Colegiado da UFSC aprova novas diretrizes para periódicos científicos institucionais

02/10/2025 17:07

Na última sessão do Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 30 de setembro, o colegiado aprovou as Diretrizes para Ingresso, Permanência e Descontinuidade de Periódicos Científicos Institucionais no Portal de Periódicos da UFSC. A decisão unânime veio ao encontro do compromisso da Universidade com a promoção da ciência aberta, a qualidade editorial e a projeção da produção científica. Segundo o parecer, o Portal “promove o acesso aberto, a visibilidade, a segurança e o suporte aos editores dos periódicos científicos que hospeda”.

As novas diretrizes foram elaboradas de forma colaborativa pelo Conselho Consultivo e Deliberativo (CCD) do Portal de Periódicos da UFSC, com base em critérios técnicos, boas práticas internacionais e princípios como equidade, transparência e sustentabilidade. De acordo com a relatora, o resultado do processo de revisão “culminou na elaboração de uma minuta” que reúne critérios de ingresso, permanência e descontinuidade, além de orientações sobre migração de periódicos e prazos de adequação. O documento estabelece um processo estruturado para avaliação dos periódicos vinculados à instituição, buscando fortalecer a política editorial institucional, otimizar a alocação de recursos e alinhar as publicações às exigências de indexadores e agências de fomento.

A relatora do processo, a conselheira Verônica Pereira Orlandi, destacou que há avanços em relação à versão anterior, aprovada em 2016. “O documento apresenta melhorias na sua estrutura e detalhamento nos subcapítulos com a inclusão de informações importantes. Essas contribuições são fruto de acúmulo de discussões e devem ser aprovadas”, registrou. Entre as principais melhorias estão a definição de critérios detalhados para ingresso e permanência de periódicos, a inclusão de orientações claras sobre a migração e descontinuidade de publicações e a adoção de princípios de ciência aberta. O parecer também ressalta “critérios mais claros para ingresso e permanência, como diversidade institucional, política de ciência aberta e responsabilidade financeira compartilhada”, bem como medidas para reforçar o combate à publicação predatória e a preservação da credibilidade institucional.

Outro ponto importante é o reforço ao princípio de não concorrência interna, entendido como essencial para a união de esforços editoriais dentro da UFSC. Conforme as atas referidas no parecer e a síntese da relatora, houve “a adoção do princípio de não concorrência interna, entendendo que o desenvolvimento da publicação científica na UFSC depende da união de esforços”. O documento também consolida parâmetros objetivos de desempenho, como o quantitativo mínimo anual de publicações por periódico, para garantir a permanência na plataforma.

A conselheira-relatora sugeriu, ainda, ajustes de transparência institucional: “o documento de 2016 apresentava um capítulo que versava sobre a Estrutura do PPUFSC, indicando a composição do CCD”, informação que considera relevante e que “pode ser incluída no documento apresentado”. Ela recomendou incorporar “na Apresentação ou na forma de Apêndice, a contextualização, estrutura e composição dos quatro elementos” que sustentam o ecossistema: o Portal de Periódicos UFSC, o Laboratório de Periódicos Científicos UFSC, a Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e Comunicação (SETIC) e o Conselho Consultivo e Deliberativo (CCD).

Criado em 2008 e institucionalizado em 2016, o Portal de Periódicos da UFSC é uma referência nacional em comunicação científica de acesso aberto, hospedando atualmente 44 periódicos científicos. Para a relatora, a institucionalização de 2016 fortaleceu a posição da UFSC como “editora científica (Publisher), produtora e curadora de conteúdo acadêmico de qualidade, promovendo a sustentabilidade e a inovação”. Com a aprovação das novas diretrizes, a UFSC reforça sua posição como protagonista na curadoria e disseminação do conhecimento acadêmico, alinhando-se às melhores práticas editoriais e às transformações no cenário científico nacional e internacional. No voto, Orlandi foi favorável para a aprovação do documento mediante a inclusão de informações sugeridas no parecer.

