UFSC realiza processos seletivos com foco na inclusão, diversidade e democratização

19/10/2026 11:35

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), por meio da Comissão Permanente do Vestibular (Coperve), realizou neste domingo, 18 de outubro de 2026, as provas de três processos seletivos para ingresso em 2027: o Processo Seletivo Letras Libras UFSC 2027; o Processo Seletivo para Vagas Suplementares destinadas a pessoas indígenas, quilombolas, com deficiência (PCD) e pessoas trans; e o Vestibular de Educação do Campo, que contempla a Licenciatura em Educação do Campo da UFSC, com ênfase em Ciências Humanas e Sociais (História e Geografia), e o curso de Pedagogia, com ênfase em Educação do Campo, do Instituto Federal Catarinense (IFC).

Ao todo, 549 candidatos estiveram presentes na aplicação das provas dos processos seletivos. As provas suplementares foram realizadas nos municípios de Araranguá, Blumenau, Curitibanos, Florianópolis, Joinville, José Boiteux e Xanxerê. Já as provas do processo seletivo de Educação do Campo ocorreram em Abelardo Luz, Biguaçu e Imaruí, todos os municípios localizados em Santa Catarina.

O reitor da UFSC, professor Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior, destacou o papel da Universidade na promoção de políticas de inclusão e ações afirmativas. “A UFSC é pioneira na implantação das vagas de ações afirmativas e vem fazendo um trabalho exemplar na inclusão de minorias. É um trabalho grande e importante para a sociedade e para a UFSC. Entendemos que a inclusão, a equidade e a diversidade são fundamentais para o ensino superior e representam aquilo que queremos para a universidade hoje”, afirmou.

O Processo Seletivo para Vagas Suplementares UFSC 2027 é destinado exclusivamente a pessoas indígenas, quilombolas, com deficiência (PCD) e pessoas trans que tenham concluído ou estejam em vias de concluir o Ensino Médio até a data da matrícula.

Para o presidente da Coperve, professor Manoel Teixeira dos Santos, a realização dos processos seletivos representa um avanço na construção de uma universidade mais inclusiva e atenta às diferentes realidades sociais. “A democratização do acesso ao ensino superior é a principal marca destes processos seletivos que aconteceram hoje. São públicos que muitas vezes não recebem a devida atenção em outros momentos. Um processo seletivo que atenda a esses diferentes públicos consolida uma perspectiva que a Universidade defende cada vez mais, que é a valorização da diversidade e a inclusão dessas categorias”, ressaltou.

Manoel também destacou a preocupação da Coperve em elaborar avaliações contextualizadas, que considerem as experiências e as realidades dos candidatos. “Da mesma forma, o processo de avaliação, com as provas, também procura atender a essas diferentes realidades, com questões bastante contextualizadas, que aproximam os conteúdos da realidade dos candidatos. Todo esse processo consolida o acesso e a inclusão na UFSC”, completou.

Tema da redação destacou a conquista do voto feminino no Brasil

Os candidatos receberam três textos de apoio sobre o voto feminino no Brasil: o primeiro apresentava cinco fatos relacionados à conquista do voto feminino no país; o segundo trazia um trecho de reportagem com uma declaração machista sobre o voto das mulheres, que gerou indignação nacional; e o terceiro reproduzia uma publicação do perfil oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no Instagram, sobre o marco de 1933 na conquista do direito ao voto no Brasil.

A partir desses materiais, os participantes puderam escolher entre três propostas de produção textual: uma dissertação sobre a importância do voto feminino para a democracia brasileira; um artigo de opinião sobre os impactos do voto feminino na sociedade brasileira atual; ou uma carta aberta dirigida ao Tribunal Superior Eleitoral, manifestando posicionamento sobre a importância do voto feminino para a democracia brasileira.

A proposta abordou um marco da história política brasileira e possibilitou aos candidatos refletir sobre democracia, participação política, direitos e igualdade, articulando informações históricas e questões presentes na sociedade contemporânea. Com a realização dos três processos seletivos, a UFSC e o IFC reafirmam a importância de ampliar as possibilidades de acesso à educação pública, gratuita e de qualidade e potencializa o papel das universidades e dos institutos federais na promoção da inclusão, da equidade e da diversidade, contribuindo para a formação acadêmica e para o desenvolvimento social.

