Nota da Andifes sobre cortes no orçamento para universidades federais

23/12/2025 08:47

Nota da Andifes sobre os cortes no orçamento aprovado pelo Congresso Nacional para as Universidades Federais

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) manifesta profunda preocupação com os cortes promovidos pelo Congresso Nacional no orçamento das Universidades Federais durante a tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026.

De acordo com análise preliminar realizada pela Andifes, o orçamento originalmente previsto no PLOA 2026 para as 69 universidades federais sofreu um corte total de R$ 488 milhões, o que representa uma redução de 7,05% nos recursos discricionários das instituições. Esses cortes incidiram de forma desigual entre as universidades e atingiram todas as ações orçamentárias essenciais ao funcionamento da rede federal de ensino superior.

A situação é ainda mais grave no que se refere à assistência estudantil, área estratégica para a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Apenas nessa ação, o corte alcançou aproximadamente R$ 100 milhões, o equivalente a uma redução de 7,3%, comprometendo diretamente a implementação da nova Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), instituída pela Lei nº 14.914/2024, e colocando em risco avanços recentes na democratização do acesso e da permanência no ensino superior público.

Os cortes aprovados agravaram um quadro já crítico. Caso não haja recomposição, o orçamento das Universidades Federais em 2026 ficará nominalmente inferior ao orçamento executado em 2025, desconsiderando os impactos inflacionários e os reajustes obrigatórios de contratos, especialmente aqueles relacionados à mão de obra. O quadro se torna ainda mais preocupante diante de cortes semelhantes ocorridos nos orçamentos da Capes e do CNPq.

Estamos, portanto, em um cenário de comprometimento do pleno desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão nas Universidades Federais, de ameaça à sustentabilidade administrativa dessas instituições e à permanência dos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A restrição orçamentária também impõe entraves à continuidade do desenvolvimento científico e, portanto, à soberania nacional.

A Andifes reconhece e valoriza o diálogo mantido com o Ministério da Educação, que tem demonstrado sensibilidade em relação à gravidade do cenário orçamentário. No entanto, reafirma que os cortes aprovados pelo Congresso Nacional exigem ações imediatas de recomposição, sob pena de comprometer o funcionamento regular das Universidades Federais e limitar o papel estratégico dessas instituições no desenvolvimento científico, social e econômico do país.

A Andifes seguirá de forma firme e articulada junto ao Governo Federal e ao Congresso Nacional em defesa da recomposição do orçamento das Universidades Federais e da pesquisa científica nacional, da valorização da educação superior pública e do cumprimento do compromisso constitucional do Estado brasileiro com a ciência, a educação e a redução das desigualdades sociais e regionais.

Brasília, 22 de dezembro de 2025.

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Legado da UFSC para Santa Catarina: Educação, Ciência e Transformação Social

22/12/2025 12:19

A Associação dos Jornais do Interior de Santa Catarina (Adjori/SC) lançou mais uma edição de sua tradicional publicação anual, que em 2025 teve como tema “A força do Ensino Superior em SC”. Reunindo dados, análises e relatos de boas práticas, a revista apresentou um retrato abrangente do impacto da educação superior no desenvolvimento catarinense, com foco na oferta de cursos, número de matrículas, histórico das instituições e seus diferenciais. A nova edição contou com um artigo de opinião do reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, intitulado “Legado da UFSC para Santa Catarina: Educação, Ciência e Transformação Social”.

Com mais de uma centena de veículos associados, entre impressos e digitais, a Adjori/SC consolidou-se como referência na cobertura regional e na difusão de informações estratégicas para o setor público e privado. A revista trouxe, além do panorama quantitativo do sistema, uma radiografia das instituições públicas — municipais, estaduais e federais — e das particulares, tanto no presencial quanto no ensino a distância (EAD). O conteúdo destacou a capilaridade das redes, a diversificação de áreas do conhecimento e a expansão de vagas, fatores decisivos para a interiorização de oportunidades acadêmicas e para a formação de quadros qualificados em todas as regiões do estado.

