Representantes da UFSC esclarecem, em assembleia dos TAEs, contrato emergencial com Unimed

19/01/2026 12:36

O plano de saúde da Unimed foi uma das principais pautas da Assembleia Geral Extraordinária do Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina (Sintufsc), realizada na manhã desta segunda-feira, 19 de janeiro de 2026, no Auditório da Reitoria da UFSC, no campus Trindade, em Florianópolis. Para prestar esclarecimentos, participaram da reunião a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodegesp), Sandra Carrieri, o chefe de Gabinete, Bernardo Meyer, e a diretora do Departamento de Atenção à Saúde (DAS), Nicolle Ruzza.

A pró-reitora apresentou um panorama detalhado do contrato com a Unimed, explicou as razões para a adoção do instrumento emergencial e informou que a operadora se comprometeu a ressarcir valores cobrados indevidamente referentes aos primeiros 17 dias de vigência do acordo. Segundo ela, a gestão tem atuado com firmeza e transparência em relação à operadora desde o início de 2023, para garantir cobertura contínua aos beneficiários, sem interrupções.

Sandra relatou que duas tentativas de licitação antecederam o contrato emergencial. A primeira foi declarada deserta, sem interessados — inclusive a própria Unimed. A segunda fracassou: embora tenham sido apresentadas propostas, algumas empresas não atendiam requisitos essenciais, como rede hospitalar adequada, ou não demonstravam liquidez suficiente para assegurar o atendimento aos beneficiários.

Diante da baixa atratividade do edital, a equipe técnica realizou pesquisa de mercado e identificou que novos contratos no setor migraram majoritariamente para coparticipação de 50%, abandonando modelos de 20% ou 30%. Carrieri admitiu ter se posicionado inicialmente contra a mudança, mas reconheceu que o ajuste foi a alternativa para evitar nova licitação deserta ou fracassada.

A pró-reitora enfatizou que a contratação emergencial — com exigências reduzidas e que permitiu a continuidade do atendimento — não era a primeira opção, mas se tornou inevitável pela falta de prazo após o insucesso das licitações. Apesar de insatisfeita com pontos operacionais, a gestão considerou positivo não ter havido descontinuidade de cobertura. Entre as melhorias negociadas, Sandra citou a possibilidade de titular e dependente estarem em planos distintos, conforme necessidade e cidade de residência, além da inclusão de procedimentos ausentes em contratos anteriores. Na prática, porém, a Unimed não liberou de imediato a migração entre modalidades, contrariando o que havia sido alinhado para a transição.

Outro foco de contestação foram as cobranças baseadas em uma nova tabela de referência que, segundo a pró-reitora, não foi divulgada aos beneficiários quando passou a ser aplicada. O contrato teve início em 2 de dezembro, mas a tabela, comunicada apenas no dia 18, foi usada retroativamente, gerando cobranças relativas entre esse período. “Nós pedimos a divulgação da tabela e a resposta foi de que era um documento de um órgão particular. Acabamos encontrando a referência por conta própria”, relatou. Em reuniões com a Unimed — algumas com a presença do reitor e da equipe técnica —, a UFSC apresentou uma pauta de reivindicações e exigiu solução imediata para o ponto mais objetivo: o estorno dos 17 dias cobrados sem prévia divulgação. Após insistentes contatos, a operadora confirmou que fará o ressarcimento e que apresentará, até esta terça-feira, posicionamento formal sobre os demais temas.

A pró-reitora reforçou que as reclamações recebidas têm como alvo a operadora — e não a Prodegesp — e que a universidade vem atuando como ponte, cobrando providências e transparência. “Todos nós somos beneficiários e estamos enfrentando problemas. Ninguém deixou para a última hora. Trabalhamos ao máximo para garantir que ninguém ficasse um dia sem cobertura”, afirmou. Ela também destacou a complexidade do contrato, que envolve cerca de 14 mil vidas, com grande diversidade de perfis, número expressivo de idosos e atendimento multicampi — fatores que aumentam a exigência sobre rede, gestão e sustentabilidade financeira do plano.

