Mobilização estudantil possibilita parceria entre UFSC e MEC para reforma da moradia

Cerimônia de assinatura entre UFSC e MEC para reforma da Moradia Estudantil. Fotos: Gustavo Diehl | Agecom
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Ministério da Educação (MEC) formalizaram, na tarde desta segunda-feira, 1º de junho, a ordem de serviço para a reforma e adequação da Moradia Estudantil (Casa do Estudante Universitário – CEU) do Campus Trindade, em Florianópolis. As obras incluem a reforma do sistema de aquecimento de água da ala antiga e da ala nova, com a substituição integral das antigas placas de aquecimento solar por bombas de calor; a reestruturação do sistema de esgotamento sanitário externo, com novo traçado da rede na área externa dos blocos para corrigir problemas estruturais e eliminar vazamentos; a revitalização e pintura interna e externa das edificações das alas antiga e nova e do módulo 3, além da pintura externa da moradia; e a substituição parcial de esquadrias e portas danificadas.
A intervenção atende a uma demanda histórica dos estudantes da UFSC e ganhou destaque após a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, à UFSC, em 8 e 9 de dezembro de 2025, quando lideranças estudantis entregaram uma carta de reivindicações denunciando as condições precárias da edificação.
A cerimônia contou com a participação do assessor parlamentar do Gabinete do Ministro da Educação, Leonardo Cunha de Brito; do diretor de Desenvolvimento da Educação em Saúde da Secretaria de Educação Superior (Sesu/MEC), Aristóteles Homero dos Santos Cardona Júnior; e, pela UFSC, do reitor, Irineu Manoel de Souza; da vice-reitora, Olga Regina Zigelli Garcia; da pró-reitora de Permanência e Assuntos Estudantis (PRAE), Simone Sobral Sampaio; dos representantes do Conselho da Moradia, José Ronaldo Silva Ferreira, e do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Isadora Miranda; e da deputada federal Ana Paula Lima.
Representando o DCE, a estudante Isadora afirmou que as melhorias anunciadas para a moradia estudantil “foram conquistadas”, como resultado de uma articulação iniciada ainda em 2023 entre o diretório e os moradores. Segundo ela, a visita do Ministro da Educação, no fim do ano passado, abriu caminho para a elaboração de um projeto de reforma, mas a aprovação da nova Lei Orçamentária, em janeiro deste ano, com corte de quase R$ 500 milhões nas universidades federais, acendeu o alerta sobre a execução da promessa.
Diante desse cenário, o DCE realizou uma caravana a Brasília, que foi atendida pelo MEC. Segundo Isadora, representantes do Ministério afirmaram que a destinação dos recursos ocorreu em tempo recorde em razão da mobilização estudantil. Ela também citou o apoio do deputado federal Pedro Uczai na interlocução com a pasta.
Apesar do avanço, Isadora disse que o montante liberado não cobre demandas consideradas urgentes, como a troca do elevador e a garantia de água quente nos banheiros. Para a representante, a vitória é “o primeiro passo” de uma luta pela dignidade estudantil, sustentada por uma trajetória histórica de mobilização que inclui a institucionalização da moradia após ocupações promovidas por universitários e pelo DCE.
“Foi uma experiência muito formadora”, afirmou, destacando que os estudantes se mobilizam “não por si, mas pelos próximos”, e agradeceu a acolhida do MEC e disse ver neste episódio um exemplo de como a organização estudantil “transforma o impossível em vitória”.
O assessor parlamentar Leonardo parabenizou o movimento estudantil e afirmou que o Ministério “está sempre de braços abertos para ouvir as reivindicações”. Ele destacou o papel social da UFSC, “referenciada mundialmente”, e declarou que, após anos difíceis entre 2016 e 2022, o governo atual retomou investimentos, com a educação incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) “pela primeira vez”.
Brito mencionou que a última visita do ministro Camilo Santana à moradia estudantil resultou na liberação de cerca de R$ 1,8 milhão para a reforma. Ele também agradeceu à Reitoria pela rapidez na elaboração dos projetos, considerados indispensáveia para a liberação dos recursos públicos.
O assessor acrescentou que o orçamento atual “é insuficiente”, mas afirmou que o governo trabalha para “recuperar o tempo perdido”, citando a recomposição orçamentária, os investimentos do PAC, a regulamentação da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), em 2024, a revisão da Lei de Cotas, os reajustes salariais, os planos de carreira e a criação de cargos nos institutos federais.