No artigo, o reitor da UFSC discutiu o legado da instituição para Santa Catarina, enfatizando três dimensões centrais: educação, ciência e transformação social. O texto destacou o papel da universidade pública na produção de conhecimento de fronteira, na inovação tecnológica e no fortalecimento de ecossistemas regionais de pesquisa e empreendedorismo, além do compromisso com inclusão, diversidade e políticas de assistência estudantil. Segundo o gestor, a Universidade atuou como vetor de desenvolvimento ao articular ensino, pesquisa e extensão com as necessidades da sociedade catarinense, formando profissionais altamente qualificados e impulsionando soluções para desafios locais e globais.

A Revista Adjori 2025 chegou ao público como um guia de referência sobre o cenário do ensino superior no estado, oferecendo dados atualizados, relatos de experiências e análises que ajudaram a compreender o papel estratégico das instituições de ensino no crescimento econômico, na inovação e na coesão social. A publicação ressaltou que a consolidação de políticas de acesso, a colaboração entre redes e a integração com o setor produtivo foram elementos-chave para sustentar a competitividade de Santa Catarina.

Confira a revista neste link.

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Fortaleza de Anhatomirim, gerida pela UFSC, inicia restauração com investimento do Novo PAC

22/12/2025 08:06

A Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, em Governador Celso Ramos (SC), deu início às obras de restauração do seu principal conjunto arquitetônico. O anúncio foi feito em cerimônia no próprio monumento, com presença de representantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – gestora da fortaleza desde 1979 – e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), responsável pela coordenação da programação Avanços do Patrimônio em Santa Catarina. A intervenção integra um pacote de R$ 30 milhões do Iphan destinado a bens históricos no estado e marca a primeira obra do projeto Restauração das Fortificações Catarinenses #EuValorizoAsFortalezas, iniciativa de três anos voltada a recuperar, modernizar e ampliar o uso público dos monumentos administrados pela UFSC.

Erguida a partir de 1739, a Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim ocupa 2,5 hectares na entrada norte da Ilha de Santa Catarina, onde compunha, ao lado das fortalezas de São José da Ponta Grossa, Santo Antônio de Ratones e Nossa Senhora da Conceição de Araçatuba, o sistema defensivo concebido no século XVIII pelo Brigadeiro Silva Paes para proteger a baía e o litoral de investidas estrangeiras, em especial as espanholas. Entre os primeiros bens tombados pelo Iphan, em 1938, o conjunto é reconhecido como marco histórico e paisagístico do país e, agora, passará por uma restauração que busca recuperar sua função histórica, qualificar a visitação e fortalecer a educação patrimonial, com obras que contemplam tanto a conservação quanto novos usos culturais e de serviços.

Nesta primeira fase, serão investidos R$ 17 milhões com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), transferidos do Iphan para a UFSC via Termo de Execução Descentralizada (TED). Desse montante, R$ 15 milhões estão destinados diretamente às obras no Quartel da Tropa – o maior e mais imponente edifício do complexo – e aos trabalhos de arqueologia, além da criação de novos sanitários e da implantação de novas redes de infraestrutura hidráulica, elétrica e outras instalações. O canteiro terá monitoramento arqueológico permanente, garantindo que cada intervenção respeite as camadas históricas do sítio.

O escopo técnico prevê a restauração de cobertura, alvenarias, revestimentos, forros, pisos e escadas, com atenção a elementos decorativos em pedra, madeira e metal, além da instalação de novas redes elétricas, eletrônicas, hidrossanitárias, luminotécnicas e de proteção contra descargas atmosféricas. O Quartel da Tropa será adaptado para abrigar um espaço de restaurante com cozinha e banheiros e receberá um ambiente multiuso com tratamento acústico para eventos e reuniões. Dois novos conjuntos de sanitários serão construídos – um em frente ao Quartel da Tropa e outro na área de chegada à Ilha de Anhatomirim -, e uma rede integrada de instalações conectará todas as edificações da fortaleza, preparando o complexo para atendimento ao público, pesquisa e ações educativas.

