UFSC inaugura Sistema Agrifotovoltaico para integrar produção de alimentos e energia solar

15/10/2025 10:30

Inauguração do Sistema Agrivoltaico instalado no Laboratório de Energia Solar Fotovoltaica da UFSC. Fotos: divulgação

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) inaugurou, na tarde de 14 de outubro, o Sistema Agrifotovoltaico instalado no Laboratório de Energia Solar Fotovoltaica, no Sapiens Parque, em Florianópolis. Participaram do evento o reitor, Irineu Manoel de Souza; o superintendente de Projetos da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (Propesq), William Gerson Matias; o professor Ricardo Rüther, e a pesquisadora Marília Braga, do laboratório. A nova infraestrutura é considerada um marco para a pesquisa em energia solar na instituição e um passo decisivo na transição para um modelo energético mais sustentável e eficiente, alinhado às demandas da sociedade.

Desenvolvido em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), o sistema integra, no mesmo terreno, a geração de eletricidade por meio de painéis solares e a produção agrícola. O objetivo é avaliar a viabilidade técnica, econômica e ambiental dessa combinação, utilizando áreas tradicionalmente dedicadas ao cultivo para também abrigar placas fotovoltaicas – seja em estruturas elevadas sobre as plantações, seja em cercas solares. Com isso, busca-se ampliar o aproveitamento do solo, produzir energia limpa e manter a eficiência produtiva das lavouras.

As pesquisas contemplam o teste de diferentes espécies vegetais para identificar aquelas que melhor se adaptam à redução parcial da incidência direta de luz, sem perdas significativas de produtividade. Serão analisadas configurações de sombreamento, distanciamento e altura dos painéis, com o propósito de maximizar simultaneamente a geração de energia e o rendimento agrícola. A Epagri é responsável pela condução das atividades relacionadas às culturas, enquanto a UFSC lidera o desenvolvimento, a implementação e a avaliação das soluções fotovoltaicas.

O projeto conta com financiamento da Repsol Sinopec, empresa espanhola do setor de energia, e o apoio de outras instituições parceiras. Entre os potenciais benefícios esperados estão o aumento da produtividade do solo por meio do uso múltiplo da terra, a otimização de recursos naturais, a redução de impactos ambientais e o fortalecimento da resiliência do campo frente às mudanças climáticas, com ganhos de segurança energética.

Para o reitor Irineu Manoel de Souza, o sistema agrivoltaico “inaugura uma fronteira tecnológica estratégica, porque permite o uso simultâneo da terra para alimento e energia”. Segundo ele, a integração entre produção agrícola e geração solar amplia a produtividade, otimiza recursos e fortalece a resposta às mudanças climáticas: “Produzimos mais e melhor, com menor impacto ambiental e maior segurança energética.” Ao destacar a trajetória da UFSC na área, o reitor afirmou que a iniciativa reforça a capacidade de inovar e de responder aos desafios da transição energética, ao mesmo tempo em que reafirma a soberania alimentar, valoriza o trabalho no campo e protege o meio ambiente. “Que este espaço seja fértil em ideias, resultados e parcerias, e que daqui surjam pesquisas, protótipos e políticas de referência para Santa Catarina e para o Brasil”, disse.

 

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Rede de pesquisa em ciências forenses: UFSC firma cooperação com perícia do estado

06/10/2025 16:34

Representantes da UFSC e da Polícia Científica de SC participaram da assinatura de Acordo de Cooperação entre as instituições. Fotos: DI-GR/SECOM

Na tarde desta segunda-feira, 6 de outubro, a vice-reitora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Joana Célia dos Passos, e a perita-geral da Polícia Científica de Santa Catarina (PCISC), Andressa Boer Fronza, reuniram-se no Gabinete da Reitoria para formalizar o Acordo de Cooperação Técnica (ACT) vinculado à Rede Catarinense de Pesquisa em Ciências Forenses. O encontro, iniciado às 14h, marcou uma importante parceria estratégica entre a universidade e a perícia oficial do Estado.

