Fórum Parlamentar Catarinense: orçamento da UFSC é inserido no debate

26/09/2025 12:59

Vice-reitora da UFSC, Joana Célia dos Passos, participa do Fórum Parlamentar Catarinense

O Fórum Parlamentar Catarinense (FPC) realizou uma reunião macrorregional na Grande Florianópolis, na tarde desta quinta-feira, 25 de setembro, sediada pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), onde foram levantadas questões de infraestrutura e o futuro orçamentário das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). O deputado federal Pedro Uczai (PT), coordenador do Fórum, conduziu os trabalhos com foco na “escuta” e hierarquização das grandes prioridades regionais que exigem articulação de bancada ou maiores investimentos como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).

Lideranças políticas e da sociedade civil participaram do evento, inclusive a vice-reitora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Joana Célia dos Passos, que disse reconhecer que existem inúmeras prioridades no estado, todas elas muito importantes e legítimas, e a UFSC apoia plenamente essas demandas. Contudo, ela destacou que, enquanto gestora de uma das instituições públicas mais relevantes de Santa Catarina, é fundamental que o coletivo de lideranças assuma o compromisso de ajudar a solucionar os desafios orçamentários enfrentados pela UFSC, no que se refere a “sobrevivência e continuidade” de uma universidade que é patrimônio dos catarinenses e do povo brasileiro.

A vice-reitora relembrou a relevância estratégica da UFSC para o estado e para o país, enfatizando que a instituição forma profissionais para os mais diversos setores da sociedade. Para Joana, a UFSC é um patrimônio que transcende os seus muros. “Um exemplo disso é o painel Empresas DNA UFSC , que revela que contribuímos para a criação de mais de 107 mil empresas no Brasil. Somos uma cidade dentro de outra cidade, uma força indutora de desenvolvimento”, afirmou. Atualmente, a comunidade universitária integra cerca de 40 mil pessoas, entre estudantes, professores e técnicos, reforçando o papel da universidade como promotora de conhecimento, inovação e transformação social.

Embora a UFSC tenha recebido R$ 59 milhões para obras do PAC, Joana Célia ressaltou que esses recursos são insuficientes para suprir as necessidades básicas da instituição. “Ainda enfrentamos uma grave carência de recursos para a manutenção da universidade. Décadas de desestruturação nas universidades públicas resultaram em uma situação crítica, na qual grande parte do orçamento de custeio está prevista ao pagamento de contratos de terceirização”, explicou. Segundo a vice-reitora, esses recursos poderiam ser direcionados para fortalecer a qualidade do ensino, da pesquisa e da extensão.

As IFES receberam destaque adicional com a fala de Tiago Semprebom, pró-reitor de Pesquisa, Pós-Graduação e Inovação do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC). Tiago solicitou um olhar atento dos parlamentares para a próxima Lei Orçamentária Anual (LOA), pedindo aumento no orçamento para cobrir o aumento das despesas de manutenção. O gestor enfatizou a necessidade de consolidar a alimentação estudantil, visto que 40% dos estudantes do IFSC vivem com renda per capita de até 1 salário mínimo. Sobre este ponto, Pedro Uczai informou que já há um próximo encaminhamento agendado para o dia 8 de outubro, quando os os reitores e diretores dos 38 campi do IFSC estarão em Brasília para discutir o tema com os assessores da bancada.

Diversas outras questões regionais e sociais foram levantadas no encontro com os(as) parlamentares e, concluíram-se os debates com a confirmação de que, após a hierarquização, o Fórum atuará no orçamento geral da União para garantir os recursos necessários para as prioridades de Santa Catarina.

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
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Reitor da UFSC participa de seminário no Pará em preparação à COP 30

25/09/2025 16:34

Conselho Pleno da Andifes se reúne na UFPA. Foto: Andifes

Entre os dias 24 e 26 de setembro, o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, esteve em Belém, no estado do Pará, para a 207ª Reunião Ordinária do Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), e participar dos debates e discussões sobre temas estratégicos para o ensino superior e a sustentabilidade.