A cerimônia contou com a presença do assessor de gabinete Alexandre Verzani (representando o reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza), do pró-reitor de Administração, Vilmar Michereff Junior, e da secretária de Cultura, Arte e Esporte, Andréa Búrigo Ventura. Para a realização do evento, a fortaleza foi fechada ao público durante a manhã. Segundo a UFSC, a parceria com o Iphan para preservação, restauração e requalificação inaugura um ciclo de investimentos que prevê soluções de acessibilidade, comunicação visual renovada e novos espaços expositivos nas fortalezas.

O conjunto de ações se insere no projeto Restauração das Fortificações Catarinenses #EuValorizoAsFortalezas, criado em 2021 pela Coordenadoria das Fortalezas da Ilha de Santa Catarina (CFISC), da Secretaria de Cultura, Arte e Esporte (SeCArtE/UFSC). A iniciativa tem aporte total de R$ 67 milhões. Em 2022, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) aprovou R$ 32,5 milhões para o projeto, que demonstrou como contrapartida R$ 17,5 milhões já aplicados anteriormente nas fortificações pelo Iphan, pelo PAC anterior e pelo Fundo de Direitos Difusos. Somados aos recursos agora anunciados, o montante alcança R$ 67 milhões, destinados exclusivamente às fortalezas.

Além das obras físicas, o cronograma de três anos prevê 25 ações complementares, incluindo apresentações culturais, novos espaços expositivos, comunicação visual, auditórios para eventos e a criação de modais sustentáveis de visitação – um ônibus e uma embarcação movidos a energia elétrica gerada por sistema fotovoltaico – para ampliar o acesso às ilhas de Anhatomirim e Ratones Grande. O objetivo é diversificar os usos e atrair novos públicos, promovendo o acesso à cultura e à história regional e nacional.

Ao recuperar e dar uso ao Quartel da Tropa e dotar o conjunto de meios adequados para receber visitantes, pesquisadores, estudantes e agentes públicos, a obra reforça a relevância de Anhatomirim como referência histórica regional e nacional, com infraestrutura atualizada, mais acessível e orientada à educação patrimonial.

 

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Fotos: Assessoria do Gabinete | UFSC

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Emendas parlamentares: novas viaturas são entregues à UFSC para reforço na segurança

19/12/2025 12:26

Duas novas viaturas foram entregues à UFSC, adquiridas com recursos de emendas parlamentares do deputado federal Carlos Chiodini (MDB). Fotos: DI-GR/Secom

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) recebeu duas novas viaturas para a Secretaria de Segurança Institucional (SSI), adquiridas com recursos de emendas parlamentares do deputado federal Carlos Chiodini (MDB). As unidades reforçam o pacote de ações estruturantes voltadas à melhoria contínua da segurança universitária, prioridade da atual gestão. Os veículos irão agilizar o atendimento de ocorrências no campus da Trindade, em Florianópolis, inclusive em demandas de saúde da comunidade acadêmica, ampliando o patrulhamento, as rondas e a presença preventiva em áreas de maior circulação. Com a incorporação à frota existente, a SSI aumenta sua capacidade operacional e oferece melhores condições de trabalho aos agentes, com expectativa de maior conforto para as equipes e aprimoramento do atendimento a estudantes, técnicos-administrativos e docentes.

