UFSC integra debate sobre cotas raciais nas universidades e concursos públicos em SC

04/05/2026 14:15

Audiência Pública na Alesc sobre as cotas raciais no ensino superior e nos concursos públicos em Santa Catarina. Fotos: Divulgação

A Audiência Pública que discutiu a implementação e o fortalecimento das cotas raciais no ensino superior e nos concursos públicos do estado foi realizada nesta segunda-feira, 4 de maio, às 19h, no Plenarinho Paulo Stuart Wright da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc).

Representando a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) estiveram presentes o reitor, Irineu Manoel de Souza, e a superintendente de Ações Afirmativas e Equidade, Bianca Costa Silva de Souza. O professor Marcelo Tragtenberg também participou como integrante da Cátedra Antonieta de Barros – Educação para a Igualdade Racial e Combate ao Racismo.

A deputada estadual Luciane Carminatti, proponente do debate, abriu os trabalhos ressaltando que a luta pela equidade é essencial para reverter séculos de escravidão e negação de direitos, afirmando: “Nós só vamos reverter essa situação se, de fato, a legislação for positiva”, uma vez que o discurso de acesso igual para todos não condiz com a realidade de quem enfrenta barreiras históricas.

No encontro, autoridades, acadêmicos e movimentos sociais celebraram a recente decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que declarou inconstitucional uma lei estadual que pretendia proibir ações afirmativas em território catarinense. Os participantes apresentaram dados estatísticos que comprovam desigualdades sistêmicas de renda e escolaridade, evidenciando que o racismo institucional ainda restringe o acesso da população negra a espaços de poder. Destacou‑se que as cotas não são privilégios, mas mecanismos essenciais de reparação histórica e de promoção da equidade social. Além disso, oradores enfatizaram a necessidade de reformar currículos acadêmicos e de garantir políticas de permanência estudantil para estudantes quilombolas e indígenas. O evento reafirmou o compromisso do Parlamento e da sociedade civil em vigiar e expandir a legislação que assegura a justiça racial no estado.

A participação de Tragtenberg trouxe embasamento técnico ao debate, onde apresentou um diagnóstico sobre as desigualdades raciais em Santa Catarina. Com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstrou que a desigualdade é sistêmica e atravessa todas as fases da vida: desde o ensino fundamental, em que crianças negras apresentam maior atraso escolar, até o mercado de trabalho, no qual pessoas negras com ensino superior completo chegam a receber cerca de 77% da renda de pessoas brancas com a mesma formação. Diante desses dados, o pesquisador recomendou não apenas a manutenção das cotas, mas também sua ampliação para a educação básica, para o sistema de universidades privadas e para o serviço público estadual.

O debate também contou com vozes da sociedade civil e de outras instituições de ensino, como Maria Helena Tomaz, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro‑Brasileiros (NEAB) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), que defendeu a importância de políticas de permanência estudantil para evitar a evasão de alunos cotistas, e Luiz Herculano de Sousa Guilherme, professor do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), que provocou o público ao questionar quantos negros e indígenas de fato conseguem exercer a cidadania plena em um estado ainda marcado por resquícios de um regime excludente. Vanda Pinedo, do Movimento Negro Unificado de Santa Catarina, reforçou que a vitória jurídica no STF é apenas um passo, pois ainda é necessário “mudar as mentes” dentro das universidades e enfrentar o racismo institucional que opera nos currículos e nas vivências acadêmicas.

O evento encerrou‑se com o compromisso de diversas lideranças, incluindo o Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública, de monitorar o cumprimento das leis de cotas e avançar em projetos que garantam a representatividade da população negra nos espaços de poder em Santa Catarina.

Assista à audiência na íntegra:

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Núcleo de Estudos de Economia Catarinense publica informativo nº 50: do contexto global ao regional

04/05/2026 14:00

A edição nº 50 do Informativo do Núcleo de Estudos de Economia Catarinense (Necat/UFSC), publicada em abril de 2026, reúne artigos de professores e pesquisadores sobre fatos econômicos recentes e debates de política econômica. O boletim, coordenado pelo professor Lauro Mattei, abrange conjuntura internacional e brasileira, ensino de economia e indicadores de curto prazo da economia catarinense.

