Aprovado Calendário Acadêmico da UFSC para 2026

28/10/2025 16:31

O Conselho Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aprovou, na tarde desta terça-feira, 28 de outubro, o calendário acadêmico para o ano letivo de 2026, abrangendo os cursos de graduação (semestrais) e o de Engenharia de Materiais (trimestral). A proposta foi apresentada pelo Departamento de Administração Escolar (DAE) e teve como relator o conselheiro Diego Santos Greff.

A proposta de calendário acadêmico da UFSC para 2026 está fundamentada no Estatuto da UFSC, na Resolução 017/CUn/1997 e na Lei de Diretrizes e Bases da Educação (Lei 9.394/1996), assegurando o cumprimento dos dias letivos e a definição dos prazos acadêmicos e administrativos.

Para os cursos de graduação, o primeiro semestre letivo começa em 9 de março e o segundo, em 10 de agosto. No curso de Engenharia de Materiais, os trimestres terão início em 2 de março (1º), 25 de abril (2º) e 14 de setembro (3º).

Entre as principais datas:

  • Matrículas on-line do 1º semestre: de 4 a 9 de fevereiro, com ajustes nos dias 19 e 20 do mesmo mês.
  • Trancamento de matrícula: até 22 de março (1º semestre) e até 23 de setembro (2º semestre).
  • Término do 1º semestre: 15 de julho, seguido de recesso a partir de 16 de julho.
  • Término do 2º semestre: 12 de dezembro, com recesso a partir de 13 de dezembro.

Prazos administrativos relevantes incluem o envio dos processos de colação de grau para registro de diplomas: em 2 de março e 27 de julho, referentes aos formandos do 1º semestre; e em 2 e 19 de janeiro de 2027, para os formandos do 2º semestre de 2026. O cronograma também contempla datas acadêmicas e feriados, como o aniversário de Florianópolis (23 de março) e o Dia da Independência (7 de setembro).

Submetido à votação, o Calendário Acadêmico de Graduação 2026 foi aprovado por unanimidade.

 

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UFSC aprova títulos a duas professoras por suas trajetórias de excelência e impacto social

28/10/2025 16:16

O Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realizou na tarde desta terça-feira, 28 de outubro, sessão especial – transmitida ao vivo pelo canal do CUn no YouTube – para apreciar duas concessões de títulos: Doutora Honoris Causa in memoriam e Professora Emérita -, ambas solicitadas pela Cátedra Antonieta de Barros: Educação para a Igualdade Racial.

Dora Lúcia de Lima Bertúlio

Em reconhecimento a sua trajetória e impacto, foi proposta a concessão do título de Doutora Honoris Causa in memoriam à docente Dora Lúcia de Lima Bertúlio, destacando sua relevância como jurista, ativista e intelectual na promoção da igualdade racial e na luta contra o racismo no Brasil. A relatoria foi da conselheira Maria Denize Henrique Casagrande.

O título de Doutor Honoris Causa é concedido pela UFSC “a pessoas eminentes, que não necessariamente sejam portadoras de um diploma universitário mas que se tenham destacado em determinada área (artes, ciências, filosofia, letras, promoção da paz, de causas humanitárias etc), por sua boa reputação, virtude, mérito ou ações de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições”.

Dora Lúcia de Lima Bertúlio foi uma jurista, professora, ativista e intelectual catarinense, nascida em Itajaí, Santa Catarina, em 1949. Ao longo de sua vida, consolidou-se como uma referência na defesa da justiça social, na luta contra o racismo estrutural e na construção de políticas públicas voltadas à igualdade racial no Brasil. Graduada em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e mestre em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Dora desenvolveu uma trajetória profissional e acadêmica marcada pelo compromisso com a democratização do acesso à educação e pela promoção da equidade racial no espaço jurídico.

Desde jovem, Dora demonstrou comprometimento com questões sociais. Aos 18 anos, foi aprovada em concurso público municipal e ingressou na Faculdade de Direito do Paraná, onde participou ativamente da militância estudantil. Durante a graduação, aprofundou seus estudos sobre questões políticas, mas o foco na questão racial só surgiu mais tarde, durante seu mestrado na UFSC. Nesse período, Dora começou a articular debates sobre raça e racismo, enfrentando com coragem a predominância da perspectiva de classe nos ambientes universitários. Sua dissertação, intitulada Direito e Relações Raciais: uma introdução crítica ao racismo, foi um marco na teoria crítica do Direito brasileiro, ao desafiar o pensamento jurídico tradicional e abordar as imbricações entre Direito, raça e racismo. A dissertação, defendida em uma sala repleta de pessoas negras que celebravam esse momento histórico, foi publicada como livro décadas depois, em 2019, consolidando seu impacto no campo jurídico.