A programação teve início no campus da Universidade Federal do Pará (UFPA) com o Seminário Temático “Universidades e Biomas: Ciência e Sustentabilidade rumo à COP 30”. A abertura contou com a presença da Diretoria Executiva da Andifes e a participação especial de Fafá de Belém. O seminário abordou o papel das universidades e dos Cefets na preservação dos biomas e no desenvolvimento sustentável. Durante o painel de abertura, reitores e professores destacaram o impacto das instituições de ensino nas agendas ambientais e sociais, trazendo múltiplas perspectivas sobre conservação, pesquisa e políticas públicas.

O anfitrião do encontro, reitor Gilmar Pereira da Silva (UFPA), enfatizou a importância da cooperação interinstitucional, destacando que “redes são decisivas” para enfrentar desafios. Ele também chamou atenção para o chamado “custo amazônico” de manter a floresta em pé, que recai sobre populações vulneráveis, como ribeirinhos e extrativistas. Gilmar alertou para a necessidade de transformar o “mantra” de preservação da floresta em políticas concretas, mencionando a expansão da soja no Pará e o iminente debate sobre a exploração de petróleo na Foz do Amazonas.

O reitor Dácio Roberto Matheus (UFABC), presidente da mesa, destacou a centralidade da Amazônia e a diversidade de biomas no enfrentamento da crise climática. Ele defendeu soluções territoriais para desafios globais, como a transição energética e a resiliência urbana, e alertou: “Extrapolamos limites planetários”. Matheus pediu que as universidades comuniquem os impactos sociais de seus projetos, ressaltando a importância de ciência aberta e redes colaborativas, além da proteção do conhecimento tradicional.

A rodada técnica explorou os cinco principais biomas brasileiros. Everton Ricardi Lozano (UTFPR) e Edward Frederico (Unipampa) representaram a Mata Atlântica e o Pampa, respectivamente. Lozano destacou o impacto histórico na Mata Atlântica, presente em mais de 3.400 municípios, e os esforços de sustentabilidade na região, como o selo carbono neutro do campus Dois Vizinhos. Já Frederico ressaltou a degradação do Pampa, que só foi reconhecido legalmente como bioma em 2012, e defendeu a criação de um Instituto de Pesquisa e um Museu de História Natural para o bioma.

Dan Rodrigues Levy (Unifesp), representando o Sudeste, enfatizou a complexidade da Mata Atlântica, marcada pela devastação e pela alta densidade populacional. Ele destacou o trabalho da Unifesp em integrar a Agenda 2030 às suas atividades e chamou atenção para a necessidade de maior financiamento para a ciência. No Cerrado, Laerte Guimarães Ferreira Júnior (UFG) apresentou um panorama alarmante: 1 milhão de km² do bioma foram convertidos em apenas 50 anos, resultando em fragmentação, perda de água e aumento da aridez. Ele propôs soluções como a recuperação de pastagens degradadas e a criação de um Instituto Nacional do Cerrado para coordenar políticas e pesquisas.

Renato Garcia Rodrigues (UNIVASF), representando a Caatinga, destacou a biodiversidade do bioma e o papel das universidades na promoção de soluções locais. Ele mencionou iniciativas de recuperação de solos degradados e manejo adaptado à caprinocultura, além do apoio à criação de unidades de conservação. Já na Amazônia, Leandro Juen (UFPA) ressaltou a riqueza e a escala do bioma, mas apontou lacunas significativas de conhecimento, especialmente em áreas remotas. Ele defendeu o fortalecimento de redes de pesquisa e o protagonismo amazônico na produção científica, destacando iniciativas como o Centro Integrado de Sociobiodiversidade Amazônica (SISAN).

Durante os debates, reitores e reitoras reafirmaram o compromisso das universidades com a sustentabilidade e a justiça social, defendendo um pacto público que explicite o “lado” das instituições de ensino. A Andifes anunciou a organização de uma presença institucional na COP 30, com um mapeamento das ações das universidades federais para destacar suas contribuições e propostas.

