UFSC abre consulta pública para política institucional de formação docente

08/09/2025 14:01

A minuta da Política Institucional para a Formação Inicial e Continuada de Professoras/es da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está aberta para consulta pública até o dia 10 de outubro de 2025. A comunidade universitária, incluindo docentes, técnicos-administrativos e estudantes dos cursos de Licenciatura da UFSC, do Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI) e do Colégio de Aplicação (CA), é convidada a participar desse processo de construção coletiva, que resultará em uma nova resolução responsável por orientar os cursos de licenciatura e as ações de formação continuada oferecidos pela instituição.

>>Acesse aqui o formulário para fazer sua contribuição ao texto da minuta

Contexto

O ponto de partida para a elaboração do texto-base foi a Resolução nº 005/CEG/2000, que, há mais de duas décadas, orienta a estrutura curricular e acadêmica dos cursos de licenciatura da UFSC. Contudo, devido ao longo período desde sua publicação, o documento apresenta lacunas e defasagens que já não atendem às demandas contemporâneas da formação docente.

Além disso, desde os anos 2000, o Brasil passou por quatro diferentes Diretrizes Nacionais para a formação de professores, algumas das quais geraram polêmicas e contribuíram para um ambiente de instabilidade e descontinuidade na gestão curricular. Nesse cenário, tornou-se indispensável que as Instituições de Educação Superior desenvolvam ou atualizem suas políticas institucionais, garantindo maior consistência e segurança nos currículos voltados à formação de professores para a Educação Básica.

Em resposta a essa necessidade, a Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd/UFSC) instituiu, em 2021, uma comissão de trabalho para propor uma nova Política Institucional que atualizasse a Resolução de 2000.

Etapas da elaboração

A elaboração da minuta foi realizada com base em um processo coletivo e participativo que incluiu as seguintes etapas:

  1. Resgate do trabalho elaborado pela comissão anterior (2021-2023).
  2. Deliberações do Fórum das Licenciaturas de 2024.
  3. Grupos de trabalho internos, responsáveis por analisar documentos nacionais e locais de interesse para a formação de professores.
  4. Reuniões específicas com setores ligados às licenciaturas da UFSC, promovidas pela comissão de trabalho.
  5. Revisões realizadas pelo Comitê Gestor do Fórum das Licenciaturas, com ajustes finais.

Com a consulta pública, as sugestões recebidas serão compiladas e anexadas à minuta e ao relatório final da Comissão de Trabalho, para posterior deliberação nas instâncias superiores da UFSC: Câmara de Graduação e Conselho Universitário.

Mais informações pelo e-mail: forum.licenciaturas@contato.ufsc.br 

Tags: consulta públicaFórum das LicenciaturasProgradUFSC

Evento lança oficialmente o Vestibular Unificado UFSC/IFSC/IFC 2026

04/09/2025 19:20

O lançamento oficial do Vestibular Unificado UFSC/IFSC/IFC 2026 foi promovido em evento no Gabinete da Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no início da tarde desta quinta-feira, 4 de setembro, em Florianópolis. Estiveram presentes representantes das três instituições de ensino participantes do concurso. Cerca de uma hora após a cerimônia, às 15h, o edital do vestibular, o link para as inscrições e outras informações foram disponibilizadas no site oficial https://vestibularunificado2026.ufsc.br/ As inscrições estão abertas e seguem até as 23h59 de 8 de outubro. Pedidos de isenção deve ser feitos até 26 de setembro.

Também foram lançados outros dois processos seletivos: Vestibular Letras-Libras UFSC e Pedagogia Bilíngue IFSC 2026Vestibular Educação do Campo UFSC/IFC 2026.

A cerimônia de lançamento do Vestibular Unificado UFSC/IFSC/IFC 2026 começou por volta das 13h30. O reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, recepcionou os convidados no gabinete, sala que fica no primeiro andar da Reitoria, no Campus de Florianópolis, no bairro Trindade. “Fica até melhor assim, com bastante gente”, observou em certo momento da cerimônia. Além dos representantes oficiais, estiveram no evento professores e técnicos-administrativos em educação.

