Administração Central reforça manifestação da direção do Colégio de Aplicação

18/09/2026 17:01

A Administração Central da Universidade Federal de Santa Catarina reforça a manifestação da direção do Colégio de Aplicação à comunidade escolar, enfatizando que a preservação da segurança, bem-estar e a integridade das crianças é prioridade absoluta.

Comunicado Oficial à comunidade escolar

Prezadas famílias, estudantes, docentes e equipe técnico-administrativa do Colégio de Aplicação da UFSC,

A Direção do Colégio de Aplicação vem a público manifestar-se a respeito de um relato de denúncia recebido recentemente, envolvendo um estudante matriculado na instituição. Esclarecemos que, tão logo tomou conhecimento do relato, esta Direção adotou imediatamente todas as medidas legais, administrativas e protetivas cabíveis. O caso foi formalmente encaminhado aos órgãos externos competentes de proteção à infância e à juventude, a fim de garantir a apuração rigorosa dos fatos pelas autoridades policiais e judiciais. Internamente, a instituição também instaurou as medidas necessárias, como também, em articulação com a Coordenadoria de Educação Básica, Direção do Centro de Ciências da Educação (CED), Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (PROGRAD), Reitoria, Serviço de Acolhimento a Vítimas de Violências (SEAVIS) e outras instâncias competentes da Administração Central da UFSC, estão sendo adotadas todas as demais providências necessárias no âmbito institucional.

Enfatizamos que a preservação da segurança, bem-estar e a integridade de nossas crianças é prioridade absoluta deste colégio, em consonância com o imperativo legal de proteção determinado pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) – Lei nº 8.069/1990, sobretudo, em seu artigo 17, que “[…] consiste na inviolabilidade da integridade física, psíquica e moral da criança e do adolescente, abrangendo a preservação da imagem, da identidade, da autonomia, dos valores, ideias e crenças, dos espaços e objetos pessoais”. Contudo, infringindo o princípio legal d18e proteção das crianças, identificamos que estão ocorrendo divulgações de informações e boatos em grupos de whatsapp e mídias sociais que as expõem indevidamente, o que, gravemente, tem contribuído para proliferação de discursos de ódio e incitação à violência.

Alertamos que a exposição de crianças e adolescentes, a difamação de indivíduos e a incitação à violência (seja verbal, física ou virtual) configuram infrações e crimes previstos pelo Código Penal e pelo próprio ECA. Tais condutas acarretam severas consequências jurídicas, incluindo a responsabilização civil e criminal dos autores das publicações e dos compartilhamentos, além de comprometer o sigilo legal necessário para o andamento das investigações das autoridades. Esses atos, além dos prejuízos apontados, colocam em risco a integridade física de membros da nossa comunidade.

Diante disso, solicitamos, veementemente, que se evite a propagação de boatos, comentários em grupos de WhatsApp, redes sociais, exposição de nomes ou qualquer tipo de especulação que possa gerar constrangimento e, exposição indevida. A discrição e o respeito ao sigilo do processo são fundamentais para que as autoridades realizem seu trabalho e para resguardar os direitos fundamentais dos estudantes. As informações cabíveis, toda vez que se fizer necessário, serão feitas formalmente pelos canais institucionais do Colégio de Aplicação.

Dito isso, com o objetivo de dialogar com as famílias, prestar esclarecimentos gerais sobre as ações de acolhimento pedagógico da escola e reforçar nossos canais oficiais de acolhimento, informamos que em breve será realizada uma reunião com a comunidade escolar. A data, o horário e o local do encontro serão comunicados nos próximos dias pelos canais oficiais de comunicação da instituição.

Florianópolis, 18 de setembro de 2026.
Direção Geral do Colégio de Aplicação

Para acessar a nota assinada, clique AQUI

Tags: UFSC

Parceria inédita aproxima pesquisa da UFSC e mercado de Biotecnologia

18/09/2026 15:44

Reitor da UFSC, Amir de Oliveira, e o diretor financeiro e operacional da ARK Bio Solutions, Leonardo Borges. Fotos: Secom

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) deu um novo passo na aproximação entre ciência e mercado ao assinar, nesta quarta-feira, 16 de setembro, um acordo inédito de pesquisa, desenvolvimento e inovação com a ARK Bio Solutions. A parceria permite à Universidade receber participação societária na empresa como contrapartida pelo apoio ao desenvolvimento de tecnologias. O acordo foi firmado no Gabinete da Reitoria pelo reitor Amir Antônio Martins de Oliveira Júnior e pelo diretor financeiro e operacional da ARK, Leonardo Borges Santos Caiado. Também participou do ato o secretário de Inovação e Relacionamento Externo (Sinova), Ronaldo David Viana Barbosa.

