Editora da UFSC publica obra de Karl Marx e inaugura linha dedicada ao pensamento crítico

16/03/2026 13:12

A Igrejinha da UFSC sediou o lançamento de “Capitalismo e colonização: Extratos e notas – Londres, 1851”, primeira obra de Karl Marx publicada pela EdUFSC. Fotos: Felipe Maciel

A Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC) marcou um momento significativo em sua trajetória editorial com o lançamento de Capitalismo e colonização: Extratos e notas – Londres, 1851. Esta é a primeira obra de Karl Marx publicada pela editora, inaugurando uma linha voltada ao pensamento crítico latino-americano e à teoria social.

O lançamento ocorreu durante o evento Livro na Praça, na noite de sexta-feira, 13 de março, na Igrejinha da UFSC. O volume reúne textos inéditos em que Marx analisa a formação do capitalismo mundial a partir de uma perspectiva colonial, com base em uma leitura crítica das investigações de William Hickling Prescott sobre as conquistas do México e do Peru. Nos escritos, o autor desenvolve uma teoria sobre o colonialismo como parte constitutiva do sistema capitalista e oferece detalhes sobre as “formações econômicas pré-capitalistas”. Diferente de outros textos do autor, o volume foi organizado de forma a se tornar acessível ao público em geral, sem exigir conhecimento prévio da teoria marxista.

Apresentação de Julia Ouriques (violino), Vitor Vieira (rabeca) e Ana Gabriela Cordeiro (percussão)

A sessão foi conduzida pelos professores da UFSC, Nildo Ouriques e Sílvio Marcus de Souza, com atendimento dos servidores da Editora. A programação contou ainda com apresentações musicais de Julia Ouriques (violino), Vitor Vieira (rabeca) e Ana Gabriela Cordeiro (percussão). O público presente pôde participar com perguntas aos docentes.

A atualidade de Marx

Sílvio Marcus de Souza

Para o professor Sílvio, a publicação representa um marco para o pensamento crítico contemporâneo. Ele ressaltou a importância de “disponibilizar esses textos em língua portuguesa e Marx em toda a sua atualidade”. O professor recordou o cenário acadêmico de quatro décadas atrás, quando a queda do Muro de Berlim gerou uma “crise de paradigmas” que, somada à euforia liberal dos anos 1990, acabou por marginalizar os estudos marxistas na historiografia.

Sílvio enfatizou que o lançamento ocorre em momento crucial, servindo como contraponto ao momento que atinge as universidades. O livro reúne apontamentos sobre colonização, capitalismo e escravidão, temas, que segundo o pesquisador “permanecem profundamente atuais”.

Ao detalhar o conteúdo da obra, o professor explicou que o livro compila anotações feitas por Marx no verão londrino de 1851, na Biblioteca Britânica — período em que o autor se debruçava sobre questões globais, como a repressão ao tráfico de escravos no Atlântico e a manutenção do regime escravista no Brasil. Sílvio contextualizou que os cadernos revelam um Marx atento aos acontecimentos nas Américas e a diferentes formas de relações de trabalho que não se encaixavam estritamente nos modelos europeus.

Além do valor histórico, a obra oferece um vislumbre sobre o processo intelectual de Marx. O professor destacou que o leitor poderá acompanhar como as ideias de outros autores do século XIX interferiram na elaboração de obras como O Capital. Para Sílvio, a iniciativa permite um retorno valioso aos textos clássicos com o olhar do presente.

Nildo Ouriques

Em sua exposição, Nildo colocou que a publicação não é apenas um ato editorial, mas um posicionamento em uma “gigantesca batalha das ideias”. O diretor da EdUFSC defendeu que, independentemente de preferências ideológicas, Marx é um autor incontornável para a compreensão da sociedade moderna. “Marx é um desses autores clássicos que, a despeito de todas as calúnias, críticas e ocultamentos, de vez em quando ressurge com maior curiosidade ainda”, afirmou, citando uma reflexão de Darcy Ribeiro.

Ouriques comparou a trajetória editorial de Marx no Brasil com a de países vizinhos: enquanto na Argentina a tradução de O Capital começou em 1898, no Brasil a obra só apareceu em português em 1968, sob a ditadura militar. Para o professor, ainda se publica muito pouco da vasta produção marxista em língua portuguesa, o que torna o esforço da EdUFSC fundamental para alcançar a juventude e os trabalhadores que não dominam outros idiomas.

O lançamento também deu visibilidade aos bastidores da produção editorial da UFSC. Ouriques elogiou o trabalho das equipes da editora e da Imprensa Universitária. Diante de um cenário em que “30% da população brasileira é composta por analfabetos funcionais”, ele argumentou que as editoras universitárias precisam travar uma “batalha cultural”. “A editora contribuiu na medida das suas forças para entregar um livro muito bem pensado, bem traduzido, bem revisado e bem editado”, concluiu o diretor.

