UFSC e Ebserh prorrogam, por 120 dias, contrato de gestão do Hospital Universitário

16/03/2026 18:48

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) acordaram a prorrogação, por 120 dias, do contrato de gestão do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU). Nesse período, permanecem vigentes os termos atuais, enquanto avança a discussão sobre uma renovação de longo prazo.

A extensão do prazo tem como objetivo assegurar um debate responsável, transparente e aprofundado sobre o futuro da gestão do HU. Ela abre um período de análise qualificada, no qual será possível avaliar cláusula por cláusula, garantir segurança institucional e assegurar que qualquer decisão esteja plenamente alinhada aos interesses da universidade pública, do hospital e da sociedade.

Há meses, UFSC e Ebserh mantêm diálogo institucional para construir uma solução que assegure a continuidade e o aprimoramento das atividades assistenciais, de ensino, pesquisa e extensão realizadas no hospital.

No curso das negociações, a Ebserh apresentou duas alternativas: prorrogar o contrato atual por 20 anos ou firmar um novo contrato, em modelo distinto, também por 20 anos. A Administração Central da UFSC entende que ambas as propostas, tal como formuladas até o momento, suscitam questões que demandam debate e ajustes — em especial quanto ao prazo contratual, à gestão dos servidores da Universidade que atuam no hospital e às condições de uso dos espaços físicos do HU.

A Administração Central reforça que não haverá interrupção das atividades do Hospital Universitário. O HU/UFSC seguirá funcionando normalmente, garantindo o atendimento à população e a continuidade das atividades acadêmicas e assistenciais enquanto as negociações prosseguem.

A UFSC reafirma seu compromisso com o caráter público do Hospital Universitário, com a qualidade do atendimento prestado à população e com a preservação das condições necessárias para que o HU continue cumprindo plenamente suas funções assistenciais, acadêmicas e sociais.

Administração Central UFSC

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Autonomia, democracia e ciência nas Universidades Federais

16/03/2026 17:30

A forma como as universidades escolhem seus dirigentes diz respeito à legitimidade de sua governança. Já os desafios do financiamento da ciência pertencem ao campo das políticas públicas nacionais. Confundir esses planos pouco contribui para o debate sobre o futuro da educação superior no Brasil.

A recente aprovação, pelo Congresso Nacional, do Projeto de Lei nº 5874/2025, que, dentre outros temas, aperfeiçoa as regras para a escolha de dirigentes das Universidades Federais, oferece uma oportunidade relevante para refletir sobre o papel dessas instituições no desenvolvimento do país e sobre os princípios constitucionais que orientam sua organização.

Mais do que uma alteração administrativa, o fim da lista tríplice se insere em um processo mais amplo de amadurecimento institucional da democracia brasileira. Trata-se de reafirmar valores historicamente associados à vida universitária: autonomia, liberdade acadêmica e participação.

A Constituição Federal de 1988 estabeleceu, em seu artigo 207, o princípio da autonomia universitária. Ao assegurar autonomia didático-científica, administrativa e de gestão financeira e patrimonial às universidades, o texto constitucional reconheceu que a produção do conhecimento exige ambientes institucionais marcados pela liberdade intelectual e pela estabilidade administrativa.

A autonomia universitária, prevista na Constituição de 1988, foi afirmada no contexto da redemocratização do país, após um período de intervenções políticas nas universidades. Desde então, passou a ser compreendida como condição essencial para a produção científica e para o desenvolvimento intelectual da sociedade brasileira. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/1996) aprofundou esse princípio ao garantir às universidades autonomia acadêmica e administrativa e ao estabelecer o princípio da gestão democrática, com participação de docentes, estudantes e técnicos. Por isso, as decisões institucionais nas universidades públicas são tomadas em estruturas colegiadas definidas em estatutos e regimentos, assegurando participação da comunidade acadêmica e mecanismos de controle social.

Mais do que um procedimento administrativo, esse processo expressa uma prática de participação democrática na condução das instituições. A experiência recente mostrou que a nomeação de reitores e reitoras que não haviam sido os mais votados nessas consultas produziu, em diversas universidades, desgaste institucional e dificuldades de gestão, gerando tensões que afetaram o ambiente necessário às atividades de ensino, pesquisa e extensão.