A construção da parceria mobilizou a Reitoria, a Sinova e a Rook Ventures, holding de investimentos e cofundadora da ARK. A articulação integrou pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, infraestrutura universitária, propriedade intelectual, gestão empresarial e investimento privado. A iniciativa inaugura uma modalidade de interação entre a Universidade e empresas de base tecnológica que permite à UFSC ser remunerada por meio de participação no capital social da empresa, em reconhecimento ao suporte institucional, científico e tecnológico oferecido ao empreendimento. A parceria também conta com a participação da Fundação de Ensino e Engenharia de Santa Catarina (Feesc), responsável pela gestão administrativa e financeira do projeto.

Estruturado com base no Marco Legal de Ciência, Tecnologia e Inovação, o acordo prevê um investimento conversível em participação societária. Como contrapartida pelo compartilhamento de laboratórios, equipamentos e pessoal, a UFSC terá a opção de adquirir ou subscrever ações da empresa, conforme as condições estabelecidas no instrumento. O documento também define mecanismos de governança para orientar a relação entre a Universidade, a empresa e os pesquisadores, preservando a autonomia institucional e as atividades acadêmicas de ensino e pesquisa. Além de disponibilizar sua infraestrutura, a UFSC passa a atuar estrategicamente na criação de um ambiente capaz de transformar conhecimento científico em soluções inovadoras com potencial de impacto econômico e social.

“Esta parceria reforça o compromisso da UFSC com uma ciência capaz de responder aos desafios da sociedade e contribuir para o desenvolvimento do país. Ao apoiar empresas de base tecnológica surgidas no ambiente acadêmico, a Universidade amplia o alcance das pesquisas realizadas por sua comunidade e abre novas possibilidades de retorno institucional, econômico e social, sem renunciar à autonomia e à sua missão pública”, afirmou o reitor Amir.

O secretário Ronaldo destacou a atuação da Sinova “na construção de um modelo jurídico e de governança adequado às características do projeto, conciliando a legislação de inovação, a proteção da propriedade intelectual e a relação da Universidade com o setor produtivo”. Para ele, “esse arranjo oferece segurança aos envolvidos e estabelece um caminho que poderá orientar futuras parcerias da UFSC com empreendimentos de base científica”.

Proteínas alternativas por fermentação de precisão

Com duração inicial de 36 meses, a parceria apoiará o projeto “Fermentação de Precisão para Produção de Proteínas Alternativas”. A proposta envolve estudos de biologia molecular, modificação genética de microrganismos, biologia sintética e cultivo de microrganismos.

As atividades também incluem a otimização de parâmetros fermentativos, fermentações em frascos agitados e fermentadores de bancada, cultivo de tecidos animais, testes de sensibilidade, ensaios bioquímicos e outras análises necessárias ao desenvolvimento das biotecnologias propostas.

A empresa poderá utilizar, de maneira compartilhada e não exclusiva, a infraestrutura de dois laboratórios da Universidade:

    • Laboratório de Engenharia Biológica (LieB), do Departamento de Engenharia Química e Engenharia de Alimentos;
    • Laboratório de Biologia Molecular e Biotecnologia de Leveduras (LBMBL), do Departamento de Bioquímica.

O uso dos espaços não poderá interferir nas atividades de ensino, pesquisa e extensão da UFSC. A Universidade também continuará a compartilhar os laboratórios com outros interessados, inclusive empresas que atuem no mesmo segmento.

Recursos e contrapartidas

O projeto possui valor financeiro de R$ 239.540,63, a ser transferido pela ARK conforme o cronograma previsto no plano de trabalho. A contrapartida não financeira da UFSC corresponde ao uso da infraestrutura e à disponibilização de pessoal, foi estimada em R$ 462 mil.

