Momento histórico: UFSC concede títulos de Emérito a quatro servidores TAEs

18/11/2025 16:11

O Conselho Universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realizou, na tarde desta terça-feira, 18 de novembro, uma sessão especial para avaliar as primeiras concessões do título de Emérito(a) a técnicos-administrativos em Educação (TAEs). Os quatro pedidos, apresentados pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (Sintufsc), foram analisados individualmente pelo colegiado e, ao final, aprovados em conjunto e por ampla maioria, marcando um momento histórico para a categoria.

Criado neste ano, após aprovação pelo Conselho Universitário em 1º de abril, o título tem como objetivo homenagear servidores aposentados pelos notáveis méritos profissionais e pelos relevantes serviços prestados à UFSC. A proposta de incluir os TAEs no Estatuto da Universidade foi apresentada pelo servidor Ricardo João Magro, do campus de Curitibanos, e busca reconhecer profissionais que deixaram um legado significativo para a instituição.

Tradicionalmente concedido apenas a professores e pesquisadores, o título agora também contempla os técnicos-administrativos, destacando a importância estratégica desses profissionais para o funcionamento da universidade. Com essa decisão, a UFSC se alinha a outras universidades federais, como as de Goiás, Rio de Janeiro e Lavras, que já reconhecem em seus estatutos a contribuição excepcional de técnicos-administrativos.

Em assembleia extraordinária realizada no último dia 4 de novembro, o Sintufsc aprovou por unanimidade a indicação de quatro servidores para receberem o título de Emérito(a): Helena Olinda Dalri, Ângela Olinda Dalri, Raquel Jorge Moysés e José de Assis Filho (in memoriam). Todos os pedidos foram encaminhados ao Conselho Universitário e distribuídos aos pareceristas responsáveis pelas relatorias dos respectivos processos.

Assista a sessão especial na íntegra:

Na sequência, um breve relato das trajetórias, extraído dos pareceres:

Ângela Olinda Dalri

Ângela Olinda Dalri. Foto: Acervo Sintufsc

Nascida em 11 de agosto de 1958, Ângela ingressou na UFSC em 8 de março de 1979 como Agente Administrativa, posteriormente reenquadrada como Assistente em Administração. Graduou-se em Licenciatura em Geografia pela própria UFSC em 1990, conciliando a qualificação acadêmica com o trabalho na universidade.

Ao longo de três décadas de serviços prestados à instituição, atuou em diferentes unidades, sempre com reconhecido comprometimento: no Gabinete do Reitor; no Centro de Ciências Biológicas (CCB), onde trabalhou na Secretaria do Centro e no Departamento de Farmacologia; no Centro Socioeconômico (CSE), colaborando nos cursos de graduação e pós-graduação em Administração; e no Centro de Comunicação e Expressão (CCE), no curso de Cinema. Aposentou-se em 18 de agosto de 2009.

Foto: Acervo Sintufsc

Foi uma das protagonistas da criação do Sintufsc, consolidando um espaço coletivo de defesa de direitos dos trabalhadores em educação. Participou de diversas gestões do sindicato (1997–1999, 1999–2001 e 2001–2003), chegando à coordenação-geral, e tornou-se conhecida pela capacidade de articulação, senso de responsabilidade e presença constante nas mobilizações e greves em defesa da universidade pública.

Mesmo após a aposentadoria, manteve forte atuação social, com acolhimento concreto a estudantes e trabalhadores imigrantes, oferecendo moradia e alimentação — gesto amplamente reconhecido pela comunidade local. Sua trajetória é frequentemente associada ao verbo “acolher”, traduzindo um compromisso ético, humano e permanente com a educação pública.

Helena Olinda Dalri

Helena Olinda Dalri. Foto: James Tavares/Acervo Agecom

Nascida em 2 de agosto de 1962, Helena ingressou na UFSC em 4 de março de 1981 como Agente Administrativa, tendo sido posteriormente reenquadrada como Assistente em Administração. Concluiu a graduação em Ciências Econômicas pela própria universidade em 1987, conciliando formação acadêmica com atuação dedicada no Curso de Direito do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ).

