UFSC apresenta minuta da sua política de combate à evasão e inicia consulta pública

29/09/2025 17:40

Apresentação da Minuta da Política Institucional de Combate à Evasão, na Sala dos Conselhos da UFSC. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realizou na tarde desta segunda-feira, 29 de setembro, na Sala dos Conselhos, com transmissão ao vivo, a apresentação da Minuta da Política Institucional de Combate à Evasão. A iniciativa busca definir diretrizes, responsabilidades e ações abrangentes voltadas à prevenção, ao acompanhamento e ao apoio à permanência estudantil, além de enfrentar os desafios relacionados à evasão universitária. O evento foi conduzido pela Assessoria de Acompanhamento de Evasão, Permanência e Egressos, vinculada à Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd).

Na mesa estavam a assessora e professora Andressa Sasaki Vasques Pacheco, a pró-reitora Dilceanne Carraro (Prograd), e o reitor Irineu Manoel de Souza. A apresentação contou também com a presença de diretores de centros de ensino, secretários, pró-reitores, servidores técnicos e professores, e estudantes.

Dilceanne destacou durante sua fala o significado do momento, que representa o avanço em uma tarefa assumida pela Pró-Reitoria no início da atual gestão: a construção de uma política institucional e de uma rede coordenada de enfrentamento à evasão. Ela lembrou que, ao assumirem em 2022, o desafio era ainda maior devido ao contexto de retomada pós-pandemia. “Saíamos de um período crítico em que muitos estudantes estavam em situação de abandono ou desvinculados da universidade por diferentes motivos”, afirmou.

Na mesa estavam a assessora e professora Andressa Sasaki Vasques Pacheco, a pró-reitora Dilceanne Carraro (centro), e o reitor Irineu Manoel de Souza

A pró-reitora explicou que, naquele ano, foram criadas frentes de atuação dentro da Prograd, incluindo a formação de uma comissão e a colaboração de especialistas, como a professora Andressa e a técnica em Assuntos Educacionais Juliana Blau. “Essa comissão se dedicou a realizar um diagnóstico detalhado da evasão na universidade, com base em dados do sistema acadêmico. Os resultados foram apresentados à comunidade universitária em um documento público, que serviu como ponto de partida para o trabalho que nos trouxe até aqui”, ressaltou.

Segundo Dilceanne, duas frentes de trabalho foram estruturadas a partir desse diagnóstico. A primeira foi a criação de um sistema de acompanhamento atualizado, com dados abertos à comunidade por meio do Observatório UFSC. A segunda frente foi a elaboração da minuta da política institucional de combate à evasão, coordenada pela Prograd, com colaboração dos centros de ensino e das coordenações de curso. “A política prevê uma atuação integrada, com atribuições bem definidas para diferentes setores da universidade, como a PRAE e a Proafe, que já desenvolvem ações voltadas à permanência estudantil”, afirmou, ressaltando que o objetivo é não apenas monitorar os dados, mas também buscar e apoiar os estudantes de forma mais ativa.

Dilceanne frisou ainda que a minuta será disponibilizada para consulta pública e contribuições. “Queremos que essa política vá além de uma medida administrativa. Nosso objetivo é que seja um esforço coletivo envolvendo todos os setores, para enfrentarmos um dos maiores desafios da universidade”, concluiu.

O reitor Irineu reforçou a relevância do evento, destacando que a política de combate à evasão é uma prioridade para a gestão atual e faz parte do projeto de desenvolvimento institucional. “Este é um marco importante para a universidade. A evasão é um problema enfrentado por instituições no mundo inteiro, mas nossa missão é reduzi-lo e fortalecer a permanência dos nossos estudantes”, afirmou. Ele elogiou o trabalho das comissões lideradas pelas professoras Andressa e Dilceanne e enfatizou a importância de garantir que todas as vagas públicas sejam preenchidas. “Neste ano, tivemos apenas nove vagas não ocupadas no vestibular, o que reflete nosso esforço em garantir o acesso. Agora, nosso foco é aprimorar as estratégias de retenção e permanência”, declarou.