Além das representantes das duas instituições, participaram do ato o superintendente de projetos da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (Propesq), William Gerson Matias, membros da PCISC e professores das áreas de Química, Farmácia e Geologia da UFSC, diretamente envolvidos na Rede.

A Rede Catarinense de Pesquisa em Ciências Forenses reúne atualmente 19 pesquisadores da UFSC e diversos peritos da Polícia Científica de Santa Catarina que atuam de forma integrada em ações de pesquisa, ensino e extensão. Suas frentes abrangem múltiplas áreas do conhecimento, incluindo Enfermagem, Química, Toxicologia, Geologia, Inteligência Artificial, Entomologia Forense, Genética Forense, entre outras, refletindo o caráter interdisciplinar das atividades desenvolvidas.

O acordo assinado nesta segunda-feira é o primeiro de seis ACTs previstos para viabilizar projetos distribuídos por todas essas áreas, fortalecendo a atuação coordenada e colaborativa dos grupos que compõem a Rede, cujas informações podem ser encontradas no site https://forense.ufsc.br/.

A cooperação interinstitucional viabiliza o projeto intitulado “Vestígios encontrados em locais de crime: desenvolvimento e aplicação de novas estratégias analíticas e suas implicações nas Políticas Públicas e Legislativas”, que terá duração de 60 meses. A iniciativa busca aprimorar métodos nas áreas de química e toxicologia forense aplicados aos vestígios coletados pela PCISC, além de fomentar debates sobre saúde pública e o Sistema Nacional de Políticas sobre Drogas (Lei nº 11.343/2006).

A proposta combina teoria e prática, fortalecendo a pesquisa aplicada e qualificando a atuação pericial. Entre os objetivos estão o desenvolvimento de metodologias para identificação e quantificação de substâncias de interesse forense, criação de ferramentas de análise multivariada para certificação de produtos, produção de padrões analíticos secundários, estudos epidemiológicos baseados em dados forenses e capacitação continuada de servidores. Além disso, promove ações educativas sobre o uso indevido de substâncias psicoativas e políticas de redução de danos, estimulando um debate crítico sobre a legislação vigente.

Os resultados passíveis de proteção intelectual serão compartilhados igualmente entre a PCISC e a UFSC, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD, Lei nº 13.709/2018) e a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011), garantindo sigilo sobre informações sensíveis. Com essa parceria, as duas instituições consolidam a Rede Catarinense de Pesquisa em Ciências Forenses, promovendo inovação, transferência de conhecimento e impacto direto na segurança pública e na formulação de políticas baseadas em evidências científicas.

 

A vice-reitora Joana agradeceu o esforço coletivo que possibilitou o acordo, enfatizando a importância da aproximação entre a academia e a Polícia Científica. “O papel da universidade é atuar onde a ciência é essencial, contribuindo para a formação de estudantes por meio de experiências práticas que transcendem a sala de aula”, destacou. Para ela, o projeto terá um impacto significativo pela sua natureza interdisciplinar, envolvendo as áreas como a de Geologia, Química e Farmácia. Joana também celebrou a representatividade feminina: “Minha alegria é saber que temos uma mulher no comando. Parabéns e obrigada”, finalizou

A perita-geral Andressa Boer Fronza ressaltou a satisfação com a parceria e o orgulho de ser a primeira mulher a liderar a Polícia Científica de Santa Catarina. “Independentemente do gênero, a instituição estaria em boas mãos, mas é gratificante trazer um olhar diferente para a gestão”, afirmou. Andressa relembrou a criação da rede catarinense em 2023, em parceria com a UFSC, destacando que a iniciativa aproxima a universidade da prática forense, promove o desenvolvimento de novas técnicas e otimiza o trabalho pericial. Ela também enfatizou a relevância da ciência frente a desafios como a adulteração de bebidas com metanol, que só ganham visibilidade em situações de crise. “Infelizmente, nosso trabalho aparece mais em momentos de tragédia. Nosso objetivo é evitar novas vítimas, fortalecer ações preventivas e oferecer respostas rápidas”, concluiu.