Ao longo de 33 anos de serviço, até a aposentadoria em 11 de dezembro de 2014, consolidou-se como referência pelo atendimento competente, acolhedor e comprometido, a ponto de ter sido paraninfa e nome de turmas de formandos, além de constar em agradecimentos de inúmeros trabalhos acadêmicos. Em 2012, a convite dos estudantes, compôs a mesa de abertura do VII Congresso Direito UFSC, nas comemorações dos 80 anos do curso e do Centro Acadêmico XI de Fevereiro, ocasião em que foi publicamente homenageada.

Foto: Acervo Sintufsc

Helena representou a categoria técnico-administrativa no Conselho Universitário em dois períodos — de agosto de 1997 a agosto de 1999 e entre abril de 2013 e dezembro de 2014 —, contribuindo com debates estratégicos para a instituição. Em 2012, recebeu da Câmara de Vereadores de Florianópolis a Medalha de Mérito Francisco Dias Velho, honraria concedida a personalidades que prestam serviços relevantes à comunidade.

Sua trajetória é indissociável da organização sindical na UFSC. Desde os primeiros anos na universidade, integrou o Movimento Alternativo Independente, que protagonizou a luta pela criação do sindicato da categoria. Em 1991, participou da direção da Associação dos Servidores da UFSC e contribuiu para a transformação da entidade em sindicato — um marco histórico na defesa dos direitos trabalhistas. Compôs a direção do Sintufsc nos períodos de 1997 a 1999 e de 1999 a 2001, desempenhando papel central nas grandes greves das décadas de 1980, 1990 e 2000.

José de Assis Filho (in memoriam)

José de Assis Filho. Foto: Acervo Sintufsc

Nascido em 12 de outubro de 1954, Assis ingressou na UFSC em 28 de junho de 1985 e dedicou cerca de 23 anos à instituição, até seu falecimento em março de 2008. Sua passagem pela universidade foi marcada por um carinho notório pela comunidade acadêmica e por uma atuação que deixou marcas profundas no cotidiano institucional.

No Departamento de Administração Escolar (DAE), Assis construiu reputação de excelência. Era conhecido pela presteza, pela gentileza e pela rara capacidade de resolver demandas com eficiência. Colegas e estudantes lembram sua memória prodigiosa nos tempos dos arquivos em papel, quando conhecia “cada pasta” dos milhares de alunos da UFSC, orgulho que traduzia o cuidado com que tratava cada atendimento.

A dedicação à universidade também se expressou na militância. Assis integrou a direção do Sintufsc em sucessivas gestões (1999–2001, 2001–2003, 2003–2005, 2005–2006 e 2007–2009), chegando à coordenação-geral e desempenhando outras funções estratégicas. Entre 1999 e 2001, representou a categoria no Conselho Universitário ao lado de Gerson Rabelo Napoleão. Em 2004, participou da comissão de debates sobre a Reforma Universitária e, em 2006, integrou a comissão responsável por elaborar proposta preliminar de política de ampliação de oportunidades de acesso socioeconômico e diversidade étnico-racial para o vestibular.

A relação próxima com os estudantes marcou profundamente sua trajetória. Com temperamento afável, postura firme nas lutas coletivas e generosidade no cotidiano, construiu a imagem de um servidor que combinava elevado profissionalismo com uma ética do cuidado.

Raquel Jorge Moysés

Raquel Jorge Moysés. Foto: Jones Bastos/Acervo Agecom

Nascida em 20 de maio de 1958, Raquel dedicou 33 anos à UFSC, de 14 de janeiro de 1981 até 6 de maio de 2014, período em que foi decisiva para a consolidação da Agência de Comunicação (Agecom) e para a criação e fortalecimento do Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA). Formada em Comunicação Social – Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná em 1980, especializou-se em Jornalismo Científico em 1983 e concluiu doutorado em Comunicação Social pela Università Cattolica del Sacro Cuore, na Itália, em 1990.