Como encaminhamento, Sandra defendeu aprofundar o debate com a comunidade universitária e antecipou que, no futuro, a alternativa por convênios individuais pode ser considerada, caso o modelo licitatório não ofereça vantagens concretas à instituição e aos servidores. Uma audiência pública está nos planos, mas, segundo ela, deve ocorrer quando houver respostas mais consistentes da Unimed. “Pelo menos duas vieram: o ressarcimento dos 17 dias e um prazo para retorno formal sobre o restante. Seguiremos ouvindo a comunidade e levando sua voz às negociações”, concluiu.

A diretora Nicolle Ruzza (DAS/UFSC), em sua fala, detalhou as principais frentes de fiscalização e cobrança dirigidas à Unimed e afirmou que a equipe técnica tem mapeado padrões nas reclamações, intermediado demandas coletivas e exigido correções imediatas — a começar pelo ressarcimento dos 17 dias em que uma nova tabela de coparticipação foi aplicada sem prévia divulgação. Nicolle adiantou o que a operadora já alegou: a cláusula de coparticipação do contrato emergencial reproduz a do contrato de 2019, e a diferença de valores decorre da atualização periódica da tabela nacional de procedimentos, com índice de 2024/2025. A diretora contestou a falta de transparência sobre os números e disse que a UFSC precisou buscar, por conta própria, a origem dos valores para compreender a composição. Ao confrontar boletos e referências disponíveis, a equipe verificou que, “na grande maioria dos casos”, a Unimed aplicou a faixa 3 — a mais onerosa —, o que explicaria a elevação abrupta das coparticipações. A universidade questionou formalmente o critério, pediu justificativa técnica para a adoção da faixa e aguarda manifestação detalhada com a exposição dos parâmetros de cálculo.

Outro ponto de alerta foi uma frase incluída nos boletos: “após negociação entre UFSC e Unimed, seu contrato sofreu reajuste de 25,9%”. De acordo com a diretora, a afirmação é incorreta e já foi objeto de pedido de retirada imediata e retratação pública. “Não houve negociação. Trata-se de um contrato por dispensa de licitação, cujo rito não prevê negociação de reajuste como descrito no boleto”, afirmou. A UFSC também solicitou que a Unimed esclareça a origem do percentual, que, na avaliação preliminar da equipe, teria sido indevidamente calculado a partir da dinâmica de reajustes do contrato anterior e “transposto” para o novo instrumento emergencial — o que não se aplica. “Não existe esse reajuste no contrato emergencial”, reforçou.

Sobre o impacto financeiro médio do novo contrato, Ruzza explicou que, para fins de compreensão geral, a equipe estimou uma variação média entre 5% e 6% na comparação entre faixas etárias de 0 a 59+ anos, ressaltando que, caso a caso, podem surgir percentuais diferentes. “Alguns podem ter 8% ou 10%, dependendo da faixa”, disse. Ela também contextualizou a adoção de coparticipação de 50% como uma exigência do mercado para viabilizar a contratação: estudos preliminares indicaram que, mantendo coparticipação de 20%, as propostas tenderiam a implicar aumentos de cerca de 42% na mensalidade — custo recorrente que recairia sobre todos os beneficiários, independentemente de uso. No cenário atual, a UFSC afirma atuar para mitigar distorções e assegurar que a coparticipação seja aplicada com critérios claros e previamente informados.

Nicolle reconheceu o desgaste causado pela divulgação tardia da tabela de coparticipação e pelo choque de valores nos boletos, e destacou que a UFSC mantém fiscalização permanente do contrato, organiza as queixas para identificar padrões e encaminha as demandas coletivas à Unimed com pedidos formais de resposta. Entre as medidas já adotadas estão: a exigência de estorno dos 17 dias cobrados com base na tabela não publicizada; a solicitação de exposição transparente da metodologia de precificação e da faixa aplicada; e o pedido de retirada da referência a “negociação” e “reajuste de 25,9%” dos boletos, com comunicação pública aos beneficiários. Segundo a diretora, a Unimed comprometeu-se a formalizar resposta sobre boletos e tabela, que será divulgada aos servidores. “Sabemos que não está confortável. Negociar com a operadora tem sido historicamente difícil, mas sempre conseguimos resultados melhores do que os inicialmente propostos e seguiremos pressionando por correções e transparência”, concluiu.