Irineu também anunciou a criação de funções específicas que atuarão em parceria com as coordenações de curso e a Prograd. “Essa estrutura será um diferencial para a UFSC. Não conhecemos outra universidade que tenha algo semelhante. É um esforço coletivo que envolve a Prograd e diversos outros setores institucionais”, destacou.

O reitor acrescentou que a proposta será submetida ao Conselho Universitário e demonstrou confiança em sua aprovação. “Estamos certos de que essa será uma política transformadora para a UFSC, fortalecendo nossa capacidade de garantir a permanência e o sucesso acadêmico dos nossos estudantes”, finalizou.

A professora Andressa iniciou sua fala ressaltando sua experiência como pesquisadora em evasão e o convite recebido para colaborar com a UFSC nesse tema. “Fui convidada para contribuir com um diagnóstico quantitativo sobre a evasão na universidade, que apresentamos no ano passado e no início deste ano”, explicou. Ela destacou que o foco atual é a elaboração de uma política de combate à evasão, que ao final da sua apresentação, a minuta será submetida à consulta pública.

Andressa enfatizou que a política foi elaborada por uma comissão interdisciplinar composta por estudantes, técnicos e professores, que trabalharam de forma colaborativa por sete meses. “Foi um esforço coletivo para criar uma estrutura que pudesse liderar as discussões sobre evasão e, principalmente, implementar ações de busca ativa de estudantes, que é a essência dessa política”, explicou. Ela reforçou que a evasão é um fenômeno complexo e multifatorial, sendo um desafio enfrentado por instituições em todo o mundo. “Não existe uma solução única. Cada universidade precisa construir estratégias que respeitem seu contexto. A evasão é mais do que uma questão acadêmica; ela representa a interrupção de um sonho, a perda de um investimento pessoal e um obstáculo para o futuro do estudante”, disse.

Andressa Sasaki Vasques Pacheco, professora da UFSC e assessora de Acompanhamento de Evasão, Permanência e Egressos

A professora detalhou que a política propõe a criação de um setor central vinculado à Prograd, responsável pela coordenação estratégica, e setores locais em cada centro de ensino. “Esses setores locais atuarão diretamente na busca ativa, no acompanhamento dos estudantes e no encaminhamento de suas demandas. A descentralização é essencial para respeitar as especificidades de cada centro de ensino”, afirmou. Andressa também destacou que a política será guiada por dados, com o desenvolvimento de sistemas e dashboards que permitirão monitorar indicadores de evasão e permanência em tempo real. “Essas ferramentas já estão disponíveis no Observatório UFSC, permitindo que gestores e coordenadores tomem decisões mais informadas”, disse.

Sobre os próximos passos, Andressa convidou a comunidade universitária a participar da consulta pública. “Queremos ouvir sugestões para aprimorar a política. Nossa proposta é que a política seja continuamente monitorada e avaliada, permitindo ajustes ao longo do tempo”, explicou. Ela concluiu agradecendo aos membros da comissão pelo trabalho realizado e destacou que “a política é fruto de um esforço coletivo para garantir o sucesso acadêmico e a plena afiliação dos estudantes na UFSC”.

A Consulta Pública, aberta nesta data, ficará disponível até o dia 12 de outubro. Participe e contribua com suas sugestões!

Mais informações:

Site: evasao-prograd.ufsc.br

Telefone e WhatsApp: +55 (48) 3721-4868

E-mail: evasao@contato.ufsc.br

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

 

 

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Joana Célia dos Passos: escolas de samba ensinam a história não contada

29/09/2025 13:31

Conasamba 2025 contou com o apoio institucional da UFSC. Fotos: Divulgação

A Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba) promoveu a mesa de debates intitulada “As instituições públicas, a Universidade, os Institutos Federais e o poder público na construção do maior espetáculo da terra — Reunião GT Carnaval do Ministério da Cultura (MinC)”. O evento ocorreu na tarde do último sábado, 27 de setembro de 2025, no Auditório Garapuvu, no Centro de Cultura e Eventos Luiz Carlos Cancellier de Olivo, campus Trindade da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em Florianópolis.

