Evento celebra 40 anos da IA na UFSC, relembra pioneirismo e debate desenvolvimento responsável

16/09/2026 15:38

A conferência “A Inteligência Artificial no contexto universitário” combinou memória, ciência e perspectivas de futuro. Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

A história da Inteligência Artificial (IA) na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ganhou novos contornos na noite desta terça-feira, 15 de setembro. Quatro décadas depois da criação da primeira disciplina dedicada ao tema na instituição, professores, estudantes, técnicos e gestores reuniram-se no Auditório da Reitoria, no Campus de Trindade, em Florianópolis, para celebrar essa trajetória única e refletir sobre o futuro de uma tecnologia cada vez mais presente nas salas de aula, nas pesquisas e nas relações humanas.

Promovida pela Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd), a conferência “A Inteligência Artificial no contexto universitário” combinou memória, ciência e perspectivas de futuro. Mais do que apresentar ferramentas e conceitos, o encontro abriu espaço para discutir as transformações provocadas pela IA, suas possibilidades de aplicação e os desafios éticos e pedagógicos que impõe aos processos de ensino e aprendizagem.

Um dos momentos mais marcantes da noite foi a homenagem ao professor aposentado Renato Antonio Rabuske, responsável por ministrar, em 1986, a primeira disciplina de IA da UFSC. O reitor Amir de Oliveira e o professor Aldo von Wangenheim entregaram uma placa de reconhecimento à contribuição de Rabuske para a área. Ele estava acompanhado da esposa, a também professora aposentada da UFSC, Márcia Aguiar Rabuske, cuja atuação na área da Computação e no Departamento de Informática e Estatística (INE) também foi evidenciada.

Com apresentações artísticas da Companhia de Dança da UFSC, a solenidade inaugurou um ciclo de debates sobre Inteligência Artificial na Universidade. Participaram do evento o reitor Amir de Oliveira, a vice-reitora Felipa Amadigi, secretários, pró-reitores, docentes, técnicos-administrativos e estudantes. Ao revisitar o caminho iniciado há 40 anos, a UFSC não apenas reconheceu o trabalho de quem ajudou a construir essa história, mas também renovou o compromisso de pensar criticamente os impactos da IA na educação e na sociedade.

O professor aposentado Renato Antonio Rabuske foi o responsável por ministrar, em 1986, a primeira disciplina de IA da UFSC

O professor Renato Rabuske, em sua fala, disse que recebeu “com muita surpresa a comunicação dessa homenagem, que muito me honra. Quero dividi-la com todos os professores que me apoiaram e incentivaram durante a minha jornada na Universidade”.

Rabuske destacou que, quando começou a atuar na área, havia poucos profissionais com formação avançada em Computação no Brasil. Segundo ele, esse cenário exigia que a Universidade planejasse não apenas a formação dos estudantes, mas também a constituição de seu futuro corpo docente.

Ao recordar a reforma curricular realizada na década de 1980, o professor ressaltou o apoio recebido de colegas. “Estávamos convictos de que o curso não produziria bons resultados sem um bom planejamento e um bom currículo. Pensávamos em algo capaz de ir além do preparo de mão de obra para o mercado de trabalho existente, propondo novos desafios e apontando novas possibilidades para a sociedade”.

Foi nesse contexto que surgiu a proposta de incluir a inteligência artificial no currículo. Rabuske observou que a decisão representava uma aposta acadêmica, pois a área atravessava um período de descrédito internacional e ainda não apresentava as perspectivas que possui atualmente. O professor explicou que, naquela época, as limitações tecnológicas eram significativas. Ao chegar à Universidade, na década de 1970, encontrou uma estrutura computacional com capacidade muito inferior à disponível atualmente. Ainda assim, participou do desenvolvimento de sistemas institucionais, incluindo soluções relacionadas à matrícula universitária. “Quando entrei, havia na Universidade uma máquina de 16K. Eu mesmo programei sistemas para ela, inclusive o sistema de matrícula, mas a capacidade era insuficiente para executá-lo. As coisas aconteciam de uma forma muito diferente naquela época”.

