Hospital Universitário: patrimônio da UFSC, do SUS e da sociedade catarinense

23/07/2026 13:27

Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU-UFSC). Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

O Hospital Universitário (HU) carrega o nome do professor Polydoro Ernani de São Thiago, médico e escritor (1909-1999) que ajudou a fundar a faculdade de Medicina da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), além de ter inaugurado e sido primeiro diretor do HU – um projeto que ele próprio definia como a maior realização de sua vida. Inaugurado em 2 de maio de 1980, o HU consolidou-se como patrimônio da UFSC, do Sistema Único de Saúde (SUS) e da sociedade catarinense, oferecendo atendimento público, gratuito, humanizado e de elevada qualidade técnica.

Mais de quatro décadas depois, permanece como o único hospital universitário federal de Santa Catarina. Diariamente, atende moradores da Grande Florianópolis, pacientes de todas as regiões do estado e também turistas e visitantes. Sua estrutura contempla os três níveis de atenção à saúde — básica, média e alta complexidade — reunindo ambulatórios especializados, emergências adulto, pediátrica e ginecológico-obstétrica, além de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) para adultos e neonatal. Além da assistência hospitalar de referência, o HU desempenha papel estratégico na formação de profissionais da saúde, integrando ensino, pesquisa e extensão.

Desde dezembro de 2015, a administração do hospital está a cargo da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), atualmente denominada HU Brasil e vinculada ao Ministério da Educação (MEC). Embora a gestão assistencial seja exercida pela empresa pública, o hospital permanece academicamente vinculado à UFSC e continua prestando atendimento exclusivamente pelo SUS. Essa dupla identidade — assistencial e acadêmica — orientou o processo de renovação do contrato entre a universidade e a estatal, cuja vigência se encerrou em março deste ano.

Avaliação da primeira década de gestão

As discussões sobre a renovação do contrato tiveram início ainda em 2023, quando a UFSC instituiu uma comissão para avaliar os dez anos de gestão da Ebserh no hospital. O grupo reuniu representantes da Reitoria, do Centro de Ciências da Saúde (CCS), do próprio HU e de entidades representativas da comunidade universitária, como o Sindicato dos Professores das Universidades Federais de Santa Catarina (Apufsc-Sindical), o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da UFSC (Sintufsc), o Diretório Central dos Estudantes (DCE) e a Associação de Pós-Graduandos (APG).

O relatório final da comissão, entregue em novembro de 2025, apresentou 16 recomendações destinadas a aperfeiçoar a gestão do hospital. Entre elas estavam a manutenção da emergência pediátrica, a criação de um conselho superior do HU e a realização de consulta prévia à comunidade universitária para a escolha do(a) superintendente.

Com base nesse diagnóstico e diante de duas propostas apresentadas pela Ebserh, a universidade optou por ampliar a participação da comunidade na definição do novo contrato. Neste sentido, em março deste ano, o contato foi prorrogado por mais quatro meses com o objetivo de “assegurar um debate responsável, transparente e aprofundado sobre o futuro da gestão do HU”, conforme afirmou a Administração Central da UFSC em nota. A decisão também levou em conta o fato de estar em curso o processo eleitoral para a Reitoria.

Entre os dias 6 e 15 de maio de 2026, a UFSC promoveu consulta pública por meio da Plataforma Brasil Participativo, e, na sequência, em 21 de maio, realizou audiência pública com a participação de trabalhadores do hospital, estudantes, servidores e representantes sindicais. As contribuições recebidas subsidiaram a elaboração de uma nova minuta contratual, que passou a prever, entre outros pontos, a vinculação da atuação da empresa aos planos de ensino da instituição, a retirada da obrigatoriedade de adesão ao Exame Nacional de Residência (Enare) e maior autonomia da universidade sobre os servidores do Regime Jurídico Único (RJU) lotados no hospital.

Deliberação do Conselho Universitário

Em 30 de junho, o Conselho Universitário (CUn) aprovou parecer favorável à continuidade das negociações, estabelecendo dez diretrizes institucionais que deveriam orientar a celebração do novo contrato. Na ocasião, o relator do processo, conselheiro Rui Daniel Schroder Prediger, classificou a matéria como uma das mais relevantes já apreciadas pelo colegiado e reafirmou o Hospital Universitário como patrimônio da UFSC, do SUS e da sociedade catarinense.

