Seminário nacional sobre educação de surdos reúne lideranças e gestores públicos

01/10/2025 16:19

O seminário nacional A Formação de Professores para Atuar na Educação Bilíngue de Surdos ocorreu nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, no Auditório Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis. O evento representou um marco para a educação de surdos no Brasil, ao reunir, pela primeira vez, gestores federais, estaduais e municipais, pesquisadores, representantes da comunidade surda e educadores, entre eles pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Com o objetivo de discutir os desafios e as perspectivas da formação de professores para a educação bilíngue de surdos no Brasil e em Santa Catarina, o seminário também buscou elaborar proposições a partir de debates públicos com agentes do campo educacional. A organização esteve sob a responsabilidade da deputada estadual Luciane Carminatti (PT), presidente da Comissão de Educação e Cultura da Alesc, que mediou, no primeiro dia, uma mesa-redonda sobre o cenário catarinense, com a participação da UFSC e de outras instituições públicas. No segundo dia, os professores e pesquisadores da UFSC, Marianne Rossi Stumpf, Ronice Müller de Quadros e Dionísio Schmitt, conduziram o seminário com foco na perspectiva histórica.

A programação incluiu palestras de especialistas, como Patrícia Luiza Ferreira Rezende-Curione, diretora de Educação Bilíngue de Surdos do Ministério da Educação (MEC), e mesas protagonizadas pela comunidade surda e a apresentação de experiências exitosas de Santa Catarina e de outros estados. Representantes de instituições como a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), a Associação de Surdos da Grande Florianópolis (ASGF) e a Associação de Surdos da Região de Laguna (Assul), além de gestores surdos em cargos públicos, marcaram presença no encontro.

Santa Catarina destacou-se no evento por suas iniciativas pioneiras, como o curso de Letras Libras da UFSC, referência nacional na formação de professores, e o Campus Palhoça Bilíngue do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), único da rede federal com essa característica. Além disso, o estado conta com escolas especializadas, programas de apoio consolidados e experiências exitosas em diversos municípios.

Durante o seminário, a professora Ronice Quadros abordou as conquistas da comunidade surda e a importância de se avançar ainda mais. Ela celebrou o protagonismo de lideranças surdas em espaços de destaque e ressaltou as transformações sociais e culturais que levaram ao reconhecimento e à valorização da língua de sinais. “Hoje nós temos uma mudança de consciência. Nós temos um crescimento, um avanço da sinalização”, afirmou.

Ronice enfatizou a necessidade de “fortalecer essa educação desde a base” e destacou a tecnologia como uma aliada no processo de inclusão e empoderamento da comunidade surda. “A tecnologia está aqui, está posta. Nós precisamos aceitá-la e trabalhar com isso, trabalhar usando essa ferramenta. É um ganho surdo.” Ao rememorar os desafios históricos, ela comparou o período do oralismo, que restringia o uso da língua de sinais, a um “momento obscuro” e destacou os avanços proporcionados por legislações como a Lei de Libras (2002) e o Decreto 5626 (2005), que abriram caminhos para a regulamentação da educação bilíngue e a formação de professores.

Ronice também ressaltou a importância do contato com outras línguas de sinais, como a língua de sinais internacional, e reforçou a ideia de um mundo plurilíngue e conectado. Encerrando sua fala, deixou uma mensagem de esperança: “Passamos por momentos obscuros, sim, mas hoje nós temos a luz. Que vocês sintam essa luz, que vocês vejam essa luz e levem com vocês.”

Dionísio Schmitt, outro palestrante do seminário, revisitou a história da educação de surdos em Santa Catarina, destacando o papel central de Francisco, conhecido como Chiquito, na criação da Associação de Surdos de Santa Catarina nos anos 1950. Dionísio ressaltou o impacto do trabalho pioneiro de Francisco, que mapeou a comunidade surda, criou redes de apoio e disseminou a língua de sinais. “Se ele não estivesse nesse momento da história desenvolvendo todo o trabalho que desenvolveu, nós não estaríamos aqui”, afirmou.

Ele também relembrou a criação da primeira escola para surdos em Florianópolis, liderada por Francisco, e os desafios enfrentados com o surgimento do Instituto de Audição e Terapia da Linguagem (Iatel), que defendia o método oralista. Apesar das dificuldades, Francisco foi responsável por criar as bases que fortaleceram as associações e os movimentos surdos ao longo das décadas.