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

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Curso da UFSC promove reflexão e ações para enfrentamento às violências de gênero

01/10/2025 17:25

Abertura do curso Enfrentamento às Violências de Gênero em Perspectiva Interseccional. Fotos: Divulgação

O curso Enfrentamento às Violências de Gênero em Perspectiva Interseccional é uma iniciativa institucional que busca promover a compreensão das relações de gênero e suas interseccionalidades, possibilitando o reconhecimento das diversas formas de violência de gênero e incentivando a construção de práticas que promovam a equidade no ambiente de trabalho em educação.

Organizado pela Divisão de Capacitação Continuada (DiCC), vinculada à Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodegesp), em parceria com a Coordenadoria de Diversidade e Equidade de Gênero (CDGEN), da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), o curso reúne 22 participantes, entre docentes e técnicos-administrativos da UFSC, além de servidores da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).

A abertura do curso, realizada no dia 1º de outubro, contou com a presença das pró-reitoras Sandra Regina Carrieri de Souza (Prodegesp) e Leslie Sedrez Chaves (Proafe), e do diretor do Departamento de Desenvolvimento de Pessoas (DDP), Guilherme Fortkamp da Silveira. A presença dos gestores reafirma o compromisso institucional da UFSC com a promoção da equidade de gênero como um eixo central de suas políticas e práticas.

Na abertura do curso estiveram presentes as pró-reitoras Sandra Regina Carrieri de Souza (Prodegesp) e Leslie Sedrez Chaves (Proafe), e o diretor do DDP, Guilherme Fortkamp da Silveira

O curso será composto por cinco encontros presenciais. No primeiro, com a docente Marilise Luiza Martins dos Reis Sayão, será debatido o tema “Sociedade, trabalho, educação e desigualdades”, abordando como as estruturas sociais e educacionais se articulam ao mundo do trabalho, produzindo e reproduzindo desigualdades. O segundo encontro, conduzido pela docente Grazielly Alessandra Baggenstoss, tratará de “Gênero e Feminismos”, discutindo correntes feministas, marcos históricos, desafios contemporâneos e suas implicações jurídicas e sociais. No terceiro, Mirê Chagas, assistente social e egressa da UFSC, abordará “Gênero e Transgeneridade”, discutindo vivências e direitos de pessoas trans, com ênfase em políticas públicas, inclusão institucional e enfrentamento de estigmas. O quarto encontro, conduzido pelas servidoras técnicas Carolina Seidel e Paula Vielmo, tratará de “Violências de gênero”, com foco nas tipificações, mecanismos de prevenção, acolhimento, protocolos institucionais e redes de apoio. Por fim, no quinto encontro, a docente Luana Renostro Heinen discutirá “Lutas e políticas públicas para a equidade de gênero”, apresentando estratégias de incidência política, marcos legais e experiências de implementação de políticas de equidade em diferentes contextos.

Sobre a iniciativa, o reitor da UFSC Irineu Manoel de Souza expressou que o “combate às violências de gênero é um compromisso inegociável da Universidade com os direitos humanos, a democracia e a excelência acadêmica”. Agradeceu as equipes envolvidas por estruturarem uma formação que cumpre com o seu objetivo que, em outras palavras, “não estamos apenas sensibilizando: estamos decididos a transformar processos, rotinas e decisões”. Irineu também sublinhou três compromissos que orientam esta iniciativa: aprendizagem aplicada, institucionalidade e cuidado. “Equidade de gênero não é pauta periférica, é diretriz de planejamento, orçamento, formação e avaliação; e a dignidade de cada pessoa é o nosso princípio operacional”, o que exige procedimentos claros, canais acessíveis de denúncia e uma cultura ativa de prevenção, destacou.

Mais informações sobre os cursos oferecidos no site https://capacitacao.ufsc.br/

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

 

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Festas na UFSC: decisão institucional sobre novas regras fica para próxima sessão

01/10/2025 08:28

O Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) analisou, na tarde desta terça-feira, 30 de setembro, proposta de revisão da Resolução Normativa nº 002/2009, sobre a autorização e utilização de espaços físicos da Universidade para a promoção de festas. O parecer substitutivo, assinado pelo conselheiro-relator Hamilton de Godoy Wielewicki, manifestou-se favorável à aprovação do mérito da proposta. O processo foi requerido pela Pró-Reitoria de Permanência e Assuntos Estudantis (PRAE).