O aperfeiçoamento legislativo aprovado pelo Congresso Nacional busca justamente restabelecer a coerência entre os processos participativos internos e a legitimidade das lideranças universitárias. Cabe ainda ressaltar que as Universidades Federais seguem rigorosos mecanismos de controle e transparência, com prestação de contas anual, instrumentos de integridade e gestão de riscos, o que evidencia a responsabilidade institucional e as entregas concretas dessas instituições à sociedade. Questionamentos falaciosos que pretendam induzir a opinião pública à construção de interpretações distorcidas devem ser prontamente esclarecidos, com a devida exposição de suas reais motivações.

Convém distinguir, ainda, dois planos que muitas vezes aparecem indevidamente associados no debate público: a governança das universidades e as políticas nacionais de financiamento da ciência. A forma de escolha de dirigentes universitários está relacionada à legitimidade institucional e à estabilidade da vida acadêmica. Já os níveis de investimento em pesquisa decorrem das estratégias nacionais de soberania, desenvolvimento científico e tecnológico adotadas pelo país.

Mesmo com limitações históricas de financiamento, as universidades públicas respondem por cerca de 90% da produção científica brasileira, sendo mais de 70% originada nas universidades federais. Espalhadas por todo o país e fortemente vinculadas aos territórios onde atuam, essas instituições desempenham papel central na formação de pesquisadores, no desenvolvimento tecnológico e na busca de soluções para desafios econômicos, sociais e ambientais.

Comparações diretas com instituições privadas ou estrangeiras frequentemente desconsideram características próprias das universidades públicas. Estudos como o de Bielschowsky e Amaral (2022) mostram que o custo por aluno é frequentemente superestimado, pois o orçamento dessas instituições inclui não apenas o ensino, mas também pesquisa, extensão, hospitais universitários e outras estruturas acadêmicas. Além disso, grande parte do financiamento da pesquisa não provém diretamente do orçamento das universidades, mas de projetos captados por pesquisadores em agências de fomento nacionais e internacionais e em parcerias com governos e setor produtivo.

A defesa da autonomia universitária, pauta histórica da Andifes, passa pelo fim da lista tríplice, mas também pela garantia de financiamento adequado para a rede de universidades federais, que sempre esteve condicionado a agendas conjunturais de governos e não como política de Estado. Há, sem dúvida, aspectos que podem ser aprimorados nas universidades, como indicam anualmente os dados do Censo da Educação Superior. No entanto, qualquer diagnóstico deve partir da realidade e do compromisso com o progresso. A experiência internacional demonstra que ambientes acadêmicos marcados por autonomia institucional, liberdade intelectual e legitimidade democrática são aqueles que melhor produzem conhecimento e inovação, pois universidades fortes dependem de instituições estáveis e de lideranças reconhecidas por suas comunidades.

Fortalecer a democracia universitária, portanto, não é apenas uma questão administrativa. Trata-se de reafirmar um compromisso com os princípios que sustentam a vida republicana e reconhecer que universidades autônomas, legitimadas e socialmente comprometidas são essenciais para o desenvolvimento científico, tecnológico, social e soberano do Brasil.

Andifes

Tags: Andifeslista trípliceProjeto de Lei nº 5874/2025UFSC

Vidas dedicadas à UFSC: cerimônia homenageará servidores aposentados em 2025

16/03/2026 17:04

A Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodegesp) realizará, no dia 10 de abril de 2026, a cerimônia anual de homenagem a servidores docentes e técnico-administrativos em Educação aposentados da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em 2025. O evento será a partir das 13h30, no Auditório Garapuvu do Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, no campus da Trindade, em Florianópolis.

A iniciativa reafirma o compromisso institucional em reconhecer e valorizar quem dedicou parte significativa de sua trajetória profissional à UFSC. Ao evidenciar a relevância dessas pessoas que viveram a Universidade em seu cotidiano, a cerimônia busca celebrar histórias, vínculos e contribuições que fortalecem a missão pública da instituição.

