UFSC discute políticas institucionais de Enfrentamento à Evasão e de Equidade de Gênero

02/07/2026 14:21

As políticas institucionais de Enfrentamento à Evasão e de Equidade de Gênero da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foram discutidas no Conselho Universitário (CUn), em sessão extraordinária realizada nesta quarta-feira, 1º de julho, no período da tarde, na Sala dos Conselhos. A reunião foi transmitida ao vivo no canal do CUn no YouTube.

Enfrentamento à Evasão

A minuta de resolução normativa que trata do Enfrentamento à Evasão da UFSC foi relatada pelo conselheiro Erasmo Benício Santos de Moraes Trindade, a partir de solicitação da Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd).

Em seu parecer, o conselheiro destacou que a proposta estabelece o compromisso institucional de direcionar esforços e recursos para reduzir a evasão, definida no texto como “todo desligamento voluntário ou involuntário do estudante antes da conclusão do curso, excetuando-se falecimento”. O documento tem como objetivo geral implementar estratégias de prevenção, identificação e redução, além de prever o monitoramento de indicadores, e ações de busca ativa e mitigação de fatores associados ao desligamento de estudantes.

A minuta também estabelece competências para a criação de um setor central de combate à evasão, vinculado ao Prograd, e de setores locais nos centros de ensino. Segundo o documento, os setores locais deverão contar, pelo menos, com um Técnico em Assuntos Educacionais, um Pedagogo e um Assistente em Administração. A proposta prevê ainda avaliação anual das ações e conformidade com a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), além de ter como base a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e a Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES). Ao final, Erasmo manifestou-se favoravelmente à aprovação da resolução.

A conselheira e pró-reitora Dilceane Carraro (Prograd) ressaltou a importância da pauta. Segundo ela, desde o início da gestão havia o propósito de estabelecer ações de enfrentamento à evasão, o que resultou na elaboração de um diagnóstico publicado em 2024. Dilceane afirmou que a política busca dar mais legitimidade e respaldo institucional às ações já em curso.

Dilceane também informou que o Observatório da UFSC já dispõe de dados sobre evasão e que a Universidade pretende integrar painéis de dados ao Controle Acadêmico de Graduação (CAGR), com apoio da Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e Comunicação (Setic), incluindo o acompanhamento da frequência dos estudantes no Moodle. Sobre os novos setores, ela instruiu que pedagogos e técnicos em assuntos educacionais foram definidos como essenciais, mas ponderou que a UFSC não tem condições de garantir imediatamente todos esses profissionais.

A conselheira Carolina Bahia elogiou a iniciativa, mas chamou atenção para as dificuldades enfrentadas pelas unidades em razão do quadro técnico reduzido. Ela citou o caso do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ), onde diretores tiveram dificuldade de indicar servidores para atuar na função relacionada à evasão por causa do quadro exíguo. Carolina também defendeu que a política dialogue com a Política de Enfrentamento ao Racismo Institucional, aprovada pelo CUn em novembro de 2022.

O conselheiro Tiago Montagna também parabenizou os envolvidos, mas destacou diferenças entre a proposta de enfrentamento à evasão e a política de equidade de gênero, afirmando que esta apresenta metas verificáveis, enquanto aquela não estabelece uma meta quantitativa. Para ele, a minuta também não indica qual fator deve ser atacado primeiro. Ele criticou ainda a repetição de atribuições entre setores, afirmando que, quando há muita sobreposição de trabalho, corre-se o risco de que as ações não sejam realizadas.

A conselheira Miriam Furtado Hartung manifestou preocupação com a criação de setores que exigiam funções gratificadas. Segundo ela, se houver um setor por centro, serão necessários 14 FGs. Miriam lembrou que a Universidade já enfrentou carência de técnico-administrativos e que há coordenadorias de curso sem TAE ou mesmo com sem função gratificada. Para a conselheira, criar um setor e projetar um servidor não garante resultados sem metas e instrumentos precisos.