Na frente internacional, destacam-se análises sobre a escalada belicista e tarifária sob Donald Trump e seus potenciais efeitos recessivos e inflacionários globais; um ensaio que diferencia antissemitismo de antissionismo; e uma avaliação do arranjo capital‑trabalho nos países nórdicos, ressaltando a força da negociação tripartite e os desafios do “precariado” diante da digitalização e da financeirização.

Na conjuntura brasileira e no campo do ensino econômico, o informativo discute a “não-produtivização” da estrutura produtiva (avanço de atividades de circulação em detrimento da geração de valor), o debate sobre o governo Lula e o neoliberalismo, o escândalo do Banco Master e a crítica aos crimes ambientais. Em ensino, retomam-se as contribuições de Keynes sobre expectativas de longo prazo e um ensaio didático que usa “três ilhas” para introduzir temas de economia política.

Para Santa Catarina, os indicadores mostram: produção industrial em alta de 1% em fevereiro/2026, varejo ampliado crescendo 2,2% (acima da média nacional), serviços avançando 0,7% e mercado de trabalho formal com saldo positivo de cerca de 21,7 mil vagas, puxado por serviços, indústria de transformação e agropecuária, apesar da fraqueza em bens de capital, móveis e veículos.

O Informativo Necat está disponível para leitura e pode ser acessado neste link.

Contatos e inscrições na lista de distribuição: necat.ufsc@gmail.com | (48) 3721-6550.

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Editora da UFSC lança edição digital de ‘O Castelo de Frankenstein’, de Salim Miguel

04/05/2026 13:26

A Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC) lançou em formato digital os volumes 1 e 2 de O Castelo de Frankenstein – Anotações sobre autores e livros, de Salim Miguel. A publicação integra o projeto de disponibilização da obra completa do escritor em meio online, ampliando o acesso a um dos nomes centrais da literatura brasileira do século XX.

Escrito em 1986, o livro reúne críticas, resenhas, depoimentos, prefácios e orelhas de obras publicados por Salim Miguel entre 1976 e 1985. Originalmente veiculados em jornais e revistas como Manchete (RJ), Ficção (RJ), Jornal do Brasil (RJ), Correio do Povo (RS), O Estado (SC) e Leia (SP), os textos refletem sua atuação constante no debate literário nacional ao longo de décadas.

Nos dois volumes, Salim Miguel aborda autores brasileiros e da literatura mundial, entre eles Autran Dourado, Carlos Fuentes, Érico Veríssimo, Ernesto Sábato, Gabriel García Márquez, Guillermo Cabrera Infante, Ignácio de Loyola Brandão, Italo Svevo, Jorge Amado, Juan Rulfo, Julio Cortázar, Saul Bellow e Umberto Eco, compondo um amplo panorama crítico e cultural.

A edição traz prefácio da professora Luciana Rassier, que destaca a relevância da trajetória de Salim Miguel no cenário cultural catarinense e brasileiro, reconhecida por distinções como o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras (2010), o Prêmio Juca Pato – Intelectual do Ano (2002) e o título de Doutor Honoris Causa da UFSC, concedido no mesmo ano. O texto ressalta ainda uma produção literária que se estende por cerca de sete décadas, com mais de 30 livros publicados, além de traços recorrentes de sua ficção, como a herança das narrativas orientais, o rigor na construção temporal e a multiplicidade de pontos de vista.

A edição digital está disponível gratuitamente na plataforma Estante Aberta da Editora da UFSC. Além de O Castelo de Frankenstein, também podem ser acessados sem custo outros títulos do autor, como RedeNur na escuridãoPrimeiro de abril: narrativas da cadeia e Nós.

Mais informações sobre a vida e obra de Salim Miguel estão reunidas no site salimmiguel100anos.com.br, organizado pelos filhos de Salim Miguel e Eglê Malheiros, que concentra dados biográficos, bibliografia e material de referência sobre o escritor.

