Rede Biotech integra pesquisadores e amplia atuação da UFSC em áreas estratégicas

24/09/2026 16:36

Conectar pesquisadores, laboratórios e diferentes áreas de atuação para transformar competências já existentes na Universidade em novas possibilidades de pesquisa, inovação e desenvolvimento. É esse o movimento impulsionado pela Rede Biotech, criada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2024 e credenciada pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq). Atualmente, a iniciativa reúne 48 professores de diferentes departamentos e centros de ensino, além de pós-doutorandos, estudantes, programas de pós-graduação, laboratórios e instituições parceiras, articulando conhecimentos e infraestrutura em torno de projetos nas áreas de Biodiversidade e Biotecnologia.

Para o pró-reitor de Pesquisa, Jacques Mick, essa experiência pode contribuir para a organização institucional da pesquisa em áreas estratégicas da UFSC. Ao reunir essas competências em uma estrutura institucional, torna-se mais fácil identificar os grupos, as especialidades e as modalidades de pesquisa existentes na Universidade, favorecendo a formação de equipes multidisciplinares e a elaboração de projetos que combinem conhecimentos especializados e infraestruturas específicas.

Para a professora da UFSC e superintendente de Projetos da Propesq, Gislaine Fongaro, a constituição de redes representa uma forma de regulamentar as colaborações que já estão presentes entre diferentes grupos de pesquisa da Universidade. “Transformar isso em rede é um caminho natural. Muitos já operam de forma articulada, mas não se encontram institucionalizadas”, afirma. Segundo ela, a formalização permite reunir competências complementares, compartilhar e otimizar espaços, ampliar a segurança nos laboratórios e fortalecer ações de internacionalização e de transferência de tecnologia.

Na UFSC, a criação e o funcionamento de redes de pesquisa são regidas por resoluções do Conselho Universitário (CUn), assim como grupos, laboratórios multiusuários, núcleos, institutos, cátedras e observatórios. Gislaine também acrescenta que “as redes são constituídas em torno de temas científicos de interesse comum e pressupõem uma colaboração organizada e contínua entre pesquisadores, que vai além de uma parceria pontual ou de um projeto específico”. Nesse contexto, a Rede Biotech também está registrada no Sistema Integrado de Gerenciamento de Projetos de Pesquisa e de Extensão (SIGPEX), que reúne todas as informações sobre pesquisadores, estudantes, colaboradores externos e atividades desenvolvidas.

Laboratórios e programas de pós-graduação envolvidos na Rede

Eixos de atuação

A diversidade de competências da Rede Biotech se reflete nas diferentes frentes de investigação desenvolvidas por seus integrantes. Em artigo publicado na revista acadêmica internacional Trends in Biotechnology, a iniciativa é apresentada a partir dos seguintes eixos: transição ecológica, engenharia de bioprocessos, biotecnologia de precisão, saúde (One Health) e transição energética. A publicação também destaca a engenharia de bioprodutos, área dedicada ao desenvolvimento de moléculas, materiais e processos com potencial de aplicação industrial.

Na transição ecológica, os estudos abrangem biotecnologia vegetal e de algas, tratamento de efluentes, monitoramento ambiental e identificação de poluentes emergentes. Entre as pesquisas estão trabalhos de sequenciamento e caracterização de genomas de espécies vegetais, cultivo de microalgas e macroalgas e desenvolvimento de processos e produtos a partir de sua biomassa. As investigações buscam ampliar o conhecimento sobre recursos biológicos e, ao mesmo tempo, desenvolver alternativas para seu aproveitamento sustentável e para a redução de impactos ambientais.

A transição energética concentra pesquisas voltadas à produção de combustíveis renováveis e ao aproveitamento de diferentes tipos de biomassa, além de iniciativas relacionadas à recuperação ambiental. Um dos projetos destacados no artigo é o “Cannabiofuel”, desenvolvido em colaboração com a Polícia Federal, que investiga a conversão, por meio de pirólise, de biomassa de cannabis apreendida em biocombustíveis. A proposta é dar uma destinação alternativa a um material que seria incinerado, transformando-o em produtos como bioóleo, biogás, biocarvão e vinagre pirolítico. A pesquisa avalia o potencial desses materiais e seus possíveis usos em processos energéticos, associando a investigação científica ao aproveitamento de resíduos e à busca por novas fontes de energia.

