Rede Biotech integra pesquisadores e amplia atuação da UFSC em áreas estratégicas

24/09/2026 16:36

Conectar pesquisadores, laboratórios e diferentes áreas de atuação para transformar competências já existentes na Universidade em novas possibilidades de pesquisa, inovação e desenvolvimento. É esse o movimento impulsionado pela Rede Biotech, criada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2024 e credenciada pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq). Atualmente, a iniciativa reúne 48 professores de diferentes departamentos e centros de ensino, além de pós-doutorandos, estudantes, programas de pós-graduação, laboratórios e instituições parceiras, articulando conhecimentos e infraestrutura em torno de projetos nas áreas de Biodiversidade e Biotecnologia.

Para o pró-reitor de Pesquisa, Jacques Mick, essa experiência pode contribuir para a organização institucional da pesquisa em áreas estratégicas da UFSC. Ao reunir essas competências em uma estrutura institucional, torna-se mais fácil identificar os grupos, as especialidades e as modalidades de pesquisa existentes na Universidade, favorecendo a formação de equipes multidisciplinares e a elaboração de projetos que combinem conhecimentos especializados e infraestruturas específicas.

Para a professora da UFSC e superintendente de Projetos da Propesq, Gislaine Fongaro, a constituição de redes representa uma forma de regulamentar as colaborações que já estão presentes entre diferentes grupos de pesquisa da Universidade. “Transformar isso em rede é um caminho natural. Muitos já operam de forma articulada, mas não se encontram institucionalizadas”, afirma. Segundo ela, a formalização permite reunir competências complementares, compartilhar e otimizar espaços, ampliar a segurança nos laboratórios e fortalecer ações de internacionalização e de transferência de tecnologia.

Na UFSC, a criação e o funcionamento de redes de pesquisa são regidas por resoluções do Conselho Universitário (CUn), assim como grupos, laboratórios multiusuários, núcleos, institutos, cátedras e observatórios. Gislaine também acrescenta que “as redes são constituídas em torno de temas científicos de interesse comum e pressupõem uma colaboração organizada e contínua entre pesquisadores, que vai além de uma parceria pontual ou de um projeto específico”. Nesse contexto, a Rede Biotech também está registrada no Sistema Integrado de Gerenciamento de Projetos de Pesquisa e de Extensão (SIGPEX), que reúne todas as informações sobre pesquisadores, estudantes, colaboradores externos e atividades desenvolvidas.

Laboratórios e programas de pós-graduação envolvidos na Rede

Eixos de atuação

A diversidade de competências da Rede Biotech se reflete nas diferentes frentes de investigação desenvolvidas por seus integrantes. Em artigo publicado na revista acadêmica internacional Trends in Biotechnology, a iniciativa é apresentada a partir dos seguintes eixos: transição ecológica, engenharia de bioprocessos, biotecnologia de precisão, saúde (One Health) e transição energética. A publicação também destaca a engenharia de bioprodutos, área dedicada ao desenvolvimento de moléculas, materiais e processos com potencial de aplicação industrial.

Na transição ecológica, os estudos abrangem biotecnologia vegetal e de algas, tratamento de efluentes, monitoramento ambiental e identificação de poluentes emergentes. Entre as pesquisas estão trabalhos de sequenciamento e caracterização de genomas de espécies vegetais, cultivo de microalgas e macroalgas e desenvolvimento de processos e produtos a partir de sua biomassa. As investigações buscam ampliar o conhecimento sobre recursos biológicos e, ao mesmo tempo, desenvolver alternativas para seu aproveitamento sustentável e para a redução de impactos ambientais.

A transição energética concentra pesquisas voltadas à produção de combustíveis renováveis e ao aproveitamento de diferentes tipos de biomassa, além de iniciativas relacionadas à recuperação ambiental. Um dos projetos destacados no artigo é o “Cannabiofuel”, desenvolvido em colaboração com a Polícia Federal, que investiga a conversão, por meio de pirólise, de biomassa de cannabis apreendida em biocombustíveis. A proposta é dar uma destinação alternativa a um material que seria incinerado, transformando-o em produtos como bioóleo, biogás, biocarvão e vinagre pirolítico. A pesquisa avalia o potencial desses materiais e seus possíveis usos em processos energéticos, associando a investigação científica ao aproveitamento de resíduos e à busca por novas fontes de energia.