Rosiani Bion de Almeida | Divisão de Imprensa do GR
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Pós-graduação da UFSC amplia conceitos de excelência em avaliação nacional

19/01/2026 09:13

Foto: Henrique Almeida/Agecom

Os programas de pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina se destacaram pela qualidade e nível de excelência na avaliação quadrienal da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), um rigoroso processo que afere a produção intelectual das 50 áreas de avaliação, com a indicação dos destaques de cada programa de pós-graduação (PPG), além de análises qualitativas e quantitativas e de indicadores.

A UFSC aumentou para 29 programas com nota máxima – dois a mais do que no último ciclo. Destes, sete constam como conceito de excelência: Ciência e Engenharia de Materiais, Educação Física, Engenharia Ambiental, Engenharia de Alimentos, Engenharia Química, Filosofia e Química. Outros 22 obtiveram a nota 6, um marco de qualidade para os programas.

Para a professora Débora Oliveira, pró-reitora de Pós-Graduação, trata-se de um marco para a UFSC.  “No conjunto dos 89 programas avaliados, os dados evidenciam a robustez, a diversidade e a trajetória ascendente da pós-graduação da UFSC”, comenta. “Destaca-se que 33% dos PPGs alcançaram as notas 6 e 7, patamares que caracterizam excelência internacional, reafirmando a projeção da UFSC no cenário científico global. Outros 25% dos programas obtiveram nota 5, consolidando-se como referências de excelência nacional em suas respectivas áreas”, pontua.

Outro destaque foram os programas que elevaram seu conceito: um total de 23,5%. Dentre eles, sete subiram para o nível de excelência: Agroecossistemas, Ciência da Computação, Ecologia, Física, Interdisciplinar em Ciências Humanas, Matemática Pura e Aplicada e Serviço Social.

Resultado relevante para o Estado

A pró-reitora também reforça a importância do crescimento dos programas que subiram para o segmento 4, a partir do qual já é possível construir projetos para cursos de doutorado. “Eles passaram a representar 36% dos PPGs da UFSC, frente a apenas 12% na avaliação anterior. Esse avanço não apenas reflete o amadurecimento acadêmico e científico desses programas, como também os qualifica para a submissão de propostas de cursos de doutorado, ampliando de forma estratégica a formação avançada de recursos humanos na instituição”.

Para Débora, um ponto a ser destacado é que a maior parte desses PPGs nota 4 corresponde a programas relativamente novos e localizados nos demais campi da UFSC, sendo um resultado relevante também para o Estado de Santa Catarina. “Esses resultados traduzem o impacto positivo das políticas institucionais de interiorização, redução de assimetrias e fortalecimento da pós-graduação em diferentes regiões do estado”.

A Avaliação Quadrienal é uma política pública de Estado. O sistema de avaliação, coordenado pela CAPES, serve como uma ferramenta de supervisão para garantir a qualidade da pós-graduação brasileira desde 1976. O processo é conduzido com análise dos pares, debate sobre os critérios e atualização dos mesmos pela comunidade acadêmico-científica a cada ciclo.

“Os resultados preliminares da Avaliação Quadrienal 2021–2024 sinalizam que a UFSC segue avançando de forma sólida, inclusiva e estratégica, reafirmando seu compromisso com a excelência acadêmica e com o desenvolvimento científico, tecnológico e social do país”, sintetiza Débora.

Texto: Agecom

Tags: CapesPROPGUFSC

UFSC Curitibanos firma acordo com Universidade de Coimbra, em Portugal

19/01/2026 09:05

Foto: Divulgação

A coordenação do Programa de Pós-Graduação em Ecossistemas Agrícolas e Naturais (PPGEAN) e a direção do campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em Curitibanos realizaram, no dia 17 de dezembro de 2025, uma visita institucional à Universidade de Coimbra, em Portugal. A agenda integrou ações de fortalecimento da cooperação internacional entre as instituições.