A síntese do evento consolidou um diagnóstico claro: os biomas brasileiros são interdependentes, mas enfrentam desafios variados, como a pressão concentrada no Cerrado e na Amazônia, a carência histórica de proteção no Pampa e na Caatinga, e a desigualdade na distribuição de recursos. Entre as propostas discutidas, destacam-se a criação de institutos nacionais por bioma, a recuperação de pastagens degradadas, a restauração ecossistêmica adaptada a contextos específicos, a proteção de comunidades tradicionais e a integração de educação climática nos currículos.

No dia 25 de setembro, a programação seguiu com discussões técnicas e políticas. Pela manhã, o Conselho Pleno debateu a implementação da Política Nacional de Dados da Educação e o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, com a presença da ministra Luciana Santos. À tarde, temas como a certificação de hospitais de ensino e práticas de eficiência energética foram apresentados por reitores e especialistas. No último dia, 26 de setembro, a programação inclui visitas técnicas ao Parque de Ciência e Tecnologia Guamá e à Escola de Aplicação da UFPA, encerrando oficialmente o evento.

O seminário na íntegra está disponível neste link.

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
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UFSC no rol de homenageados na Alesc pelos 60 anos do profissional de Administração

25/09/2025 12:14

A servidora da UFSC e administradora Camila Pagani (2ª à esq.) representou a Universidade na homenagem aos 60 anos do profissional de Administração. Foto: Agência AL

Em celebração aos 60 anos da regulamentação da profissão de Administração no Brasil, a Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) realizou, na noite desta quarta-feira, 24 de setembro de 2025, um Ato Parlamentar Solene proposto pelo deputado estadual Rodrigo Minotto (PDT), que reuniu autoridades, profissionais e representantes da sociedade civil. A programação incluiu homenagens a personalidades e instituições, entre elas o Conselho Regional de Administração de Santa Catarina (CRA-SC) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Na abertura foi exibido um vídeo institucional que, nas palavras de apresentação, lembrou que “a administração está presente em praticamente todos os momentos do nosso dia”, enfatizando o papel do profissional que “lidera, transforma e inspira” e que, “a cada estratégia e a cada conquista”, faz a diferença. O material contextualizou o marco legal de 9 de setembro de 1965, quando a Lei nº 4.769 “cria os Conselhos Federal e Regionais de Administração”, definindo a profissão e seu sistema de fiscalização.

Administrador por formação, Minotto sublinhou que a homenagem “tem um significado ainda mais especial” por reafirmar a importância da Administração “para o desenvolvimento do nosso país, do nosso estado e do nosso município”. Destacou que, hoje, o administrador “é muito mais do que um gestor de recursos”: é “um articulador de soluções, um promotor de sustentabilidade e um líder capaz de inspirar equipes e gerar um impacto social positivo”. Ao citar o ecossistema catarinense, valorizou a formação de excelência, “com destaque para a ESAG”, e concluiu reafirmando o compromisso com “uma administração pública mais eficiente, com empresas mais éticas e inovadoras e com uma sociedade mais justa, organizada e participativa”.

O contexto histórico do ensino de Administração no Brasil também foi resgatado no plenário. Em referência às origens, registrou-se que a necessidade de mão-de-obra qualificada e a profissionalização do ensino ganharam força a partir da década de 1940, em consonância com o processo de industrialização iniciado nos anos 1930. Os primeiros resultados institucionais ocorreram em 1945, com a criação dos cursos universitários de Ciências Contábeis e Ciências Econômicas, quando “as atividades de direção e orientação […] haviam atingido um nível de maior complexidade”, exigindo formação especializada. Ressaltaram-se, ainda, os papéis da Fundação Getúlio Vargas e da FEA-USP, cuja atuação “marcou o ensino e a pesquisa de temas econômicos e administrativos” e influenciou a posterior expansão dos cursos de Administração. Nesse percurso, a Lei nº 4.769/65, ao tornar o exercício “privativo dos bacharéis em Administração Pública ou de Empresas”, ampliou o campo de trabalho e consolidou a identidade profissional.