A Feesc administrará os recursos e ficará responsável, entre outras atribuições, pelo controle das despesas, pelas contratações e bolsas previstas, pela prestação de contas e pelo cumprimento das obrigações administrativas, fiscais e financeiras relacionadas ao projeto.

Propriedade intelectual

Os novos ativos de propriedade intelectual – resultantes diretamente da execução conjunta do projeto – terão titularidade compartilhada, na proporção de 90% para a empresa e 10% para a UFSC, desde que não sejam derivados de tecnologias, conhecimentos ou direitos anteriormente pertencentes a um dos parceiros.

A ARK terá o direito de exploração comercial dos resultados, enquanto a UFSC poderá utilizar as invenções conjuntas internamente para atividades não comerciais de ensino, pesquisa e desenvolvimento, observadas as obrigações de confidencialidade.

A assinatura consolida uma nova possibilidade de apoio da UFSC a empresas de base científica surgidas no ambiente acadêmico, aliando o compartilhamento de infraestrutura pública, o desenvolvimento de pesquisas estratégicas e a geração de retorno institucional a partir do crescimento de empreendimentos inovadores.

Sobre a ARK

Originada no ecossistema científico da UFSC, a ARK Bio Solutions é uma deep tech constituída como spin-off acadêmica. A empresa desenvolve moléculas de alto valor por meio de fermentação de precisão, biologia molecular, biologia sintética, bioinformática e inteligência artificial aplicada a bioprocessos. Sua liderança técnica e científica é formada pelas pesquisadoras Marília Knychala, Débora Trichez – técnica de laboratório do Centro de Ciências Biológicas (CCB) -, e Jaciane Lutz Ienczak, professora da UFSC e coordenadora do projeto. A estruturação da ARK foi realizada em parceria com a Rook Ventures, responsável pelas frentes de gestão, estratégia, captação de recursos e desenvolvimento comercial. Esse modelo permite que as pesquisadoras concentrem seus esforços no avanço tecnológico, enquanto as atividades de gestão e capitalização são conduzidas paralelamente.

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Tags: ARK P&D em Biologia Molecular S.AFeescGabinete da ReitoriaJaciane Lutz IenczakLBMBLLieBSinovaUFSC

UFSC presta homenagens pelos 104 anos do professor Glauco Olinger

17/09/2026 19:00

Professor Glauco Olinger foi um dos fundadores do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da UFSC

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) uniu-se a diversas entidades para prestar homenagem ao professor Glauco Olinger, que completa 104 anos nesta quinta-feira, 17 de setembro de 2026. O professor Glauco é um dos fundadores do Centro de Ciências Agrárias (CCA) da Universidade, que dirigiu entre 1976 e 1979. Também foi o primeiro pró-reitor de Planejamento da UFSC (1986-1988). Em reconhecimento à sua trajetória na instituição, desde 2007 Glauco Olinger é professor emérito da UFSC, um título que ele valoriza muito.

Para celebrar a data e reconhecer sua contribuição às Ciências Agrárias e ao desenvolvimento rural catarinense, foram preparadas duas homenagens especiais: o CCA disponibilizou on-line um capítulo de autoria de Glauco Olinger, integrante do Livro dos 50 anos do Centro; e, em uma iniciativa conjunta do CCA e da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), foi entregue ao professor uma coletânea de cartas e mensagens institucionais.

O artigo do professor Glauco possui um significado especial por ter sido originalmente redigido à mão pelo próprio autor. Em suas páginas, Glauco reúne lembranças, experiências e sua perspectiva sobre acontecimentos dos quais não foi apenas testemunha, mas também protagonista.

A obra registra a trajetória dos 50 anos do CCA e reúne acontecimentos das comemorações realizadas durante 2025. Sua versão atualizada foi concluída em 2026 e teve um pré-lançamento virtual. Em razão das restrições de divulgação institucional durante o período de defeso eleitoral, a publicação física e a divulgação integral do livro permanecem reservadas para momento oportuno. Porém, diante da singularidade do aniversário, a Comissão Editorial do Livro dos 50 anos do CCA autorizou, excepcionalmente, a disponibilização on-line do capítulo de Glauco Olinger.

