Orçamento da UFSC é apresentado ao Conselho Universitário

30/09/2026 13:01

O pró-reitor de Planejamento e Orçamento da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Vladimir Fey, apresentou ao Conselho Universitário (CUn), nesta terça-feira, 29 de setembro, um panorama do orçamento da instituição para 2026. Diante da relevância do assunto, alguns conselheiros propuseram que ele seja discutido periodicamente pelo colegiado. A comunidade pôde acompanhar a sessão pelo canal do CUn no Youtube.

Durante a apresentação, Vladimir contextualizou a elaboração do orçamento das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) e explicou conceitos e normas relacionados ao tema. Segundo ele, mesmo diante das dificuldades orçamentárias, é importante compreender como os recursos se distribuem entre as categorias de despesas. O orçamento da UFSC é composto por despesas obrigatórias, discricionárias e emendas parlamentares. A maior parcela corresponde às despesas obrigatórias, que incluem o pagamento de pessoal ativo, encargos sociais, benefícios e aposentadorias.

Dos cerca de R$ 2,3 bilhões previstos na Lei Orçamentária nº 15.346, sancionada pela Presidência da República em 14 de janeiro de 2026, a gestão da UFSC tem liberdade efetiva para decidir a aplicação de apenas R$ 175 milhões, afirmou o pró-reitor. Ele procurou desfazer uma interpretação equivocada sobre a parcela destinada a pessoal: “Há quem diga: mas é muito dinheiro para o pagamento de pessoal da Universidade. Não é! É muito comum as pessoas esquecerem que, dentro desse montante, estão também os inativos, que não estão inclusos na maior parte das organizações. O aposentado, normalmente, está no INSS. No nosso caso, o Ministério repassa o orçamento para a Universidade e ela paga os seus aposentados”, explicou. Quanto a essas despesas, a Universidade não tem “em nenhuma hipótese, condições de alterar esse montante ou rubricas”, disse.

As despesas discricionárias, por sua vez, somam cerca de R$ 233 milhões e se dividem em três partes: custeio (material de consumo, passagens, diárias e contratos de serviços), capital (obras e equipamentos) e receitas próprias. “A Universidade tem 450 mil metros quadrados de área construída e recebeu R$ 3,5 milhões para fazer qualquer benfeitoria, obra e aquisição de equipamentos. É naturalmente insuficiente. Essa não é só a nossa realidade, é sim a de todas as universidades federais”, alertou o pró-reitor.

Receitas próprias já têm destino definido

Os R$ 54 milhões previstos em receitas próprias — provenientes de aluguéis, passes do Restaurante Universitário (RU), taxas de vestibular e de projetos de pesquisa e extensão, entre outras fontes — também não podem ser livremente remanejados. Sua destinação é definida por resoluções aprovadas pelo próprio CUn.

Segundo Vladimir, toda a arrecadação com aluguéis é destinada à assistência estudantil, com exceção das locações do Centro de Eventos, cujos recursos são utilizados na reforma do próprio espaço. As taxas dos projetos de extensão são distribuídas entre departamentos, centros de ensino e pró-reitorias. Já as taxas dos projetos de pesquisa têm percentuais vinculados a diferentes tipos de bolsa.

As emendas parlamentares também costumam chegar com finalidade definida pelo parlamentar, como o apoio ao Hospital Universitário (HU), a um laboratório do campus de Curitibanos ou a reforma dos mosaicos de Rodrigo de Haro na Reitoria. “A gente não tem discricionariedade nessa execução”, resumiu.

Em 2025, a UFSC arrecadou aproximadamente R$ 47 milhões em receitas próprias. Entre as principais fontes estavam as taxas de projetos de pesquisa e extensão, os aluguéis, um projeto na área da saúde com a Secretaria de Estado, as inscrições no vestibular, os exames de proficiência, os passes do RU, as taxas de concurso, as receitas agropecuárias, os cursos extracurriculares e as Fortalezas. “Se não tivesse essa arrecadação, a gente não conseguiria atender a assistência estudantil”, destacou Fey.