Além de sua atuação acadêmica, Dora foi uma pioneira na implementação de políticas de ações afirmativas no ensino superior. Durante sua gestão como Procuradora Federal da Universidade Federal do Paraná, desempenhou um papel crucial na institucionalização das políticas de cotas raciais e sociais, tornando a UFPR uma das primeiras universidades brasileiras a adotar tais medidas. Essa atuação foi fundamental para a consolidação das ações afirmativas como instrumentos constitucionais e éticos no combate às desigualdades raciais no Brasil. Dora também colaborou com a Fundação Cultural Palmares, onde trabalhou na preservação e valorização das culturas afro-brasileiras, contribuindo para a formulação de políticas públicas voltadas à reparação histórica das comunidades negras.

Sua militância e compromisso com a equidade racial transcenderam o ambiente acadêmico e se manifestaram em diversas frentes. Dora participou da Conferência de Durban, onde assessorou a delegação oficial brasileira, e integrou a Comissão de Juristas instituída pela Presidência da Câmara dos Deputados, dedicada ao aperfeiçoamento da legislação contra o racismo estrutural e institucional. Sua atuação foi marcada por um profundo senso de responsabilidade e por uma visão interdisciplinar, que buscava unir o Direito à história, filosofia e outras áreas do conhecimento para compreender e enfrentar o racismo.

Dora também deixou sua marca como educadora e como fundadora de espaços de debate racial. Na Universidade Federal de Mato Grosso, criou, junto à professora Ana Maria Rodrigues Ribeiro, a Associação de Mulheres e Mulheres Negras, que mais tarde se transformou em um núcleo de estudos. Em Florianópolis, foi cofundadora do Núcleo de Estudos Negros (NEN), dedicado à promoção do letramento racial e à análise crítica das dimensões do racismo na sociedade brasileira.

Seu legado é marcado por sua capacidade de transformar suas experiências pessoais e profissionais em contribuições concretas para a luta contra o racismo. Dora enfrentou desafios, como a perda de suas pesquisas durante o doutorado, mas nunca desistiu de sua militância antirracista. Mesmo em seus últimos anos, continuou a influenciar a formulação de políticas públicas e o debate jurídico no Brasil. Dora Lúcia faleceu em 14 de fevereiro de 2025, aos 76 anos, mas suas ideias e contribuições permanecem vivas, ecoando nas universidades, tribunais e espaços de luta por justiça social. Seu nome é sinônimo de resistência, inovação e compromisso com a construção de um Brasil mais justo e igualitário.

Luzinete Simões Minella

O segundo título avaliado pelo Conselho Universitário foi a de Professora Emérita à Luzinete Simões Minella, a mais alta distinção honorífica concedida pela UFSC a docentes aposentadas que se destacaram por sua excelência acadêmica, por sua dedicação à causa pública e pelos relevantes serviços prestados à Universidade e à educação. A relatoria foi da conselheira Marlene Grade.

Luzinete Simões Minella é uma professora, pesquisadora e intelectual de destaque, cuja trajetória acadêmica, marcada pelo rigor científico e pela sensibilidade, consolidou sua importância no cenário nacional e internacional, especialmente nos campos dos estudos de gênero e feminismos. Graduada e mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), doutora em Sociologia pela Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM) e com pós-doutorado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Luzinete dedicou sua vida ao ensino, à pesquisa e à formação de novas gerações de cientistas sociais. Sua carreira acadêmica iniciou-se na UFBA, onde lecionou no Departamento de Sociologia entre 1975 e 1991. Posteriormente, transferiu-se para a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde atuou como professora do Departamento de Sociologia e Ciência Política e do Programa de Pós-Graduação em Sociologia Política, contribuindo significativamente para a consolidação desses espaços como polos de excelência acadêmica.

