Mobilização estudantil possibilita parceria entre UFSC e MEC para reforma da moradia

01/06/2026 19:25

Cerimônia de assinatura entre UFSC e MEC para reforma da Moradia Estudantil. Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e o Ministério da Educação (MEC) formalizaram, na tarde desta segunda-feira, 1º de junho, a ordem de serviço para a reforma e adequação da Moradia Estudantil (Casa do Estudante Universitário – CEU) do Campus Trindade, em Florianópolis. As obras incluem a reforma do sistema de aquecimento de água da ala antiga e da ala nova, com a substituição integral das antigas placas de aquecimento solar por bombas de calor; a reestruturação do sistema de esgotamento sanitário externo, com novo traçado da rede na área externa dos blocos para corrigir problemas estruturais e eliminar vazamentos; a revitalização e pintura interna e externa das edificações das alas antiga e nova e do módulo 3, além da pintura externa da moradia; e a substituição parcial de esquadrias e portas danificadas.

A intervenção atende a uma demanda histórica dos estudantes da UFSC e ganhou destaque após a visita do ministro da Educação, Camilo Santana, à UFSC, em 8 e 9 de dezembro de 2025, quando lideranças estudantis entregaram uma carta de reivindicações denunciando as condições precárias da edificação.

A cerimônia contou com a participação do assessor parlamentar do Gabinete do Ministro da Educação, Leonardo Cunha de Brito; do diretor de Desenvolvimento da Educação em Saúde da Secretaria de Educação Superior (Sesu/MEC), Aristóteles Homero dos Santos Cardona Júnior; e, pela UFSC, do reitor, Irineu Manoel de Souza; da vice-reitora, Olga Regina Zigelli Garcia; da pró-reitora de Permanência e Assuntos Estudantis (PRAE), Simone Sobral Sampaio; dos representantes do Conselho da Moradia, José Ronaldo Silva Ferreira, e do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Isadora Miranda; e da deputada federal Ana Paula Lima.

Representando o DCE, a estudante Isadora afirmou que as melhorias anunciadas para a moradia estudantil “foram conquistadas”, como resultado de uma articulação iniciada ainda em 2023 entre o diretório e os moradores. Segundo ela, a visita do Ministro da Educação, no fim do ano passado, abriu caminho para a elaboração de um projeto de reforma, mas a aprovação da nova Lei Orçamentária, em janeiro deste ano, com corte de quase R$ 500 milhões nas universidades federais, acendeu o alerta sobre a execução da promessa.

Diante desse cenário, o DCE realizou uma caravana a Brasília, que foi atendida pelo MEC. Segundo Isadora, representantes do Ministério afirmaram que a destinação dos recursos ocorreu em tempo recorde em razão da mobilização estudantil. Ela também citou o apoio do deputado federal Pedro Uczai na interlocução com a pasta.

Apesar do avanço, Isadora disse que o montante liberado não cobre demandas consideradas urgentes, como a troca do elevador e a garantia de água quente nos banheiros. Para a representante, a vitória é “o primeiro passo” de uma luta pela dignidade estudantil, sustentada por uma trajetória histórica de mobilização que inclui a institucionalização da moradia após ocupações promovidas por universitários e pelo DCE.

“Foi uma experiência muito formadora”, afirmou, destacando que os estudantes se mobilizam “não por si, mas pelos próximos”, e agradeceu a acolhida do MEC e disse ver neste episódio um exemplo de como a organização estudantil “transforma o impossível em vitória”.

O assessor parlamentar Leonardo parabenizou o movimento estudantil e afirmou que o Ministério “está sempre de braços abertos para ouvir as reivindicações”. Ele destacou o papel social da UFSC, “referenciada mundialmente”, e declarou que, após anos difíceis entre 2016 e 2022, o governo atual retomou investimentos, com a educação incluída no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) “pela primeira vez”.

Brito mencionou que a última visita do ministro Camilo Santana à moradia estudantil resultou na liberação de cerca de R$ 1,8 milhão para a reforma. Ele também agradeceu à Reitoria pela rapidez na elaboração dos projetos, considerados indispensáveia para a liberação dos recursos públicos.