Mais informações: editora.ufsc.br

Vendas no site da livraria virtual ou pelo e-mail: vendas.editora@contato.ufsc.br

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
imprensa.gr@contato.ufsc.br

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Editora da UFSC lança obra de Karl Marx durante evento ‘Livro na Praça’

09/03/2026 08:07

A Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC) lança, no dia 13 de março de 2026, o livro Capitalismo e colonização: extratos e notas: Londres 1851, de Karl Marx. O lançamento ocorre durante o evento Livro na Praça, a partir das 19h, na Igrejinha da UFSC, em Florianópolis.

A sessão contará com as participações dos professores Nildo Ouriques e Sílvio Marcus de Souza. A programação inclui ainda intervenções musicais de Julia Ouriques (violino), Vitor Vieira (rabeca) e Ana Gabriela Cordeiro (percussão).

Capitalismo e colonização: Extratos e notas – Londres, 1851, é a primeira obra de Karl Marx publicada pela EdUFSC, marcando o início de uma linha editorial voltada ao pensamento crítico latino-americano e à teoria social.

“Há também com Marx o caso espantoso de obras inéditas dele, às vezes simples notas de estudo, borradores, que ele jamais pensou em publicar, mas que uma vez lançadas ao público, provocam polêmicas acaloradas”, afirmou o antropólogo Darcy Ribeiro. Este livro atualiza esse recado e apresenta ao público brasileiro um Marx ainda pouco conhecido: o estudioso das civilizações pré-hispânicas e do colonialismo.

O volume reúne textos inéditos nos quais Marx explora temas fundamentais para a compreensão da formação do capitalismo mundial. A partir de uma leitura crítica das obras de William H. Prescott – “História da Conquista do México” (1843) e “História da Conquista do Peru” (1847) – Marx oferece uma análise detalhada das “formações econômicas pré-capitalistas” e desenvolve uma teoria marxiana sobre o colonialismo como parte constitutiva do sistema capitalista mundial.

Além dos estudos sobre o mundo pré-hispânico, o livro contém importantes comentários e notas sobre o tráfico africano de escravos e a política colonial do império britânico, revisando estudos de Thomas Hodgskin, Felix Wakefield e outros autores do período. Esse material revela não apenas registros históricos valiosos, mas uma teoria abrangente sobre o colonialismo e sua relação intrínseca com o desenvolvimento do capitalismo.

O organizador da obra, diretor da EdUFSC, Nildo Ouriques, observa que é “corrente a ideologia segundo a qual Marx não mergulhou fundo na antropologia”. No entanto, os Cadernos de Londres e estes estudos sobre o mundo pré-hispânico demonstram o contrário. Marx, ao contrário do acadêmico moderno, recusava a divisão burguesa do conhecimento, resultado da divisão social do trabalho. Sua trajetória foi marcada por uma curiosidade intelectual desmedida que incluiu, na última fase de sua vida, até o aprendizado do idioma russo para compreender os debates dos populistas russos.

As anotações de próprio punho, registradas em longos cadernos, revelam o rigoroso método de estudo de Marx e sua capacidade extraordinária de trabalho. Este material constitui um farto acervo historiográfico e antropológico que demonstra como o pensador alemão ampliou progressivamente seu olhar para além da Europa ocidental, reconhecendo que o mundo era muito mais vasto do que aquele que ocupou a primeira fase de seus estudos.

Relevância e acessibilidade

“A questão não é a vitalidade e o exemplo de Marx, mas, ao contrário, é o acirramento da luta de classes em escala mundial e em nosso país que seguirá motivando ataques contra ele e sua imensa e insuperável obra”, afirma Ouriques. A publicação deste volume se inscreve no esforço necessário para autorizar o acesso aos escritos, anotações e estudos de Marx sobre a América Latina, contribuindo para corrigir a histórica defasagem de traduções no Brasil em comparação com outros países latino-americanos.

A obra está organizada de forma que não necessita conhecimento prévio da teoria marxista, tornando-se acessível a antropólogos, historiadores, economistas, sociólogos, cientistas políticos, acadêmicos e o público em geral interessado em compreender as raízes históricas do colonialismo e do capitalismo na América Latina.

Serviço:

Evento: Lançamento do livro “Capitalismo e colonização: extratos e notas: Londres 1851”, de Karl Marx
(Primeira publicação de Karl Marx pela EdUFSC; reúne textos inéditos sobre formações econômicas pré-capitalistas, colonialismo e mundo pré-hispânico, com leituras críticas de William H. Prescott e comentários sobre o tráfico de escravos e a política colonial britânica)
Data e horário: 13 de março de 2026 (sexta-feira), às 19h
Local: Igrejinha da UFSC, Campus Trindade, Florianópolis
Mais informaçõeseditora.ufsc.br

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Obra da Editora da UFSC é tema de artigo na revista Cadernos de África Contemporânea

04/02/2026 13:04

A revista Cadernos de África Contemporânea, da Universidade do Estado da Bahia (UNEB), publicou um artigo do professor Sílvio Marcus de Souza Correa, do Departamento de História da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), que examina a obra Capitalismo e colonização: extratos e notas: Londres, 1851, lançada pela Editora da UFSC.