Na Agecom, Raquel iniciou como repórter e, em 1994, assumiu a chefia da Divisão de Jornalismo. Três anos depois, passou à Diretoria de Jornalismo e Marketing, função que exerceu até 2001. Nesse período, coordenou o Jornal Universitário (JU), então referência nacional em comunicação no ambiente acadêmico. Foi também uma das articuladoras da Política Pública de Comunicação da UFSC, documento que se tornou modelo para outras instituições do país por estabelecer diretrizes de transparência, interesse público e participação social na comunicação institucional.

Foto: Acervo Sintufsc

Sua atuação expandiu-se para o campo dos estudos latino-americanos. Em 2004, integrou o projeto Observatório Latino-Americano e, em 2006, esteve no grupo fundador do IELA, primeiro instituto do gênero em universidades brasileiras. No instituto, produziu conteúdo e organizou debates, com destaque para as Jornadas Bolivarianas, evento que desde 2004 reúne pesquisadores do Brasil e do exterior para pensar criticamente a conformação política, econômica e social do continente.

Comprometida com as lutas sociais e com a defesa da universidade pública, Raquel exerceu papel destacado no Sintufsc. Foi diretora de Comunicação e, posteriormente, coordenadora-geral, participando das gestões 2001–2003, 2003–2005, 2005–2006 e 2007–2009. Liderou mobilizações contra o assédio moral, em defesa da valorização da carreira técnico-administrativa e pela universidade pública e gratuita. Nos anos 2000, organizou a mostra cultural Eko Porã, que resgatou, no espaço universitário, a celebração da primavera a partir de referências indígenas brasileiras e latino-americanas.

Reconhecimento e memória institucional

O conselheiro relator Diego Santos Greff, que elaborou o parecer sobre a proposta de criação do título, enfatizou o papel crucial dos TAEs para o funcionamento das universidades federais brasileiras. Segundo o relatório, esses profissionais desempenham atividades essenciais, como a gestão de recursos, suporte a processos acadêmicos, implementação de políticas públicas e modernização administrativa.

“A concessão do título de emérito para a categoria dos técnicos seria uma forma justa e simbólica de reconhecer aqueles que se destacaram por sua dedicação, competência e impacto positivo na nossa instituição”, afirmou o relator.

O servidor Ricardo João Magro, autor da proposta, destacou a relevância desse reconhecimento: “Os TAEs fazem parte da história da universidade, a criação do título seria um importante fator para a preservação da memória institucional, além de um reconhecimento pelo trabalho desenvolvido por estes profissionais ao longo de sua passagem pela UFSC”.

A concessão desses primeiros títulos representa não apenas o reconhecimento de trajetórias individuais marcadas pela excelência e dedicação, mas também a valorização de toda a categoria técnico-administrativa, cuja contribuição é indispensável para o funcionamento e a qualidade da universidade pública brasileira.

Rosiani Bion de Almeida | Divisão de Imprensa do GR
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UFSC organiza evento com mais de 200 profissionais da educação da Região Sul

18/11/2025 12:09

No dia 27 de novembro de 2025, Florianópolis sediará o Workshop Presencial do Curso de Especialização em Educação Digital e Inovação Pedagógica na Educação Básica, uma iniciativa do Ministério da Educação (MEC) em parceria com a Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) — instituição responsável pela coordenação das ações na Região Sul, que abrange Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

O encontro, previsto das 8h às 18h, reunirá cerca de 200 participantes dos três estados do Sul, todos profissionais que atuam diretamente na educação em seus municípios e que desempenham papel estratégico na implementação de práticas inovadoras na rede pública.

O curso de Especialização em Educação Digital e Inovação Pedagógica tem como objetivo qualificar educadores e gestores para o uso crítico, criativo e pedagógico das tecnologias digitais, fortalecendo a inovação nas redes públicas de ensino. O workshop presencial será um momento-chave para articular saberes, promover formação prática e ampliar o alcance das ações desenvolvidas ao longo do curso.