Dionísio destacou ainda o papel das instituições de ensino superior, como a UFSC e a Udesc, na formação de professores e na valorização da Libras. Ele relembrou a criação do primeiro curso de Letras Libras do Brasil, fruto de uma luta coletiva, e a importância de polos de educação bilíngue em cidades como São José, Joinville e Chapecó. “Antes não havia nenhum curso de Letras Libras. A reitoria aceitou a nossa proposta e foi criado então o primeiro curso de Letras Libras do Brasil”, disse.

O seminário também serviu para refletir sobre o papel das associações de surdos na conquista de direitos e na criação de políticas públicas. Dionísio lembrou o movimento de 2005, quando associações, instituições de ensino e a comunidade surda se reuniram em frente à Alesc para lutar por formação de professores e pela difusão da língua de sinais. Para ele, as associações foram essenciais para abrir caminhos e consolidar as conquistas celebradas hoje.

Ambos os palestrantes reforçaram a importância de revisitar o passado para reconhecer os desafios superados e celebrar as conquistas históricas. O seminário foi encerrado com um chamado à continuidade da luta por uma educação inclusiva e bilíngue, que valorize a língua de sinais e amplie as oportunidades para as futuras gerações da comunidade surda.

 Assista ao seminário na íntegra:

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

 

 

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Reitoria da UFSC prestigia inauguração de Empresa Júnior de Tradução

30/09/2025 16:15

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, e a pró-reitora de Graduação e Educação Básica, Dilceane Carraro, participaram da inauguração da Letraduz, Empresa Júnior de Tradução vinculada ao Departamento de Língua e Literatura Estrangeiras (DLLE) do Centro de Comunicação e Expressão (CCE).

Realizada na manhã desta terça-feira, 30 de setembro, na sede da Letraduz (sala 219, Bloco A do CCE), a solenidade marcou um avanço no fortalecimento do diálogo entre ensino, pesquisa, extensão e sociedade. O evento celebrou a consolidação de um projeto em operação desde o ano passado, que já contribui para a formação prática dos estudantes e impulsiona a inovação e a internacionalização da Universidade.

Criada por estudantes dos cursos de Letras Estrangeiras, a Letraduz oferece serviços de tradução, legendagem, transcrição e revisão. Com o lema “Serviços de linguagem personalizados”, a empresa realiza traduções de abstracts, artigos, históricos escolares e cover letters, além de revisão e legendagem do português para línguas estrangeiras e vice-versa (exceto tradução juramentada).

A empresa júnior atua em inglês, espanhol, francês, italiano e alemão, atendendo docentes, estudantes e a comunidade em geral. O propósito é claro: proporcionar experiência profissional aos membros enquanto entrega serviços de alta qualidade aos clientes.

Para o reitor, “as empresas juniores são ambientes privilegiados de aprendizagem ativa”. Nesses espaços, destaca Irineu, os estudantes “aplicam o que aprendem em sala de aula, desenvolvem competências técnicas e socioemocionais, gerenciam prazos e projetos, constroem portfólios, experimentam processos de qualidade e ética profissional e, sobretudo, entendem o valor do trabalho colaborativo”. Na avaliação do reitor, essa vivência “prepara para o mercado de trabalho de forma concreta, sem abrir mão do rigor acadêmico” e é “onde teoria e prática se encontram”.

Em mensagem aos estudantes, Irineu reforçou o convite: “Que sigam ousando, aprendendo e empreendendo”. Ele incentivou a comunidade estudantil a aproveitar a iniciativa “para aperfeiçoar idiomas, ferramentas, gestão e atendimento”. “Façam da empresa um laboratório de excelência, aberto ao diálogo com outras áreas, com outras empresas juniores e com o ecossistema de inovação da UFSC”, afirmou.

Mais informações sobre os serviços oferecidos pelo e-mail: letraduz.ufsc@gmail.com; ou nas redes sociais da empresa: Instagram e LinkedIn.

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

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UFSC sediará congresso latinoamericano com pesquisadores de mais de 15 países

22/04/2025 10:27

Entre os dias 28 e 30 de abril, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sediará o XI Congresso Latinoamericano da WAPOR (World Association for Public Opinion Research), o maior evento da América Latina dedicado à pesquisa de opinião pública, comportamento eleitoral e comunicação política. Interessados em participar, podem se inscrever neste link. O evento é promovido pelos programas de pós-graduação em Jornalismo (PPGJOR) e Sociologia e Ciência Política (PPGSCP).

Com o tema “Opinião pública, civismo e riscos globais na América Latina”, o congresso reunirá pesquisadores de mais de 15 países, que irão debater questões cruciais da atualidade, como a crise climática, os impactos da desinformação, a polarização política, as ameaças à democracia e os desafios impostos pela inteligência artificial.