O professor William, da área de Engenharia Sanitária e Ambiental, destacou os avanços na regulamentação para pesquisa com químicos controlados, fruto do trabalho de uma comissão multidisciplinar que obteve autorizações junto ao Exército e à Polícia Federal, além de consolidar uma minuta interna para processos de compra e controle. “Sem isso, não tem pesquisa”, afirmou. William também celebrou a representatividade feminina na mesa: “É muito significativo estar aqui com a vice-reitora e a chefe da polícia. Quando trazemos mulheres para a tomada de decisão, trazemos mais humanidade.” Ele finalizou com entusiasmo: “Estou muito contente por concluir um processo e iniciar outro, liderado por mulheres. Parabéns!”

 

Rosiani Bion de Almeida | Divisão de Imprensa do GR
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UFSC acelera produção de inovação e sobe em ranking nacional de patentes e softwares

10/09/2025 16:33

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) consolidou em 2024 sua presença entre as principais instituições brasileiras em inovação. Além de subir nos rankings do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) — alcançando a 20ª posição em depósitos de patentes de invenção e o 11º lugar em programas de computador —, a universidade apresentou novos números sobre o impacto do seu DNA empreendedor, que hoje reúne 66 mil empreendedores e 107 mil empresas vinculadas à comunidade acadêmica.

Os dados detalhados pelo Departamento de Inovação da UFSC (Sinova) revelam a diversidade desse ecossistema. Do total de empreendedores, 55% são homens e 45% mulheres, uma distribuição próxima da paridade de gênero. Em relação à faixa etária, o maior contingente está entre 26 e 35 anos (24 mil empreendedores), seguido pelo grupo entre 36 e 45 anos (12,5 mil) e 18 a 25 anos (10,4 mil).

O vínculo institucional também aparece como fator de relevância: são 26 mil alunos de pós-graduação e 18 mil de graduação que empreendem, além de 3 mil professores e 3 mil alunos do ensino fundamental ligados a programas de extensão e iniciação científica. Técnicos-Administrativos em Educação (TAEs) completam o quadro, com 7 mil empreendedores.

Onde estão esses empreendedores

O mapa de distribuição mostra forte concentração em Santa Catarina, mas com alcance em diferentes estados brasileiros e até no exterior, refletindo a presença de egressos da UFSC em diversas regiões.

A análise por centros de ensino evidencia a capilaridade do fenômeno: o Centro Tecnológico (CTC) lidera em números absolutos, com 17,5 mil empreendedores, mas logo atrás aparecem áreas tradicionalmente associadas a carreiras profissionais clássicas: o Centro de Ciências da Saúde (CCS), com 11,3 mil empreendedores, e o Centro de Comunicação e Expressão (CCE), com 6,2 mil. Outros centros, como os de Ciências Humanas, Agrárias e Biológicas, também figuram com relevância, indicando que a cultura empreendedora na UFSC é transversal às diferentes áreas do conhecimento.

Essa diversidade se confirma ao observar os setores econômicos em que se distribuem as 107 mil empresas DNA UFSC. O maior volume está em atenção médica ambulatorial (32,8 mil empresas), seguido por comércio varejista de vestuário e acessórios (25,5 mil) e restaurantes e serviços de alimentação (19,1 mil). Somente depois aparecem atividades mais diretamente ligadas à tecnologia, como desenvolvimento de software sob encomenda (17 mil empresas). O recorte por cursos amplia essa leitura. Medicina lidera entre as formações de empreendedores da UFSC, seguida por Engenharia Civil, Direito e Ciências Contábeis.