A negociação avançou com o envio, em 7 de julho, de contraproposta da HU Brasil. O documento foi analisado pelo CUn na sessão realizada em 14 de julho. Em seu parecer, Rui Daniel concluiu que a contraproposta representava um avanço em relação às negociações anteriores, embora ainda exigisse ressalvas e condicionantes para a execução do futuro contrato. Segundo o relator, a renovação do acordo, por si só, não seria suficiente para atender plenamente todos os pontos considerados estratégicos pela universidade.

O parecer também esclareceu que a sessão não tinha como finalidade rediscutir a conveniência política da renovação contratual. Essa etapa havia sido superada na reunião de 30 de junho, quando o Conselho autorizou a continuidade das negociações após um processo de avaliação institucional desenvolvido ao longo de dois anos. Na ocasião, também foram aprovadas as dez diretrizes que passariam a orientar a celebração e a execução do novo contrato.

A análise concentrou-se, portanto, em verificar em que medida a contraproposta incorporava essas diretrizes. Segundo o relator, nem todas precisariam estar expressamente previstas no texto contratual para produzir efeitos, já que muitas possuem natureza gerencial, estratégica e de governança, podendo ser implementadas por meio do Plano Diretor Estratégico (PDE), de atos administrativos da UFSC e de mecanismos permanentes de acompanhamento e avaliação.

Esse entendimento foi corroborado pela Procuradoria Federal junto à UFSC, que não identificou impedimentos jurídicos para a celebração do novo contrato e apontou que diversos aspectos levantados pelo CUn deveriam ser tratados durante sua execução, especialmente no âmbito da governança, da gestão de riscos e do monitoramento institucional.

Diretrizes incorporadas

Na análise das dez diretrizes aprovadas pelo Conselho Universitário, o parecer concluiu que apenas a relacionada ao fortalecimento da pesquisa, da inovação e da extensão foi plenamente contemplada pela contraproposta da HU Brasil. As demais foram consideradas parcialmente atendidas, abrangendo aspectos como a preservação da identidade acadêmica do hospital, o fortalecimento da governança compartilhada, a criação de indicadores acadêmicos e de gestão, a integração permanente entre hospital e universidade, a valorização da preceptoria, a transparência ativa, a avaliação periódica da execução contratual e a consolidação de uma cultura permanente de avaliação institucional.

Para o relator, a nova minuta incorporou elementos essenciais dessas diretrizes ao reafirmar o HU-UFSC como hospital-escola e órgão suplementar da Universidade. Ainda assim, ressaltou que o êxito da nova etapa dependerá menos da redação do contrato e mais da forma como ele será executado.

Nesse contexto, o documento defende o fortalecimento de uma governança compartilhada entre UFSC e HU Brasil, com a criação de instâncias permanentes de diálogo e acompanhamento. Também recomenda a adoção de indicadores que contemplem não apenas os resultados assistenciais, mas igualmente o desempenho acadêmico e científico do hospital, além da ampliação da transparência sobre dados assistenciais, administrativos, financeiros e de gestão.

O parecer também propõe que a Reitoria institua mecanismos permanentes de acompanhamento da execução contratual, com participação das estruturas acadêmicas e de representantes dos estudantes, dos técnicos-administrativos, dos docentes e dos usuários do hospital. Outra recomendação é que o PDE incorpore indicadores relacionados ao ensino, à pesquisa, à extensão, à inovação, às residências, à preceptoria, à força de trabalho, à transparência e à integração institucional.

Aprovação do parecer

Durante a sessão do CUn realizada em 14 de julho, o reitor da UFSC Amir de Oliveira, que presidiu os trabalhos, destacou que o objetivo da reunião era analisar exclusivamente a resposta apresentada pela HU Brasil às exigências formuladas pela Universidade, e não reabrir a discussão sobre a conveniência da renovação contratual.

Ao final da votação, o parecer foi aprovado pelo colegiado por 33 votos favoráveis e 25 contrários. “Esta sessão do Conselho Universitário trata de uma decisão de grande relevância institucional para a UFSC e para o Hospital Universitário. Estamos diante de um tema sensível, que envolve a continuidade das atividades assistenciais, acadêmicas, de ensino, pesquisa, extensão e formação em saúde”, ressaltou o reitor.

Amir enfatizou ainda que a aprovação do parecer não representa o encerramento das responsabilidades da Universidade. Pelo contrário, segundo ele, inaugura uma nova fase, na qual caberá à UFSC acompanhar de forma permanente a execução do contrato, fortalecer os mecanismos de governança e assegurar a participação da comunidade universitária nesse processo.