O assessor acrescentou que o orçamento atual “é insuficiente”, mas afirmou que o governo trabalha para “recuperar o tempo perdido”, citando a recomposição orçamentária, os investimentos do PAC, a regulamentação da Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), em 2024, a revisão da Lei de Cotas, os reajustes salariais, os planos de carreira e a criação de cargos nos institutos federais.

Sobre o futuro, o assessor afirmou que o novo Plano Nacional de Educação, sancionado neste ano, prevê cerca de R$ 20 bilhões anuais, dos quais 15% seriam destinados às universidades — cerca de R$ 3 bilhões — para ampliar moradias, laboratórios e espaços acadêmicos.

A reforma da moradia estudantil é resultado de uma batalha orçamentária que o reitor Irineu descreveu como um dos maiores desafios desde que assumiu a Reitoria da UFSC, em 2022. Ao tomar posse, segundo ele, a gestão encontrou uma universidade em situação crítica. “Após a pandemia, pegamos a universidade muito sucateada”, afirmou o reitor, apontando que a redução orçamentária entre 2015 e 2025 chegou a 50%.

Irineu também citou o impacto direto de medidas do governo anterior, afirmando que a UFSC arcou com um custo de R$ 12 milhões que nunca foi reposto. Segundo o reitor, a consequência foi grave: em determinado momento, a instituição ficou sem condições de honrar seus próprios pagamentos. “Além de não ter recurso, foi atropelada toda a estrutura de fluxo de caixa da universidade”, disse o reitor.

Diante da escassez, “nossa decisão política foi privilegiar a dimensão humana da universidade”, declarou o reitor, ao enumerar bolsas de estudo, restaurantes universitários e qualidade de vida de servidores docentes e técnico-administrativos como eixos centrais dessa escolha.

Irineu chamou atenção para os valores das bolsas pagas na UFSC: a bolsa estudantil de R$ 1.004 supera a da Universidade de São Paulo (USP), que é de R$ 800. O reitor informou ainda que outras modalidades de bolsa, que chegaram a R$ 400, foram elevadas para a faixa de até R$ 800 ao longo da gestão.

A reforma da moradia estudantil, agora viabilizada com recursos federais, não foi uma conquista repentina. O reitor explicou que a universidade vinha estudando o tema desde 2023, elaborando projetos técnicos de esgoto, água quente e modificações estruturais, além de encaminhar solicitações mensais ao MEC.

Ele atribuiu o avanço da liberação dos recursos à mobilização dos estudantes que se dirigiram a Brasília e, por isso, agradeceu ao DCE, ao Conselho da Moradia e aos próprios moradores. Informou ainda que a reforma atual não contempla a instalação de elevador, mas que essa demanda já está sendo avaliada pela Prefeitura Universitária. Caso seja necessário, um processo licitatório para aquisição do equipamento será aberto.

Irineu reconheceu, porém, que a moradia atual atende apenas 156 estudantes, número insuficiente para a demanda da universidade. Por isso, segundo ele, já foi encaminhado ao novo PAC do governo federal um pedido de recursos para a construção de uma nova moradia estudantil, sinalizando que a reforma em curso é um passo importante, mas não definitivo.

Sobre a conquista mais recente da gestão, o reitor destacou a conclusão do alojamento indígena, iniciado e finalizado durante sua administração, ainda que com dificuldades, o que exigiu o redirecionamento de recursos de outras rubricas para a conclusão da obra.

Ao encerrar seu discurso, o reitor demonstrou confiança no impacto das obras. “Temos certeza de que será realmente um recurso bem empregado para o atendimento de uma necessidade básica, humanitária”, concluiu, agradecendo ao MEC pelo atendimento e reiterando o compromisso da universidade com a permanência estudantil.

A Moradia Estudantil abriga estudantes de cursos presenciais de graduação do campus-sede, oriundos de municípios fora da Grande Florianópolis e com renda per capita de até um salário mínimo. O contrato, resultante da Concorrência Eletrônica nº 90001/2026, no valor de R$ 1.345.545,96, abrange uma área de 4 mil metros quadrados e prevê execução até junho de 2027. A empresa responsável é a Ghimm Tec, com recursos provenientes de Termo de Execução Descentralizada (TED) do MEC e do orçamento da UFSC.

