UFSC recebe 2ª Bicifest com ações pela mobilidade segura e sustentável

23/09/2026 10:29

Uma bicicleta branca instalada novamente em um dos pontos de maior circulação no entorno da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) chamou a atenção para uma história que não pode ser esquecida. A chamada “bicicleta fantasma” foi reinstalada na rotatória da UFSC com a Rua Lauro Linhares, no bairro Trindade, durante a 2ª Floripa Bicifest, realizada nesta terça-feira, 22 de setembro, na Praça da Cidadania. A ação relembrou a estudante de Oceanografia da UFSC Lylyan Karlinski Gomes, vítima de um atropelamento no local, em 2013, e reforçou a reivindicação por mais segurança para quem circula de bicicleta e a pé pela região.

Realizado no Dia Mundial Sem Carro, o evento reuniu, na Universidade, atividades culturais, ambientais e de mobilidade urbana. Organizada pelo Grupo Interdisciplinar de Pesquisa em Ecologia e Desenho Urbano (Gipedu-UFSC), com apoio da Apufsc-Sindical, a programação propôs uma reflexão sobre a forma como as cidades são ocupadas e sobre a necessidade de buscar alternativas de deslocamento diante dos desafios ambientais e climáticos.

A Floripa Bicifest é uma realização do projeto Campus-Parque-Cidade, coordenado pelo professor Francisco Antônio Carneiro Ferreira, do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da UFSC, e contou com a parceria do Grupo de Pesquisa BikeTour, coordenado pelo professor Marcos Bosquetti. A edição deste ano foi realizada em um contexto marcado pela intensificação de eventos climáticos extremos no Sul do Brasil, trazendo para o centro da discussão a relação entre mobilidade urbana, ocupação das cidades e emergência climática.

A programação também procurou aproximar o público de atividades culturais e ambientais. Durante a tarde, foram realizadas a Oficina de Recicláveis – “A Arte de Cuidar do Oceano”, com o artista Juan Mandala, e a Oficina de Pintura em Madeira de Demolição, com a artista plástica Angela Carla. As atividades trouxeram para o evento a discussão sobre reaproveitamento de materiais, cuidado com o ambiente e possibilidades de expressão por meio da arte. O evento também contou com apresentações artísticas e culturais na Praça da Cidadania.

Outro momento da programação foi o lançamento oficial do BICI-UFSC, projeto experimental de empréstimo gratuito de bicicletas, com tarifa zero, destinado à comunidade universitária. A iniciativa utiliza bicicletas recuperadas pelo Gipedu/Secretaria de Segurança Institucional (SSI) e busca ampliar as possibilidades de deslocamento por bicicleta dentro do campus.

Para os participantes inscritos e que compareceram ao evento, a programação ainda reservou o sorteio de uma bicicleta, em uma ação que aproximou a proposta de mobilidade sustentável de uma experiência concreta de uso da bicicleta no cotidiano.

À noite, a programação prosseguiu de forma remota com o seminário “BR-101: Do Colapso à Inovação – A Transição para Modais e Energias Limpas em SC e Sul do Brasil”. A atividade ampliou a discussão iniciada durante a tarde e colocou em debate os modelos de transporte e as possibilidades de transição para alternativas consideradas mais sustentáveis.

Uma bicicleta para lembrar uma vida

A reinstalação da bicicleta branca foi um dos momentos mais simbólicos da programação. Conhecida como “bicicleta fantasma”, a instalação é utilizada para marcar locais onde ciclistas perderam a vida no trânsito. Na UFSC, a ação resgatou a memória de Lylyan Karlinski Gomes, estudante de Oceanografia que faleceu em 2013 após ser atropelada na região da rotatória da Universidade com a Rua Lauro Linhares.

Mais de uma década depois, a bicicleta voltou a ocupar aquele espaço não apenas como homenagem, mas também como um alerta. A iniciativa chamou a atenção para a permanência de situações de risco para ciclistas e pedestres e para a necessidade de infraestrutura que permita deslocamentos mais seguros.

