
Audiência pública sobre o Restaurante Universitário reuniu trabalhadores terceirizados, estudantes e servidores da UFSC. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom
A Pró-Reitoria de Permanência e Assuntos Estudantis da Universidade Federal de Santa Catarina (PRAE/UFSC) realizou, na tarde desta quinta-feira, 30 de abril, uma audiência pública sobre o Restaurante Universitário (RU), na sala Aroeira do Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, no campus Trindade. O encontro reuniu trabalhadores terceirizados do RU, estudantes e servidores. Ao abrir o debate, a pró-reitora Simone Sobral Sampaio enfatizou que “o RU é a principal política de permanência estudantil dessa universidade” e que “não há auxílio pecuniário que concorra com um prato na mesa”, salientando que a centralidade do RU vai além do custo direto e alcança o cotidiano acadêmico. “Falo do tempo, do deslocamento, de ter que ir para casa, preparar comida, e voltar para outra atividade”, explicou, em referência ao impacto do restaurante na rotina discente.
Conduzida por Simone e pelo prefeito universitário, Matheus Lima Alcantara, a audiência apresentou um panorama do serviço: volume diário de refeições, público atendido, manutenções executadas, problemas de infraestrutura e os recursos disponíveis para reformas urgentes diante do orçamento atual das universidades públicas. Segundo a pró-reitora, a UFSC ampliou o contrato de operação do RU na transição para a atual empresa, o que resultou no aumento do número de postos de trabalho entre cozinheiros, auxiliares e demais funções. Ela elencou intervenções recentes “sobretudo no campo elétrico e também no campo da estrutura”, como o fechamento das cargas elétricas, a instalação de ventiladores, a instalação de dispositivo DR na lavanderia, a troca de lâmpadas, a manutenção preventiva e a inspeção elétrica, o aterramento de equipamentos e adequações na área dos fornos, além da adequação dos circuitos das caldeiras. No âmbito operacional, citou o hidrojateamento das tubulações para limpeza de canos, a manutenção de torneiras externas, a instalação de telas milimetradas, a pintura e a desinsetização. A modernização do parque de equipamentos está em curso, com a chegada de novas caldeiras de fluido térmico de 500 litros cada — medida que, segundo ela, “dá mais conforto térmico para a produção e também mais segurança aos trabalhadores” — e a troca de coifas, entre outros itens que devem elevar a produtividade.
Simone destacou que a UFSC já encaminhou, por meio de pregão eletrônico, um contrato para serviços de manutenção de telhados, coberturas e impermeabilizações — um passivo que atinge o RU e outras áreas da universidade. Há previsão orçamentária de R$ 3,7 milhões para diversas reformas de telhados na instituição, valor que, frisou, não se limita ao restaurante. Em paralelo, uma nova licitação tratará de uma reforma mais ampla do RU, distinta das manutenções correntes e com maior complexidade técnica e exigências legais. “Teremos a reforma do sistema de climatização, da subestação do RU e da segurança elétrica, além da drenagem, de um espaço para pessoas neurodivergentes e de reparos em infiltrações e na estrutura metálica”, detalhou. O pacote está estimado em R$ 4,5 milhões, recursos que, segundo a pró-reitora, virão por meio do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal.
A etapa de perguntas expôs preocupações com a segurança de trabalhadores e usuários, sobretudo após a queda de parte do forro em área interna do RU no último dia 26 de abril, por volta das 17h, atribuída a infiltrações decorrentes das chuvas — episódio que levou à suspensão do trabalho quando as equipes se preparavam para o jantar. Nessa ocasião, as equipes da Prefeitura Universitária atuaram no local com manutenções emergenciais. Ao tratar do contexto orçamentário, Simone explicou que é “mais grave ainda: não é somente a UFSC; estamos falando de todas as universidades públicas”. Ela lembrou que a universidade reúne mais de 50 mil pessoas — “maior que alguns municípios do estado” — e afirmou que a verba de capital enviada neste ano, de R$ 3,7 milhões, não é suficiente diante do tamanho da demanda. “Esse é o total de verba de capital para o ano inteiro. No caso do telhado, o único jeito é a reforma, e estamos tocando esse processo há algum tempo”, disse.
Houve ainda questionamentos sobre a troca de gestão na UFSC e os impactos no RU. A pró-reitora salientou que a transição, cujo início está marcado para 4 de julho, será acompanhada de um informe detalhado à nova equipe sobre os problemas existentes e os processos em curso, a fim de garantir continuidade administrativa e técnica. “Para nós, é muito importante que esses processos aconteçam o quanto antes, para assegurar que o recurso previsto seja, de fato, aplicado nas reformas de que precisamos, para que o RU atenda à sua finalidade”, afirmou. Em resposta às cobranças por celeridade na solução do telhado — um problema apontado como antigo e, segundo relatos, tratado com sucessivos paliativos — Simone e Matheus anunciaram as datas e prazos: o pregão para a reforma do telhado será realizado em 14 de maio de 2026; o início da obra está previsto para junho; e a conclusão, em até quatro semanas, com trabalho setorizado, de modo a liberar áreas gradualmente e manter o funcionamento do restaurante sem interrupções.
Como encaminhamento prático, e atendendo a uma demanda especialmente dos estudantes, a audiência decidiu pela criação de uma comissão para acompanhar o contrato do telhado, com representação dos setores envolvidos — Restaurante Universitário e Prefeitura Universitária — e dos alunos.
Sobre o RU
O RU é uma unidade suplementar da UFSC, vinculado à PRAE, tendo como atividade principal o fornecimento de refeições aos alunos da UFSC. Ele favorece a manutenção da saúde de seus usuários por meio do fornecimento de uma alimentação balanceada e diversificada, produzida dentro de um padrão de controle qualidade, preocupando-se com a heterogeneidade de hábitos alimentares presentes em nosso estado. Contribui também na promoção da qualidade de ensino, pesquisa e extensão, através da abertura de campos de estágio para as mais diversas disciplinas.
Os estudantes com cadastro socioeconômico aprovado pelo Departamento de Permanência Estudantil podem requerer isenção de alimentação no Restaurante Universitário.
O cardápio é planejado e elaborado semanalmente, atentando para o custo, o correto armazenamento e a recepção dos gêneros utilizados para confecção dos mesmos. Os fornecedores são previamente selecionados, visando a garantia da qualidade dos gêneros utilizados.
Mais informações na página ru.ufsc.br.
Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
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Fotos: Gustavo Diehl | Agecom