Na engenharia de bioprocessos, as equipes estudam formas de tornar mais eficientes sistemas de produção baseados em processos fermentativos e enzimáticos. Um dos desafios é fazer com que tecnologias desenvolvidas em laboratório possam ser ampliadas para aplicações industriais, mantendo eficiência, viabilidade econômica e segurança. Os estudos envolvem o uso de consórcios microbianos, o controle de biofilmes e análises técnico-econômicas e de ciclo de vida dos processos.

Já a engenharia de bioprodutos concentra pesquisas voltadas à obtenção e ao aprimoramento de produtos de interesse científico e industrial. Entre os trabalhos estão estudos com bioaromas, biossurfactantes, pigmentos e outras moléculas bioativas, além do desenvolvimento de processos enzimáticos destinados à indústria têxtil. A área também envolve tecnologias de separação e purificação e pesquisas relacionadas à produção de estruturas de suporte para carne cultivada, campo que demanda conhecimentos de diferentes áreas da biotecnologia e da engenharia.

A biotecnologia de precisão reúne ferramentas de biologia molecular, bioinformática e abordagens ômicas para investigar sistemas biológicos em diferentes níveis de complexidade. Entre as aplicações estão a identificação de biomarcadores associados a doenças infecciosas e ao câncer, o desenvolvimento de estratégias vacinais e pesquisas de cultivo in vitro e micropropagação de espécies vegetais.

No eixo de saúde, a perspectiva de One Health amplia o olhar sobre as relações entre saúde humana, animal e ambiental. Nesse contexto, os pesquisadores desenvolvem estudos sobre doenças negligenciadas, como a de Chagas e leishmaniose, além de pesquisas relacionadas a doenças neurodegenerativas, terapias regenerativas e biomateriais. Também fazem parte desse conjunto investigações sobre o potencial terapêutico de canabinoides, especialmente em estudos relacionados à neuroproteção e à medicina regenerativa.

Pesquisa e inovação

A aproximação entre produção científica e inovação é outra dimensão da atuação da Rede Biotech. As pesquisas desenvolvidas pelos grupos participantes abrangem possibilidades de aplicação em setores como saúde, agricultura, indústria, meio ambiente e produção de energia. Entre os exemplos, uma pesquisa que prevê a proteção intelectual de uma pomada à base de canabidiol (CBD) destinada ao uso veterinário.

O processo de transformar resultados obtidos nos laboratórios em tecnologias, produtos ou processos aplicáveis em diferentes setores pode abrir novas possibilidades de cooperação entre a Universidade e o setor produtivo. A transferência de tecnologia também pode contribuir para ampliar a escala de soluções desenvolvidas em ambiente acadêmico e aproximar a pesquisa de demandas identificadas fora da Universidade. “A vantagem é de imagem, de receita própria e de uma agenda de cooperação entre a nossa pesquisa avançada e a indústria”, explica Mick.

A busca por financiamento permanece vinculada aos próprios pesquisadores e grupos que integram a Rede, que desenvolvem suas iniciativas e procuram fontes de recursos de acordo com as características de cada pesquisa. A estrutura institucional funciona como espaço de articulação dessas competências e também prevê a organização de um portfólio de pesquisas, a prestação de serviços, a oferta de cursos, a realização de workshops e encontros científicos e ações de divulgação científica.

Cooperação e novas oportunidades

A articulação com instituições externas amplia o alcance das pesquisas desenvolvidas pela Rede Biotech. Atualmente, a iniciativa mantém cooperações com instituições como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Associação da Rede de Biotecnologia da Região Sul (SulBiotec). A rede também busca ampliar essa parceria no Brasil e no exterior.

