Orquídeas em jardim da UFSC guardam a lembrança do professor Cancellier nove anos após sua partida

02/10/2026 14:43

Foto: Acervo Agecom

Luiz Carlos Cancellier de Olivo. Quem conviveu com o professor conta que ele encontrava nas flores a mesma paciência que dedicava às pessoas: o cuidado de quem sabe que as coisas boas levam tempo para florescer. Para os amigos e familiares, era simplesmente “Cau”, um homem de conversa fácil, que acreditava no diálogo como forma de resolver conflitos e que tratava a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) não apenas como um local de trabalho, mas um projeto de vida.

Nascido em Tubarão, no sul catarinense, em 13 de maio de 1958, Cancellier era filho de uma costureira e de um operário e cresceu ao lado dos dois irmãos, Júlio e Acioli. Chegou à UFSC em 1977, como estudante de Direito, em um Brasil ainda sob a ditadura militar. Jovem, engajou-se no movimento estudantil e nas campanhas pela redemocratização, mesmo sob o risco de prisão. O envolvimento com a vida pública o levou a interromper os estudos para se dedicar ao jornalismo, carreira que o conduziu a Brasília, onde foi assessor parlamentar no Senado Federal entre 1992 e 1994.

Em 1995, voltou à UFSC – e dela não saiu mais. Retomou o curso de Direito, graduando-se em 1998, tornou-se mestre em 2001 e doutor em 2003, no Centro de Ciências Jurídicas (CCJ), com a tese “A reglobalização do Estado e da Sociedade em rede na era do acesso”. Em paralelo, construiu uma trajetória sempre próxima da gestão pública: foi assessor da presidência do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), especializou-se em Gestão Universitária e Direito Tributário e, em 2003, atuou como coordenador-geral da Secretaria de Estado da Saúde (SES).

Foi em 2005 que ingressou como professor do CCJ, lecionando disciplinas de Direito Administrativo. A partir dali, a ascensão foi rápida e marcada pela confiança dos colegas: coordenador do curso e membro do Conselho Universitário (CUn) em 2008, chefe de departamento por três anos a partir de 2009, presidente da Fundação José Arthur Boiteux e, no início de 2012, diretor do CCJ.

Foto: Acervo Agecom

Em 2015, encabeçou a chapa “A UFSC pode mais”, ao lado da professora Alacoque Lorenzini Erdmann, e venceu a eleição para a Reitoria. Tomou posse em maio de 2016 com uma frase que hoje soa como síntese de sua forma de estar no mundo: “Por mais que as dificuldades surjam, uma palavra de conciliação, de abertura e de diálogo sempre pode trazer uma luz”. Sua gestão apostou na descentralização administrativa e na participação dos centros e unidades nas decisões, com a meta de unir excelência acadêmica e eficiência na administração.

O mandato foi tragicamente interrompido em 14 de setembro de 2017, quando Cancellier foi preso e afastado do cargo. Liberado dias depois, recebeu a proibição de entrar na Universidade e de manter contato com os colegas de trabalho – afastado, portanto, do lugar ao qual dedicara toda a vida. Em 2 de outubro de 2017, uma segunda-feira, o reitor partiu. Nos anos seguintes, consolidou-se na comunidade acadêmica e fora dela a compreensão de que Cancellier foi vítima de abusos e arbitrariedades cometidos por agentes públicos das áreas policial e judicial, agravados por uma cobertura sensacionalista e superficial de parte dos meios de comunicação.

A homenagem

Homenagem ao professor e ex-reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

Na manhã desta sexta-feira, 2 de outubro, a comunidade universitária, amigos e familiares se reuniram no Jardim Cancellier, localizado no CCJ da UFSC, para recordar sua trajetória e preservar seu legado, após nove anos de sua morte. As orquídeas de que Cancellier tanto gostava foram plantadas em um lugar especial que leva o seu nome, construído em dezembro de 21023 com o apoio da Fundação José Arthur Boiteux (Funjab), Fundação Stemmer para Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (Feesc) e Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese). O espaço também abriga uma escultura do artista Plínio Verani.

Organizada e conduzida pelo Centro Acadêmico XI de Fevereiro (CAXIF), a cerimônia teve início com a manifestação do representante dos estudantes, João Gabriel Bez Birolo, e seguiu com as falas de representantes da Reitoria da UFSC e da Direção do CCJ, do irmão Julio Cancellier e dos professores Samuel da Silva Mattos (CCJ) e Enio Luiz Pedrotti (CCA), e do bolsista da Pró-Reitoria de Extensão (Proex), Breno Yasuda. O irmão Acióli Cancellier também prestigiou o momento, bem como a vice-reitora Felipa Amadigi e o reitor Amir de Oliveira.

