‘Cuidoteca’ na UFSC: lançamento dia 12 de março materializa compromisso social com a comunidade

05/03/2026 14:18

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) dará mais um passo concreto em direção à inclusão e à equidade no ambiente acadêmico. No próximo dia 12 de março, às 15h, na Sala dos Conselhos, será lançado o projeto Cuidoteca, um espaço de cuidado destinado a crianças de 4 a 10 anos, com ou sem deficiência, filhos de estudantes de graduação e pós-graduação, servidores e trabalhadores terceirizados da instituição. A ação extensionista foi desenvolvida em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) e está inserida na Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024).

O serviço funcionará no turno da noite, período em que as redes de apoio familiar são mais escassas, e terá capacidade para atender até 40 crianças simultaneamente. As atividades ocorrerão no Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI) da UFSC, que disponibilizará duas salas para atividades, cozinha para preparo de refeições e áreas externas e comuns. A proposta inclui práticas lúdicas e acessíveis, rodas de conversa com as famílias e oferta de alimentação saudável. A proporção mínima planejada é de um agente de cuidados para cada grupo de 15 crianças, com pelo menos dois profissionais presentes em todas as atividades. Na ocasião do lançamento do projeto, será aberto o edital de inscrições.

Para a professora Josiana Piccolli, coordenadora do projeto, a Cuidoteca materializa o compromisso social da universidade com sua comunidade. “Quando a universidade cuida, ela amplia possibilidades, transforma permanência em realidade e se torna, de fato, mais justa e possível para todos”. “Mais do que disponibilizar um espaço físico, a universidade afirma que permanência não se constrói apenas com acesso ao trabalho, à vaga ou matrícula efetivada. Permanência exige condições reais para que estudantes e trabalhadores possam seguir suas trajetórias com dignidade, tranquilidade e segurança”, acrescenta.

A pró-reitora de Assuntos Estudantis (PRAE), Simone Sampaio, cujo setor articulou com o MDS, ressalta o caráter inovador da Cuidoteca na história da UFSC. “Estamos estruturando esse espaço a partir de nossos saberes institucionais e essa construção coletiva é o que confere especial relevância a iniciativa”, disse. A gestora sublinha a interlocução do projeto com a Política de Permanência de Estudantes-Mães, aprovada em 18 de dezembro de 2024 e construída com a participação do Coletivo Mães Estudantes, e reforça que a “Cuidoteca se consolida como dispositivo de apoio e reflexão sobre políticas de cuidado, articulando conhecimento acadêmico e experiências cotidianas, tornando-se referência para práticas inclusivas e sustentáveis no campus”.

O reitor Irineu Manoel de Souza destaca o impacto estrutural da iniciativa. “O lançamento da Cuidoteca representa um passo concreto para remover barreiras de permanência na universidade. Ao garantir cuidado infantil gratuito, noturno, público e acessível, fortalecemos o direito de estudar e trabalhar com tranquilidade para quem tem responsabilidades de cuidado — em especial nossas estudantes-mães. Esta é uma resposta institucional a uma demanda real da comunidade e inaugura uma cultura de corresponsabilidade pelo cuidado na UFSC, tornando nosso ambiente mais justo, acolhedor e humano”, afirma o reitor.

O projeto teve como referência uma experiência-piloto bem-sucedida desenvolvida na Universidade Federal Fluminense (UFF). A equipe da Cuidoteca na UFSC será composta por docentes, técnicos-administrativos e bolsistas de graduação e pós-graduação.

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
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HU-UFSC inaugura Solário da UTI Neonatal e reforça humanização do cuidado materno-infantil

27/02/2026 09:48

Inauguração do Solário da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN) do HU-UFSC. Fotos: Divulgação

O Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC), inaugurou na manhã desta quinta-feira, 26 de fevereiro, o Solário da Unidade de Terapia Intensiva Neonatal (UTIN). A cerimônia contou com a presença do reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, do superintendente do HU, Spyros Dimatos, e da chefe do Setor de Paciente Crítico, Vanessa de Oliveira, para a entrega deste importante espaço de interação entre mãe e bebê. A presença da Reitoria tornou o momento ainda mais especial, simbolizando o reconhecimento institucional ao esforço coletivo que tornou possível a realização do projeto.