A ação foi acompanhada pelo lançamento de um abaixo-assinado pela implementação de uma ciclovia na Rua Lauro Linhares. Segundo o material de divulgação do evento, o projeto já existe na Prefeitura Municipal de Florianópolis desde 2020, e a mobilização buscou reforçar a necessidade de sua implementação.

A bicicleta branca, assim, ganhou um significado que ultrapassa a própria estrutura física. Ao ocupar novamente a paisagem da UFSC, ela transformou um ponto de passagem em espaço de memória e reflexão sobre as vidas perdidas no trânsito e sobre o direito de todas as pessoas de circular pela cidade com segurança.

 

Setor de Imprensa do GR | Secom
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Tags: Dia Mundial Sem CarroFloripa Bicifestpraça da CidadaniaUFSC

Feira da Reforma Agrária expõe na UFSC a produção local da agricultura familiar

07/11/2024 19:05

Durante a 21ª Semana de Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação (Sepex) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), outro grande evento acontece nos dias 7, 8 e 9 de novembro, na Praça da Cidadania, em frente ao prédio da Reitoria, no campus da Trindade, em Florianópolis (SC). Trata-se da segunda edição da Feira da Reforma Agrária, Agricultura Familiar e Economia Solidária, organizada pela Cooperativa Central da Reforma Agrária (CCA-SC), UFSC e União das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária (Unicafes).

Abertura da Feira da Reforma Agrária no auditório Garapuvu, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC

A cerimônia de abertura da Feira foi realizada no início da tarde desta quinta-feira, dia 7, no Auditório Garapuvu do Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo. O evento foi prestigiado pela comunidade universitária (servidores e estudantes), agricultores, feirantes, lideranças, representantes de cooperativas, federações e conselhos comunitários, imprensa, autoridades e o público em geral.

Na apresentação de abertura, a organização da Feira ressaltou que o evento objetiva “ampliar a interação entre campo e cidade”, valorizar a produção dos(as) agricultores(as) catarinenses e, ainda, “contribuir para a conscientização da população sobre a importância da agricultura familiar, da reforma agrária e da economia solidária na produção de alimentos saudáveis obtidos a partir de sistemas sustentáveis que preservem os recursos naturais e o meio ambiente”.

A programação da Feira também abre espaços para atividades educativas sobre práticas de produção e consumo, além das apresentações culturais que celebram a música, a dança, o teatro, entre outras manifestações artísticas.

Cerca de 30 pessoas, entre elas representantes da UFSC, apoiam ou são parceiras da Feira da Reforma Agrária

Um grupo de aproximadamente 30 pessoas – entre parceiros e apoiadores – foram chamadas ao palco do auditório. A UFSC, como anfitriã do evento, foi representada pelo reitor Irineu Manoel de Souza; pela vice-reitora Joana Célia dos Passos; pela pró-reitora de Extensão Olga Regina Zigelli Garcia; pelo pró-reitor de Pesquisa e Inovação Jacques Mick; pela pró-reitora de Permanência e Assuntos Estudantis Simone Sobral Sampaio; e pela vice-diretora do Centro de Ciências Agrárias (CCA) Marlene Grade. Da parte dos setores da sociedade, compareceram representantes do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), Banco do Brasil, Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), ministérios do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA) e da Agricultura e Pecuária (Mapa), Agência Nacional de Assistência Técnica e Extensão Rural (Anater), Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), Unicafes Brasil, Central Única dos Trabalhadores (CUT/SC), Movimento de Mulheres Camponesas de Santa Catarina, Fórum de Economia Solidária e Povos Tradicionais, CCA-SC, entre outros tantos que se uniram para celebrar o momento e a produção catarinense.