O conselheiro Renato Milis avaliou que a evasão é um problema generalizado e que é fundamental que uma política preveja pessoal e recursos, a fim de evitar que fique sem efetividade. Renato também defendeu que parte das 140 vagas conquistadas pelo movimento sindical seja destinada aos setores previstos na política, além de sugerir a inclusão de psicólogos educacionais, considerando que a evasão envolve questões de orientação profissional.

A conselheira Heloísa Teles, que relatou a matéria na Câmara de Graduação, afirmou que a graduação é “o coração da universidade” e classificou como absurdo que mais de 50% dos ingressantes não concluam seus cursos. Para ela, a criação de setores específicos é indispensável e representa uma resposta à sobrecarga das coordenadorias de curso, que atualmente realizam esse trabalho de modo intuitivo. Heloísa defendeu que o suporte técnico permitirá profissionalizar o atendimento aos estudantes.

A conselheira Michele Monguilhott destacou que o Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) solicita redimensionamento de pessoal desde o início da gestão. Ela também alertou que a criação de um novo setor exige mudança no regimento interno e pode gerar retrabalho, além de apontar erro de nomenclatura relacionado à designação de FG3 para uma estrutura que, segundo ela, deveria ser uma Divisão. Diante dessas questões, pediu vistas ao processo, encerrando a discussão.

Equidade de Gênero

A proposta de resolução normativa para instituir a Equidade de Gênero da UFSC foi requerida pela Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) e relatada pela conselheira Carolina Medeiros Bahia. A relatora explicou que a política está estruturada em três eixos: promoção, assistência e enfrentamento.

No eixo da promoção, a proposta prevê incentivo a políticas de equidade nas pró-reitorias e cursos, obrigatórios para gestores e ingressantes, uso de linguagem inclusiva e metas de 50% de paridade em cargos de chefia e órgãos deliberativos. No eixo da assistência, contempla a proteção à maternidade e à parentalidade, com extensão de prazos de produtividade e apoio à amamentação. Já no eixo de enfrentamento, organizou-se a rede de acolhimento e o fluxo de denúncias via Ouvidoria, pelo Fala.BR, com previsão de avaliações como demissão em casos de assédio comprovado e medidas protetivas urgentes.

A fundamentação jurídica da proposta baseia-se na Constituição Federal, na Convenção de Belém do Pará e no Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) n° 5 da ONU. Carolina informou que acolheu configurações sugeridas pela Secretaria de Comunicação (Secom) relacionadas à Política Institucional de Comunicação e inverteu a responsabilidade para que a Proafe elaborasse orientações com apoio da Secom. A minuta também incluiu sugestões sobre segurança no campus e mentoria para lideranças femininas.

O conselheiro Juarez Vieira do Nascimento manifestou preocupação quanto à necessidade de consulta à Procuradoria Federal, argumentando que muitos pontos da proposta se apoiam em decretos, que são atos de governo, e não de Estado. Ele sugeriu ajustes na redação sobre “reflexão sobre masculinidades” e propôs que, em vez de disciplinas obrigatórias, a temática seja inserida em disciplinas já existentes, para não impactar as bases da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

A conselheira Miriam Furtado Hartung classificou o documento como potente e afirmou que a UFSC inova, como já havia feito com as cotas étnico-raciais. Para ela, são ações efetivas e metas alcançáveis ​​que transformam a realidade, e não apenas boas intenções. Sobre a transição, Miriam defendeu que a Universidade não deve adiar mudanças e que é preciso enfrentar desde já uma sub-representação das mulheres nas cargos de poder.

O conselheiro Raphael da Hora apresentou dúvidas sobre a aplicação da paridade. Ele questionou por que a obrigatoriedade em cargos eletivos exclui chefes de departamento e coordenadores e disse como seria feito o controle da paridade nos colegiados quando os membros não são eleitos em chapa única.