Apesar das restrições de infraestrutura, financiamento e pessoal, Rabuske identificava possibilidades concretas de pesquisa. “Mesmo dentro de nossa limitada realidade local, havia espaço e ferramentas para desenvolver sistemas especialistas. Incluir a inteligência artificial já representava um avanço importante”. Os resultados práticos, entretanto, foram inicialmente modestos. Conforme relatou, faltavam recursos financeiros e pesquisadores, e poucos estudantes demonstravam interesse em desenvolver trabalhos de conclusão de curso sobre IA. Rabuske lembrou, contudo, algumas iniciativas que ajudaram a manter o campo de investigação ativo na UFSC.

“Nós, pioneiros, desbravamos e semeamos, mas a colheita costuma tardar e ficar para as gerações seguintes, como a nossa realidade atual comprova”, interpretou o professor.

Reitor da UFSC entrega a homenagem ao professor Rabuske

Potencial e riscos da nova fase

Ao tratar do atual desenvolvimento da tecnologia, o professor Rabuske defendeu que a sociedade procure obter da inteligência artificial o maior benefício possível, sem ignorar seus riscos. Ele considerou legítimas as preocupações sociais provocadas pelas transformações tecnológicas e lembrou que grandes invenções e descobertas também despertaram reações semelhantes em outros momentos da história.

Entre os desafios mencionados estão a expansão dos centros de dados, o aumento da demanda por energia e, principalmente, as questões éticas e de segurança. Rabuske alertou para o temor de que o desenvolvimento tecnológico avance sem mecanismos suficientes de supervisão humana.

Segundo o professor, o momento exigiria cautela, vigilância e articulação internacional. “As empresas conhecem os riscos, mas dizem estar presas à disputa pela sobrevivência no mercado. O momento exige extrema cautela e coordenação internacional”. Rabuske ressaltou ainda que “para o bem e para o mal, esses sistemas de inteligência artificial estão sendo disponibilizados diretamente ao grande público, o que torna seus usos e impactos difíceis de prever”.

Ao encerrar sua manifestação, o homenageado dirigiu uma mensagem de incentivo tanto aos pesquisadores que já atuam com inteligência artificial quanto àqueles que pretendem ingressar nesse campo. “A todos os que já estão envolvidos com a inteligência artificial, e àqueles que ainda se aventurarem nessa fantástica área, desejo muito sucesso”.

Na sequência, a conferência foi conduzida pelos professores Aldo von Wangenheim e Jônata Tyska, ambos do INE. Durante o encontro, os palestrantes apresentaram uma visão geral da Inteligência Artificial, passando por seu desenvolvimento histórico, principais termos e conceitos e pelo avanço recente da chamada IA generativa. O debate também abordou as discussões e normativas existentes no Brasil e em outros países, além de evidências científicas sobre os efeitos do uso dessas tecnologias na aprendizagem e no ambiente universitário. Os riscos, os limites éticos e os impactos da inovação estiveram entre os assuntos discutidos.

Assista à conferência na íntegra:

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

Tags: A IA no contexto universitárioINEProgradRenato RabuskeUFSC

UFSC reúne gestores acadêmicos para organizar o início do segundo semestre letivo

06/08/2026 15:09

Coordenadores de curso, chefes de departamento e diretores de centros de ensino participaram, nesta quinta-feira, 6 de agosto, de reunião realizada no auditório da Reitoria, no campus Trindade, em Florianópolis, com transmissão para os demais campi da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O encontro integrou as atividades preparatórias para o início do segundo semestre letivo de 2026, previsto para a próxima segunda-feira, 10 de agosto.

Participaram o reitor Amir Oliveira e a vice-reitora Felipa Amadigi, e representantes da Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd), da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) e da Pró-Reitoria de Permanência e Assuntos Estudantis (Prae), além de gestores das unidades acadêmicas.

Durante a reunião, foram apresentadas informações sobre a organização das atividades relacionadas ao início do semestre, os fluxos de trabalho entre as unidades acadêmicas e administrativas e as ações de apoio aos estudantes.

Também foram discutidas as Resoluções nº 227, nº 229 e nº 230, aprovadas recentemente pelo Conselho Universitário (CUn), com foco nos procedimentos necessários para sua implementação nas unidades de ensino.

A Prograd informou que o Departamento de Ensino (DEN) e a Superintendência de Graduação e Educação Básica elaboram um manual destinado às coordenações de curso, chefias de departamento e demais unidades acadêmicas. O material reunirá orientações sobre a aplicação das novas resoluções e será disponibilizado após a conclusão dos estudos técnicos necessários.

