15 de outubro: Antonieta de Barros, educadora que instituiu o ‘Dia do Professor’

14/10/2025 08:00

“Educar é ensinar os outros a viver; é iluminar caminhos alheios; é amparar debilitados, transformando-os em fortes; é mostrar as veredas, apontar as escaladas, possibilitando avançar, sem muletas e sem tropeços” – Antonieta de Barros

Na data de 15 de outubro celebra-se o dia dos professores e professoras do Brasil, homenagem que foi instituída pela catarinense Antonieta de Barros, em 1948. A educadora, jornalista, intelectual e mulher negra também escolheu a educação como missão de vida e instrumento de transformação social.

Nascida em Florianópolis (1901), aos 21 anos fundou um curso que leva seu nome para alfabetizar quem não tinha condições financeiras, conduzindo-o por três décadas. Em sala de aula, ensinou Português e Literatura; na imprensa, escreveu mais de mil artigos e criou a revista Vida Ilhoa; na política, tornou-se, em 1935, uma das primeiras mulheres eleitas e a primeira mulher negra a assumir um mandato popular no Brasil. É de sua autoria o projeto que instituiu, pela Lei nº 145 de 12 de outubro de 1948, o Dia do Professor e o feriado escolar em Santa Catarina – semente que germinou e se espalhou por todo o país.

Antonieta entendia a educação como direito inalienável, instrumento de luta e caminho para a dignidade. Em 1937, publicou o livro Farrapos de Ideias e destinou os lucros da primeira edição à construção de uma escola para crianças cujos pais estavam internados na Colônia Santa Tereza, mais um gesto que sintetiza seu compromisso com a infância e com a justiça social. Em 2023, seu nome foi inscrito no Livro de Aço dos heróis e heroínas da Pátria, reconhecimento que eterniza sua trajetória de pioneirismo e serviço público.

A história de Antonieta nos inspira a seguir lutando por uma educação de qualidade, pois, como ela mesma escreveu em seu livro: “A grandeza da vida, a magnitude da vida, gira em torno da educação.”

Neste dia, a missão de ensinar é celebrada e, que o legado da professora Antonieta seja honrado não apenas com palavras, mas com ações: valorizando a carreira docente, garantindo condições de trabalho, investindo em formação continuada, ciência e tecnologia, e assegurando uma educação inclusiva, antirracista e de qualidade para todos e todas.

Antonieta já dizia que “educar é ensinar os outros a viver; é iluminar caminhos alheios; é amparar debilitados, transformando-os em fortes; é mostrar as veredas, apontar as escaladas, possibilitando avançar, sem muletas e sem tropeços.”

Que sua trajetória nos inspire a transformar realidades, abrir caminhos e ampliar vozes. Porque ensinar é um ato de coragem – e de esperança. Feliz Dia do Professor a cada um e cada uma que se dedicam ou se dedicaram a esta nobre causa!

Tags: Cátedra Antonieta de BarrosDia do ProfessorUFSC

Estudantes entrevistam Reitor da UFSC para o ‘Começando os Trabalhos’

13/10/2025 13:28

No dia 10 de outubro, os estudantes do Centro Socioeconômico (CSE) da UFSC — Estevão, Bagatini e Heuron — entrevistaram o reitor Irineu Manoel de Souza no podcast “Começando os Trabalhos”. Em pouco mais de uma hora, Irineu tratou de temas centrais para a universidade, especialmente o orçamento e as prioridades da gestão. Segundo ele, as federais perderam metade do orçamento em dez anos e reduziram pessoal, enquanto a terceirização elevou custos de manutenção. A UFSC reviu contratos e cortou despesas para economizar, mas ainda enfrenta um déficit relevante.

Diante do cenário, a administração prioriza manter aulas e laboratórios, fortalecer a permanência estudantil — com RU, moradia e bolsas — e equiparar os valores de bolsas de ensino, pesquisa e extensão. Irineu defendeu um novo modelo de financiamento, indexado a parâmetros macroeconômicos, para dar previsibilidade às federais.