A nova proposta de resolução, elaborada pelo Grupo de Trabalho Festas UFSC, foi construída a partir de um extenso processo de escuta e participação, incluindo reuniões com toda a comunidade universitária, sociedade civil e órgãos de segurança pública. O relator Hamilton ressaltou que a minuta é, em princípio, “bem-vinda, especialmente por incorporar a definição mais explícita de condições para a realização de eventos com ampliação da garantia de bem estar e segurança para as pessoas que deles participam”.

Principais alterações e estrutura

O documento normativo propõe a divisão das festas em duas categorias principais:

  1. Festas Universitárias: realizadas na Praça da Cidadania, no Campus Trindade, em Florianópolis, com público máximo de 8 mil pessoas.
  2. Festas em Unidades: realizadas em espaços sob gestão das unidades de ensino, com público máximo de 300 pessoas.

O parecer detalhou as mudanças em relação à normativa vigente. Entre elas, destacou-se que a solicitação para realização de festas deverá ser feita mediante um Plano de Execução e deverá tramitar para as unidades ou para a Prefeitura Universitária (PU), deixando de ser encaminhada à PRAE. Os prazos para apreciação também foram estendidos, variando entre 10 e 20 dias úteis antes dos eventos, dependendo da categoria da festa.

A nova resolução também inclui a manifestação obrigatória da Secretaria de Segurança Institucional (SSI) no processo autorizativo, cabendo a ela a apreciação do plano de segurança. Além disso, a minuta reconfigura o horário de realização das festas, com horários de término reduzidos em relação à resolução anterior, e prevê protocolos a serem observados para o enfrentamento de violências, em conformidade com a legislação.

Preocupação com infraestrutura e segurança

O conselheiro-relator, ao fundamentar seu voto, destacou a importância de reconhecer o papel das celebrações na vida acadêmica. De modo indireto, Wielewicki observou que a universidade, “como local de convívio e de construção de vínculos, demanda que espaços de lazer, de confraternização, de atividades culturais e artísticas sejam considerados como de interesse geral e que possam ser vistas, sob certo sentido, como constitutivas das vivências que estudantes, servidores técnico-administrativos e docentes e, também, a comunidade podem ter na universidade”.

No entanto, Hamilton salientou que “a preocupação com a segurança e com o bem-estar de participantes desses eventos parece perpassar a tessitura da atualização da resolução ora vigente”. A relatoria informou ter consultado normativas de outras 12 instituições (10 federais e duas estaduais), e observou que, apesar da minuta da UFSC já ser robusta, ela carecia de menção explícita a dois requisitos frequentemente encontrados em outras universidades: o provimento de estrutura de atendimento emergencial de saúde e o fornecimento gratuito de água potável aos participantes.

Sugestões do Relator

O conselheiro relator votou favoravelmente à aprovação do mérito, mas sugeriu que o Conselho Universitário considere a inclusão de quatro destaques à minuta:

  1. Distinção de porte: distinguir de modo mais evidente as festas universitárias como eventos de grande porte e as festas de unidade como eventos de pequeno e médio porte;
  2. Infraestrutura mínima: assegurar que os locais autorizados para festas nas unidades tenham condições mínimas – ainda que provisórias – de infraestrutura. Essa preocupação foi levantada pelo GT Festas UFSC sobre a carência de sanitários públicos fixos ou móveis no campus;
  3. Saúde e hidratação: incluir demandas e responsabilidades sobre hidratação e cuidados emergenciais de saúde no Plano de Execução, especialmente para festas de grande porte;
  4. Restrições e dispersão: incluir uma definição mais clara sobre as restrições à venda e/ou distribuição de bebidas alcoólicas e uma asserção sobre elementos do protocolo de dispersão das festas, definindo o escopo das responsabilidades durante este período.

Tais exigências, segundo o relator, “agregam complexidade ao processo de planejamento e execução de eventos de grande porte, uma expectativa compatível com o tamanho da responsabilidade, bem como com os riscos implicados na autorização de eventos por parte da universidade ou de suas unidades”.