Quanto à situação dos empreendedores, os dados indicam que parte significativa está em atividade: 22 mil já formados e 17 mil em fase de conclusão de curso. Outros 15 mil aparecem como “eliminados” ou “inativos”, número que reflete a dinâmica natural de experimentação e descontinuidade comum ao ambiente empreendedor.

O nível de qualificação também chama atenção: são 16,7 mil doutores, 14,2 mil mestres e 1,9 mil com mestrado profissional, além de 1,6 mil em programas de pós-doutorado. Esses indicadores reforçam que a UFSC contribui também para a geração de empreendedores altamente qualificados, capazes de transformar ciência aplicada em soluções inovadoras de impacto econômico e social.

Jacques Mick, pró-reitor de Pesquisa e Inovação da UFSC, comentou que este é o mais completo levantamento de empresas-filhas já feito por uma universidade brasileira. “A história da UFSC, como se vê nos números, é uma história de criatividade e de inovação. Entender e conhecer melhor as empresas que são criadas por egressos ajuda o setor produtivo, a sociedade e o governo, a compreenderem o quanto essas organizações, essas universidades, são fundamentais para o progresso, o desenvolvimento econômico, e para a agenda de justiça social e igualdade social no Brasil”, conclui.

Conexão com Mercado e Sociedade

Além dos números de propriedade intelectual e da rede de empreendedores, a Sinova tem estruturado instrumentos de conexão entre ciência, mercado e sociedade. Entre as iniciativas estão o Portal do Conhecimento e a Revista Sinova, que divulgam pesquisas, casos de inovação e oportunidades de parceria; a Vitrine Tecnológica, voltada à exposição de tecnologias prontas para licenciamento e exploração comercial; o Laboratório de Inovação SINOVA, criado para acelerar projetos com potencial de impacto; e o Prêmio Empreendedor DNA-UFSC, que reconhece intraempreendedores e lideranças em diferentes frentes, como feminina, social e de habitats de inovação.

Para a diretora de Inovação da Sinova, Clarissa Stefani Teixeira, a construção de uma mentalidade empreendedora pode ser ponto essencial no futuro das profissões: “estamos trabalhando em conjunto com os cursos da UFSC para impulsionar atividades e, até mesmo, disciplinas, com foco no empreendedorismo. Esperamos que estes espaços se desenvolvam ainda mais nos próximos anos e possam efetivamente aproximar que já passou pela UFSC e permitir que, quem esteja nela, crie vínculos que sejam inseparáveis da trajetória profissional e pessoal”, detalha.

Com informações de: SC Inova

 

Leia mais: Relatório coloca UFSC entre maiores depositantes de propriedade intelectual do Brasil

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UFSC Joinville realiza evento de conexão entre pesquisa e mercado no Ágora Tech Park

03/09/2025 18:04

No dia 22 de agosto de 2025, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), campus Joinville, deu um importante passo no fortalecimento do ecossistema de inovação regional ao promover, em parceria com o Ágora Tech Park, a primeira edição da Ação de Tracionamento Ágora Connect/UFSC. O evento, realizado neste ambiente, teve como principal objetivo estreitar os laços entre os projetos de pesquisa desenvolvidos pela UFSC e as empresas do Perini Business Park, acelerando a transformação de conhecimento acadêmico em soluções comerciais.

A iniciativa focou na identificação e apresentação de produtos universitários com alto nível de maturidade tecnológica (próximo ao TRL 6, ou seja, em fase de protótipo funcional) e com grande potencial de se tornarem inovações aplicadas no mercado.

O encontro contou com a participação de representantes de grandes empresas, como Petrobrás, Weg Tintas, Avell, Brascola, Pollux, Walbert e Amoveri Hub, que tiveram a oportunidade de conhecer de perto as pesquisas e inovações desenvolvidas na universidade, reforçando a conexão entre o setor produtivo e a academia.