Com uma programação que envolve arte, educação e cultura, o encontro promoverá momentos de reconhecimento e convivência, destacando a pluralidade e a singularidade da comunidade universitária e de todos e todas que a construíram e seguem inspirando novas gerações.

Serviço:

O quê: Cerimônia de homenagem às servidoras e aos servidores aposentados em 2025
Quando: 10 de abril de 2026 (quinta-feira), a partir das 13h30
Onde: Auditório Garapuvu, Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, Campus Universitário, bairro Trindade, Florianópolis (SC)
Mais informações: pelo e-mail cerimonia.aposentados@contato.ufsc.br

Editora da UFSC publica obra de Karl Marx e inaugura linha dedicada ao pensamento crítico

16/03/2026 13:12

A Igrejinha da UFSC sediou o lançamento de “Capitalismo e colonização: Extratos e notas – Londres, 1851”, primeira obra de Karl Marx publicada pela EdUFSC. Fotos: Felipe Maciel

A Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC) marcou um momento significativo em sua trajetória editorial com o lançamento de Capitalismo e colonização: Extratos e notas – Londres, 1851. Esta é a primeira obra de Karl Marx publicada pela editora, inaugurando uma linha voltada ao pensamento crítico latino-americano e à teoria social.

O lançamento ocorreu durante o evento Livro na Praça, na noite de sexta-feira, 13 de março, na Igrejinha da UFSC. O volume reúne textos inéditos em que Marx analisa a formação do capitalismo mundial a partir de uma perspectiva colonial, com base em uma leitura crítica das investigações de William Hickling Prescott sobre as conquistas do México e do Peru. Nos escritos, o autor desenvolve uma teoria sobre o colonialismo como parte constitutiva do sistema capitalista e oferece detalhes sobre as “formações econômicas pré-capitalistas”. Diferente de outros textos do autor, o volume foi organizado de forma a se tornar acessível ao público em geral, sem exigir conhecimento prévio da teoria marxista.

Apresentação de Julia Ouriques (violino), Vitor Vieira (rabeca) e Ana Gabriela Cordeiro (percussão)

A sessão foi conduzida pelos professores da UFSC, Nildo Ouriques e Sílvio Marcus de Souza, com atendimento dos servidores da Editora. A programação contou ainda com apresentações musicais de Julia Ouriques (violino), Vitor Vieira (rabeca) e Ana Gabriela Cordeiro (percussão). O público presente pôde participar com perguntas aos docentes.

A atualidade de Marx

Sílvio Marcus de Souza

Para o professor Sílvio, a publicação representa um marco para o pensamento crítico contemporâneo. Ele ressaltou a importância de “disponibilizar esses textos em língua portuguesa e Marx em toda a sua atualidade”. O professor recordou o cenário acadêmico de quatro décadas atrás, quando a queda do Muro de Berlim gerou uma “crise de paradigmas” que, somada à euforia liberal dos anos 1990, acabou por marginalizar os estudos marxistas na historiografia.

Sílvio enfatizou que o lançamento ocorre em momento crucial, servindo como contraponto ao momento que atinge as universidades. O livro reúne apontamentos sobre colonização, capitalismo e escravidão, temas, que segundo o pesquisador “permanecem profundamente atuais”.

Ao detalhar o conteúdo da obra, o professor explicou que o livro compila anotações feitas por Marx no verão londrino de 1851, na Biblioteca Britânica — período em que o autor se debruçava sobre questões globais, como a repressão ao tráfico de escravos no Atlântico e a manutenção do regime escravista no Brasil. Sílvio contextualizou que os cadernos revelam um Marx atento aos acontecimentos nas Américas e a diferentes formas de relações de trabalho que não se encaixavam estritamente nos modelos europeus.

Além do valor histórico, a obra oferece um vislumbre sobre o processo intelectual de Marx. O professor destacou que o leitor poderá acompanhar como as ideias de outros autores do século XIX interferiram na elaboração de obras como O Capital. Para Sílvio, a iniciativa permite um retorno valioso aos textos clássicos com o olhar do presente.