A pró-reitora Marilise Luiza Martins dos Reis Sayão (Proafe) explicou que a discussão sobre cargos de progressão e chefia atualmente que essas funções, muitas vezes, geram sobrecarga para as mulheres e nem sempre são disputadas. Segundo ela, a política concentrou-se nos encargos em que o chamado teto de vidro é mais forte.

A conselheira Brígida Carvalho Vieira afirmou que a UFSC é uma das poucas universidades do Sul com política voltada para estudantes-mães, mas defende avanços para servidores técnicos e docentes. Ela propôs vincular uma nova política à resolução de permanência de dezembro e propôs que servidoras mães tenham prioridade para teletrabalho ou flexibilização, além de liberação sem programação de horas para reuniões escolares. Brígida também defendeu que uma medida seja contínua aos pais, para evitar que a responsabilidade recai apenas sobre as mulheres.

O conselheiro Hamilton de Godoy Wielewicki ressaltou que as mulheres são maioria, mas seguem na base da pirâmide em termos de pagamentos e poder, muitas vezes como mães solo. Ele defendeu que a política considere as interseccionalidades de gênero e raça. Hamilton também questionou se o prazo de 180 dias para ajuste dos regimentos significa aplicabilidade imediata na composição dos órgãos ou se a aplicação dependeria primeiro da alteração regimental.

A conselheira Ariadne Meneghel Marques defendeu a aprovação da política relacionada à segurança e à permanência das mulheres na Universidade. Ela afirmou que Santa Catarina é um dos estados que mais mata mulheres no país e citou casos de tentativa de estupro e assaltos no campus. Segundo Ariadne, estudantes muitas vezes precisam conviver com seus agressores na sala de aula. Para ela, aprovar a política significa discutir vidas que são impedidas de ocupar espaços políticos.

Ao responder às ponderações, a relatora Carolina Bahia agradeceu todas as contribuições e informou que acolheu a sugestão da conselheira Brígida de vincular a política à resolução de permanência e incluir especificidades para servidores. Sobre a transição, Carolina afirmou entender que a resolução do CUn é superior aos regimentos e passa a ter aplicabilidade imediata, de modo que o ajuste regimental deve ocorrer, mas não condiciona a aplicação da norma.

O parecer foi aprovado por unanimidade pelos conselheiros do colegiado. Ao final da sessão, o reitor Irineu Manoel de Souza agradeceu a discussão qualificada realizada nos últimos quatro anos no Conselho Universitário. “Foi um debate muito respeitoso e aprovamos muitas políticas importantes para a nossa universidade”, afirmou.

Rosiani Bion de Almeida | Secom
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Tags: Conselho UniversitárioEquidade de GêneroEvasãoproafeProgradSECOMUFSC

Evasão e permanência estudantil são temas de seminário e de pesquisas na UFSC

14/05/2025 17:58

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realizou, na tarde desta quarta-feira, 14 de maio, o I Seminário de Compartilhamento de Ações de Combate à Evasão e Promoção da Permanência Estudantil. Organizado pela Assessoria de Acompanhamento de Evasão, Permanência e Egressos, da Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd), o evento teve como objetivo apresentar iniciativas adotadas pelos cursos de graduação da instituição para enfrentar a evasão e fortalecer a permanência estudantil. O seminário ocorreu no Auditório do Centro Socioeconômico (CSE) e também foi transmitido por meio de sala virtual da Prograd.

Reitor da UFSC Irineu Manoel de Souza (centro), pró-reitora Dilceane Carraro (esq.), e assessora de Acompanhamento de Evasão, Permanência e Egressos, Andressa Sasaki Vasques Pacheco (dir.) na abertura do seminário. Foto: Secom/UFSC

A evasão universitária representa um desafio com impactos significativos para a sociedade, tanto em termos econômicos quanto sociais. Ciente dessa realidade, a UFSC tem acompanhado esse fenômeno de perto, especialmente diante de seu crescimento nas últimas duas décadas. A gestão atual da Universidade tem se empenhado ativamente em enfrentar essa questão, desenvolvendo estratégias para mitigar os prejuízos econômicos, sociais e institucionais que ela acarreta.