A experiência acumulada pelos pesquisadores também contribuiu para a criação do Instituto Nacional de Biofábricas (INCT-Biofábricas). Coordenado por Débora de Oliveira, o instituto deverá contribuir para ampliar a escala de processos e produtos inicialmente desenvolvidos em ambiente laboratorial. A proposta foi aprovada com financiamento público do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

As atividades da rede dialogam ainda com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, especialmente em temas relacionados à saúde, segurança alimentar, preservação ambiental, inovação e desenvolvimento econômico sustentável. A relação com esses objetivos aparece nas diferentes frentes de investigação, que envolvem desde a conservação e o uso sustentável de recursos biológicos até a criação de processos industriais, produtos para a área da saúde e alternativas para a produção de energia.

Com informações do site redebiotech.ufsc.br e de artigo publicado na revista Trends in Biotechnology, que se encontra disponível para leitura nesta página.

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Plantio coletivo celebra chegada da primavera na UFSC

23/09/2026 14:21

A chegada da primavera trouxe novas cores à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Nesta quarta-feira, 23 de setembro, a comunidade universitária participou de um plantio coletivo de flores no canteiro localizado na entrada principal do Campus da Trindade, em Florianópolis. Realizada a partir das 11h30, a atividade proporcionou um momento de integração, conexão com a natureza e cuidado com os espaços da Universidade. Com disposição e trabalho em equipe, os participantes contribuíram para transformar um dos principais acessos ao campus em um ambiente mais acolhedor.

A iniciativa partiu do bolsista da Pró-Reitoria de Extensão (Proex), Breno Yasuda, e contou com o apoio da Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese). Breno contou que mudou de curso para se dedicar a um projeto de transformação do espaço universitário, no qual pretende integrar paisagismo, produção de alimentos e convivência com a comunidade. Segundo ele, a Universidade funciona como uma segunda casa — e, para algumas pessoas, até como a primeira —, já que estudantes e servidores passam boa parte do dia no campus. “Eu gostaria que a nossa casa ficasse bem arrumada e bonita, para que fosse referência no Brasil e até na América Latina”, afirmou. Breno também destacou que a UFSC possui poucos muros e se assemelha a uma praça aberta à sociedade, inclusive nos fins de semana. A proposta é que os espaços tenham frutas, alimentos e plantas que possam ser utilizadas, por exemplo, no preparo de chás.

O canteiro da entrada principal foi escolhido como ponto de partida por ser um local de grande circulação e visibilidade, utilizado diariamente por estudantes, servidores, familiares e visitantes. Para o espaço, foram selecionadas espécies de baixo custo e pouca manutenção, adaptadas à incidência constante de sol e à baixa disponibilidade de água. Embora a maioria seja originária da África, o estudante ressaltou que as plantas não são invasoras. “Daqui a alguns meses, estará tudo florido. Espero que estudantes, servidores e as próximas gerações desfrutem da beleza dessas plantas”, disse Breno.

Representando a Administração Central da UFSC, participaram a vice-reitora Felipa Amadigi e a chefe de Gabinete Cátia Regina Silva de Carvalho Pinto. Felipa destacou a sensibilidade do estudante ao propor uma iniciativa capaz de transformar os espaços da Universidade em ambientes de conexão da comunidade com a natureza, bem representada por um jardim. Para a vice-reitora, depois de um período marcado por temperaturas baixas, a chegada da primavera e das flores torna o campus ainda mais bonito e agradável. Ao agradecer a todas as pessoas envolvidas, ela ressaltou o desejo institucional de que “a Universidade seja um grande jardim, um lugar onde as pessoas possam parar, contemplar e compartilhar”. Ao final, convidou a todos e todas a “colocar amor na terra”.

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
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Fotos: SI-GR

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Documentário destaca pesquisas e a trajetória do Instituto Brasil Plural, sediado na UFSC

22/09/2026 11:41

Um documentário de 35 minutos apresenta a trajetória do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Brasil Plural (INCT Brasil Plural ou IBP), desde sua criação, em 2009, até a consolidação de uma rede que reúne instituições do Brasil e de outros países. Lançada em agosto de 2026, a produção destaca pesquisas desenvolvidas por integrantes do Instituto, sua expansão ao longo de mais de uma década e meia e o pioneirismo da iniciativa nas Ciências Humanas, especialmente na Antropologia.

