Ministra Cármen Lúcia, do STF, fala sobre igualdade e democracia na conferência de abertura da Sepex

21/10/2026 16:02

Teleconferência da ministra Cármen Lúcia foi transmitida para o público presente no Auditório Garapuvu (Fotos: Henrique Almeida – Agecom/UFSC)

A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), proferiu nesta terça-feira, 20 de outubro, a palestra “Justiça delas”, conferência de abertura da 23ª Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação (Sepex) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). A palestra foi transmitida diretamente de Brasília, a partir das 19 horas, e exibida ao público presente no Auditório Garapuvu, com participação de tradutores e intérpretes de Libras.

A vice-reitora Felipa Amadigi foi a anfitriã do encontro e afirmou ser uma alegria e uma honra moderar a conferência de abertura da Sepex, que é “o momento de celebração do que a universidade pública tem de mais potente”. Para Felipa, é nesse momento que a UFSC se apresenta à sociedade em toda a sua diversidade. De acordo com ela, a ciência produzida pela universidade não está isolada em laboratórios. “A ciência vive quando responde aos desafios de nosso tempo e melhora a vida das pessoas”.

De acordo com a vice-reitora, não existe excelência acadêmica sem pessoas valorizadas e não existe universidade pública forte sem condições de trabalho e estudo, sem financiamento, sem infraestrutura e sem políticas institucionais que garantam continuidade, qualidade e inclusão.
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Defender quem ensina, pesquisa, aprende: UFSC abre Sepex com compromisso pela universidade pública

20/10/2026 13:55

UFSC abre oficialmente a 23ª Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação (Sepex). Fotos: Gustavo Dieh | Agecom | Secom

Na manhã desta terça-feira, 20 de outubro, a Praça da Cidadania, no coração do campus da Trindade, em Florianópolis, deixou de ser apenas ponto de passagem para virar palco. Ali, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) abriu oficialmente a 23ª Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação (Sepex) — o momento do ano em que a universidade abre as portas e convida a comunidade a entrar.

Desta vez, o convite tem nome e sobrenome: “Ciência Delas”. O tema puxa para o centro do debate, a de que a ciência brasileira só é boa, relevante e capaz de transformar vidas quando é feita por gente diversa. É com essa mensagem que a UFSC se junta à Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT), celebrada todos os anos na terceira semana de outubro em todo o país.

Por trás dos cinco dias de programação, de 19 a 23 de outubro, há um ano inteiro de trabalho. É o tempo que a universidade leva para preparar o que agora se revela diante dos visitantes: a Feira de Ciências, com seus estandes lotados de experimentos e perguntas; os minicursos, com inscrições ainda abertas; as Rotas Temáticas, que levam o público a laboratórios e espaços universitários; as atrações artístico-culturais, as palestras, o Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica — e até uma ação de vacinação, lembrete de que ciência também é cuidado.

O ponto alto do primeiro dia fica para a noite. A partir das 19h, no Auditório Garapuvu, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia ministra a palestra de abertura, direto de Brasília, por teleconferência. Uma das vozes mais reconhecidas do país ao falar de direitos e democracia abre, assim, uma semana dedicada às mulheres que fazem ciência.

Nos dias 20, 21 e 22 de outubro, a Feira de Ciências e as Rotas Temáticas recebem o público externo. Mas quem quiser acompanhar o que os estudantes e servidores da UFSC estão pesquisando pode chegar antes: desde o dia 19, e ao longo de toda a semana, ocorrem as apresentações orais do 36º Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica e do 16º Seminário de Iniciação Científica para o Ensino Médio — onde, muitas vezes, nascem as primeiras vocações.

No palco, ao lado do reitor Amir Antônio Martins de Oliveira Junior e da vice-reitora Felipa Amadigi, estavam o secretário de Comunicação, Aureo Moraes, a secretária de Cultura e Arte, Maria de Lourdes Alves Borges, e duas servidoras que conhecem como poucos o que há por trás de cada atividade: Camila Pagani e Fernanda Cordeiro, integrantes da comissão organizadora.