A entrega oficial ocorreu na manhã desta sexta-feira, 19 de dezembro, com a presença do deputado Chiodini e sua comitiva. Eles foram recebidos pelo reitor, Irineu Manoel de Souza; pelo secretário de Segurança Institucional, Leandro Oliveira; pelo chefe de Gabinete, Bernardo Meyer; pela diretora-geral do Gabinete, Camila Pagani; pelo assessor do Gabinete, Alexandre Verzani; pela secretária de Planejamento e Orçamento, Andrea Cristina Trierweiller; pelo pró-reitor de Administração, Vilmar Michereff Junior; pela diretora em exercício do Departamento de Compras (DCOM), Barbara Paes Sprícigo; por servidores da SSI e representantes da Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese). Na ocasião, o secretário Leandro entregou ao parlamentar o livro “Segurança Pública Institucional nas Instituições Federais de Ensino Superior: desafios e soluções”, lançado recentemente em parceria com outras universidades.

Durante a reunião no Gabinete da Reitoria, foram discutidos os desafios de uma instituição que reúne mais de 40 mil pessoas — número superior ao de 95% dos municípios catarinenses. Diante desse cenário, Chiodini manifestou apoio às demandas da UFSC. O reitor destacou, porém, a complexidade orçamentária: embora o governo federal esteja expandindo o sistema com novos campi e institutos, o orçamento destinado às universidades maiores e mais antigas tem sido reduzido ou insuficiente para cobrir o crescimento vegetativo da folha e as progressões de carreira. Segundo ele, a recomposição precisa considerar instituições já consolidadas, a fim de evitar desequilíbrios estruturais.

A conversa avançou para as projeções de 2026. A previsão de correção orçamentária é de 3,5%, enquanto a inflação acumulada gira em torno de 5%, o que, segundo a administração, indica a necessidade de suplementação para evitar um ano de severas restrições. “É uma luta constante com o governo federal, com o Congresso, com o Ministério do Planejamento e com o Ministério da Fazenda para garantir essa recomposição”, afirmou o reitor. Também foram lembradas emendas já destinadas pelo parlamentar ao Hospital Universitário e a pesquisas em Ciências Jurídicas. Um ponto central foi a situação do campus de Curitibanos, onde uma obra foi abandonada pela empresa anteriormente contratada; ressaltou-se, ainda, o impacto regional da UFSC no município, refletido na elevação do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) após a instalação da universidade.

Chiodini reiterou o respeito ao papel histórico da UFSC em Santa Catarina e orientou sobre o período mais adequado para a indicação de emendas parlamentares ao orçamento, de modo a viabilizar a execução no ano seguinte.

Rosiani Bion de Almeida | Divisão de Imprensa do GR
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Centro Tecnológico da UFSC celebra 65 anos; referência em formação, pesquisa e inovação

17/12/2025 17:22

Evento nesta quarta-feira comemorou os 65 anos do Centro Tecnológico da UFSC. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

A memória institucional e o reconhecimento de contribuições individuais e coletivas foram a tônica dos 65 anos do Centro Tecnológico (CTC) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), celebrados nesta quarta-feira, 17 de dezembro. A história do CTC – indissociável da própria trajetória da UFSC, que completa a mesma idade neste mês – espelha a evolução do ensino de engenharia e tecnologia no Brasil. A cerimônia começou às 10h, no Auditório Professor Luiz Antunes Teixeira, o “Teixeirão”, no campus Trindade, em Florianópolis, e foi prestigiada pelo reitor Irineu Manoel de Souza, pelo assessor do Gabinete Alexandre Verzani, pelo chefe de Gabinete Bernardo Meyer, professores, técnicos, estudantes, autoridades acadêmicas e entidades representativas.

O encontro foi marcado por homenagens a ex-diretores que lideraram o centro entre 1960 e 2024, bem como a docentes e técnicos-administrativos aposentados em 2025 – gerações que ajudaram a construir esta história. Ex-dirigentes e representantes de instituições parceiras fundamentais para o ecossistema de inovação catarinense também se manifestaram, entre elas a Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina (Feesc), a Associação Catarinense de Tecnologia (Acate) e o Conselho Regional de Engenharia e Agronomia de Santa Catarina (CREA-SC).