Recepção aos estudantes

A programação de acolhimento aos estudantes ocorrerá nos dias 10 e 11 de agosto, das 7h30 às 19h30, na antessala do Hall da Reitoria I, simultaneamente à Feira do Livro promovida pela Editora da UFSC.

Durante os dois dias, 16 monitores estarão distribuídos em pontos estratégicos do campus de Florianópolis para orientar estudantes e encaminhá-los ao espaço de recepção, onde diferentes setores da Universidade prestarão informações sobre serviços e programas institucionais.

Entre os temas que serão apresentados estão o acesso ao Restaurante Universitário, ações afirmativas, bolsas estudantis, apoio pedagógico, oportunidades de intercâmbio, atividades esportivas e serviços da Biblioteca Universitária (BU).

A página calouros.ufsc.br reúne, a cada semestre, informações sobre as atividades de recepção organizadas pelos cursos e pelos diferentes setores da Universidade, funcionando como canal de consulta para estudantes ingressantes e demais interessados.

Ao final do encontro, houve espaço para esclarecimentos de dúvidas e troca de informações entre os representantes das unidades acadêmicas e das pró-reitorias sobre os preparativos para o início do semestre letivo.

Setor de Imprensa do Gabinete da Reitoria | Secom
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UFSC discute políticas institucionais de Enfrentamento à Evasão e de Equidade de Gênero

02/07/2026 14:21

As políticas institucionais de Enfrentamento à Evasão e de Equidade de Gênero da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foram discutidas no Conselho Universitário (CUn), em sessão extraordinária realizada nesta quarta-feira, 1º de julho, no período da tarde, na Sala dos Conselhos. A reunião foi transmitida ao vivo no canal do CUn no YouTube.

Enfrentamento à Evasão

A minuta de resolução normativa que trata do Enfrentamento à Evasão da UFSC foi relatada pelo conselheiro Erasmo Benício Santos de Moraes Trindade, a partir de solicitação da Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd).

Em seu parecer, o conselheiro destacou que a proposta estabelece o compromisso institucional de direcionar esforços e recursos para reduzir a evasão, definida no texto como “todo desligamento voluntário ou involuntário do estudante antes da conclusão do curso, excetuando-se falecimento”. O documento tem como objetivo geral implementar estratégias de prevenção, identificação e redução, além de prever o monitoramento de indicadores, e ações de busca ativa e mitigação de fatores associados ao desligamento de estudantes.

A minuta também estabelece competências para a criação de um setor central de combate à evasão, vinculado ao Prograd, e de setores locais nos centros de ensino. Segundo o documento, os setores locais deverão contar, pelo menos, com um Técnico em Assuntos Educacionais, um Pedagogo e um Assistente em Administração. A proposta prevê ainda avaliação anual das ações e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), além de ter como base a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e a Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES). Ao final, Erasmo manifestou-se favoravelmente à aprovação da resolução.

A conselheira e pró-reitora Dilceane Carraro (Prograd) ressaltou a importância da pauta. Segundo ela, desde o início da gestão havia o propósito de estabelecer ações de enfrentamento à evasão, o que resultou na elaboração de um diagnóstico publicado em 2024. Dilceane afirmou que a política busca dar mais legitimidade e respaldo institucional às ações já em curso.

Dilceane também informou que o Observatório da UFSC já dispõe de dados sobre evasão e que a Universidade pretende integrar painéis de dados ao Controle Acadêmico de Graduação (CAGR), com apoio da Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e Comunicação (Setic), incluindo o acompanhamento da frequência dos estudantes no Moodle. Sobre os novos setores, ela instruiu que pedagogos e técnicos em assuntos educacionais foram definidos como essenciais, mas ponderou que a UFSC não tem condições de garantir imediatamente todos esses profissionais.

A conselheira Carolina Bahia elogiou a iniciativa, mas chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelas unidades em razão do quadro técnico reduzido. Ela citou o caso do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ), onde diretores tiveram dificuldade de indicar servidores para atuar na função relacionada à evasão por causa do quadro exíguo. Carolina também defendeu que a política dialogue com a Política de Enfrentamento ao Racismo Institucional, aprovada pelo CUn em novembro de 2022.

O conselheiro Tiago Montagna também parabenizou os envolvidos, mas destacou diferenças entre a proposta de enfrentamento à evasão e a política de equidade de gênero, afirmando que esta apresenta metas verificáveis, enquanto aquela não estabelece uma meta quantitativa. Para ele, a minuta também não indica qual fator deve ser atacado primeiro. Ele criticou ainda a repetição de atribuições entre setores, afirmando que, quando há muita sobreposição de trabalho, corre-se o risco de que as ações não sejam realizadas.