Foi Camila quem abriu as falas e começou pelo agradecimento à equipe, que há meses, dedica-se a fazer a Sepex chegar à sua 23ª edição, em um trabalho que, segundo ela, vai muito além do que cabe nas atribuições de rotina de cada servidor. O que faz valer a pena, explicou, é o que acontece quando os portões se abrem. Camila lembrou que a comissão aprendeu a levar o projeto adiante mesmo com recursos e espaço limitados. Neste ano, porém, houve um recurso adicional, apoio da Fundação de Estudos e Pesquisas Socioeconômicos (Fepese) e o empenho de diversos colegas, o que permitiu executar a Semana com mais tranquilidade. “Da seleção de monitores à montagem dos estandes e à infraestrutura, cada integrante teve papel fundamental”, disse.

Fernanda seguiu na mesma linha. “Quando todo mundo entende qual é o objetivo da Sepex, a gente consegue fazer um serviço de qualidade”, avaliou. Para ela, o momento mais gratificante é ver o público entrar, de fato, no universo da universidade. “Muitos não conhecem e não têm a oportunidade de estar aqui”, observou. Ela lembrou ainda que a Sepex faz jus ao próprio nome: ensino, pesquisa, extensão e inovação não aparecem só na sigla, mas na comissão, onde as quatro áreas estão representadas e participam de forma intensa e direta da organização.

Mostrar o que se faz

A secretária Maria de Lourdes deu à Sepex um sentido que atravessaria todas as falas seguintes. “Quando nós defendemos a universidade pública, é importante que possamos mostrar também para a população o que nós fazemos como pesquisa, como extensão, como inovação”, afirmou. Para ela, essa visibilidade é essencial justamente agora, quando se defende uma universidade pública e de qualidade. Chamou a atenção para a variedade do que estava sendo exposto em diferentes áreas do conhecimento. “Realmente é uma amostra do que nós fazemos na universidade e de como nós podemos impactar a sociedade”. Maria de Lourdes também celebrou o tema desta edição, voltado às mulheres na ciência e na gestão. Para ela, a presença feminina precisa estar no debate não apenas na pesquisa e na extensão, mas também nas artes — e lembrou que, ao longo de toda a semana, haverá manifestações culturais espalhadas pela programação.

A vice-reitora Felipa avisou que não deixaria de falar do tema central da Sepex, “Ciência delas” — porque o contexto, na avaliação dela, pede. “Estamos num momento em que muitas das conquistas das mulheres ainda estão colocadas em risco”, alertou. E a universidade, defendeu, é exatamente o lugar para tratar dessas questões. Para a vice-reitora, a Sepex é mais do que uma programação de ensino, pesquisa e extensão. É a forma como a sociedade vê a universidade — e entra nela. Durante alguns dias, o público tem acesso ao que há de mais rico na vivência universitária: o que se faz nos laboratórios, nas salas de aula, nos projetos de extensão junto à comunidade. E, ao fazer isso, o evento valoriza “de forma impressionante” o trabalho de docentes e técnicos-administrativos na transformação da sociedade. Daí a necessidade, segundo ela, de “defender e lutar pela universidade pública”. A frase que resumiu esse chamado seria a mais repetida da manhã: “Defender quem ensina, quem pesquisa, quem trabalha, quem aprende, quem transforma esse conhecimento em compromisso social”.

Barreiras históricas e caminhos possíveis

Falar de mulheres na ciência, disse a vice-reitora, é falar de talento, coragem e contribuição. Mas é também falar de barreiras — as que, durante séculos, limitaram o acesso feminino à educação, à pesquisa, às carreiras acadêmicas e, sobretudo, aos espaços onde as decisões são tomadas. Ela reconheceu os avanços e fez questão de olhar para trás, para quem abriu caminho. “Nós precisamos agradecer a todas elas, que lutaram e se expuseram em momentos ainda mais difíceis, para que hoje possamos estar aqui na frente, construindo conhecimento e estimulando que outras meninas e mulheres possam estar aqui na próxima edição da Sepex”.

Celebrar, porém, não basta. As cientistas brasileiras retratadas no banner da Sepex merecem a homenagem, ponderou, mas o desafio é outro. “Precisamos de fato garantir que mais mulheres e meninas possam chegar, permanecer, liderar e transformar as realidades das quais fazemos parte.” A Sepex, lembrou, atrai um grande público de meninas e jovens — e o desejo dela é que cada uma delas enxergue na ciência “não uma porta fechada, mas um caminho possível, um caminho que elas desejam seguir”.