Mesmo após sua aposentadoria, Luzinete continuou a dedicar-se à universidade como professora voluntária no Programa Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH), onde coordenou por vários anos a Área de Concentração em Estudos de Gênero, transformando-a em um eixo estruturante do programa e referência nacional e internacional. Também integrou o Instituto de Estudos de Gênero (IEG/UFSC), desempenhando papel central em seus projetos, eventos e publicações, além de contribuir para a institucionalização dos estudos feministas na universidade. Sua atuação como coordenadora editorial da Revista Estudos Feministas em diferentes momentos foi fundamental para projetar o periódico como um dos mais importantes da América Latina no campo.

A obra de Luzinete aborda com profundidade temas como gênero, ciência, saúde reprodutiva, infância e saúde mental, sempre partindo de um olhar crítico e sensível às relações de poder e às desigualdades sociais. Autora de diversos artigos, capítulos de livros e da obra autoral Gênero e Contracepção: uma perspectiva sociológica, sua produção acadêmica alia rigor metodológico e empatia, refletindo seu compromisso com a ciência como forma de resistência e transformação social. Luzinete também se destacou como orientadora de teses e dissertações, formando pesquisadoras e pesquisadores que hoje seguem ampliando seu legado intelectual e ético.

Sua trajetória é marcada por um compromisso inabalável com a promoção de uma ciência que liberta e transforma, unindo pensamento crítico e ternura. Entre suas muitas contribuições, destaca-se seu papel na coordenação do Seminário Internacional Fazendo Gênero, na consolidação da área de Gênero e Sexualidade no PPGICH e em sua atuação na Rede Brasileira de Ciência, Tecnologia e Gênero, que promove a crítica feminista da ciência e amplia a presença das mulheres na produção científica. Luzinete é reconhecida por sua capacidade de unir ciência e afeto, transformando a pesquisa em um gesto político e ético, com impacto que ultrapassa os muros da academia e reverbera em políticas públicas e movimentos sociais.

Sua vida acadêmica é um testemunho de coerência, generosidade e compromisso com a construção de uma universidade pública mais democrática, inclusiva e socialmente referenciada. Luzinete Simões Minella transformou cada aula, pesquisa e orientação em um ato de escuta e cuidado, inspirando suas alunas e alunos a enxergar o humano por trás das estatísticas e a lutar por um mundo mais justo. Sua presença e sua obra são sementes de transformação, que continuam a florescer em cada mente e coração tocados por seu trabalho. Conceder a ela o título de Professora Emérita é não apenas um reconhecimento de sua trajetória excepcional, mas também uma celebração de seu papel como uma das principais responsáveis por fortalecer os estudos feministas e de gênero na UFSC e no Brasil.

Ambas as trajetórias foram analisadas e aprovadas por ampla maioria dos(as) conselheiros(as). Ao final, a vice-reitora e coordenadora da Cátedra Antonieta de Barros, Joana Célia dos Passos, expressou sua gratidão pela acolhida e aprovação das honrarias. “No Dia da Servidora Pública, reconhecer duas mulheres negras que tanto contribuíram para a universidade e para a sociedade é um gesto histórico. Luzinete, que ainda segue atuando conosco, e Dora Lúcia, que deixou um legado imensurável, representam trajetórias de excelência e dedicação. Agradeço a cada um e a cada uma que tornou isso possível, especialmente às pareceristas das instâncias das unidades de ensino e do Conselho Universitário”, concluiu, encerrando a sessão especial.

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Gestão da UFSC cumpre agendas em Brasília, entre os assuntos o PAC das Universidades

24/10/2025 11:19

Reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, participa da reunião do Conselho Pleno da Andifes. Fotos: Andifes

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, cumpriu agendas oficiais em Brasília (DF), nos últimos dias 22 e 23 de outubro, com reuniões na Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e na Secretaria de Educação Superior (SESu), do Ministério da Educação (MEC).

Na tarde desta quarta-feira (22), o reitor esteve no MEC para uma reunião agendada com o secretário de Educação Superior, Marcus Vinicius David, no Gabinete da SESu. Deste setor, também participaram da reunião a chefe de Gabinete, Marina Monteiro; o assessor Edson de Souza Almeida; e o diretor da Divisão de Formação Especializada (Difes), Juscelino Pereira Silva. Na ocasião, foram discutidos aspectos estratégicos do PAC das Universidades, incluindo prioridades de investimento, infraestrutura acadêmica e de pesquisa, e ações para fortalecimento da rede federal de ensino superior. Também se pautou a questão orçamentária e os novos cargos para servidores docentes e técnicos-administrativos em Educação.