Ele também destacou o papel da UFSC no desenvolvimento de Santa Catarina e do país, pela formação de quadros e pela produção científica, citando a abertura de novos cursos mesmo sob restrição fiscal. Na vida estudantil, incentivou atividades como empresas juniores, monitorias e projetos, e mencionou a política em elaboração para reduzir a evasão, com acompanhamento mais próximo dos estudantes.

A internacionalização segue em expansão, com parcerias e dupla diplomação, e apoio da Secretaria de Relações Internacionais. Sobre o Restaurante Universitário da Trindade, o reitor reconheceu a fila como principal problema e informou que, com recursos do PAC, haverá modernização da cozinha e do fluxo de atendimento, além do estudo para ampliar o complexo e criar um restaurante menor no campus. A expectativa é que as melhorias se reflitam ao longo de 2025.

Assista à entrevista na íntegra:

 

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Tags: Começando os trabalhosCSEPodcastUFSC

Voluntário(a) no Planeta.Doc: ‘mundo diferente não pode ser criado por pessoas indiferentes’

13/10/2025 11:49

O Festival Internacional de Cinema Socioambiental Planeta.Doc convida estudantes e professores da UFSC a participarem como voluntários(as) nas ações do festival, que ocorrem até 6 de dezembro. A iniciativa integra cinema, educação e sustentabilidade, com foco em engajar a comunidade universitária em atividades de formação, mobilização e difusão de conteúdos socioambientais.

Plataformas do festival

  • planetdoc.org: mais de 300 filmes socioambientais gratuitos.
  • Planeta na Escola: conteúdos e recursos pedagógicos voltados a educadores.

Objetivo

Ampliar o alcance das Sessões Educativas, envolvendo docentes e discentes para potencializar o impacto das exibições e ecoar a mensagem rumo à COP30, em prol de um futuro mais justo e sustentável.

Áreas de atuação para voluntariado

  • Exibições e produção.
  • Comunicação e mobilização.
  • Sessões educativas e mediação.

Participe e faça parte da rede que transforma o cinema em ferramenta de ação e mudança.

Inscrições pelo formulário disponível neste link

 

Tags: COP30Planeta.DocUFSC

Homenagem à professora Mara Lago: ‘uma vereda firme e acolhedora’

10/10/2025 16:55

Uma tarde de memória, afeto e reconhecimento marcou a homenagem póstuma à professora emérita Mara Coelho de Souza Lago, realizada na sexta-feira, 10 de outubro, no Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), no Campus Trindade, em Florianópolis. O tributo, integrado às comemorações dos 30 anos do Programa de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências Humanas (PPGICH), reuniu colegas, familiares e estudantes e promoveu o compartilhamento de lembranças e reflexões sobre o legado da educadora, nas palavras da vice-reitora Joana Célia dos Passos, da filha Fernanda Lago e das professoras Miriam Pillar Grossi, Tânia Ramos e Luciana Zucco.

A professora Miriam abriu a homenagem destacando que havia muito a celebrar: “não apenas datas e marcos institucionais, mas uma memória ativa, a que se renova no gesto de transmitir”. Ela enfatizou que compartilhar os ensinamentos de Mara é reconhecer que sua presença se manifestou em múltiplos planos: o acadêmico, rigoroso e criativo; o pessoal, feito de cuidado cotidiano; o afetivo, que sustentou tantas pessoas; e o político, sempre atento ao futuro.

“‘Teoria é prática com paciência’, ela dizia em nossas reuniões, lembrando que o conhecimento ganha sentido quando devolvido às pessoas e aos territórios que o tornaram possível”, recordou Miriam, citando uma das máximas que orientavam o trabalho da homenageada. A professora ainda evocou Paulo Freire para lembrar que, com Mara, aprenderam “a caminhar juntas e juntos, a sustentar dissensos sem abrir mão da escuta, a transformar pesquisa em presença e presença em compromisso”.

Fernanda, filha de Mara, emocionou os presentes ao descrever o momento em que a família compreendeu a dimensão do impacto da professora. “Ainda no hospital, quando resolvemos compartilhar informações sobre o estado dela, entendemos a dimensão do que estava acontecendo: muita gente queria saber, participar, mandar um recado”, relatou. Como filhas, conheciam a professora, a pesquisadora, a militante. “Mas foi ali que percebemos o tamanho do alcance da professora Mara”, disse.

