Reitor Amir de Oliveira e vice-reitora Felipa Amadigi tomam posse na UFSC

06/07/2026 20:30

Ex-reitor Irineu Manoel de Souza (D) e transfere as vestes talares ao reitor Amir Martins (Fotos: Gustavo Diehl/Agecom UFSC)

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina, Amir de Oliveira, e a vice-reitora Felipa Amadigi tomaram posse na noite desta segunda-feira, 6 de julho, em cerimônia de transmissão de cargos que contou com a participação do ex-reitor Irineu Manoel de Souza e sua vice, professora Olga Zigelli Garcia. O evento teve a presença de autoridades e da comunidade universitária, que também pôde conhecer os pró-reitores e secretários da nova gestão, que saiu vitoriosa na consulta pública democrática realizada na instituição.

A cerimônia foi marcada pelo reforço à tradição democrática da instituição e pela cordialidade e o respeito aos valores da universidade federal pública e gratuita com 65 anos de história, coroada por discursos repletos de menção à sua relevância para a comunidade e para a sociedade.

No discurso de posse, Amir mostrou o caminho para onde projeta a nova gestão, salientando que suas propostas serão debatidas junto ao Conselho Universitário, mas trazendo uma diretriz sustentada em valores como formação de excelência, diversidade, ações afirmativas, pluralidade do conhecimento, integridade acadêmica, infraestrutura, parcerias estratégicas nacionais e internacionais, comunicação e relacionamento externo.

“Nós servimos à sociedade. Temos a responsabilidade de zelar pelo patrimônio que nos foi confiado e usá-lo da melhor maneira na nossa missão de gerar, disseminar e aplicar o conhecimento por meio do ensino, pesquisa, extensão e inovação, formando profissionais éticos e cidadãos críticos, contribuindo para o desenvolvimento da sociedade”, disse, assegurando que, passado o processo eleitoral, o momento agora é de somar esforços na construção coletiva de uma universidade “de todos e todas”.  “Ela nos acolhe, nos honra, e nos desafia a fazermos cada vez melhor o nosso trabalho de formar pessoas, servir à sociedade e a levarmos para novos patamares”, disse.

Amir também trouxe marcas e números que demonstram a relevância da UFSC para o Estado e para o país. “Oferecemos 6.523 vagas de ingresso e formamos aproximadamente 5.500 profissionais anualmente. Hoje temos cerca de 40.000 estudantes matriculados na graduação, pós-graduação e ensino básico e já diplomamos mais de 178.000 profissionais, sendo 114.000 em cursos de graduação e 64.000 mestres e doutores”, lembrou.

Vice-reitora Felipa Amadigi exaltou mulheres que a antecederam na gestão universitária

A vice-reitora Felipa Rafaela Amadigi fez sua fala saudando as mulheres que a antecederam na gestão universitária e pontuando as dificuldades que as mulheres enfrentam ao assumirem posições de liderança. Ela observou que “reconhecer a existência dessas barreiras significa compreender que a construção de ambientes mais justos, respeitosos e equitativos é condição essencial para que todas as pessoas possam exercer plenamente seu potencial e contribuir para o fortalecimento das instituições”.

Outro ponto destacado pela vice-reitora foi de que a universidade deve ser um ambiente em que todas as pessoas possam expressar suas ideias, convicções, identidades e perspectivas com liberdade e segurança, “sempre orientado pelos princípios do diálogo, da ética e da convivência democrática”. Segundo ela, não é papel da universidade “alimentar polarizações que fragmentam e afastam”. “É na escuta qualificada, no respeito às diferenças e na disposição para dialogar que fortalecemos nossa comunidade acadêmica e reafirmamos o papel da universidade como um espaço de produção de conhecimento, de formação cidadã e de construção de uma sociedade mais democrática, justa e plural”, disse.

Legado e marcas 

Antes do ato de transmissão de cargo, o então reitor, Irineu Manoel de Souza, e a vice-reitora, Olga Zigelli Garcia, que substituiu a professor Joana Célia dos Passos, também discursaram a respeito do legado deixado pela gestão.