O Solário da UTI Neonatal é um projeto voltado à humanização do atendimento, permitindo que recém-nascidos internados e suas famílias tenham acesso à luz solar e à ventilação natural, com a finalidade de oferecer um ambiente terapêutico fora do cenário fechado da UTI, auxiliando na recuperação dos bebês e no bem-estar emocional dos pais. Referência nacional no Método Canguru, o HU-UFSC reforça essa filosofia ao proporcionar um cuidado centrado na família.

A concretização do Solário é fruto do empenho da gestão do HU-UFSC e das diversas equipes técnicas e assistenciais envolvidas, que atuaram de forma integrada para garantir um ambiente mais humanizado, seguro e acolhedor aos recém-nascidos e suas famílias. O novo espaço contribui para a promoção do vínculo mãe-bebê, favorecendo práticas de cuidado centradas na família, essenciais ao desenvolvimento neonatal.

Em consonância com as licitações iniciadas em setembro de 2024, o projeto contempla melhorias estruturais, ampliação da área útil e adoção de soluções sustentáveis, com atenção à eficiência energética, ao conforto ambiental e à segurança dos pacientes e profissionais.

“Com a reforma e a ampliação do Solário da UTI Neonatal, reafirmamos nosso compromisso com a qualidade assistencial, a humanização do cuidado e a excelência no ensino, na pesquisa e na extensão em saúde. Este é um marco institucional que beneficia diretamente nossos recém-nascidos e suas famílias, fortalecendo a missão do HU-UFSC como referência no atendimento materno-infantil em Santa Catarina”, afirma o reitor.

Rede Ebserh

O HU-UFSC faz parte da Rede Ebserh desde março de 2016. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, que possuem características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.

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Câmara dos Deputados aprova projeto que extingue lista tríplice para nomeação de reitores

04/02/2026 11:51

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) celebrou a recente aprovação na Câmara dos Deputados de projeto de lei que elimina a obrigatoriedade da lista tríplice na escolha de reitores. Essa mudança legislativa visa garantir que a nomeação dos dirigentes das universidades federais respeite integralmente o resultado das consultas internas realizadas pelas comunidades universitárias.

Segundo a Associação, a medida representa um marco fundamental para o fortalecimento da autonomia universitária e da democracia dentro das instituições de ensino. O texto destaca o esforço coletivo entre parlamentares e gestores das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) para consolidar processos mais transparentes e participativos.

Embora a aprovação na Câmara seja uma vitória significativa, o projeto de lei segue para tramitação no Senado Federal. Esta etapa é considerada decisiva para a consolidação definitiva desse marco para o ensino superior brasileiro. A Andifes informou que permanecerá mobilizada e atuará de forma institucional junto aos senadores para garantir que o texto avance e seja aprovado, mantendo seu compromisso central com a defesa da universidade pública e os interesses da sociedade.

Confira o posicionamento da Andifes neste link.

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Reitor da UFSC integra agenda da Andifes; com destaque para conferência da ministra Cármen Lúcia

11/12/2025 18:28

O Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) ocorreu nos dias 10 e 11 de dezembro de 2025, na sede em Brasília, e trouxe discussões e apresentações que envolveram também autoridades governamentais. O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, integrou a agenda, reforçando a centralidade da articulação entre as universidades federais e o governo federal, a necessidade de um planejamento estratégico comum e o compromisso com a defesa da democracia, da autonomia universitária e da integridade dos ambientes acadêmicos.

O primeiro dia da reunião (10) debateu-se temas como planejamento estratégico, internacionalização e indicadores de desempenho. No segundo abordou-se questões políticas e sociais, incluindo a apresentação da plataforma The Conversation, diálogo com secretarias do governo e painéis sobre violência contra mulheres e contra as universidades. O cronograma registrou a participação das ministras do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia Antunes Rocha, e da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), Luciana Santos.

Após a abertura da Diretoria Executiva e diálogo com o Conselho Pleno, a vice-presidente da Andifes, Camila Ítavo, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), e Dulce Tristão, também da UFMS e presidente da Comissão de Modelos do Fórum de Pró-Reitores de Planejamento e de Administração (Forplad), apresentaram o Modelo de Elaboração do Planejamento Estratégico, destacando diretrizes e instrumentos para fortalecer a atuação institucional da entidade nos próximos anos.