A passagem pela sede da Andifes integrou a agenda do reitor em Brasília, onde participou da 183ª Reunião Extraordinária do Conselho Pleno, realizada entre os dias 22 e 23. O evento tradicionalmente reúne reitores(as), vice-reitores(as), parlamentares e especialistas para debater temas de relevância para a gestão e o futuro das universidades federais, com destaque para a inclusão, acessibilidade, financiamento e o uso de novas tecnologias.

Seminário Temático “Inclusão e Acessibilidade de Pessoas com Deficiência nas Universidades Federais” abriu a programação, com uma mesa temática moderada por Sonia Lopes Victor, vice-reitora da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), e relatada por Cassia Turci, vice-reitora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Entre as palestrantes estavam Arlete Marinho Gonçalves, coordenadora do Colégio de Gestores de Núcleos de Acessibilidade das Universidades Federais (Conacessi/Andifes); Francéli Brizolla, vice-reitora da Universidade Federal do Pampa (Unipampa); Lucélia Cardoso Cavalcante, vice-reitora da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa); e Sandra Nogueira, coordenadora-geral de Extensão (SESu/MEC). Após as palestras, interações e encaminhamentos, encerrou-se o primeiro dia de atividades.

O segundo dia da reunião teve a participação da deputada federal Dandara Tonantzin (PT/MG), que apresentou o Projeto de Lei nº 760/2025, voltado à recomposição orçamentária das universidades federais. Na sequência, foi firmado um Termo de Cooperação Técnica entre o MEC, o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e a Andifes para a realização da Pesquisa Nacional sobre o Perfil Socioeconômico e Cultural dos Estudantes das Universidades Federais. O documento foi assinado por Marcus Vinícius David (secretário de Educação Superior), Ulysses Teixeira (diretor de Avaliação do Inep) e José Geraldo Ticianeli (presidente da Andifes). A pesquisa fornecerá dados atualizados sobre o perfil estudantil, fundamentais para aperfeiçoar as políticas de assistência e permanência no ensino superior público federal.

A pauta da reunião também incluiu inovação tecnológica e transformação digital. O diretor da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP), Lisandro Granville, apresentou o Programa Nexus, voltado à expansão da conectividade e da infraestrutura digital nas universidades federais. O diretor da Anatel, Octavio Pieranti, abordou iniciativas conjuntas para ampliar o acesso à internet de alta velocidade e reduzir desigualdades regionais.

Outros temas incluíram defesa institucional e políticas afirmativas. O procurador da Advocacia-Geral da União (AGU), Jezihel Pena Lima, apresentou ações voltadas ao enfrentamento da violência contra as universidades federais, reforçando o compromisso com a integridade das instituições públicas. Já Anna Carolina Venturini e Maria Aparecida Chagas, do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), discutiram a implementação da política de cotas em concursos públicos para docentes.

“Para a gestão da UFSC, estar na Andifes e na Secretaria de Educação Superior não é apenas acompanhar o debate, é influenciar decisões que viram resultados no nosso dia a dia”, afirmou o reitor Irineu. “Essa presença nos permite defender as prioridades que impactam nossos campi, assegurar recursos e novos cargos, estabelecer metas de acessibilidade e conectividade e alinhar diretrizes para o uso responsável de tecnologias. Participar dessas agendas garante que a voz da UFSC esteja representada, oportunizando entregas concretas para nossa comunidade acadêmica e para a sociedade catarinense.”

Com informações da: Andifes

Rosiani Bion de Almeida | Divisão de Imprensa do GR
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Rede de pesquisa em ciências forenses: UFSC firma cooperação com perícia do estado

06/10/2025 16:34

Representantes da UFSC e da Polícia Científica de SC participaram da assinatura de Acordo de Cooperação entre as instituições. Fotos: DI-GR/SECOM

Na tarde desta segunda-feira, 6 de outubro, a vice-reitora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Joana Célia dos Passos, e a perita-geral da Polícia Científica de Santa Catarina (PCISC), Andressa Boer Fronza, reuniram-se no Gabinete da Reitoria para formalizar o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) vinculado à Rede Catarinense de Pesquisa em Ciências Forenses. O encontro, iniciado às 14h, marcou uma importante parceria estratégica entre a universidade e a perícia oficial do Estado.