A programação será realizada nos auditórios do Centro de Filosofia e Ciências Humanas (CFH) e do Departamento de Jornalismo, com as master classes e as cerimônias de abertura e encerramento no Centro de Cultura e Eventos da UFSC.
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Reitoria da UFSC se reúne com Conselho do Centro de Comunicação e Expressão (CCE)

22/12/2023 11:58

Encontrou ocorreu no Auditório Henrique Fontes, no Bloco B do CCE. Foto: Divulgação/Secom/UFSC

O reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, junto do chefe de Gabinete, Bernardo Meyer, participou de uma reunião com o Conselho de Unidade do Centro de Comunicação e Expressão (CCE). O encontro discutiu os problemas enfrentados na estrutura do centro atualmente. A reunião ocorreu nesta terça-feira, 19 de dezembro.

O diretor do CCE, Fábio Luiz Lopes da Silva, trouxe como pautas as infiltrações nas edificações do centro, junto da falta de água e luz em alguns blocos. Em seguida, o espaço foi aberto para que os conselheiros expusessem suas demandas para discussão com a Reitoria.

Na quinta-feira, a Prefeitura Universitária (PU) deslocou uma equipe para solucionar a falta de energia e água, reestabelecendo o funcionamento de ambas as redes. O reitor Irineu e a PU se comprometeram a buscar soluções para os problemas de infiltração, de forma que as questões estruturais do centro entrem no cronograma de manutenções da prefeitura.

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UFSC se manifesta sobre incidente em sala de aula

27/04/2023 11:10

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) manifesta solidariedade à estudante envolvida no incidente em uma das salas do Centro de Comunicação e Expressão (CCE) e lamenta profundamente que ela tenha se machucado. A coordenação do curso de Ciências Biológicas informa que em caso de necessidade a estudante poderá solicitar tratamento especial em regime domiciliar para a continuidade de suas atividades acadêmicas. A Pró-reitoria de Permanência e Assuntos Estudantis (Prae) orienta atendimento à Psicologia Educacional, caso a estudante tenha sido afetada na organização de suas atividades na graduação.

De acordo com informações apuradas, a queda de um suporte de luminárias fluorescentes ocorreu por volta das 20h30 de terça-feira, 25 de abril, em uma das salas do segundo andar do Bloco A do CCE. O fato foi comunicado pelo vigilante do local à Secretaria de Segurança Institucional (SSI) da UFSC, que prontamente enviou uma viatura para conduzir a estudante ao Hospital Universitário (HU-UFSC), onde recebeu atendimento. A direção da Unidade de Ensino foi comunicada, acompanhou a situação e prestou o primeiro acolhimento.

Assim que foi informado do ocorrido, o reitor Irineu Manoel de Souza, que voltava de uma viagem ao campus de Curitibanos, determinou que a Prefeitura Universitária (PU) verificasse a situação. Na manhã de quarta-feira, 26 de abril, a equipe da PU realizou uma vistoria in loco na sala da ocorrência, com a Coordenadora Administrativa da Unidade de Ensino. Após a interdição da sala foram adotadas as seguintes medidas: 1 – atendimento em caráter corretivo da luminária da sala; 2 – vistoria de caráter preventivo a todas as salas e corredor do 2º pavimento do edifício, para certificação da condição das demais luminárias. As causas do incidente estão sendo apuradas pelo Departamento de Manutenção Predial e de Infraestrutura (DMPI).

A manutenção de todos os ambientes da UFSC é uma tarefa desafiadora e deve ser analisada sob o prisma da redução sistemática de recursos para as universidades ao longo dos últimos anos, especialmente no período de governo federal findado em 2022. Apenas no campus da UFSC em Florianópolis são cerca de 400 edifícios, cujo tamanho varia de uma pequena subestação de energia até um Centro de Cultura e Eventos. São mais de 430.000 metros quadrados de área construída no campus e a demanda de manutenção predial chega à ordem de 13.500 pedidos em um ano.

O orçamento das universidades públicas em geral tem sofrido grandes reduções nos últimos anos e as instituições passaram a enfrentar cortes e contingenciamentos de recursos. Segundo levantamento da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), o valor das verbas discricionárias nos orçamentos das universidades caiu 55% entre os anos de 2015 e 2022. No caso da UFSC, a dotação orçamentária para custeio com recursos do Tesouro, que já foi de R$ 150,10 milhões em 2016, ficou em R$ 115,8 milhões no orçamento atual. A recomposição orçamentária das universidades, demanda prioritária da Andifes, só foi confirmada há menos de duas semanas.

 

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