Na engenharia de bioprocessos, as equipes estudam formas de tornar mais eficientes sistemas de produção baseados em processos fermentativos e enzimáticos. Um dos desafios é fazer com que tecnologias desenvolvidas em laboratório possam ser ampliadas para aplicações industriais, mantendo eficiência, viabilidade econômica e segurança. Os estudos envolvem o uso de consórcios microbianos, o controle de biofilmes e análises técnico-econômicas e de ciclo de vida dos processos.

Já a engenharia de bioprodutos concentra pesquisas voltadas à obtenção e ao aprimoramento de produtos de interesse científico e industrial. Entre os trabalhos estão estudos com bioaromas, biossurfactantes, pigmentos e outras moléculas bioativas, além do desenvolvimento de processos enzimáticos destinados à indústria têxtil. A área também envolve tecnologias de separação e purificação e pesquisas relacionadas à produção de estruturas de suporte para carne cultivada, campo que demanda conhecimentos de diferentes áreas da biotecnologia e da engenharia.

A biotecnologia de precisão reúne ferramentas de biologia molecular, bioinformática e abordagens ômicas para investigar sistemas biológicos em diferentes níveis de complexidade. Entre as aplicações estão a identificação de biomarcadores associados a doenças infecciosas e ao câncer, o desenvolvimento de estratégias vacinais e pesquisas de cultivo in vitro e micropropagação de espécies vegetais.

No eixo de saúde, a perspectiva de One Health amplia o olhar sobre as relações entre saúde humana, animal e ambiental. Nesse contexto, os pesquisadores desenvolvem estudos sobre doenças negligenciadas, como a de Chagas e leishmaniose, além de pesquisas relacionadas a doenças neurodegenerativas, terapias regenerativas e biomateriais. Também fazem parte desse conjunto investigações sobre o potencial terapêutico de canabinoides, especialmente em estudos relacionados à neuroproteção e à medicina regenerativa.

Pesquisa e inovação

A aproximação entre produção científica e inovação é outra dimensão da atuação da Rede Biotech. As pesquisas desenvolvidas pelos grupos participantes abrangem possibilidades de aplicação em setores como saúde, agricultura, indústria, meio ambiente e produção de energia. Entre os exemplos, uma pesquisa que prevê a proteção intelectual de uma pomada à base de canabidiol (CBD) destinada ao uso veterinário.

O processo de transformar resultados obtidos nos laboratórios em tecnologias, produtos ou processos aplicáveis em diferentes setores pode abrir novas possibilidades de cooperação entre a Universidade e o setor produtivo. A transferência de tecnologia também pode contribuir para ampliar a escala de soluções desenvolvidas em ambiente acadêmico e aproximar a pesquisa de demandas identificadas fora da Universidade. “A vantagem é de imagem, de receita própria e de uma agenda de cooperação entre a nossa pesquisa avançada e a indústria”, explica Mick.

A busca por financiamento permanece vinculada aos próprios pesquisadores e grupos que integram a Rede, que desenvolvem suas iniciativas e procuram fontes de recursos de acordo com as características de cada pesquisa. A estrutura institucional funciona como espaço de articulação dessas competências e também prevê a organização de um portfólio de pesquisas, a prestação de serviços, a oferta de cursos, a realização de workshops e encontros científicos e ações de divulgação científica.

Cooperação e novas oportunidades

A articulação com instituições externas amplia o alcance das pesquisas desenvolvidas pela Rede Biotech. Atualmente, a iniciativa mantém cooperações com instituições como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Associação da Rede de Biotecnologia da Região Sul (SulBiotec). A rede também busca ampliar essa parceria no Brasil e no exterior.

A experiência acumulada pelos pesquisadores também contribuiu para a criação do Instituto Nacional de Biofábricas (INCT-Biofábricas). Coordenado por Débora de Oliveira, o instituto deverá contribuir para ampliar a escala de processos e produtos inicialmente desenvolvidos em ambiente laboratorial. A proposta foi aprovada com financiamento público do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

As atividades da rede dialogam ainda com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, especialmente em temas relacionados à saúde, segurança alimentar, preservação ambiental, inovação e desenvolvimento econômico sustentável. A relação com esses objetivos aparece nas diferentes frentes de investigação, que envolvem desde a conservação e o uso sustentável de recursos biológicos até a criação de processos industriais, produtos para a área da saúde e alternativas para a produção de energia.