Camila Pagani, servidora da UFSC. Foto: Divulgação

Na etapa de homenagens, entre os agraciados esteve a UFSC, representada pela servidora e administradora Camila Pagani, que recebeu a distinção em nome do reitor, Irineu Manoel de Souza. Falando em nome dos homenageados, a ex-presidente do CRA-SC (1989–1993), Evanir Dário rendeu tributos às lideranças históricas e às entidades formadoras. Evanir rememorou o movimento que antecedeu a regulamentação, desde a década de 1930, citando a atuação do Departamento de Administração Pública, da FGV, da Escola Nacional de Administração Pública e da Associação Brasileira dos Técnicos de Administração, até a promulgação da Lei nº 4.769, cujo relatório no Congresso, como lembrou, foi do “eminente professor baiano Alberto Guerreiro Ramos”.

Ao tratar da história catarinense, Evanir situou a criação do CRA-SC como fruto de uma mobilização que envolveu “universidades, professores, administradores e alunos”, destacando a sessão solene no Palácio Cruz e Sousa, no fim de 1982, que “dava a consolidação da criação do Conselho Regional de Administração de Santa Catarina”. Em tom de memória e gratidão, citou nomes pioneiros, sublinhando a dedicação de quem “arregimentava as fichas de inscrição” quando Santa Catarina ainda estava vinculada ao estado do Paraná.

Evanir também destacou o papel dos professores formados em programas de pós-graduação e convênios — “FGV no Rio de Janeiro e também os Estados Unidos, no acordo MEC–USAID” — que retornaram para fortalecer a docência e a pesquisa nas universidades catarinenses. Evidenciou contribuições técnicas relevantes, como a construção de agendas dos Fóruns Internacionais de Administração, discutindo “o que era o Mercosul e a integração da Latino-América” e, depois, “alianças estratégicas: construindo a sociedade do futuro”.

Sobre o presente e o futuro da profissão, Evanir sinalizou a amplitude do sistema — “mais de 500 mil administradores” registrados e “quase 2 milhões” de estudantes em cursos ligados à área — e elencou desafios contemporâneos: “o ritmo acelerado das mudanças tecnológicas”, o “ambiente globalizado e instável”, a “responsabilidade social e corporativa”, a “pressão por inovação” e a busca do “equilíbrio entre a valorização do capital humano e o uso da tecnologia”. Em tom de princípio, reafirmou valores “que não podemos esquecer no exercício do dia a dia”: ética, honestidade, responsabilidade, dedicação, comprometimento e transparência — aos quais “acrescentaria ainda a capacitação constante”.

Assista à homenagem na íntegra:

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
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Violência policial em Florianópolis: Relatório da UFSC aponta violações e caminhos para mudanças

24/09/2025 12:45

O Instituto Memória e Direitos Humanos (IMDH), vinculado à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), publicou o relatório final do projeto “Rodas de Conversa com Comunidades e Profissionais de Florianópolis: Representações da Violência Policial”. O documento foi elaborado com a participação de docentes, estudantes e bolsistas da UFSC, e apresenta uma análise detalhada sobre as dinâmicas da violência policial em comunidades periféricas da Grande Florianópolis, com base em 13 rodas de conversa realizadas entre 2021 e 2024.

O projeto contou com o apoio de diversos setores da UFSC, como a Pró-Reitoria de Extensão (Proex), o Núcleo de Estudos sobre Psicologia, Migrações e Culturas, e o Serviço de Assessoria Jurídica Universitária Popular.

A UFSC desempenhou um papel central na organização e mediação das discussões, criando um espaço de diálogo entre as comunidades afetadas e especialistas em direitos humanos. Por meio das disciplinas “Representações da Violência” e “História e Política”, estudantes e professores contribuíram ativamente para a coleta de dados, o registro de relatos e a estruturação das análises.

A parceria com a Udesc, somada ao apoio de entidades da sociedade civil e movimentos comunitários, ampliou o alcance do projeto, permitindo uma abordagem interdisciplinar e colaborativa para o estudo do tema.

