UFSC está entre as 20 instituições brasileiras pré-qualificadas para Rede de Universidades do BRICS

14/05/2025 12:23

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi selecionada pelo Ministério da Educação (MEC) para compor a Rede de Universidades do BRICS (BRICS-NU), iniciativa que reúne instituições dos países-membros do bloco. A oficialização ocorreu nesta segunda-feira, dia 12, durante reunião do Conselho Internacional de Governança (IGB) da BRICS-NU. A UFSC está entre as 20 instituições brasileiras pré-qualificadas e foi indicada na área temática de Energia, junto com a Universidade Federal de São Carlos (UFSCar).

A reunião permitiu a formalização do ingresso de novas instituições, como a UFSC. No caso brasileiro, a adesão baseou-se em processo conduzido pela Capes e pelo Comitê Coordenador Nacional. Não haverá repasses de recursos neste momento. Será preciso, porém, que a instituição tenha sido pré-qualificada para participar de futuras ações de fomento da rede de universidades do grupo multinacional. Com a atualização, o número de participantes ficou assim distribuído:

  • África do Sul: 14 instituições
  • Brasil: 20 instituições
  • China: 20 instituições
  • Egito: 20 instituições
  • Emirados Árabes Unidos: 12 instituições
  • Índia: 12 instituições
  • Irã: 19 instituições
  • Rússia: 20 instituições

“As novas nomeações chegam em um momento de reengajamento do Brasil com a rede. Vemos a BRICS-NU como uma iniciativa capaz de consolidar a diversificação das parcerias externas das instituições de educação superior brasileiras. As relações do Brasil com universidades nos países que compõem o BRICS ainda apresentam relevante potencial inexplorado e serão desenvolvidas sem prejuízo a outros parceiros, alguns mais consolidados, que contribuem com as metas de internacionalização previstas nos nossos planos educacionais”, resumiu o assessor especial para Assuntos Internacionais, Francisco Figueiredo de Souza, que atuou como moderador da sessão.

Histórico

Criada em 2015, a BRICS-NU reúne instituições de educação superior dos países que compõem o agrupamento e tem o objetivo de fomentar pesquisas conjuntas, mobilidade acadêmica e programas educacionais inovadores em áreas temáticas de interesse comum. Participavam da composição original instituições oriundas de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Desde o ano passado, tornaram-se aptas a integrar a rede instituições do Egito, Irã e Emirados Árabes Unidos. Indonésia e Etiópia devem aderir ainda neste ano.

Além de aumento no número de países, em 2024 houve o alargamento dos temas trabalhados. Originalmente, a BRICS-NU dividia-se por seis áreas: Ciências da Computação e Segurança da Informação; Estudos do BRICS; Energia; Ecologia e Mudança do Clima; Recursos Hídricos e Controle da Poluição; e Economia. Cinco novos temas foram acrescidos: Ciências da Saúde; Matemática; Ciências Naturais; Ciências Sociais e Humanidades; e Agricultura Sustentável/Segurança Alimentar.

Com a nova lista de instituições participantes, o Brasil passa a ter presença em todos os 11 temas da rede — em nove casos, com duas instituições; em dois dos casos, com apenas uma. No total, e sem contar as que integram o cadastro de reserva, da lista resultante do processo seletivo figuram duas universidades do Centro-Oeste, quatro do Sul, cinco do Nordeste e nove do Sudeste, com campi distribuídos tanto em capitais quanto em cidades do interior. 50% das propostas selecionadas foram assinadas por pró-reitoras mulheres. A lista completa está acessível aqui.

A fim de aprimorar a distribuição institucional entre os 11 grupos temáticos, o Brasil propôs, na reunião desta segunda, com aprovação do IGB, novo aumento do número máximo de universidades por país. A quota passa agora a ser de até 22 instituições, a critério das comissões nacionais, de modo a permitir a participação de até duas universidades de cada país em cada grupo temático. A comissão nacional brasileira ainda deve se reunir para decidir como conduzir a possibilidade de nomeação de duas instituições adicionais.

Seguem em debate na rede as possibilidades de lançamento de revista científica própria, de editais específicos de mobilidade de professores e estudantes, bem como o lançamento de cursos de mestrado com diplomação múltipla.

