UFSC integra debate da Andifes sobre curricularização da extensão

24/07/2025 14:25

Imagem: Andifes

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, participou, na tarde desta quarta-feira, 23 de julho de 2025, de um seminário sobre a curricularização da extensão. O evento integrou a 206ª Reunião Extraordinária do Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e reuniu reitores, pró-reitores e gestores de universidades federais para debater a integração da extensão universitária aos currículos de graduação. Este tema tem ganhado destaque no Brasil desde a publicação da Resolução nº 7, de 2018, do Ministério da Educação (MEC), que tornou obrigatória a inserção da extensão nos projetos pedagógicos dos cursos (PPCs) de graduação.

O seminário contou com exposições de especialistas no tema: Francisco Ângelo Brinati, pró-reitor de extensão da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ) e coordenador do Colégio de Pró-Reitores de Extensão da Andifes; Joana Angélica Guimarães da Luz, reitora da Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB); e Raiane Patrícia Severino Assumpção, reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). A moderação foi conduzida pela reitora Sandra Goulart Almeida, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O debate abordou conceitos fundamentais da extensão universitária, discutindo a necessidade de financiamento contínuo, desafios institucionais e operacionais, e a integração da extensão com ensino e pesquisa. Destacou-se que a extensão não deve ser tratada como uma disciplina isolada ou como assistencialismo, mas como um processo dialógico e transformador, que conecta a universidade à sociedade. A proposta é que a extensão seja uma atividade intrínseca ao ensino e à pesquisa, promovendo uma formação acadêmica mais abrangente e socialmente responsável.

Além disso, foram discutidos tópicos como a formação de docentes, avaliação de indicadores, e a inclusão da extensão em todas as áreas do conhecimento, inclusive tecnológicas. Os participantes enfatizaram a relevância da extensão como um dos pilares estratégicos das instituições de ensino superior.

O reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, destacou que a curricularização da extensão representa uma ampliação dos horizontes formativos dos estudantes e fortalece os vínculos entre universidades e comunidades. “Não é apenas uma diretriz do Plano Nacional de Educação (PNE), mas uma oportunidade concreta de promover uma formação acadêmica mais integrada e comprometida com a sociedade”, afirmou. Ele também lembrou que a Resolução nº 7 (2018) exige que as instituições garantam que pelo menos 10% da carga horária dos cursos de graduação seja destinada a atividades de extensão, articulando ensino, pesquisa e extensão de forma indissociável.

Na UFSC, o tema da curricularização da extensão vem sendo discutido desde 2016, com avanços significativos a partir de 2018, quando foi criada a Comissão Mista de Curricularização (CMC). Essa comissão tem como objetivo implementar as diretrizes da referida resolução em todos os cursos da universidade. A UFSC também disponibilizou materiais de apoio e suporte técnico para orientar a comunidade acadêmica no processo.

Reflexões e Desafios

A reitora Sandra Almeida (UFMG) defendeu o uso do termo “formação em extensão” em vez de “curricularização”, argumentando que o conceito vai além de um ajuste técnico. Apesar de elogiar a legislação, ela ressaltou os desafios práticos: “embora a legislação seja maravilhosa, na ponta da implementação, nós nos deparamos com muitos desafios. É necessário sensibilizar a comunidade acadêmica para a importância da extensão.”

Francisco Brinati (UFSJ) ressaltou que a extensão não deve ser tratada como “disciplina” no currículo, mas como um processo educativo, cultural, político e científico que articula ensino e pesquisa de forma indissociável. Ele afirmou que a curricularização simboliza uma mudança de paradigma na universidade, que precisa “olhar para o currículo pelas lentes da extensão”.

A reitora Joana Angélica Guimarães da Luz (UFSB) destacou a necessidade de superar o entendimento assistencialista da extensão, questionando: “O que entendemos por extensão? Essa é a grande pergunta que precisamos fazer.” Ela defendeu uma relação de troca entre universidade e comunidade, rejeitando a “colonização do saber” e enfatizando que a universidade deve compreender as demandas das comunidades que atende.