O relatório denuncia um quadro grave de violações sistemáticas de direitos humanos. De acordo com os relatos, a violência policial é percebida como o principal fator de insegurança nas comunidades, manifestando-se por meio de agressões físicas, ameaças, invasões de domicílios sem mandado, vandalismo e danos a propriedades. Os depoimentos também destacam casos de violência psicológica e simbólica, como humilhações, estigmatização de moradores e intimidações que atingem até mesmo crianças. A polícia é descrita como um agente que instiga o medo, criminaliza moradores e reforça o estereótipo de que a pobreza está associada ao crime.

Entre as consequências apontadas, o relatório destaca os danos à saúde mental dos moradores, o impacto psicológico em crianças e adolescentes e a destruição de vínculos comunitários. Além disso, as operações policiais frequentemente interrompem atividades cotidianas, como o acesso ao trabalho e à escola, agravando ainda mais a marginalização social das comunidades. Os entrevistados relataram preocupação com a utilização de tecnologias como câmeras corporais, que frequentemente aparecem desligadas ou manipuladas, reforçando narrativas policiais e dificultando a apuração de abusos.

Uma das principais críticas levantadas no relatório é a ausência de um controle externo efetivo sobre a atividade policial. Apesar de ser uma atribuição constitucional do Ministério Público, as investigações de mortes causadas por policiais em Santa Catarina são conduzidas pela própria Polícia Militar, gerando desconfiança e denúncias de impunidade. O documento também evidencia como a presença policial ostensiva contrasta com a ausência de políticas públicas que garantam acesso a direitos básicos como saúde, educação, saneamento e moradia.

O relatório conclui que a violência policial em Santa Catarina não é um episódio isolado, mas parte de um sistema que perpetua desigualdades e violações. Para interromper esse ciclo, o documento recomenda o fortalecimento do controle externo das atividades policiais, a inclusão de debates sobre cidadania, racismo e direitos humanos na formação de agentes de segurança, e a construção de um diálogo mais efetivo entre o Estado e as comunidades. Além disso, reforça a necessidade de políticas públicas que promovam a justiça social e a inclusão, como forma de combater as raízes estruturais da violência.

Acesse aqui o relatório na íntegra.

 

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Academia Catarinense de Ciências Agronômicas empossa professora da UFSC Rosete Pescador

24/09/2025 12:08

Rosete Pescador, professora da UFSC. Foto: Divulgação

A professora Rosete Pescador, do Centro de Ciências Agrárias (CCA) e diretora de Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), será empossada na Academia Catarinense de Ciências Agronômicas (ACCA) em cerimônia marcada para a tarde de 26 de setembro, no auditório da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), em Florianópolis.

Ao assumir a Cadeira de número 11 da ACCA, a segunda academia científica estadual dedicada à Agronomia no Brasil, a professora Rosete reafirmou seu “compromisso com a ciência, com a formação de profissionais de excelência e com a construção de uma agricultura mais justa, sustentável e inovadora para Santa Catarina e o Brasil”.

Fundada em 2024, a ACCA tem como objetivo integrar ciência e inovação ao desenvolvimento agropecuário catarinense. Entre suas metas, destacam-se o aumento da produtividade de forma sustentável, a promoção do uso racional de insumos, o fortalecimento da organização social rural e a contribuição para a segurança alimentar.

Para a professora Rosete, “a criação da ACCA representa um avanço institucional para a área em Santa Catarina, fortalecendo redes de ciência e inovação no setor agropecuário e incentivando iniciativas semelhantes em outros estados”. Ela também destaca que, no contexto histórico da ciência catarinense, “a criação da UFSC, em 1960, e da Academia Catarinense de Ciências, em 1975, foram marcos fundamentais para consolidar um ambiente propício à formação de gerações de pesquisadores e à promoção da cooperação interdisciplinar”.