Vladimir apresentou a evolução do orçamento nos últimos cinco anos para mostrar que o valor global não ficou estagnado: cresceu aproximadamente 32% no período. A parcela discricionária aumentou 43%. “Cresceu, e não foi pouco no seu montante comparado à inflação. Mas, para a Universidade ainda é insuficiente para dar conta das suas demandas”, avaliou.

O pró-reitor relatou que, em reunião com o secretário de Educação Superior (Sesu), em Brasília, na semana anterior, defendeu, ao lado do reitor Amir de Oliveira, que os recursos discricionários destinados às universidades federais — atualmente na casa dos R$ 7 bilhões — deveriam ser duplicados.

Ele lembrou, ainda, que a Universidade não recebe todo o orçamento em janeiro. A liberação ocorre periodicamente, conforme decretos do governo federal que definem o cronograma de desembolso e os limites de empenho. Neste ano, três decretos já foram editados, em fevereiro, março e maio. “Quem estabelece esse fluxo é o Ministério do Planejamento. Se a arrecadação está conforme o estimado, vai fazendo a liberação regular. Se for menor, naturalmente o limite que nós receberemos será menor.”

Principais gastos e assistência estudantil

Entre as despesas discricionárias de 2025, o maior gasto foi com vigilância, seguido por limpeza e conservação, bolsas, estágios e monitorias — estes três últimos itens somaram R$ 16 milhões —, energia elétrica, locação de imóveis, água e equipamentos. A assistência estudantil consumiu R$ 50 milhões naquele ano, distribuídos entre bolsas, auxílio-creche, moradia, demais auxílios, insumos e equipe terceirizada do RU. “E deveria ser mais. Nós deveríamos ter muito mais conforto, a moradia deveria ser muito melhor, só que nós não temos orçamento disponível”, afirmou.

Um dos pontos mais críticos da apresentação foi a evolução das despesas de exercícios anteriores: gastos realizados sem empenho prévio, por falta de orçamento, e pagos com recursos do ano seguinte. Em 2026, R$ 20 milhões do orçamento discricionário foram utilizados para quitar despesas de 2025. Segundo o pró-reitor, esse valor vem crescendo cerca de R$ 6 milhões por ano desde 2023. Ele reconheceu que situações emergenciais podem justificar exceções e estimou que um quadro semelhante ocorra em cerca de 25% das universidades federais do país. Para enfrentar o problema, a gestão solicitou ao Ministério da Educação (MEC) uma suplementação de R$ 5 milhões e assumiu o compromisso de resolver o passivo em quatro anos. A prioridade, garantiu o pró-reitor, é o pagamento das bolsas estudantis.

Mais informações na Apresentação da Proplan (PDF).

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Tags: Conselho UniversitárioOrçamentoProplanUFSCVladimir Fey

UFSC irá qualificar servidores prisionais no combate ao crime organizado

28/09/2026 16:18

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) irá liderar duas ações centrais da estratégia nacional de capacitação dos profissionais que atuam em 138 unidades prisionais consideradas estratégicas para o enfrentamento ao crime organizado. A primeira é uma pesquisa com servidores e gestores de todo o país. A segunda é um curso de formação continuada de 200 horas. As iniciativas fazem parte de uma parceria com a Secretaria Nacional de Políticas Penais (SENAPPEN), do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

O trabalho é coordenado pela Escola Nacional de Serviços Penais (ESPEN) e envolve o Laboratório de Engenharia e Gestão do Conhecimento (EGC/Engin) da UFSC. A Universidade Federal de Goiás (UFG) também participa da nova etapa como parceira.

Pesquisa vai orientar as formações

De 28 de setembro a 8 de outubro de 2026, pesquisadores da UFSC e do SENAPPEN vão fazer um levantamento com profissionais das 138 unidades. O objetivo é identificar os conhecimentos que precisam ser aprimorados e as lacunas de aprendizagem das equipes.