Durante a visita, a comitiva conheceu laboratórios de pesquisa e startups voltadas à área ambiental, além de participar de uma reunião com a professora Isabel Henriques, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Biociências da Universidade de Coimbra. O encontro possibilitou a troca de experiências acadêmicas e científicas, bem como o alinhamento de interesses comuns nas áreas de pesquisa.

Como resultado das tratativas, foi estabelecido um acordo de cotutela entre a UFSC e a Universidade de Coimbra. A parceria permitirá a dupla titulação de doutorado para estudantes das duas instituições, ampliando as oportunidades de formação acadêmica e científica em nível internacional.

Texto: A Semana Curitibanos

Tags: acordoCuritibanosdupla titulaçãoPortugalPrograma de Pós-Graduação em BiociênciasPrograma de Pós-Graduação em Engenharia AmbientalUFSCUniversidade de Coimbra

UFSC: motivos pelos quais a instituição é orgulho catarinense e patrimônio nacional

16/01/2026 12:12

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) completou 65 anos de fundação em 18 de dezembro de 2025. Nesse tempo todo, há motivos de sobra para considerar a UFSC como uma das mais importantes universidades do país, listada em diferentes rankings nacionais e internacionais.

O impacto da UFSC ultrapassa as fronteiras do estado, alcançando reconhecimento em âmbito nacional. Com excelência em ensino, pesquisa e extensão, a instituição tornou-se um bem coletivo do povo brasileiro, um verdadeiro patrimônio público que preserva e promove o conhecimento, a diversidade, a inclusão e o desenvolvimento sustentável.

Para saber mais sobre a história da UFSC, acompanhe a linha do tempo no site especial.

A seguir, listamos razões pelas quais somos motivo de orgulho para Santa Catarina e patrimônio nacional, mote da celebração de aniversário.

Fora da concha, nos pratos de todo Brasil: as ostras que chegam a sua mesa, onde quer que você esteja no território nacional, provavelmente vieram do Laboratório de Moluscos Marinhos (LMM) da UFSC, em Florianópolis. Isso porque o LMM é pioneiro na área e o responsável por quase 100% da produção de ostras do Estado, e Santa Catarina é o principal produtor de ostras, vieiras e mexilhões do Brasil. Por ser referência, o LLM lidera uma rede internacional de pesquisa e monitoramento da saúde das ostras. Patrimônio nacional e influência internacional.

Energia e conhecimento: a UFSC é pioneira na pesquisa do hidrogênio verde, e instalou a primeira usina do Estado para produzir o combustível de forma sustentável – usando somente água e energia renovável. O prédio, localizado na área do Laboratório Fotovoltaica no Sapiens Parque, em Florianópolis, é considerado um modelo, pois a instalação gera toda a energia necessária e capta toda a água da chuva que é preciso para a produção do hidrogênio verde. A obra é resultado de um projeto de R$ 14 milhões, que uniu o Brasil e a Alemanha em um trabalho de cooperação científica e tecnológica. A usina foi destaque nacional, e chegou a receber prêmio pelo projeto de engenharia inovador. Com excelência em pesquisa na área, a Universidade iniciou parceria com o Governo do Estado para investigar todo o ciclo de utilização do hidrogênio inaugurando, em 2025 o Laboratório Multiusuário para Estudo de Hidrogênio Verde. A infraestrutura de ponta visa promover a interação entre grupos de pesquisa da UFSC, possibilitando projetos de alta complexidade e impacto para o setor energético.

Fazendo a diferença na economia nacional: a UFSC é um polo de inovação e empreendedorismo no Estado, e podemos provar. Os números estão no painel Empresas DNA UFSC, produzido pelo Departamento de Inovação da Universidade (Sinova/UFC). A pesquisa  revela que mais de 66 mil membros da comunidade universitária – entre egressos, alunos, professores e técnicos-administrativos – ajudaram a criar 107 mil empresas em todo País entre 1966 e janeiro de 2024. As políticas de incentivo à inovação, programas de pré-incubação e incubação, apoio em propriedade intelectual, laboratórios e habitats de inovação da Universidade fazem parte da história desses empreendedores.