A vice-reitora Felipa Amadigi também destacou que a decisão do CUn representa um marco para a instituição e reforçou que “o Hospital Universitário é e sempre será Universidade Federal de Santa Catarina”. Felipa observou ainda que, ao longo dos últimos anos, deixaram de ser implementadas ações de governança consideradas essenciais para o fortalecimento institucional do hospital, mesmo durante o período de gestão da Ebserh.

A vice-reitora afirmou que a Administração Central pretende promover mudanças por meio da nova superintendência, com a criação e articulação de instâncias permanentes de avaliação e consulta, além da construção participativa do PDE. Informou também que o parecer aprovado já autoriza a assinatura do novo contrato e a implementação dos encaminhamentos definidos pelo colegiado. Acrescentou ainda que a gestão adotaria as providências necessárias para viabilizar uma eventual prorrogação de 60 dias nas negociações, conforme sugestão apresentada pelo conselheiro Fabrício de Souza Neves. No entanto, a HU Brasil não concedeu essa extensão de prazo.

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Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
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Conselho Universitário aprova parecer e UFSC irá renovar contrato com a Ebserh

15/07/2026 09:21

O Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aprovou o parecer do relator e irá renovar o contrato entre a UFSC e a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (HU Brasil). Desta forma, o Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago (HU UFSC) permanece com gestão e financiamento pela empresa ligada ao Ministério da Educação por mais 20 anos. O prazo de vigência do atual Contrato Especial de Gestão encerra nesta quarta-feira, 15 de julho. A aprovação ocorreu em sessão extraordinária, aberta ao público, na tarde desta terça-feira, 14 de julho.

Acompanhe como foi a sessão:

O CUn havia aprovado uma minuta contratual enviada pela Administração Central, acompanhada das Diretrizes Institucionais aprovadas, formalizando a posição institucional construída pela UFSC ao longo de processo participativo que envolveu Comissão de Avaliação, consulta pública, audiência pública, debates no Conselho Universitário, entre outras contribuições.

Sessão foi aberta ao público. Foto: Gustavo Diehl/Agecom.

A HU Brasil encaminhou no dia 7 de julho uma nova versão da minuta do Contrato Especial de Gestão, apresentando suas considerações sobre as alterações propostas pela Universidade e informando quais sugestões foram incorporadas ao texto contratual e quais deveriam permanecer disciplinadas por outros instrumentos de gestão, especialmente o Plano Diretor Estratégico (PDE), regulamentos internos e procedimentos próprios da governança corporativa.

Relator Rui Prediger lê o parecer aprovado pelo Conselho. Foto: Gustavo Diehl/Agecom

No entendimento do relator do processo, Rui Daniel Schroder Prediger, “a contraproposta apresentada pela HU Brasil representa avanço em relação às versões anteriormente discutidas, permitindo o prosseguimento das negociações, sem prejuízo da adoção, durante a fase de execução do contrato, das medidas institucionais necessárias para assegurar a plena concretização das Diretrizes aprovadas pelo Conselho Universitário”.

A vice-reitora Felipa Amadigi destacou que, a partir de agora, vai caber à Universidade reafirmar que o HU é e sempre será UFSC: “Passamos por anos em que a nossa Universidade não realizou as atividades de governança que eram necessárias para que o hospital se fortalecesse, apesar da gestão da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares. Esta é a mudança que queremos implementar a partir de novas estruturas, do comitê permanente de avaliação, do comitê consultivo, e da discussão participativa do Plano Diretor Estratégico. É um compromisso com a comunidade universitária”.

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Conselho Universitário delibera sobre renovação do contrato do HU-UFSC com Ebserh

01/07/2026 17:16

O Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) aprovou, em sessão extraordinária realizada nesta terça-feira, 30 de junho, o parecer favorável à continuidade das negociações sobre a renovação do contrato da instituição com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), com a fixação de condicionantes para a discussão em Brasília. A reunião foi aberta à comunidade no Auditório da Reitoria, com transmissão ao vivo pelo canal do CUn no YouTube.