Com informações do site redebiotech.ufsc.br e de artigo publicado na revista Trends in Biotechnology, que se encontra disponível para leitura nesta página.

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UFSC presta homenagens pelos 104 anos do professor Glauco Olinger

17/09/2026 19:00

Professor Glauco Olinger foi um dos fundadores do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da UFSC

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) uniu-se a diversas entidades para prestar homenagem ao professor Glauco Olinger, que completa 104 anos nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026. O professor Glauco é um dos fundadores do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade, que dirigiu entre 1976 e 1979. Também foi o primeiro pró-reitor de Planejamento da UFSC (1986-1988). Em reconhecimento à sua trajetória na instituição, desde 2007 Glauco Olinger é professor emérito da UFSC, um título que ele valoriza muito.

Para celebrar a data e reconhecer sua contribuição às Ciências Agrárias e ao desenvolvimento rural catarinense, foram preparadas duas homenagens especiais: o CCA disponibilizou on-line um capítulo de autoria de Glauco Olinger, integrante do Livro dos 50 anos do Centro; e, em uma iniciativa conjunta do CCA e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), foi entregue ao professor uma coletânea de cartas e mensagens institucionais.

O artigo do professor Glauco possui um significado especial por ter sido originalmente redigido à mão pelo próprio autor. Em suas páginas, Glauco reúne lembranças, experiências e sua perspectiva sobre acontecimentos dos quais não foi apenas testemunha, mas também protagonista.

A obra registra a trajetória dos 50 anos do CCA e reúne acontecimentos das comemorações realizadas durante 2025. Sua versão atualizada foi concluída em 2026 e teve um pré-lançamento virtual. Em razão das restrições de divulgação institucional durante o período de defeso eleitoral, a publicação física e a divulgação integral do livro permanecem reservadas para momento oportuno. Porém, diante da singularidade do aniversário, a Comissão Editorial do Livro dos 50 anos do CCA autorizou, excepcionalmente, a disponibilização on-line do capítulo de Glauco Olinger.

Em 2022, o Conselho Universitário da UFSC realizou uma sessão Solene em homenagem ao professor Glauco Olinger (Foto: Camila Collato)

A iniciativa permite que a comunidade conheça o relato do professor sobre a construção e o desenvolvimento das Ciências Agrárias em Santa Catarina. Disponibilizar esse capítulo no dia em que Glauco completa 104 anos é também uma forma de preservar sua voz, suas lembranças e sua contribuição para as próximas gerações.

Outra homenagem foi organizada conjuntamente pelo CCA/UFSC e pela Epagri, instituições profundamente ligadas à trajetória de Glauco Olinger. A iniciativa reuniu cartas e mensagens enviadas por instituições das quais Glauco participou ou com as quais construiu vínculos ao longo de sua vida. Os textos foram compilados em uma publicação especialmente encadernada, entregue pessoalmente ao professor.

A coletânea também conta com uma ilustração e uma poesia produzidas especialmente para a ocasião, formando um registro afetivo e institucional da importância de sua trajetória.

Entre as mensagens reunidas está a carta preparada pelo Centro de Ciências Agrárias, que destaca a relação de Glauco com a criação e o crescimento do Centro:

“Celebrar seus 104 anos de vida é, para o Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina, muito mais que uma data extraordinária. É uma oportunidade de reconhecer, com admiração e gratidão, uma trajetória que se entrelaça profundamente com a própria história das Ciências Agrárias em Santa Catarina e com a construção do nosso Centro.”

A mensagem recorda que sua visão, sua capacidade de realização e seu compromisso com o desenvolvimento rural foram decisivos para a criação do curso de Agronomia e, posteriormente, para a constituição do CCA/UFSC:

“Naquele gesto pioneiro havia mais do que a criação de um curso ou de uma instituição. Havia uma compreensão de futuro: a convicção de que formar pessoas, produzir conhecimento e aproximar a Universidade da agricultura, do território e da sociedade seria fundamental para o desenvolvimento de Santa Catarina.”

O reitor da UFSC, Amir Oliveira, também escreveu uma carta para a coletânea, em nome da Universidade.