Com o intuito de aprofundar a discussão e propor soluções concretas, o evento reuniu diferentes setores da UFSC. Na mesa de abertura, estiveram presentes o reitor, Irineu Manoel de Souza; a pró-reitora de Graduação e Educação Básica, Dilceane Carraro; e a professora e assessora de Acompanhamento de Evasão, Permanência e Egressos, Andressa Sasaki Vasques Pacheco. No auditório, participaram representantes das direções dos centros de ensino, coordenações e secretarias de cursos, estudantes, servidores técnico-administrativos e docentes, bem como de outras instituições.

O reitor abriu as falas destacando que “a discussão sobre a evasão estudantil é de extrema relevância para a sociedade, pois impacta diretamente a qualidade e o alcance da educação superior. Sabemos que a evasão é um fenômeno global, presente em todos os cursos, e, embora seja impossível eliminá-la completamente, é nosso dever buscar formas concretas para minimizá-la”. Irineu também enfatizou o desafio de redefinir o conceito de evasão, afirmando que “essa clareza é essencial para que possamos desenvolver estratégias eficazes e alinhadas à nossa realidade”. Por último, reforçou a necessidade de um esforço coletivo, afirmando que “o tema exige o compromisso de todos nós. Apenas com diálogo, pesquisa e ações coordenadas poderemos avançar rumo a uma Universidade mais inclusiva, capaz de acolher e manter nossos estudantes”.

A pró-reitora Dilceane, por sua vez, ressaltou que “a tarefa de combater a evasão transcende o trabalho da Prograd”. Segundo ela, por meio de ações integradas, “seremos capazes de promover a permanência dos estudantes em articulação com a assistência estudantil e, ao mesmo tempo, combater a evasão”. Para avançar nessa missão, explicou que é essencial construir uma política institucional de combate à evasão de forma colaborativa, envolvendo todos os setores da Universidade.

Após essas falas, a professora Andressa apresentou um panorama sobre as ações voltadas à evasão e retenção estudantil na Universidade, relatando o trabalho desenvolvido pela comissão responsável na UFSC. Segundo a pesquisadora, “em nenhum momento buscou-se ainda as causas, por enquanto foi só levantar os números”. A partir desse diagnóstico quantitativo, os dados foram divulgados para a gestão e os centros de ensino, além de estarem disponíveis em uma página específica (evasão-prograd.ufsc.br), onde relatórios gerais e específicos podem ser acessados. Andressa ainda explicou que foram realizadas visitas aos centros de ensino, onde foram identificadas práticas já existentes nos cursos, muitas das quais poderiam ser compartilhadas e ampliadas para outras áreas. Essa troca de experiências inspirou a realização do seminário e a implementação de um projeto-piloto de matrícula assistida no Centro Tecnológico (CTC), focado no acompanhamento de frequência, indicadores e busca ativa de estudantes, com o objetivo de criar protocolos de atendimento e encaminhamento.

Andressa expõe a criação de três comissões para tratar do problema da evasão. A primeira está elaborando uma política de combate à evasão, baseada em experiências internas e externas, com previsão de finalização em julho deste ano, seguida de consulta pública e encaminhamento para o Conselho Universitário. A segunda comissão está desenvolvendo dashboards com indicadores de evasão, incluindo painéis para acompanhamento em tempo real, com dados específicos para coordenações de curso e diretores de centros, respeitando as exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). Por fim, a terceira comissão trabalha na elaboração de uma política de gestão de egressos, também com entrega prevista para julho.

Entre as ações futuras previstas para o segundo semestre, Andressa evidenciou a ampliação dos projetos-piloto para outros cursos, a institucionalização das ferramentas e dashboards, a aprovação e aplicação das políticas em desenvolvimento, e a realização de uma pesquisa qualitativa para identificar os fatores relacionados à evasão, complementando os dados quantitativos já levantados.