Vice-reitora da UFSC, Joana Célia dos Passos

A vice-reitora, professora Joana, foi a primeira a falar e destacou a alegria e a responsabilidade da Universidade em “abraçar a Feira e os seus movimentos sociais”, justamente quando promove a maior mostra de conhecimento do estado, a Sepex. Para ela, é uma demonstração de que a atual gestão universitária está comprometida com a valorização da produção de alimentos saudáveis pela agricultura familiar.

O reitor Irineu, em sua participação, reforçou os dados da UFSC que a tornam a quarta melhor instituição federal de ensino do país. A Sepex também foi referenciada, uma vez que revela a excelência dos projetos da Universidade no ensino, pesquisa, extensão e inovação, enfim, tudo de melhor que se produz no meio acadêmico e que se reflete na vida em sociedade. Também caracterizou a UFSC como inclusiva e, portanto, tem o dever de participar deste tipo de evento e ampliar a discussão de temas que aproximam o campo e a cidade. Quanto ao fornecimento de alimentação saudável, o reitor informou que, em breve, a UFSC irá implementar um programa de aquisição de alimentos da agricultura familiar no Restaurante Universitário (RU).

Na sequência da abertura, a partir das 15h, mais de 100 feirantes, entre camponeses(as), indígenas, quilombolas, trabalhadores(as) da economia solidária e assentados(as) da Reforma Agrária em Santa Catarina, irão expor e comercializar seus produtos. Nos dias 8 e 9 de novembro, será a partir das 8h.

Reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza

Além de alimentos saudáveis in natura, a feira contará também com agroindustrializados, artesanato, gastronomia e fitoterápicos, bem como sementes crioulas e outros produtos da agricultura familiar camponesa. Serão oferecidos, ainda, espaços de formação, com seminários e mesas de diálogo sobre variados temas, como microcrédito rural, inovação tecnológica para produzir no campo e na cidade, certificação de produtos agroindustrializados e microempreendedorismo rural.

Temas mais abrangentes como alimentação saudável e resiliência climática também serão debatidos, promovendo o diálogo com os consumidores e reafirmando a importância da produção agroecológica para a saúde da população e para o enfrentamento à crise climática e a preservação do meio-ambiente.

A Feira encerra suas atividades às 15h do próximo sábado com a ação solidária que prevê doação de três toneladas de alimentos a entidades filantrópicas e com o plantio coletivo de árvores no Bosque do CFH, na UFSC.

Programação Cultural

Nas noites de quinta e sexta-feira, haverá muitas atrações no palco da Feira. A partir das 18h, espetáculos de dança como o Pacha Warmikuna: Movimento das Mulheres Marrons e grupos musicais como o Choro Mulheril Trio e Apocalypse Cùier se apresentam.

O já consagrado Geosamba, grupo formado na Universidade, apresenta-se na Feira no dia 7, às 20h. Entre as atrações confirmadas também estão os grupos Araucária Ancestral e a Frente Nacional de Música João do Vale, ambos trazendo a temática do campo e da luta pela Reforma Agrária em suas canções.

Na sexta, dia 8, a partir das 10h, a Feira contará com a presença do palhaço Alecrim Sabiá, que fará intervenções artísticas para conscientizar crianças e adultos sobre a importância de se preservar o meio ambiente. No sábado, dia 9, a Feira se despede com a roda de capoeira do Africanamente, a partir das 10h, seguida pelas apresentações do Boi de Mamão do Pantanal e do grupo de percussão AfriCatarina .

Mais informações na página do evento.

Rosiani Bion de Almeida | imprensa.gr@contato.ufsc.br
Coordenadoria de Imprensa do GR | UFSC

Fotos: Andrey Santiago | Agecom | UFSC

Com informações da Assessoria de Comunicação da Feira da Reforma Agrária, Agricultura Familiar e Economia Solidária

Tags: Agricultura Familiar e Economia SolidáriaBosque do CFHFeira da Reforma Agráriaplantio de árvorespraça da CidadaniaPrograma de Aquisição de AlimentosRestaurante Universitário (RU)Sepex 2024UFSC