Sediado na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o IBP surgiu de uma parceria entre pesquisadores da instituição e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). A organização em rede, adotada desde o início, possibilitou a colaboração entre grupos de diferentes estados brasileiros e de outros países.

Dirigido por Vanessa Pedro e editado por Giuliane Gava, ambas jornalistas, o documentário reúne depoimentos de integrantes do Instituto vinculados a diversas instituições. Imagens de campo e materiais produzidos pelas equipes complementam as reflexões apresentadas ao longo do filme.

A coordenadora do IBP e professora da UFSC, Sônia Weidner Maluf, aborda as contribuições da Antropologia para as respostas à pandemia de Covid-19, além das reflexões e ações desenvolvidas pelas comunidades locais naquele período. Também da UFSC, a professora Jean Langdon destaca as oportunidades criadas pelo Instituto para o intercâmbio de estudantes e pesquisadores brasileiros e de outros países da América Latina.

As pesquisas sobre infâncias são apresentadas pelas professoras Antonella Tassinari, da UFSC, que trata das experiências de crianças indígenas, e Luciana Hartmann, que discute as relações entre infância e migração. Já a pesquisadora Juana Valentina Nieto relata seu trabalho na fronteira entre Brasil e Colômbia, desenvolvido em parceria com uma artista plástica local.

O vice-coordenador do IBP e professor da UFSC, Rafael Devos, apresenta a pesquisa sobre a pesca com botos, reconhecida em 2026 como patrimônio cultural imaterial nacional. A professora Alícia Castells, também da UFSC, fala sobre o estudo que coordenou no Núcleo de Dinâmicas Urbanas e Patrimônio Cultural (NAUI) a respeito das práticas nos engenhos de farinha de Santa Catarina. Essas atividades também receberam do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) o reconhecimento como patrimônio cultural do país.

Docentes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) relatam suas experiências de pesquisa e a relação do Instituto com a criação do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da instituição. A professora Sônia Lourenço aborda as políticas de ações afirmativas implantadas na universidade durante o período, com a abertura de vagas para pessoas negras, indígenas e quilombolas. Segundo a pesquisadora, os saberes e as experiências incorporados a partir dessa inclusão contribuem para tornar a ciência mais plural.

Os professores Marcos Aurélio da Silva e Moisés Lopes, também da UFMT, apresentam estudos desenvolvidos com populações LGBT em Mato Grosso.

Pesquisadores da UFAM, por sua vez, destacam as possibilidades de investigação e produção científica em rede, em colaboração com integrantes do IBP de outros estados e instituições. O documentário também ressalta a contribuição do Instituto para a criação do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) da universidade, iniciada no mesmo período de formação do IBP.

A produção reúne ainda depoimentos de pesquisadores de outras instituições e está disponível na íntegra no canal do INCT Brasil Plural no YouTube..

Texto: INCT Brasil Plural

Tags: Antonella TassinariIBPInstituto Nacional de Ciência e Tecnologia Brasil PluralIphanJean LangdonRafael DevosSônia Weidner MalufUFAMUFMTUFSC

Parceria inédita aproxima pesquisa da UFSC e mercado de Biotecnologia

18/09/2026 15:44

Reitor da UFSC, Amir de Oliveira, e o diretor financeiro e operacional da ARK Bio Solutions, Leonardo Borges. Fotos: Secom

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) deu um novo passo na aproximação entre ciência e mercado ao assinar, nesta quarta-feira, 16 de setembro, um acordo inédito de pesquisa, desenvolvimento e inovação com a ARK Bio Solutions. A parceria permite à Universidade receber participação societária na empresa como contrapartida pelo apoio ao desenvolvimento de tecnologias. O acordo foi firmado no Gabinete da Reitoria pelo reitor Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior e pelo diretor financeiro e operacional da ARK, Leonardo Borges Santos Caiado. Também participou do ato o secretário de Inovação e Relacionamento Externo (Sinova), Ronaldo David Viana Barbosa.