A abertura do evento contará com apresentação da Orkextra da UFSC, sob a regência de Hilton Fernando da Silva Pinheiro. A Orkextra traz uma combinação de timbres e ritmos que dialogam entre si, oferecendo um repertório de notável diversidade sonora.

Ao longo do dia, os participantes terão acesso a atividades formativas, palestra e rodas de conversa sobre experiências pedagógicas inovadoras. O encontro também promoverá a integração entre profissionais de diferentes redes municipais, fortalecendo a colaboração regional.

Segundo Simone Meister Sommer Bilessimo, professora da UFSC e coordenadora regional do projeto, a execução do curso está “alinhada à Política de Inovação Educação Conectada e à Política Nacional de Educação Digital” e parte do princípio de oferecer “apoio técnico às redes de educação básica na formação continuada de gestores municipais e coordenadores estaduais da Estratégia Nacional de Escolas Conectadas (ENEC)”. Ela afirma que a proposta é promover a inovação e o uso pedagógico das tecnologias digitais, além de apoiar a implementação da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) Computação nos currículos das redes de ensino. Para a docente, o workshop também cumpre um papel estratégico de articulação entre os participantes: “Este evento é um espaço de networking, no qual os estudantes podem interagir com colegas, professores e convidados, compartilhar experiências e construir conexões profissionais”, favorecendo, conforme ressalta, a consolidação de uma “rede de colaboração da Região Sul”.

O Curso de Especialização em Educação Digital e Inovação Pedagógica na Educação Básica é um projeto nacional do MEC, desenvolvido pela UFMS em parceria com a UFSC, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), Universidade Federal do Pará (UFPA) e Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com foco na atualização profissional e no desenvolvimento de competências digitais essenciais aos desafios da escola contemporânea.

Serviço:

Evento: Workshop Presencial do Curso de Especialização em Educação Digital e Inovação Pedagógica na Educação Básica
Data: 27 de novembro de 2025 (quinta-feira)
Horário: 8h às 18h
Local: Hotel Cambirela – Av. Marinheiro Max Schramm, 2199, Estreito, Florianópolis (SC)
Parceria: MEC, UFMS e UFSC
Público-alvo: profissionais da educação das redes públicas municipais e estaduais da Região Sul
Mais informações: site do evento.

 

 

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UFSC é homenageada no Jubileu de Diamante da Administração no Estado

18/11/2025 09:25

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) marcou presença na solenidade de celebração dos 60 anos da regulamentação da profissão de Administração no Brasil, realizada na noite desta segunda-feira, 17 de novembro de 2025, no Auditório Azul do Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE/SC). O evento, promovido pelo Conselho Regional de Administração de Santa Catarina (CRA-SC), reuniu profissionais, autoridades e representantes de instituições de ensino para marcar o Jubileu de Diamante da área.

Na ocasião, a UFSC foi agraciada com a Medalha Comemorativa dos 60 anos da Administração, em reconhecimento à sua relevante contribuição para a formação de profissionais e para o fortalecimento da ciência da Administração no Estado de Santa Catarina.

UFSC é homenageada na celebração de 60 anos da regulamentação da profissão de Administração no Brasil. Foto: Divulgação

O reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, acompanhado do chefe de Gabinete, Bernardo Meyer, participou da cerimônia e da solenidade oficial de entrega da Medalha dos 60 anos da Administração. Ambos os professores e gestores da instituição estão vinculados ao Departamento de Ciências da Administração e ministram aulas na graduação e pós-graduação. “A participação da UFSC nesta celebração reafirma nosso compromisso com a formação de profissionais qualificados e com o desenvolvimento da área em Santa Catarina. Os 60 anos da regulamentação da profissão representam um longo percurso de contribuições fundamentais para o progresso econômico e social do país”, destacou o reitor Irineu Manoel de Souza.