A pesquisa terá entrevistas com os diretores dos estabelecimentos e questionários para os servidores. Os instrumentos foram criados pela UFSC e validados por uma câmara técnica formada por policiais penais federais, dentro de um grupo de trabalho coordenado pela ESPEN.

Os resultados vão servir de base para o planejamento das próximas capacitações. Assim, os conteúdos serão definidos a partir das necessidades reais de cada unidade, e não de modelos genéricos.

Curso de 200 horas

Na mesma parceria, a UFSC prepara um curso de formação continuada de 200 horas para os profissionais das 138 unidades. Ele será apresentado na plataforma ESPEN Virtual e tratará de temas ligados ao dia a dia do sistema prisional:

  • procedimentos e rotinas prisionais;
  • escolta;
  • uso de tecnologias;
  • inteligência e contrainteligência penal;
  • gerenciamento de crises e eventos críticos;
  • sobrevivência policial;
  • formação jurídico-administrativa.

A nota curricular está sendo validada por uma câmara técnica de policiais penais federais, coordenada pela ESPEN. Depois dessa etapa, a equipe da UFSC vai produzir os materiais didáticos e as videoaulas do curso.

Como funciona a parceria

As ações são realizadas por meio de um Termo de Execução Descentralizada (TED) entre o SENAPPEN e a UFSC. O TED é um instrumento de cooperação que permite a transferência de recursos do orçamento entre órgãos e entidades da administração pública federal para executar projetos de interesse comum.

Estratégia nacional

A parceria dá continuidade às formações já oferecidas pelo SENAPPEN e faz parte da estratégia nacional de modernização das 138 unidades. Essa estratégia tem três frentes: inteligência e operações, investimento em tecnologia e qualificação dos profissionais.

Na capacitação, a meta é aproximar os conteúdos da realidade das equipes e criar referências comuns para os procedimentos. Também se busca preparar servidores e gestores para utilizar as novas tecnologias e para prevenir e gerenciar situações críticas.

Para o secretário nacional de Políticas Penais, André Garcia, a qualificação é a base das mudanças que o governo quer promover. “Investir na capacitação é valorizar os servidores e oferecer conhecimento e ferramentas para que eles possam desempenhar o melhor trabalho. Buscamos estabelecer referências comuns de segurança e atuação, sem desconsiderar as necessidades e as características de cada unidade e de cada estado”, afirma.

Segundo o secretário, “a qualificação das equipes dá sustentação às mudanças que queremos promover, porque transforma a atuação cotidiana e resultados produzidos permanentes. É assim que fortalecemos o sistema prisional e ampliamos sua capacidade de enfrentamento ao crime organizado”.

Junto com as ações de inteligência, as operações integradas e os investimentos em tecnologia, a capacitação busca qualificar o trabalho dos profissionais e ampliar a capacidade de resposta do sistema prisional. O objetivo final é fortalecer o combate às organizações criminosas.

Com informações da SENAPPEN

Tags: EGCMinistério da Justiça e Segurança PúblicaSENAPPENUFSC

Trabalhadores da Aliança por Floripa participam de atividades de aprendizagem na UFSC

28/09/2026 15:46

Trabalhadores da Aliança por Floripa que atuam na limpeza, jardinagem e zeladoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) participaram de uma atividade de aprendizagem no Laboratório de Cartografia Tátil e Escolar (Labtate). O convite partiu da professora Rosemy da Silva Nascimento, do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), após o contato com o grupo durante os trabalhos no campus. “A UFSC é pública e precisa ser um espaço que essas pessoas possam conhecer, ocupar e usufruir. Queria que fizessem contato não apenas com a estrutura física da universidade, mas também com aquilo que ela produz em conhecimento”, afirma Rosemy.

A experiência terá continuidade nesta segunda-feira, 28 de setembro, com um workshop no Labtate. Cada participante confeccionará um globo terrestre para levar para casa. A programação abordará a representação do planeta, os movimentos de rotação e tradução e as estações do ano. Ao final, o grupo receberá certificados.

