Audiência sobre RU da UFSC evidencia prioridades e cria comissão de acompanhamento de reforma

30/04/2026 17:59

Audiência pública sobre o Restaurante Universitário reuniu trabalhadores terceirizados, estudantes e servidores da UFSC. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom

A Pró-Reitoria de Permanência e Assuntos Estudantis da Universidade Federal de Santa Catarina (PRAE/UFSC) realizou, na tarde desta quinta-feira, 30 de abril, uma audiência pública sobre o Restaurante Universitário (RU), na sala Aroeira do Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, no campus Trindade. O encontro reuniu trabalhadores terceirizados do RU, estudantes e servidores. Ao abrir o debate, a pró-reitora Simone Sobral Sampaio enfatizou que “o RU é a principal política de permanência estudantil dessa universidade” e que “não há auxílio pecuniário que concorra com um prato na mesa”, salientando que a centralidade do RU vai além do custo direto e alcança o cotidiano acadêmico. “Falo do tempo, do deslocamento, de ter que ir para casa, preparar comida, e voltar para outra atividade”, explicou, em referência ao impacto do restaurante na rotina discente.

Conduzida por Simone e pelo prefeito universitário, Matheus Lima Alcantara, a audiência apresentou um panorama do serviço: volume diário de refeições, público atendido, manutenções executadas, problemas de infraestrutura e os recursos disponíveis para reformas urgentes diante do orçamento atual das universidades públicas. Segundo a pró-reitora, a UFSC ampliou o contrato de operação do RU na transição para a atual empresa, o que resultou no aumento do número de postos de trabalho entre cozinheiros, auxiliares e demais funções. Ela elencou intervenções recentes “sobretudo no campo elétrico e também no campo da estrutura”, como o fechamento das cargas elétricas, a instalação de ventiladores, a instalação de dispositivo DR na lavanderia, a troca de lâmpadas, a manutenção preventiva e a inspeção elétrica, o aterramento de equipamentos e adequações na área dos fornos, além da adequação dos circuitos das caldeiras. No âmbito operacional, citou o hidrojateamento das tubulações para limpeza de canos, a manutenção de torneiras externas, a instalação de telas milimetradas, a pintura e a desinsetização. A modernização do parque de equipamentos está em curso, com a chegada de novas caldeiras de fluido térmico de 500 litros cada — medida que, segundo ela, “dá mais conforto térmico para a produção e também mais segurança aos trabalhadores” — e a troca de coifas, entre outros itens que devem elevar a produtividade.

Simone destacou que a UFSC já encaminhou, por meio de pregão eletrônico, um contrato para serviços de manutenção de telhados, coberturas e impermeabilizações — um passivo que atinge o RU e outras áreas da universidade. Há previsão orçamentária de R$ 3,7 milhões para diversas reformas de telhados na instituição, valor que, frisou, não se limita ao restaurante. Em paralelo, uma nova licitação tratará de uma reforma mais ampla do RU, distinta das manutenções correntes e com maior complexidade técnica e exigências legais. “Teremos a reforma do sistema de climatização, da subestação do RU e da segurança elétrica, além da drenagem, de um espaço para pessoas neurodivergentes e de reparos em infiltrações e na estrutura metálica”, detalhou. O pacote está estimado em R$ 4,5 milhões, recursos que, segundo a pró-reitora, virão por meio do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.

A etapa de perguntas expôs preocupações com a segurança de trabalhadores e usuários, sobretudo após a queda de parte do forro em área interna do RU no último dia 26 de abril, por volta das 17h, atribuída a infiltrações decorrentes das chuvas — episódio que levou à suspensão do trabalho quando as equipes se preparavam para o jantar. Nessa ocasião, as equipes da Prefeitura Universitária atuaram no local com manutenções emergenciais. Ao tratar do contexto orçamentário, Simone explicou que  é “mais grave ainda: não é somente a UFSC; estamos falando de todas as universidades públicas”. Ela lembrou que a universidade reúne mais de 50 mil pessoas — “maior que alguns municípios do estado” — e afirmou que a verba de capital enviada neste ano, de R$ 3,7 milhões, não é suficiente diante do tamanho da demanda. “Esse é o total de verba de capital para o ano inteiro. No caso do telhado, o único jeito é a reforma, e estamos tocando esse processo há algum tempo”, disse.

