Rede Biotech integra pesquisadores e amplia atuação da UFSC em áreas estratégicas

24/09/2026 16:36

Conectar pesquisadores, laboratórios e diferentes áreas de atuação para transformar competências já existentes na Universidade em novas possibilidades de pesquisa, inovação e desenvolvimento. É esse o movimento impulsionado pela Rede Biotech, criada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2024 e credenciada pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq). Atualmente, a iniciativa reúne 48 professores de diferentes departamentos e centros de ensino, além de pós-doutorandos, estudantes, programas de pós-graduação, laboratórios e instituições parceiras, articulando conhecimentos e infraestrutura em torno de projetos nas áreas de Biodiversidade e Biotecnologia.

Para o pró-reitor de Pesquisa, Jacques Mick, essa experiência pode contribuir para a organização institucional da pesquisa em áreas estratégicas da UFSC. Ao reunir essas competências em uma estrutura institucional, torna-se mais fácil identificar os grupos, as especialidades e as modalidades de pesquisa existentes na Universidade, favorecendo a formação de equipes multidisciplinares e a elaboração de projetos que combinem conhecimentos especializados e infraestruturas específicas.

Para a professora da UFSC e superintendente de Projetos da Propesq, Gislaine Fongaro, a constituição de redes representa uma forma de regulamentar as colaborações que já estão presentes entre diferentes grupos de pesquisa da Universidade. “Transformar isso em rede é um caminho natural. Muitos já operam de forma articulada, mas não se encontram institucionalizadas”, afirma. Segundo ela, a formalização permite reunir competências complementares, compartilhar e otimizar espaços, ampliar a segurança nos laboratórios e fortalecer ações de internacionalização e de transferência de tecnologia.

Na UFSC, a criação e o funcionamento de redes de pesquisa são regidas por resoluções do Conselho Universitário (CUn), assim como grupos, laboratórios multiusuários, núcleos, institutos, cátedras e observatórios. Gislaine também acrescenta que “as redes são constituídas em torno de temas científicos de interesse comum e pressupõem uma colaboração organizada e contínua entre pesquisadores, que vai além de uma parceria pontual ou de um projeto específico”. Nesse contexto, a Rede Biotech também está registrada no Sistema Integrado de Gerenciamento de Projetos de Pesquisa e de Extensão (SIGPEX), que reúne todas as informações sobre pesquisadores, estudantes, colaboradores externos e atividades desenvolvidas.

Laboratórios e programas de pós-graduação envolvidos na Rede

Eixos de atuação

A diversidade de competências da Rede Biotech se reflete nas diferentes frentes de investigação desenvolvidas por seus integrantes. Em artigo publicado na revista acadêmica internacional Trends in Biotechnology, a iniciativa é apresentada a partir dos seguintes eixos: transição ecológica, engenharia de bioprocessos, biotecnologia de precisão, saúde (One Health) e transição energética. A publicação também destaca a engenharia de bioprodutos, área dedicada ao desenvolvimento de moléculas, materiais e processos com potencial de aplicação industrial.

Na transição ecológica, os estudos abrangem biotecnologia vegetal e de algas, tratamento de efluentes, monitoramento ambiental e identificação de poluentes emergentes. Entre as pesquisas estão trabalhos de sequenciamento e caracterização de genomas de espécies vegetais, cultivo de microalgas e macroalgas e desenvolvimento de processos e produtos a partir de sua biomassa. As investigações buscam ampliar o conhecimento sobre recursos biológicos e, ao mesmo tempo, desenvolver alternativas para seu aproveitamento sustentável e para a redução de impactos ambientais.

A transição energética concentra pesquisas voltadas à produção de combustíveis renováveis e ao aproveitamento de diferentes tipos de biomassa, além de iniciativas relacionadas à recuperação ambiental. Um dos projetos destacados no artigo é o “Cannabiofuel”, desenvolvido em colaboração com a Polícia Federal, que investiga a conversão, por meio de pirólise, de biomassa de cannabis apreendida em biocombustíveis. A proposta é dar uma destinação alternativa a um material que seria incinerado, transformando-o em produtos como bioóleo, biogás, biocarvão e vinagre pirolítico. A pesquisa avalia o potencial desses materiais e seus possíveis usos em processos energéticos, associando a investigação científica ao aproveitamento de resíduos e à busca por novas fontes de energia.

Na engenharia de bioprocessos, as equipes estudam formas de tornar mais eficientes sistemas de produção baseados em processos fermentativos e enzimáticos. Um dos desafios é fazer com que tecnologias desenvolvidas em laboratório possam ser ampliadas para aplicações industriais, mantendo eficiência, viabilidade econômica e segurança. Os estudos envolvem o uso de consórcios microbianos, o controle de biofilmes e análises técnico-econômicas e de ciclo de vida dos processos.

Já a engenharia de bioprodutos concentra pesquisas voltadas à obtenção e ao aprimoramento de produtos de interesse científico e industrial. Entre os trabalhos estão estudos com bioaromas, biossurfactantes, pigmentos e outras moléculas bioativas, além do desenvolvimento de processos enzimáticos destinados à indústria têxtil. A área também envolve tecnologias de separação e purificação e pesquisas relacionadas à produção de estruturas de suporte para carne cultivada, campo que demanda conhecimentos de diferentes áreas da biotecnologia e da engenharia.

A biotecnologia de precisão reúne ferramentas de biologia molecular, bioinformática e abordagens ômicas para investigar sistemas biológicos em diferentes níveis de complexidade. Entre as aplicações estão a identificação de biomarcadores associados a doenças infecciosas e ao câncer, o desenvolvimento de estratégias vacinais e pesquisas de cultivo in vitro e micropropagação de espécies vegetais.

No eixo de saúde, a perspectiva de One Health amplia o olhar sobre as relações entre saúde humana, animal e ambiental. Nesse contexto, os pesquisadores desenvolvem estudos sobre doenças negligenciadas, como a de Chagas e leishmaniose, além de pesquisas relacionadas a doenças neurodegenerativas, terapias regenerativas e biomateriais. Também fazem parte desse conjunto investigações sobre o potencial terapêutico de canabinoides, especialmente em estudos relacionados à neuroproteção e à medicina regenerativa.

Pesquisa e inovação

A aproximação entre produção científica e inovação é outra dimensão da atuação da Rede Biotech. As pesquisas desenvolvidas pelos grupos participantes abrangem possibilidades de aplicação em setores como saúde, agricultura, indústria, meio ambiente e produção de energia. Entre os exemplos, uma pesquisa que prevê a proteção intelectual de uma pomada à base de canabidiol (CBD) destinada ao uso veterinário.

O processo de transformar resultados obtidos nos laboratórios em tecnologias, produtos ou processos aplicáveis em diferentes setores pode abrir novas possibilidades de cooperação entre a Universidade e o setor produtivo. A transferência de tecnologia também pode contribuir para ampliar a escala de soluções desenvolvidas em ambiente acadêmico e aproximar a pesquisa de demandas identificadas fora da Universidade. “A vantagem é de imagem, de receita própria e de uma agenda de cooperação entre a nossa pesquisa avançada e a indústria”, explica Mick.

A busca por financiamento permanece vinculada aos próprios pesquisadores e grupos que integram a Rede, que desenvolvem suas iniciativas e procuram fontes de recursos de acordo com as características de cada pesquisa. A estrutura institucional funciona como espaço de articulação dessas competências e também prevê a organização de um portfólio de pesquisas, a prestação de serviços, a oferta de cursos, a realização de workshops e encontros científicos e ações de divulgação científica.

Cooperação e novas oportunidades

A articulação com instituições externas amplia o alcance das pesquisas desenvolvidas pela Rede Biotech. Atualmente, a iniciativa mantém cooperações com instituições como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Associação da Rede de Biotecnologia da Região Sul (SulBiotec). A rede também busca ampliar essa parceria no Brasil e no exterior.