A ação foi liderada pelos professores Thiago Fiorentin e Andra Piga, da UFSC Joinville, em parceria com Fabiano Dell’Agnolo, diretor do Ágora Tech Park. O evento também contou com o apoio do pró-reitor de Pesquisa e Inovação da UFSC, Jacques Mick, e do gerente da Petrobrás, Vinícius Machado.

Diante do sucesso da iniciativa, novas edições da Ação de Tracionamento Ágora Connect/UFSC já estão sendo planejadas ainda para 2025, reforçando o compromisso de aproximar a universidade das demandas do mercado e fomentar a inovação na região.

Fonte: UFSC Joinville

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Cannabis Medicinal: UFSC reforça necessidade da cadeia produtiva e de conhecimento em SC

26/08/2025 10:59

Audiência pública realizada no dia 25 de agosto, na Alesc, sobre a regulamentação e o uso da Cannabis Medicinal no estado. Imagem: TVAL

A audiência pública realizada na noite desta segunda-feira, 25 de agosto, no Auditório Antonieta de Barros, da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), fortaleceu o debate sobre a regulamentação e o uso da Cannabis Medicinal no estado, ampliando o diálogo com a sociedade sobre os benefícios e desafios relacionados ao seu uso terapêutico no tratamento de doenças crônicas e neurológicas.

O evento reuniu parlamentares, médicos, pesquisadores, advogados, pacientes, cuidadores e familiares para discutir políticas públicas que garantam maior acesso da população catarinense aos tratamentos à base de cannabis, enfrentando barreiras legais e econômicas que impõem dificuldades a diversas famílias. Atualmente, muitos pacientes dependem de processos judiciais ou da importação de medicamentos de alto custo, o que limita o direito constitucional à saúde.

Entre os pontos centrais do debate foi a ampliação do acesso à cannabis medicinal como recurso terapêutico para diferentes condições de saúde, a redução da judicialização e o fortalecimento da pesquisa científica sobre o tema. Além disso, foi discutida a criação de uma cadeia produtiva própria em Santa Catarina, com potencial para gerar emprego, renda e inovação. A audiência também abordou experiências já existentes no estado e no Brasil, incluindo aspectos relacionados à regulamentação, distribuição, prescrição médica e acompanhamento dos tratamentos.

A discussão da temática foi promovida pela Comissão de Saúde da Alesc e pelo Gabinete da deputada estadual Ana Paula da Silva (Paulinha), após a implementação da Lei Estadual 19.136 de 2024, que regulamenta o fornecimento de medicamentos à base de cannabis por intermédio do Sistema Único de Saúde (SUS), abordando aspectos legais, médicos, sociais e sanitários. A audiência destacou a experiência e os desafios enfrentados por pacientes, famílias e associações, como a Santa Cannabis, na busca por acesso e qualidade do tratamento. Além disso, foram apresentadas evidências científicas e propostas de colaboração entre entidades governamentais, universidades e associações para otimizar a produção local, capacitar profissionais de saúde e expandir o alcance da terapia. O evento, ainda, reforçou a necessidade de superar barreiras burocráticas e ideológicas para garantir que mais catarinenses se beneficiem da cannabis medicinal.

Na mesa de abertura a participação de dois professores da UFSC: Rubens Nodari, do Centro de Ciências Agrárias (CCA), e Rui Prediger, do Centro de Ciências Biológicas (CCB). Ambos os pesquisadores reiteraram a importância da ciência e da pesquisa para o avanço do uso da cannabis medicinal, bem como a necessidade de quebrar preconceitos e criar uma cadeia produtiva e de conhecimento em Santa Catarina. Também acompanharam a audiência o pró-reitor de pesquisa e Inovação da Universidade, Jacques Mick, e a professora do CCA e diretora de Pós-Graduação da UFSC, Rosete Pescador.

O professor de Agronomia, Rubens Nodari, contextualizou que “a cannabis é uma das cinco plantas sagradas da China” e “foi utilizada como alimento pelas antigas civilizações, devido à similaridade de seus grãos com outros cereais”. Nodari ressaltou que a proibição da planta se estabeleceu por interesses econômicos devido aos seus inúmeros benefícios.