Em sua fala, o reitor Amir convidou os presentes a lembrar toda a sua trajetória, começando pelo jovem estudante que viveu a efervescência política do fim dos anos 1970 e início dos anos 1980. Pediu que a comunidade imaginasse o que significava participar da vida estudantil naquele período e, em seguida, recordou o momento de violência e arbitrariedade que atingiu Cancellier e a universidade. Segundo o reitor, o professor foi submetido a procedimentos abusivos, preso e afastado da UFSC antes de tirar a própria vida. “Cancellier morreu e a UFSC adoeceu. As universidades públicas brasileiras adoeceram”, afirmou. Amir descreveu a tristeza profunda que se instalou na instituição e deixou uma pergunta que, para ele, permanece sem resposta: como uma universidade dedicada à ciência, ao conhecimento e ao diálogo pôde ser envolvida em acontecimentos daquela gravidade? O reitor lembrou que a conclusão das investigações, anos depois, afastou as acusações penais. Ainda assim, disse, a UFSC seguiu seu caminho sentindo a falta de Cancellier.

Para Amir, o monumento inaugurado em homenagem a Cancellier ajuda a preservar essa história e a lembrar à comunidade universitária e à sociedade o compromisso com a defesa da instituição, o devido processo legal e, sobretudo, o respeito à dignidade humana. Mas o reitor ressaltou que a memória do professor não deve se limitar à violência que sofreu. Recordou sua defesa da inclusão e da democratização do ensino superior, sua dedicação às aulas e aos estudantes e a atenção que dispensava às pessoas como gestor. “Cau era conciliador. Era uma pessoa simples e um amigo querido para tantos que estão aqui”, disse. Ao encerrar, evocou o docente que amava a UFSC e era capaz de unir a universidade em torno de seus ideais e compromissos sociais. Que essa lembrança, desejou, ajude cada integrante da comunidade a colocar seus próprios tijolos na história da instituição.

Seu irmão Julio agradeceu a quem trabalhou para preservar sua memória e destacou o significado da frase inscrita no monumento: “Minha morte foi decretada quando fui banido da universidade”. Para Julio, as palavras são especialmente dolorosas porque a UFSC era a casa de Cancellier. Ele também agradeceu à atual gestão da universidade pelo diálogo com a sociedade, uma aproximação que, em sua avaliação, dá continuidade a uma convicção do professor: a universidade faz parte da comunidade que a cerca.

Ao se dirigir especialmente aos estudantes que não tiveram a oportunidade de conhecer Cancellier, Julio lembrou o jovem que saiu de Tubarão e encontrou no movimento estudantil um caminho para defender a união. Segundo Julio, essa disposição para reunir pessoas acompanhou Cancellier da vida estudantil à docência e à reitoria, onde valorizou a participação de estudantes, técnicos e professores. Na homenagem, quis deixar viva também essa imagem: a de um homem sonhador que acreditava na força coletiva da universidade.

Exemplares de orquídeas, doados pela Reitoria, pelo centro acadêmico e pela Direção do CCJ, passaram, ao final da homenagem, a compor o jardim. O gesto encerrou o ato com algo que permanece: flores colocadas em um espaço de convivência, onde a memória de Cancellier seguirá presente no cotidiano da universidade.

 

Com informações de: Cinco anos sem Cancellier: o legado de uma vida interrompida [Notícias UFSC]

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

Tags: CAXIFCCJDireitoFundação José Arthur BoiteuxLuiz Carlos Cancellier de OlivoReitoriaUFSC

Reitoria da UFSC realiza reuniões em dois centros de ensino sobre prioridades para ano letivo

27/01/2026 09:05

Reunião do GR com o CCJ. Foto: Secom

Na quinta e sexta-feira, 22 e 23 de janeiro, o Gabinete da Reitoria (GR) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) deu continuidade ao cronograma de reuniões com as direções dos centros de ensino e dos campi para definir as prioridades do início do ano letivo.

O segundo e terceiro encontros ocorreram no Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) e no Centro Socioeconômico (CSE), com a presença do reitor Irineu Manoel de Souza, dos pró-reitores Werner Krauss (Pesquisa e Inovação), Dilceane Carraro (Graduação e Educação Básica), e Vilmar Michereff Junior (Administração), do diretor executivo da Pró-Reitoria de Extensão (Proex), Narbal Silva, do secretário de Comunicação, Marcus Pêssoa, do chefe de Gabinete, Bernardo Meyer, da diretora-geral do GR, Camila Pagani, do assessor institucional do GR, Alexandre Verzani, e do prefeito universitário, Matheus Lima Alcantara. Da parte dos dois centros, diretores e servidores.