A experiência acumulada pelos pesquisadores também contribuiu para a criação do Instituto Nacional de Biofábricas (INCT-Biofábricas). Coordenado por Débora de Oliveira, o instituto deverá contribuir para ampliar a escala de processos e produtos inicialmente desenvolvidos em ambiente laboratorial. A proposta foi aprovada com financiamento público do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

As atividades da rede dialogam ainda com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, especialmente em temas relacionados à saúde, segurança alimentar, preservação ambiental, inovação e desenvolvimento econômico sustentável. A relação com esses objetivos aparece nas diferentes frentes de investigação, que envolvem desde a conservação e o uso sustentável de recursos biológicos até a criação de processos industriais, produtos para a área da saúde e alternativas para a produção de energia.

Com informações do site redebiotech.ufsc.br e de artigo publicado na revista Trends in Biotechnology, que se encontra disponível para leitura nesta página.

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UFSC discute organização do ESUD 2026, maior evento de Educação a Distância do país

20/07/2026 11:55

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Amir Oliveira, recebeu nesta sexta-feira, 17 de julho, representantes da instituição para tratar da organização de dois eventos previstos para o segundo semestre de 2026: o 22º Congresso Brasileiro de Ensino Superior a Distância (ESUD 2026) e o 11º Congresso Internacional de Educação Superior a Distância (CIESUD 2026), além da apresentação dos resultados parciais do projeto “Problemas de Demarcação da Linha do Preamar Médio 1831”.

Estiveram presentes a chefe de Gabinete, Cátia Regina Silva de Carvalho Pinto; o diretor do Centro Tecnológico (CTC), Sérgio Peters; o professor do Colégio de Aplicação (CA), Rafael Sales Lisboa de Oliveira; os técnicos-administrativos Rafael Moré, coordenador-geral da Universidade Aberta do Brasil na UFSC (Núcleo UAB); Neiva Gasparetto, pesquisadora do Laboratório de Educação a Distância (LED) e líder do Grupo de Pesquisa em Inteligência Artificial na Educação (GPIAE); e o pesquisador Roberto Bessa, membro colaborador do Congresso ESUD.

Durante o encontro, foram discutidos encaminhamentos relacionados ao ESUD 2026, que será realizado de 16 a 20 de novembro de 2026, em Florianópolis. As inscrições para o maior evento de Ensino Superior a Distância do Brasil já estão abertas pelo site oficial: esud2026.com.br.

Os congressos terão como tema “Educação a Distância, Tecnologia e Inovação: Caminhos para uma transformação disruptiva e transformadora”. A organização desta edição é sob responsabilidade da UFSC, por meio da Secretaria de Educação a Distância (Sead), em parceria com a Associação Universidade em Rede (UniRede). A programação contará com palestras, minicursos, oficinas e apresentações de trabalhos, promovendo debates sobre os desafios, avanços e perspectivas da EaD no Brasil e no exterior.

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Feesc 60 anos: um marco na transferência de conhecimento da UFSC

13/05/2026 13:45

Sessenta anos de história, de pesquisa e de aproximação entre o conhecimento científico e as demandas da sociedade. Com esse legado, a Fundação Stemmer para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (Feesc) reunirá parceiros, pesquisadores e gestores na noite desta quinta-feira, 14 de maio, para comemorar um marco expressivo na trajetória da ciência catarinense. O evento será realizado a partir das 19h30 no Clube Paulo Ramos, no bairro Trindade, em Florianópolis, nas imediações do campus universitário que abrigou grande parte da história da fundação.

“Celebrar os 60 anos da Feesc é reconhecer um capítulo essencial da própria história da UFSC e de Santa Catarina. A Feesc nasceu para servir à sociedade, conectando os nossos laboratórios, pesquisadores e estudantes às necessidades reais do Estado e do país. Ao longo dessas seis décadas, construiu pontes sólidas entre universidade, governo e setor produtivo, viabilizando projetos estratégicos, formando pessoas e gerando inovação com impacto social”, afirma o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Irineu Manoel de Souza.

Em sua trajetória, a Feesc tornou-se agente central na transferência de conhecimento entre universidade e sociedade. Sua missão permanece a mesma: viabilizar parcerias que promovam o desenvolvimento mútuo e a inovação, apoiando, captando, gerindo e executando programas e projetos de pesquisa, ensino, extensão e estímulo à inovação. A fundação celebra convênios e contratos com entidades públicas e privadas, sempre com foco no desenvolvimento científico e tecnológico e no fortalecimento do ambiente universitário.