A Aliança por Floripa reúne a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Florianópolis, o Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) do Centro, a Associação Empresarial de Florianópolis (Acif), poder público e sociedade civil em ações de recuperação de espaços públicos da capital. O projeto também busca oferecer trabalho e oportunidades de retomada da autonomia para pessoas em situação de vulnerabilidade.

Com informações de: https://empautasc.com.br/noticia/2893998/alianca-por-floripa-leva-zeladores-a-uma-experiencia-de-aprendizagem-dentro-da-ufsc

Tags: Aliança por FloripaCFHLabtateRosemy da Silva NascimentoUFSC

Mural de Antonieta de Barros transforma o Centro de Ciências da Educação em espaço de memória

25/09/2026 16:52

Mural artístico homenageou a professora Antonieta de Barros; inauguração foi nesta sexta-feira, 25 de setembro, na fachada do Bloco A do CED. Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

Entre acordes, versos e lembranças, o rosto de Antonieta de Barros ganhou um lugar na paisagem cotidiana da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Um mural artístico homenageou a jornalista, professora e primeira mulher negra a integrar o Parlamento catarinense, nesta sexta-feira, 25 de setembro, na fachada do Bloco A do Centro de Ciências da Educação (CED). A cerimônia reuniu música e poesia em apresentações do violinista Felipe Corbani, da cantora Elô Gonzaga e da poetisa Edenice Fraga, com referências à música popular brasileira, ao samba e à ancestralidade afro-brasileira e catarinense.

O mural – integrante do Festival Street Art Tour 2026 – foi criado pelo artista cabo-verdiano Helder Cardoso. Conhecido por retratar o cotidiano, a cultura e personagens de Cabo Verde, ele combina cores expressivas e pinceladas livres em um estilo que chama de “realismo espontâneo”. A homenagem a Antonieta aproxima-se de outros trabalhos do artista dedicados a personalidades que lutaram por uma sociedade mais justa e inclusiva.

Participaram da inauguração o reitor Amir de Oliveira, a vice-reitora Felipa Amadigi, estudantes, servidores docentes e técnicos e comunidade. Na apresentação, os professores do CED Hamilton de Godoy Wielewicki, Glaucia de Sousa Moreno e Joana Célia dos Passos – ex vice-reitora e que atualmente é secretária nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados do Ministério das Mulheres – destacaram a trajetória de Antonieta, sua contribuição para a educação e sua iniciativa para a instituição do Dia do Professor em Santa Catarina. O público também acompanhou a leitura de um texto biográfico sobre a homenageada e conheceu iniciativas do centro voltadas à preservação de sua memória.

A escolha da fachada do CED reforça a ligação da homenagem com a vida de Antonieta, que dedicou parte de sua trajetória à formação de jovens e defendeu a educação como instrumento de transformação social. Na ocasião, Hamilton reproduziu uma mensagem de áudio em que Helder Cardoso falou sobre o significado de realizar o mural na UFSC como artista negro e africano. A cerimônia terminou com uma fotografia coletiva.

Setor de Imprensa do GR | Secom
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Gustavo Diehl | Agecom | Secom

 

Tags: Antonieta de BarrosCEDUFSC

Rede Biotech integra pesquisadores e amplia atuação da UFSC em áreas estratégicas

24/09/2026 16:36

Conectar pesquisadores, laboratórios e diferentes áreas de atuação para transformar competências já existentes na Universidade em novas possibilidades de pesquisa, inovação e desenvolvimento. É esse o movimento impulsionado pela Rede Biotech, criada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2024 e credenciada pela Pró-Reitoria de Pesquisa (Propesq). Atualmente, a iniciativa reúne 48 professores de diferentes departamentos e centros de ensino, além de pós-doutorandos, estudantes, programas de pós-graduação, laboratórios e instituições parceiras, articulando conhecimentos e infraestrutura em torno de projetos nas áreas de Biodiversidade e Biotecnologia.

Para o pró-reitor de Pesquisa, Jacques Mick, essa experiência pode contribuir para a organização institucional da pesquisa em áreas estratégicas da UFSC. Ao reunir essas competências em uma estrutura institucional, torna-se mais fácil identificar os grupos, as especialidades e as modalidades de pesquisa existentes na Universidade, favorecendo a formação de equipes multidisciplinares e a elaboração de projetos que combinem conhecimentos especializados e infraestruturas específicas.