Houve ainda questionamentos sobre a troca de gestão na UFSC e os impactos no RU. A pró-reitora salientou que a transição, cujo início está marcado para 4 de julho, será acompanhada de um informe detalhado à nova equipe sobre os problemas existentes e os processos em curso, a fim de garantir continuidade administrativa e técnica. “Para nós, é muito importante que esses processos aconteçam o quanto antes, para assegurar que o recurso previsto seja, de fato, aplicado nas reformas de que precisamos, para que o RU atenda à sua finalidade”, afirmou. Em resposta às cobranças por celeridade na solução do telhado — um problema apontado como antigo e, segundo relatos, tratado com sucessivos paliativos — Simone e Matheus anunciaram as datas e prazos: o pregão para a reforma do telhado será realizado em 14 de maio de 2026; o início da obra está previsto para junho; e a conclusão, em até quatro semanas, com trabalho setorizado, de modo a liberar áreas gradualmente e manter o funcionamento do restaurante sem interrupções.

Como encaminhamento prático, e atendendo a uma demanda especialmente dos estudantes, a audiência decidiu pela criação de uma comissão para acompanhar o contrato do telhado, com representação dos setores envolvidos — Restaurante Universitário e Prefeitura Universitária — e dos alunos.

Sobre o RU

O RU é uma unidade suplementar da UFSC, vinculado à PRAE, tendo como atividade principal o fornecimento de refeições aos alunos da UFSC. Ele favorece a manutenção da saúde de seus usuários por meio do fornecimento de uma alimentação balanceada e diversificada, produzida dentro de um padrão de controle qualidade, preocupando-se com a heterogeneidade de hábitos alimentares presentes em nosso estado. Contribui também na promoção da qualidade de ensino, pesquisa e extensão, através da abertura de campos de estágio para as mais diversas disciplinas.

Os estudantes com cadastro socioeconômico aprovado pelo Departamento de Permanência Estudantil podem requerer isenção de alimentação no Restaurante Universitário.

O cardápio é planejado e elaborado semanalmente, atentando para o custo, o correto armazenamento e a recepção dos gêneros utilizados para confecção dos mesmos. Os fornecedores são previamente selecionados, visando a garantia da qualidade dos gêneros utilizados.

Mais informações na página ru.ufsc.br.

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

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Memorial em homenagem à estudante Catarina Kasten é inaugurado na UFSC

30/04/2026 17:54

Cerca de 200 pessoas, entre colegas, amigos, familiares e servidores da UFSC participaram da inauguração do memorial em homenagem a Catarina Kasten (Fotos: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC)

A inauguração do Memorial Catarina Kasten reuniu aproximadamente 200 pessoas, em frente ao Centro de Comunicação e Expressão (CCE) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O ato é uma homenagem à estudante do Programa de Pós-Graduação em Inglês: Estudos Linguísticos e Literários (PPGI), que foi assassinada no dia 21 de novembro de 2025, na trilha da praia do Matadeiro, na região Sul de Florianópolis. 

A homenagem foi realizada nesta quinta-feira, 30 de abril, às 15h, e reuniu estudantes, professores e diretores de Centros de Ensino, além de pró-reitores e familiares. Presente ao ato, o reitor Irineu Manoel de Souza falou sobre as iniciativas da Universidade no combate à violência contra a mulher. A vice-reitora eleita, Felipa Amadigi, também esteve presente na homenagem.

A coordenadora do PPGI e amiga de Catarina, Alinne Balduino Pires Fernandes, falou sobre a importância da instalação do memorial. “Este memorial, formado por esta placa, este jardim e este banco são para lembrar de uma pessoa tão generosa para nossa Instituição”. Ela se referia a um banco vermelho instalado próximo ao jardim, que é símbolo da luta contra todo e qualquer tipo de violência sofrida por mulheres.