Em 2022, o Conselho Universitário da UFSC realizou uma sessão Solene em homenagem ao professor Glauco Olinger (Foto: Camila Collato)

A iniciativa permite que a comunidade conheça o relato do professor sobre a construção e o desenvolvimento das Ciências Agrárias em Santa Catarina. Disponibilizar esse capítulo no dia em que Glauco completa 104 anos é também uma forma de preservar sua voz, suas lembranças e sua contribuição para as próximas gerações.

Outra homenagem foi organizada conjuntamente pelo CCA/UFSC e pela Epagri, instituições profundamente ligadas à trajetória de Glauco Olinger. A iniciativa reuniu cartas e mensagens enviadas por instituições das quais Glauco participou ou com as quais construiu vínculos ao longo de sua vida. Os textos foram compilados em uma publicação especialmente encadernada, entregue pessoalmente ao professor.

A coletânea também conta com uma ilustração e uma poesia produzidas especialmente para a ocasião, formando um registro afetivo e institucional da importância de sua trajetória.

Entre as mensagens reunidas está a carta preparada pelo Centro de Ciências Agrárias, que destaca a relação de Glauco com a criação e o crescimento do Centro:

“Celebrar seus 104 anos de vida é, para o Centro de Ciências Agrárias da Universidade Federal de Santa Catarina, muito mais que uma data extraordinária. É uma oportunidade de reconhecer, com admiração e gratidão, uma trajetória que se entrelaça profundamente com a própria história das Ciências Agrárias em Santa Catarina e com a construção do nosso Centro.”

A mensagem recorda que sua visão, sua capacidade de realização e seu compromisso com o desenvolvimento rural foram decisivos para a criação do curso de Agronomia e, posteriormente, para a constituição do CCA/UFSC:

“Naquele gesto pioneiro havia mais do que a criação de um curso ou de uma instituição. Havia uma compreensão de futuro: a convicção de que formar pessoas, produzir conhecimento e aproximar a Universidade da agricultura, do território e da sociedade seria fundamental para o desenvolvimento de Santa Catarina.”

O reitor da UFSC, Amir Oliveira, também escreveu uma carta para a coletânea, em nome da Universidade.

“Agradecemos nesta invejável passagem destes 104 anos de uma vida sublime, com uma frase sua em um dos vários momentos que conosco esteve: “Dificilmente haverá um título mais honroso que o título de professor”. Por tudo isso não nos cansaremos sempre de repetir: muito obrigado professor Glauco!

Professora Marlene Grade, diretora do CCA, leu a mensagem do reitor ao professor Glauco (Foto: Divulgação)

A homenagem do reitor da UFSC foi lida pessoalmente para o professor Glauco Olinger pela diretora do CCA, professora Marlene Grade.

Mesmo aos 104 anos, Glauco permanece atuante, escrevendo, compartilhando conhecimentos e contribuindo para a preservação da história das Ciências Agrárias em Santa Catarina. Sua trajetória está diretamente relacionada à implantação do primeiro curso de Agronomia do Estado e à criação do Centro de Ciências Agrárias da UFSC.

Sua atuação também foi fundamental para o fortalecimento da pesquisa agropecuária e da extensão rural catarinense, participando da história das instituições que deram origem à atual Epagri.

Tags: CCAEpagriGlauco OlingerUFSC

Evento celebra 40 anos da IA na UFSC, relembra pioneirismo e debate desenvolvimento responsável

16/09/2026 15:38

A conferência “A Inteligência Artificial no contexto universitário” combinou memória, ciência e perspectivas de futuro. Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

A história da Inteligência Artificial (IA) na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ganhou novos contornos na noite desta terça-feira, 15 de setembro. Quatro décadas depois da criação da primeira disciplina dedicada ao tema na instituição, professores, estudantes, técnicos e gestores reuniram-se no Auditório da Reitoria, no Campus de Trindade, em Florianópolis, para celebrar essa trajetória única e refletir sobre o futuro de uma tecnologia cada vez mais presente nas salas de aula, nas pesquisas e nas relações humanas.

Promovida pela Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd), a conferência “A Inteligência Artificial no contexto universitário” combinou memória, ciência e perspectivas de futuro. Mais do que apresentar ferramentas e conceitos, o encontro abriu espaço para discutir as transformações provocadas pela IA, suas possibilidades de aplicação e os desafios éticos e pedagógicos que impõe aos processos de ensino e aprendizagem.