Após a leitura do parecer, e diante de um pedido de vistas, a pauta foi encerrada e será deliberada em nova sessão.

A sessão foi transmitida ao vivo pelo canal do CUn no YouTube.

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

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Reitoria da UFSC prestigia inauguração de Empresa Júnior de Tradução

30/09/2025 16:15

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, e a pró-reitora de Graduação e Educação Básica, Dilceane Carraro, participaram da inauguração da Letraduz, Empresa Júnior de Tradução vinculada ao Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras (DLLE) do Centro de Comunicação e Expressão (CCE).

Realizada na manhã desta terça-feira, 30 de setembro, na sede da Letraduz (sala 219, Bloco A do CCE), a solenidade marcou um avanço no fortalecimento do diálogo entre ensino, pesquisa, extensão e sociedade. O evento celebrou a consolidação de um projeto em operação desde o ano passado, que já contribui para a formação prática dos estudantes e impulsiona a inovação e a internacionalização da Universidade.

Criada por estudantes dos cursos de Letras Estrangeiras, a Letraduz oferece serviços de tradução, legendagem, transcrição e revisão. Com o lema “Serviços de linguagem personalizados”, a empresa realiza traduções de abstracts, artigos, históricos escolares e cover letters, além de revisão e legendagem do português para línguas estrangeiras e vice-versa (exceto tradução juramentada).

A empresa júnior atua em inglês, espanhol, francês, italiano e alemão, atendendo docentes, estudantes e a comunidade em geral. O propósito é claro: proporcionar experiência profissional aos membros enquanto entrega serviços de alta qualidade aos clientes.

Para o reitor, “as empresas juniores são ambientes privilegiados de aprendizagem ativa”. Nesses espaços, destaca Irineu, os estudantes “aplicam o que aprendem em sala de aula, desenvolvem competências técnicas e socioemocionais, gerenciam prazos e projetos, constroem portfólios, experimentam processos de qualidade e ética profissional e, sobretudo, entendem o valor do trabalho colaborativo”. Na avaliação do reitor, essa vivência “prepara para o mercado de trabalho de forma concreta, sem abrir mão do rigor acadêmico” e é “onde teoria e prática se encontram”.

Em mensagem aos estudantes, Irineu reforçou o convite: “Que sigam ousando, aprendendo e empreendendo”. Ele incentivou a comunidade estudantil a aproveitar a iniciativa “para aperfeiçoar idiomas, ferramentas, gestão e atendimento”. “Façam da empresa um laboratório de excelência, aberto ao diálogo com outras áreas, com outras empresas juniores e com o ecossistema de inovação da UFSC”, afirmou.

Mais informações sobre os serviços oferecidos pelo e-mail: letraduz.ufsc@gmail.com; ou nas redes sociais da empresa: Instagram e LinkedIn.

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
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UFSC aprova título de Doutor Honoris Causa ao padre Vilson Groh

30/09/2025 15:37

Padre Vilson Groh. Foto: IVG

O Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realizou na tarde desta terça-feira, 30 de setembro, sessão especial dedicada à apreciação da concessão do título de Doutor Honoris Causa ao padre Vilson Groh. O nome do homenageado foi escolhido pela ampla maioria dos conselheiros pela extensa trajetória de Groh como educador popular e líder comunitário, marcada pela luta pela justiça social e pela atuação junto a comunidades vulneráveis de Florianópolis.

A indicação do título acadêmico partiu da Cátedra Antonieta de Barros: Educação para a Igualdade Racial e recebeu aprovação unânime em instâncias internas da Universidade, incluindo o Departamento de Estudos Especializados em Educação e o Conselho de Unidade do Centro de Ciências da Educação (CED).

No parecer conclusivo, o conselheiro-relator Sérgio Romanelli manifesta-se integralmente favorável à concessão do título, ressaltando o padre como referência de compromisso com a dignidade humana e a pluralidade cultural brasileira, incluindo o respeito e a valorização das religiões afro-brasileiras. O texto enfatiza ainda a criação e a atuação do Instituto Padre Vilson Groh (IVG), que, por meio de programas de educação, inclusão financeira e mobilização social, beneficia milhares de crianças, jovens e famílias na capital catarinense.