Compuseram a mesa para o evento o reitor da UFSC; o presidente da Comissão Permanente do Vestibular (Coperve/UFSC), Marcos Baltar; a pró-reitora de Graduação e Educação Básica, Dilceane Carraro; a chefe de Gabinete do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Mayara Pavesi Cabral e Silva, representando o reitor da instituição, Zízimo Moreira Filho; e o coordenador-geral de Ingresso do Instituto Federal Catarinense (IFC), Leandro Severino Nascimento de Oliveira; representando o reitor Rudinei Kock Exterckoter.
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Decisão do Conselho Universitário integra a educação básica na Câmara de Graduação

27/08/2025 16:34

O Conselho Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aprovou nesta terça-feira, 26 de agosto, a proposta de alteração da composição da Câmara de Graduação para incluir representações do Colégio de Aplicação (CA) e do Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI). A proposta, requerida pela Coordenadoria de Educação Básica (CEB), vinculada à Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd), foi amplamente debatida durante a sessão.

O parecer original, elaborado pelo conselheiro Thiago Montanha, deu lugar ao parecer de vistas do conselheiro Fabrício de Souza Neves, que acabou se tornando o principal foco das discussões. Fabrício defendeu a inclusão de uma cadeira titular e suplente de representação da educação básica na Câmara de Graduação, além de propor alterações mais abrangentes nos artigos 18 e 19 do Estatuto da UFSC, que tratam, respectivamente, da composição e das competências da Câmara.

Entre as principais mudanças propostas, destacou-se a nova denominação do órgão para “Câmara de Graduação e Educação Básica”, refletindo a ampliação de suas atribuições. Fabrício também sugeriu a inclusão de dois novos incisos no artigo 18: um para garantir a representação do corpo discente da educação básica, indicada em regime de alternância pelo Colégio de Aplicação e pelo NDI, e outro para a representação de servidores docentes ou técnico-administrativos dessas unidades. Além disso, propôs que todas as atribuições da Câmara passassem a abarcar explicitamente a educação básica.

A sessão foi marcada por intensos debates. A conselheira Daniela levantou preocupações sobre a participação de estudantes do Colégio de Aplicação e a viabilidade de representação discente no NDI, composto por crianças. Fabrício esclareceu que a indicação no NDI seria feita pelos pais ou responsáveis, enquanto no Colégio de Aplicação seria conduzida pela direção, considerando a opinião da entidade representativa dos estudantes.

A pró-reitora Dilceane Carraro elogiou a proposta, destacando-a como um avanço democrático e um reconhecimento da importância da educação básica para a instituição. Outras participações, como a do professores George França e Alex Degan, reforçaram a relevância da integração entre graduação e educação básica, considerando a medida uma ampliação da representatividade e da visibilidade institucional dessas áreas. Degan também lembrou que durante a pandemia a Câmara de Graduação tomou decisões que afetaram diretamente o Colégio de Aplicação e o NDI, sem que houvesse participação direta dessas unidades.

Apesar do amplo apoio, houve questionamentos pontuais. O conselheiro Ubirajara sugeriu a criação de uma câmara específica para a educação básica, argumentando que a integração proposta poderia gerar conflitos entre as diferentes demandas pedagógicas. A pró-reitora Dilceane refutou a ideia, defendendo que a ampliação da Câmara de Graduação era mais adequada para promover uma integração efetiva e evitar sobreposições desnecessárias.

O conselheiro Thiago Montanha, autor do parecer original, retirou sua proposta para concentrar as discussões na versão ampliada.

A votação final resultou em 52 votos favoráveis e apenas dois contrários, consolidando a aprovação da proposta por ampla maioria. A medida foi celebrada como um passo importante para a democratização e a inclusão da educação básica nos debates centrais da UFSC, fortalecendo a integração entre os diferentes níveis de ensino da instituição.

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Tags: Câmara de GraduaçãoColégio de AplicaçãoNDIProgradUFSC

Recepção à comunidade internacional marca início do semestre para estudantes de 20 países

08/08/2025 13:00

Estudantes internacionais vindos de 20 países são recepcionados pela UFSC. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom

Nesta sexta-feira, 8 de agosto de 2025, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) acolheu um grupo de estudantes internacionais vindos de 20 países em um evento realizado no auditório do Espaço Físico Integrado (EFI), no Campus Trindade, em Florianópolis. A recepção marcou o início do segundo semestre letivo de 2025 e contou com uma programação diversificada ao longo do dia.

Organizado pela Secretaria de Relações Internacionais (Sinter), em parceria com a Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd) e outros projetos institucionais, o evento teve como objetivo facilitar a adaptação dos estudantes internacionais à vida universitária e à cultura local. Voluntários(as) atuam como madrinhas e padrinhos, oferecendo suporte aos recém-chegados nesse momento de transição.

