Reunião da Andifes: Reitor da UFSC acompanha debates e participação do ministro Guilherme Boulos

25/02/2026 14:02

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, participou nesta terça-feira, 24 de fevereiro, da 185ª Reunião Ordinária do Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), realizada na sede da entidade, em Brasília. O encontro reuniu reitores e reitoras de universidades e institutos federais de todo o país para discutir agendas estratégicas voltadas ao fortalecimento da educação pública brasileira. Entre os destaques da programação, esteve a participação do ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, no debate da tarde.

A abertura do primeiro dia ficou a cargo da Diretoria da Andifes. Na sequência, o Conselho Pleno discutiu o Marco Regulatório do Ensino a Distância, em mesa mediada pela vice-presidente da entidade, com a presença de dirigentes universitários e de representante do Ministério da Educação (MEC). Á tarde, o painel “Movimentos Sociais, Governo Federal e Universidades Federais” trouxe ao centro do debate o papel das instituições federais no diálogo com a sociedade e com o Executivo, com a participação do ministro Boulos.

A programação continua nesta quarta-feira (25), com nova rodada de diálogos entre a Diretoria Executiva e o Conselho Pleno. Estão previstas discussões com a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi), além de pautas sobre internacionalização, concessão de rádios e TVs universitárias e a chamada do Procel E3 — iniciativa voltada à eficiência energética em edificações públicas de ensino.

Em meio aos debates, o reitor Irineu reforçou a importância da unidade entre as instituições federais para o avanço do sistema de ensino superior no país. “Uma Andifes unida e forte é a garantia de que as universidades federais continuarão exercendo seu protagonismo no desenvolvimento do Brasil. As universidades federais são patrimônio nacional. Produzem ciência, formam profissionais, reduzem desigualdades e transformam realidades. E como eu sempre digo: universidade pública não é problema — é solução”, afirmou.

Ao longo dos dois dias, os dirigentes devem alinhar estratégias para a consolidação de políticas acadêmicas, de pesquisa, extensão e inovação, em um cenário que exige cooperação entre governo, universidades e sociedade civil. A expectativa é que as deliberações resultem em encaminhamentos para aprimorar marcos regulatórios, ampliar a inclusão e fortalecer a presença das instituições federais em temas de interesse público.

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Brafagri: coordenado pela UFSC, programa inicia nova etapa de integração Brasil e França

03/02/2026 14:46

A cooperação acadêmica entre Brasil e França nas áreas de ciências agronômicas, agroalimentares e veterinárias foi renovada com o projeto institucional “Formação para ação na agricultura familiar frente a mudanças globais” (AGRIFAM 2 – 2026/2029), coordenado pelo professor Paulo Emílio Lovato, do Departamento de Engenharia Rural da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Vinculada ao Programa Brasil/França pela Agricultura (Brafagri), a iniciativa dá continuidade à internacionalização na graduação, com foco em inovação para produção sustentável e segurança alimentar. Entre as metas estão a aproximação de estruturas curriculares, o reconhecimento mútuo de créditos e a ampliação de acordos de dupla diplomação.

O AGRIFAM 2 sucede e amplia o projeto “Agricultura Familiar: Inovação para Produção Sustentável e Segurança Alimentar”, em curso desde 2019, que reúne as universidades federais UFSC, UFRB (Recôncavo da Bahia) e UTFPR (Tecnológica do Paraná), além das instituições francesas Bordeaux Sciences Agro, Institut Agro (campus Dijon) e VetAgro Sup. O projeto conta com apoio financeiro da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e, de natureza extensionista, prioriza a qualificação da formação discente por meio de temas estratégicos da agricultura familiar. Busca fortalecer competências técnicas e ampliar a visão de mundo dos estudantes diante dos desafios contemporâneos de inovação, sustentabilidade e desenvolvimento rural.