Além das representantes das duas instituições, participaram do ato o superintendente de projetos da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (Propesq), William Gerson Matias, membros da PCISC e professores das áreas de Química, Farmácia e Geologia da UFSC, diretamente envolvidos na Rede.

A Rede Catarinense de Pesquisa em Ciências Forenses reúne atualmente 19 pesquisadores da UFSC e diversos peritos da Polícia Científica de Santa Catarina que atuam de forma integrada em ações de pesquisa, ensino e extensão. Suas frentes abrangem múltiplas áreas do conhecimento, incluindo Enfermagem, Química, Toxicologia, Geologia, Inteligência Artificial, Entomologia Forense, Genética Forense, entre outras, refletindo o caráter interdisciplinar das atividades desenvolvidas.

O acordo assinado nesta segunda-feira é o primeiro de seis ACTs previstos para viabilizar projetos distribuídos por todas essas áreas, fortalecendo a atuação coordenada e colaborativa dos grupos que compõem a Rede, cujas informações podem ser encontradas no site https://forense.ufsc.br/.

A cooperação interinstitucional viabiliza o projeto intitulado “Vestígios encontrados em locais de crime: desenvolvimento e aplicação de novas estratégias analíticas e suas implicações nas Políticas Públicas e Legislativas”, que terá duração de 60 meses. A iniciativa busca aprimorar métodos nas áreas de química e toxicologia forense aplicados aos vestígios coletados pela PCISC, além de fomentar debates sobre saúde pública e o Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas (Lei nº 11.343/2006).

A proposta combina teoria e prática, fortalecendo a pesquisa aplicada e qualificando a atuação pericial. Entre os objetivos estão o desenvolvimento de metodologias para identificação e quantificação de substâncias de interesse forense, criação de ferramentas de análise multivariada para certificação de produtos, produção de padrões analíticos secundários, estudos epidemiológicos baseados em dados forenses e capacitação continuada de servidores. Além disso, promove ações educativas sobre o uso indevido de substâncias psicoativas e políticas de redução de danos, estimulando um debate crítico sobre a legislação vigente.

Os resultados passíveis de proteção intelectual serão compartilhados igualmente entre a PCISC e a UFSC, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, Lei nº 13.709/2018) e a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), garantindo sigilo sobre informações sensíveis. Com essa parceria, as duas instituições consolidam a Rede Catarinense de Pesquisa em Ciências Forenses, promovendo inovação, transferência de conhecimento e impacto direto na segurança pública e na formulação de políticas baseadas em evidências científicas.

 

A vice-reitora Joana agradeceu o esforço coletivo que possibilitou o acordo, enfatizando a importância da aproximação entre a academia e a Polícia Científica. “O papel da universidade é atuar onde a ciência é essencial, contribuindo para a formação de estudantes por meio de experiências práticas que transcendem a sala de aula”, destacou. Para ela, o projeto terá um impacto significativo pela sua natureza interdisciplinar, envolvendo as áreas como a de Geologia, Química e Farmácia. Joana também celebrou a representatividade feminina: “Minha alegria é saber que temos uma mulher no comando. Parabéns e obrigada”, finalizou

A perita-geral Andressa Boer Fronza ressaltou a satisfação com a parceria e o orgulho de ser a primeira mulher a liderar a Polícia Científica de Santa Catarina. “Independentemente do gênero, a instituição estaria em boas mãos, mas é gratificante trazer um olhar diferente para a gestão”, afirmou. Andressa relembrou a criação da rede catarinense em 2023, em parceria com a UFSC, destacando que a iniciativa aproxima a universidade da prática forense, promove o desenvolvimento de novas técnicas e otimiza o trabalho pericial. Ela também enfatizou a relevância da ciência frente a desafios como a adulteração de bebidas com metanol, que só ganham visibilidade em situações de crise. “Infelizmente, nosso trabalho aparece mais em momentos de tragédia. Nosso objetivo é evitar novas vítimas, fortalecer ações preventivas e oferecer respostas rápidas”, concluiu.

O professor William, da área de Engenharia Sanitária e Ambiental, destacou os avanços na regulamentação para pesquisa com químicos controlados, fruto do trabalho de uma comissão multidisciplinar que obteve autorizações junto ao Exército e à Polícia Federal, além de consolidar uma minuta interna para processos de compra e controle. “Sem isso, não tem pesquisa”, afirmou. William também celebrou a representatividade feminina na mesa: “É muito significativo estar aqui com a vice-reitora e a chefe da polícia. Quando trazemos mulheres para a tomada de decisão, trazemos mais humanidade.” Ele finalizou com entusiasmo: “Estou muito contente por concluir um processo e iniciar outro, liderado por mulheres. Parabéns!”