Um dos momentos mais marcantes da noite foi a homenagem ao professor aposentado Renato Antonio Rabuske, responsável por ministrar, em 1986, a primeira disciplina de IA da UFSC. O reitor Amir de Oliveira e o professor Aldo von Wangenheim entregaram uma placa de reconhecimento à contribuição de Rabuske para a área. Ele estava acompanhado da esposa, a também professora aposentada da UFSC, Márcia Aguiar Rabuske, cuja atuação na área da Computação e no Departamento de Informática e Estatística (INE) também foi evidenciada.

Com apresentações artísticas da Companhia de Dança da UFSC, a solenidade inaugurou um ciclo de debates sobre Inteligência Artificial na Universidade. Participaram do evento o reitor Amir de Oliveira, a vice-reitora Felipa Amadigi, secretários, pró-reitores, docentes, técnicos-administrativos e estudantes. Ao revisitar o caminho iniciado há 40 anos, a UFSC não apenas reconheceu o trabalho de quem ajudou a construir essa história, mas também renovou o compromisso de pensar criticamente os impactos da IA na educação e na sociedade.

O professor aposentado Renato Antonio Rabuske foi o responsável por ministrar, em 1986, a primeira disciplina de IA da UFSC

O professor Renato Rabuske, em sua fala, disse que recebeu “com muita surpresa a comunicação dessa homenagem, que muito me honra. Quero dividi-la com todos os professores que me apoiaram e incentivaram durante a minha jornada na Universidade”.

Rabuske destacou que, quando começou a atuar na área, havia poucos profissionais com formação avançada em Computação no Brasil. Segundo ele, esse cenário exigia que a Universidade planejasse não apenas a formação dos estudantes, mas também a constituição de seu futuro corpo docente.

Ao recordar a reforma curricular realizada na década de 1980, o professor ressaltou o apoio recebido de colegas. “Estávamos convictos de que o curso não produziria bons resultados sem um bom planejamento e um bom currículo. Pensávamos em algo capaz de ir além do preparo de mão de obra para o mercado de trabalho existente, propondo novos desafios e apontando novas possibilidades para a sociedade”.

Foi nesse contexto que surgiu a proposta de incluir a inteligência artificial no currículo. Rabuske observou que a decisão representava uma aposta acadêmica, pois a área atravessava um período de descrédito internacional e ainda não apresentava as perspectivas que possui atualmente. O professor explicou que, naquela época, as limitações tecnológicas eram significativas. Ao chegar à Universidade, na década de 1970, encontrou uma estrutura computacional com capacidade muito inferior à disponível atualmente. Ainda assim, participou do desenvolvimento de sistemas institucionais, incluindo soluções relacionadas à matrícula universitária. “Quando entrei, havia na Universidade uma máquina de 16K. Eu mesmo programei sistemas para ela, inclusive o sistema de matrícula, mas a capacidade era insuficiente para executá-lo. As coisas aconteciam de uma forma muito diferente naquela época”.

Apesar das restrições de infraestrutura, financiamento e pessoal, Rabuske identificava possibilidades concretas de pesquisa. “Mesmo dentro de nossa limitada realidade local, havia espaço e ferramentas para desenvolver sistemas especialistas. Incluir a inteligência artificial já representava um avanço importante”. Os resultados práticos, entretanto, foram inicialmente modestos. Conforme relatou, faltavam recursos financeiros e pesquisadores, e poucos estudantes demonstravam interesse em desenvolver trabalhos de conclusão de curso sobre IA. Rabuske lembrou, contudo, algumas iniciativas que ajudaram a manter o campo de investigação ativo na UFSC.

“Nós, pioneiros, desbravamos e semeamos, mas a colheita costuma tardar e ficar para as gerações seguintes, como a nossa realidade atual comprova”, interpretou o professor.

Reitor da UFSC entrega a homenagem ao professor Rabuske

Potencial e riscos da nova fase

Ao tratar do atual desenvolvimento da tecnologia, o professor Rabuske defendeu que a sociedade procure obter da inteligência artificial o maior benefício possível, sem ignorar seus riscos. Ele considerou legítimas as preocupações sociais provocadas pelas transformações tecnológicas e lembrou que grandes invenções e descobertas também despertaram reações semelhantes em outros momentos da história.