Ao abrir a sessão, o reitor Irineu Manoel de Souza informou que tratava-se de pauta única, solicitada pelo Gabinete da Reitoria (GR), e relatoria do conselheiro Rui Daniel Schroder Prediger. Antes da leitura, o parecerista classificou a matéria como uma das mais relevantes apresentadas pela CUn nos últimos anos. Segundo ele, o Conselho não discutiu apenas a renovação de um contrato administrativo, mas “o futuro de uma das principais estruturas estratégicas da UFSC”. Também ressaltou que o Hospital Universitário Professor Polidoro Hernani de Santiago (HU-UFSC) é “patrimônio da UFSC, do SUS e da sociedade catarinense”.

Em sua exposição, o relator destacou que o processo possui 470 páginas e disse que foi subsidiado pelo trabalho da comissão presidida pelo chefe de Gabinete Bernardo Meyer, responsável por avaliar a gestão dos últimos dez anos, além da organização cronológica deste processo.

O conselheiro Rui Daniel contextualizou que o contrato especial de gestão entre UFSC e Ebserh foi firmado em março de 2016, com vigência original de dez anos. Como esse prazo se encerrou em março de 2026, houve prorrogação administrativa até 15 de julho de 2026 para permitir a conclusão da análise institucional. De acordo com o relator, o tema ultrapassa a dimensão contratual e envolve a definição das bases de integração entre assistência, ensino, pesquisa, extensão e inovação.

O parecer também recupera o histórico do HU, concebido na década de 1980 em articulação com o Centro de Ciências da Saúde (CCS), com atuação exclusivamente vinculada ao Sistema Único de Saúde (SUS). O professor Rui comentou que o hospital exerce papel central na formação prática de residentes e graduandos e lembrou que, no Plano Diretor Estratégico (PDE) de 2024, estipulou-se como meta tornar-se hospital-escola de excelência até 2028.

Ao tratar da Ebserh, o relator lembrou que a empresa foi criada pela Lei nº 12.550/2011, em resposta à crise estrutural dos hospitais universitários. Segundo o parecer, a legislação preservou a autonomia universitária ao tornar facultativa a adesão. Rui Daniel assinalou ainda que, em 2026, a rede passou a adotar a denominação “HU Brasil” e atualmente administra 46 hospitais em 25 unidades da federação.

O relator recordou que a adesão da UFSC à Ebserh foi antecipada por forte controvérsia interna entre 2014 e 2015, episódio que marcou a história da instituição. Conforme descrito, a consulta pública de 2015 registrou 70% de manifestações contrárias à adesão, mas, em 1º de dezembro daquele ano, o CUn apresentou o início das tratativas por 35 votos identificados e dois contrários, em sessão realizada no Colégio da Polícia Militar.

Sobre os trabalhos da Comissão de Avaliação, instituída no final de 2023, Rui Daniel afirmou que houve um processo de escuta institucional que resultou em 16 recomendações. Entre elas, estão a exigência de cláusula de reabertura e manutenção da emergência pediátrica, bem como dos atendimentos de emergência nas áreas básicas; a consulta prévia obrigatória à comunidade para a escolha do superintendente; a oferta de moradia para médicos residentes; e a criação de um órgão consultivo interno, o Conselho Superior do Hospital.

Também integram as recomendações a criação de um site com indicadores de desempenho em tempo real; a inclusão de índices de rotatividade e absenteísmo entre os indicadores monitorados; a penalização da Ebserh em caso de descumprimento contratual; a integração do planejamento assistencial às necessidades de ensino; a priorização de pesquisas cooperativas por profissionais da UFSC; e mecanismos para atração de profissionais em setores com dificuldade de fixação.

Além disso, a comissão recomendou o fortalecimento da Gerência de Ensino e Pesquisa (GEP), o reinventário de bens patrimoniados em nome da UFSC sob guarda da Ebserh, o aprimoramento dos procedimentos de desfazimento de bens móveis, o reforço da fiscalização pela administração universitária, a retomada das negociações sobre o termo de cessão do espaço no campus Trindade e a melhoria da comunicação entre a gestão do HU e os setores acadêmicos.

Na análise da gestão entre 2016 e 2026, o parecer apresentou avanços e fragilidades. Rui Daniel disse que houve “renovação tecnológica expressiva”, com a incorporação de mais de 500 novos equipamentos, entre tomógrafos e angiógrafos. Ele registrou ainda que, em 2023, o hospital alcançou 78,3% de cobertura financeira por receitas próprias e SUS.

Por outro lado, o relator recomendou a subutilização da capacidade instalada. Segundo os dados apresentados, a taxa de ocupação foi de 73,8% em 2023, abaixo da meta de 80%, e houve redução no número de cirurgias, de 4.686 em 2022 para 3.145 em 2023.