“Agradecemos nesta invejável passagem destes 104 anos de uma vida sublime, com uma frase sua em um dos vários momentos que conosco esteve: “Dificilmente haverá um título mais honroso que o título de professor”. Por tudo isso não nos cansaremos sempre de repetir: muito obrigado professor Glauco!

Professora Marlene Grade, diretora do CCA, leu a mensagem do reitor ao professor Glauco (Foto: Divulgação)

A homenagem do reitor da UFSC foi lida pessoalmente para o professor Glauco Olinger pela diretora do CCA, professora Marlene Grade.

Mesmo aos 104 anos, Glauco permanece atuante, escrevendo, compartilhando conhecimentos e contribuindo para a preservação da história das Ciências Agrárias em Santa Catarina. Sua trajetória está diretamente relacionada à implantação do primeiro curso de Agronomia do Estado e à criação do Centro de Ciências Agrárias da UFSC.

Sua atuação também foi fundamental para o fortalecimento da pesquisa agropecuária e da extensão rural catarinense, participando da história das instituições que deram origem à atual Epagri.

Tags: CCAEpagriGlauco OlingerUFSC

Administração Central informa sobre impactos das chuvas na UFSC

31/08/2026 18:10

A Administração Central da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) informa à comunidade universitária sobre a situação em diferentes pontos dos campi de Florianópolis, localizados nos bairros Trindade e Itacorubi, em razão das chuvas intensas e volumosas registradas nesta segunda-feira, 31 de agosto. Segundo o reitor Amir de Oliveira, “é fundamental adotarmos medidas preventivas para preservar a segurança da comunidade universitária e evitar transtornos de maior gravidade”.

O reitor e a vice-reitora Felipa Amadigi acompanharam na tarde desta segunda-feira os trabalhos de remoção de sedimentos e resíduos lenhosos no Córrego da Serrinha, no trecho canalizado que se estende até o Colégio de Aplicação (CA).

As equipes de manutenção da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) realizaram inspeções preventivas para monitorar as condições das instalações e, de acordo com a secretária Carolina Peña, a situação verificada até o momento é a seguinte:

Biblioteca Universitária (BU): foram identificadas goteiras já existentes e que serão contempladas pela manutenção geral das coberturas, previstas em novo contrato específico, com início em setembro deste ano. A equipe da BU está ciente da situação e mantém pontos de monitoramento interno para o caso de agravamento. A PU também disponibilizou lonas preventivamente. Pela recorrência dessas questões de infraestrutura, a BU realizou atendimento parcial nesta segunda-feira, mantendo o acesso somente nas salas de leitura individuais.

Centro de Ciências Biológicas (CCB), prédio da Morfologia: o nível do rio vem apresentando elevação gradual mas sem extravasamento até o momento. O CCB foi orientado a reposicionar as sacas de areia como medida preventiva. Também foi identificado o entupimento de uma calha em uma das lajes. A verificação e os reparos serão realizados por meio do contrato de manutenção hidráulica vigente assim que as condições adversas permitirem.

Restaurante Universitário (RU) da Trindade: as intervenções recentes nos telhados solucionaram grande parte dos problemas registrados anteriormente. Os vestiários, o depósito e a área de lavagem encontram-se em condições adequadas com alguns pontos sob monitoramento. Foi identificada a necessidade de calafetação no encontro entre coberturas com esquadrias de vidro, serviço que será melhor avaliado após o término da chuva. Até o momento, a situação não prejudica as atividades.

RU do do Centro de Ciências Agrárias (CCA): este é o ponto que exige maior atenção, em razão de problemas relacionados a questões executivas. O acionamento da garantia da obra foi realizado e aguarda-se retorno da empresa (fora de Florianópolis). Assim que a chuva cessar, serão verificadas as descidas de águas pluviais por meio do contrato de manutenção hidráulica. Os possíveis impactos das goteiras sobre o funcionamento do restaurante deverão ser avaliados pelo CCA.

Alojamento Indígena (Maloca): foram observados danos na cobertura na região do refeitório onde ações pontuais de vedação serão realizadas nos locais afetados assim que existam condições seguras para execução dos serviços. A substituição de telhas e manutenção da infiltração localizada em dois pontos dos dormitórios serão realizadas a partir do novo contrato de coberturas previsto para setembro. Foram disponibilizadas lonas e os alunos orientados pela relocação de mobiliário da área afetada.