Primeiro diploma digital do Brasil: antes da obrigatoriedade do diploma digital, instituída em julho de 2025 no âmbito nacional, a UFSC destacou-se como pioneira na emissão desse tipo de documento. Em 15 de março de 2019, a Universidade realizou sua primeira formatura com diplomas no formato digital, tornando-se a primeira instituição do sistema federal de ensino superior a implementar a tecnologia, em conformidade com as Portarias nº 330/2018 e nº 554/2019 do MEC. A inovação foi desenvolvida por meio do Laboratório de Segurança em Computação (LabSEC) e da Superintendência de Governança Eletrônica e Tecnologia da Informação e Comunicação (SeTIC).

Pioneira no cultivo medicinal de cannabis: no final de 2022, o Polo de Desenvolvimento e Inovação em Cannabis (Podican) do Centro de Ciências Rurais da UFSC, em Curitibanos, obteve salvo-conduto da Justiça Federal para realizar o cultivo, preparo, produção, fabricação, depósito, porte e prescrição da cannabis sativa. Com isso, a UFSC tornou-se a primeira instituição de ensino superior do país a obter uma autorização judicial para produzir todos os insumos necessários à pesquisa de aplicação da cannabis na área da medicina veterinária. Atualmente, a Universidade integra um grupo de trabalho para construção de um marco regulatório para pesquisas com a cannabis no Brasil.

Ao infinito e além: o Laboratório de Pesquisa em Sistemas Espaciais (SpaceLab) da UFSC eleva a pesquisa do Departamento de Engenharia Elétrica e Eletrônica da Universidade a outro patamar. Responsável pelo lançamento do primeiro satélite da UFSC ao espaço, em 2019, o laboratório integra atualmente o projeto Constelação Catarina, criado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação para a construção da primeira frota nacional de nanossatélites para o monitoramento territorial e resposta a emergências climáticas. O laboratório também desempenha papel importante na primeira missão comercial da Força Aérea Brasileira (FAB), o Spaceward 2025: SpaceLab é o responsável pelos primeiros satélites comerciais lançados a partir do Brasil.  Os satélites são inteiramente nacionais, como a antena, que foi projetada e testada no SpaceLab. Será o primeiro teste em órbita dessa solução no país, representando um avanço para o sistema de comunicações que será empregado em futuras constelações de satélites. 

Berço do ouriço: o LMM, em parceria com o Laboratório de Camarões Marinhos, mantém a UFSC na vanguarda da aquicultura, sendo pioneiro na produção de ouriços do mar em condições controladas. Esse marco é um passo decisivo para a criação de uma nova cadeia produtiva na maricultura nacional, pois o ouriço tem um grande valor e é bem aceito na gastronomia e até mesmo nas indústrias cosmética, nutracêutica e farmacêutica.

Certificado tem a digital da UFSC: os certificados digitais pessoais da Infraestrutura de Chaves Públicas para Ensino e Pesquisa (ICPEdu), atualmente utilizados em todas as instituições federais de ensino do Brasil, são baseados no modelo desenvolvido e implementado de forma pioneira na UFSC. A tecnologia permite a assinatura de documentos digitais e garante segurança nos logins em sites para as comunidades universitárias de todas as instituições federais de ensino. Além disso, gera economia, pois dispensa a impressão dos documentos assinados. Economia e segurança compartilhadas – patrimônio nacional orgulhosamente desenvolvido na UFSC.

Dando luz ao transporte sustentável:eBus, desenvolvido pelo Centro de Pesquisa e Capacitação em Energia Solar da UFSC (Fotovoltaica), foi o primeiro ônibus do país a rodar 100% elétrico, movido a energia solar. Inaugurado em 2016, serviu de transporte entre o campus da UFSC no bairro Trindade e o Sapiens Parque, no norte da ilha de FlorianópolisEntre 2017 e 2020, o eBus rodou o equivalente a três voltas ao mundo, prestando serviços regulares e gratuitos para a comunidade da UFSC. Aliando sustentabilidade e respeito ao meio ambiente, o projeto serviu como um piloto para demonstrar a viabilidade de ônibus elétricos no transporte público. Foi também o Fotovoltaica, ainda chamado Labsolar, que colocou em funcionamento o primeiro gerador solar fotovoltaico integrado à arquitetura do Brasil, em 1997.