Texto: Apufsc-Sindical

Com informações de Agência Gov e Capes

Tags: BRICSCapesConselho Internacional de GovernançaUFSC

O adeus a Pepe Mujica, que esteve na UFSC em 2015 e deixou sua marca

13/05/2025 18:18

José “Pepe” Mujica, ex-presidente do Uruguai, faleceu hoje aos 89 anos, deixando um legado de humildade, sabedoria e compromisso com a justiça social. Em sua longa trajetória de vida, marcada por lutas, prisões, vitórias políticas e uma austeridade admirável, Mujica inspirou milhões com suas palavras e ações. Para a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sua presença em 2015, durante a 11ª Conferência da Juventude Latino-Americana sobre Mudanças Climáticas (COY11), será sempre uma lembrança viva de seu impacto transformador.

Naquela noite de 26 de novembro, o Auditório Garapuvu estava lotado. Mais de 1.300 pessoas aguardavam ansiosamente para ouvir o homem que transcendeu o título de presidente e se tornou uma referência ética e moral na política global. Mujica chegou sem pompa, sem discursos protocolares ou introduções formais. Bastou um simples “vem, Mujica” para que ele cruzasse o palco sob aplausos calorosos, provando que sua presença, por si só, já era maior que qualquer apresentação. Durante pouco mais de uma hora, ele emocionou, provocou reflexões profundas e, como sempre, deixou sua marca.

“Estou apaixonado pela vida”, declarou Mujica, com a simplicidade que o caracterizava, ao falar sobre a luta humana por um mundo mais justo. Ele não veio à UFSC por obrigação, disse ele, mas porque queria estar ali, diante de jovens que carregavam, segundo suas palavras, “o gigantesco desafio de construir o futuro”. E Mujica não poupou palavras. Ele exortou os presentes a não serem “traidores do que está por vir”, a rejeitarem o consumismo desenfreado e a lutarem por mudanças sem perder a ética.

Mujica na UFSC em 2015. Foto: Henrique Almeida/Agecom/UFSC

Entre reflexões sobre a juventude, política, meio ambiente e integração latino-americana, Mujica compartilhou lições que ecoam até hoje. Ele alertou sobre o perigo das patologias tanto da mudança quanto da conservação, pediu que as novas gerações abraçassem a luta pela sustentabilidade e pela unidade regional e lembrou que o progresso não é um destino, mas um caminho eterno. “Nunca há triunfos definitivos, nunca há derrotas definitivas” e “a escada do progresso é infinita”, afirmou, enquanto o silêncio respeitoso da plateia era interrompido apenas por aplausos entusiasmados.

Aquele evento na UFSC foi muito mais do que uma palestra. Foi um encontro com a história viva, uma aula de humanidade e um chamado à ação. Mujica não falava apenas para os jovens presentes naquela noite, mas para todos que acreditam em um mundo mais justo e solidário. Sua presença foi um lembrete de que a política, quando feita com honestidade e paixão, ainda pode transformar vidas.

Rosiani Bion de Almeida / SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Com informações de: Mujica na UFSC: ‘Estou apaixonado pela vida’ (27/11/2015)

 

Tags: Pepe MujicaUFSCUruguai

Level One 2025: inscrições abertas a universitários para feira gratuita de carreiras

12/05/2025 16:36

No dia 5 de julho, Florianópolis sediará o Level One 2025, uma feira de carreiras gratuita que interliga universitários e grandes empresas do mercado. O evento, que terá início às 8h, será realizado no CentroSul, e visa proporcionar uma experiência imersiva, dinâmica e gamificada, conectando jovens talentos às oportunidades que podem transformar suas trajetórias profissionais.

Com o objetivo de preparar os estudantes para ingressar no mercado de trabalho, o Level One reúne empresas líderes do Sul e de todo o Brasil, além de palestrantes renomados. A programação inclui atividades interativas, palestras inspiradoras e oportunidades de networking que ajudam os participantes a identificar vagas de estágio e outras oportunidades que realmente se conectem aos seus perfis e objetivos de carreira.

O evento também contará com ações voltadas ao desenvolvimento profissional e à troca de experiências, consolidando-se como um espaço estratégico para jovens universitários e recém-formados de diversas áreas.

Inscreva-se gratuitamente no site do evento.