O ambiente, marcado pela comoção, especialmente por parte de amigas e colegas de Catarina, teve espaço para manifestações. Estudantes, representantes do movimento Olga Benário, estiveram presentes e seguravam uma faixa com os dizeres “Estudantes da UFSC contra a violência”.

Pessoas próximas à Catarina ficaram emocionadas durante homenagem

No mesmo ato, foram plantadas novas mudas de flores no jardim dedicado à estudante, localizado em frente à cantina do CCE. Também houve o replantio de uma muda de manacá da serra, árvore nativa da Mata Atlântica que produz flores grandes de coloração branca e rosa. A primeira muda, plantada no final de novembro de 2025, não vingou.

No local, foi afixada uma placa com imagens de tatuagens que Catarina tinha, além da frase “Quando escolhemos amar, escolhemos nos mover contra o medo”, de Bell Hooks, citada por Alinne como uma das frases preferidas de Catarina.

O Centro de Comunicação e Expressão está preparando uma sala de estudos que receberá o nome de Catarina Kasten, também como forma de homenagear a estudante da UFSC.

João Hasse | agecom@contato.ufsc.br
Estagiário da Agecom | UFSC

Tags: Catarina KastenCCEmemorialPPGIUFSC

Conselho Universitário aprova listas tríplices; colegiado elege Amir e Felipa à Reitoria da UFSC

29/04/2026 17:48

Sessão especial do Conselho Universitário define listas tríplices para a Reitoria da UFSC. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom

A sessão especial do Conselho Universitário (CUn/UFSC) destinada à composição das listas tríplices realizou-se na tarde desta quarta-feira, 29 de abril. Os(as) conselheiros(as) votaram, em escrutínio secreto, por meio de cédulas, em cabine de votação. Inscreveram-se para Reitor(a) os(as) professores(as) Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior, Juarez Vieira do Nascimento e Maria Luiza Bazzo; e, para Vice-Reitor(a), os(as) professores(as) Felipa Rafaela Amadigi, Edson Roberto de Pieri e Francine Lima Gelbcke. A comunidade interna e externa pôde acompanhar a reunião pelo canal do CUn no YouTube.

Dois integrantes da Comissão Especial criada pela Resolução nº 005/2026/CUn, de 7 de abril de 2026, Guilherme Rizzatti e Michel Angillo Saad, juntaram-se à mesa da sessão para condução do processo. Nas duas etapas da votação, os(as) conselheiros(as) eram chamados(as) a depositar seu voto na urna, indicando um único nome para cada cargo.

Votação no Conselho Universitário confirmou os docentes Amir e Felipa para a Reitoria da UFSC

O resultado do Conselho Universitário confirmou os docentes Amir e Felipa para a Reitoria da UFSC, em consonância com a consulta informal, registrando 42 votos (de um total de 52) e 40 votos (de um total de 46), respectivamente.

Convidado a falar, o professor Amir destacou o fortalecimento da universidade pública nesses momentos. “No uso da nossa autonomia, nós definimos o futuro, definimos o nosso destino”, afirmou. Ele agradeceu à comunidade universitária pelo engajamento “muito ativo, muito envolvente” na consulta; às instâncias que organizaram e supervisionaram o processo eleitoral; e, nominalmente, ao reitor Irineu Manoel de Souza, que “conduziu a nossa sessão hoje” e ajudou a dar “fechamento ao processo”. Para Amir, a deliberação do CUn confirma “uma forma muito própria da nossa universidade, muito efetiva, de definirmos os nossos rumos”. Em tom de transição, disse ser hora de “interromper aquele ciclo de ‘41, 52, 63’”, tornando essa etapa “parte do passado” e voltando “os olhos para o futuro”. “A UFSC não é apenas um conjunto de prédios ou de resultados, papéis etc; a UFSC são as pessoas que a escolheram para fazer suas vidas”, afirmou, conclamando a comunidade a “olhar para frente” e “construirmos juntos a nossa universidade”.