Nildo Ouriques

Em sua exposição, Nildo colocou que a publicação não é apenas um ato editorial, mas um posicionamento em uma “gigantesca batalha das ideias”. O diretor da EdUFSC defendeu que, independentemente de preferências ideológicas, Marx é um autor incontornável para a compreensão da sociedade moderna. “Marx é um desses autores clássicos que, a despeito de todas as calúnias, críticas e ocultamentos, de vez em quando ressurge com maior curiosidade ainda”, afirmou, citando uma reflexão de Darcy Ribeiro.

Ouriques comparou a trajetória editorial de Marx no Brasil com a de países vizinhos: enquanto na Argentina a tradução de O Capital começou em 1898, no Brasil a obra só apareceu em português em 1968, sob a ditadura militar. Para o professor, ainda se publica muito pouco da vasta produção marxista em língua portuguesa, o que torna o esforço da EdUFSC fundamental para alcançar a juventude e os trabalhadores que não dominam outros idiomas.

O lançamento também deu visibilidade aos bastidores da produção editorial da UFSC. Ouriques elogiou o trabalho das equipes da editora e da Imprensa Universitária. Diante de um cenário em que “30% da população brasileira é composta por analfabetos funcionais”, ele argumentou que as editoras universitárias precisam travar uma “batalha cultural”. “A editora contribuiu na medida das suas forças para entregar um livro muito bem pensado, bem traduzido, bem revisado e bem editado”, concluiu o diretor.

Mais informações: editora.ufsc.br

Vendas no site da livraria virtual ou pelo e-mail: vendas.editora@contato.ufsc.br

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
imprensa.gr@contato.ufsc.br

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Administração Central informa sobre negociações relativas ao contrato entre UFSC e Ebserh

16/03/2026 10:18

A Administração Central da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) informa à comunidade universitária e à sociedade que, desde 2023, a Universidade constituiu uma comissão de avaliação da gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) no Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU/UFSC). A comissão foi composta por representantes da Reitoria, do Centro de Ciências da Saúde (CCS), Hospital Universitário (HU) e das entidades representativas (Apufsc, Sintufsc, DCE e APG).

O relatório final da comissão, concluído em novembro de 2025, apontou aspectos da gestão que demandam aperfeiçoamentos, recomendando cautela em relação a uma renovação contratual por prazos muito longos. Diante disso, a Universidade tem defendido uma prorrogação temporária do contrato vigente por 12 meses, período que permitiria às partes aprofundar o diálogo, corrigir os pontos identificados pela comissão de avaliação e construir um acordo mais equilibrado e seguro para o futuro do hospital.

Há meses a Universidade e a Ebserh vêm mantendo diálogo institucional com o objetivo de construir uma solução que assegure a continuidade e o aprimoramento das atividades assistenciais, de ensino, pesquisa e extensão realizadas no hospital.

No âmbito das negociações, a Ebserh apresentou à Universidade duas possibilidades: a prorrogação do contrato atual por um período de 20 anos ou a celebração de um novo contrato sob modelo distinto, também por 20 anos. A Administração Central da UFSC entende que ambos os formatos, tal como apresentados até o momento, levantam questões que precisam ser melhor debatidas e ajustadas, especialmente no que se refere ao prazo contratual, à gestão dos servidores da Universidade que atuam no hospital e às condições relacionadas ao uso de espaços físicos do HU.

As tratativas seguem em curso e envolvem, além da Reitoria da UFSC, a direção nacional da Ebserh e representantes do Ministério da Educação (MEC) e da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Novas reuniões ocorrerão nesta segunda e terça-feira, 16 e 17 de março.

A Administração Central reforça que não haverá interrupção das atividades do HU, que seguirá funcionando normalmente, garantindo o atendimento à população e a continuidade das atividades acadêmicas e assistenciais, enquanto as negociações prosseguem.

A UFSC reafirma seu compromisso com a defesa do caráter público do Hospital Universitário, com a qualidade do atendimento prestado à população e com a preservação das condições necessárias para que o HU continue cumprindo plenamente suas funções assistenciais, acadêmicas e sociais.

Administração Central UFSC

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