A recepção oficial começou às 9h, com a mesa de abertura composta pelo reitor Irineu Manoel de Souza, o secretário de Relações Internacionais, Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho, e a diretora de Relações Internacionais, Fernanda Leal. Em seus discursos, os gestores destacaram a importância da internacionalização e apresentaram os serviços e a infraestrutura disponíveis aos 1.643 estudantes internacionais presentes na Universidade e que a escolheram para ser parte da sua trajetória acadêmica.

Reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza

O reitor Irineu Manoel de Souza enfatizou a relevância de um dos pilares da UFSC:

“A UFSC tem crescido muito no âmbito da internacionalização e é reflexo do trabalho coletivo e do compromisso com a excelência. A internacionalização da nossa Universidade acontece, sobretudo, por meio das pessoas. Estudantes, docentes e técnicos-administrativos fazem com que a UFSC seja reconhecida não apenas em Santa Catarina, mas em todo o Brasil, na América Latina e no mundo. Somos uma Universidade consolidada, com cerca de 120 cursos de graduação e 156 cursos de pós-graduação. E tudo isso é sustentado pelo nosso compromisso com a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão.”

Irineu também reforçou o compromisso fundamental da UFSC:

“Mesmo diante dos desafios financeiros enfrentados, a UFSC mantém políticas sólidas de apoio estudantil, pois acreditamos que inclusão e permanência são pilares fundamentais para a instituição. Trabalhamos incansavelmente para garantir que todos os estudantes que ingressam na UFSC tenham as condições necessárias para concluir seus cursos.”

Na sequência, o secretário Luiz Carlos apresentou um vídeo institucional que evidenciou a história, os valores e o impacto da Universidade na sociedade, com depoimentos de estudantes que vivenciam o ambiente acadêmico. Em outro momento de integração, o professor Luiz Carlos fez a tradicional apresentação dos(as) estudantes internacionais por país, mostrando a diversidade de origens e programas. Do total de 127, 120 participam do Programa Incoming, vindos de países como Alemanha, Espanha, Canadá, França, China e Noruega. Outros sete ingressaram pelo Programa Escala Estudiantes de Grado, da Associação de Universidades Grupo Montevideo (AUGM), oriundos da Argentina e do Uruguai. Já o Programa de Estudantes-Convênio de Graduação (PEC-G) trouxe quatro alunos de Angola, Cabo Verde, Chile e Timor-Leste, distribuídos entre os campi de Florianópolis e Joinville.

Apresentação da UFSC

A mesa de abertura composta pelo reitor Irineu Manoel de Souza, o secretário Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho, e a diretora Fernanda Leal

Desde sua fundação em 1960, a UFSC tem desempenhado um papel essencial no desenvolvimento socioeconômico e cultural de Santa Catarina. Com presença em cinco cidades – Florianópolis, Araranguá, Curitibanos, Joinville e Blumenau –, a Universidade se destaca como uma instituição multicampi, democrática e comprometida com a diversidade.

Reconhecida como uma das melhores universidades do Brasil e da América Latina, a UFSC oferece desde a educação infantil até o doutorado, contando com uma comunidade acadêmica de aproximadamente 40 mil pessoas. Suas políticas de inclusão incluem ações pioneiras, como reserva de vagas para populações negras, indígenas e quilombolas, além de programas de permanência e assistência estudantil que beneficiam milhares de estudantes.

No campo da pesquisa e extensão, a UFSC mantém parcerias com órgãos públicos, associações civis e empresas privadas. Essa interação fortalece seu papel como promotora de inovação e transformação social.

A internacionalização é outro destaque da Universidade, promovendo a mobilidade de professores, estudantes e técnicos, além de incentivar o intercâmbio de conhecimento em um mundo globalizado. Para os estudantes internacionais, a UFSC busca oferecer uma experiência acadêmica, profissional e cultural enriquecedora.

Depoimentos

Cátia, estudante da França

Duas estudantes internacionais compartilharam suas expectativas em relação ao período de estudos no Brasil. Cátia Beatriz Silva Pinto, da Universidade Bordeaux Montaigne (França) e Patrícia (Li Jiayue), da Universidade Normal de Harbin (China), ambas no terceiro ano de Jornalismo, trouxeram perspectivas sobre suas escolhas e motivações.