O livro organiza e apresenta excertos de Karl Marx sobre o entrelaçamento entre colonialismo e capitalismo no século XIX, permitindo acompanhar como Marx observou:

  • a expansão imperial europeia e seus mecanismos econômicos;
  • a violência material e simbólica da colonização;
  • as formas de extração de valor e de reorganização do trabalho nos territórios coloniais;
  • e as conexões entre metrópole e colônia na formação dos mercados mundiais.

No artigo, Correa salienta a importância histórica desses textos para compreender a gênese do capitalismo global e argumenta que a seleção ilumina debates atuais sobre colonialidade, dependência e economia política. Um ponto enfatizado é o caráter inédito de parte do material em português: a edição reúne trechos de obras oitocentistas, muitas delas ainda não traduzidas, que chegam ao leitor por meio dos excertos citados por Marx.

O autor também destaca o valor metodológico da coleção. Em um contexto em que estudantes frequentemente recorrem a ferramentas de Inteligência Artificial para obter resumos, a edição propõe um retorno ao trabalho filológico e comparativo: ler fragmentos no seu enquadramento histórico, cotejar fontes, explicitar referências e reconstruir argumentos. Segundo Correa, esse método – aparentemente anacrônico – oferece à nova geração uma prática de estudo rigorosa, que complementa (e por vezes corrige) os atalhos dos resumos automáticos.

O artigo completo pode ser consultado na plataforma da revista.

Mais informações: editora.ufsc.br

Vendas no site da livraria virtual ou pelo e-mail: vendas.editora@contato.ufsc.br

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Editora da UFSC lança textos inéditos de Karl Marx e marca início de nova linha editorial

19/11/2025 17:56

Capitalismo e colonização: Extratos e notas – Londres, 1851, é a primeira obra de Karl Marx publicada pela Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC), marcando o início de uma linha editorial voltada ao pensamento crítico latino-americano e à teoria social. O lançamento oficial da coletânea inédita de textos e anotações de Marx – traduzida pela primeira vez para o português – será realizado no dia 6 de dezembro de 2025, às 16h, na Livraria Tapera Taperá, em São Paulo.

“Há também com Marx o caso espantoso de obras inéditas dele, às vezes simples notas de estudo, borradores, que ele jamais pensou em publicar, mas que uma vez lançadas ao público, provocam polêmicas acaloradas”, afirmou o antropólogo Darcy Ribeiro. Este livro atualiza esse recado e apresenta ao público brasileiro um Marx ainda pouco conhecido: o estudioso das civilizações pré-hispânicas e do colonialismo.

O volume reúne textos inéditos nos quais Marx explora temas fundamentais para a compreensão da formação do capitalismo mundial. A partir de uma leitura crítica das obras de William H. Prescott – “História da Conquista do México” (1843) e “História da Conquista do Peru” (1847) – Marx oferece uma análise detalhada das “formações econômicas pré-capitalistas” e desenvolve uma teoria marxiana sobre o colonialismo como parte constitutiva do sistema capitalista mundial.

Além dos estudos sobre o mundo pré-hispânico, o livro contém importantes comentários e notas sobre o tráfico africano de escravos e a política colonial do império britânico, revisando estudos de Thomas Hodgskin, Felix Wakefield e outros autores do período. Esse material revela não apenas registros históricos valiosos, mas uma teoria abrangente sobre o colonialismo e sua relação intrínseca com o desenvolvimento do capitalismo.

O organizador da obra, professor e diretor da EdUFSC, Nildo Ouriques, observa que é “corrente a ideologia segundo a qual Marx não mergulhou fundo na antropologia”. No entanto, os Cadernos de Londres e estes estudos sobre o mundo pré-hispânico demonstram o contrário. Marx, ao contrário do acadêmico moderno, recusava a divisão burguesa do conhecimento, resultado da divisão social do trabalho. Sua trajetória foi marcada por uma curiosidade intelectual desmedida que incluiu, na última fase de sua vida, até o aprendizado do idioma russo para compreender os debates dos populistas russos.

As anotações de próprio punho, registradas em longos cadernos, revelam o rigoroso método de estudo de Marx e sua capacidade extraordinária de trabalho. Este material constitui um farto acervo historiográfico e antropológico que demonstra como o pensador alemão ampliou progressivamente seu olhar para além da Europa ocidental, reconhecendo que o mundo era muito mais vasto do que aquele que ocupou a primeira fase de seus estudos.

Relevância e acessibilidade

Karl Marx

“A questão não é a vitalidade e o exemplo de Marx, mas, ao contrário, é o acirramento da luta de classes em escala mundial e em nosso país que seguirá motivando ataques contra ele e sua imensa e insuperável obra”, afirma Ouriques. A publicação deste volume se inscreve no esforço necessário para autorizar o acesso aos escritos, anotações e estudos de Marx sobre a América Latina, contribuindo para corrigir a histórica defasagem de traduções no Brasil em comparação com outros países latino-americanos.

A obra está organizada de forma que não necessita conhecimento prévio da teoria marxista, tornando-se acessível a antropólogos, historiadores, economistas, sociólogos, cientistas políticos, acadêmicos e o público em geral interessado em compreender as raízes históricas do colonialismo e do capitalismo na América Latina.

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