Irineu foi aplaudido de pé ao encerrar seu discurso, no qual manifestou que mais do que gerir estruturas, recursos e equipes, a função de uma gestão é “preservar um projeto coletivo produzido por milhares de pessoas ao longo de seis décadas”. Para ele, estar a frente da UFSC foi um desafio, em uma época de retomada pós-pandemia e de cortes orçamentários. “Sabíamos que enfrentaríamos enormes desafios, mas que nenhuma dificuldade seria maior do que a força da comunidade comprometida com a sua missão pública”.

Entre os legados da gestão, o reitor mencionou a feira de cursos, a política de combate à evasão, o processo seletivo por histórico escolar, a criação da política institucional para mães, indígenas e quilombolas, o controle social para os servidores técnicos administrativos, o combate ao assédio, a moradia indígena, o café da manhã para estudantes ofertado pelo Restaurante Universitário, entre outros feitos.

Para a professora Olga, o desafio de gerir a universidade se somou à sua trajetória pessoal e profissional dedicada à instituição. “Uma universidade não é feita de concreto e prédios, é feita de pessoas e eu tive o privilégio de dedicar a minha vida às pessoas dessa universidade. Enquanto eu ajudava a construir a UFSC, a UFSC também me construía. Deixamos importantes avanços, acreditamos ter contribuído para entregar uma UFSC mais estruturada e preparada para os desafios do futuro”, disse.

Comunidade universitária recebe nova gestão

Estudantes ressaltaram a importância das políticas de permanência

Servidores docentes e técnico administrativos e estudantes fizeram suas falas, reportando-se à gestão iniciada. O comando de greve do Sindicato dos Trabalhadores da UFSC também se manifestou, falando sobre a importância de negociações locais consolidarem discussões do comando nacional do movimento que negocia com o governo federal.

A servidora Isabel Cristina da Rosa lembrou que a democracia universitária foi defendida e construída coletivamente com protagonismo dos TAEs. “Organizamos e promovemos a consulta informal, fato político que precisa ser reconhecido”, disse. “Esperamos que a gestão seja parceira, queremos condições dignas de trabalho”, pontuou, reforçando a importância de uma gestão comprometida com a mudança de cultura institucional e que reconheça os trabalhadores como parte da construção da universidade.

O Diretório Central de Estudantes (DCE), representado por estudantes mulheres da sua diretoria, reforçou a relevância de se investir em políticas de permanência estudantil. “Para garantir esse direito precisamos também lutar pelo orçamento da universidade”, destacaram as acadêmicas, que também reforçaram a importância de se valorizar o compromisso com todas as pessoas da comunidade universitária.

Já o Sindicato dos Professores (Apufsc) avaliou que as sociedades criam e mantêm as universidades para que elas, sem desconhecer o passado, trabalhem pelo futuro. “Não podemos deixar de buscar soluções. Precisamos construir uma nova agenda, os desafios do futuro são imensos”, falou o professor Romeu de Albuquerque Bezerra. O docente lembrou ainda que forças políticas ideológicas procuram asfixiar o papel crítico e político da universidade, em ataques sistemáticos tanto no congresso quanto nas redes sociais.

O decano do Conselho Universitário da UFSC, Sérgio Peters, destacou o privilégio que é estudar na UFSC, onde acadêmicos têm a chance de aprenderem com professores que são pesquisadores nas suas áreas, além de desempenhares atividades extraclasses que completamente sua formação. “Cada egresso sabe o quanto a UFSC contribuiu para a sua vida e a sua carreira”. Já Édson Bazzo, do Conselho de Curadores, lembrou que a instituição “consolidou-se como uma das mais importantes universidades brasileiras, fruto do trabalho de sucessivas gerações que compreenderam que uma universidade forte se constrói diariamente”.

Quem são o reitor e a vice-reitora da UFSC (2026-2030)

Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior, professor Titular do Departamento de Engenharia Mecânica e Vice- Diretor do CTC. Natural de Florianópolis, 58 anos. Graduado (1984) e Mestre em Engenharia Mecânica (1993) e Doutor em Engenharia Mecânica e Mecânica Aplicada ( University Of Michigan Ann Arbor -1998).