No campo acadêmico, o parecer apontou a persistência de divergências sobre as competências do GEP em relação às estruturas da UFSC e o excesso de burocracia para atividades acadêmicas. Rui Daniel destacou que permanece uma tensão entre a busca pela eficiência financeira da Ebserh e a missão universitária, com percepção de priorização de serviços mais rentáveis ​​em detrimento de áreas de maior valor pedagógico.

Ao examinar a minuta de renovação contratual, o relator afirmou que o texto revisado pela comissão reafirma o HU como regulamento suplementar da UFSC, propõe governança compartilhada, retira a obrigatoriedade de adesão ao Exame Nacional de Residência (Enare) e introduz a criação de um órgão colegiado consultivo paritário.

Com base nesse diagnóstico, Rui Daniel apresentou dez diretrizes institucionais para orientar a negociação: preservação da identidade acadêmica e da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão; fortalecimento da governança e do monitoramento anual pelo CUn; desenvolvimento de indicadores acadêmicos e de gestão; integração permanente entre gestão hospitalar e departamentos acadêmicos; fortalecimento da pesquisa, inovação e extensão; valorização da preceptoria; transparência ativa; avaliação periódica com revisão anual no quinto ano; elaboração de cultura permanente de avaliação institucional; e fortalecimento do HU como referência nacional em integração e gestão pública.

Ao final da leitura, o relator apresentou o seu voto: “pela aprovação das diretrizes”, “pelo reconhecimento da minuta revisada como referência”, “pela autorização à Reitoria para negociar em Brasília” e “pela recomendação de prorrogação excepcional de 60 dias”, caso o prazo de 15 de julho fosse insuficiente para os ajustes finais.

Após o debate entre os conselheiros, Rui Daniel agradeceu as contribuições e respondeu aos pontos levantados durante a discussão. Disse que, em relação aos dados, a minuta prevê auditorias independentes custeada pela própria Ebserh. Também afirmou que não encontrou, nos autos, elementos que permitissem apresentar naquele momento um modelo imediato de não adesão. Em seguida, acolheu sugestão de dois conselheiros para alterar a redação do parecer: as “diretrizes” passariam a ser tratadas como “condicionantes fundamentais para a discussão em Brasília”.

Posto em votação, o parecer do relator foi aprovado no colegiado da UFSC por 34 votos favoráveis e 17 contrários.

Leia mais:

Renovação do contrato HU-UFSC e Ebserh (2026)

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UFSC avança no debate sobre contrato com Ebserh, com fortalecimento do hospital‑escola

22/05/2026 10:56

Representantes da Administração Central e de comissão específica conduziram a audiência pública que discutiu com a comunidade a renovação contratual da UFSC com a Ebserh. Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

Em audiência pública na tarde desta quinta-feira, 21 de maio, no Auditório da Reitoria, representantes da Administração Central, de comissão específica, de entidades sindicais, trabalhadores do Hospital Universitário (HU), servidores e estudantes se reuniram para discutir a renovação contratual da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). O contrato foi firmado em 2015 e teve sua vigência prorrogada por 120 dias em março de 2026.

A minuta foi elaborada por comissão designada para analisar a proposta de contratação encaminhada pela Ebserh e produzir relatórios periódicos sobre a gestão da empresa junto ao hospital. A etapa da consulta pública, realizada entre 6 e 15 de maio de 2026, também trouxe subsídios para a versão final do documento, disponibilizada anteriormente para auxiliar os debates na audiência.

O chefe de Gabinete, Bernardo Meyer, acompanhado do reitor Irineu Manoel de Souza, apresentou as principais alterações e inclusões no texto e detalhou o processo de revisão da minuta de renovação do contrato com a Ebserh. Este trabalho foi fruto de quase três anos de discussão e estudos técnicos pela comissão especial e ao final será submetido à deliberação do Conselho Universitário (CUn) antes do encaminhamento oficial à empresa.

O chefe de Gabinete da UFSC, Bernardo Meyer, apresentou as principais alterações e inclusões na minuta de renovação do contrato com a Ebserh

Segundo Meyer, o processo atual rompeu com um ciclo de falta de acompanhamento da gestão no HU. “Ao longo de todo o período de vigência contratual da Ebserh, nunca havia sido feito um trabalho de avaliação de desempenho no Hospital Universitário”, afirmou, destacando que essa foi a missão inicial da comissão criada em 2023.