Entre os objetivos específicos:

  • Harmonização curricular para favorecer o aproveitamento de atividades formativas, a equivalência e o reconhecimento de créditos, além da formalização de acordos de dupla diplomação.
  • Consolidação de parcerias entre docentes e discentes para aprimorar metodologias de ensino e estruturar redes de pesquisa em áreas de interesse comum.
  • Impactos esperados na empregabilidade de egressos e no acesso à pós-graduação, no aumento do grau de internacionalização das instituições participantes e na atualização dos Projetos Pedagógicos dos cursos de Agronomia, com maior flexibilização curricular, ampliação de disciplinas optativas e readequação de componentes obrigatórios.

A agenda de atividades inclui a criação de novos componentes curriculares e estágios, o estímulo a projetos de pesquisa conjuntos entre equipes brasileiras e francesas, a ampliação das oportunidades de estágios em Agronomia e Agroecologia e a oferta de aulas a distância integrando as universidades parceiras. No Brasil, a UFRB permanece responsável pela coordenação geral e pela gestão dos recursos liberados pela Capes. As regras e prazos para candidaturas a bolsas e vagas de intercâmbio são definidos por cada instituição parceira, com participação aberta a estudantes de graduação nas áreas contempladas.

A expansão da cooperação apoia-se em marcos institucionais. Em 29 de outubro de 2015, a UFSC e a École Nationale Vétérinaire, Agroalimentaire et de l’Alimentation Nantes-Atlantique (ONIRIS), da França, firmaram acordo de cooperação e termo aditivo específico para intercâmbio, ambos válidos por cinco anos. No ano seguinte, foi assinado um acordo de dupla diplomação, alinhado ao pacto principal. Em 2020, novo aditivo prorrogou a validade por mais cinco anos, e uma terceira emenda prevê extensão adicional por igual período, a partir de 29 de outubro de 2025.

Fruto direto do Brafagri, o acordo de dupla diplomação entre o curso de Engenharia de Alimentos da UFSC e a ONIRIS, em vigor desde março de 2016, permite a estudantes selecionados realizar formações biculturais em duas instituições de excelência, com outorga simultânea de diplomas. A modalidade amplia horizontes acadêmicos e profissionais e reforça a integração entre os sistemas de ensino e pesquisa dos dois países.

Sobre o Brafagri

Criado em 2005 por acordo entre a Capes e a Direction Générale de l’Enseignement et de la Recherche (DGER), do Ministère de l’Agriculture et de la Souveraineté Alimentaire, na França, o Brafagri é coordenado no Brasil pela UFSC, em parceria com a UFRB e a Universidade Federal do Pará (UFPA), e, na França, pela Bordeaux Sciences Agro, em associação com o Institut Agro e a VetAgro Sup.

O primeiro edital foi lançado em 2008 e, desde então, o programa vem sendo regularmente reeditado (2010, 2012, 2014, 2016, 2018, 2022 e 2026). O Brafagri promove mobilidade acadêmica bidirecional, permitindo que estudantes brasileiros cursem períodos em instituições francesas e que alunos franceses vivenciem experiências acadêmicas nas regiões Norte, Nordeste e Sul do Brasil. Os projetos selecionados recebem bolsas de graduação e recursos para missões de pesquisa, fortalecendo a integração acadêmica e formando profissionais com visão internacional.

Mais informações sobre edital aberto no site: https://engalimentos.grad.ufsc.br/2026/02/10/programa-brafagricapes-edicao-20262027/

 

 

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Em entrevista, Reitor da UFSC esclarece situação orçamentária da instituição

23/12/2025 11:43

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, foi entrevistado nesta segunda-feira, 22 de dezembro, no programa Conversas Cruzadas, da Rádio CBN Floripa, para esclarecimentos da situação orçamentária da instituição. O apresentador e jornalista Renato Igor iniciou indagando o reitor sobre a coletiva de imprensa realizada na UFSC em março deste ano, em que a gestão havia alertado que a universidade teria recursos apenas até outubro de 2025.

O reitor explicou que foi necessário um esforço sem precedentes na história da UFSC para manter o funcionamento de uma instituição que atende 40 mil estudantes em 120 cursos de graduação e 150 de pós-graduação. “Criamos uma comissão com representantes de diversas áreas da gestão e da academia para avaliar os contratos, que são em torno de 200”, afirmou Irineu. A análise minuciosa de cada um resultou em uma economia de quase 5 milhões de reais em 2025 com aprimoramento e redução. Além disso, a universidade cortou diárias e passagens de estudantes, docentes, técnicos-administrativos e gestores, economizando quase 2 milhões de reais.