Na sequência, a internacionalização pautou a reunião com a Comissão de Relações Internacionais da Andifes, conduzida pela reitora Diana Araújo, da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), presidente da Comissão, com participação do professor Rui Oppermann, diretor de Relações Internacionais da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em discussão sobre estratégias para ampliar parcerias e a presença internacional das universidades federais.

Em seguida, foram debatidos indicadores de gestão e desempenho das instituições, em mesa com Lucia Pellanda, coordenadora-geral de Articulação Institucional da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (Sesu/MEC); Mariana Gaete, coordenadora-geral de Planejamento Acadêmico, Pesquisa e Inovação da Sesu/MEC; e Eduardo Cezari, representante da Secretaria de Regulação e Supervisão da Educação Superior do MEC, com foco em métricas e processos de monitoramento para qualificar a gestão acadêmica e administrativa. À noite, a programação prosseguiu com a cerimônia de entrega da Carteira Nacional Docente do Brasil (CNDB) e evento de confraternização da Andifes.

No segundo dia (11), as atividades foram retomadas pela manhã, com a apresentação da plataforma The Conversation pelo editor-chefe no Brasil, Daniel Stycer, aproximando a produção científica universitária do jornalismo de divulgação. Dando continuidade, voltou-se ao diálogo com a Secretaria de Relações Institucionais da Presidência da República (SRI/PR), com a presença de Adalton Rocha de Matos, subsecretário de Planejamento Orçamentário do MEC; Luís Gustavo Mello Costa, diretor de Acompanhamento da Execução Orçamentária da PR; e Thiago Fagundes Lopes, coordenador-geral de Acompanhamento da Execução Orçamentária da PR, em conversa voltada ao cenário orçamentário e à execução de políticas para as universidades federais.

Às 11h, o encontro recebeu a ministra do STF, Cármen Lúcia, para a conferência “Democracia, Soberania e Autonomia”, onde abordou fundamentos constitucionais e institucionais que sustentam a universidade pública brasileira.

A pauta da tarde iniciou às 14h, com o tema “Enfrentamento da violência contra as universidades federais”, apresentado por Jezihel Pena Lima, consultor federal em Educação, Ciência, Tecnologia e Inovação da Procuradoria-Geral Federal da Advocacia-Geral da União (PGF/AGU). Às 15h, ocorreu a apresentação do Protocolo Único de Prevenção, Proteção e Enfrentamento da Violência contra a Mulher nas Universidades Públicas Brasileiras, com Lygia Lumina Pupatto, assessora especial do Ministério das Mulheres, reforçando a construção de diretrizes interinstitucionais para prevenção e acolhimento. O dia foi concluído com o “Diálogo com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação”, às 16h, com a ministra do MCTI, Luciana Santos, e o secretário-executivo Luis Fernandes, destacando prioridades da política científica, tecnológica e de inovação.

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‘Trabalho e Direitos no Século XXI’ é tema de evento na UFSC, com programação até 2 de agosto

30/07/2025 10:30

Solenidade de abertura do XIX Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho (ENABET). Fotos: Divulgação

O Auditório Garapuvu do Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) recebeu, na noite desta terça-feira, 29 de julho, a solenidade de abertura do XIX Encontro Nacional da Associação Brasileira de Estudos do Trabalho (ENABET). O evento, que ocorrerá até o dia 2 de agosto, reúne acadêmicos, especialistas e representantes de diversos setores da sociedade para debater o tema central: “Trabalho e Direitos no Século XXI: Cenário de Destruição e Vias de Reconstrução”.

A Diretoria da ABET destacou que o mundo do trabalho enfrenta um cenário de transformações profundas e desafios crescentes, marcado pela proliferação de vínculos laborais precarizados, em especial nas plataformas digitais, pela emergência climática que exige uma revisão urgente dos modelos de desenvolvimento, e pelos ataques sistemáticos aos direitos do funcionalismo público, acompanhados do sucateamento dos serviços ofertados à população. A crise dos cuidados, o avanço da terceirização e das privatizações, o uso intensivo de tecnologias para controle e exploração laboral, o rebaixamento dos rendimentos do trabalho e o aumento de agravos à saúde relacionados à atividade laboral também figuram entre os elementos que compõem um quadro de precarização generalizada. Esses fenômenos se inserem em um contexto de crises interligadas – econômica, política, sanitária e climática – que resultam, cumulativamente, em uma crise ideológica no campo do trabalho.