A construção da parceria mobilizou a Reitoria, a Sinova e a Rook Ventures, holding de investimentos e cofundadora da ARK. A articulação integrou pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, infraestrutura universitária, propriedade intelectual, gestão empresarial e investimento privado. A iniciativa inaugura uma modalidade de interação entre a Universidade e empresas de base tecnológica que permite à UFSC ser remunerada por meio de participação no capital social da empresa, em reconhecimento ao suporte institucional, científico e tecnológico oferecido ao empreendimento. A parceria também conta com a participação da Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina (Feesc), responsável pela gestão administrativa e financeira do projeto.

Estruturado com base no Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, o acordo prevê um investimento conversível em participação societária. Como contrapartida pelo compartilhamento de laboratórios, equipamentos e pessoal, a UFSC terá a opção de adquirir ou subscrever ações da empresa, conforme as condições estabelecidas no instrumento. O documento também define mecanismos de governança para orientar a relação entre a Universidade, a empresa e os pesquisadores, preservando a autonomia institucional e as atividades acadêmicas de ensino e pesquisa. Além de disponibilizar sua infraestrutura, a UFSC passa a atuar estrategicamente na criação de um ambiente capaz de transformar conhecimento científico em soluções inovadoras com potencial de impacto econômico e social.

“Esta parceria reforça o compromisso da UFSC com uma ciência capaz de responder aos desafios da sociedade e contribuir para o desenvolvimento do país. Ao apoiar empresas de base tecnológica surgidas no ambiente acadêmico, a Universidade amplia o alcance das pesquisas realizadas por sua comunidade e abre novas possibilidades de retorno institucional, econômico e social, sem renunciar à autonomia e à sua missão pública”, afirmou o reitor Amir.

O secretário Ronaldo destacou a atuação da Sinova “na construção de um modelo jurídico e de governança adequado às características do projeto, conciliando a legislação de inovação, a proteção da propriedade intelectual e a relação da Universidade com o setor produtivo”. Para ele, “esse arranjo oferece segurança aos envolvidos e estabelece um caminho que poderá orientar futuras parcerias da UFSC com empreendimentos de base científica”.

Proteínas alternativas por fermentação de precisão

Com duração inicial de 36 meses, a parceria apoiará o projeto “Fermentação de Precisão para Produção de Proteínas Alternativas”. A proposta envolve estudos de biologia molecular, modificação genética de microrganismos, biologia sintética e cultivo de microrganismos.

As atividades também incluem a otimização de parâmetros fermentativos, fermentações em frascos agitados e fermentadores de bancada, cultivo de tecidos animais, testes de sensibilidade, ensaios bioquímicos e outras análises necessárias ao desenvolvimento das biotecnologias propostas.

A empresa poderá utilizar, de maneira compartilhada e não exclusiva, a infraestrutura de dois laboratórios da Universidade:

    • Laboratório de Engenharia Biológica (LieB), do Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos;
    • Laboratório de Biologia Molecular e Biotecnologia de Leveduras (LBMBL), do Departamento de Bioquímica.

O uso dos espaços não poderá interferir nas atividades de ensino, pesquisa e extensão da UFSC. A Universidade também continuará a compartilhar os laboratórios com outros interessados, inclusive empresas que atuem no mesmo segmento.

Recursos e contrapartidas

O projeto possui valor financeiro de R$ 239.540,63, a ser transferido pela ARK conforme o cronograma previsto no plano de trabalho. A contrapartida não financeira da UFSC corresponde ao uso da infraestrutura e à disponibilização de pessoal, foi estimada em R$ 462 mil.

A Feesc administrará os recursos e ficará responsável, entre outras atribuições, pelo controle das despesas, pelas contratações e bolsas previstas, pela prestação de contas e pelo cumprimento das obrigações administrativas, fiscais e financeiras relacionadas ao projeto.

Propriedade intelectual

Os novos ativos de propriedade intelectual – resultantes diretamente da execução conjunta do projeto – terão titularidade compartilhada, na proporção de 90% para a empresa e 10% para a UFSC, desde que não sejam derivados de tecnologias, conhecimentos ou direitos anteriormente pertencentes a um dos parceiros.

A ARK terá o direito de exploração comercial dos resultados, enquanto a UFSC poderá utilizar as invenções conjuntas internamente para atividades não comerciais de ensino, pesquisa e desenvolvimento, observadas as obrigações de confidencialidade.