Fernanda destacou que, a cada mensagem recebida, ficava claro que a mãe havia tocado vidas “de modos discretos e profundos, muitas vezes sem alarde”. Citando Clarice Lispector, ela refletiu: “O que verdadeiramente somos é aquilo que o impossível cria em nós; e a Mara parecia ter esse dom de criar o possível dentro do impossível cotidiano das pessoas”.

Ao encerrar sua participação, Fernanda agradeceu o gesto da homenagem e expressou o desejo de que a memória da professora siga “não como um retrato na parede, mas como prática viva — aquela que nos pega pela mão, mesmo quando a mão já não está”.

Rigor intelectual, generosidade e elegância

A professora Luciana Zucco, que conheceu Mara em 2015, definiu o encontro como “curto quando medido em anos, mas longo quando medido em encontros”. O que sempre a impressionou foi “a combinação pouco comum entre rigor intelectual, generosidade e elegância”. Pioneira, Mara abriu caminhos para mulheres de diferentes gerações, “muitas vezes quando ‘não havia estrada’”, conseguindo construir “uma vereda firme e acolhedora”.

Luciana ressaltou a contribuição decisiva da professora para o fortalecimento dos estudos feministas e de gênero na UFSC, no Brasil e além das fronteiras. Na Revista de Estudos Feministas (REF), como editora e coordenadora editorial, Mara praticou o que Audre Lorde chamaria de “cuidado como prática de liberdade”: estimulava novas vozes, valorizava experiências e abria espaço para olhares plurais.

Parceria inseparável e compromisso com o feminismo

A professora Tânia Ramos, parceira inseparável de Mara na edição da REF, emocionou-se ao relembrar a amizade que se confundia com trabalho e militância. “Quem nos conhecia sabia: éramos parceiras, amigas, inseparáveis — ‘Mara e Tânia’, quase um composto, cada uma inteira e, ao mesmo tempo, metade da outra”, declarou.

Tânia compartilhou um texto que recebeu de sua orientanda Mariana Volt, na noite do adeus no Crematório Vaticano: “Tudo o que aprendi sobre amizade, aprendi sentada no banco de trás do carro da Mara”. A estudante contou ter aprendido, naquelas viagens, que ciência se faz com amizade; que é preciso ler as subjetividades; que há sempre bons textos para compartilhar; e que livros seguem sendo grandes presentes.

A professora descreveu o cotidiano da parceria na REF, onde muitas decisões nasciam em cafés de fim de tarde. “Conhecemos quase todos os cafés de Florianópolis”, contou, mencionando o Café Jardins, na esquina da Rio Branco, como porto preferido. Quando retornou ao local após a morte de Mara, as atendentes perguntaram pela companheira, e uma delas chorou ao saber da notícia.

Tânia destacou que, em todos os editoriais, fazia-se visível o desejo de Mara de que as editoras se colocassem “como feministas posicionadas frente às desigualdades, deixando transparecer, além da perspectiva acadêmica, a nossa humanidade”. A professora lembrou ainda das manifestações de rua que frequentavam juntas e da convicção de Mara: “Não é o mar que me encanta, Tânia, são as árvores”.

Intelectual engajada e feminista em movimento

A vice-reitora Joana Célia dos Passos trouxe a imagem de Mara nas ruas — nas manifestações em defesa da democracia, no movimento “Ele Não”, na luta pela universidade pública, na Marcha Mundial das Mulheres. “Como ensinou Angela Davis, quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se desloca; com a Mara, quando a feminista se movia, a universidade também precisava se mover”, afirmou.

A vice-reitora ressaltou que Mara não admitia separação entre o trabalho intelectual e a política do cotidiano. “Ela nos formou feministas porque praticava o afeto como princípio pedagógico, transformando orientação em diálogo e cuidado, e cuidado em compromisso”, disse, lembrando que a homenageada perguntava sempre “para quem” e “com quem” produzimos conhecimento.