Ao final da cerimônia, Irineu Manoel de Souza (UFSC), Leonardo Cunha de Brito (MEC) e Isadora Miranda (DCE) assinaram a ordem de serviço da Moradia Estudantil. Após a assinatura, a comitiva visitou as instalações da CEU.

Rosiani Bion | Setor de Imprensa do GR
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Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

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MEC assina ordem de serviço da Moradia Estudantil em cerimônia na UFSC

28/05/2026 18:02

O Ministério da Educação (MEC) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) convidam a comunidade para a Cerimônia de Assinatura da Ordem de Serviço da Adequação da Moradia Estudantil do Campus Trindade, em Florianópolis. O evento será realizado em 1º de junho de 2026, segunda-feira, às 14h, no prédio da Reitoria I, na Sala dos Conselhos.

O reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, e a vice-reitora, Olga Regina Zigelli Garcia, acompanhados de membros da Administração Central, participarão do evento, que contará, por parte do MEC, com a presença do assessor parlamentar do Gabinete do Ministro da Educação, Leonardo Cunha de Brito, e do diretor de Desenvolvimento da Educação em Saúde (DDES) da Secretaria de Educação Superior (Sesu/MEC), Aristóteles Homero dos Santos Cardona Júnior. Após a assinatura da ordem de serviço, a comitiva fará uma visita à Moradia Estudantil.

A Moradia Estudantil, também conhecida como Casa do Estudante Universitário (CEU), tem por finalidade acolher estudantes de graduação presenciais do campus de Florianópolis, oriundos de municípios fora da Grande Florianópolis e com renda per capita de até um salário mínimo, garantindo condições dignas de permanência.

Setor de Imprensa do GR | SECOM
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Udesc conhece experiência de gestão de moradia estudantil da UFSC

06/03/2026 17:53

Branda Vieira (à esq.), diretora de Gestão de Moradia Estudantil da UFSC, apresentou a experiência da universidade. Foto: Felipe Paze/Udesc

A Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) recebeu nesta quarta-feira, 4 de março, a diretora do Departamento de Gestão de Moradia Estudantil da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Branda Vieira. Ela participou de reunião da comissão criada em setembro, a partir de decisão do Conselho Universitário (Consuni), para propor uma política própria para a Udesc na área.

Branda relatou a experiência de vários anos da UFSC com a moradia estudantil, que hoje oferece 156 vagas, em um prédio construído junto ao campus principal, em Florianópolis. Há ainda mais 30 vagas no Alojamento Estudantil Indígena.

A universidade federal conta com um departamento próprio para gerir essas moradias, vinculado à Pró-Reitoria de Permanência e Assuntos Estudantis (Prae). Como base na experiência da UFSC, Branda recomendou atenção na definição do tipo de espaço, o que pode ter impacto direto na convivência entre os estudantes.

“Por exemplo, vai haver uma cozinha coletiva ou várias cozinhas menores, uma área de convivência, quantas pessoas em cada quarto, o acesso aos banheiros, toda essa estrutura física determina a convivência”, alerta Branda. Ela destaca que os espaços de convívio são muito importantes, detalhando como funciona a gestão das moradias na universidade federal no dia a dia.

Ela também repassou à comissão informações sobre as políticas de permanência estudantil da UFSC, que incluem vários tipos de auxílios. Os critérios para acesso são basicamente de renda, a partir de um cadastro socioeconômico informado pelo estudante e validado por entrevista com assistente social. No caso da moradia, há também reservas de vagas dentro da política de ações afirmativas.

Em dezembro, a comissão concluiu uma pesquisa on-line enviada a todos os estudantes da Udesc, para conhecer suas expectativas e necessidades. “Estamos fazendo também uma ampla pesquisa com outras universidades, para entender como elas fazem”, explica o pró-reitor de Planejamento da Udesc, Gustavo Araújo. “Então convidamos a UFSC, que é uma referência próxima”, completou.