Serviço

O que: Level One 2025 – Feira de Carreiras
Quando: 5 de julho de 2025, a partir das 8h
Onde: CentroSul (Avenida Governador Gustavo Richard, 850, Centro, Florianópolis, SC)
Quanto: Gratuito
Mais informações: no Instagram @levelonesc

 

Tags: CentroSulCSECTCfeira de carreirasLevel One 2025UFSC

UFSC participa de evento voltado à internacionalização do ensino superior

09/05/2025 13:22

A Faubai Conference 2025, um dos maiores eventos da América Latina voltados à internacionalização do ensino superior, foi realizado em Brasília entre 26 e 30 de abril, e a UFSC teve uma participação destacada. Na programação constaram palestras e painéis com especialistas internacionais, workshops temáticos, sessões práticas, espaço de networking e colaboração, além da apresentação de estudos de caso e boas práticas. Duas atividades particularmente importantes para a cooperação internacional promovida pelo Governo e pelas universidades brasileiras foram PEC-G: 60 years of international cooperation and internationalization at home e CAPES-Global: Presentation of the new program.

Representantes da UFSC realizaram reuniões bilaterais com agentes de universidades e instituições visando ao estabelecimento e ao fortalecimento da cooperação internacional. Entre os diálogos conduzidos pelo secretário de Relações Internacionais, Luiz Carlos Pinheiro Machado Filho, e pela diretora de Relações Internacionais, Fernanda Leal, destacam-se as interações com Université Laval (Canadá), Universitat Pompeu Fabra (Espanha), Politecnico di Torino (Itália), HSE University (Rússia), Universidad del Valle (Colômbia) e Universitat Münster (Alemanha), além de representantes do Regional English Language Office (RELO), da Embaixada dos Estados Unidos, com vistas à participação da UFSC no Programa English Language Fellow.

A Universidade também marcou presença em sessões paralelas. No dia 28 de abril, o secretário Luiz Carlos Pinheiro moderou a sessão South-South Cooperation, na qual a diretora Fernanda Leal apresentou trabalhos sobre as relações Sul-Sul no contexto da internacionalização do ensino superior e a cooperação acadêmica entre Brasil e Timor-Leste. A agente de internacionalização e servidora da Secretaria de Comunicação (Secom) da UFSC, Stefani de Souza, apresentou trabalhos sobre projetos de extensão internacional e seu impacto no empoderamento de comunidades, com destaque para a parceria entre Brasil e Moçambique, além do papel da extensão universitária no processo de internacionalização.

Outra contribuição relevante foi da servidora Luciana Miashiro Lima, que participou da mesa redonda Technologies and Digital Systems in the Internationalization of Research: Building Global Academic Bridges. Ela apresentou o projeto de tradução dos nomes das disciplinas de graduação da UFSC para o inglês, concluído em 2024, que possibilita aos estudantes e egressos a emissão do Histórico Síntese e do Atestado de Matrícula em inglês, gratuitamente. A mesa foi coordenada pelo professor Lincoln Fernandes, que também apresentou um trabalho sobre chatbots com inteligência artificial e sua aplicação na colaboração acadêmica internacional.

Além disso, a servidora Ana Luísa da Silveira, da Secretaria de Educação a Distância (Sead), participou da mesa-redonda “Escolhas Verdes: O Impacto emocional da sustentabilidade e as escolhas dos estudantes internacionais”, apresentando, como coautora, um artigo em parceria com o representante da FixTerra, Sebastian Fernandes.

Organizado pela Associação Brasileira de Educação Internacional (Faubai), o encontro reuniu especialistas, gestores, pesquisadores e representantes de universidades de todo o mundo para debater tendências, desafios e oportunidades para a educação global. A conferência também se destacou como plataforma para promover a educação brasileira no cenário internacional, ressaltando a riqueza cultural e acadêmica do país.

A expectativa é que a Faubai 2026 seja realizada em Florianópolis, com a participação da UFSC na organização do evento.

Sobre

A Faubai foi criada em 1988 e reúne gestores e responsáveis de assuntos internacionais de mais de 200 instituições de ensino superior brasileiras. A Conferência promove integração, capacitação de gestores, seminários, workshops, reuniões regionais, nacionais e internacionais e uma conferência anual. Também atua na divulgação das potencialidades e da diversidade das IES brasileiras, no país e no exterior, junto a IES, agências, representações diplomáticas, organismos e programas internacionais.