Em seguida, a professora Felipa saudou o plenário e agradeceu ao reitor Irineu pela condução da sessão. Para ela, o encontro reafirmou “o processo democrático aqui na nossa universidade”. Em mensagem concisa, agradeceu “a cada um dos conselheiros que aqui votaram” e aos representantes da comunidade que se manifestaram no primeiro e no segundo turnos. Felipa enfatizou a ideia de pertencimento e cooperação. Encerrado “esse momento de eleição”, disse, inicia-se “o passo seguinte”, orientado pela compreensão de que “a nossa universidade é maior que grupos” e pelo convite — feito por Amir e por ela — para que todas e todos participem “da construção da UFSC que a gente deseja” nos próximos anos.

Os três nomes mais votados em cada disputa comporão as listas tríplices que serão encaminhadas ao Ministério da Educação (MEC) assim que a ata da sessão especial estiver assinada pelos conselheiros, para que a Presidência da República nomeie o(a) novo(a) reitor(a) para mandato de quatro anos.

Leia mais

Desde 1983, a UFSC realiza consulta informal e paritária à comunidade universitária, na qual os votos válidos são ponderados em igual proporção entre docentes, técnicos-administrativos e estudantes (um terço para cada segmento).

A Lei nº 15.367, de 2026, sancionada em março, põe fim ao modelo de lista tríplice e determina que o Executivo Federal nomeie, para as reitorias das universidades, o candidato mais votado na consulta à comunidade universitária. A mesma lei revoga a regra anterior que atribuía peso de 70% ao voto docente.

Assista à sessão na íntegra:

 

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Gustavo Diehl/Agecom

 

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Um clássico para entender o mundo: Editora da UFSC lança ‘Imperialismo: um estudo’

27/04/2026 16:02

“Imperialismo: um estudo” foi lançado pela Editora da UFSC no dia 24 de abril de 2026, na Igrejinha da UFSC. Fotos: Felipe Maciel Martínez

A Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC) lançou, na noite de 24 de abril, a primeira tradução para o português de Imperialismo: um estudo, do economista britânico John Atkinson Hobson. A sessão, realizada na Igrejinha da UFSC, foi aberta pelo diretor da editora, Nildo Ouriques, e reuniu representantes de diferentes legendas e movimentos: Afrânio Boppre (PSOL), Carlos Eduardo de Souza (PT), a presidente da Unidade Popular pelo Socialismo (UP) de Santa Catarina, Julia Andrade, o membro da Juventude Socialista do PDT (JSPDT), Luis Otávio Feltrin, além dos músicos convidados Vitor Vieira e Felipe Ferro.

Publicado em 1902, o livro tornou-se referência central em inglês sobre o tema. Hobson articula economia política, disputa colonial e ideologias de legitimação — da retórica “civilizatória” ao racismo científico — para explicar o imperialismo moderno. A edição da EdUFSC atualiza o debate e recoloca, no país, uma discussão que integra economia, política e ideologia. Para leitores de desenvolvimento, relações internacionais e história econômica, o lançamento oferece raro fôlego analítico e uma ponte entre o início do século XX e as tensões do presente.

Na abertura do evento, Ouriques classificou a obra como “extraordinária”, destacando a “ótima aceitação em escala nacional” e o lançamento como marco de uma nova linha editorial da EdUFSC em 46 anos. Segundo ele, o título já figura entre os mais vendidos da casa, ao lado de publicações críticas lançadas na atual gestão da universidade. O gestor Lembrou ainda que este é o segundo livro de Hobson em português — o primeiro, dos anos 1980, influenciou pesquisas “sobretudo na Unicamp” — e observou que “o estudo sobre o imperialismo é substancialmente mais importante e melhor”. Ao evocar Vladimir Ilitch Lênin, afirmou que “O imperialismo, fase superior do capitalismo” reconhece Hobson como principal referência em inglês e comparou: diferente do “panfleto popular” de Lênin, a obra agora lançada oferece análise densa, igualmente orientada à práxis.