“Como reitor, desde julho, viajo sem receber diárias. Eu mesmo pago todos os custos”, revelou Irineu, que precisa ir mensalmente a Brasília para reuniões com outros reitores e reitoras, e no Ministério da Educação (MEC).

A universidade deixou de arcar com contas essenciais. A UFSC não paga a Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan) desde agosto, após negociação para transferir o pagamento para 2026, confirmou o reitor. Quanto à Companhia Energética de Santa Catarina (Celesc), os últimos três meses (outubro, novembro e dezembro) foram parcelados para pagamento no ano seguinte.

No total, a universidade conseguiu direcionar 19 milhões de reais em despesas de 2025 para o orçamento de 2026, incluindo pagamentos a empresas de limpeza, segurança, recepção e outras prestadoras de serviços. Irineu ressaltou que as negociações empresa por empresa foram fundamentais para garantir que funcionários terceirizados recebessem seus salários e 13º.

Para fechar o ano, a UFSC também recorreu a emendas parlamentares que originalmente tinham outras finalidades. O reitor negociou com a bancada catarinense para direcionar esses recursos ao pagamento de bolsas de permanência estudantil. “Todas as emendas que nós mudamos a finalidade, nós negociamos com o parlamentar ou com a bancada. Foi mudada a ata em Brasília, no MEC”, explicou Irineu, que destacou a sensibilidade dos parlamentares diante da situação crítica.

Apesar das dificuldades, o reitor garantiu que as atividades acadêmicas não foram comprometidas. “A prioridade foi a manutenção do ensino, da pesquisa, da extensão, do Restaurante Universitário, da Moradia Estudantil”, afirmou. Os cortes mais severos atingiram as atividades administrativas. As pró-reitorias e secretarias não receberam recursos, e mesmo as diárias acadêmicas para participação em congressos e seminários foram cortadas em 50%.

O cenário para 2026, contudo, é ainda mais preocupante. O orçamento de custeio e capital de 2025 foi de R$ 171 milhões. O governo federal propôs inicialmente para 2026 cerca de R$ 177,5 milhões, uma correção de apenas 3,5% quando a inflação estiver em torno de 5%. Porém, o Congresso cortou 7,25% desse valor, aproximadamente R$ 12,9 milhões. Com isso, o orçamento aprovado para 2026 é de cerca de R$ 164,6 milhões, inferior aos R$ 171 milhões de 2025.

“A situação ficou mais grave que o ano passado”, lamentou Irineu. O reitor explicou que há um movimento nacional para que o presidente Lula vete o corte do Congresso, mas reconheceu que a aprovação faz parte de um acordo com o governo federal e dificilmente haverá alteração. No ano passado, o Congresso havia cortado 8 milhões de reais, dos quais o governo recompôs 6 milhões e, no final do ano, concedeu uma suplementação de aproximadamente 1 milhão de reais, com o recurso chegando apenas no último dia 19 de dezembro.

A expectativa agora é que o MEC faça um esforço para repor os recursos. “As universidades não têm condições de se manter com esse corte, que já é um orçamento aquém do necessário”, alertou o reitor. A situação se agrava porque a universidade precisará primeiro recuperar o que foi retirado pelo Congresso para depois pedir uma suplementação adicional.

Um ponto positivo no orçamento de 2026 foi a autorização para ampliar as receitas próprias da universidade. No ano anterior, essa possibilidade havia sido reduzida de 47 para 45 milhões de reais pelo Congresso Nacional. Para 2026, a UFSC solicitou 53 milhões e tanto o MEC quanto o Congresso aceitaram esse valor. Essas receitas são provenientes de aluguéis de espaços no campus para bancos, restaurantes, entre outras atividades. Porém, permanece o chamado “pedágio” de 30%, uma retenção que o governo federal aplica sobre essas receitas. Esses recursos são basicamente alocados para a política estudantil, com os centros também ficando com uma parte para manutenção.