Para a professora da UFSC e superintendente de Projetos da Propesq, Gislaine Fongaro, a constituição de redes representa uma forma de regulamentar as colaborações que já estão presentes entre diferentes grupos de pesquisa da Universidade. “Transformar isso em rede é um caminho natural. Muitos já operam de forma articulada, mas não se encontram institucionalizadas”, afirma. Segundo ela, a formalização permite reunir competências complementares, compartilhar e otimizar espaços, ampliar a segurança nos laboratórios e fortalecer ações de internacionalização e de transferência de tecnologia.

Na UFSC, a criação e o funcionamento de redes de pesquisa são regidas por resoluções do Conselho Universitário (CUn), assim como grupos, laboratórios multiusuários, núcleos, institutos, cátedras e observatórios. Gislaine também acrescenta que “as redes são constituídas em torno de temas científicos de interesse comum e pressupõem uma colaboração organizada e contínua entre pesquisadores, que vai além de uma parceria pontual ou de um projeto específico”. Nesse contexto, a Rede Biotech também está registrada no Sistema Integrado de Gerenciamento de Projetos de Pesquisa e de Extensão (SIGPEX), que reúne todas as informações sobre pesquisadores, estudantes, colaboradores externos e atividades desenvolvidas.

Laboratórios e programas de pós-graduação envolvidos na Rede

Eixos de atuação

A diversidade de competências da Rede Biotech se reflete nas diferentes frentes de investigação desenvolvidas por seus integrantes. Em artigo publicado na revista acadêmica internacional Trends in Biotechnology, a iniciativa é apresentada a partir dos seguintes eixos: transição ecológica, engenharia de bioprocessos, biotecnologia de precisão, saúde (One Health) e transição energética. A publicação também destaca a engenharia de bioprodutos, área dedicada ao desenvolvimento de moléculas, materiais e processos com potencial de aplicação industrial.

Na transição ecológica, os estudos abrangem biotecnologia vegetal e de algas, tratamento de efluentes, monitoramento ambiental e identificação de poluentes emergentes. Entre as pesquisas estão trabalhos de sequenciamento e caracterização de genomas de espécies vegetais, cultivo de microalgas e macroalgas e desenvolvimento de processos e produtos a partir de sua biomassa. As investigações buscam ampliar o conhecimento sobre recursos biológicos e, ao mesmo tempo, desenvolver alternativas para seu aproveitamento sustentável e para a redução de impactos ambientais.

A transição energética concentra pesquisas voltadas à produção de combustíveis renováveis e ao aproveitamento de diferentes tipos de biomassa, além de iniciativas relacionadas à recuperação ambiental. Um dos projetos destacados no artigo é o “Cannabiofuel”, desenvolvido em colaboração com a Polícia Federal, que investiga a conversão, por meio de pirólise, de biomassa de cannabis apreendida em biocombustíveis. A proposta é dar uma destinação alternativa a um material que seria incinerado, transformando-o em produtos como bioóleo, biogás, biocarvão e vinagre pirolítico. A pesquisa avalia o potencial desses materiais e seus possíveis usos em processos energéticos, associando a investigação científica ao aproveitamento de resíduos e à busca por novas fontes de energia.

Na engenharia de bioprocessos, as equipes estudam formas de tornar mais eficientes sistemas de produção baseados em processos fermentativos e enzimáticos. Um dos desafios é fazer com que tecnologias desenvolvidas em laboratório possam ser ampliadas para aplicações industriais, mantendo eficiência, viabilidade econômica e segurança. Os estudos envolvem o uso de consórcios microbianos, o controle de biofilmes e análises técnico-econômicas e de ciclo de vida dos processos.