Todos os caminhos levam à inovação: o Laboratório de Transporte e Logística (LabTrans) da UFSC tem no currículo projetos de cooperação técnica reconhecidos nacional e internacionalmente. O Sistema Integrado de Operações Rodoviárias (SIOR), do Departamento Nacional de Transportes Terrestres (DNIT), é um exemplo. O SIOR é responsável pela gestão e monitoramento de todas as estradas federais do País. Internacionalmente, a relevância em projetos relacionados à segurança viária credenciaram o LabTrans como Centro de Excelência da rede global do International Road Assessment Programme (IRAP), o Programa Internacional de Avaliação rodoviária, alinhado às Nações Unidas . Existem apenas 10 instituições credenciadas em todo o mundo, e o LabTrans é o único certificado da América do Sul. Atualmente, o laboratório é responsável pela produção de estudos técnicos e científicos para modernizar o sistema de transporte intermunicipal de passageiros em Santa Catarina, por meio de um convênio de cooperação com o governo do Estado. O LabTrans também desenvolveu o plano aeroviário do Estado. Na área de geoprocessamento, o grupo aprimora o uso de Inteligência Artificial no monitoramento e manutenção da malha rodoviária. O LabTrans ainda vai longe.

Amálgama de pesquisa e pioneirismo: com mais de 50 anos de existência, o Instituto de Soldagem e Mecatrônica (Labsolda), vinculado ao Departamento de Engenharia Mecânica da UFSC, tem o pioneirismo no seu DNA. Ainda na década de 1980, o Labsolda prestou assistência técnica à Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para a realização de cursos de especialização de engenharia de soldagem. Anos depois, o laboratório colaborou com a indústria espacial, soldando parte de um foguete experimental feito pelo Centro Tecnológico da Aeronáutica (CTA). O Labsolda também deu apoio técnico a dois experimentos da UFSC enviados à missão Centenário, da qual participou o astronauta brasileiro Marcos Pontes, em 2006. Na lista de realizações do instituto está o desenvolvimento de uma tecnologia inédita para o reparo em turbinas hidráulicas, que levou à conquista da primeira carta-patente da UFSC, em 2007. Até 2025, mais três patentes foram concedidas. O Labsolda é referência internacional em equipamentos e monitoração para soldagem, e apoia também a indústria petrolífera brasileira. Para avaliar de forma mais precisa os processos de soldagem, o laboratório desenvolveu uma técnica para produção de vídeos em alta velocidade, que hoje é referência internacional.

Sinal de pioneirismo: ao criar em 2006 o primeiro Curso de Graduação em Letras Libras do país, a UFSC se tornou um centro nacional e internacional de referência na área de Língua de Sinais. Em parceria com diversas instituições de todo o Brasil, já formou na modalidade EaD mais de mil profissionais em todo o território nacional, entre professores, tradutores e intérpretes.  A excelência na LIBRAS levou a UFSC a firmar convênio com o Instituto Nacional de Educação de Surdos (Ines) para se tornar um polo presencial de cursos para o instituto, por meio de Educação a Distância (EaD). O curso já foi, mesmo que indiretamente, até tema de série: em 2021, com a produção Crisálida, da Netflix, a primeira série de ficção bilíngue realizada no Brasil, em Língua Brasileira de Sinais (Libras) e Português. Além disso, foi no curso de licenciatura em Letras LIBRAS da UFSC que o primeiro aluno surdo-cego do Brasil concluiu a graduação presencial. Abdel Azziz Moussa Hassan Daoud se formou em 2014, e atualmente é mestre em Educação Bilingue, pelo INES.

