Evento celebra 40 anos da IA na UFSC, relembra pioneirismo e debate desenvolvimento responsável

16/09/2026 15:38

A conferência “A Inteligência Artificial no contexto universitário” combinou memória, ciência e perspectivas de futuro. Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

A história da Inteligência Artificial (IA) na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ganhou novos contornos na noite desta terça-feira, 15 de setembro. Quatro décadas depois da criação da primeira disciplina dedicada ao tema na instituição, professores, estudantes, técnicos e gestores reuniram-se no Auditório da Reitoria, no Campus de Trindade, em Florianópolis, para celebrar essa trajetória única e refletir sobre o futuro de uma tecnologia cada vez mais presente nas salas de aula, nas pesquisas e nas relações humanas.

Promovida pela Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd), a conferência “A Inteligência Artificial no contexto universitário” combinou memória, ciência e perspectivas de futuro. Mais do que apresentar ferramentas e conceitos, o encontro abriu espaço para discutir as transformações provocadas pela IA, suas possibilidades de aplicação e os desafios éticos e pedagógicos que impõe aos processos de ensino e aprendizagem.

Um dos momentos mais marcantes da noite foi a homenagem ao professor aposentado Renato Antonio Rabuske, responsável por ministrar, em 1986, a primeira disciplina de IA da UFSC. O reitor Amir de Oliveira e o professor Aldo von Wangenheim entregaram uma placa de reconhecimento à contribuição de Rabuske para a área. Ele estava acompanhado da esposa, a também professora aposentada da UFSC, Márcia Aguiar Rabuske, cuja atuação na área da Computação e no Departamento de Informática e Estatística (INE) também foi evidenciada.

Com apresentações artísticas da Companhia de Dança da UFSC, a solenidade inaugurou um ciclo de debates sobre Inteligência Artificial na Universidade. Participaram do evento o reitor Amir de Oliveira, a vice-reitora Felipa Amadigi, secretários, pró-reitores, docentes, técnicos-administrativos e estudantes. Ao revisitar o caminho iniciado há 40 anos, a UFSC não apenas reconheceu o trabalho de quem ajudou a construir essa história, mas também renovou o compromisso de pensar criticamente os impactos da IA na educação e na sociedade.

O professor aposentado Renato Antonio Rabuske foi o responsável por ministrar, em 1986, a primeira disciplina de IA da UFSC

O professor Renato Rabuske, em sua fala, disse que recebeu “com muita surpresa a comunicação dessa homenagem, que muito me honra. Quero dividi-la com todos os professores que me apoiaram e incentivaram durante a minha jornada na Universidade”.

Rabuske destacou que, quando começou a atuar na área, havia poucos profissionais com formação avançada em Computação no Brasil. Segundo ele, esse cenário exigia que a Universidade planejasse não apenas a formação dos estudantes, mas também a constituição de seu futuro corpo docente.

Ao recordar a reforma curricular realizada na década de 1980, o professor ressaltou o apoio recebido de colegas. “Estávamos convictos de que o curso não produziria bons resultados sem um bom planejamento e um bom currículo. Pensávamos em algo capaz de ir além do preparo de mão de obra para o mercado de trabalho existente, propondo novos desafios e apontando novas possibilidades para a sociedade”.

Foi nesse contexto que surgiu a proposta de incluir a inteligência artificial no currículo. Rabuske observou que a decisão representava uma aposta acadêmica, pois a área atravessava um período de descrédito internacional e ainda não apresentava as perspectivas que possui atualmente. O professor explicou que, naquela época, as limitações tecnológicas eram significativas. Ao chegar à Universidade, na década de 1970, encontrou uma estrutura computacional com capacidade muito inferior à disponível atualmente. Ainda assim, participou do desenvolvimento de sistemas institucionais, incluindo soluções relacionadas à matrícula universitária. “Quando entrei, havia na Universidade uma máquina de 16K. Eu mesmo programei sistemas para ela, inclusive o sistema de matrícula, mas a capacidade era insuficiente para executá-lo. As coisas aconteciam de uma forma muito diferente naquela época”.

Apesar das restrições de infraestrutura, financiamento e pessoal, Rabuske identificava possibilidades concretas de pesquisa. “Mesmo dentro de nossa limitada realidade local, havia espaço e ferramentas para desenvolver sistemas especialistas. Incluir a inteligência artificial já representava um avanço importante”. Os resultados práticos, entretanto, foram inicialmente modestos. Conforme relatou, faltavam recursos financeiros e pesquisadores, e poucos estudantes demonstravam interesse em desenvolver trabalhos de conclusão de curso sobre IA. Rabuske lembrou, contudo, algumas iniciativas que ajudaram a manter o campo de investigação ativo na UFSC.

“Nós, pioneiros, desbravamos e semeamos, mas a colheita costuma tardar e ficar para as gerações seguintes, como a nossa realidade atual comprova”, interpretou o professor.

Reitor da UFSC entrega a homenagem ao professor Rabuske

Potencial e riscos da nova fase

Ao tratar do atual desenvolvimento da tecnologia, o professor Rabuske defendeu que a sociedade procure obter da inteligência artificial o maior benefício possível, sem ignorar seus riscos. Ele considerou legítimas as preocupações sociais provocadas pelas transformações tecnológicas e lembrou que grandes invenções e descobertas também despertaram reações semelhantes em outros momentos da história.

Entre os desafios mencionados estão a expansão dos centros de dados, o aumento da demanda por energia e, principalmente, as questões éticas e de segurança. Rabuske alertou para o temor de que o desenvolvimento tecnológico avance sem mecanismos suficientes de supervisão humana.