Para o professor Júlio Zeremeta, um dos homenageados e que apresentou uma retrospectiva histórica, o legado é de crescimento sustentado e impacto amplo: a missão de docentes, técnicos e estudantes vem sendo cumprida e deve seguir em trajetória ascendente — uma “derivada positiva” de realizações acadêmicas, econômicas e sociais.

Trajetória e consolidação

Desde sua criação em 1960, o CTC firmou-se como uma das 15 unidades de ensino da UFSC e tornou-se referência nacional em formação, pesquisa e inovação. A infraestrutura atual traduz essa relevância: 10 departamentos, 15 cursos de graduação, 14 programas de mestrado e 12 de doutorado.

A trajetória começou com a Escola de Engenharia Industrial (EEI), marco inaugural da área tecnológica na universidade. Nos anos 1970, a EEI deu lugar ao Centro Tecnológico, consolidando a força da graduação e da pós-graduação. Os anos 1980 trouxeram os primeiros doutorados, elevando a formação de pesquisadores. Na década seguinte, o centro consolidou-se definitivamente, com a expansão da pós-graduação e a diversificação de áreas e linhas de pesquisa.

Ao longo de seis décadas e meia, o CTC manteve clara sua missão: promover o desenvolvimento científico, tecnológico e cultural para melhorar a qualidade de vida. Essa diretriz orienta projetos acadêmicos, parcerias estratégicas com os setores público e privado e iniciativas de inovação que impulsionam o desenvolvimento regional e nacional – reforçando o centro como vetor de transformação social e produtor de conhecimento de excelência.

O reitor Irineu Manoel de Souza ressaltou que se trata “de fato, de um dos centros mais importantes da universidade”, tanto “pela sua grandeza na pesquisa, no ensino, na extensão” quanto pela contribuição social, que segundo ele, o centro é o que mais forma estudantes e insere na sociedade profissionais altamente qualificados.

O reitor reiterou a força acadêmica do centro, resultado do trabalho da comunidade que o compõe, e contextualizou o momento de evasão e de dificuldades de atração para a graduação; Ainda assim, salientou que os cursos do CTC seguem disputados e, a cada semestre, colocam “um número qualificado de profissionais” na sociedade. Ao ampliar o foco para a instituição, sublinhou que a universidade se destaca “em termos de qualidade” no ensino, na pesquisa e na extensão, com reconhecimento em Santa Catarina, no Brasil e internacionalmente, reconhecimento que atribuiu ao esforço, ao apoio e à participação do Centro Tecnológico no projeto universitário.

Retrospectiva histórica

O Centro Tecnológico tem sua origem diretamente vinculada à criação da própria universidade. A Lei 3.849, de 18 de dezembro de 1960, que instituiu a UFSC, já previa a implantação da Escola de Engenharia Industrial, com vocação inicial nas áreas de Química, Metalurgia e Mecânica – frentes que posteriormente foram ampliadas para incluir Engenharia de Materiais.

Em 1961, o professor João David Ferreira Lima foi nomeado primeiro reitor e estabeleceu um convênio estratégico com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) para viabilizar a nova escola. Pelo acordo, os professores regentes deslocavam-se quinzenalmente para Florianópolis para ministrar aulas, apoiados por tutores locais. Em 1962, o primeiro curso de graduação entrou em operação: Engenharia Mecânica, instalado no pavilhão da engenharia industrial – hoje bloco B da Engenharia Mecânica.

A presença do professor Caspar Erich Stemmer foi decisiva nesta fase inicial. Ele atuou como regente a partir de 1964, e no início de 1965 assumiu a direção da EEI, permanecendo no cargo até 1969. Sob sua liderança, a escola expandiu sua oferta com a criação dos cursos de Engenharia Civil e Engenharia Elétrica, que começaram a funcionar ainda na década de 1960. Para superar restrições de contratação e pagamento de especialistas, especialmente na área elétrica, a EEI criou, em parceria com a Companhia Energética de Santa Catarina (Celesc), a Fundação de Ensino de Engenharia de Santa Catarina (Feesc) em 1966 – pioneira entre as fundações de apoio da UFSC e a única com “ensino” no nome. Esta fundação tornou-se parceira fundamental da universidade desde então.