A reitora Raiane Patrícia Severino Assumpção (Unifesp) preferiu o termo “inserção da extensão na matriz curricular” e sublinhou que o currículo deve incluir experiências práticas que promovam um aprendizado significativo. Ela definiu a extensão como “um processo educativo, artístico, cultural, científico e político, que permite a troca de saberes entre a universidade e a sociedade, produzindo conhecimentos transformadores.”

A curricularização da extensão enfrenta desafios significativos, como apontado por um levantamento do Fórum de Pró-Reitores de Extensão das Universidades Públicas Brasileiras (Forproex). Apenas 2,4% das instituições declararam ter concluído plenamente a inclusão da extensão nos currículos. Os principais entraves incluem:

  • Lacunas conceituais e resistência cultural: Dois terços das instituições ainda tratam a extensão como uma atividade extra.
  • Escassez de recursos humanos e financeiros: Metade das instituições relatam falta de equipes e orçamento suficiente.
  • Dificuldades de integração nos sistemas de gestão: Problemas para registrar e atribuir créditos às atividades de extensão.
  • Burocracia e agendas acumuladas: O impacto da pandemia também atrasou o avanço desse tema.

Mesmo na UFSB, onde 100% dos PPCs foram adaptados, a reitora Joana admitiu que ainda há dificuldades na compreensão do que significa “fazer extensão”. Já a reitora Raiane destacou a importância de alinhar os entendimentos sobre extensão entre gestores e docentes.

O financiamento foi apontado como um dos pontos mais críticos. Francisco Brinati destacou que, com a obrigatoriedade da extensão para todos os estudantes (na UFSJ, anteriormente apenas 7% participavam), os modelos de financiamento atuais são insuficientes e instáveis. Ele propôs a retomada de um programa nacional de financiamento contínuo e a definição de percentuais mínimos de orçamento discricionário para extensão.

Além disso, os participantes sugeriram estratégias para avançar na curricularização, como capacitação de docentes, modernização dos sistemas de gestão, financiamento adequado, e maior diálogo entre universidades e comunidades.

O seminário foi celebrado como um marco na Andifes, pela ampla participação dos dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) e pela sintonia nas discussões. A relatoria do evento será encaminhada à Secretaria de Educação Superior (Sesu) do MEC, com propostas e encaminhamentos para fortalecer a curricularização da extensão como um pilar estratégico das universidades brasileiras.

Assista à reunião da Andifes na íntegra:

 

Rosiani Bion de Almeida / SECOM UFSC
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Tags: AndifesComissão Mista de Curricularizaçãocurricularização da extensãoProexProgradUFSC

Parceria entre CREA-SC e UFSC conecta setor produtivo ao meio acadêmico

14/07/2025 11:03

Acadêmicos de Engenharia da UFSC apresentaram resultado do desafio proposto pela empresa HidroConecta. Foto: Divulgação

Acadêmicos de Engenharia da UFSC apresentaram, nesta semana, o resultado do desafio proposto pela empresa HidroConecta Engenharia Sustentável. A iniciativa é fruto da parceria entre o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (CREA-SC) e o Departamento de Engenharia de Produção e Sistemas da Universidade, coordenada pelo professor Daniel Lacerda, na disciplina de Planejamento Industrial.

A HidroConecta, que atua com projetos de saneamento para empreendimentos ecoeficientes foi a primeira empresa a participar. Os estudantes desenvolveram um trabalho completo com diagnóstico, análise de mercado, público-alvo, processo produtivo, riscos e projeções.

A solução foi apresentada no último dia 9 de julho na Associação Catarinense de Empresas de Tecnologia (Acate), com a presença do presidente do CREA-SC, Kita Xavier, do assessor Eduardo Bridi, representantes da HidroConecta, professor e alunos. “Essa interação é essencial para formar profissionais qualificados e mostra como o conhecimento técnico pode gerar soluções práticas para o setor produtivo”, afirmou Kita Xavier.

Eduardo Bridi, coordenador do Programa Crea Celera, reforçou: “Precisamos incentivar outras empresas e estudantes a interagirem de forma prática. Essa troca é fundamental para a qualificação dos futuros engenheiros.”