Tags: CoperveProcesso SeletivoReitoriaUFSCVestibular

Comissão analisa dados com objetivo de aumentar número de concluintes nos cursos da UFSC

02/12/2024 16:03

Dados parciais foram apresentados nesta segunda-feira em evento público (Fotos: Mateus Mendonça)

A busca ativa de estudantes para favorecer a permanência e o êxito, a análise dos currículos e a análise qualitativa e quantitativa de fatores que levam à desistência ou abandono são algumas das propostas da Comissão de Análise da Evasão e Retenção nos Cursos de Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina para aumentar o percentual de estudantes que se formam. O grupo, que agora é permanente, apresentou nesta segunda-feira, 2 de dezembro, dados parciais de um estudo realizado em todos os cursos e campi da UFSC.

“O fenômeno da evasão, em toda sua multidimensionalidade, é uma preocupação entre educadores(as) de todo o mundo”, avalia o documento assinado pelo grupo. O objetivo do trabalho multidisciplinar é se debruçar sobre dados concretos para minimizar os efeitos econômicos, sociais e organizacionais da evasão. O trabalho é liderado pela Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd).

O Censo da Educação Superior divulgado pelo Ministério da Educação (MEC) em outubro deste ano revela que, no Brasil, 51% dos alunos cotistas da rede federal concluíram o curso, enquanto o índice entre os não cotistas foi de 41%. No estudo da UFSC, o foco foram as matrículas, não os CPFs – isso significa que situações de alunos que saíram de um curso e reingressaram em outro, por exemplo, não estão contempladas nessa análise.

O estudo cobre o período de 2008 a 2023. Na análise de evasão parcial, 45,6% das matrículas evadiram e 31% se formaram, enquanto 23,4% estão com o status de regular, podendo futuramente se formar ou evadir. Ao longo do tempo, os anos de 2008 e 2009 indicavam índices de formandos acima do índice de desistentes. Entre 2011, 2012 e 2013, no entanto, houve uma inversão nos gráficos.

A comissão também fez análises que cruzam outros indicadores, como por exemplo o do conceito dos cursos na avaliação do MEC, além da distribuição por campus, ao longo do tempo. Os centros de ensino e a idade dos ingressantes também compõem os interesses do grupo que se debruçou sobre o assunto.

Faixa etária, raça e pontuação no Vestibular

Reitor Irineu Manoel de Souza abriu o evento e acompanhou a apresentação dos dados de evasão

No caso da faixa etária, o relatório aponta que o percentual maior de formandos está na faixa etária daqueles que ingressaram entre os 16 e 19 anos. Proporcionalmente, a evasão aumenta a partir dos 56 anos, chegando a 92% entre os ingressantes com 72 a 75 anos. Com relação ao gênero, mulheres registram o maior percentual de formadas no período de 2008 a 2023. Entre os homens, há um volume de 49% de evadidos.

Com relação à raça, pessoas negras e pardas atingem os maiores números de evasão na distribuição percentual, mas ficam atrás de uma categoria também presente na análise: a daqueles que não informaram sua raça. Entre estes, 71% estão listados como evadidos.

Outro ponto analisado pelo grupo diz respeito à pontuação para o ingresso via Vestibular e SISU e o índice de aproveitamento acumulado, dados que estariam relacionados ao desempenho e rendimento dos estudantes nos cursos. No caso do Vestibular, quanto mais alta a pontuação, menor o abandono. Esta lógica também ocorre com relação às notas durante a graduação: quanto mais altas, menores os índices de evasão.

O estudo ainda identifica o número de abandono comparativamente à questão da correspondência entre a cidade de residência e o campus onde o estudante está matriculado. O abandono é maior entre aqueles que se matriculam em cidades onde não residem.

A comissão apontou quatro sugestões administrativas para que os ​​dados e informações de interesse sejam melhor aproveitados, além de sugerir nove ações de gestão. Serão designadas comissões para elaboração da política institucional e dados e análises por dashboards. Os dados também serão apresentados, com recortes focados nos diferentes centros de ensino da UFSC.

 

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