O título de Doutor Honoris Causa é concedido pela UFSC “a pessoas eminentes, que não necessariamente sejam portadoras de um diploma universitário mas que se tenham destacado em determinada área (artes, ciências, filosofia, letras, promoção da paz, de causas humanitárias etc), por sua boa reputação, virtude, mérito ou ações de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições”.

Vilson Groh

“Quando falo em fome, não é só da fome de pão, mas também da fome da beleza, da fome pela liberdade, da fome pela solidariedade, da fome por amizade. É a fome da materialidade de esperança de que é possível sim, um dia, haver equilíbrio entre as pessoas que vivem na humanidade e que produzem a riqueza, e que esta riqueza seja revertida dignamente para todos que a produzem, para que ninguém fique excluído dela. Esta é a motivação que me alimenta e me persegue diariamente”.

Padre Vilson Groh é uma liderança social e religiosa, educador popular e articulador comunitário. Nascido em 24 de abril de 1954 em Brusque, migrou para Florianópolis na década de 1970 para estudar Teologia no Instituto Tecnológico de Santa Catarina e, desde então, dedicou-se integralmente às periferias urbanas, inicialmente no bairro Pantanal e, a partir de 1979, no morro do Mocotó, onde o encontro com a umbanda e o sagrado das religiões afro-brasileiras ampliou sua compreensão sobre a pluralidade religiosa e cultural do país.

Ordenado diácono e presbítero em 1981, decidiu morar no próprio morro do Mocotó diante da precariedade habitacional que testemunhou, estabelecendo-se em seguida no Monte Serrat, de onde passou a tecer pontes entre igreja, poder público, setor privado e atores sociais locais para fortalecer condições de vida dignas nos morros de Florianópolis. Sua atuação, que conjuga fé, mobilização comunitária e compromisso com a justiça social, consolidou-se em iniciativas de educação e cidadania, sem perder a dimensão acadêmica: em 1998 concluiu o mestrado em Educação pela UFSC, integração simbólica e prática entre universidade e território.

Em 2011, fundou o IVG, estrutura que coordena sete organizações sociais voltadas à educação, cultura, juventude, direitos humanos e mobilização comunitária, oferecendo gratuitamente desde educação básica e formação pré-universitária até inclusão financeira e projetos de inovação tecnológica e social. Apenas em 2022, o IVG alcançou cerca de 5.685 crianças, adolescentes e jovens, além de 2.989 famílias, somando mais de 22 mil pessoas atendidas.

Essa capilaridade levou à formalização de convênios com a UFSC em projetos de extensão que mobilizam estudantes e docentes em ações conjuntas nos territórios do Morro da Cruz e região continental, e, desde 2012, a instituição mantém um programa de bolsas de ensino técnico e superior que apoia o acesso e a permanência de jovens na universidade. Reconhecido estadual e nacionalmente, recebeu o Diploma de Mérito Educacional do Conselho Estadual de Educação (2019), o título de Doutor Honoris Causa pela Unisul (2024), a Comenda da Ordem de Rio Branco no Palácio Itamaraty (2025) e teve sua trajetória documentada em “Pão e Beleza: Caminhos de Padre Vilson” (2024).

Aos 71 anos, permanece morador do Monte Serrat, formando lideranças jovens, assessorando pastorais e projetos sociais e integrando o Colégio de Consultores da Arquidiocese de Florianópolis. O parecer do Conselho Universitário da UFSC destaca que sua vida congrega produção de saberes, ciência e educação popular, materializando o compromisso da universidade pública com os territórios e os saberes plurais, e simboliza um reconhecimento necessário à pluralidade religiosa e identitária do Brasil, com ênfase na centralidade das religiões afro-brasileiras na multiplicidade cultural catarinense e nacional.

Nesse contexto, a UFSC enxerga em Groh “o educador que transcende a sala de aula, o intelectual orgânico que fez do morro sua cátedra e do povo seus mestres”, e cujo exemplo ético e político de integração entre forças diversas para a garantia de direitos e dignidade fundamenta a concessão da honraria.

A sessão especial foi transmitida ao vivo pelo canal do CUn no YouTube.

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
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