A acadêmica Magdalena Castillo destacou o impacto em sua formação. “Pude me aprofundar ainda mais na engenharia de produção, aplicando conhecimentos do curso, desde a análise econômica até o mapeamento de processos.” Destacou também a conexão entre suas duas formações, agradecendo ao professor, à Hidroconecta e ao CREA-SC pela oportunidade. “Perceber como a engenharia de produção dialoga com a formação de técnico em saneamento me deu ainda mais motivação e clareza sobre as possibilidades profissionais.”

Para a equipe da HidroConecta, o projeto foi uma oportunidade enriquecedora. Em postagem nas redes sociais, a empresa agradeceu ao CREA-SC por idealizar a conexão entre universidade e empresa e aos estudantes pelo comprometimento. “Saímos inspiradas para continuar transformando a construção civil com soluções sustentáveis.”

Fonte: Portal CREA

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UFSC amplia representatividade no Comitê Institucional de Ações Afirmativas

03/07/2025 16:59

Em sessão do Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), foi aprovada a atualização da Resolução Normativa nº 65/2015, que regulamenta o funcionamento e a composição do Comitê Institucional de Ações Afirmativas da Universidade. O debate girou em torno da necessidade de ampliar a representatividade e o protagonismo dos segmentos historicamente beneficiários das políticas afirmativas, como destacou a conselheira Rossana Lopes Pereira de Souza em seu parecer de vistas.

O parecer de Rossana foi construído a partir de consultas a estudantes e assistentes sociais de campi fora de sede. “Embora se reconheça o esforço para tornar o comitê mais funcional e dinâmico, reduzindo o número de membros e fortalecendo os subgrupos, é preciso cautela para não comprometer os princípios de participação e inclusão, que são centrais para as ações afirmativas”, afirmou a conselheira.

A proposta aprovada amplia as representações no Comitê, incluindo segmentos como estudantes indígenas, quilombolas, pessoas trans, pessoas com deficiência, mães estudantes e estudantes internacionais, além de fortalecer a presença de representantes dos campi. A conselheira Rossana enfatizou que “a participação efetiva não se limita ao direito de fala ou presença em reuniões, mas implica em votar, propor e deliberar”.

A conselheira Heloísa Teles, responsável pelo parecer original, retirou sua proposta em apoio às alterações sugeridas por Rossana. Segundo Heloísa, a ampliação da representatividade é um avanço necessário, mas alertou que a redução do quórum mínimo para um terço dos membros “é uma estratégia válida, mas preocupante. Precisamos criar condições institucionais para que a representatividade seja fortalecida sem fragilizar o funcionamento do Comitê”, destacou.

A resolução aprovada estabelece que o Comitê será composto por 17 membros, contemplando a diversidade étnico-racial e de gênero. Entre as novidades, está a inclusão de duas representações fixas dos campi fora de sede, alternando a titularidade e suplência a cada dois anos, e a criação de subgrupos específicos para atender às demandas de cada segmento. A conselheira Rossana destacou que “as diferenças entre os campi, como estruturas administrativas e perfis estudantis, tornam indispensável uma representação direta e permanente”.

A Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), responsável pela elaboração da proposta inicial, comprometeu-se a acompanhar a implementação da nova resolução e apresentar resultados ao Conselho Universitário dentro de dois anos. “Vivemos um novo tempo institucional. Melhoramos muito, mas ainda há muito a fazer no campo das ações afirmativas”, concluiu Rossana.

A decisão foi aprovada pelo Conselho com ampla maioria, mediante a concordância com a participação do Diretório Central dos Estudantes (DCE) e da Associação de Pós-Graduandos (APG) na definição das indicações.

 

Rosiani Bion de Almeida / Secom UFSC
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Tags: Ações afirmativasComitê Institucional de Ações AfirmativasPró-Reitoria de Ações Afirmativas e EquidadeUFSC

Aprovado Plano de Desenvolvimento Institucional da UFSC para 2025-2029

02/07/2025 15:48

Em sessão ordinária realizada nesta terça-feira, 1º de julho, o Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aprovou por unanimidade o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) para o período de 2025-2029. Elaborado pelo Departamento de Gestão Estratégica (DGE) da Secretaria de Planejamento e Orçamento (Seplan), o documento é considerado o principal instrumento de planejamento estratégico da Universidade e foi descrito como um marco de participação democrática e colaboração ampla entre os diversos segmentos da instituição.