A conselheira Miriam Furtado Hartung manifestou preocupação com a criação de setores que exigiam funções gratificadas. Segundo ela, se houver um setor por centro, serão necessários 14 FGs. Miriam lembrou que a Universidade já enfrentou carência de técnico-administrativos e que há coordenadorias de curso sem TAE ou mesmo com sem função gratificada. Para a conselheira, criar um setor e projetar um servidor não garante resultados sem metas e instrumentos precisos.

O conselheiro Renato Milis avaliou que a evasão é um problema generalizado e que é fundamental que uma política preveja pessoal e recursos, a fim de evitar que fique sem efetividade. Renato também defendeu que parte das 140 vagas conquistadas pelo movimento sindical seja destinada aos setores previstos na política, além de sugerir a inclusão de psicólogos educacionais, considerando que a evasão envolve questões de orientação profissional.

A conselheira Heloísa Teles, que relatou a matéria na Câmara de Graduação, afirmou que a graduação é “o coração da universidade” e classificou como absurdo que mais de 50% dos ingressantes não concluam seus cursos. Para ela, a criação de setores específicos é indispensável e representa uma resposta à sobrecarga das coordenadorias de curso, que atualmente realizam esse trabalho de modo intuitivo. Heloísa defendeu que o suporte técnico permitirá profissionalizar o atendimento aos estudantes.

A conselheira Michele Monguilhott destacou que o Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) solicita redimensionamento de pessoal desde o início da gestão. Ela também alertou que a criação de um novo setor exige mudança no regimento interno e pode gerar retrabalho, além de apontar erro de nomenclatura relacionado à designação de FG3 para uma estrutura que, segundo ela, deveria ser uma Divisão. Diante dessas questões, pediu vistas ao processo, encerrando a discussão.

Equidade de Gênero

A proposta de resolução normativa para instituir a Equidade de Gênero da UFSC foi requerida pela Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) e relatada pela conselheira Carolina Medeiros Bahia. A relatora explicou que a política está estruturada em três eixos: promoção, assistência e enfrentamento.

No eixo da promoção, a proposta prevê incentivo a políticas de equidade nas pró-reitorias e cursos, obrigatórios para gestores e ingressantes, uso de linguagem inclusiva e metas de 50% de paridade em cargos de chefia e órgãos deliberativos. No eixo da assistência, contempla a proteção à maternidade e à parentalidade, com extensão de prazos de produtividade e apoio à amamentação. Já no eixo de enfrentamento, organizou-se a rede de acolhimento e o fluxo de denúncias via Ouvidoria, pelo Fala.BR, com previsão de avaliações como demissão em casos de assédio comprovado e medidas protetivas urgentes.

A fundamentação jurídica da proposta baseia-se na Constituição Federal, na Convenção de Belém do Pará e no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) n° 5 da ONU. Carolina informou que acolheu configurações sugeridas pela Secretaria de Comunicação (Secom) relacionadas à Política Institucional de Comunicação e inverteu a responsabilidade para que a Proafe elaborasse orientações com apoio da Secom. A minuta também incluiu sugestões sobre segurança no campus e mentoria para lideranças femininas.

O conselheiro Juarez Vieira do Nascimento manifestou preocupação quanto à necessidade de consulta à Procuradoria Federal, argumentando que muitos pontos da proposta se apoiam em decretos, que são atos de governo, e não de Estado. Ele sugeriu ajustes na redação sobre “reflexão sobre masculinidades” e propôs que, em vez de disciplinas obrigatórias, a temática seja inserida em disciplinas já existentes, para não impactar as bases da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

A conselheira Miriam Furtado Hartung classificou o documento como potente e afirmou que a UFSC inova, como já havia feito com as cotas étnico-raciais. Para ela, são ações efetivas e metas alcançáveis ​​que transformam a realidade, e não apenas boas intenções. Sobre a transição, Miriam defendeu que a Universidade não deve adiar mudanças e que é preciso enfrentar desde já uma sub-representação das mulheres nas cargos de poder.