Desde 2000 é docente efetivo. É o atual Vice-Diretor do CTC, preside o Conselho de Curadores da Fundação CERTI e membro do Conselho Consultivo da FUNDEP. Membro do Comitê Executivo de Combustão da ABCM. Foi Chefe e Sub-chefe do Departamento de Engenharia Mecânica e Diretor Acadêmico do Campus de Araranguá. Também atuou como Conselheiro da Fundação CERTI, da Fundação Stemmer-FEESC e da CELESC, além dos Comitês de Auditoria Estatutária, de Ética e de Elegibilidade na empresa. Membro e Coordenador do Comitê Científico da Rede Nacional de Combustão e Presidente do Conselho da Associação Brasileira de Ciências Mecânicas da Associação Brasileira de Ciências Mecânicas.

Felipa Rafaela Amadigi, professora Adjunta do Departamento de Enfermagem do CCS. Paranaense de Loanda, 46 anos. Graduada em Enfermagem (2003), Mestre em Saúde Pública (2005) e Doutora em Enfermagem (2011), pela UFSC. Desde 2015 é docente efetiva. Foi Vice Presidente e Presidente do Conselho de Enfermagem de Santa Catarina, e Coordenadora do Curso de Graduação em Enfermagem da UFSC.

Tem experiência na área de Saúde Coletiva, com ênfase em Gestão em Saúde, processo de trabalho, tecnologias em saúde e saúde digital. Atua junto aos Programas de Pós-graduação em Saúde Coletiva e Profissional em Gestão do Cuidado de Enfermagem da UFSC. Líder do Laboratório Interdisciplinar em Tecnologias Educacionais em Saúde. Pesquisadora do Grupo de Pesquisa em Saúde Digital da UFSC, do Núcleo de Extensão em Avaliação e Planejamento em Saúde e do Laboratório de Pesquisa sobre Trabalho, Ética, Saúde e Enfermagem. Coordenou, durante a Pandemia, a Campanha de imunização contra a COVID-19 em Florianópolis.

Propostas administrativas

Integrantes da nova gestão da UFSC foram apresentados durante a solenidade

O reitor Amir Martins aproveitou a solenidade para anunciar algumas propostas de mudanças administrativas, que levará à avaliação do Conselho Universitário (CUN).
Entre as mudanças propostas estão a transformação da Prefeitura Universitária em Secretaria de Infraestrutura e da atual secretaria de Planejamento e Orçamento em pró-reitoria. O reitor também propôs a volta da Secretaria de Esportes e Bem-estar, que permaneceu vinculada à Secretaria de Cultura e Arte na gestão anterior. O Departamento de Inovação voltará a ser a Secretaria de Inovação e Relacionamento Externo.

A Secretaria de Educação a Distância (Sead) será extinta, e suas ações serão assumidas por coordenações a serem criadas nas pró-reitorias de Graduação e Educação Básica e de Pós-graduação. A Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e Comunicação (SeTIC) será transformada em secretaria e o Departamento de Gestão Ambiental se tornará a Secretaria de Sustentabilidade e Ação Climática.

Confira a lista dos membros da nova gestão da UFSC:

Chefe do Gabinete da Reitoria: Profª Catia Regina Silva de Carvalho Pinto
Pró-Reitoria de Graduação e de Educação Básica: Prof. Julian Borba – Interino: Ubirajara Moreno
Pró-Reitoria de Pós-Graduação: Prof. Juarez Vieira do Nascimento
Pró-Reitoria de Pesquisa: Prof. Jacques Mick
Pró-Reitoria de Extensão: Profª Maria Luiza Bazzo
Pró-Reitoria de Administração: técnica-administrativa em Educação Mayara Teodoro Bellettini
Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas: técnico-administrativo em Educação Paulo Eduardo Botelho
Pró-Reitoria de Permanência e Assuntos Estudantis: Profª Silvia Lopes de Sena Taglialenha
Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade: técnica-administrativa em Educação Evelise Santos Sousa
Pró-Reitoria de Planejamento: Vladimir Fey
Secretaria de Assuntos Institucionais: Prof. Luiz Henrique Urquhart Cademartori
Secretaria de Internacionalização: Prof. Diogo Robl – Interina Profª Francis Tourinho
Secretaria de Cultura e Arte: Profª Maria de Lourdes Alves Borges
Secretaria de Segurança Institucional: técnico-administrativo em Educação Leandro Luiz de Oliveira
Secretaria de Comunicação: Prof. Áureo Mafra de Moraes
Secretaria de Inovação: técnico-administrativo em Educação Ronaldo David Viana Barbosa
Secretaria de Esportes: Juliano Fernandes da Silva
Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e Comunicação (SeTIC): Bruno Carlo Celeguim de Amattos
Assessor institucional: Prof. Carlos Alberto Marques