“A normalização dos empregos desprotegidos como ‘horizonte possível’, embalada pelo discurso neoliberal que estimula soluções individualistas, tem sido parte desse cenário”, afirmou a Diretoria, enfatizando que o evento busca promover uma reflexão ampla sobre os impactos dessas transformações no mundo do trabalho, particularmente nas últimas décadas. Entre os principais objetivos do encontro está destacar tanto o agravamento das desigualdades sociais quanto o fortalecimento de iniciativas de resistência e luta no campo dos conflitos laborais. Nesse sentido, a ABET reforça que a criação de empregos de qualidade, que assegurem direitos e dignidade aos trabalhadores, é essencial para a redução das desigualdades sociais, especialmente em países periféricos como o Brasil. “O enfrentamento das desigualdades de gênero e raça, profundamente enraizadas na estrutura social, é um caminho incontornável para avançar nessa direção”, apontaram os dirigentes da Associação.

Mesa de abertura do XIX ENABET

Com mais de 36 anos de história, os encontros nacionais bienais da ABET consolidaram-se como espaços privilegiados para o intercâmbio de ideias e a análise das dinâmicas do mundo do trabalho. Esses eventos transcendem as análises teóricas, abrangendo discussões práticas sobre a organização dos trabalhadores, seus desafios e as possibilidades de ampliação de direitos laborais. As propostas oriundas dos debates promovidos nesses encontros têm subsidiado a formulação de políticas públicas voltadas para o emprego, a geração de renda e a melhoria das condições de trabalho no Brasil.

A cerimônia de abertura contou com a participação de representantes de entidades parceiras e foi conduzida pela presidente da ABET, Thaís de Souza Lapa, docente de Sociologia da UFSC. A gestão da Universidade foi representada pelo pró-reitor de Pesquisa e Inovação, Jacques Mick.

A professora Thaís destacou a relevância do tema central do evento, enfatizando o momento crítico em que se encontram os direitos trabalhistas no Brasil e no mundo. “Estamos vivendo um cenário de destruição de direitos, mas também de busca coletiva por sua reconstrução”, afirmou. A presidente ressaltou que a ausência de direitos sempre foi um motor histórico na luta da classe trabalhadora brasileira por dignidade, mas advertiu que as perdas recentes — como as causadas pela terceirização irrestrita, as reformas trabalhista e previdenciária, e as ameaças de uma reforma administrativa — representam retrocessos de grande envergadura. Para ela, a conscientização sobre essas perdas e a valorização dos direitos ainda existentes demandam um trabalho contínuo de memória, que deve ser conduzido por pesquisadores e trabalhadores.

Em tom de esperança, a presidente mencionou a recente mudança de governo no Brasil como um fator que abre novas perspectivas para a valorização do trabalho e dos direitos sociais. Ela citou o movimento “Vida Além do Trabalho” como um exemplo da necessidade de resgatar a dignidade nas relações laborais e de imaginar um futuro menos precarizado. Thaís concluiu sua fala ressaltando o orgulho de presidir uma Associação que, ao longo de três décadas e meia, promove o debate interdisciplinar sobre o trabalho, contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

Evento reúne acadêmicos, especialistas e representantes de diversos setores da sociedade

O pró-reitor Jacques Mick, por sua vez, destacou a conquista significativa para os estudos do trabalho no Brasil: a aprovação do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) do Trabalho pelo CNPq. “Esta é uma vitória que confere enorme visibilidade à área e reforça sua importância como campo de investigação científica”, afirmou. Em sua fala, Mick homenageou pesquisadores da UFSC que, ao longo dos anos, contribuíram para o avanço dos estudos do trabalho, com destaque para temas como psicologia social do trabalho, desigualdades interseccionais e saúde mental. Ele frisou o compromisso da UFSC em desenvolver pesquisas que não apenas analisam o trabalho, mas que colaboram diretamente com os trabalhadores, citando iniciativas como a criação da cadeia de produção de ostras em Florianópolis, projetos voltados às trabalhadoras domésticas e o desenvolvimento de ferramentas tecnológicas para cooperativas de trabalhadores.