A assinatura consolida uma nova possibilidade de apoio da UFSC a empresas de base científica surgidas no ambiente acadêmico, aliando o compartilhamento de infraestrutura pública, o desenvolvimento de pesquisas estratégicas e a geração de retorno institucional a partir do crescimento de empreendimentos inovadores.

Sobre a ARK

Originada no ecossistema científico da UFSC, a ARK Bio Solutions é uma deep tech constituída como spin-off acadêmica. A empresa desenvolve moléculas de alto valor por meio de fermentação de precisão, biologia molecular, biologia sintética, bioinformática e inteligência artificial aplicada a bioprocessos. Sua liderança técnica e científica é formada pelas pesquisadoras Marília Knychala, Débora Trichez – técnica de laboratório do Centro de Ciências Biológicas (CCB) -, e Jaciane Lutz Ienczak, professora da UFSC e coordenadora do projeto. A estruturação da ARK foi realizada em parceria com a Rook Ventures, responsável pelas frentes de gestão, estratégia, captação de recursos e desenvolvimento comercial. Esse modelo permite que as pesquisadoras concentrem seus esforços no avanço tecnológico, enquanto as atividades de gestão e capitalização são conduzidas paralelamente.

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
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Evento celebra 40 anos da IA na UFSC, relembra pioneirismo e debate desenvolvimento responsável

16/09/2026 15:38

A conferência “A Inteligência Artificial no contexto universitário” combinou memória, ciência e perspectivas de futuro. Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

A história da Inteligência Artificial (IA) na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ganhou novos contornos na noite desta terça-feira, 15 de setembro. Quatro décadas depois da criação da primeira disciplina dedicada ao tema na instituição, professores, estudantes, técnicos e gestores reuniram-se no Auditório da Reitoria, no Campus de Trindade, em Florianópolis, para celebrar essa trajetória única e refletir sobre o futuro de uma tecnologia cada vez mais presente nas salas de aula, nas pesquisas e nas relações humanas.

Promovida pela Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd), a conferência “A Inteligência Artificial no contexto universitário” combinou memória, ciência e perspectivas de futuro. Mais do que apresentar ferramentas e conceitos, o encontro abriu espaço para discutir as transformações provocadas pela IA, suas possibilidades de aplicação e os desafios éticos e pedagógicos que impõe aos processos de ensino e aprendizagem.

Um dos momentos mais marcantes da noite foi a homenagem ao professor aposentado Renato Antonio Rabuske, responsável por ministrar, em 1986, a primeira disciplina de IA da UFSC. O reitor Amir de Oliveira e o professor Aldo von Wangenheim entregaram uma placa de reconhecimento à contribuição de Rabuske para a área. Ele estava acompanhado da esposa, a também professora aposentada da UFSC, Márcia Aguiar Rabuske, cuja atuação na área da Computação e no Departamento de Informática e Estatística (INE) também foi evidenciada.

Com apresentações artísticas da Companhia de Dança da UFSC, a solenidade inaugurou um ciclo de debates sobre Inteligência Artificial na Universidade. Participaram do evento o reitor Amir de Oliveira, a vice-reitora Felipa Amadigi, secretários, pró-reitores, docentes, técnicos-administrativos e estudantes. Ao revisitar o caminho iniciado há 40 anos, a UFSC não apenas reconheceu o trabalho de quem ajudou a construir essa história, mas também renovou o compromisso de pensar criticamente os impactos da IA na educação e na sociedade.

O professor aposentado Renato Antonio Rabuske foi o responsável por ministrar, em 1986, a primeira disciplina de IA da UFSC

O professor Renato Rabuske, em sua fala, disse que recebeu “com muita surpresa a comunicação dessa homenagem, que muito me honra. Quero dividi-la com todos os professores que me apoiaram e incentivaram durante a minha jornada na Universidade”.

Rabuske destacou que, quando começou a atuar na área, havia poucos profissionais com formação avançada em Computação no Brasil. Segundo ele, esse cenário exigia que a Universidade planejasse não apenas a formação dos estudantes, mas também a constituição de seu futuro corpo docente.