As bombas de sucção instaladas na UFSC foram vistoriadas por equipe da empresa responsável e, até o momento, encontram-se funcionais. Também não foram registradas ocorrências elétricas de maior gravidade.

A Administração Central da UFSC permanece monitorando a situação e às condições adversas, adotando as medidas preventivas para garantir a segurança e a proteção da comunidade universitária.

Fluxos para solicitação de serviços de manutenção podem ser acessados em: pu.ufsc.br/servicos-de-atendimento-de-demandas-de-infraestrutura.

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UFSC inaugura Instituto de Ecologização de Mares, Campo e Cidades para Combate à Fome e Pobreza

24/06/2026 17:00

Programa de Pesquisa e Inovação com Algas será a primeira ação do Instituto de Ecologização de Mares, Campo e Cidades para o Combate à Fome e à Pobreza (Fotos: Divulgação)

A Universidade Federal de Santa Catarina inaugurou no sábado, 20 de junho, o primeiro Instituto de Ecologização de Mares, Campo e Cidades para o Combate à Fome e à Pobreza. O espaço, na Fazenda Ressacada, passa a integrar a estrutura institucional com o propósito de fomentar o ensino, pesquisa e extensão nas áreas de ciências agrárias e ciências biológicas. A iniciativa deverá se dedicar à produção de arranjos e saberes que poderão contribuir para o combate à fome e à pobreza.

A ideia do instituto nasceu de uma visita do Ministro Wellington Dias, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome. O ministro incentivou a criação do instituto para ser um modelo acadêmico dentro da Aliança Global Contra a Fome e a Pobreza, iniciativa à qual a UFSC foi a primeira universidade brasileira a aderir. Uma emenda parlamentar viabilizou os recursos usados na reforma do espaço e a proposta ganhou apoio institucional do Gabinete da Reitoria, do Centro de Ciências Agrárias (CCA), do Centro de Ciências Biológicas (CCB), centros e departamentos da UFSC, além de instituições do Estado e da sociedade civil.

A solenidade de inauguração contou com a presença do reitor Irineu Manoel de Souza; da vice-reitora Olga Regina Zigelli Garcia; da diretora do CCA, Marlene Grade; do diretor do CCB, Rui Prediger; autoridades políticas, líderes de associações de pescadores e de maricultores; professores e servidores administrativos da UFSC e representantes da sociedade civil.

O professor Paulo Horta, um dos idealizadores do Instituto e coordenador das ações, agradeceu pelo apoio recebido, e a cada uma e cada um “que dedicaram recursos e esforços para transformar um prédio em um espaço de construção de pesquisa, inovação, extensão e ensino, em uma perspectiva crítica e emancipadora”.

Inauguração do Instituto, no dia 20 de junho, teve a presença de diversos apoiadores do projeto

Nesta primeira etapa, o instituto implementará o programa de Pesquisa e Inovação com Algas, conjunto de projetos que devem auxiliar maricultores a expandir e diversificar a produção de algas no Brasil. De acordo com o professor Horta, o Instituto buscará novos apoios para viabilizar a implementação de uma biorrefinaria de produção de fertilizantes, para fomentar a agricultura familiar a produzir alimento saudável de forma resiliente, sem agrotóxicos.

“Este projeto pode ser a ponte que vai potencializar a aproximação entre maricultores e agricultores, construindo uma base fundamental para termos mares, campo e cidades resistentes e resilientes aos desafios do século 21, quando o agravamento da crise climática e humanitária ameaça o pacto civilizatório”, disse o professor.

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Brafagri: coordenado pela UFSC, programa inicia nova etapa de integração Brasil e França

03/02/2026 14:46

A cooperação acadêmica entre Brasil e França nas áreas de ciências agronômicas, agroalimentares e veterinárias foi renovada com o projeto institucional “Formação para ação na agricultura familiar frente a mudanças globais” (AGRIFAM 2 – 2026/2029), coordenado pelo professor Paulo Emílio Lovato, do Departamento de Engenharia Rural da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Vinculada ao Programa Brasil/França pela Agricultura (Brafagri), a iniciativa dá continuidade à internacionalização na graduação, com foco em inovação para produção sustentável e segurança alimentar. Entre as metas estão a aproximação de estruturas curriculares, o reconhecimento mútuo de créditos e a ampliação de acordos de dupla diplomação.