O conselheiro Raphael da Hora apresentou dúvidas sobre a aplicação da paridade. Ele questionou por que a obrigatoriedade em cargos eletivos exclui chefes de departamento e coordenadores e disse como seria feito o controle da paridade nos colegiados quando os membros não são eleitos em chapa única.

A pró-reitora Marilise Luiza Martins dos Reis Sayão (Proafe) explicou que a discussão sobre cargos de progressão e chefia atualmente que essas funções, muitas vezes, geram sobrecarga para as mulheres e nem sempre são disputadas. Segundo ela, a política concentrou-se nos encargos em que o chamado teto de vidro é mais forte.

A conselheira Brígida Carvalho Vieira afirmou que a UFSC é uma das poucas universidades do Sul com política voltada para estudantes-mães, mas defende avanços para servidores técnicos e docentes. Ela propôs vincular uma nova política à resolução de permanência de dezembro e propôs que servidoras mães tenham prioridade para teletrabalho ou flexibilização, além de liberação sem programação de horas para reuniões escolares. Brígida também defendeu que uma medida seja contínua aos pais, para evitar que a responsabilidade recai apenas sobre as mulheres.

O conselheiro Hamilton de Godoy Wielewicki ressaltou que as mulheres são maioria, mas seguem na base da pirâmide em termos de pagamentos e poder, muitas vezes como mães solo. Ele defendeu que a política considere as interseccionalidades de gênero e raça. Hamilton também questionou se o prazo de 180 dias para ajuste dos regimentos significa aplicabilidade imediata na composição dos órgãos ou se a aplicação dependeria primeiro da alteração regimental.

A conselheira Ariadne Meneghel Marques defendeu a aprovação da política relacionada à segurança e à permanência das mulheres na Universidade. Ela afirmou que Santa Catarina é um dos estados que mais mata mulheres no país e citou casos de tentativa de estupro e assaltos no campus. Segundo Ariadne, estudantes muitas vezes precisam conviver com seus agressores na sala de aula. Para ela, aprovar a política significa discutir vidas que são impedidas de ocupar espaços políticos.

Ao responder às ponderações, a relatora Carolina Bahia agradeceu todas as contribuições e informou que acolheu a sugestão da conselheira Brígida de vincular a política à resolução de permanência e incluir especificidades para servidores. Sobre a transição, Carolina afirmou entender que a resolução do CUn é superior aos regimentos e passa a ter aplicabilidade imediata, de modo que o ajuste regimental deve ocorrer, mas não condiciona a aplicação da norma.

O parecer foi aprovado por unanimidade pelos conselheiros do colegiado. Ao final da sessão, o reitor Irineu Manoel de Souza agradeceu a discussão qualificada realizada nos últimos quatro anos no Conselho Universitário. “Foi um debate muito respeitoso e aprovamos muitas políticas importantes para a nossa universidade”, afirmou.

Rosiani Bion de Almeida | Secom
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Reitor empossa novos membros da Comissão Permanente de Pessoal Docente

15/06/2026 15:57

Posse dos novos integrantes da CPPD foi realizada no Gabinete da Reitoria (Fotos: Gustavo Diehl / Agecom UFSC)

O reitor Irineu Manoel de Souza deu posse, nesta segunda-feira, 15 de junho, a novos membros da Comissão Permanente de Pessoal Docente (CPPD), em reunião realizada no Gabinete da Reitoria. Os novos integrantes da CPPD assumem para um mandato de dois anos (2026-2028).

Entre os membros titulares da comissão, oito são eleitos em consulta à categoria docente e três são indicados pelo Conselho Universitário. A eleição ocorreu em 30 de abril de 2026 e a Portaria de designação dos novos membros foi assinada em 21 de maio.

Foram designados, como representantes da carreira do Magistério Superior:

Paula Lazzarin Uggioni, titular;

Carla de Abreu D`Aquino, titular;

Luís Roberto Sousa Mendes, titular;

Deise Helena Baggio Ribeiro, titular;

Augusto Vanni Bodanezi, titular;

Mario Rodolfo Roldan Daquilema, titular; e

Meire Mezzomo, suplente;

Como representante da Carreira de Educação Básica, Técnica e Tecnológica (EBTT) foi designado Leonardo Francisco Schwinden.

Além do reitor, participaram da cerimônia de posse a pró-reitora de Graduação e Educação Básica, Dilceane Carraro, a diretora geral do Gabinete, Camila Pagani, o chefe de Gabinete, Bernardo Meyer e a diretora do Departamento de Atenção à Saúde (DAS), Nicolle Doneda Ruzza, representando a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Sandra Carrieri.