Instalada no campus Trindade, dentro do Centro Tecnológico (CTC) da UFSC, a Feesc foi instituída oficialmente em 18 de maio de 1966. A iniciativa surgiu de uma parceria entre a Universidade e as Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), com um objetivo: formar engenheiros eletricistas para dar suporte à implantação da companhia de energia no Estado.

Nos seus primeiros anos de existência, entre 1966 e meados da década de 1970, a Feesc dedicou-se a viabilizar os cursos de graduação e pós-graduação do CTC da UFSC. Em 1978, a fundação iniciou a gestão de convênios com a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) —, dando o primeiro passo para uma parceria estratégica que ampliaria significativamente sua capacidade de atuação. A partir daí, a Feesc passou a trabalhar para estreitar os laços entre universidade e setor produtivo, criando uma rota direta entre os laboratórios do CTC e as empresas em busca de soluções inovadoras.

Até 1990, a atuação da fundação estava circunscrita ao CTC. Uma revisão no Estatuto mudou esse cenário: a Feesc passou a operar em outras unidades de ensino da UFSC e a participar de projetos independentes, ampliando consideravelmente seu alcance e relevância institucional.

Um dos marcos na consolidação institucional da Feesc foi a mudança, em 2001, para o prédio Caspar Erich Stemmer — construído pela própria fundação, com direito de uso garantido por 30 anos. A nova sede criou condições físicas e estruturais para o crescimento de suas atividades e o aprofundamento das parcerias com a UFSC e o meio empresarial.

Sua relação com a UFSC é regulamentada pela Lei nº 8.958/94, que rege as fundações de apoio a instituições federais de ensino superior e pesquisa científica e tecnológica. A mais recente expansão da Feesc veio em 2023, quando a fundação obteve autorização para atuar no Hospital Universitário (HU-EBserh).

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Centro Tecnológico da UFSC celebra 65 anos; referência em formação, pesquisa e inovação

17/12/2025 17:22

Evento nesta quarta-feira comemorou os 65 anos do Centro Tecnológico da UFSC. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

A memória institucional e o reconhecimento de contribuições individuais e coletivas foram a tônica dos 65 anos do Centro Tecnológico (CTC) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), celebrados nesta quarta-feira, 17 de dezembro. A história do CTC – indissociável da própria trajetória da UFSC, que completa a mesma idade neste mês – espelha a evolução do ensino de engenharia e tecnologia no Brasil. A cerimônia começou às 10h, no Auditório Professor Luiz Antunes Teixeira, o “Teixeirão”, no campus Trindade, em Florianópolis, e foi prestigiada pelo reitor Irineu Manoel de Souza, pelo assessor do Gabinete Alexandre Verzani, pelo chefe de Gabinete Bernardo Meyer, professores, técnicos, estudantes, autoridades acadêmicas e entidades representativas.

O encontro foi marcado por homenagens a ex-diretores que lideraram o centro entre 1960 e 2024, bem como a docentes e técnicos-administrativos aposentados em 2025 – gerações que ajudaram a construir esta história. Ex-dirigentes e representantes de instituições parceiras fundamentais para o ecossistema de inovação catarinense também se manifestaram, entre elas a Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina (Feesc), a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (CREA-SC).

Para o professor Júlio Zeremeta, um dos homenageados e que apresentou uma retrospectiva histórica, o legado é de crescimento sustentado e impacto amplo: a missão de docentes, técnicos e estudantes vem sendo cumprida e deve seguir em trajetória ascendente — uma “derivada positiva” de realizações acadêmicas, econômicas e sociais.

Trajetória e consolidação

Desde sua criação em 1960, o CTC firmou-se como uma das 15 unidades de ensino da UFSC e tornou-se referência nacional em formação, pesquisa e inovação. A infraestrutura atual traduz essa relevância: 10 departamentos, 15 cursos de graduação, 14 programas de mestrado e 12 de doutorado.