Ao recordar a reforma curricular realizada na década de 1980, o professor ressaltou o apoio recebido de colegas. “Estávamos convictos de que o curso não produziria bons resultados sem um bom planejamento e um bom currículo. Pensávamos em algo capaz de ir além do preparo de mão de obra para o mercado de trabalho existente, propondo novos desafios e apontando novas possibilidades para a sociedade”.

Foi nesse contexto que surgiu a proposta de incluir a inteligência artificial no currículo. Rabuske observou que a decisão representava uma aposta acadêmica, pois a área atravessava um período de descrédito internacional e ainda não apresentava as perspectivas que possui atualmente. O professor explicou que, naquela época, as limitações tecnológicas eram significativas. Ao chegar à Universidade, na década de 1970, encontrou uma estrutura computacional com capacidade muito inferior à disponível atualmente. Ainda assim, participou do desenvolvimento de sistemas institucionais, incluindo soluções relacionadas à matrícula universitária. “Quando entrei, havia na Universidade uma máquina de 16K. Eu mesmo programei sistemas para ela, inclusive o sistema de matrícula, mas a capacidade era insuficiente para executá-lo. As coisas aconteciam de uma forma muito diferente naquela época”.

Apesar das restrições de infraestrutura, financiamento e pessoal, Rabuske identificava possibilidades concretas de pesquisa. “Mesmo dentro de nossa limitada realidade local, havia espaço e ferramentas para desenvolver sistemas especialistas. Incluir a inteligência artificial já representava um avanço importante”. Os resultados práticos, entretanto, foram inicialmente modestos. Conforme relatou, faltavam recursos financeiros e pesquisadores, e poucos estudantes demonstravam interesse em desenvolver trabalhos de conclusão de curso sobre IA. Rabuske lembrou, contudo, algumas iniciativas que ajudaram a manter o campo de investigação ativo na UFSC.

“Nós, pioneiros, desbravamos e semeamos, mas a colheita costuma tardar e ficar para as gerações seguintes, como a nossa realidade atual comprova”, interpretou o professor.

Reitor da UFSC entrega a homenagem ao professor Rabuske

Potencial e riscos da nova fase

Ao tratar do atual desenvolvimento da tecnologia, o professor Rabuske defendeu que a sociedade procure obter da inteligência artificial o maior benefício possível, sem ignorar seus riscos. Ele considerou legítimas as preocupações sociais provocadas pelas transformações tecnológicas e lembrou que grandes invenções e descobertas também despertaram reações semelhantes em outros momentos da história.

Entre os desafios mencionados estão a expansão dos centros de dados, o aumento da demanda por energia e, principalmente, as questões éticas e de segurança. Rabuske alertou para o temor de que o desenvolvimento tecnológico avance sem mecanismos suficientes de supervisão humana.

Segundo o professor, o momento exigiria cautela, vigilância e articulação internacional. “As empresas conhecem os riscos, mas dizem estar presas à disputa pela sobrevivência no mercado. O momento exige extrema cautela e coordenação internacional”. Rabuske ressaltou ainda que “para o bem e para o mal, esses sistemas de inteligência artificial estão sendo disponibilizados diretamente ao grande público, o que torna seus usos e impactos difíceis de prever”.

Ao encerrar sua manifestação, o homenageado dirigiu uma mensagem de incentivo tanto aos pesquisadores que já atuam com inteligência artificial quanto àqueles que pretendem ingressar nesse campo. “A todos os que já estão envolvidos com a inteligência artificial, e àqueles que ainda se aventurarem nessa fantástica área, desejo muito sucesso”.

Na sequência, a conferência foi conduzida pelos professores Aldo von Wangenheim e Jônata Tyska, ambos do INE. Durante o encontro, os palestrantes apresentaram uma visão geral da Inteligência Artificial, passando por seu desenvolvimento histórico, principais termos e conceitos e pelo avanço recente da chamada IA generativa. O debate também abordou as discussões e normativas existentes no Brasil e em outros países, além de evidências científicas sobre os efeitos do uso dessas tecnologias na aprendizagem e no ambiente universitário. Os riscos, os limites éticos e os impactos da inovação estiveram entre os assuntos discutidos.

Assista à conferência na íntegra:

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

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