Rosete ressalta ainda os desafios enfrentados pelas academias científicas na contemporaneidade, como sustentabilidade, transformação digital, financiamento e inclusão social. Para ela, essas questões são cruciais para atender às demandas de uma agricultura moderna, alinhada às necessidades da sociedade e do meio ambiente.

Trajetória profissional

Rosete Pescador é uma destacada especialista em Agronomia e Fitotecnia no Brasil, com uma trajetória acadêmica e de pesquisa de relevante impacto, especialmente nas áreas de fisiologia vegetal, biotecnologia e conservação de recursos genéticos. Atualmente, integra o corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais e do curso de Agronomia no Departamento de Fitotecnia do CCA da UFSC, e atua como Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq – Nível 2.

Graduada em Agronomia pela UFSC em 1990, Rosete concluiu o mestrado em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1993, com uma pesquisa inovadora sobre o cultivo in vitro de embriões de Laranjeira Cipó (Citrus sinensis Osb.) e padrões isoenzimáticos. Em 2004, obteve o doutorado em Ciências Biológicas (Botânica) pela Universidade de São Paulo (USP), investigando embriogênese, hormônios, aminoácidos e carboidratos. Sua carreira docente teve início na Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), onde atuou por 16 anos (1995-2010), ministrando disciplinas em Fisiologia e Biotecnologia Vegetal, além de colaborar com o Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental. Na UFSC, também exerceu a função de diretora do CCA entre 2021 e 2024 e leciona disciplinas como Sementes nos cursos de Agronomia e Zootecnia.

Sua produção científica é centrada na fisiologia do crescimento e desenvolvimento vegetal, com ênfase na propagação in vitro, criopreservação de recursos genéticos e estudos sobre fotossíntese. Suas linhas de pesquisa incluem desenvolvimento vegetal, morfogênese in vitro, embriogênese, organogênese e cultura de tecidos. Entre os projetos de maior relevância que coordena, destacam-se iniciativas voltadas à conservação de espécies nativas da Mata Atlântica, como orquídeas e bromélias, por meio de protocolos de micropropagação massal e criopreservação. Desde 2014, lidera também projetos que desenvolvem tecnologias sustentáveis para a cadeia produtiva do bambu no sul do Brasil. Sua pesquisa explora ainda o papel dos carboidratos em espécies tropicais como moduladores de processos fisiológicos e indicadores de respostas a estresses ambientais. Outros projetos notáveis incluem a quantificação de carbono em biomassa arbórea e a recuperação de ambientes fluviais na bacia do Rio Itajaí-Açu.

Além de sua contribuição à pesquisa, Rosete colabora como revisora de artigos para importantes periódicos nacionais, como a Revista Brasileira de Fruticultura e a Pesquisa Agropecuária Brasileira. Sua atuação acadêmica abrange áreas como Fisiologia de Plantas Cultivadas, Produção de Mudas, Crescimento e Desenvolvimento Vegetal, e Anatomia Vegetal. Dedicada à formação de novos profissionais, recebeu homenagens significativas de formandos em Agronomia, sendo escolhida como Paraninfa em 2012 e Nome de Turma em 2011, evidenciando seu compromisso com o ensino e o desenvolvimento de talentos na área.

ACCA

A ACCA é uma entidade civil de direito privado, sem fins lucrativos, voltada ao desenvolvimento e progresso da Agronomia e da Engenharia Agronômica no estado. Por meio de eventos, publicações, projetos de pesquisa e outras iniciativas voltadas ao fortalecimento do setor, a academia congrega profissionais, acadêmicos, entidades e instituições do setor.

Entre seus compromissos estão:
• atuar em parceria com instituições de ensino superior, pesquisa científica e tecnológica, extensão rural, conselhos profissionais, entidades de classe e órgãos governamentais;
• promover, preservar, divulgar e publicar produções técnico-científicas de seus acadêmicos;
• organizar e apoiar eventos que ampliem o nível de conhecimento e inovação dos engenheiros agrônomos;
• incentivar o aperfeiçoamento do ensino agronômico e a preservação da memória dos profissionais que marcaram a história da Agronomia catarinense.

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

 

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