Essa atividade integrou a programação do Congresso Nacional das Escolas de Samba (Conasamba) 2025, realizado entre os dias 26 e 28 de setembro no campus da UFSC. O evento reuniu lideranças do samba, gestores públicos, pesquisadores, estudantes e representantes de escolas de samba de diversas regiões do país. Entre os participantes a vice-reitora da Universidade Joana Célia dos Passos, que ofereceu reflexões sobre o papel das universidades na valorização do samba e do carnaval como patrimônios culturais.

Joana destacou a contribuição de Candeia Filho e Isnard Araújo, que, em 1978, no livro Escola de samba: árvore que esqueceu a raiz, já questionavam o papel dos intelectuais junto às escolas de samba. Segundo os autores, “Os intelectuais que estão vinculados às escolas de samba e que vieram junto com a classe média precisam conhecer os problemas do sambista, respeitar suas características, conhecer suas origens, a fim de que sua contribuição esteja integrada ao meio sem ferir a nossa cultura”. A vice-reitora associou essa reflexão ao significado de a UFSC sediar, pela primeira vez, o Conasamba, ressaltando a necessidade de fortalecer a ligação entre a Universidade e as comunidades que produzem o samba e o carnaval, promovendo um intercâmbio mutuamente enriquecedor.

Joana também analisou o uso do termo “escola” para designar as agremiações carnavalescas, pontuando que essas instituições ensinam “a história que a história não conta”, ao revelar aspectos da sociedade brasileira que frequentemente ficam à margem dos registros oficiais. Ela enfatizou a importância de a UFSC se abrir para esse diálogo, aprendendo com as escolas de samba e reconhecendo o valor cultural, social e histórico que elas representam.

Dando continuidade às discussões iniciadas no Conasamba 2024, que abordou o tema “A Escola de Samba que queremos”, a edição de 2025 foi inspirada no princípio Sankofa, um símbolo ancestral da África Ocidental que propõe olhar para o passado como fonte de aprendizado para construir o futuro. A mesa de debates trouxe reflexões profundas sobre o papel das universidades e dos institutos federais no apoio à pesquisa, formação e inovação relacionadas ao carnaval, além de destacar a importância de articular poder público, cultura e economia criativa para valorizar o samba em seus diversos territórios, indo além das grandes produções do Rio de Janeiro e São Paulo.

As discussões também abordaram questões centrais relacionadas às políticas públicas voltadas ao financiamento, à preservação da memória e à salvaguarda das tradições das escolas de samba, consideradas fundamentais para a manutenção e o fortalecimento desse rico patrimônio cultural. Outro ponto de destaque foi a apresentação de estratégias de cooperação interinstitucional, com o objetivo de qualificar processos, gerar trabalho e renda e promover a sustentabilidade no ciclo do carnaval, reafirmando o compromisso com a valorização das práticas culturais que dão vida a essa manifestação artística singular.

O Conasamba 2025 contou com o apoio institucional da UFSC, da Prefeitura Municipal de Florianópolis, do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), do Governo do Estado, do Ministério da Cultura (MinC) e do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), além do patrocínio do Sebrae.

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
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UFSC apresenta minuta da política de combate à evasão em evento no dia 29

26/09/2025 18:15

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) promoverá, na segunda-feira, 29 de setembro, às 14h, um evento na Sala dos Conselhos, com transmissão ao vivo pelo canal do YouTube da Prograd, para apresentar a minuta da Política Institucional de Combate à Evasão. Essa iniciativa busca estabelecer diretrizes, responsabilidades e ações abrangentes voltadas à prevenção, ao acompanhamento e ao apoio à permanência estudantil, além de enfrentar os desafios relacionados à evasão universitária. A organização do evento está a cargo da Assessoria de Acompanhamento de Evasão, Permanência e Egressos, vinculada à Pró-Reitoria de Graduação e Educação Básica (Prograd).

A evasão acadêmica é um problema com impactos econômicos e sociais significativos, e a UFSC, consciente da gravidade desse fenômeno, tem monitorado de perto seu avanço, especialmente diante do crescimento registrado nas últimas duas décadas. A atual gestão da Universidade tem se dedicado ativamente a desenvolver estratégias que reduzam os prejuízos ocasionados pela evasão, buscando mitigar seus efeitos tanto para a instituição quanto para a sociedade.

Durante o evento, será apresentada a minuta da política institucional, com destaque para seus eixos estruturantes e o cronograma de implementação. Também serão explicadas as formas de participação da comunidade acadêmica na consulta pública que será aberta logo após a apresentação. Durante essa etapa, a comunidade poderá enviar sugestões e contribuições para o aprimoramento da política. As informações detalhadas sobre acesso, prazos e procedimentos serão fornecidas no evento e divulgadas pelos canais institucionais.

A participação ativa de todos e todas é essencial para o fortalecimento coletivo da política institucional e para impulsionar ações mais eficazes no combate à evasão, contribuindo diretamente para o desenvolvimento e a consolidação de uma universidade mais inclusiva e comprometida com a permanência estudantil.

Mais informações no site: evasao-prograd.ufsc.br

 

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UFSC no rol de homenageados na Alesc pelos 60 anos do profissional de Administração

25/09/2025 12:14

A servidora da UFSC e administradora Camila Pagani (2ª à esq.) representou a Universidade na homenagem aos 60 anos do profissional de Administração. Foto: Agência AL

Em celebração aos 60 anos da regulamentação da profissão de Administração no Brasil, a Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) realizou, na noite desta quarta-feira, 24 de setembro de 2025, um Ato Parlamentar Solene proposto pelo deputado estadual Rodrigo Minotto (PDT), que reuniu autoridades, profissionais e representantes da sociedade civil. A programação incluiu homenagens a personalidades e instituições, entre elas o Conselho Regional de Administração de Santa Catarina (CRA-SC) e a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Na abertura foi exibido um vídeo institucional que, nas palavras de apresentação, lembrou que “a administração está presente em praticamente todos os momentos do nosso dia”, enfatizando o papel do profissional que “lidera, transforma e inspira” e que, “a cada estratégia e a cada conquista”, faz a diferença. O material contextualizou o marco legal de 9 de setembro de 1965, quando a Lei nº 4.769 “cria os Conselhos Federal e Regionais de Administração”, definindo a profissão e seu sistema de fiscalização.

Administrador por formação, Minotto sublinhou que a homenagem “tem um significado ainda mais especial” por reafirmar a importância da Administração “para o desenvolvimento do nosso país, do nosso estado e do nosso município”. Destacou que, hoje, o administrador “é muito mais do que um gestor de recursos”: é “um articulador de soluções, um promotor de sustentabilidade e um líder capaz de inspirar equipes e gerar um impacto social positivo”. Ao citar o ecossistema catarinense, valorizou a formação de excelência, “com destaque para a ESAG”, e concluiu reafirmando o compromisso com “uma administração pública mais eficiente, com empresas mais éticas e inovadoras e com uma sociedade mais justa, organizada e participativa”.

O contexto histórico do ensino de Administração no Brasil também foi resgatado no plenário. Em referência às origens, registrou-se que a necessidade de mão-de-obra qualificada e a profissionalização do ensino ganharam força a partir da década de 1940, em consonância com o processo de industrialização iniciado nos anos 1930. Os primeiros resultados institucionais ocorreram em 1945, com a criação dos cursos universitários de Ciências Contábeis e Ciências Econômicas, quando “as atividades de direção e orientação […] haviam atingido um nível de maior complexidade”, exigindo formação especializada. Ressaltaram-se, ainda, os papéis da Fundação Getúlio Vargas e da FEA-USP, cuja atuação “marcou o ensino e a pesquisa de temas econômicos e administrativos” e influenciou a posterior expansão dos cursos de Administração. Nesse percurso, a Lei nº 4.769/65, ao tornar o exercício “privativo dos bacharéis em Administração Pública ou de Empresas”, ampliou o campo de trabalho e consolidou a identidade profissional.

Camila Pagani, servidora da UFSC. Foto: Divulgação

Na etapa de homenagens, entre os agraciados esteve a UFSC, representada pela servidora e administradora Camila Pagani, que recebeu a distinção em nome do reitor, Irineu Manoel de Souza. Falando em nome dos homenageados, a ex-presidente do CRA-SC (1989–1993), Evanir Dário rendeu tributos às lideranças históricas e às entidades formadoras. Evanir rememorou o movimento que antecedeu a regulamentação, desde a década de 1930, citando a atuação do Departamento de Administração Pública, da FGV, da Escola Nacional de Administração Pública e da Associação Brasileira dos Técnicos de Administração, até a promulgação da Lei nº 4.769, cujo relatório no Congresso, como lembrou, foi do “eminente professor baiano Alberto Guerreiro Ramos”.

Ao tratar da história catarinense, Evanir situou a criação do CRA-SC como fruto de uma mobilização que envolveu “universidades, professores, administradores e alunos”, destacando a sessão solene no Palácio Cruz e Sousa, no fim de 1982, que “dava a consolidação da criação do Conselho Regional de Administração de Santa Catarina”. Em tom de memória e gratidão, citou nomes pioneiros, sublinhando a dedicação de quem “arregimentava as fichas de inscrição” quando Santa Catarina ainda estava vinculada ao estado do Paraná.

Evanir também destacou o papel dos professores formados em programas de pós-graduação e convênios — “FGV no Rio de Janeiro e também os Estados Unidos, no acordo MEC–USAID” — que retornaram para fortalecer a docência e a pesquisa nas universidades catarinenses. Evidenciou contribuições técnicas relevantes, como a construção de agendas dos Fóruns Internacionais de Administração, discutindo “o que era o Mercosul e a integração da Latino-América” e, depois, “alianças estratégicas: construindo a sociedade do futuro”.

Sobre o presente e o futuro da profissão, Evanir sinalizou a amplitude do sistema — “mais de 500 mil administradores” registrados e “quase 2 milhões” de estudantes em cursos ligados à área — e elencou desafios contemporâneos: “o ritmo acelerado das mudanças tecnológicas”, o “ambiente globalizado e instável”, a “responsabilidade social e corporativa”, a “pressão por inovação” e a busca do “equilíbrio entre a valorização do capital humano e o uso da tecnologia”. Em tom de princípio, reafirmou valores “que não podemos esquecer no exercício do dia a dia”: ética, honestidade, responsabilidade, dedicação, comprometimento e transparência — aos quais “acrescentaria ainda a capacitação constante”.

Assista à homenagem na íntegra:

 

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Academia Catarinense de Ciências Agronômicas empossa professora da UFSC Rosete Pescador

24/09/2025 12:08

Rosete Pescador, professora da UFSC. Foto: Divulgação

A professora Rosete Pescador, do Centro de Ciências Agrárias (CCA) e diretora de Pós-Graduação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), será empossada na Academia Catarinense de Ciências Agronômicas (ACCA) em cerimônia marcada para a tarde de 26 de setembro, no auditório da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), em Florianópolis.

Ao assumir a Cadeira de número 11 da ACCA, a segunda academia científica estadual dedicada à Agronomia no Brasil, a professora Rosete reafirmou seu “compromisso com a ciência, com a formação de profissionais de excelência e com a construção de uma agricultura mais justa, sustentável e inovadora para Santa Catarina e o Brasil”.

Fundada em 2024, a ACCA tem como objetivo integrar ciência e inovação ao desenvolvimento agropecuário catarinense. Entre suas metas, destacam-se o aumento da produtividade de forma sustentável, a promoção do uso racional de insumos, o fortalecimento da organização social rural e a contribuição para a segurança alimentar.

Para a professora Rosete, “a criação da ACCA representa um avanço institucional para a área em Santa Catarina, fortalecendo redes de ciência e inovação no setor agropecuário e incentivando iniciativas semelhantes em outros estados”. Ela também destaca que, no contexto histórico da ciência catarinense, “a criação da UFSC, em 1960, e da Academia Catarinense de Ciências, em 1975, foram marcos fundamentais para consolidar um ambiente propício à formação de gerações de pesquisadores e à promoção da cooperação interdisciplinar”.

Rosete ressalta ainda os desafios enfrentados pelas academias científicas na contemporaneidade, como sustentabilidade, transformação digital, financiamento e inclusão social. Para ela, essas questões são cruciais para atender às demandas de uma agricultura moderna, alinhada às necessidades da sociedade e do meio ambiente.

Trajetória profissional

Rosete Pescador é uma destacada especialista em Agronomia e Fitotecnia no Brasil, com uma trajetória acadêmica e de pesquisa de relevante impacto, especialmente nas áreas de fisiologia vegetal, biotecnologia e conservação de recursos genéticos. Atualmente, integra o corpo docente do Programa de Pós-Graduação em Recursos Genéticos Vegetais e do curso de Agronomia no Departamento de Fitotecnia do CCA da UFSC, e atua como Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq – Nível 2.

Graduada em Agronomia pela UFSC em 1990, Rosete concluiu o mestrado em Fitotecnia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em 1993, com uma pesquisa inovadora sobre o cultivo in vitro de embriões de Laranjeira Cipó (Citrus sinensis Osb.) e padrões isoenzimáticos. Em 2004, obteve o doutorado em Ciências Biológicas (Botânica) pela Universidade de São Paulo (USP), investigando embriogênese, hormônios, aminoácidos e carboidratos. Sua carreira docente teve início na Fundação Universidade Regional de Blumenau (FURB), onde atuou por 16 anos (1995-2010), ministrando disciplinas em Fisiologia e Biotecnologia Vegetal, além de colaborar com o Programa de Pós-Graduação em Engenharia Ambiental. Na UFSC, também exerceu a função de diretora do CCA entre 2021 e 2024 e leciona disciplinas como Sementes nos cursos de Agronomia e Zootecnia.

Sua produção científica é centrada na fisiologia do crescimento e desenvolvimento vegetal, com ênfase na propagação in vitro, criopreservação de recursos genéticos e estudos sobre fotossíntese. Suas linhas de pesquisa incluem desenvolvimento vegetal, morfogênese in vitro, embriogênese, organogênese e cultura de tecidos. Entre os projetos de maior relevância que coordena, destacam-se iniciativas voltadas à conservação de espécies nativas da Mata Atlântica, como orquídeas e bromélias, por meio de protocolos de micropropagação massal e criopreservação. Desde 2014, lidera também projetos que desenvolvem tecnologias sustentáveis para a cadeia produtiva do bambu no sul do Brasil. Sua pesquisa explora ainda o papel dos carboidratos em espécies tropicais como moduladores de processos fisiológicos e indicadores de respostas a estresses ambientais. Outros projetos notáveis incluem a quantificação de carbono em biomassa arbórea e a recuperação de ambientes fluviais na bacia do Rio Itajaí-Açu.

Além de sua contribuição à pesquisa, Rosete colabora como revisora de artigos para importantes periódicos nacionais, como a Revista Brasileira de Fruticultura e a Pesquisa Agropecuária Brasileira. Sua atuação acadêmica abrange áreas como Fisiologia de Plantas Cultivadas, Produção de Mudas, Crescimento e Desenvolvimento Vegetal, e Anatomia Vegetal. Dedicada à formação de novos profissionais, recebeu homenagens significativas de formandos em Agronomia, sendo escolhida como Paraninfa em 2012 e Nome de Turma em 2011, evidenciando seu compromisso com o ensino e o desenvolvimento de talentos na área.

ACCA

A ACCA é uma entidade civil de direito privado, sem fins lucrativos, voltada ao desenvolvimento e progresso da Agronomia e da Engenharia Agronômica no estado. Por meio de eventos, publicações, projetos de pesquisa e outras iniciativas voltadas ao fortalecimento do setor, a academia congrega profissionais, acadêmicos, entidades e instituições do setor.

Entre seus compromissos estão:
• atuar em parceria com instituições de ensino superior, pesquisa científica e tecnológica, extensão rural, conselhos profissionais, entidades de classe e órgãos governamentais;
• promover, preservar, divulgar e publicar produções técnico-científicas de seus acadêmicos;
• organizar e apoiar eventos que ampliem o nível de conhecimento e inovação dos engenheiros agrônomos;
• incentivar o aperfeiçoamento do ensino agronômico e a preservação da memória dos profissionais que marcaram a história da Agronomia catarinense.

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
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