A trajetória começou com a Escola de Engenharia Industrial (EEI), marco inaugural da área tecnológica na universidade. Nos anos 1970, a EEI deu lugar ao Centro Tecnológico, consolidando a força da graduação e da pós-graduação. Os anos 1980 trouxeram os primeiros doutorados, elevando a formação de pesquisadores. Na década seguinte, o centro consolidou-se definitivamente, com a expansão da pós-graduação e a diversificação de áreas e linhas de pesquisa.

Ao longo de seis décadas e meia, o CTC manteve clara sua missão: promover o desenvolvimento científico, tecnológico e cultural para melhorar a qualidade de vida. Essa diretriz orienta projetos acadêmicos, parcerias estratégicas com os setores público e privado e iniciativas de inovação que impulsionam o desenvolvimento regional e nacional – reforçando o centro como vetor de transformação social e produtor de conhecimento de excelência.

O reitor Irineu Manoel de Souza ressaltou que se trata “de fato, de um dos centros mais importantes da universidade”, tanto “pela sua grandeza na pesquisa, no ensino, na extensão” quanto pela contribuição social, que segundo ele, o centro é o que mais forma estudantes e insere na sociedade profissionais altamente qualificados.

O reitor reiterou a força acadêmica do centro, resultado do trabalho da comunidade que o compõe, e contextualizou o momento de evasão e de dificuldades de atração para a graduação; Ainda assim, salientou que os cursos do CTC seguem disputados e, a cada semestre, colocam “um número qualificado de profissionais” na sociedade. Ao ampliar o foco para a instituição, sublinhou que a universidade se destaca “em termos de qualidade” no ensino, na pesquisa e na extensão, com reconhecimento em Santa Catarina, no Brasil e internacionalmente, reconhecimento que atribuiu ao esforço, ao apoio e à participação do Centro Tecnológico no projeto universitário.

Retrospectiva histórica

O Centro Tecnológico tem sua origem diretamente vinculada à criação da própria universidade. A Lei 3.849, de 18 de dezembro de 1960, que instituiu a UFSC, já previa a implantação da Escola de Engenharia Industrial, com vocação inicial nas áreas de Química, Metalurgia e Mecânica – frentes que posteriormente foram ampliadas para incluir Engenharia de Materiais.

Em 1961, o professor João David Ferreira Lima foi nomeado primeiro reitor e estabeleceu um convênio estratégico com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para viabilizar a nova escola. Pelo acordo, os professores regentes deslocavam-se quinzenalmente para Florianópolis para ministrar aulas, apoiados por tutores locais. Em 1962, o primeiro curso de graduação entrou em operação: Engenharia Mecânica, instalado no pavilhão da engenharia industrial – hoje bloco B da Engenharia Mecânica.

A presença do professor Caspar Erich Stemmer foi decisiva nesta fase inicial. Ele atuou como regente a partir de 1964, e no início de 1965 assumiu a direção da EEI, permanecendo no cargo até 1969. Sob sua liderança, a escola expandiu sua oferta com a criação dos cursos de Engenharia Civil e Engenharia Elétrica, que começaram a funcionar ainda na década de 1960. Para superar restrições de contratação e pagamento de especialistas, especialmente na área elétrica, a EEI criou, em parceria com a Companhia Energética de Santa Catarina (Celesc), a Fundação de Ensino de Engenharia de Santa Catarina (Feesc) em 1966 – pioneira entre as fundações de apoio da UFSC e a única com “ensino” no nome. Esta fundação tornou-se parceira fundamental da universidade desde então.

A partir da reforma universitária de 1970, quando as instituições brasileiras passaram a se organizar em departamentos e unidades de ensino, o CTC acelerou sua expansão. No segundo mandato de Stemmer (1970-1974), já sob influência da reforma, consolidou-se a visão de um centro multidisciplinar, inaugurando oficialmente a era do Centro Tecnológico. A década de 1970 marcou um ciclo de forte expansão, com a abertura de seis novos cursos de graduação.