Alto teor de pesquisa adicionada: os rótulos de alimentos que informam quando há alto teor de açúcar/sal/gordura adicionada passaram a fazer parte do dia a dia da população em outubro de 2022. Você sabia que a UFSC tem participação nessa mudança? O processo de alteração das informações nutricionais presentes no rótulo dos alimentos para facilitar sua compreensão contou, desde o início, com a participação da Universidade, por meio do Núcleo de Pesquisa de Nutrição em Produção de Refeições (NUPPRE). A UFSC é uma das estruturadoras da norma, ao lado da Unicef, Organização Pan-Americana da Saúde, Ministério da Saúde e outras entidades. Informação correta é o melhor ativo que podemos consumir sem moderação.

Referência em educação: o trabalho para a construção do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (Sinaes) contou com participação ativa da UFSC. Membros da comunidade universitária atuaram diretamente na elaboração da lei de criação do Sinaes, instituído em 2004. A Universidade também contribuiu para a concepção do Enade e a estratégia de avaliação in loco de instituições e cursos. É o Sinaes quem respalda os rankings que classificam as melhores universidades do País há mais de duas décadas. O conhecimento gerado na UFSC é patrimônio nacional da educação.

Edificando a eficiência energética: veio da UFSC a base técnica do programa nacional para etiquetagem de eficiência energética em edificações, aplicado pelo Inmetro e pelo Programa Nacional de Eficiência Energética em Edificações (Procel Edifica). Sim, o selo do Procel, que atesta o consumo energético do seu eletrodoméstico, também é aplicado à construção civil, para promover e atestar construções mais sustentáveis, com a pesquisa do Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (LabEEE/UFSC). Mas qual o papel do selo Procel no combate à crise energética em grande escala? Atualmente, o consumo de energia elétrica nas edificações corresponde a quase 50% do que é faturado no país. Com reformas que contemplem os conceitos de eficiência energética em edificações, para obtenção do selo Procel, o índice pode cair pela metade. A UFSC já tem prédios com a etiqueta de conservação de energia. A ampliação do Departamento de Engenharia Civil da Universidade teve o seu projeto classificado no nível A (mais eficiente) nos três critérios avaliados: envoltória, iluminação e condicionamento de ar. A etiqueta foi emitida pela Fundação Certi em 2016.

Transmitindo conhecimento na área da saúde: o Laboratório de Biologia Molecular, Microbiologia e Sorologia (LBMMS/UFSC) é considerado pelo Ministério da Saúde como referência nacional na pesquisa de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). À frente do projeto Vigilância Sentinela do Gonococo (SenGono), que pesquisa a resistência da bactéria da gonorreia a medicamentos, o laboratório também apoia o Ministério da Saúde na iniciativa internacional da OMS contra as ISTs, o Programa Ampliado de Vigilância Antimicrobiana Gonocócica

Ponte para o futuro: a saúde pública e a educação chegam mais longe com o Laboratório Bridge, vinculado ao Centro de Ciências da Saúde e ao Centro Tecnológico da UFSC.  A estratégia oficial de informatização da Atenção Primária em Saúde do País (e-SUS APS) foi desenvolvida pelo Bridge em parceria com o Ministério da Saúde. Para a Anvisa, o laboratório desenvolveu o Registro Nacional de Implantes (RNI) e a plataforma O Brasil Conta Comigo, usada no enfrentamento da pandemia do coronavirus. Em conjunto com o Ministério da Educação, o laboratório desenvolveu o premiado aplicativo Jornada do Estudante e o Habilita, sistema de gestão de dados e controle de repasse de recursos públicos para a Educação Básica.  UFSC é inovação local com impacto nacional.

Telemedicina, a gente vê por aqui: a UFSC tem orgulho de ser pioneira em telemedicina, telessaúde e teleatendimento, com o trabalho realizado dentro do Hospital Universitário, no Laboratório de Telemedicina (LabTelemed), do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Convergência Digital (INCoD). A equipe é criadora do Sistema Integrado de Telemedicina e Telessaúde e da primeira rede de telemedicina de Santa Catarina. A iniciativa é considerada inédita no país, pois o Estado é o primeiro a integrar sua Central de Telemedicina à Rede Universitária de Telemedicina. Até 2021, mais de 10 milhões de exames de telemedicina haviam sido realizados com o sistema desenvolvido pela Universidade. O pioneirismo levou a UFSC a estender sua parceria com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), para fornecer esse sistema para toda a rede de hospitais universitários federais do país