Na sequência, Júlia Andrade, presidente da UP, afirmou estar “muito feliz de ver a casa tão cheia para debater imperialismo”, tema que considera crucial “em tempos de guerra”. Militante marxista-leninista, sublinhou a influência de Hobson sobre Lênin, especialmente na definição do imperialismo pela “exportação de capitais” e pelo “predomínio do capital financeiro”, somados à disputa por colônias e a um “Estado rentista e parasitário, capaz de subornar dirigentes operários”. Recordou as polêmicas na Segunda Internacional e ressaltou que Hobson “não é marxista”, aproximando-se do social-liberalismo; por isso, não reduz o imperialismo a uma política, ao passo que Lênin critica como ilusória a saída pela democracia liberal ou pelo retorno à livre concorrência.

Para Júlia, as contradições do imperialismo “se intensificam” na rivalidade entre Estados Unidos e China, no rearmamento europeu e em guerras que “começam e não terminam”, citando Ucrânia e Palestina, além de tensões no Oriente Médio, intervenções na América Latina e o bloqueio a Cuba. Esse cenário, pontuou, afeta diretamente o Brasil pela cobiça internacional por petróleo, alimentos, minérios e terras raras. Na sua avaliação, “a única força capaz de impedir a guerra é a classe trabalhadora”, transformando a guerra imperialista em revolução socialista. Encerrando, citou José Martí — “trocar de dono não significa ser livre” — e defendeu organizar-se “sem abaixar a cabeça para nenhum império”.

Luis Otávio Feltrin, representante da Juventude Socialista do Partido Democrático Trabalhista (JSPDT), elogiou a iniciativa — “antes tarde do que mais tarde” — e retomou uma distinção central do livro entre colonialismo, nacionalismo e imperialismo. Segundo ele, o colonialismo pode ser “um transbordamento da nacionalidade”, enquanto o imperialismo é “pura exploração, sem assimilação”. Recorreu a John Stuart Mill para definir o nacionalismo pela “identidade de antecedentes políticos e a comunhão de lembranças”, com o alerta de que, capturado por elites, degrada-se em colonialismo espúrio ou imperialismo. Aproximou o debate das categorias de Darcy Ribeiro — “povos transplantados, povos novos e deculturação” —, argumentando que o brasileiro aprofunda, décadas depois, questões já enunciadas por Hobson no processo civilizatório.

Ao tratar das causas econômicas, Feltrin afirmou ter “revisto convicções”: o imperialismo não dependeria da vontade pessoal do governante, mas da “necessidade das elites de investir excedentes no exterior”, tendência reforçada pela concentração de controle e propriedade. Classificou como “ilusão” a crença de que reformas sociais e melhor distribuição de renda, dentro do capitalismo, bastariam para estancar o fenômeno. Criticou a “hipocrisia liberal” do protecionismo quando interessa “proteger negócios privados” e a retórica de “levar democracia” a países com petróleo ou terras raras. Lembrou o “capítulo horroroso” das supostas “defesas científicas” do imperialismo, que invocavam superioridades biológicas para legitimar a dominação. Concluiu que a lição central é política e estrutural: “não basta vencer uma eleição”; enquanto persistirem relações que concentram capital e empurram investimentos para fora, o imperialismo continuará sendo necessidade das elites — não simples escolha de governo.

O político Afrânio Boppre insistiu na importância de “situar o autor no seu tempo”: em 1902, antes da Revolução Russa, Hobson “entende o presente, olha 60 anos para trás e projeta adiante”, chegando a antecipar “o declínio britânico e a ascensão dos Estados Unidos”. Rejeitou a leitura de que falte luta de classes no livro e citou a síntese de Hobson segundo a qual “o imperialismo implica o uso da maquinaria governamental para fins privados, principalmente capitalistas, a fim de assegurar ganhos fora do país” — menos “desovar mercadorias”, mais “expandir capital”. Enfatizou o núcleo da crítica ao racismo — “como o imperialismo subjuga povos originários para reproduzir o capital” — e, olhando para o presente, criticou “estadocratas e a estatolatria”, lembrando o papel do Estado na recomposição do sistema em 1929 e 2008. Sem ver “condições para grandes rupturas”, defendeu “acumular forças no longo prazo, por dentro das contradições, com expansão das lutas populares”.