Cátia, vinda da França, revelou ter escolhido a UFSC devido à atratividade de Florianópolis, conhecida por suas belas praias, pela hospitalidade dos brasileiros e pelas muitas festas, que pareciam ser legais e divertidas. Além disso, ela destacou o interesse pelo curso de Jornalismo da UFSC, que chamou sua atenção ao explorar o site da universidade. O curso, reconhecido como o melhor avaliado entre os cursos de Jornalismo pelo Ranking Universitário da Folha (RUF) 2024, foi um fator determinante em sua decisão. A estudante também mencionou que sua universidade possui um convênio internacional com a UFSC, o que facilitou sua vinda. Suas expectativas incluem fazer novas amizades, conhecer culturas diferentes, explorar o Brasil e se desenvolver academicamente.

Já Patrícia, que veio da China, explicou que sua decisão de estudar na UFSC foi motivada pelo desejo de aprimorar seu aprendizado de português, uma vez que não tinha muitas oportunidades para isso em sua universidade de origem. Assim como Cátia, ela conheceu a UFSC por meio de um convênio internacional firmado entre as instituições. Entre suas expectativas, a estudante destacou a vontade de conhecer e visitar o mar em Florianópolis, aproveitar o clima local e fazer novas amizades. Para ela, os brasileiros são pessoas acolhedoras e muito legais, o que aumenta ainda mais seu entusiasmo.

Patrícia, estudante da China

Ambas as estudantes demonstraram otimismo e animação com a oportunidade de estudar na UFSC, ressaltando não apenas os aspectos acadêmicos, mas também as experiências culturais e sociais que esperam vivenciar em Florianópolis. As histórias de Cátia e Patrícia reforçam a relevância dos convênios internacionais para promover o intercâmbio e despertar o interesse de estudantes internacionais.

A programação continuou com momentos de integração e apresentações culturais, como a da Bateria Universitária Devassa, da Associação Atlética Acadêmica de Medicina (AAAMEDUFSC). No período da tarde estão previstas atividades culturais e visitas guiadas. Entretanto, devido ao mau tempo, o tour pela Fortaleza de São José da Ponta Grossa será remarcado, mantendo-se a visitação ao Museu de Arqueologia e Etnologia da UFSC (MArquE) e pelo campus Trindade.

Mais informações sobre os programas de mobilidade e acolhimento de estudantes internacionais podem ser acessadas no site da Sinter.

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Gustavo Diehl | Agecom | SECOM
agecom@contato.ufsc.br

Tags: ProgradRecepção à Comunidade InternacionalSinterUFSC

UFSC integra debate da Andifes sobre curricularização da extensão

24/07/2025 14:25

Imagem: Andifes

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, participou, na tarde desta quarta-feira, 23 de julho de 2025, de um seminário sobre a curricularização da extensão. O evento integrou a 206ª Reunião Extraordinária do Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e reuniu reitores, pró-reitores e gestores de universidades federais para debater a integração da extensão universitária aos currículos de graduação. Este tema tem ganhado destaque no Brasil desde a publicação da Resolução nº 7, de 2018, do Ministério da Educação (MEC), que tornou obrigatória a inserção da extensão nos projetos pedagógicos dos cursos (PPCs) de graduação.

O seminário contou com exposições de especialistas no tema: Francisco Ângelo Brinati, pró-reitor de extensão da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e coordenador do Colégio de Pró-Reitores de Extensão da Andifes; Joana Angélica Guimarães da Luz, reitora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB); e Raiane Patrícia Severino Assumpção, reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A moderação foi conduzida pela reitora Sandra Goulart Almeida, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O debate abordou conceitos fundamentais da extensão universitária, discutindo a necessidade de financiamento contínuo, desafios institucionais e operacionais, e a integração da extensão com ensino e pesquisa. Destacou-se que a extensão não deve ser tratada como uma disciplina isolada ou como assistencialismo, mas como um processo dialógico e transformador, que conecta a universidade à sociedade. A proposta é que a extensão seja uma atividade intrínseca ao ensino e à pesquisa, promovendo uma formação acadêmica mais abrangente e socialmente responsável.

Além disso, foram discutidos tópicos como a formação de docentes, avaliação de indicadores, e a inclusão da extensão em todas as áreas do conhecimento, inclusive tecnológicas. Os participantes enfatizaram a relevância da extensão como um dos pilares estratégicos das instituições de ensino superior.

O reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, destacou que a curricularização da extensão representa uma ampliação dos horizontes formativos dos estudantes e fortalece os vínculos entre universidades e comunidades. “Não é apenas uma diretriz do Plano Nacional de Educação (PNE), mas uma oportunidade concreta de promover uma formação acadêmica mais integrada e comprometida com a sociedade”, afirmou. Ele também lembrou que a Resolução nº 7 (2018) exige que as instituições garantam que pelo menos 10% da carga horária dos cursos de graduação seja destinada a atividades de extensão, articulando ensino, pesquisa e extensão de forma indissociável.

Na UFSC, o tema da curricularização da extensão vem sendo discutido desde 2016, com avanços significativos a partir de 2018, quando foi criada a Comissão Mista de Curricularização (CMC). Essa comissão tem como objetivo implementar as diretrizes da referida resolução em todos os cursos da universidade. A UFSC também disponibilizou materiais de apoio e suporte técnico para orientar a comunidade acadêmica no processo.

Reflexões e Desafios

A reitora Sandra Almeida (UFMG) defendeu o uso do termo “formação em extensão” em vez de “curricularização”, argumentando que o conceito vai além de um ajuste técnico. Apesar de elogiar a legislação, ela ressaltou os desafios práticos: “embora a legislação seja maravilhosa, na ponta da implementação, nós nos deparamos com muitos desafios. É necessário sensibilizar a comunidade acadêmica para a importância da extensão.”

Francisco Brinati (UFSJ) ressaltou que a extensão não deve ser tratada como “disciplina” no currículo, mas como um processo educativo, cultural, político e científico que articula ensino e pesquisa de forma indissociável. Ele afirmou que a curricularização simboliza uma mudança de paradigma na universidade, que precisa “olhar para o currículo pelas lentes da extensão”.

A reitora Joana Angélica Guimarães da Luz (UFSB) destacou a necessidade de superar o entendimento assistencialista da extensão, questionando: “O que entendemos por extensão? Essa é a grande pergunta que precisamos fazer.” Ela defendeu uma relação de troca entre universidade e comunidade, rejeitando a “colonização do saber” e enfatizando que a universidade deve compreender as demandas das comunidades que atende.

A reitora Raiane Patrícia Severino Assumpção (Unifesp) preferiu o termo “inserção da extensão na matriz curricular” e sublinhou que o currículo deve incluir experiências práticas que promovam um aprendizado significativo. Ela definiu a extensão como “um processo educativo, artístico, cultural, científico e político, que permite a troca de saberes entre a universidade e a sociedade, produzindo conhecimentos transformadores.”

A curricularização da extensão enfrenta desafios significativos, como apontado por um levantamento do Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras (Forproex). Apenas 2,4% das instituições declararam ter concluído plenamente a inclusão da extensão nos currículos. Os principais entraves incluem:

  • Lacunas conceituais e resistência cultural: Dois terços das instituições ainda tratam a extensão como uma atividade extra.
  • Escassez de recursos humanos e financeiros: Metade das instituições relatam falta de equipes e orçamento suficiente.
  • Dificuldades de integração nos sistemas de gestão: Problemas para registrar e atribuir créditos às atividades de extensão.
  • Burocracia e agendas acumuladas: O impacto da pandemia também atrasou o avanço desse tema.

Mesmo na UFSB, onde 100% dos PPCs foram adaptados, a reitora Joana admitiu que ainda há dificuldades na compreensão do que significa “fazer extensão”. Já a reitora Raiane destacou a importância de alinhar os entendimentos sobre extensão entre gestores e docentes.

O financiamento foi apontado como um dos pontos mais críticos. Francisco Brinati destacou que, com a obrigatoriedade da extensão para todos os estudantes (na UFSJ, anteriormente apenas 7% participavam), os modelos de financiamento atuais são insuficientes e instáveis. Ele propôs a retomada de um programa nacional de financiamento contínuo e a definição de percentuais mínimos de orçamento discricionário para extensão.

Além disso, os participantes sugeriram estratégias para avançar na curricularização, como capacitação de docentes, modernização dos sistemas de gestão, financiamento adequado, e maior diálogo entre universidades e comunidades.

O seminário foi celebrado como um marco na Andifes, pela ampla participação dos dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) e pela sintonia nas discussões. A relatoria do evento será encaminhada à Secretaria de Educação Superior (Sesu) do MEC, com propostas e encaminhamentos para fortalecer a curricularização da extensão como um pilar estratégico das universidades brasileiras.

Assista à reunião da Andifes na íntegra:

 

Rosiani Bion de Almeida / SECOM UFSC
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Tags: AndifesComissão Mista de Curricularizaçãocurricularização da extensãoProexProgradUFSC