O reitor abordou também a visita à UFSC do ministro da Educação, Camilo Santana, neste mês de dezembro, em que afirmou que “falta gestão, não dinheiro, nas universidades federais”. Irineu explicou que há um equívoco nesta fala, uma vez que o governo federal de fato investiu mais recursos na educação, mas esses valores foram direcionados à criação de novos cursos, universidades, campi e institutos federais. “Se nós temos mais universidades com aquele mesmo bolo, então ocorre uma ampliação, mas a ampliação ela não atende todas as universidades”, argumentou.

Segundo o reitor, universidades mais antigas e consolidadas como UFSC, Universidade Federal da Bahia, de Minas Gerais e do Rio de Janeiro perderam recursos. “Nós tivemos de 2015 para até hoje uma redução de mais de 50% dos orçamentos das universidades”, afirmou Irineu, classificando a equação como “um desafio diário” manter a instituição funcionando.

Para 2026, a UFSC já se prepara para um novo ciclo de dificuldades. “Já vamos iniciar novamente uma nova comissão para rever os contratos, e também buscar ampliar essa economia nas diárias de passagens”, anunciou Irineu. Paralelamente, os dirigentes das universidades federais continuarão pressionando o MEC e Congresso Nacional pela recomposição do orçamento. “As universidades públicas são o maior patrimônio do país e precisamos mantê-las”, concluiu o reitor.

Assista à entrevista na íntegra neste link.

Rosiani Bion de Almeida | Divisão de Imprensa do GR
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Ministro Camilo Santana visita UFSC com agenda nos campi Florianópolis e Blumenau

05/12/2025 19:10

O ministro da Educação, Camilo Santana, cumprirá agenda em Santa Catarina nos dias 8 e 9 de dezembro, incluindo compromissos na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Na segunda-feira (8), visitará o campus Trindade, em Florianópolis, com passagem pelo Centro de Ciências da Educação (CED) e na terça-feira (9), participará de cerimônia no campus Blumenau.

A visita ao campus sede da UFSC está marcada para as 15h30 de segunda-feira. O ministro visitas às obras do CED, iniciadas em 2023. A presença do ministro Camilo Santana neste centro de ensino reforça a relevância institucional do projeto para a universidade e para a educação pública.

Na terça-feira, às 10h, o ministro retornará à UFSC para cerimônia no auditório do campus Blumenau. O evento marcará a entrega da Carteira Nacional Docente do Brasil (CNDB), iniciativa do Ministério da Educação (MEC) para fortalecer e valorizar a carreira docente no país.

Antes da visita à UFSC na segunda-feira, às 14h, Santana participará da posse do professor Zízimo Moreira Filho como reitor do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), do qual o reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, estará presente, além de outros representantes da instituição.

A agenda completa do ministro está disponível na página: Ministro Camilo Santana cumpre agendas em Santa Catarina.

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Segurança nas universidades federais inspira obra que reúne experiências e propõe caminhos

28/11/2025 17:25

A extinção do cargo de vigilante no serviço público federal, há mais de duas décadas, esvaziou o quadro de servidores dedicados à segurança nas universidades federais e transferiu a atividade para empresas terceirizadas. O diagnóstico, compartilhado por profissionais de cinco instituições federais de ensino superior, embasa o livro “Segurança Pública Institucional nas Instituições Federais de Ensino Superior: desafios e soluções”, que reúne experiências práticas e propostas para repensar o setor.

A obra foi organizada por Leandro Luiz de Oliveira, secretário de Segurança Institucional da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em parceria com Aritan Ventura, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE); Armando Nascimento, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE); Daniel Pereira, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS); e Renan Canuto, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Produzida pela Editora Universitária da UFRPE e impressa na Gráfica da UFSC, a publicação conta com prefácios assinados pelos reitores das universidades envolvidas e por autoridades da área de segurança pública.

No prefácio, o reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, contextualiza o problema. Segundo ele, a reforma gerencial dos anos 1990 promoveu o enxugamento da máquina estatal, valorizando terceirizações e reduzindo o número de servidores. Em 1998, a Lei 9.632 extinguiu o cargo de vigilante nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), institucionalizando a terceirização.