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UFSC recebe Cônsul de Angola para discutir ações de acolhimento e cooperação acadêmica

04/05/2026 13:03

A cônsul de Angola, Stela Maria da Graça Santana de Sousa Santiago, e o reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza. Fotos: SI-GR/SECOM

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) recebeu, na tarde de quinta-feira, 30 de abril, a cônsul da República de Angola, Stela Maria da Graça Santana de Sousa Santiago, para visita ao Gabinete da Reitoria. A agenda, articulada pela Associação dos Angolanos em Florianópolis (ASSAF) e acompanhada pela Secretaria de Relações Internacionais (Sinter), reforçou o compromisso institucional com a cooperação acadêmica e o bem‑estar da comunidade estudantil angolana. O Consulado tem jurisdição sobre os estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

A comitiva foi recepcionada pelo reitor Irineu Manoel de Souza; pelo chefe de Gabinete, Bernardo Meyer; pela secretária de Relações Internacionais, Fernanda Leal; e pelo diretor de Relações Internacionais, Guilherme Carlos da Costa. Participaram, ainda, integrantes do Consulado e a presidente da ASSAF, Elisa Dulce João Fundanga.

Durante o encontro, a secretária Fernanda Leal destacou o trabalho conjunto que vem sendo construído com a comunidade angolana na UFSC. Segundo ela, o diálogo permanente com o Consulado é essencial para criar fluxos mais ágeis e estratégias de apoio, respeitando as atribuições de cada instituição. A permanência estudantil esteve no centro da pauta, com apresentação de dados sobre perfis de ingresso, cursos com maior concentração de discentes angolanos e necessidades de acolhimento. UFSC, Consulado e ASSAF discutiram a criação de um canal direto para situações emergenciais, ações preventivas de orientação antes e durante a permanência no Brasil e iniciativas conjuntas voltadas ao bem‑estar.

A UFSC mantém dois convênios vigentes com instituições angolanas. O primeiro, com a Universidade José Eduardo dos Santos, foi assinado em 17 de dezembro de 2021 e é válido até dezembro de 2026, abrangendo todas as áreas, sob coordenação do professor Juarez Vieira do Nascimento. O segundo, com o Instituto Superior Politécnico de Porto Amboim (ISUP), foi firmado em 8 de outubro de 2025 e vigora até outubro de 2030, também de caráter amplo, coordenado pelo professor Amir Antônio Martins de Oliveira Junior.

Os resultados dessa cooperação se refletem no número de egressos e na atual comunidade acadêmica de Angola na UFSC. Já concluíram seus cursos 96 estudantes angolanos — 44 da graduação, 51 de mestrado e doutorado e um de especialização. Atualmente, a universidade abriga 298 estudantes de Angola: 244 na graduação, 29 na pós‑graduação stricto sensu e 25 em cursos de especialização.

Ao final da reunião, UFSC, Consulado de Angola e ASSAF sinalizaram interesse em fortalecer o intercâmbio com universidades angolanas por meio do restabelecimento e da ampliação de acordos de cooperação; estruturar rotinas de atendimento e orientação à comunidade estudantil angolana; e promover iniciativas conjuntas voltadas à integração acadêmica e cultural. Essas frentes devem orientar os próximos passos da parceria, com foco na permanência qualificada e na internacionalização da universidade.

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Nota da Administração Central sobre 1º de maio, Dia do Trabalhador

01/05/2026 13:50

A Administração Central da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) reafirma, neste 1º de maio, o reconhecimento e a valorização de todas as pessoas que constroem cotidianamente a Universidade.

Docentes, técnicas e técnicos-administrativos em educação (TAEs), trabalhadoras e trabalhadores terceirizados e estudantes são a base viva da UFSC. É por meio do trabalho comprometido, qualificado e responsável de cada um desses segmentos que a Universidade alcança seus resultados e consolida sua trajetória de excelência no Ensino, na Pesquisa, na Extensão e na Gestão Pública.

A excelência da UFSC não é um atributo abstrato: ela se materializa na excelência de suas trabalhadoras e de seus trabalhadores. São essas pessoas que sustentam o funcionamento da instituição, produzem conhecimento, acolhem a comunidade universitária e garantem que a Universidade cumpra sua missão pública junto à sociedade.

Neste contexto, a Administração Central reforça que a busca por melhores condições de trabalho, valorização profissional e respeito aos direitos é uma agenda permanente. Trata-se de um compromisso institucional, que orienta ações e decisões, e que deve ser continuamente fortalecido por meio do diálogo, da escuta e da construção coletiva.

A UFSC é construída por pessoas — e é para elas que deve sempre voltar o seu olhar, o seu cuidado e a sua responsabilidade.

Neste Dia Internacional do Trabalhador, a Universidade manifesta seu reconhecimento e seu compromisso com todas e todos que fazem da UFSC uma instituição pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.