O AGRIFAM 2 sucede e amplia o projeto “Agricultura Familiar: Inovação para Produção Sustentável e Segurança Alimentar”, em curso desde 2019, que reúne as universidades federais UFSC, UFRB (Recôncavo da Bahia) e UTFPR (Tecnológica do Paraná), além das instituições francesas Bordeaux Sciences Agro, Institut Agro (campus Dijon) e VetAgro Sup. O projeto conta com apoio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e, de natureza extensionista, prioriza a qualificação da formação discente por meio de temas estratégicos da agricultura familiar. Busca fortalecer competências técnicas e ampliar a visão de mundo dos estudantes diante dos desafios contemporâneos de inovação, sustentabilidade e desenvolvimento rural.

Entre os objetivos específicos:

  • Harmonização curricular para favorecer o aproveitamento de atividades formativas, a equivalência e o reconhecimento de créditos, além da formalização de acordos de dupla diplomação.
  • Consolidação de parcerias entre docentes e discentes para aprimorar metodologias de ensino e estruturar redes de pesquisa em áreas de interesse comum.
  • Impactos esperados na empregabilidade de egressos e no acesso à pós-graduação, no aumento do grau de internacionalização das instituições participantes e na atualização dos Projetos Pedagógicos dos cursos de Agronomia, com maior flexibilização curricular, ampliação de disciplinas optativas e readequação de componentes obrigatórios.

A agenda de atividades inclui a criação de novos componentes curriculares e estágios, o estímulo a projetos de pesquisa conjuntos entre equipes brasileiras e francesas, a ampliação das oportunidades de estágios em Agronomia e Agroecologia e a oferta de aulas a distância integrando as universidades parceiras. No Brasil, a UFRB permanece responsável pela coordenação geral e pela gestão dos recursos liberados pela Capes. As regras e prazos para candidaturas a bolsas e vagas de intercâmbio são definidos por cada instituição parceira, com participação aberta a estudantes de graduação nas áreas contempladas.

A expansão da cooperação apoia-se em marcos institucionais. Em 29 de outubro de 2015, a UFSC e a École Nationale Vétérinaire, Agroalimentaire et de l’Alimentation Nantes-Atlantique (ONIRIS), da França, firmaram acordo de cooperação e termo aditivo específico para intercâmbio, ambos válidos por cinco anos. No ano seguinte, foi assinado um acordo de dupla diplomação, alinhado ao pacto principal. Em 2020, novo aditivo prorrogou a validade por mais cinco anos, e uma terceira emenda prevê extensão adicional por igual período, a partir de 29 de outubro de 2025.

Fruto direto do Brafagri, o acordo de dupla diplomação entre o curso de Engenharia de Alimentos da UFSC e a ONIRIS, em vigor desde março de 2016, permite a estudantes selecionados realizar formações biculturais em duas instituições de excelência, com outorga simultânea de diplomas. A modalidade amplia horizontes acadêmicos e profissionais e reforça a integração entre os sistemas de ensino e pesquisa dos dois países.

Sobre o Brafagri

Criado em 2005 por acordo entre a Capes e a Direction Générale de l’Enseignement et de la Recherche (DGER), do Ministère de l’Agriculture et de la Souveraineté Alimentaire, na França, o Brafagri é coordenado no Brasil pela UFSC, em parceria com a UFRB e a Universidade Federal do Pará (UFPA), e, na França, pela Bordeaux Sciences Agro, em associação com o Institut Agro e a VetAgro Sup.

O primeiro edital foi lançado em 2008 e, desde então, o programa vem sendo regularmente reeditado (2010, 2012, 2014, 2016, 2018, 2022 e 2026). O Brafagri promove mobilidade acadêmica bidirecional, permitindo que estudantes brasileiros cursem períodos em instituições francesas e que alunos franceses vivenciem experiências acadêmicas nas regiões Norte, Nordeste e Sul do Brasil. Os projetos selecionados recebem bolsas de graduação e recursos para missões de pesquisa, fortalecendo a integração acadêmica e formando profissionais com visão internacional.

Mais informações sobre edital aberto no site: https://engalimentos.grad.ufsc.br/2026/02/10/programa-brafagricapes-edicao-20262027/

 

 

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