Informação que salva vidas: há mais de 40 anos o Centro de Informações e Assistência Toxicológica de Santa Catarina (CiaTox/SC), localizado no Hospital Universitário, é referência na área. Os esforços para implementação do CiaTox/SC tiveram início em 1981, com uma parceria entre a Secretaria do Estado da Saúde (SES), Hospital Universitário e Ministério da Saúde, por meio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo levantamento do centro, desde sua criação até 31 de dezembro de 2024, o setor realizou 376.596 atendimentos de casos de intoxicação por diversos agentes, como medicamentos, agrotóxicos, produtos veterinários, raticidas, produtos químicos industriais e de uso domiciliar, drogas de abuso, plantas tóxicas e envenenamentos por animais peçonhentos. E as demandas vieram de todos os 295 municípios catarinenses. Nesse período, o CiaTox desenvolveu mais de 30 projetos de pesquisa e extensão e mais de 500 produções científicas. É um orgulho prestar um serviço tão importante a Santa Catarina, há tanto tempo!

Guardiã do patrimônio histórico: há 46 anos, a UFSC é gestora de três fortificações seculares que ajudaram a construir o sul do Brasil como o conhecemos hoje. Em 21 de novembro de 1979, a Universidade assumiu a gestão da Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, na área que hoje pertence ao município de Governador Celso Ramos. Depois disso, o local foi aberto à visitação pública em 1984. Na sequência, a Fortaleza de Santo Antônio de Ratones, em Florianópolis, passou à guarda da UFSC em 1991 e foi aberta ao público no ano seguinte. Por fim, a Fortaleza de São José da Ponta Grossa, aberta ao público em 1992, também vem sendo gerenciada pela UFSC desde essa data.

Conexão com a democracia: você sabia que o inventor da urna eletrônica foi aluno da UFSC? Seu trabalho possibilitou a primeira eleição eletrônica do Brasil, em 1988, no município de Brusque. E a conexão da UFSC com a inovação nas eleições não para por aí: as urnas eletrônicas usadas em todo o país têm tecnologia da Fundação CERTI, que desenvolveu o equipamento para a empresa vencedora do edital internacional do TSE.

Texto: Agecom/UFSC

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Editora da UFSC reedita ‘Rede’, primeiro romance de Salim Miguel

15/01/2026 12:00

Como parte do projeto de lançamento da obra completa de Salim Miguel em formato digital — iniciativa anunciada em 2024, ano do centenário de nascimento do autor — a Editora da UFSC reeditou Rede, terceiro livro e primeiro romance do escritor. Publicado originalmente em 1955 pela Edições Sul e esgotado desde então, o título retorna ao catálogo em 2025, resgatando uma peça fundamental da literatura catarinense e brasileira do pós-guerra.

Rede se distingue pelo vigor social e pela atenção ao contexto histórico. O enredo se passa em Ganchos — hoje município de Governador Celso Ramos (SC) —, à época uma comunidade pesqueira isolada, e combina investigação documental com ficção. À maneira de Os sertões, de Euclides da Cunha, a abertura do livro apresenta um retrato meticuloso da região, de sua geografia e de seus modos de vida, para depois mergulhar nos conflitos, afetos e tensões que entrelaçam os personagens. O resultado é um panorama sensível das redes — humanas, econômicas e simbólicas — que sustentam e pressionam a vida no litoral catarinense em meados do século XX.

Com esta reedição, a Editora da UFSC recoloca em circulação um romance formador da trajetória de Salim Miguel, autor que transita entre o documental e o lírico, atento às fissuras sociais e às experimentações narrativas que marcariam sua obra posterior.

Títulos

Rede
Autor: Miguel, Salim
Editora da UFSC (2025)

Nur na escuridão
Autor: Miguel, Salim
Editora da UFSC (2025)

Primeiro de abril: narrativas da cadeia
Autor: Miguel, Salim
Editora da UFSC (2025)

Nós 
Autor: Miguel, Salim
Editora da UFSC (2018)

Mais informações: editora.ufsc.br

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