Em um dos trechos mais enfáticos do discurso, Felipa sintetizou o tipo de instituição que a UFSC deve buscar ser: “Uma universidade que compreenda que não há excelência sem inclusão, que não há inovação sem diversidade e, principalmente, que não há democracia sem igualdade”.

A vice-reitora reservou um convite especial para a conferência magna da Sepex, nesta terça-feira à noite, com a ministra do STF Cármen Lúcia sobre o tema “Justiça delas”. Para ela, será “uma grande oportunidade de aproximarmos a ciência, os direitos e a democracia e de reafirmar que o conhecimento também é uma forma de justiça”.

Encerrou desejando que a ciência seja “delas e não só delas, mas de todas as pessoas que queiram fazer da ciência o seu espaço”, e que a universidade siga “pública, gratuita, democrática, inclusiva e socialmente referenciada” — um lugar onde “o conhecimento não se fecha, circula, encontra pessoas e transforma realidades”.

O que faz uma universidade forte

O reitor Amir de Oliveira começou pelos números “bem impressionantes”, nas palavras dele. Criada em 2000, a Sepex só deixou de acontecer em três anos, durante a pandemia. Nesta edição, são 120 minicursos, que abriram 3.824 vagas; 87 estandes montados no Centro de Cultura e Eventos; 18 atrações artísticas e culturais; e 17 rotas temáticas. Completa a programação a conferência da ministra Cármen Lúcia, nesta terça, às 19h, no Auditório Garapuvu, transmitida ao vivo direto de Brasília.

Por trás dos números, mais de 20 pessoas. É esse o tamanho da comissão organizadora que, segundo o reitor, trabalha intensamente desde o ano passado para dar conta de cada detalhe. “Fizeram um trabalho fantástico. Essa semana vai só confirmar toda a qualidade do trabalho realizado.”

A UFSC está presente em todas as áreas do conhecimento, com 15 centros de ensino, mais de 120 cursos de graduação e 150 de pós-graduação, espalhados também pelos demais campi. Mas a pluralidade, prosseguiu, não está só na abrangência do que se faz — está em quem faz. “São pessoas de diversas origens, com diversas histórias, e que usam os seus diversos olhares para entender a mesma realidade, seja ela física, química, bioquímica, social, econômica, política, linguística.” Garantir essa diversidade, lembrou, é um trabalho ativo, feito por meio de mecanismos de inclusão que trazem para a universidade grupos historicamente minorizados.

O ensino se alimenta da pesquisa, a pesquisa alimenta o ensino, e a extensão participa das duas. É dessa união, explicou, que nasce uma formação “intensa, profunda, duradoura e ampla”. E foi com uma imagem simples que ele deu o alerta: “Se você desliga uma delas, a universidade perde uma perna do tripé, e a universidade em dois pés não para em pé, ela cai. Então esse tripé tem que estar sempre fortalecido, forte, atuante”.

É isso, na avaliação do reitor, que o visitante encontra ao caminhar pelos estandes da Sepex: a pluralidade, o rigor e a integração, traduzidos em projetos concretos. “Essas ideias fortalecem a universidade pública”, disse — e a universidade pública, completou, é “o melhor palco para o desenvolvimento dessas ações, ainda é hoje e provavelmente continuará sendo por muitos anos, porque é aqui que a gente consegue combinar infraestrutura, pessoas e visão”. Antes de finalizar, reafirmou o compromisso em nome de toda a comunidade universitária: “A gente vai permanecer, sem dúvida, trabalhando muito em prol dessas ideias e desse futuro”.

Saiba mais

Confira os estandes selecionados.

Acesse o mapa interativo para conhecer as 18 rotas temáticas oferecidas nesta edição.

Confira os minicursos e como se inscrever.

Confira o cronograma de atrações artístico-culturais.

Confira o Seminário de Iniciação Científica e Tecnológica (SIC).

Mais informações no site da Sepex.

 

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR | Secom
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Gustavo Diehl | Agecom | Secom

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