Encerrando o debate, o historiador Carlos Eduardo de Souza afirmou que “oligopólios nacionais acabaram maiores que o próprio Estado — sequestram a democracia, a política e as decisões”. Para ele, Hobson faz a pergunta essencial — “por que expandem?” — e responde ao “desmistificar patriotismos exaltados e superioridades raciais”. Após viajar à África do Sul, o autor relata como “o Império manipula imprensa e parlamento para arrastar a nação à guerra contra as repúblicas bôeres e controlar minas de ouro”: “na superfície havia choque de nacionalidades; no fundo, ouro”. No plano econômico, Carlos Eduardo destacou a tese do subconsumo: se trabalhadores ingleses recebessem melhor, consumiriam mais no próprio país e reduzir-se-ia a pressão por expansão externa. O retorno imperial, disse, foi “pífio” frente aos custos de exércitos e da proteção a investidores, mesmo após a Europa ocupar porções extensas da África, Ásia e Oceania. Embora reformista e fabiano, Hobson teria sido “revolucionário ao desvendar o motor econômico do imperialismo” e ao denunciar o darwinismo social difundido por jornais, igrejas e escolas.

Ao final das contribuições, o público pôde participar do debate, com perguntas aos convidados.

Mais informações: editora.ufsc.br

Vendas no site da livraria virtual ou pelo e-mail: vendas.editora@contato.ufsc.br

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Felipe Maciel Martínez

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Lançamento da Cuidoteca na UFSC: política intersetorial que fortalece o direito ao cuidado

27/04/2026 13:46

Projeto Cuidoteca foi lançado no dia 24 de abril, na UFSC, com a presença de representantes do MDS. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom

A Cuidoteca, novo espaço da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para cuidado de filhos de estudantes, servidores e terceirizados, foi lançada nesta sexta-feira, 24 de abril, na Sala dos Conselhos, com a presença de representantes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). A iniciativa, desenvolvida em parceria com o órgão, integra a Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024). As inscrições para o projeto seguem abertas até o dia 3 de maio de 2026.

O projeto extensionista é destinado a crianças de 4 a 10 anos, com ou sem deficiência. O serviço funcionará no período noturno, com atividades no Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI) da UFSC, que disponibilizará duas salas para atividades, cozinha para preparo de refeições e áreas externas e comuns. A proposta inclui práticas lúdicas e acessíveis, rodas de conversa com as famílias e oferta de alimentação saudável.

Na abertura do evento, foi evidenciado que a política reafirma a universidade como espaço de transformação social, sensível às desigualdades que impactam especialmente as mulheres. Ao inaugurar a Cuidoteca, a UFSC fortalece a política de assistência estudantil e amplia a rede de apoio à comunidade universitária, em alinhamento com as diretrizes nacionais de inclusão e justiça social. “Celebra-se hoje não apenas a abertura de um espaço, mas a concretização de uma parceria institucional que une universidade e governo federal em torno de um propósito maior: garantir que o cuidado seja política pública, direito assegurado e instrumento de permanência e pertencimento”.

Na mesa de abertura, o reitor da UFSC, Irineu Manuel de Souza; a diretora da Secretaria Nacional da Política de Cuidados, Maria Carolina Alves; a pró-reitora de Permanência e Assuntos Estudantis (PRAE), Simone Sobral Sampaio; a coordenadora geral da Cuidoteca, Josiana Piccolli; e a representante do Coletivo MãEstudantes, Chaiane Guterres da Silva

Participaram da mesa de lançamento o reitor da UFSC, Irineu Manuel de Souza; a diretora da Secretaria Nacional da Política de Cuidados, Maria Carolina Alves; a pró-reitora de Permanência e Assuntos Estudantis (PRAE), Simone Sobral Sampaio; a coordenadora geral da Cuidoteca, Josiana Piccolli; e a representante do Coletivo MãEstudantes, Chaiane Guterres da Silva.

A diretora Maria Carolina Alves afirmou que a iniciativa é uma das ações centrais da política nacional prevista em lei. Segundo ela, o objetivo é “garantir acolhida e cuidado para as crianças nos períodos que excedem a jornada escolar, especialmente à noite, em um lugar seguro, acessível e com qualidade, enquanto mães, pais e responsáveis trabalham, estudam ou fazem qualificação profissional”.