O Jubileu de Diamante marca um momento histórico para uma das profissões mais estratégicas do país. Ao longo dessas seis décadas, a Administração consolidou-se como pilar essencial para o desenvolvimento econômico, social e organizacional do Brasil, transformando desafios em aprendizados e oportunidades em resultados concretos.

O Sistema CFA/CRAs lidera as comemorações em âmbito nacional, organizando eventos, debates, campanhas e homenagens que destacam a relevância e o impacto da profissão na sociedade brasileira. O objetivo é valorizar os profissionais da área e demonstrar como a gestão eficiente e estratégica contribui para a construção de um país mais competitivo.

Mais informações: crasc.org.br

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Reitoria da UFSC designa novos titulares da Propesq e Propg

14/11/2025 17:36

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, informa a comunidade universitária que foram designados os novos titulares das seguintes Pró-Reitorias:

  • Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (Propesq): professor Werner Kraus
  • Pró-Reitoria de Pós-Graduação (Propg): professora Débora de Oliveira

Florianópolis, 14 de novembro de 2025.

Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC)

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Laboratório da UFSC apresenta proposta de ferramenta digital para riscos psicossociais no trabalho

14/11/2025 15:54

Professor e coordenador do Laboratório Fator Humano, Roberto Moraes Cruz, abriu o Workshop sobre Fatores de Risco Psicossociais Relacionados ao Trabalho. Fotos: DI-GR/SECOM/UFSC

O Laboratório Fator Humano, do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) promoveu, na manhã desta sexta-feira, 14 de novembro, o Workshop sobre Fatores de Risco Psicossociais Relacionados ao Trabalho. A atividade ocorreu no Auditório do Centro Socioeconômico (CSE), no campus Trindade, em Florianópolis. O reitor, Irineu Manoel de Souza, e a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas, Sandra Carrieri, prestigiaram o encontro.

O professor e coordenador do Laboratório, Roberto Moraes Cruz, abriu a programação, que teve como objetivos fomentar debates e apresentar estratégias de gestão e prevenção de riscos psicossociais no contexto laboral, tema que vem adquirindo destaque nas discussões sobre saúde e segurança ocupacional. O workshop incluiu uma exposição sobre as recentes mudanças na legislação federal, com foco na Norma Regulamentadora 01 (NR-01), que estabelece diretrizes de segurança e saúde no trabalho.

O reitor da UFSC ressaltou ser “fundamental que a Universidade desenvolva uma abordagem mais humana em todas as dimensões, incluindo o ambiente de trabalho e os relacionamentos interpessoais”, sublinhando a importância de uma nova política sobre o tema, atualmente em deliberação no Conselho Universitário. Irineu enfatizou ainda que a construção dessa política contou com ampla participação de diferentes segmentos, como o Departamento de Psicologia, sindicatos e estudantes. “Falamos de uma comunidade grande, com 40 mil estudantes, 2.600 docentes e 2.800 técnicos-administrativos, o que torna ainda mais essencial aperfeiçoar nossas relações humanas”, acrescentou.

O dirigente elogiou o trabalho conduzido pelo professor Roberto e pela pró-reitora Sandra, que acompanham de perto o desenvolvimento da iniciativa. “Quero parabenizar todos os envolvidos, especialmente a coordenação de Psicologia, por trazer à pauta um tema tão relevante”, afirmou. Ele reforçou que a gestão universitária deve não apenas acompanhar, mas também apoiar ações que promovam melhorias no bem-estar da comunidade acadêmica. “É um assunto de extrema importância, e a Universidade precisa continuar avançando nesse sentido”, concluiu.