Texto: Agecom

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Reitor convoca integrantes do Conselho Universitário para sessão solene de transmissão de cargo

03/07/2026 16:10

O reitor Irineu Manoel de Souza convocou os integrantes do Conselho Universitário (CUn) para a sessão solene de transmissão do cargo de reitor ao professor Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior e de vice-reitora à professora Felipa Rafaela Amadigi.

A sessão ocorrerá no dia 6 de julho de 2026, às 17h, no Auditório Garapuvu, localizado no Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo.

 

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Administração Central da UFSC divulga relatório de realizações e legados da gestão 2022-2026

03/07/2026 15:31

A gestão 2022–2026 da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) publicou, nesta sexta-feira, 3 de julho, o relatório de legados e realizações do quadriênio. O documento tem como objetivo registrar, conferir transparência e compartilhar com a comunidade universitária e com a sociedade as principais ações, políticas, projetos, investimentos e resultados desenvolvidos no período.

O relatório reúne iniciativas conduzidas pelas pró-reitorias, secretarias, órgãos suplementares e demais unidades administrativas da Universidade, evidenciando o trabalho coletivo de servidores docentes e técnicos-administrativos em Educação, estudantes, trabalhadores terceirizados, parceiros institucionais e membros da comunidade externa.

“O período foi marcado por desafios e por importantes oportunidades de fechamento e fortalecimento institucional. À retomada gradual das atividades presenciais após a pandemia de Covid-19 somaram-se os esforços de recomposição das estruturas universitárias, de ampliação dos espaços democráticos de diálogo, de fortalecimento das relações institucionais e de reafirmação do papel estratégico das universidades públicas na produção do conhecimento, na formação cidadã e no desenvolvimento social, científico, cultural e econômico do país”, afirmou o reitor Irineu Manoel de Souza, no preâmbulo do documento.

Na apresentação do relatório, o reitor contextualiza o período “caracterizado por restrições orçamentárias, demandas crescentes por inclusão, inovação, sustentabilidade e valorização das pessoas”. Segundo ele, nesse cenário, a UFSC “buscou consolidar políticas acadêmicas, administrativas e sociais orientadas pelos princípios da excelência, da gestão democrática, da responsabilidade pública, da promoção da equidade, do respeito à diversidade, da defesa dos direitos humanos e do compromisso permanente com uma educação pública, gratuita, laica, inclusiva, socialmente referenciada e de qualidade”.

O documento não tem a pretensão de reunir a totalidade das ações desenvolvidas pela Universidade ao longo do período. Em vez disso, apresenta uma seleção de iniciativas mais representativas, estruturantes e de maior relevância institucional. “Espera-se que este relatório contribua para a preservação da memória institucional, para a continuidade de iniciativas que trouxe sua relevância para a Universidade e para o fortalecimento da UFSC como patrimônio público, científico, cultural e democrático da sociedade brasileira”, concluiu o reitor.

Confira o relatório neste link

Rosiani Bion de Almeida | Secom
imprensa.gr@contato.ufsc.br

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UFSC discute políticas institucionais de Enfrentamento à Evasão e de Equidade de Gênero

02/07/2026 14:21

As políticas institucionais de Enfrentamento à Evasão e de Equidade de Gênero da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foram discutidas no Conselho Universitário (CUn), em sessão extraordinária realizada nesta quarta-feira, 1º de julho, no período da tarde, na Sala dos Conselhos. A reunião foi transmitida ao vivo no canal do CUn no YouTube.

Enfrentamento à Evasão

A minuta de resolução normativa que trata do Enfrentamento à Evasão da UFSC foi relatada pelo conselheiro Erasmo Benício Santos de Moraes Trindade, a partir de solicitação da Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd).