Mais informações no site do evento: www.faubai.org.br.

Com informações da Sinter.

Tags: ensino superiorFaubaiInternacionalizaçãoSeadSECOMSinterUFSC

UFSC na mídia: a polêmica que envolve o nome do campus central da Universidade

08/05/2025 14:44

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) está no centro de um debate importante. A atual denominação do campus central, Reitor João David Ferreira Lima, poderá ser alterada após decisão do Conselho Universitário em aprovar as recomendações da Comissão Memória e Verdade (CMV) da instituição. Criada em 2014, a CMV tem o objetivo de investigar violações de direitos humanos ocorridas na UFSC durante a ditadura civil-militar (1964-1985).

Os professores da UFSC, Daniel Castelan e Luana Heinen, falaram sobre o assunto em entrevista ao Portal Desacato, no dia 7 de maio. Ambos destacaram a relevância histórica e política da recomendação de retirar o nome do campus, que homenageia o primeiro reitor da Universidade, João David Ferreira Lima, apontado por documentos revelados pela CMV como colaborador do regime militar.

Segundo Castelan, que também é presidente da Comissão para a Implementação das Recomendações do Relatório Memória e Verdade da UFSC, a proposta de renomear o campus é resultado de anos de trabalho intenso de pesquisa e investigação. Ele explicou que a CMV analisou cerca de 1.500 documentos obtidos a partir da Lei de Acesso à Informação (2011) e do Arquivo Nacional, os quais demonstraram a colaboração de João David Ferreira Lima com setores de repressão da ditadura. “Esses trabalhos indicaram que havia comunicações diretas e constantes entre o ex-reitor e sua equipe” com esses órgãos militares que causaram danos à comunidade universitária, afirmou Daniel.

Entre as 12 recomendações apresentadas pela CMV e aprovadas em 2018 pelo Conselho Universitário, uma em particular previa a revisão de homenagens a pessoas que colaboraram com o regime militar. Daniel destacou que a retirada do nome do campus é uma medida que visa reparar historicamente as violências praticadas e reafirmar o compromisso da universidade com os direitos humanos.

Já a professora Luana Heinen, doutora em Direito e coordenadora do Observatório dos Direitos Humanos, reforçou a importância do direito à memória e ao debate público sobre o passado autoritário do Brasil. A docente destacou que o “direito à memória é um direito humano fundamental” e que a falta de enfrentamento adequado dos crimes cometidos durante a ditadura impede avanços mais sólidos na defesa da democracia.

Luana também comentou sobre a responsabilidade da administração pública em revisar atos que, à luz de novas evidências, se mostram incompatíveis com os valores democráticos. “Quando o Conselho Universitário aprovou a homenagem em 2003, não havia acesso aos documentos que temos hoje. Agora, com as provas reveladas pela CMV, é possível e necessário rever essa decisão”, destacou.

A entrevista também abordou as dificuldades enfrentadas pela sociedade brasileira em lidar com o passado ditatorial. Segundo os professores, o silêncio e a negação de atos cometidos durante a ditadura contribuem para a manutenção de estruturas autoritárias. “Esse debate não é apenas sobre o passado, mas também sobre o que queremos para o futuro” e um alerta para os futuros dirigentes e agentes públicos sobre a importância de respeitar os direitos humanos e agir com responsabilidade, enfatizou Luana.

A decisão final sobre a alteração do nome do campus será tomada pelo Conselho Universitário, que representa a comunidade acadêmica de forma democrática. Para os professores, essa é uma oportunidade única de a UFSC afirmar seu compromisso com a verdade histórica, a memória e a justiça. Por ser um patrimônio público, “a sociedade deve se orgulhar que a universidade tenha tido a coragem de dar esse passo, de enfrentar esse passado, de trazê-lo a público, de mostrar para a sociedade catarinense e dar esse passo que as famílias merecem, que é um pedido formal de desculpa”, concluiu Daniel.

A entrevista completa está disponível link.

 

Tags: Comissão Memória e VerdadeJoão David Ferreira LimaPortal DesacatoUFSC