Entre os desafios mencionados estão a expansão dos centros de dados, o aumento da demanda por energia e, principalmente, as questões éticas e de segurança. Rabuske alertou para o temor de que o desenvolvimento tecnológico avance sem mecanismos suficientes de supervisão humana.

Segundo o professor, o momento exigiria cautela, vigilância e articulação internacional. “As empresas conhecem os riscos, mas dizem estar presas à disputa pela sobrevivência no mercado. O momento exige extrema cautela e coordenação internacional”. Rabuske ressaltou ainda que “para o bem e para o mal, esses sistemas de inteligência artificial estão sendo disponibilizados diretamente ao grande público, o que torna seus usos e impactos difíceis de prever”.

Ao encerrar sua manifestação, o homenageado dirigiu uma mensagem de incentivo tanto aos pesquisadores que já atuam com inteligência artificial quanto àqueles que pretendem ingressar nesse campo. “A todos os que já estão envolvidos com a inteligência artificial, e àqueles que ainda se aventurarem nessa fantástica área, desejo muito sucesso”.

Na sequência, a conferência foi conduzida pelos professores Aldo von Wangenheim e Jônata Tyska, ambos do INE. Durante o encontro, os palestrantes apresentaram uma visão geral da Inteligência Artificial, passando por seu desenvolvimento histórico, principais termos e conceitos e pelo avanço recente da chamada IA generativa. O debate também abordou as discussões e normativas existentes no Brasil e em outros países, além de evidências científicas sobre os efeitos do uso dessas tecnologias na aprendizagem e no ambiente universitário. Os riscos, os limites éticos e os impactos da inovação estiveram entre os assuntos discutidos.

Assista à conferência na íntegra:

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

Tags: A IA no contexto universitárioINEProgradRenato RabuskeUFSC

UFSC realiza manejo preventivo de árvores no Campus da Trindade

16/09/2026 09:43

Por iniciativa do Gabinete da Reitoria (GR) e da Direção do Centro de Ciências Biológicas (CCB) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), uma equipe do Corpo de Bombeiros esteve, na manhã desta terça-feira, 15 de setembro, no Campus da Trindade, em Florianópolis, para auxiliar na poda e na remoção de árvores mortas. A ação busca reduzir os riscos para a comunidade universitária e evitar danos às edificações, diante da ocorrência frequente de quedas de galhos e troncos.

Os trabalhos foram realizados sem incidentes e acompanhados por servidores da Secretaria de Segurança Institucional (SSI), da Secretaria de Infraestrutura (Seinfra) e do CCB, representado pelo chefe do Departamento de Botânica, Leonardo Rubi Rörig.

De acordo com professor Leonardo, os pedidos de poda ou remoção dessas árvores haviam sido encaminhados há alguns anos, mas ainda não tinham sido atendidos. Algumas delas apresentavam risco de queda sobre o Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI) e imóveis vizinhos.

O professor destacou que o campus da UFSC constitui uma área verde de elevada importância para a biodiversidade de Florianópolis. Ressaltou, entretanto, que as árvores possuem ciclos naturais de vida e, quando estão fora de um sistema florestal ou localizadas próximas a edificações, podem ficar mais suscetíveis aos efeitos dos ventos, das chuvas, do apodrecimento e do acúmulo de epífitas.

Por esse motivo, conforme explicou o docente, é necessário realizar o manejo contínuo da vegetação, com acompanhamento das condições fitossanitárias das árvores e a adoção de medidas preventivas e corretivas. “As ações de hoje, que deverão continuar por algumas semanas, representam o início da solução para esses problemas e riscos”, declarou.

Nos casos em que há necessidade de remoção, os procedimentos são precedidos de solicitação de autorização à Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis (Floram). Leonardo também ressaltou o profissionalismo e a capacidade técnica da equipe do Corpo de Bombeiros na execução do trabalho. Além das intervenções nas árvores, os bombeiros orientaram o NDI e o Departamento de Botânica sobre o isolamento de áreas com risco elevado de queda de galhos, contribuindo para ampliar a segurança da comunidade universitária.

Setor de Imprensa do GR | Secom
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Tags: CCBCEDCorpo de Bombeiroscorte de árvoreGabinete da ReitoriaNDIUFSC