Já a engenharia de bioprodutos concentra pesquisas voltadas à obtenção e ao aprimoramento de produtos de interesse científico e industrial. Entre os trabalhos estão estudos com bioaromas, biossurfactantes, pigmentos e outras moléculas bioativas, além do desenvolvimento de processos enzimáticos destinados à indústria têxtil. A área também envolve tecnologias de separação e purificação e pesquisas relacionadas à produção de estruturas de suporte para carne cultivada, campo que demanda conhecimentos de diferentes áreas da biotecnologia e da engenharia.

A biotecnologia de precisão reúne ferramentas de biologia molecular, bioinformática e abordagens ômicas para investigar sistemas biológicos em diferentes níveis de complexidade. Entre as aplicações estão a identificação de biomarcadores associados a doenças infecciosas e ao câncer, o desenvolvimento de estratégias vacinais e pesquisas de cultivo in vitro e micropropagação de espécies vegetais.

No eixo de saúde, a perspectiva de One Health amplia o olhar sobre as relações entre saúde humana, animal e ambiental. Nesse contexto, os pesquisadores desenvolvem estudos sobre doenças negligenciadas, como a de Chagas e leishmaniose, além de pesquisas relacionadas a doenças neurodegenerativas, terapias regenerativas e biomateriais. Também fazem parte desse conjunto investigações sobre o potencial terapêutico de canabinoides, especialmente em estudos relacionados à neuroproteção e à medicina regenerativa.

Pesquisa e inovação

A aproximação entre produção científica e inovação é outra dimensão da atuação da Rede Biotech. As pesquisas desenvolvidas pelos grupos participantes abrangem possibilidades de aplicação em setores como saúde, agricultura, indústria, meio ambiente e produção de energia. Entre os exemplos, uma pesquisa que prevê a proteção intelectual de uma pomada à base de canabidiol (CBD) destinada ao uso veterinário.

O processo de transformar resultados obtidos nos laboratórios em tecnologias, produtos ou processos aplicáveis em diferentes setores pode abrir novas possibilidades de cooperação entre a Universidade e o setor produtivo. A transferência de tecnologia também pode contribuir para ampliar a escala de soluções desenvolvidas em ambiente acadêmico e aproximar a pesquisa de demandas identificadas fora da Universidade. “A vantagem é de imagem, de receita própria e de uma agenda de cooperação entre a nossa pesquisa avançada e a indústria”, explica Mick.

A busca por financiamento permanece vinculada aos próprios pesquisadores e grupos que integram a Rede, que desenvolvem suas iniciativas e procuram fontes de recursos de acordo com as características de cada pesquisa. A estrutura institucional funciona como espaço de articulação dessas competências e também prevê a organização de um portfólio de pesquisas, a prestação de serviços, a oferta de cursos, a realização de workshops e encontros científicos e ações de divulgação científica.

Cooperação e novas oportunidades

A articulação com instituições externas amplia o alcance das pesquisas desenvolvidas pela Rede Biotech. Atualmente, a iniciativa mantém cooperações com instituições como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) e a Associação da Rede de Biotecnologia da Região Sul (SulBiotec). A rede também busca ampliar essa parceria no Brasil e no exterior.

A experiência acumulada pelos pesquisadores também contribuiu para a criação do Instituto Nacional de Biofábricas (INCT-Biofábricas). Coordenado por Débora de Oliveira, o instituto deverá contribuir para ampliar a escala de processos e produtos inicialmente desenvolvidos em ambiente laboratorial. A proposta foi aprovada com financiamento público do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

As atividades da rede dialogam ainda com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, especialmente em temas relacionados à saúde, segurança alimentar, preservação ambiental, inovação e desenvolvimento econômico sustentável. A relação com esses objetivos aparece nas diferentes frentes de investigação, que envolvem desde a conservação e o uso sustentável de recursos biológicos até a criação de processos industriais, produtos para a área da saúde e alternativas para a produção de energia.

Com informações do site redebiotech.ufsc.br e de artigo publicado na revista Trends in Biotechnology, que se encontra disponível para leitura nesta página.

Setor de Imprensa do GR | Secom
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Tags: CCACCBCCSCTCRede BiotechUFSC