Na continuidade do seminário, foram apresentados os trabalhos selecionados de:

  • Roniéry Rógeris Oliveira dos Santos: Relatório do CTS sobre evasão, análise, propostas e comissão organizada;
  • Janaina Santos de Macedo: Projeto UFSC Sem Fronteiras e o Programa Institucional de Apoio Pedagógico aos Estudantes (Piape);
  • Camila Araújo e Simone de Souza: Boas práticas no combate à evasão e promoção da permanência estudantil no Curso de Pedagogia;
  • Andressa Pacheco, Larissa Kvitko e Raphael Schlickmann: Ações do curso de Administração;
  • Marta Corrêa Machado: Tutoria individual: será que conseguimos?;
  • Janaina Macedo, Ana Araújo e Grace da Silva: Programa de Monitoria Indígena e Quilombola;
  • André da Silva Nascimento: Uso de fluxograma para visualização e acompanhamento do currículo.

Saiba mais

Destaques principais do Relatório Geral de Evasão e Retenção

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realizou uma análise abrangente sobre evasão e retenção nos cursos de graduação presenciais entre 2008 e 2023. Baseado em dados extraídos do Sistema de Controle Acadêmico da Graduação (CAGR), o relatório abrange mais de 103 mil matrículas e identifica fatores que impactam a permanência e o desempenho acadêmico. Abaixo estão os principais destaques:

Taxas de evasão e formação

  • Entre 2008 e 2023:
    • 45,6% das matrículas resultaram em evasão parcial;
    • 31% em formação;
    • 23,4% permanecem com status regular.
  • A evasão é mais frequente nos primeiros semestres, com a maioria dos estudantes abandonando o curso antes do sexto semestre.
  • Cursos com notas mais altas no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade) apresentaram taxas menores de evasão e maior índice de formados.

Perfil dos estudantes

  • Idade: A maior parte dos ingressantes tem entre 16 e 19 anos. Estudantes acima de 27 anos apresentam taxas mais altas de evasão em relação à formação.
  • Sexo:
    • Estudantes do sexo masculino representam a maioria das matrículas, mas têm taxa de evasão maior (49%) em comparação às mulheres (42%).
    • Mulheres apresentam maior índice de formados (35%) em relação aos homens (28%).
  • Raça:
    • Estudantes autodeclarados “brancos” representam a maior parte das matrículas e evasões.
    • A categoria “não informado” possui a maior taxa de evasão (71%).

Formas de ingresso

  • O Vestibular é o principal método de ingresso, seguido pelo Sistema de Seleção Unificada (SISU).
  • Estudantes ingressantes pelo SISU têm a menor taxa de formados (15%) e a maior taxa de status regular (41%).
  • O retorno de graduados apresentou a maior taxa de evasão parcial (64%).

Evasão por cursos, campi e centros

  • O campus de Florianópolis concentra o maior número de matrículas, mas apresenta a menor taxa de evasão (44%).
  • Campi como Joinville e Blumenau registram índices de evasão superiores a 59%.
  • Centros como o de Ciências Físicas e Matemáticas (CFM) e o Tecnológico de Joinville (CTJ) registraram as maiores taxas de evasão.
  • Em contrapartida, os centros de Ciências Jurídicas (CCJ) e Ciências da Saúde (CCS) possuem os menores índices.

Retenção e tempo de conclusão

  • A maioria dos estudantes formados conclui seus cursos entre oito e 11 semestres.
  • A evasão se concentra majoritariamente nos dois primeiros anos.
  • O tempo médio para ingresso na UFSC após a conclusão do Ensino Médio é de um ano.

Sobre

A Assessoria de Acompanhamento de Evasão, Permanência e Egressos foi criada para subsidiar as ações da Prograd no combate à evasão nos cursos de graduação. O trabalho é realizado em diálogo com outros setores da UFSC e com as coordenações de cursos.

Mais informações no site da Assessoria ou entre em contato pelo e-mail evasao@contato.ufsc.br.