A matéria na íntegra está disponível neste link.

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Na UFSC, Ministro da Educação visita obras e discute situação orçamentária

09/12/2025 10:23

Membros do Gabinete da Reitoria, pró-reitores, secretários, diretores de centros de ensino, servidores docentes e técnicos, parlamentares, representantes sindicais e estudantis receberam o ministro da Educação, Camilo Santana, em visita à UFSC. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom

O ministro da Educação, Camilo Santana, cumprirá agenda na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) nos dias 8 e 9 de dezembro, visitando os campi de Florianópolis e Blumenau. Na segunda-feira (8), por volta das 17h, chegou ao campus Trindade para acompanhar as obras do Centro de Ciências da Educação (CED). Antes dessa visita, participou da posse do reitor do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), Zízimo Moreira Filho, cerimônia que contou com a presença do reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, e outros representantes da instituição. Durante o trajeto de retorno ao campus da UFSC, o ministro e o reitor discutiram temas relacionados ao orçamento universitário.

Membros do Gabinete da Reitoria, pró-reitores, secretários, diretores de centros de ensino, servidores docentes e técnicos, parlamentares, representantes sindicais e estudantis, além de funcionários da Zala Engenharia Ltda (empresa responsável pela obra no CED) e terceirizados, aguardavam o ministro em uma tenda montada em frente ao centro e nos arredores. O público presente buscava registrar esse momento institucional ou mesmo se aproximar da autoridade para apresentar suas demandas.

“A obra será retomada e finalizada no ano que vem”, referindo-se ao CED, que teve início em 2023, e envolve uma reforma e adequação dos blocos (principalmente os Blocos A, C e D) para modernização, acessibilidade (com elevador, rampas e ampliação de sanitários) e integração física entre os prédios, além de revitalização do entorno com bicicletários e novo paisagismo, com o objetivo de criar um ambiente mais confortável e sustentável.

Entre os diversos pedidos, os estudantes entregaram uma carta de reivindicações. Após ouvir os relatos e solicitações do segmento, o ministro e sua comitiva dirigiram-se à moradia estudantil. Em determinado momento, Santana demonstrou compreensão quanto às cobranças dos alunos, ressaltando que é “importante a luta para melhorar as condições das nossas universidades” e que a instituição existe por causa deles. Da mesma forma, dirigentes do Sindicato dos Trabalhadores da UFSC (Sintufsc) conseguiram espaço para dialogar com o ministro e expor as pautas mais urgentes da categoria, como o projeto de lei que institui o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC). Segundo o sindicato, “o RSC foi uma conquista da última greve e representa um reconhecimento de saberes e experiências que vão além da titulação formal. No entanto, o projeto apresentado nesta quarta-feira (3/12) desconfigura o que havia sido trabalhado no âmbito da Comissão Nacional de Supervisão da Carreira e traz uma série de limitações”.

No início da agenda, o reitor Irineu foi indagado pela imprensa local e afirmou que a instituição deve encerrar o ano com um déficit de aproximadamente R$ 25 milhões. Ele já discutiu o tema com o ministro da Educação durante o retorno do IFSC ao CED e está encaminhando um documento para reavaliação dessa situação. De acordo com o reitor, universidades maiores e mais antigas, como a UFSC, enfrentam uma situação orçamentária mais difícil. Ele explicou que, pelo fato de a UFSC ter uma arrecadação própria relevante — em torno de R$ 47 milhões —, essa conta acaba entrando no orçamento. O reitor enfatizou que é necessário um ajuste para reavaliar a situação de uma universidade de qualidade — a quarta melhor do país — e garantir o pagamento das principais políticas de assistência, como Restaurante Universitário e Moradia Estudantil. Em relação ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o reitor informou que a UFSC possui seis obras em andamento e solicitou ao ministro a manutenção do orçamento do PAC para dar continuidade a essas obras e também assegurar o funcionamento do RU.

Ao ser questionado sobre a situação orçamentária, o ministro defendeu o esforço do Governo Federal na recomposição orçamentária das universidades, garantindo que o orçamento atual não é menor do que o anterior, refutando a ideia de corte expressivo e destacando um significativo crescimento dos recursos destinados à educação superior.