 

Rosiani Bion de Almeida | Divisão de Imprensa do GR
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Colegiado da UFSC aprova novas diretrizes para periódicos científicos institucionais

02/10/2025 17:07

Na última sessão do Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 30 de setembro, o colegiado aprovou as Diretrizes para Ingresso, Permanência e Descontinuidade de Periódicos Científicos Institucionais no Portal de Periódicos da UFSC. A decisão unânime veio ao encontro do compromisso da Universidade com a promoção da ciência aberta, a qualidade editorial e a projeção da produção científica. Segundo o parecer, o Portal “promove o acesso aberto, a visibilidade, a segurança e o suporte aos editores dos periódicos científicos que hospeda”.

As novas diretrizes foram elaboradas de forma colaborativa pelo Conselho Consultivo e Deliberativo (CCD) do Portal de Periódicos da UFSC, com base em critérios técnicos, boas práticas internacionais e princípios como equidade, transparência e sustentabilidade. De acordo com a relatora, o resultado do processo de revisão “culminou na elaboração de uma minuta” que reúne critérios de ingresso, permanência e descontinuidade, além de orientações sobre migração de periódicos e prazos de adequação. O documento estabelece um processo estruturado para avaliação dos periódicos vinculados à instituição, buscando fortalecer a política editorial institucional, otimizar a alocação de recursos e alinhar as publicações às exigências de indexadores e agências de fomento.

A relatora do processo, a conselheira Verônica Pereira Orlandi, destacou que há avanços em relação à versão anterior, aprovada em 2016. “O documento apresenta melhorias na sua estrutura e detalhamento nos subcapítulos com a inclusão de informações importantes. Essas contribuições são fruto de acúmulo de discussões e devem ser aprovadas”, registrou. Entre as principais melhorias estão a definição de critérios detalhados para ingresso e permanência de periódicos, a inclusão de orientações claras sobre a migração e descontinuidade de publicações e a adoção de princípios de ciência aberta. O parecer também ressalta “critérios mais claros para ingresso e permanência, como diversidade institucional, política de ciência aberta e responsabilidade financeira compartilhada”, bem como medidas para reforçar o combate à publicação predatória e a preservação da credibilidade institucional.

Outro ponto importante é o reforço ao princípio de não concorrência interna, entendido como essencial para a união de esforços editoriais dentro da UFSC. Conforme as atas referidas no parecer e a síntese da relatora, houve “a adoção do princípio de não concorrência interna, entendendo que o desenvolvimento da publicação científica na UFSC depende da união de esforços”. O documento também consolida parâmetros objetivos de desempenho, como o quantitativo mínimo anual de publicações por periódico, para garantir a permanência na plataforma.

A conselheira-relatora sugeriu, ainda, ajustes de transparência institucional: “o documento de 2016 apresentava um capítulo que versava sobre a Estrutura do PPUFSC, indicando a composição do CCD”, informação que considera relevante e que “pode ser incluída no documento apresentado”. Ela recomendou incorporar “na Apresentação ou na forma de Apêndice, a contextualização, estrutura e composição dos quatro elementos” que sustentam o ecossistema: o Portal de Periódicos UFSC, o Laboratório de Periódicos Científicos UFSC, a Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e Comunicação (SETIC) e o Conselho Consultivo e Deliberativo (CCD).

Criado em 2008 e institucionalizado em 2016, o Portal de Periódicos da UFSC é uma referência nacional em comunicação científica de acesso aberto, hospedando atualmente 44 periódicos científicos. Para a relatora, a institucionalização de 2016 fortaleceu a posição da UFSC como “editora científica (Publisher), produtora e curadora de conteúdo acadêmico de qualidade, promovendo a sustentabilidade e a inovação”. Com a aprovação das novas diretrizes, a UFSC reforça sua posição como protagonista na curadoria e disseminação do conhecimento acadêmico, alinhando-se às melhores práticas editoriais e às transformações no cenário científico nacional e internacional. No voto, Orlandi foi favorável para a aprovação do documento mediante a inclusão de informações sugeridas no parecer.

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
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