A professora Márcia de Paula Leite, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), ministrou a conferência de abertura, abordando os desafios contemporâneos do trabalho a partir de uma perspectiva de gênero e conectando sua experiência acadêmica à Teoria da Reprodução Social. Márcia relatou que sua aproximação com os estudos de gênero no trabalho começou no final da década de 1980, quando percebeu, em uma palestra, que “não dá para olhar para o trabalho sem olhar para o gênero do trabalho”. Essa percepção influenciou sua trajetória acadêmica e resultou, em 2022, na organização de um seminário internacional sobre a Teoria da Reprodução Social, que culminou na publicação do livro “Crises na Reprodução Social”, reunindo contribuições de autores nacionais e internacionais.

A Teoria da Reprodução Social, explicou Márcia, traz uma abordagem inovadora ao integrar os estudos feministas sobre trabalho com uma visão ampliada do capitalismo. Para ela, a separação entre trabalho produtivo e reprodutivo é um pilar fundamental do capitalismo, sendo o trabalho de reprodução social, majoritariamente realizado por mulheres, essencial para a manutenção do sistema. A professora destacou que, no Brasil, onde o estado de bem-estar social nunca foi plenamente implementado, a crise da reprodução social é particularmente severa, já que as mulheres enfrentam uma histórica sobrecarga de trabalho, muitas vezes invisibilizado e não remunerado.

Durante sua apresentação, Márcia reforçou que a luta pela equidade de gênero e direitos trabalhistas exige uma análise abrangente das estruturas capitalistas e patriarcais que moldam a sociedade contemporânea. “Sem o trabalho de reprodução social, não há economia, não há instituições, não há política”, afirmou, deixando uma mensagem clara sobre a centralidade das questões de gênero no debate sobre o trabalho.

O XIX ENABET ocorrerá em diferentes espaços do campus Trindade da UFSC, como o Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH), o Centro Socioeconômico (CSE) e o Centro de Ciências da Saúde (CCS), além de atividades na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC). A extensa e diversificada programação, que inclui mesas-redondas, grupos de trabalho, conferências e lançamentos de livros, reflete a complexidade das questões do mundo do trabalho. Abaixo um resumo:

Confira os destaques dos próximos dias:

Quarta-feira, 30 de julho

  • Mesas-redondas pela manhã abordando temas como:
    • Crise ambiental e trabalho.
    • Gênero e trabalho sob perspectivas feministas.
    • Trabalho escravo contemporâneo.
    • Trabalho em plataformas digitais.
  • Às 11h, Mesa Especial: “IBGE e os desafios da pesquisa no terceiro milênio”, com Márcio Pochmann.
  • Grupos de Trabalho (GTs) à tarde, com debates sobre uberização, saúde do trabalhador, desigualdades e outros temas.
  • Lançamento de livros às 18h15 no Hall da Reitoria I.

Quinta-feira, 31 de julho

  • Mesas-redondas pela manhã, como:
    • Juventudes e trabalho.
    • O movimento sindical no governo Lula.
    • Maternidade no mundo do trabalho.
    • Plataformas digitais e novas formas de assalariamento.
  • À noite, às 19h, Mesa Especial na ALESC: “Situação do trabalho no Brasil hoje”, com Lúcia Garcia (DIEESE), Paula Montagner (MTE) e Vanessa Brasil (VAT-SC).

Sexta-feira, 1º de agosto

  • Mesas-redondas com temas como:
    • Mulheres e revitalização sindical.
    • Saúde mental no trabalho.
    • Uberização e investigações na América Latina.
    • Educação e trabalho.
  • Grupos de Trabalho durante toda a tarde.
  • À noite, Entrega do Prêmio “Mundos do Trabalho em Perspectiva Multidisciplinar” e Conferência de Encerramento com Victoria Basualdo (FLACSO – Argentina), na ALESC.

Sábado, 2 de agosto

  • Assembleia Geral Ordinária às 9h, no CFH.

Mais informações no site oficial do evento.

 

Rosiani Bion de Almeida / SECOM UFSC
imprensa.gr@contato.ufsc.br

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