Para contextualizar o momento atual das instituições federais, apresentou dados financeiros. Ele afirmou que o orçamento para 2024 está previsto em R$ 74 bilhões. Em uma comparação direta, o ministro apontou que o orçamento atual é 63% maior se comparado ao de 2022. Segundo Santana, considerando um período de quatro anos, o aumento é de 63%, enquanto a inflação no período foi de 4,5%.

Representantes do movimento estudantil entregaram uma carta de reivindicações ao ministro

Apesar das queixas apresentadas pela comunidade, o ministro defendeu que houve avanços substanciais nos recursos de custeio (discricionários), que são vitais para o funcionamento diário das universidades. Santana mencionou que 2021 foi o pior ano na história das universidades, registrando R$ 5 bilhões. O orçamento discricionário neste ano foi de mais de R$ 7 bilhões, o que representa um aumento de mais de 50% na base.

O ministro destacou que a principal batalha hoje não é apenas a liberação de recursos, mas a capacidade de o governo executá-los, enfrentando o arcabouço fiscal. Santana explicou que existe um esforço para avançar nos investimentos desejados.

Além da defesa orçamentária, Camilo Santana detalhou o que chamou de “processo de reconstrução” após anos de estagnação. O ministro lamentou que as universidades tenham passado por 12 anos sem cargos e funções liberados. “Foi liberado semana passada 2.600 cargos para universidade no Brasil inteiro”, informou, lembrando que havia cursos abertos sem que houvesse cargos ou funções disponíveis, inclusive para coordenadores. Além disso, o governo autorizou concursos públicos após seis anos sem novas autorizações e pretende autorizar mais.

O objetivo de todos esses esforços, segundo o ministro, é garantir que o estudante tenha assistência estudantil, moradia e alimentação com qualidade, e que os professores possam ser reconhecidos.

Representantes do Diretório Central dos Estudantes (DCE) alertaram para a crise orçamentária que, segundo eles, tem causado o abandono de estruturas e a perda de incentivo para o estudo. Em um diálogo acalorado, estudantes o confrontaram sobre a necessidade de recursos para a manutenção da instituição.

Um estudante afirmou que o orçamento da universidade sofreu regressão nos últimos dez anos. O valor que era de R$ 184 milhões em 2015 caiu para cerca de R$ 171 milhões em 2025, o que, de acordo com o relato, tem deixado os estudantes “cada vez mais na mão” e causado a “perda do ânimo de estudar”.

Dirigente do Sintufsc falou com o ministro sobre pautas urgentes da categoria técnica

Em resposta, o ministro reconheceu o papel fundamental dos estudantes na instituição e defendeu o direito de protesto, afirmando: “parabéns por lutar porque essa universidade foi construída para vocês, o povo brasileiro”. No entanto, o representante contestou os dados orçamentários apresentados pela comunidade acadêmica. Ele citou que o orçamento corrigido de 2015 seria de R$ 67,8 bilhões e que a afirmação sobre a queda orçamentária “não é verdade”. Em sua defesa, ainda mencionou que o orçamento do próximo ano é de R$ 73,7 bilhões, um aumento em relação a 2022.

Apesar do debate sobre os números, os estudantes pedem que as palavras de apoio do ministro se transformem em prática, direcionando o foco para a precariedade das estruturas físicas. “Nós estamos realmente pedindo socorro”, disse um estudante, descrevendo a situação da Moradia Estudantil como um espelho da situação geral da universidade.

O convite para que o ministro e outros representantes, como o reitor, visitem as instalações é visto pelos estudantes como crucial para que se tenha “visivelmente a noção da realidade que a gente passa”.

Após a visita à Moradia Estudantil, o ministro esteve também no Jardim Cancellier, localizado entre os centros Socioeconômico (CSE) e de Ciências Jurídicas (CCJ), um espaço próximo ao centro de ensino onde o ex-reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, que morreu em 2017, passou a maior parte de sua vida acadêmica. Essas duas últimas visitas não estavam previstas na agenda ministerial.