As solicitações apresentadas foram majoritariamente relacionadas à manutenção, melhorias no ambiente físico e de acessibilidade. Entre as demandas discutidas, destaca-se a aquisição de novos aparelhos de ar-condicionado, sendo que 12 equipamentos foram recentemente adquiridos. O prefeito universitário Matheus confirmou que a manutenção dos equipamentos já está em andamento.

Reunião do GR com o CSE. Foto: Secom

A principal novidade anunciada pela gestão foi a criação do Núcleo de Acompanhamento da Evasão em todos os centros de ensino da UFSC. O novo núcleo será dedicado a trabalhar estratégias para reduzir ainda mais esses números em cada um dos centros de ensino da UFSC. Para viabilizar essa iniciativa, cada centro receberá Função Gratificada nível 3 (FG3) destinada exclusivamente à estruturação desse setor. O núcleo funcionará em interlocução com a Prograd, a Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE) e a Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidades (Proafe). Informou-se que a Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e Comunicação (SeTIC) desenvolveu um novo sistema específico para o acompanhamento dos dados de evasão.

O pró-reitor Michereff mencionou que a universidade agora conta com uma ata de manutenção de projetores, serviço que já está em funcionamento e atende às necessidades dos centros de ensino. Esse contrato ativo garante que os equipamentos de projeção recebam manutenção regular, evitando interrupções nas atividades acadêmicas.

O GR continuará o ciclo de reuniões com os demais centros e campi da UFSC nas próximas semanas, mantendo o compromisso de ouvir as demandas específicas de cada unidade e buscar soluções integradas para o início do ano letivo.

Próximos encontros:
•⁠ ⁠Centro de Desportos (CDS): 30/1, às 10h;
•⁠ ⁠Centro de Ciências Biológicas (CCB): 2/2, às 10h;
•⁠ ⁠Centro de Ciências Físicas e Matemáticas (CFM): 6/2, às 9h;
•⁠ ⁠Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH): 9/2, às 10h;
•⁠ ⁠Centro de Ciências da Saúde (CCS): 10/2, às 10h;
•⁠ ⁠Centro Tecnológico (CTC): 11/2, às 10h;
•⁠ ⁠Centro de Comunicação e Expressão (CCE): 12/2, às 10h;
•⁠ ⁠Centro de Ciências Agrárias (CCA): 13/2, às 10h.

Divisão de Imprensa do GR | SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Tags: CCJCSEGabinete da ReitoriaNúcleo de Acompanhamento da EvasãoPraePrefeitura UniversitáriaPROADProexProgradPropesqSeticUFSC

UFSC assina acordo de cooperação com a Polícia Civil para ofertar Mestrado Profissional em Direito

15/09/2022 10:18

(Foto: Bernardo Meyer/GR/UFSC)

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, visitou nesta segunda-feira, 12 de setembro, a Academia de Polícia Civil de Santa Catarina (Acadepol). Na ocasião, Irineu assinou um acordo de cooperação entre a Universidade e corporação para oferta do curso de Mestrado Profissional em Direito exclusivo para a Polícia Civil. 

Estiveram presentes o vice-diretor do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ/UFSC), professor Samuel da Silva Mattos; o diretor da Acadepol, delegado André Luís Bermudez; o diretor-geral da Polícia Civil, Marcos Ghizoni; o professor do Curso de Direito da UFSC, Orides Mezzaroba; o professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia do Conhecimento, João Arthur e o chefe de Gabinete da Reitoria, Bernardo Meyer. 

O objetivo da parceria é fomentar o desenvolvimento de pesquisas que impactem e promovam o desenvolvimento do órgão, além de formular grupos de pesquisadores permanentes. O Programa de Mestrado Profissional em Direito (MPD/UFSC) criou uma linha de pesquisa direcionada para alunos da Polícia Civil, Assembleia Legislativa e outros órgãos públicos. Haverá uma turma específica para cada órgão. Durante o curso, os estudantes devem trabalhar com estudos de caso e resolução de problemas internos na instituição em que atuam.  

A expectativa é que o mestrado profissional capacite e introduza o aluno na legislação e relação imediata com os Direitos Humanos. “A assinatura da cooperação é uma maneira de projetar o programa de Mestrado da Universidade e demonstra a capacitação dos professores. Pesquisas anteriores já impactaram outras instituições e em breve estaremos organizando novas parcerias”, destaca o professor Orides Mezzaroba.

Robson Ribeiro/Estagiário Secretaria de Comunicação UFSC

Tags: administração centralCCJDireitoparceriasPolícia CivilUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina