Florianópolis recebe o II Fórum Audiovisual de Natureza, que marca um novo patamar na articulação do audiovisual socioambiental no Brasil. Integrado à décima edição do Festival Internacional de Cinema Socioambiental Planeta.doc — cuja programação se estende até 31 de agosto de 2026 — o encontro ocorre nos dias 4 e 5 de dezembro no Passeio Sapiens (Sapiens Parque) e reúne produtoras, realizadores, canais de TV, plataformas de streaming, agentes de mercado e instituições públicas e privadas.
Com foco mercadológico e temático em natureza, ciência, aventura, esporte, turismo e sustentabilidade, o Fórum consolida-se como espaço essencial de formação profissional, debate e apresentação de projetos (pitchings), além de promover rodadas de negociação e rodas de conversa com canais e distribuidoras como TV Brasil, Canal Futura, TV Cultura e Travel Box Brazil. As oficinas gratuitas de fotografia, storytelling e uso de drones estão com inscrições abertas no site oficial.
UFSC no apoio institucional
O evento conta com o apoio institucional fundamental da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Diversas estruturas da Universidade estão envolvidas, como a Sala Verde da UFSC, o Curso de Cinema da UFSC, o Labcine UFSC, a TV UFSC e o Neambi, além da Andifes. Este apoio reforça o caráter do Planeta.Doc como um espaço de formação de público, educação cidadã e debate qualificado sobre o futuro do planeta. Entre outras instituições parceiras citadas no release estão BRAVI, Instituto de Conteúdo Audiovisual Brasileiro (ICABI) e Ministério do Meio Ambiente (MMA), entre diversos apoiadores.
Programação
A programação divide-se entre o Passeio Sapiens (Sapiens Parque) e o Centro Integrado de Cultura (CIC):
Fórum Audiovisual (Passeio Sapiens): 4 e 5 de dezembro
O Fórum, sediado no Passeio Sapiens, reúne as principais produtoras, canais de televisão e plataformas de streaming, além de agentes de mercado, especialistas e realizadores comprometidos com narrativas sobre natureza, ciência, aventura, esporte, turismo e sustentabilidade.
Masterclass de Abertura: Na quinta-feira (4), às 9h30, o cineasta Jorge Bodanzky conduz a masterclass “Meu cinema como estratégia política”, reafirmando o audiovisual como instrumento de transformação social e ambiental.
Mercado: A programação inclui pitchings públicos para projetos selecionados, rodadas de negociação com players do mercado, rodas de conversa com canais e distribuidoras como TV Brasil, Canal Futura, TV Cultura e Travel Box Brazil, além da apresentação de cases de produtoras.
Oficinas Gratuitas: Formação profissional com foco em narrativas socioambientais, com inscrições gratuitas e abertas:
Olhares do Alto – Uso de Drones na Produção Socioambiental, com André Dib.
Storytelling e Cinema Socioambiental, com Vincent Carelli.
Olhar Selvagem – Fotografia Cinematográfica de Natureza, com Marina Klink.
Olhares em Trilha – Expedição Fotográfica: Descobrindo Floripa, com Rafael Paz.
Festival Planeta.Doc – Mostra Cineastas (CIC): 3, 5 e 6 de dezembro
As sessões abertas e gratuitas de cinema e debates no Centro Integrado de Cultura (CIC) têm o papel de ampliar o acesso do público às produções e discussões que moldam o futuro do cinema dedicado ao planeta.
Dia 3/12: Exibição de “Ruivaldo, o homem que salvou a Terra” e “Um Olhar Inquieto: O Cinema de Jorge Bodanzky”, seguida de debate com o cineasta Jorge Bodanzky.
Dia 5/12: Sessão de curtas do cineasta Todd Southgate, dedicada a conflitos socioambientais. Após a sessão, às 19h30, roda de conversa com Jorge Bodanzky, Vincent Carelli e Todd Southgate.
Dia 6/12: Exibição de “Martírio”, de Vincent Carelli (sobre a luta Guarani Kaiowá), seguida do longa de Jorge Bodanzky, “As cores e amores de Lore”.
O Planeta.Doc foi selecionado pelo Prêmio Catarinense de Cinema, Edição Especial Lei Paulo Gustavo 2023. Além da UFSC e suas estruturas, o evento conta com apoio de instituições como BRAVI, Instituto de Conteúdo Audiovisual Brasileiro (ICABI) e Ministério do Meio Ambiente (MMA), entre outras.
Serviço
Fórum Audiovisual de Natureza
Onde: Passeio Sapiens e Centro Integrado de Cultura (CIC)
Quando: 4 e 5 de dezembro
Inscrições de oficinas (gratuitas): https://planetadoc.com/forum-novo/
Inauguração do Núcleo de Ciências da Saúde do campus de Curitibanos reuniu autoridades municipais e membros da gestão da UFSC. Fotos: Comunicação UFSC Curitibanos
A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) celebrou nesta segunda-feira, 1º de dezembro, a inauguração do Núcleo de Ciências da Saúde (NCS) do campus de Curitibanos, um marco que representa um avanço significativo para a formação médica na região. A cerimônia reuniu autoridades municipais, incluindo o prefeito Kleberson Luciano Lima, o vice-prefeito Roque Stanguerlin e a presidente da Câmara de Vereadores Vilma Natalina Fontana Maciel, e da instituição, como o reitor Irineu Manoel de Souza, a diretora-geral do Gabinete Camila Pagani, o diretor do campus Guilherme Jurkevicz Delben e a diretora-administrativa Claudia Mayumi Uekubo, entre outros membros da comunidade universitária.
Em seu discurso, o diretor do campus, Guilherme Delben, enfatizou que a inauguração transcende o simbolismo da cerimônia e estabelece uma responsabilidade compartilhada entre Universidade e Município. Citando Albert Camus, o diretor afirmou que a verdadeira generosidade para com o futuro consiste em dar tudo ao presente, palavras que sintetizam o espírito do momento vivido pela instituição.
Delben dirigiu agradecimentos especiais aos gestores municipais, destacando o procurador-geral Herlon Adalberto Rech e o secretário de Transportes e Obras Christian Ortiz de Souza como parceiros fundamentais. O diretor ressaltou uma frase que frequentemente ouve dos representantes do município e que, segundo ele, resume a natureza singular dessa relação: “claro, é pela nossa Universidade”. Essa declaração simples, mas profunda, revela o compromisso de Curitibanos com a UFSC e evidencia um vínculo que vai além do administrativo.
A cessão do prédio pelo Prefeitura foi mencionada por Delben, que reconheceu no gesto inteligência política, compromisso ético e uma visão estratégica de que fortalecer a Universidade significa fortalecer a própria cidade em suas dimensões de saúde, bem-estar e capacidade de projetar futuro. A presença do reitor Irineu foi comparada à do saudoso professor Lúcio Botelho, ambos compreendendo a importância de expandir a UFSC para além do litoral catarinense.
O diretor caracterizou a relação entre a UFSC e Curitibanos como única, marcada por uma parceria viva e quase orgânica que produz sentido, pertencimento e compromisso mútuo. Segundo Delben, a Universidade não é apenas instalada no município, mas acolhida, reconhecida e integrada ao tecido da cidade, criando raízes genuínas no território.
Sobre o propósito do novo espaço, Delben expressou o desejo de que o Núcleo de Ciências da Saúde seja um lugar de pensamento rigoroso, ciência comprometida e cuidado com as pessoas, onde a generosidade com o futuro se manifeste diariamente no presente. O reitor Irineu complementou essa visão, afirmando que a conclusão do prédio representa não apenas a entrega de uma obra física, mas a consolidação de um projeto de interiorização do ensino superior e de melhoria da assistência à saúde no Meio-Oeste catarinense, região historicamente marcada pela carência de profissionais de saúde.
O curso de Medicina de Curitibanos iniciou suas atividades em março de 2025, mas os 33 alunos da turma pioneira precisaram adaptar-se a espaços provisórios cedidos pela Prefeitura Municipal, como o auditório da Secretaria Municipal de Educação e Cultura. Atualmente, os estudantes contam com infraestrutura adequada, que inclui laboratórios de anatomia, histologia, simulação, comunicação e informática, além de salas de tutoria e salas de aula.
A criação do curso atende a uma reivindicação que remonta a 2013, quando uma audiência pública evidenciou a demanda da comunidade local por formação médica na região. Após anos de espera, o Ministério da Educação autorizou oficialmente a criação do curso em abril de 2024, seguindo recomendação da Comissão de Acompanhamento e Monitoramento de Escolas Médicas. O curso rapidamente se consolidou como um dos mais concorridos da UFSC, ficando em segundo lugar na relação candidato/vaga no Vestibular Unificado de 2025, com média de 50,17 candidatos por vaga, superando o campus de Araranguá e ficando atrás apenas de Florianópolis, o que demonstra o interesse pela formação médica no interior do estado e a confiança da sociedade na qualidade do ensino oferecido pela universidade federal.
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Vista noturna do Quartel da Tropa da Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim. Imagem: Joi Cletison Alves
A primeira obra que irá integrar um projeto inédito na história das fortalezas sob gestão da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), requalificando os monumentos, trazendo melhorias e novas atrações turísticas, será anunciada em evento nesta quarta-feira, 3 de dezembro, às 9h, na Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, em Governador Celso Ramos.
O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) fará o anúncio da programação dos Avanços do Patrimônio em Santa Catarina, em cerimônia oficial.
Essa ação vai integrar um projeto maior da UFSC: a Restauração das Fortificações Catarinenses #EuValorizoAsFortalezas, que prevê obras na fortificação, como recuperação de edifícios e novos espaços expositivos, atrações turísticas e comunicação visual, mas também soluções de acessibilidade e equipamentos renovados para atendimento ao público.
O anúncio desta quarta-feira envolve uma parceria entre Iphan e UFSC, gestora da Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim desde 1979, para obras de preservação, restauração e requalificação.
Nessa fase, serão investidos R$ 17 milhões com recursos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do Governo Federal. Desse montante, R$ 15 milhões vão diretamente para as obras no Quartel da Tropa – o maior prédio da fortaleza – e trabalhos de arqueologia, além da criação de novos sanitários e da instalação de novas redes de infraestrutura hidráulica, elétrica e outras.
Ao todo serão investidos R$ 67 milhões
Os recursos serão transferidos do Iphan para a UFSC através de Termo de Execução Descentralizada (TED). Essa primeira intervenção de restauração e requalificação marca o início do projeto Restauração das Fortificações Catarinenses #EuValorizoAsFortalezas, criado em 2021, durante a pandemia de Covid-19, pela Coordenadoria das Fortalezas da Ilha de Santa Catarina (CFISC) da Secretaria de Cultura, Arte e Esporte (SeCArtE) da UFSC.
Vista da Nova Casa do Comandante da Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim, 1999. Imagem: Alberto L. Barckert
Esse projeto, que transformará os patrimônios culturais sob gestão da UFSC, tem aporte total de R$ 67 milhões. Inicialmente, ele foi proposto pela Fundação de Amparo à Pesquisa e à Extensão Universitária (Fapeu), com orientação da CFISC, na Chamada Pública n° 1/2021 – Resgatando a história, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
Em 2022, a proposta foi aprovada pelo BNDES, com investimento de R$ 32,5 milhões. Como parte do processo para aprovação, a UFSC demonstrou ao banco a contrapartida de R$ 17,5 milhões já investida nas fortificações catarinenses pelo Iphan, pelo PAC anterior e pelo Fundo de Direitos Difusos. Até então, a soma estava em R$ 50 milhões. Com mais os recursos que serão anunciados nesta quarta-feira, o total chega aos R$ 67 milhões para investimentos exclusivos nas fortalezas.
Atrações musicais e novos espaços
O projeto Restauração das Fortificações Catarinenses #EuValorizoAsFortalezas será executado em três anos. O projeto prevê mais que obras nas fortificações. Há a previsão de 25 ações complementares, que envolvem desde apresentações culturais até montagem de um ônibus e uma embarcação, ambos movidos a energia elétrica gerada por sistema fotovoltaico para visitas à Ilha de Anhatomirim e Ilha de Ratones Grande. Também estão previstos novos usos para as fortalezas, que deverão receber mais atividades turísticas e de negócios, com auditórios para promoção de eventos e novos recursos de acessibilidade. Para a cerimônia desta quarta-feira, a Fortaleza de Santa Cruz de Anhatomirim será fechada ao público pela manhã.
A Audiência Pública “Catarina Somos Todos Nós — Pelo Direito à Vida de Todas as Mulheres”, realizada nesta quinta-feira, 27 de novembro, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), foi um espaço de luto e de debate sobre a violência de gênero no estado, convocada após o feminicídio da estudante de pós-graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Catarina Karsten. Representantes do Judiciário, do Ministério Público, da Defensoria Pública e de órgãos de segurança uniram-se aos legisladores e aos grupos da sociedade civil para lamentar as estatísticas alarmantes e a falha do sistema em proteger as mulheres.
Embora as instituições tenham novas ações detalhadas – como protocolos de segurança integrados e grupos reflexivos para agressores -, o principal clamor foi pela necessidade de compromisso orçamentário e de mudança cultural. Houve amplo consenso de que a solução estrutural exige a inclusão obrigatória de educação em gênero e de combate à violência nos currículos escolares, desde a educação básica, para desconstruir o machismo endêmico. A sessão culminou na aprovação unânime da Carta Catarina, documento que transforma a dor em um apelo por políticas públicas concretas que garantem às mulheres o direito de viver e transitar com segurança e liberdade.
Luto e indignação
A abertura da audiência foi marcada pela apresentação cultural do bloco Filhas e Filhes de Eva no Jardim das Delícias, uma fanfarra carnavalesca feminista da qual Catarina, flautista, era aluna. Um representante do grupo expressou a dificuldade de estar presente em meio ao luto, mas ressaltou que a missão do bloco é “produzir vida, produzir poesia, produzir liberdade”. Ela questionou a narrativa de que Catarina estava em uma “trilha cheia de mata fechada”, afirmando que se trata de um caminho comum para moradores de Florianópolis e que o direito de ir e vir deve ser assegurado a toda pessoa.
A deputada Luciane Carminatti, proponente do debate, destacou que Catarina tinha 31 anos, era professora de inglês e mestranda na UFSC, com planos simples e legítimos — como construir uma casa com o marido. Ela foi assassinada enquanto se dirigia a uma aula de natação. Carminati afirmou categoricamente que Catarina “não morreu porque estava numa trilha; Catarina morreu porque o machismo mata, porque a violência contra as mulheres é cultural e insiste em continuar”.
A dor do luto foi reforçada pela leitura de uma carta escrita por Roger Gusmão, companheiro de Catarina, que acompanhava a audiência à distância. Ele pediu que o luto fosse transformado em luta e sugeriu a mudança do nome da Praia do Matadeiro, local do crime, para Praia Catarina, para que o lugar remeta à “luz e esperança de um mundo melhor para as mulheres”.
Falha do Estado
Diversos participantes e questionados consideraram a falência do sistema de proteção. A deputada Paulinha, coordenadora da Bancada Feminina, desabafou: “Eu me sinto um lixo como deputada cada vez que uma mulher morre”, relatando-se impotente apesar de todas as leis já criadas. O deputado Marquito reforçou o sentimento de indignação e a necessidade de criminalizar o que é crime e combater a impunidade.
A juíza de Direito do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, Naiara Brancher, admitiu que, mesmo com todas as políticas em vigor, “todas as nossas políticas não foram suficientes para manter essas mulheres vivas”. Ela destacou o dado alarmante de que um terço das sentenças criminais em Santa Catarina se refere à violência doméstica. Concluiu que, enquanto Estado, sistema de Justiça, Poder Legislativo e sociedade, “todos nós falhamos”.
A deputada Luciane apresentou dados chocantes: em Santa Catarina, 26,2% das medidas protetivas são descumpridas (2024), a segunda pior taxa do Brasil. Entre 2020 e 2024, foram registrados 277 feminicídios no estado.
A procuradora-geral do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), Vanessa Cavalazzi, abordou a raiz cultural do problema. Ela disse aos homens se eles se preocupam com a roupa que vestem, enfatizando que as mulheres fazem essa pergunta todos os dias porque “o nosso corpo é enxergado como um objeto”. Criticou como a estrutura social naturaliza essa objetificação, citando propagandas que exibem corpos femininos.
Em contrapartida, a procuradora discordou da ideia de que as penas para feminicídio são insuficientes, afirmando que elas são “gigantes” e que a Justiça responde rapidamente nesses casos extremos. No entanto, destacou que o crime de desobediência (descumprimento de medida protetiva) tem pena “ridícula”, o que a indigna.
Cibelly Farias, procuradora-geral do Ministério Público de Contas de Santa Catarina (MPC/SC), trouxe o aspecto financeiro, citando auditorias que calcularam em R$ 25 milhões o custo do feminicídio para o Estado entre 2011 e 2018. Ela lamentou que esse valor não tenha sido aplicado em políticas de prevenção.
O coronel Alexandre da Silva, representante da Secretaria de Estado da Segurança Pública, buscou demonstrar esforços de governo, como a integração de dados e a emissão rápida de medidas protetivas. Anunciou a aquisição de 30 mil dispositivos de monitoramento para vítimas, que funcionarão junto às tornozeleiras eletrônicas dos agressores. Informou também que o governo implantará mais 26 Delegacias de Proteção à Criança, ao Adolescente e à Mulher (DPCAMs). Destacou um dado positivo da Polícia Militar: a Rede Catarina, que atua em 295 municípios e já atendeu mais de 100 mil mulheres desde 2017, não registradas feminicídios entre as mulheres tuteladas pelo programa.
Marlete Oliveira, presidente do Conselho Estadual dos Direitos da Mulher (Cedim), cobrou veementemente a ausência de orçamento carimbado para políticas públicas de gênero na Lei Orçamentária Anual (LOA).
A defensora pública Anne Teive Auras, coordenadora do Núcleo de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres (Nudem), enfatizou que o problema não se resolve apenas com leis mais rigorosas, mas com a aplicação de políticas públicas intersetoriais previstas na Lei Maria da Penha. Listou a necessidade de discutir o direito à cidade (espaços públicos seguros) e a importância de políticas de saúde mental, assistência social e até mesmo acesso ao aborto legal, diante de mortes de mulheres por omissão do Estado.
A contribuição da UFSC
A professora Vera Gaspareto, coordenadora do Instituto de Estudos de Gênero (IEG) da UFSC, esteve presente na audiência, e a UFSC foi mencionada como parceira na capacitação dos grupos reflexivos para autores de violência.
A professora Alinne Fernandes, coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Inglês (PPGI) da UFSC, onde Catarina era mestranda, fez um apelo crucial, ressaltando que Catarina defendia na transformação pela educação.
Em um estado em que o debate de gênero é criminalizado, a professora declarou que “gênero não é ideologia; gênero é fato existencial e social, e, de uma vez por todas, todo mundo precisa entender isso”. Ela também cobrou que as instituições conversaram com as universidades, que foram “criminalizadas e perseguidas” nos últimos anos.
O consenso sobre a educação como via de mudança cultural foi quase unânime. A deputada Paulinha afirmou: “Eu só conheço um único caminho que pode mudar esse machismo endêmico que nos assombra dessa maneira: é pela educação”. A procuradora Sibeli Farias lamentou que o Tribunal de Contas do Estado (TCE), há sete anos, reiterou a recomendação de que a discussão de gênero seja abordada nas escolas.
Carta Catarina
A audiência culminou com a aprovação, por aclamação, da Carta Catarina, documento que afirma que o direito das mulheres à vida inclui o direito de ocupar todos os espaços públicos e privados, urbanos ou ambientais, com autonomia, segurança e liberdade.
Entre as propostas, destacam-se:
Garantir a plena liberdade de ir e às mulheres em espaços públicos e de natureza, assegurando infraestrutura e segurança, sem a necessidade de “vigilância masculina compulsória”.
Garantir orçamento adequado e qualificação profissional para políticas permanentes e intersetoriais de prevenção ao feminicídio.
Envolver os homens em políticas de prevenção que questionem privilégios e promover a responsabilização ética, reconhecendo que a transformação das masculinidades é condição essencial para garantir a vida e a liberdade das mulheres.
Assegurar o cumprimento da legislação vigente, incorporando de forma transversal e contínua, nos currículos escolares, a discussão sobre direitos humanos das mulheres e equidade.
A audiência demonstrou que, embora haja avanços institucionais na resposta ao crime — como novos dispositivos de monitoramento e o aumento de delegacias, Santa Catarina continua a fracassar drasticamente na prevenção cultural, enraizada em um machismo endêmico e alimentado por discursos que deslegitimam a educação de gênero e a autonomia feminina. O debate é uma luta para que a vida das mulheres deixe de ser vista como variável negociável no orçamento ou na política pública e passe a ser tratada como direito inalienável.
A audiência foi transmitida ao vivo e pode ser assistida na íntegra:
Divisão de Imprensa do GR | SECOM
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A Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), representada pela deputada estadual Luciane Carminatti (PT), convoca a sociedade catarinense para uma audiência pública que discutirá segurança e proteção às mulheres. O encontro será nesta quinta-feira, 27 de novembro, às 14h, no Plenarinho, com transmissão ao vivo pelo YouTube da Alesc.
O debate será realizado a partir do recente assassinato da estudante Catarina Karten, na última sexta-feira, um crime que volta a escancarar a gravidade da violência de gênero no estado. A audiência terá como título “Catarina somos todas nós — Pelo direito à vida de todas as mulheres”, reforçando que o caso representa a realidade de milhares de catarinenses.
O requerimento apresentado à Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público recebeu o apoio de outros sete parlamentares, demonstrando convergência institucional para o enfrentamento ao feminicídio e às agressões contra mulheres.
“Quando uma mulher é atacada, todas nós estamos em risco. Precisamos de ação firme, investimento em políticas de proteção e resposta rápida das instituições. A audiência é um chamado para que o Estado cumpra seu papel e para que a sociedade não se cale”, afirma.
A presença e participação são essenciais: “Garantir a vida das mulheres precisa ser prioridade absoluta — e isso só acontece com compromisso, pressão social e políticas efetivas”, ressalta a deputada.