Na terça-feira, às 10h, o representante do Ministério da Educação (MEC) retornará à UFSC para cerimônia no auditório do campus Blumenau. O evento marcará a entrega da Carteira Nacional Docente do Brasil (CNDB), iniciativa que visa fortalecer e valorizar a carreira docente no país.

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Rosiani Bion de Almeida | Divisão de Imprensa do GR
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Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

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Nota à comunidade universitária sobre a Moradia Estudantil da UFSC

18/04/2025 20:40

A Administração Central da UFSC tomou conhecimento, na última semana, da divulgação de um vídeo nas redes sociais, no qual uma estudante residente da Moradia Estudantil expõe problemas de infraestrutura no local. O conteúdo expressa, de forma legítima, a insatisfação de quem busca na universidade não apenas formação acadêmica, mas também condições dignas de permanência. A Administração Central reconhece a gravidade da situação e informa que está mobilizada para oferecer respostas efetivas à comunidade universitária.

Desde o momento da denúncia, a Universidade instituiu um Grupo de Trabalho, composto por representantes da Pró-Reitoria de Permanência e Assuntos Estudantis (PRAE), Pró-Reitoria de Administração (PROAD), Prefeitura Universitária (PU), Secretaria de Comunicação (SECOM) e Diretório Central dos Estudantes (DCE). A primeira reunião do grupo ocorreu no dia 17 de abril, com encaminhamentos imediatos para os problemas relatados.

Apresentamos, a seguir, os principais pontos identificados e as ações realizadas:

1.⁠ ⁠Iluminação nos corredores: Realizamos a inspeção de todos os corredores da Moradia Estudantil. Identificamos, além de cinco lâmpadas queimadas, a necessidade de reposicionar os sensores de presença, garantindo maior segurança e conforto aos residentes. O serviço será realizado no início da próxima semana.

2.⁠ ⁠Água amarelada nas torneiras: Recebemos relatos de alteração na coloração da água em alguns apartamentos. Embora a falha pareça ter sido pontual, realizamos a substituição dos filtros e a situação foi normalizada.

3.⁠ ⁠Problemas na internet: A equipe da SeTIC estava atuando, desde a segunda-feira, dia 14, na resolução da questão, e ainda na manhã do dia 17 de abril, a equipe técnica solucionou as falhas relatadas.

4.⁠ ⁠Falhas recorrentes no elevador: A manutenção do elevador é realizada por empresa terceirizada contratada exclusivamente para esta finalidade. Lamentavelmente, a empresa não tem executado o serviço de forma satisfatória, e por isso instauraremos um processo administrativo disciplinar contra a prestadora, conforme previsto em contrato.

5.⁠ ⁠Falta de água quente nos chuveiros: A Moradia conta com dois boilers, ambos com vida útil esgotada. As equipes da Prefeitura Universitária já vinham trabalhando na recuperação de um dos equipamentos, o que foi concluído na manhã do feriado de hoje, restabelecendo o fornecimento de água quente para metade das unidades habitacionais. Para a outra metade, estamos estudando duas possibilidades: a aquisição emergencial de um novo equipamento ou, caso essa alternativa se mostre inviável, a instalação de estruturas móveis de banho quente. A solução definitiva está prevista em uma obra de maior porte que já se encontra em etapa para a licitação. Enquanto isso, a Moradia conta com três chuveiros elétricos que podem ser utilizados por seus moradores.

Reafirmamos que estamos atentos, com todas as nossas equipes e setores técnicos, para oferecer respostas rápidas e eficazes. Nosso compromisso com a permanência estudantil é inegociável. Destacamos que situações como essa refletem o subfinanciamento persistente das universidades federais, que compromete a capacidade de investimento em infraestrutura e manutenção.

A Moradia Estudantil da UFSC constitui-se parte da política de permanência, e a Universidade segue empenhada em garantir que esse espaço ofereça condições adequadas de acolhimento e dignidade aos seus moradores, mesmo diante das graves restrições orçamentárias vigentes.

Administração Central
Universidade Federal de Santa Catarina

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