A pró-reitora Sandra (Prodegesp) reafirmou o compromisso da UFSC em priorizar o fator humano como elemento central para um ambiente de trabalho saudável. “Queremos que o nosso local de trabalho seja mais do que uma segunda casa; que seja um espaço onde sintamos prazer em estar, orgulho do que fazemos, com quem fazemos e pelo que fazemos”, declarou. Ela salientou a relevância de cultivar relações saudáveis e respeitosas, destacando que iniciativas como o workshop contribuem diretamente para um clima institucional mais acolhedor. Além disso, informou que, no dia 18, será debatida e apreciada no Conselho Universitário a minuta da resolução sobre prevenção ao assédio moral, sexual e à discriminação.

Sandra explicou também que a proposta de resolução foi construída de forma colaborativa e revisada para atender às diretrizes governamentais, posicionando a Universidade entre as primeiras a se alinhar a essas normas. “Essa proposta é de vanguarda, e convido todos a acompanharem de perto esse processo”, disse, adiantando que a minuta será publicada em breve. A gestora mencionou ainda a discussão iminente sobre outro tema relevante: Teleflex, que trata das relações de trabalho e da organização da jornada. “Esses assuntos evidenciam o compromisso da Universidade com a melhoria contínua das relações e do ambiente laboral”, finalizou.

A apresentação proporcionada pelo professor Roberto evidenciou que os riscos psicossociais no trabalho englobam elementos como estresse ocupacional, pressão excessiva, assédio moral, ausência de autonomia e sobrecarga de tarefas, fatores capazes de afetar de forma significativa a saúde mental e física dos trabalhadores. A atenção crescente a esses aspectos indica uma mudança de paradigma nas políticas de saúde ocupacional, que passam a reconhecer o papel central dos componentes psicológicos e sociais no bem-estar no trabalho.

O coordenador contextualizou que estudos ao longo do século XX já identificavam o impacto direto do trabalho na saúde das pessoas, gerando danos físicos e psíquicos. Nesse período surgiu um modelo, em 1979, voltado a compreender como variáveis como estresse, autonomia e condições ambientais influenciavam os trabalhadores. Em 1984, o conceito de risco institucional relacionado ao trabalho foi oficialmente reconhecido durante um congresso da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da Organização Mundial da Saúde (OMS), sendo incorporado ao glossário da OIT. “Esse marco conferiu reconhecimento global ao tema e reforçou a importância da interação entre ambiente laboral e saúde”, apontou.

Na década de 1990, o pesquisador britânico Tom Cox apresentou um modelo inovador que abordava o conceito de “Perigo Psicológico”. Segundo Cox, os estressores no ambiente de trabalho não apenas geram consequências, mas também constituem causas diretas de problemas psicológicos. O modelo foi amplamente discutido, especialmente pelo Health and Safety Executive (HSE), no Reino Unido, que desenvolveu instrumentos como o questionário HRC-IT, hoje adaptado e utilizado no Brasil. Estimulada por organizações brasileiras, essa ferramenta tornou-se referência nas avaliações de fatores de risco psicossociais, reforçando a necessidade de metodologias mais robustas para investigar essas questões.

Já nos anos 2000, as discussões se voltaram para estratégias de prevenção e pós-venção dos riscos psicossociais. Publicações do período confirmaram o impacto dos estressores laborais nos transtornos mentais e em problemas musculoesqueléticos, frequentemente associados a afastamentos do trabalho. Especialistas alertam que “avaliar riscos psicossociais não é tarefa simples, pois suas causas são múltiplas e seus efeitos podem levar anos para se manifestar”. Nesse cenário, as normas são apontadas como ferramentas que orientam ações preventivas, cabendo à ciência definir conceitos e métodos. “O objetivo final é reduzir as fontes de risco e ampliar os fatores de proteção, sempre priorizando a saúde e a segurança no ambiente laboral”.

Entre os destaques, também foi apresentado um protótipo digital de avaliação de Fatores de Risco Psicossociais Relacionados ao Trabalho, desenvolvido na própria UFSC. A solução foi concebida com ênfase no setor público, visando oferecer ferramentas mais adequadas para identificar e administrar riscos psicossociais nesse contexto específico.

 

Rosiani Bion de Almeida | Divisão de Imprensa do GR
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