A partir da reforma universitária de 1970, quando as instituições brasileiras passaram a se organizar em departamentos e unidades de ensino, o CTC acelerou sua expansão. No segundo mandato de Stemmer (1970-1974), já sob influência da reforma, consolidou-se a visão de um centro multidisciplinar, inaugurando oficialmente a era do Centro Tecnológico. A década de 1970 marcou um ciclo de forte expansão, com a abertura de seis novos cursos de graduação.

Em 1969, ainda antes da consolidação formal do CTC, teve início o primeiro programa de pós-graduação da UFSC: o Mestrado em Engenharia Mecânica. Este foi o marco inicial de uma trajetória que resultaria na formação de dezenas de milhares de profissionais em engenharias, arquitetura, computação e sistemas de informação, além de milhares de especialistas, mestres e doutores. Entre os cursos criados neste período de expansão, destacam-se Ciência da Computação em 1976 – em um contexto anterior à popularização dos microcomputadores – e, na sequência, Arquitetura e Urbanismo (1977), Engenharia de Alimentos e Engenharia Química (1978), Engenharia Sanitária e Ambiental (1978), e os cursos de Produção, Mecânica, Elétrica e Civil (1979).

O crescimento do CTC apoiou-se na estruturação de laboratórios, na consolidação da pós-graduação e na articulação entre ensino, pesquisa e extensão. Novos cursos continuaram sendo criados para atender demandas emergentes: Controle e Automação (1990), Engenharia de Materiais e Sistemas de Informação (2000) e Engenharia Eletrônica (2009). Já na década mais recente, o centro aprovou a oferta de Engenharia de Produção Plena (2022) e deu início ao processo de criação de Engenharia de Alimentos e Bioprodutos, refletindo demandas emergentes da sociedade.

Excelência e impacto

Atualmente, ao longo de seis décadas e meia de história, o CTC estruturou-se como um polo de excelência acadêmica. A unidade oferece ainda mestrados profissionais e cursos de especialização que atendem a necessidades específicas, como gestão e avaliação, engenharia ambiental e veículos elétricos e autônomos. As iniciativas são avaliadas por critérios de qualidade que incluem não apenas produção científica, mas também impacto social e econômico.

No campo da pesquisa, o CTC consolidou reconhecimento pela produção contínua de artigos científicos em periódicos de prestígio internacional. Na extensão, inovação e transferência de tecnologia, o centro protagonizou iniciativas que moldaram o ecossistema catarinense: fomentou empresas juniores, concebeu e estruturou os primeiros parques tecnológicos de Florianópolis e de Santa Catarina – como o Centro Empresarial para Laboração de Tecnologias Avançadas (Celta), o Parque Tecnológico Alfa e o Sapiens Park – e fortaleceu o modelo de fundações de apoio. A colaboração que levou à Lei 8.958/1994, regulamentando parcerias entre instituições federais de ensino, instituições científicas, tecnológicas e de inovação (ICTs) e fundações de apoio, contribuiu para desonerar pesquisadores de tarefas administrativas e acelerar projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D).

A celebração ressaltou que a trajetória do centro foi construída tanto por grandes marcos institucionais quanto por ações cotidianas, sólidas e sinceras, que sustentaram a formação de pessoas e o fortalecimento da unidade ao longo do tempo. O centro reitera seu compromisso com uma atuação acadêmica relevante e impactante, voltada para a sociedade catarinense, brasileira e internacional.

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Fotos: Gustavo Diehl | Agecom | UFSC
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