Após a entrega de um relatório em novembro de 2025, que apontou fragilidades e pontos de melhoria, a Universidade passou a analisar a nova minuta enviada pela Ebserh em fevereiro de 2025. Meyer explicou que o objetivo central da Reitoria foi propor uma redação mais interessante para a instituição, incorporando contribuições da consulta pública e desta audiência.

Um dos pontos centrais da nova proposta é o fortalecimento do HU como unidade acadêmica. Bernardo destacou que a atuação da Ebserh passará a ser condicionada à “ligação com os planos de ensino dos departamentos e cursos correlatos da UFSC”. Além disso, a minuta agora prevê a garantia de recursos específicos para o funcionamento do HU como hospital‑escola, uma demanda recorrente da comunidade universitária.

Entre as principais alterações apresentadas, destacam-se:

Gestão paritária: inclusão da cooperação entre UFSC e Ebserh e reafirmação da autonomia da Universidade na formulação de políticas de ensino;
Pesquisa e extensão: obrigações de destino de recursos especificamente ao incentivo à pesquisa e à extensão;
Residências médicas: remoção da obrigatoriedade de adesão ao Exame Nacional de Residência (Enare) da Ebserh, garantindo maior autonomia à Comissão de Residência Médica (Coreme).

A questão dos servidores vinculados ao Regime Jurídico Único (RJU) foi definida pelo chefe de Gabinete como “bastante polêmica”, resultando em cláusulas que restringem a cessão desses profissionais apenas a cargos comissionados ou funções gratificadas. Foi garantido que “o controle de frequência, a escala dos servidores e o poder disciplinar vai ser exercido tão somente pela UFSC no que diz respeito ao RJU”.

No campo da governança, a minuta propõe a criação de um órgão colegiado consultivo com representação de estudantes e usuários do hospital. Outro avanço foi a possibilidade de que a “escolha do superintendente possa ser precedida por consulta prévia regulamentada no âmbito da UFSC”.

Meyer ainda explicou que a revisão contratual, prevista para ocorrer a cada quatro anos, exigiria um relatório de auditoria independente custeado pela Ebserh. Além disso, os relatórios quadrienais deverão ser submetidos à aprovação do CUn e os planos anuais da estatal deverão ser apresentados ao CUn sempre no mês de março.

Ao final da apresentação, foram abertas as inscrições para as falas dos participantes. Neste sentido, toda contribuição foi registrada e, no que couber, fará parte da minuta de renovação contratual.

Ao avaliar a audiência, o reitor afirmou que “as reflexões discutidas foram muito importantes para aprofundar os estudos, sintetizar aprendizados, ampliar o escopo de trabalho e promover uma divulgação mais ampla à comunidade universitária”. Irineu reiterou sua confiança de que “teremos condições de avançar bastante” em relação ao que foi feito até aqui e reforçou que as contribuições recebidas serão aproveitadas para futuros encaminhamentos institucionais, deixando claro que o processo participativo segue aberto a novas colaborações.

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
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Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

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Audiência Pública sobre renovação contratual entre HU/UFSC e Ebserh será nesta quinta, às 14h

19/05/2026 15:58

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realizará, nesta quinta‑feira, 21 de maio, a partir das 14h, uma audiência pública no Auditório da Reitoria para apresentar à comunidade a minuta de renovação do contrato com a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), atualmente denominada HU Brasil. A participação será exclusivamente presencial. A participação coletiva assegura a transparência do processo e permite que as contribuições da comunidade qualifiquem o documento final.

O instrumento, elaborado pela Comissão designada para acompanhar metas, indicadores e prazos de execução, é essencial para definir as diretrizes de assistência, ensino e pesquisa no âmbito do Hospital Universitário.

Confira a Minuta de Contrato.

Firmado originalmente em 2015, o contrato teve sua vigência prorrogada por 120 dias em março de 2026. Compete à Comissão, além do acompanhamento de metas, analisar a proposta de contratação encaminhada pela HU Brasil/Ebserh e elaborar relatórios periódicos sobre a gestão da empresa junto ao Hospital Universitário.

Consulta pública 

Foi aberta consulta pública entre os dias 6 e 15 de maio para as contribuições da comunidade universitária e da sociedade, que serviram de base para a versão final da minuta que será encaminhada, posteriormente, à Reitoria.

Últimas etapas

  • 25/5: Última reunião da Comissão.
  • 27/5: Data final para envio da minuta à Reitoria da UFSC.

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