Em seu parecer, o conselheiro destacou que a proposta estabelece o compromisso institucional de direcionar esforços e recursos para reduzir a evasão, definida no texto como “todo desligamento voluntário ou involuntário do estudante antes da conclusão do curso, excetuando-se falecimento”. O documento tem como objetivo geral implementar estratégias de prevenção, identificação e redução, além de prever o monitoramento de indicadores, e ações de busca ativa e mitigação de fatores associados ao desligamento de estudantes.

A minuta também estabelece competências para a criação de um setor central de combate à evasão, vinculado ao Prograd, e de setores locais nos centros de ensino. Segundo o documento, os setores locais deverão contar, pelo menos, com um Técnico em Assuntos Educacionais, um Pedagogo e um Assistente em Administração. A proposta prevê ainda avaliação anual das ações e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), além de ter como base a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e a Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES). Ao final, Erasmo manifestou-se favoravelmente à aprovação da resolução.

A conselheira e pró-reitora Dilceane Carraro (Prograd) ressaltou a importância da pauta. Segundo ela, desde o início da gestão havia o propósito de estabelecer ações de enfrentamento à evasão, o que resultou na elaboração de um diagnóstico publicado em 2024. Dilceane afirmou que a política busca dar mais legitimidade e respaldo institucional às ações já em curso.

Dilceane também informou que o Observatório da UFSC já dispõe de dados sobre evasão e que a Universidade pretende integrar painéis de dados ao Controle Acadêmico de Graduação (CAGR), com apoio da Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e Comunicação (Setic), incluindo o acompanhamento da frequência dos estudantes no Moodle. Sobre os novos setores, ela instruiu que pedagogos e técnicos em assuntos educacionais foram definidos como essenciais, mas ponderou que a UFSC não tem condições de garantir imediatamente todos esses profissionais.

A conselheira Carolina Bahia elogiou a iniciativa, mas chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelas unidades em razão do quadro técnico reduzido. Ela citou o caso do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ), onde diretores tiveram dificuldade de indicar servidores para atuar na função relacionada à evasão por causa do quadro exíguo. Carolina também defendeu que a política dialogue com a Política de Enfrentamento ao Racismo Institucional, aprovada pelo CUn em novembro de 2022.

O conselheiro Tiago Montagna também parabenizou os envolvidos, mas destacou diferenças entre a proposta de enfrentamento à evasão e a política de equidade de gênero, afirmando que esta apresenta metas verificáveis, enquanto aquela não estabelece uma meta quantitativa. Para ele, a minuta também não indica qual fator deve ser atacado primeiro. Ele criticou ainda a repetição de atribuições entre setores, afirmando que, quando há muita sobreposição de trabalho, corre-se o risco de que as ações não sejam realizadas.

A conselheira Miriam Furtado Hartung manifestou preocupação com a criação de setores que exigiam funções gratificadas. Segundo ela, se houver um setor por centro, serão necessários 14 FGs. Miriam lembrou que a Universidade já enfrentou carência de técnico-administrativos e que há coordenadorias de curso sem TAE ou mesmo com sem função gratificada. Para a conselheira, criar um setor e projetar um servidor não garante resultados sem metas e instrumentos precisos.

O conselheiro Renato Milis avaliou que a evasão é um problema generalizado e que é fundamental que uma política preveja pessoal e recursos, a fim de evitar que fique sem efetividade. Renato também defendeu que parte das 140 vagas conquistadas pelo movimento sindical seja destinada aos setores previstos na política, além de sugerir a inclusão de psicólogos educacionais, considerando que a evasão envolve questões de orientação profissional.

A conselheira Heloísa Teles, que relatou a matéria na Câmara de Graduação, afirmou que a graduação é “o coração da universidade” e classificou como absurdo que mais de 50% dos ingressantes não concluam seus cursos. Para ela, a criação de setores específicos é indispensável e representa uma resposta à sobrecarga das coordenadorias de curso, que atualmente realizam esse trabalho de modo intuitivo. Heloísa defendeu que o suporte técnico permitirá profissionalizar o atendimento aos estudantes.

A conselheira Michele Monguilhott destacou que o Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) solicita redimensionamento de pessoal desde o início da gestão. Ela também alertou que a criação de um novo setor exige mudança no regimento interno e pode gerar retrabalho, além de apontar erro de nomenclatura relacionado à designação de FG3 para uma estrutura que, segundo ela, deveria ser uma Divisão. Diante dessas questões, pediu vistas ao processo, encerrando a discussão.