Sobre o futuro, o assessor afirmou que o novo Plano Nacional de Educação, sancionado neste ano, prevê cerca de R$ 20 bilhões anuais, dos quais 15% seriam destinados às universidades — cerca de R$ 3 bilhões — para ampliar moradias, laboratórios e espaços acadêmicos.
A reforma da moradia estudantil é resultado de uma batalha orçamentária que o reitor Irineu descreveu como um dos maiores desafios desde que assumiu a Reitoria da UFSC, em 2022. Ao tomar posse, segundo ele, a gestão encontrou uma universidade em situação crítica. “Após a pandemia, pegamos a universidade muito sucateada”, afirmou o reitor, apontando que a redução orçamentária entre 2015 e 2025 chegou a 50%.
Irineu também citou o impacto direto de medidas do governo anterior, afirmando que a UFSC arcou com um custo de R$ 12 milhões que nunca foi reposto. Segundo o reitor, a consequência foi grave: em determinado momento, a instituição ficou sem condições de honrar seus próprios pagamentos. “Além de não ter recurso, foi atropelada toda a estrutura de fluxo de caixa da universidade”, disse o reitor.
Diante da escassez, “nossa decisão política foi privilegiar a dimensão humana da universidade”, declarou o reitor, ao enumerar bolsas de estudo, restaurantes universitários e qualidade de vida de servidores docentes e técnico-administrativos como eixos centrais dessa escolha.
Irineu chamou atenção para os valores das bolsas pagas na UFSC: a bolsa estudantil de R$ 1.004 supera a da Universidade de São Paulo (USP), que é de R$ 800. O reitor informou ainda que outras modalidades de bolsa, que chegaram a R$ 400, foram elevadas para a faixa de até R$ 800 ao longo da gestão.
A reforma da moradia estudantil, agora viabilizada com recursos federais, não foi uma conquista repentina. O reitor explicou que a universidade vinha estudando o tema desde 2023, elaborando projetos técnicos de esgoto, água quente e modificações estruturais, além de encaminhar solicitações mensais ao MEC.
Ele atribuiu o avanço da liberação dos recursos à mobilização dos estudantes que se dirigiram a Brasília e, por isso, agradeceu ao DCE, ao Conselho da Moradia e aos próprios moradores. Informou ainda que a reforma atual não contempla a instalação de elevador, mas que essa demanda já está sendo avaliada pela Prefeitura Universitária. Caso seja necessário, um processo licitatório para aquisição do equipamento será aberto.
Irineu reconheceu, porém, que a moradia atual atende apenas 156 estudantes, número insuficiente para a demanda da universidade. Por isso, segundo ele, já foi encaminhado ao novo PAC do governo federal um pedido de recursos para a construção de uma nova moradia estudantil, sinalizando que a reforma em curso é um passo importante, mas não definitivo.
Sobre a conquista mais recente da gestão, o reitor destacou a conclusão do alojamento indígena, iniciado e finalizado durante sua administração, ainda que com dificuldades, o que exigiu o redirecionamento de recursos de outras rubricas para a conclusão da obra.
Ao encerrar seu discurso, o reitor demonstrou confiança no impacto das obras. “Temos certeza de que será realmente um recurso bem empregado para o atendimento de uma necessidade básica, humanitária”, concluiu, agradecendo ao MEC pelo atendimento e reiterando o compromisso da universidade com a permanência estudantil.
A Moradia Estudantil abriga estudantes de cursos presenciais de graduação do campus-sede, oriundos de municípios fora da Grande Florianópolis e com renda per capita de até um salário mínimo. O contrato, resultante da Concorrência Eletrônica nº 90001/2026, no valor de R$ 1.345.545,96, abrange uma área de 4 mil metros quadrados e prevê execução até junho de 2027. A empresa responsável é a Ghimm Tec, com recursos provenientes de Termo de Execução Descentralizada (TED) do MEC e do orçamento da UFSC.
Ao final da cerimônia, Irineu Manoel de Souza (UFSC), Leonardo Cunha de Brito (MEC) e Isadora Miranda (DCE) assinaram a ordem de serviço da Moradia Estudantil. Após a assinatura, a comitiva visitou as instalações da CEU.
Rosiani Bion | Setor de Imprensa do GR
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Fotos: Gustavo Diehl | Agecom







