Rosiani Bion de Almeida / SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Tags: EgressosEvasãopermanência estudantilProgradUFSC

Comissão analisa dados com objetivo de aumentar número de concluintes nos cursos da UFSC

02/12/2024 16:03

Dados parciais foram apresentados nesta segunda-feira em evento público (Fotos: Mateus Mendonça)

A busca ativa de estudantes para favorecer a permanência e o êxito, a análise dos currículos e a análise qualitativa e quantitativa de fatores que levam à desistência ou abandono são algumas das propostas da Comissão de Análise da Evasão e Retenção nos Cursos de Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina para aumentar o percentual de estudantes que se formam. O grupo, que agora é permanente, apresentou nesta segunda-feira, 2 de dezembro, dados parciais de um estudo realizado em todos os cursos e campi da UFSC.

“O fenômeno da evasão, em toda sua multidimensionalidade, é uma preocupação entre educadores(as) de todo o mundo”, avalia o documento assinado pelo grupo. O objetivo do trabalho multidisciplinar é se debruçar sobre dados concretos para minimizar os efeitos econômicos, sociais e organizacionais da evasão. O trabalho é liderado pela Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd).

O Censo da Educação Superior divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) em outubro deste ano revela que, no Brasil, 51% dos alunos cotistas da rede federal concluíram o curso, enquanto o índice entre os não cotistas foi de 41%. No estudo da UFSC, o foco foram as matrículas, não os CPFs – isso significa que situações de alunos que saíram de um curso e reingressaram em outro, por exemplo, não estão contempladas nessa análise.

O estudo cobre o período de 2008 a 2023. Na análise de evasão parcial, 45,6% das matrículas evadiram e 31% se formaram, enquanto 23,4% estão com o status de regular, podendo futuramente se formar ou evadir. Ao longo do tempo, os anos de 2008 e 2009 indicavam índices de formandos acima do índice de desistentes. Entre 2011, 2012 e 2013, no entanto, houve uma inversão nos gráficos.

A comissão também fez análises que cruzam outros indicadores, como por exemplo o do conceito dos cursos na avaliação do MEC, além da distribuição por campus, ao longo do tempo. Os centros de ensino e a idade dos ingressantes também compõem os interesses do grupo que se debruçou sobre o assunto.

Faixa etária, raça e pontuação no Vestibular

Reitor Irineu Manoel de Souza abriu o evento e acompanhou a apresentação dos dados de evasão

No caso da faixa etária, o relatório aponta que o percentual maior de formandos está na faixa etária daqueles que ingressaram entre os 16 e 19 anos. Proporcionalmente, a evasão aumenta a partir dos 56 anos, chegando a 92% entre os ingressantes com 72 a 75 anos. Com relação ao gênero, mulheres registram o maior percentual de formadas no período de 2008 a 2023. Entre os homens, há um volume de 49% de evadidos.

Com relação à raça, pessoas negras e pardas atingem os maiores números de evasão na distribuição percentual, mas ficam atrás de uma categoria também presente na análise: a daqueles que não informaram sua raça. Entre estes, 71% estão listados como evadidos.

Outro ponto analisado pelo grupo diz respeito à pontuação para o ingresso via Vestibular e SISU e o índice de aproveitamento acumulado, dados que estariam relacionados ao desempenho e rendimento dos estudantes nos cursos. No caso do Vestibular, quanto mais alta a pontuação, menor o abandono. Esta lógica também ocorre com relação às notas durante a graduação: quanto mais altas, menores os índices de evasão.

O estudo ainda identifica o número de abandono comparativamente à questão da correspondência entre a cidade de residência e o campus onde o estudante está matriculado. O abandono é maior entre aqueles que se matriculam em cidades onde não residem.

A comissão apontou quatro sugestões administrativas para que os ​​dados e informações de interesse sejam melhor aproveitados, além de sugerir nove ações de gestão. Serão designadas comissões para elaboração da política institucional e dados e análises por dashboards. Os dados também serão apresentados, com recortes focados nos diferentes centros de ensino da UFSC.

 

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