Equidade de Gênero

A proposta de resolução normativa para instituir a Equidade de Gênero da UFSC foi requerida pela Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) e relatada pela conselheira Carolina Medeiros Bahia. A relatora explicou que a política está estruturada em três eixos: promoção, assistência e enfrentamento.

No eixo da promoção, a proposta prevê incentivo a políticas de equidade nas pró-reitorias e cursos, obrigatórios para gestores e ingressantes, uso de linguagem inclusiva e metas de 50% de paridade em cargos de chefia e órgãos deliberativos. No eixo da assistência, contempla a proteção à maternidade e à parentalidade, com extensão de prazos de produtividade e apoio à amamentação. Já no eixo de enfrentamento, organizou-se a rede de acolhimento e o fluxo de denúncias via Ouvidoria, pelo Fala.BR, com previsão de avaliações como demissão em casos de assédio comprovado e medidas protetivas urgentes.

A fundamentação jurídica da proposta baseia-se na Constituição Federal, na Convenção de Belém do Pará e no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) n° 5 da ONU. Carolina informou que acolheu configurações sugeridas pela Secretaria de Comunicação (Secom) relacionadas à Política Institucional de Comunicação e inverteu a responsabilidade para que a Proafe elaborasse orientações com apoio da Secom. A minuta também incluiu sugestões sobre segurança no campus e mentoria para lideranças femininas.

O conselheiro Juarez Vieira do Nascimento manifestou preocupação quanto à necessidade de consulta à Procuradoria Federal, argumentando que muitos pontos da proposta se apoiam em decretos, que são atos de governo, e não de Estado. Ele sugeriu ajustes na redação sobre “reflexão sobre masculinidades” e propôs que, em vez de disciplinas obrigatórias, a temática seja inserida em disciplinas já existentes, para não impactar as bases da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

A conselheira Miriam Furtado Hartung classificou o documento como potente e afirmou que a UFSC inova, como já havia feito com as cotas étnico-raciais. Para ela, são ações efetivas e metas alcançáveis ​​que transformam a realidade, e não apenas boas intenções. Sobre a transição, Miriam defendeu que a Universidade não deve adiar mudanças e que é preciso enfrentar desde já uma sub-representação das mulheres nas cargos de poder.

O conselheiro Raphael da Hora apresentou dúvidas sobre a aplicação da paridade. Ele questionou por que a obrigatoriedade em cargos eletivos exclui chefes de departamento e coordenadores e disse como seria feito o controle da paridade nos colegiados quando os membros não são eleitos em chapa única.

A pró-reitora Marilise Luiza Martins dos Reis Sayão (Proafe) explicou que a discussão sobre cargos de progressão e chefia atualmente que essas funções, muitas vezes, geram sobrecarga para as mulheres e nem sempre são disputadas. Segundo ela, a política concentrou-se nos encargos em que o chamado teto de vidro é mais forte.

A conselheira Brígida Carvalho Vieira afirmou que a UFSC é uma das poucas universidades do Sul com política voltada para estudantes-mães, mas defende avanços para servidores técnicos e docentes. Ela propôs vincular uma nova política à resolução de permanência de dezembro e propôs que servidoras mães tenham prioridade para teletrabalho ou flexibilização, além de liberação sem programação de horas para reuniões escolares. Brígida também defendeu que uma medida seja contínua aos pais, para evitar que a responsabilidade recai apenas sobre as mulheres.

O conselheiro Hamilton de Godoy Wielewicki ressaltou que as mulheres são maioria, mas seguem na base da pirâmide em termos de pagamentos e poder, muitas vezes como mães solo. Ele defendeu que a política considere as interseccionalidades de gênero e raça. Hamilton também questionou se o prazo de 180 dias para ajuste dos regimentos significa aplicabilidade imediata na composição dos órgãos ou se a aplicação dependeria primeiro da alteração regimental.

