a implementação de uma biorrefinaria de produção de fertilizantes, para fomentar a agricultura familiar a produzir alimento saudável de forma resiliente, sem agrotóxicos.

“Este projeto pode ser a ponte que vai potencializar a aproximação entre maricultores e agricultores, construindo uma base fundamental para termos mares, campo e cidades resistentes e resilientes aos desafios do século 21, quando o agravamento da crise climática e humanitária ameaça o pacto civilizatório”, disse o professor.

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Evento na UFSC dá início à implementação de rede nacional de internacionalização da pós-graduação

24/06/2026 15:00

Lançamento da Rede BRIDGES ocorreu no dia 22 de junho, na UFSC. Foto: Gustavo Diehl/Agecom

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realizou, no dia 22 de junho, o evento Marco Zero da Rede Building Research and Innovation towards Development and Global Exchange for Sustainability (Bridges), iniciativa aprovada no âmbito do Programa Capes Global.Edu e coordenada pela instituição. O evento marcou oficialmente o início da fase de implementação da rede, que reúne universidades de diferentes regiões do país em uma proposta inovadora de internacionalização da pós-graduação brasileira.

Realizada em formato híbrido, a cerimônia contou com a presença do reitor da UFSC, professor Irineu Manoel de Souza e de representantes da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), dirigentes das instituições parceiras, coordenadores de programas de pós-graduação, pesquisadores, estudantes e membros da governança da Rede.
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