Segundo o professor, o momento exigiria cautela, vigilância e articulação internacional. “As empresas conhecem os riscos, mas dizem estar presas à disputa pela sobrevivência no mercado. O momento exige extrema cautela e coordenação internacional”. Rabuske ressaltou ainda que “para o bem e para o mal, esses sistemas de inteligência artificial estão sendo disponibilizados diretamente ao grande público, o que torna seus usos e impactos difíceis de prever”.

Ao encerrar sua manifestação, o homenageado dirigiu uma mensagem de incentivo tanto aos pesquisadores que já atuam com inteligência artificial quanto àqueles que pretendem ingressar nesse campo. “A todos os que já estão envolvidos com a inteligência artificial, e àqueles que ainda se aventurarem nessa fantástica área, desejo muito sucesso”.

Na sequência, a conferência foi conduzida pelos professores Aldo von Wangenheim e Jônata Tyska, ambos do INE. Durante o encontro, os palestrantes apresentaram uma visão geral da Inteligência Artificial, passando por seu desenvolvimento histórico, principais termos e conceitos e pelo avanço recente da chamada IA generativa. O debate também abordou as discussões e normativas existentes no Brasil e em outros países, além de evidências científicas sobre os efeitos do uso dessas tecnologias na aprendizagem e no ambiente universitário. Os riscos, os limites éticos e os impactos da inovação estiveram entre os assuntos discutidos.

Assista à conferência na íntegra:

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

Tags: A IA no contexto universitárioINEProgradRenato RabuskeUFSC

UFSC inaugura laboratório virtual com supercomputador para desenvolvimento de IA

24/04/2025 15:22

Foto: SC Inova

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) inaugurou na manhã desta quarta-feira, 23 de abril, o Laboratório Virtual de Ensino, Extensão e Pesquisa (VLAB@UFSC). Equipado com o DGX H100, uma plataforma computacional que acelera o desenvolvimento de técnicas e aplicações de Inteligência Artificial (IA), o laboratório tem como objetivo impulsionar pesquisas em diversas áreas do conhecimento, fomentar o ensino computacional na educação básica e superior, e apoiar projetos de extensão.

Com um financiamento de R$ 2,2 milhões da Fundação de Apoio à Pesquisa Científica e Tecnológica do Estado de Santa Catarina (Fapesc), a criação do VLAB@UFSC foi apoiada pelo Brazilian Research Institute on Digital Convergence (INCoD), a Versatus HP e a Nvidia, empresa responsável pelo desenvolvimento do DGX H100.

Foto: Leonardo Ferreira/Fapesc

O evento de inauguração ocorreu na Sala dos Conselhos da Reitoria I do Campus de Florianópolis, no bairro Trindade, e contou com a presença do pró-reitor de Pesquisa e Inovação da UFSC, Jacques Mick, do pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC), Sérgio Pezzin, do presidente da Fapesc, Fábio Wagner Pinto, do diretor de vendas da Nvidia, Fábio Alves, do diretor comercial da Versatus, Eiji Kawahira, e outras autoridades.
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UFSC e IBGE assinam acordo para desenvolvimento de projetos com uso de Inteligência Artificial

01/10/2024 15:52

Assinatura do acordo foi durante a conferência de abertura do V Simpósio Internacional de Geografia do Conhecimento e da Inovação (Fotos: Luís Ferrari / Secom)

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) assinaram um acordo de cooperação técnica que funcionará como “guarda-chuva” para o desenvolvimento de projetos de pesquisa com uso de Inteligência Artificial.

O acordo foi assinado pelo reitor Irineu Manoel de Souza e pelo presidente do IBGE, Márcio Pochmann, durante a conferência de abertura do V Simpósio Internacional de Geografia do Conhecimento e da Inovação, realizada no auditório Garapuvu do Centro de Cultura e Eventos nesta segunda-feira, 30 de setembro. O Simpósio, que ocorre até 2 de outubro, tem como tema Novas centralidades urbanas na Era Digital: Tecnologias da informação e o comando na rede de cidades.

De acordo com o plano de trabalho, o acordo de cooperação técnica visa a conjugação de esforços entre a UFSC e o IBGE para propiciar a execução do Projeto de Pesquisa intitulado IBGE rumo à Inteligência Artificial: Identificação de Necessidades e Concepção de Estratégias de Solução Baseadas em Inteligência Artificial, Ciência de Dados e Visão Computacional.

O IBGE irá apresentar à Universidade os problemas e necessidades identificadas para realização de suas atividades. Cada demanda poderá dar origem a um projeto de pesquisa individual para busca de uma solução, com metas, acordos de propriedade intelectual, orçamentos, equipes e cronogramas individuais.

Inicialmente, os pesquisadores da UFSC vão se debruçar na busca de uma solução de suporte automatizado ao levantamento de uso e ocupação do solo para o Censo Agrícola 2024, com base em dados de imagens de satélite, levantamentos aéreos e dados provenientes de outros órgãos, tais como Instituto de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e Receita Federal.

Na UFSC, as atividades do acordo de cooperação técnica serão coordenadas pelo professor Aldo von Wangenheim, do Departamento de Informática e Estatística (INE). O acordo terá vigência inicial de 48 meses e poderá ser prorrogado automaticamente para integral cumprimento do seu objeto. Não há definição prévia sobre o número de projetos que poderão ser desenvolvidos neste período.

 

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