
Reitor da UFSC, Amir de Oliveira, e o diretor financeiro e operacional da ARK Bio Solutions, Leonardo Borges. Fotos: Secom
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) deu um novo passo na aproximação entre ciência e mercado ao assinar, nesta quarta-feira, 16 de setembro, um acordo inédito de pesquisa, desenvolvimento e inovação com a ARK Bio Solutions. A parceria permite à Universidade receber participação societária na empresa como contrapartida pelo apoio ao desenvolvimento de tecnologias. O acordo foi firmado no Gabinete da Reitoria pelo reitor Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior e pelo diretor financeiro e operacional da ARK, Leonardo Borges Santos Caiado. Também participou do ato o secretário de Inovação e Relacionamento Externo (Sinova), Ronaldo David Viana Barbosa.
A construção da parceria mobilizou a Reitoria, a Sinova e a Rook Ventures, holding de investimentos e cofundadora da ARK. A articulação integrou pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, infraestrutura universitária, propriedade intelectual, gestão empresarial e investimento privado. A iniciativa inaugura uma modalidade de interação entre a Universidade e empresas de base tecnológica que permite à UFSC ser remunerada por meio de participação no capital social da empresa, em reconhecimento ao suporte institucional, científico e tecnológico oferecido ao empreendimento. A parceria também conta com a participação da Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina (Feesc), responsável pela gestão administrativa e financeira do projeto.
Estruturado com base no Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, o acordo prevê um investimento conversível em participação societária. Como contrapartida pelo compartilhamento de laboratórios, equipamentos e pessoal, a UFSC terá a opção de adquirir ou subscrever ações da empresa, conforme as condições estabelecidas no instrumento. O documento também define mecanismos de governança para orientar a relação entre a Universidade, a empresa e os pesquisadores, preservando a autonomia institucional e as atividades acadêmicas de ensino e pesquisa. Além de disponibilizar sua infraestrutura, a UFSC passa a atuar estrategicamente na criação de um ambiente capaz de transformar conhecimento científico em soluções inovadoras com potencial de impacto econômico e social.
“Esta parceria reforça o compromisso da UFSC com uma ciência capaz de responder aos desafios da sociedade e contribuir para o desenvolvimento do país. Ao apoiar empresas de base tecnológica surgidas no ambiente acadêmico, a Universidade amplia o alcance das pesquisas realizadas por sua comunidade e abre novas possibilidades de retorno institucional, econômico e social, sem renunciar à autonomia e à sua missão pública”, afirmou o reitor Amir.
O secretário Ronaldo destacou a atuação da Sinova “na construção de um modelo jurídico e de governança adequado às características do projeto, conciliando a legislação de inovação, a proteção da propriedade intelectual e a relação da Universidade com o setor produtivo”. Para ele, “esse arranjo oferece segurança aos envolvidos e estabelece um caminho que poderá orientar futuras parcerias da UFSC com empreendimentos de base científica”.
Proteínas alternativas por fermentação de precisão
Com duração inicial de 36 meses, a parceria apoiará o projeto “Fermentação de Precisão para Produção de Proteínas Alternativas”. A proposta envolve estudos de biologia molecular, modificação genética de microrganismos, biologia sintética e cultivo de microrganismos.
As atividades também incluem a otimização de parâmetros fermentativos, fermentações em frascos agitados e fermentadores de bancada, cultivo de tecidos animais, testes de sensibilidade, ensaios bioquímicos e outras análises necessárias ao desenvolvimento das biotecnologias propostas.
A empresa poderá utilizar, de maneira compartilhada e não exclusiva, a infraestrutura de dois laboratórios da Universidade:
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- Laboratório de Engenharia Biológica (LieB), do Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos;
- Laboratório de Biologia Molecular e Biotecnologia de Leveduras (LBMBL), do Departamento de Bioquímica.
O uso dos espaços não poderá interferir nas atividades de ensino, pesquisa e extensão da UFSC. A Universidade também continuará a compartilhar os laboratórios com outros interessados, inclusive empresas que atuem no mesmo segmento.
Recursos e contrapartidas
O projeto possui valor financeiro de R$ 239.540,63, a ser transferido pela ARK conforme o cronograma previsto no plano de trabalho. A contrapartida não financeira da UFSC corresponde ao uso da infraestrutura e à disponibilização de pessoal, foi estimada em R$ 462 mil.
A Feesc administrará os recursos e ficará responsável, entre outras atribuições, pelo controle das despesas, pelas contratações e bolsas previstas, pela prestação de contas e pelo cumprimento das obrigações administrativas, fiscais e financeiras relacionadas ao projeto.
Propriedade intelectual
Os novos ativos de propriedade intelectual – resultantes diretamente da execução conjunta do projeto – terão titularidade compartilhada, na proporção de 90% para a empresa e 10% para a UFSC, desde que não sejam derivados de tecnologias, conhecimentos ou direitos anteriormente pertencentes a um dos parceiros.
A ARK terá o direito de exploração comercial dos resultados, enquanto a UFSC poderá utilizar as invenções conjuntas internamente para atividades não comerciais de ensino, pesquisa e desenvolvimento, observadas as obrigações de confidencialidade.
A assinatura consolida uma nova possibilidade de apoio da UFSC a empresas de base científica surgidas no ambiente acadêmico, aliando o compartilhamento de infraestrutura pública, o desenvolvimento de pesquisas estratégicas e a geração de retorno institucional a partir do crescimento de empreendimentos inovadores.
Sobre a ARK
Originada no ecossistema científico da UFSC, a ARK Bio Solutions é uma deep tech constituída como spin-off acadêmica. A empresa desenvolve moléculas de alto valor por meio de fermentação de precisão, biologia molecular, biologia sintética, bioinformática e inteligência artificial aplicada a bioprocessos. Sua liderança técnica e científica é formada pelas pesquisadoras Marília Knychala, Débora Trichez – técnica de laboratório do Centro de Ciências Biológicas (CCB) -, e Jaciane Lutz Ienczak, professora da UFSC e coordenadora do projeto. A estruturação da ARK foi realizada em parceria com a Rook Ventures, responsável pelas frentes de gestão, estratégia, captação de recursos e desenvolvimento comercial. Esse modelo permite que as pesquisadoras concentrem seus esforços no avanço tecnológico, enquanto as atividades de gestão e capitalização são conduzidas paralelamente.
Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
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