O coordenador de Gestão Estratégica, Lucas dos Santos Matos, apresentou o documento detalhando que o processo envolveu mais de 50 reuniões e cerca de 500 participantes, incluindo representantes de pró-reitorias, secretarias, centros de ensino, campi e do Hospital Universitário (HU). A construção do plano foi realizada ao longo de um ano e meio, com etapas que incluíram diagnóstico institucional, definição de missão, visão e valores, além de audiências públicas. Apesar de desafios como a interrupção das atividades por três meses, entre abril e julho de 2024, Lucas destacou que esse intervalo foi fundamental para ajustar o cronograma e garantir ampla participação.

Durante a análise SWOT, foram identificados 2.705 elementos, destacando pontos fortes como a qualificação dos servidores e oportunidades no uso de inteligência artificial. No entanto, também foram apontadas fragilidades, como a insuficiência de recursos humanos e tecnológicos. Dividido em oito capítulos, o PDI aborda desde o perfil institucional até a definição de 55 objetivos estratégicos e mais de 700 ações vinculadas a indicadores de desempenho. Entre as inovações, o documento incorpora áreas transversais como direitos humanos, sustentabilidade ambiental, inclusão social e diversidade, além de prever maior interação com stakeholders, como governos e organizações representativas.

A conselheira e relatora do processo, Maria Denize Henrique Casagrande, ressaltou que o PDI vai além de um cumprimento formal da legislação, consolidando-se como um verdadeiro planejamento estratégico que reflete a missão da UFSC de ser uma universidade pública, gratuita, inclusiva e multicampi, reconhecida pela qualidade e acessibilidade de seu ensino e pesquisa. A docente destacou que o plano foi construído com o objetivo de atender e superar as exigências legais, demonstrando o comprometimento da Universidade com uma gestão democrática e participativa.

O reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, enfatizou que este é o primeiro PDI estruturado de forma tão participativa, embora ainda haja desafios, como a maior mobilização de estudantes e a ampliação da participação da comunidade acadêmica. Ele também destacou a importância de defender a educação pública e gratuita em um contexto de escassez de recursos, reforçando o papel estratégico do novo plano para superar essas adversidades.

 

Rosiani Bion de Almeida / Secom UFSC
imprensa.gr@contato.ufsc.br

 

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Conselho Universitário aprova alterações no calendário acadêmico UFSC 2025

02/07/2025 10:52

Em sessão ordinária realizada nesta terça-feira, 1° de julho, o Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aprovou por unanimidade mudanças no calendário acadêmico de graduação para o ano letivo de 2025. A proposta, apresentada pela Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd) e relatoria do conselheiro Adriano Péres, envolveu ajustes necessários para adequação a normativas federais e demandas internas da instituição.

Uma das principais mudanças refere-se à antecipação do feriado do Dia do Servidor Público, tradicionalmente celebrado em 28 de outubro. Por determinação do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), conforme a Portaria nº 9.783, de 27 de dezembro de 2024, o feriado será transferido para 27 de outubro, uma segunda-feira. Dessa forma, o dia 27 será considerado ponto facultativo e não letivo, enquanto o dia 28 será transformado em dia letivo, adicionado ao calendário do segundo semestre de 2025.

Outra alteração aprovada atende a uma solicitação do Comitê Gestor do Fórum das Licenciaturas, que pediu a modificação das datas da plenária anual para os dias 22 e 23 de setembro de 2025. Além disso, ajustes foram feitos nas datas relacionadas aos resultados de pedidos de transferências e retornos referentes aos semestres 2025-2 e 2026-1, considerando os prazos finais de análise das autodeclarações dos candidatos do Programa de Ações Afirmativas (PAA).

Tags: Calendário Acadêmico 2025Conselho UniversitárioDAEDia do Servidor PúblicoFórum das LicenciaturasProgradtransferências e retornosUFSC