Vinculada à Pró-Reitoria de Graduação (Prograd), a Comissão Permanente de Pessoal Docente é responsável em auxiliar na gestão da carreira dos professores. Suas principais funções são: Progressão e promoção: avaliar o desempenho dos docentes para avanços na carreira; Regime de trabalho: analisar pedidos de mudança de carga horária ou de dedicação exclusiva e Capacitação: avaliar solicitações de afastamento ou liberação para cursos de mestrado, doutorado e pós-doutorado.

 

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Colegiado da UFSC abre debate sobre revisão do regulamento dos cursos de graduação

03/06/2026 16:02

O Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) abriu a sessão desta terça-feira, 2 de junho, com o debate sobre a proposta de revisão da Resolução nº 17/CUn/97 – que dispõe sobre o Regulamento dos Cursos de Graduação da UFSC -, solicitado pela Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd).

O conselheiro Sergio Romanelli, relator do processo, iniciou os trabalhos apresentando uma análise de dezenas de sugestões enviadas por conselheiros por meio de formulários. Segundo ele, o objetivo era modernizar uma resolução que hoje não atende à complexidade atual da graduação, destacando que o novo texto inclui capítulos inéditos sobre permanência estudantil e flexibilização de normas para reduzir a evasão.

Entretanto, o relator não acolheu a maioria das sugestões enviadas pela representação discente, como a paridade nos conselhos e o direito a voz e voto dos estudantes no Núcleo Docente Estruturante (NDE). Romanelli argumentou que mudanças na composição dos colegiados dependem de normativas superiores e que o NDE, por natureza, é um órgão técnico de professores.

Representatividade estudantil

A conselheira Amanda Zamboni afirmou que a Câmara de Graduação não foi o espaço ideal para o debate, pois possui baixa representatividade discente. Ela defendeu que a exclusão de estudantes com faltas disciplinares de cargos de representação, conforme previsto no texto, fere a autonomia do movimento estudantil.

Para Amanda, a nova resolução não apresenta avanços reais para o cotidiano dos alunos. “Tiramos a principal polêmica [o programa de acompanhamento discente punitivo] e agora a gente vai estar tentando aprovar uma resolução que no cotidiano estudantil não tem avanço nenhum”, declarou a conselheira. Ela ainda reforçou a necessidade de participação discente na elaboração dos cursos: “A gente tem o direito de estar nos espaços de elaboração do que são os cursos”.

O conselheiro Mateus da Costa Martins endossou as críticas, ressaltando que a discussão é um “acúmulo histórico” do movimento estudantil. Ele argumentou que a universidade deve ser um espaço de confronto de visões para gerar uma síntese de futuro. Martins pontuou que os estudantes buscam coisas básicas: “A gente quer mais paridade nos conselhos e colegiados”.

Outro ponto de grande tensão foi o Artigo 49, que estabelece o mínimo de 12 alunos para o funcionamento de uma turma. O conselheiro Paulo Horta defendeu a exclusão desse limite, argumentando que turmas menores garantem melhor qualidade de ensino e respeitam a diversidade de interesses dos alunos, especialmente em cursos práticos como a Biologia. “A nossa universidade ela precisa atentar para essa importância de nós termos cada vez mais a diversidade do nosso público respeitada”, afirmou Horta, classificando o número como sem base didática operacional.

Por outro lado, o conselheiro Raphael Falcão da Hora alertou para o risco de inviabilizar os departamentos caso o número mínimo seja reduzido, devido à falta de docentes. Segundo ele, sem dados estatísticos claros para a distribuição de vagas, a conta “simplesmente não fecha”. Em resposta, Paulo Horta disse que “se a gente tá precisando de professor, vamos para Brasília pedir para contratar, não podemos cortar na carne naquilo que é a qualidade do processo de educação”.

Apesar dos apontamentos do relator pela urgência da aprovação — alegando que o debate poderia continuar na Câmara de Graduação após a entrada em vigor da norma — o conselheiro Mateus formalizou o pedido de vistas, justificando a ação como uma forma de buscar uma “mediação possível” e garantir que a comunidade acadêmica avance junta. Com isso, a revisão da Resolução 17 permanece em aberto por tempo indeterminado.

Setor de Imprensa do GR | SECOM
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