Diretora da Secretaria Nacional da Política de Cuidados, Maria Carolina Alves

Maria Carolina também destacou que a Cuidoteca materializa o direito ao cuidado por meio de ações do governo federal e será implementada em parceria com universidades. “A UFSC foi uma das primeiras com quem conversamos e estamos muito felizes de estar aqui concretizando o projeto e fazendo o lançamento”, disse.

A coordenadora Josiana Piccolli salientou que recebe o projeto “com muita alegria e com profundo senso de responsabilidade”. A professora mencionou que a iniciativa “não nasce no NDI nem na UFSC”, mas é fruto da Política Nacional de Cuidados, que reconhece o cuidado como direito e condição para acesso, permanência e participação plena na vida universitária, “especialmente das mulheres”. Segundo ela, o NDI soma-se a esse movimento ao ceder infraestrutura e, sobretudo, a experiência acumulada em 45 anos de trabalho em ensino, pesquisa e extensão voltados à infância.

Josiana ainda ressaltou que a Cuidoteca não se configura como oferta de educação infantil, “até porque envolve atendimento em período noturno”, e sim como política intersetorial que amplia o olhar sobre o cuidado como responsabilidade compartilhada entre Estado e sociedade. “A Cuidoteca nos ajuda a reconhecer que garantir espaços para as crianças é também garantir condições mais justas de permanência para suas famílias”, afirmou, agradecendo à Reitoria, ao MDS e à PRAE pela viabilização do projeto. “Que a Cuidoteca seja um espaço vivo, coletivo e comprometido com o cuidado e com as infâncias, na construção de uma universidade mais justa, inclusiva e democrática”, finalizou.

Assinatura simbólica do projeto entre UFSC e MDS

A representante do Coletivo MãEstudantes, Chaiane Guterres da Silva, afirmou que o momento é resultado de anos de mobilização. “Só chegamos até aqui porque, muitas vezes, abrimos mão de nos formar no tempo esperado e de estar com nossos filhos para construir políticas públicas”. Ela citou marcos recentes que, segundo ela, impulsionaram a pauta materna nas universidades — como iniciativas legais sobre mães na ciência, licenças e exercício domiciliar — e destacou a criação de grupos de trabalho que “saíram do ventre da UFSC”, em diálogo com parlamentares e ganharam o país. Esse percurso, disse, culminou na Política Institucional de Permanência para Mães Estudantes da UFSC, “com avanços significativos, como o auxílio materno de R$ 300 e o auxílio‑natalidade”.

A líder do coletivo reforçou que a Cuidoteca nasce da necessidade concreta de mães e responsáveis que compõem a comunidade acadêmica. “A universidade tem mães, pais e responsáveis, e seus filhos fazem parte deste espaço”, Em relato pessoal, contou ter se tornado mãe estudante aos 16 anos e atravessado toda a trajetória acadêmica nessa condição: “A universidade pode romper correntes; o cuidado transforma vidas.” Ao final, agradeceu aos responsáveis pela viabilização do projeto e saudou “todas as mulheres, mães e responsáveis que sonharam e construíram essas políticas — e que, muitas vezes, se formaram antes de ver esse sonho concretizado”.

A Cuidoteca é mais do que um espaço físico, constitui-se um território de acolhida e cuidado. O funcionamento à noite permitirá que mães, pais e responsáveis se dediquem às suas atividades acadêmicas e profissionais com maior tranquilidade, encerrou.

Ao final, foi feita a assinatura simbólica do projeto entre UFSC e MDS.

Para candidatas(os) que possuam IdUFSC (como estudantes e servidores), a inscrição deverá ser realizada neste link. Para pessoas que não possuam IdUFSC (contratados e terceirizados), a inscrição deverá ser realizada por meio deste link.

Confira o edital completo.

Mais informações: cuidoteca.paginas.ufsc.br

 

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Gustavo Diehl/Agecom

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