A conselheira Ariadne Meneghel Marques defendeu a aprovação da política relacionada à segurança e à permanência das mulheres na Universidade. Ela afirmou que Santa Catarina é um dos estados que mais mata mulheres no país e citou casos de tentativa de estupro e assaltos no campus. Segundo Ariadne, estudantes muitas vezes precisam conviver com seus agressores na sala de aula. Para ela, aprovar a política significa discutir vidas que são impedidas de ocupar espaços políticos.

Ao responder às ponderações, a relatora Carolina Bahia agradeceu todas as contribuições e informou que acolheu a sugestão da conselheira Brígida de vincular a política à resolução de permanência e incluir especificidades para servidores. Sobre a transição, Carolina afirmou entender que a resolução do CUn é superior aos regimentos e passa a ter aplicabilidade imediata, de modo que o ajuste regimental deve ocorrer, mas não condiciona a aplicação da norma.

O parecer foi aprovado por unanimidade pelos conselheiros do colegiado. Ao final da sessão, o reitor Irineu Manoel de Souza agradeceu a discussão qualificada realizada nos últimos quatro anos no Conselho Universitário. “Foi um debate muito respeitoso e aprovamos muitas políticas importantes para a nossa universidade”, afirmou.

Rosiani Bion de Almeida | Secom
imprensa.gr@contato.ufsc.br

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Servidor da UFSC é nomeado assessor da Secretaria de Educação Superior do MEC

02/07/2026 10:27

O servidor técnico-administrativo em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Vilmar Michereff Junior, foi nomeado nesta quinta-feira, 2 de julho, para o cargo de assessor da Secretaria de Educação Superior (Sesu) do Ministério da Educação (MEC). Na nova função, ele atuará no gabinete do secretário Marcus Vinicius David, e entre as suas responsabilidades, a elaboração de estudos técnicos, o apoio à formulação de políticas públicas para o ensino superior no país, a articulação institucional e a representação da Sesu em espaços estratégicos.

A chegada do servidor à Sesu ocorre após quatro anos à frente da Pró-Reitoria de Administração (Proad) da UFSC e de sua atuação no Fórum Nacional de Pró-Reitores de Planejamento e Administração das Instituições Federais de Ensino Superior (Forplad). Segundo Michereff, essa trajetória permitiu conhecer de perto os principais desafios enfrentados pelas universidades federais em diferentes regiões do país. “Tive a oportunidade de atuar na gestão, e nesse período pude coordenar também a Comissão Nacional de Administração do Forplad”, afirmou. “Foi neste espaço que tive um contato muito próximo com os desafios enfrentados pela rede das IFES, não apenas os da UFSC”.

Para Michereff, a experiência acumulada na universidade e no Forplad poderá contribuir para aproximar a formulação das políticas públicas da realidade vivida nos campi. Ele afirma que chega à secretaria com a intenção de colaborar para que problemas recorrentes nas instituições federais sejam enfrentados na escala nacional. “A Sesu é uma instância que define os rumos da política nacional de educação superior do país, então é ali que essas questões podem buscar solução em escala nacional”, disse. “Meu compromisso é ajudar a aproximar quem pensa a política em Brasília de quem a executa no dia a dia das instituições”.

Servidor da UFSC desde 2014, Michereff construiu sua trajetória na área administrativa da universidade. Além de pró-reitor de Administração de 2022 a 2026, foi chefe do Setor de Apoio Administrativo do Departamento de Compras (DCOM) entre 2015 e 2020, e coordenador de Análise e Planejamento de Compras entre 2020 e 2022.

No fórum, foi vice-coordenador da Comissão de Administração entre 2023 e 2024 e coordenador entre 2024 e 2026, participando de discussões sobre governança, compras públicas, gestão de riscos e os entraves enfrentados pelas instituições federais na implementação do Sistema Integrado de Gestão Patrimonial (SIADS). Também manteve interlocução com órgãos como a Controladoria-Geral da União (CGU), o Tribunal de Contas da União (TCU), o MEC e o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI).

Ao assumir o novo desafio, Michereff enxerga essa nomeação como uma oportunidade de seguir contribuindo com as universidades federais, agora a partir do ministério. “As universidades federais são um patrimônio público do Brasil, e é uma honra poder continuar trabalhando para fortalecê-las”, afirmou.

Rosiani Bion de Almeida | Secom
imprensa.gr@contato.ufsc.br

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