Leandro Luiz de Oliveira, secretário de Segurança Institucional da UFSC, é um dos autores da obra

As consequências, na avaliação do professor Irineu, incluem a dualidade de regime de trabalho entre terceirizados e servidores efetivos, alta rotatividade e falta de identidade dos funcionários com a universidade. “O tema da segurança nas universidades preocupa há muito toda a sociedade” e é “polêmico e muito debatido” dentro dos campi, afirma o reitor.

Leandro, que dirige a Secretaria de Segurança Institucional (SSI) da UFSC desde 2016, vivenciou a transformação. Servidor técnico-administrativo desde 1994, ele relata que, naquele ano, a universidade contava com cerca de 220 seguranças do quadro e não tinha terceirização. Hoje, são apenas 21 servidores de carreira, enquanto a instituição praticamente triplicou de tamanho. Nos campi de Araranguá, Curitibanos, Blumenau e Joinville, a segurança é totalmente terceirizada.

“O pessoal vai adoecendo, vai cansando. A gente acaba acumulando funções: atividade operacional e atividade administrativa”, relata o secretário, referindo-se à sobrecarga sobre o reduzido quadro de servidores, que além das operações diárias precisam lidar com licitações e elaboração de termos de referência.

Apesar das limitações de pessoal, a UFSC mantém um dos ambientes universitários mais seguros do país. Leandro destaca que a instituição possui o maior parque tecnológico de vigilância entre as universidades brasileiras, com 1.506 câmeras, cerca de 4.500 salas protegidas por alarme e uma central de monitoramento 24 horas que recebe imagens em tempo real dos quatro campi.

A política de segurança combina tecnologia com intervenções no espaço físico. Investimentos em iluminação, manutenção de equipamentos e controle de perímetro seguem princípios da arquitetura preventiva. “Manter espaços limpos, iluminados, com visibilidade, e trazer eventos culturais para ocupar a universidade ajuda na prevenção do crime”, explica o secretário.

Segurança pública, não privada

O livro defende que a atividade de segurança nas universidades federais tem natureza de segurança pública, não privada. “Primeiro, a legislação nos diferencia: você tem o Estatuto da Segurança Privada e a Lei 11.091, além do Decreto 5.624, que definem nossas atribuições”, argumenta Oliveira.

Outro diferencial apontado é o pertencimento institucional. O secretário destaca que o conhecimento do cotidiano acadêmico, da diversidade cultural e dos eventos estudantis exige uma abordagem preventiva e de diálogo. “A gente age muito na prevenção e nessa conversa com os nossos alunos. Eles participaram da proposta de política de segurança da UFSC, com Diretório Central dos Estudantes (DCE) e entidades de base envolvidos.”

O livro oferece um panorama do sistema de segurança pública e evidencia a complexidade da atividade no ambiente universitário. A estrutura começa pela revisão de conceitos e avança para a evolução da segurança universitária, a importância da reestruturação da carreira dos técnicos-administrativos na área e estudos sobre o agente de vigilância. Também discute a criação de uma polícia universitária federal e os desafios futuros do setor.

Entre as soluções defendidas pelos autores estão a reabertura de concursos específicos para segurança institucional, o reconhecimento legal da natureza de segurança pública da atividade, intervenções permanentes de ambiente e fortalecimento do monitoramento eletrônico.

Há perspectivas de avanço. Uma proposta em discussão prevê incluir, no macrocargo técnico, a especialidade de “proteção e segurança institucional”. Se aprovada pelo Ministério da Gestão e Inovação (MGI), com apoio da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-Administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra), da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) e do Ministério da Educação (MEC), poderá viabilizar a abertura de concursos para a área.

Para o reitor Irineu Manoel de Souza, a força do livro está em aproximar teoria e prática. “O leitor terá a oportunidade de conhecer reflexões oriundas de experiências práticas dos autores, que acompanham e decidem situações reais e complexas de segurança no dia a dia”, afirma. Ele classifica a publicação como inovadora e aposta que se tornará obra de referência para profissionais e interessados no tema.

Exemplares foram encaminhados à Andifes e disponibilizados na Biblioteca Universitária (BU) da UFSC.

Mais informações: leandro.oliveira@ufsc.br

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