Um legado para gerações

Professora emérita desde 2011, Mara Lago construiu uma trajetória decisiva para a universidade e para os estudos de gênero no país. Ingressou na UFSC em 1969, foi uma das fundadoras do curso de Psicologia e pioneira na criação do Serviço de Atenção Psicológica (Sapsi) e do Laboratório de Psicologia Experimental. Liderou a implantação do Programa de Pós-Graduação em Psicologia, do qual foi a primeira coordenadora, e colaborou na criação do PPGICH, do Instituto de Estudos de Gênero (IEG) e da Revista de Estudos Feministas (REF).

Mesmo após a aposentadoria compulsória, em 2010, seguiu como docente e pesquisadora voluntária, mantendo presença ativa em atividades acadêmicas e em mobilizações públicas em defesa das mulheres e da diversidade. Graduada em Pedagogia, mestre em Antropologia Social e doutora em Psicologia da Educação, Mara dedicou sua produção às interfaces entre psicologia, educação, subjetividades, gênero e modos de vida, com reconhecida contribuição interdisciplinar.

Ao longo da carreira, orientou dissertações e teses, participou de mais de uma centena de bancas e publicou cerca de 70 obras entre livros e artigos. Nascida em Caçador (SC) e radicada em Florianópolis desde a infância, tornou-se referência intelectual e humana para gerações de pesquisadoras e pesquisadores, deixando um legado que se sustenta não apenas em marcos institucionais, mas também — e sobretudo — em uma ética do cuidado e em um compromisso com a transformação social.

 

Rosiani Bion de Almeida | Divisão de Imprensa do GR
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Tags: CFHIEGMara Lagoprofessora eméritaPrograma de Pós-Graduação Interdisciplinar em Ciências HumanasUFSC

10ª edição do Festival Planeta.doc abre espaço para participação de professores e turmas de alunos

09/10/2025 17:58

Festival Planeta.doc convida professores e turmas de alunos a participarem da 10ª edição do Festival Internacional de Cinema Socioambiental Planeta.doc. Por meio da plataforma planetdoc.org, a ação disponibiliza um espaço virtual que reúne uma seleção das melhores produções audiovisuais sobre temáticas ambientais do Brasil, com cerca de 300 filmes que podem ser acessados gratuitamente até 31 de dezembro de 2025.

Para participar desta edição, o(a) interessado(a) deve escolher um filme da plataforma para exibição e debate com sua turma, promovendo uma atividade interdisciplinar e engajada, além de agendar a sessão presencial preenchendo a planilha com a data desejada.

Mais do que um acervo de filmes, a plataforma planetdoc.org oferece uma conexão entre cinema, ciência e comunidade, oferecendo documentários e filmes socioambientais, que abordam temas como: crise climática e desastres ambientais, justiça social e territorial, povos originários e saberes ancestrais, biodiversidade e ciência, educação, saúde planetária e culturas populares.

A plataforma é voltada a estudantes universitários, pesquisadores, educadores, organizações não governamentais, coletivos e startups de impacto, conectando cinema, ciência e comunidades com a oferta de filmes documentais, experiências de transformação e oportunidades reais de engajamento em projetos de extensão e de voluntariado. Nela estarão também disponíveis as palestras e ted-talks gravados durante o V Planeta.doc Conferência, que foi realizado entre 22 e 25 de setembro na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e na Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc).

>> Planeta na Escola

Junto com o festival, está sendo relançada também a plataforma Planeta na Escola (planetanaescola.com), que é voltada para professores e estudantes da Educação Básica. A plataforma oferece filmes selecionados com temas socioambientais e diversos espaços virtuais para envio de produções próprias. A nova versão traz recursos interativos e uma rede social dedicada a professores e ambientes para colaboração entre educadores. A plataforma Planeta na Escola tem integração com a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) em temas contemporâneos como clima, água, alimentação, cultura de paz e justiça social. Escolas e professores podem se inscrever gratuitamente em www.planetanaescola.com.

>> Publicação de projeto de extensão

A plataforma também oferece um espaço para professores e universidades divulgarem oportunidades em projetos de extensão, pesquisa, voluntariado e engajamento social. Os estudantes podem assistir a um filme e, em seguida, se conectar diretamente a ações concretas promovidas por suas instituições.

Tags: Festival Internacional de Cinema SocioambientalPlaneta.DocSecarteUFSC