Em 1969, ainda antes da consolidação formal do CTC, teve início o primeiro programa de pós-graduação da UFSC: o Mestrado em Engenharia Mecânica. Este foi o marco inicial de uma trajetória que resultaria na formação de dezenas de milhares de profissionais em engenharias, arquitetura, computação e sistemas de informação, além de milhares de especialistas, mestres e doutores. Entre os cursos criados neste período de expansão, destacam-se Ciência da Computação em 1976 – em um contexto anterior à popularização dos microcomputadores – e, na sequência, Arquitetura e Urbanismo (1977), Engenharia de Alimentos e Engenharia Química (1978), Engenharia Sanitária e Ambiental (1978), e os cursos de Produção, Mecânica, Elétrica e Civil (1979).

O crescimento do CTC apoiou-se na estruturação de laboratórios, na consolidação da pós-graduação e na articulação entre ensino, pesquisa e extensão. Novos cursos continuaram sendo criados para atender demandas emergentes: Controle e Automação (1990), Engenharia de Materiais e Sistemas de Informação (2000) e Engenharia Eletrônica (2009). Já na década mais recente, o centro aprovou a oferta de Engenharia de Produção Plena (2022) e deu início ao processo de criação de Engenharia de Alimentos e Bioprodutos, refletindo demandas emergentes da sociedade.

Excelência e impacto

Atualmente, ao longo de seis décadas e meia de história, o CTC estruturou-se como um polo de excelência acadêmica. A unidade oferece ainda mestrados profissionais e cursos de especialização que atendem a necessidades específicas, como gestão e avaliação, engenharia ambiental e veículos elétricos e autônomos. As iniciativas são avaliadas por critérios de qualidade que incluem não apenas produção científica, mas também impacto social e econômico.

No campo da pesquisa, o CTC consolidou reconhecimento pela produção contínua de artigos científicos em periódicos de prestígio internacional. Na extensão, inovação e transferência de tecnologia, o centro protagonizou iniciativas que moldaram o ecossistema catarinense: fomentou empresas juniores, concebeu e estruturou os primeiros parques tecnológicos de Florianópolis e de Santa Catarina – como o Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas (Celta), o Parque Tecnológico Alfa e o Sapiens Park – e fortaleceu o modelo de fundações de apoio. A colaboração que levou à Lei 8.958/1994, regulamentando parcerias entre instituições federais de ensino, instituições científicas, tecnológicas e de inovação (ICTs) e fundações de apoio, contribuiu para desonerar pesquisadores de tarefas administrativas e acelerar projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D).

A celebração ressaltou que a trajetória do centro foi construída tanto por grandes marcos institucionais quanto por ações cotidianas, sólidas e sinceras, que sustentaram a formação de pessoas e o fortalecimento da unidade ao longo do tempo. O centro reitera seu compromisso com uma atuação acadêmica relevante e impactante, voltada para a sociedade catarinense, brasileira e internacional.

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Fotos: Gustavo Diehl | Agecom | UFSC
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Level One 2025: inscrições abertas a universitários para feira gratuita de carreiras

12/05/2025 16:36

No dia 5 de julho, Florianópolis sediará o Level One 2025, uma feira de carreiras gratuita que interliga universitários e grandes empresas do mercado. O evento, que terá início às 8h, será realizado no CentroSul, e visa proporcionar uma experiência imersiva, dinâmica e gamificada, conectando jovens talentos às oportunidades que podem transformar suas trajetórias profissionais.

Com o objetivo de preparar os estudantes para ingressar no mercado de trabalho, o Level One reúne empresas líderes do Sul e de todo o Brasil, além de palestrantes renomados. A programação inclui atividades interativas, palestras inspiradoras e oportunidades de networking que ajudam os participantes a identificar vagas de estágio e outras oportunidades que realmente se conectem aos seus perfis e objetivos de carreira.

O evento também contará com ações voltadas ao desenvolvimento profissional e à troca de experiências, consolidando-se como um espaço estratégico para jovens universitários e recém-formados de diversas áreas.

Inscreva-se gratuitamente no site do evento.

Serviço

O que: Level One 2025 – Feira de Carreiras
Quando: 5 de julho de 2025, a partir das 8h
Onde: CentroSul (Avenida Governador Gustavo Richard, 850, Centro, Florianópolis, SC)
Quanto: Gratuito
Mais informações: no Instagram @levelonesc

 

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