O professor Rubens trouxe a mensagem de colegas da UFSC e de outras faculdades de Agronomia do estado que pesquisam formas de produção em conjunto com as associações. Ele sugeriu que é possível avançar no desenvolvimento da cultura da cannabis através de “estudos de aclimatação, diminuição do custo de produção, propagação adequada e desenvolvimento de variedades que, eventualmente, tenham a combinação de compostos mais adequados para diferentes patologias”.

Nodari defendeu a ampliação da produção “junto à agricultura familiar, de forma agroecológica e sem o uso de químicos”, para preservar os compostos da planta. Ele argumentou que isso fortaleceria a cadeia produtiva e traria independência ao país no tratamento da saúde, promovendo um acesso mais justo e democrático.

O docente mencionou que, nos Estados Unidos, a área cultivada de cannabis dobra anualmente, com produtores de soja migrando para esse mercado. No entanto, esses produtos são exportados para o Brasil a “preço de ouro”. A participação da agricultura catarinense, segundo ele, visa criar uma cadeia produtiva local e evitar essa dependência.

O professor de Farmacologia, Rui Prediger, abordou que a UFSC “é protagonista nas pesquisas que envolvem substâncias canabinoides”, com estudos iniciados já na década de 1980 pelo professor Reinaldo Takahashi. Atualmente, o CCB “conta com mais de 800 pesquisadores e dezenas de laboratórios” dedicados a essas investigações.

Em colaboração com o professor Francisney Nascimento, a UFSC tem conduzido “os dois maiores estudos a nível mundial com doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer, realizados em solo brasileiro e catarinense”.

Um ponto crucial, segundo Prediger, é “a capacitação dos profissionais de saúde”, não apenas médicos, mas também enfermeiros, farmacêuticos e nutricionistas. Ele mencionou o curso de Endocanabinologia da UFSC, em parceria com o Instituto Dalla, que “já capacitou mais de 2 mil profissionais no Brasil e países vizinhos”.

O professor Rui explicou que a Endocanabinologia estuda as substâncias canabinoides produzidas pelo próprio organismo humano e de outros animais. “Com o envelhecimento ou em condições patológicas, pode haver um desequilíbrio na produção dessas substâncias”. O tratamento com cannabis, nesse contexto, é visto como uma reposição de substâncias naturais, similar à reposição hormonal ou de vitaminas.

Prediger concluiu reafirmando que a UFSC, juntamente com a comunidade catarinense e os parlamentares, “está à disposição para ampliar essa formação tanto para estudantes da área da saúde quanto para profissionais de todo o estado”.

“Hoje temos uma discussão mais ampla sobre o medicamento, mas precisamos, de fato, das plantas para produzir esses medicamentos ou os compostos”, afirmou a professora Rosete Pescador, em sua participação na audiência. Ela sugeriu que a Secretaria da Agricultura deveria participar mais ativamente desse debate, com o objetivo de promover uma colaboração mais próxima com a agricultura familiar. “O plantio da cannabis na agricultura familiar, além de garantir a produção dos compostos, também fortalece a própria agricultura familiar no sentido de ganho financeiro”, destacou.

Rosete também apontou os desafios enfrentados pelas universidades no desenvolvimento de pesquisas relacionadas à planta, principalmente pela falta de segurança jurídica. A pesquisadora ressaltou ainda as potencialidades do CCA para contribuir com o desenvolvimento da cadeia produtiva da cannabis. “Temos muitas expertises no CCA que poderiam contribuir para o melhoramento das plantas, o controle de doenças e a propagação, especialmente em sistemas indoor, que é onde atuo como pesquisadora”, explicou.

Por último, a docente destacou a importância de a Universidade estar inserida em todas as etapas do processo. “Acho que esse momento é muito importante para fortalecermos essa linha e avançarmos nos passos necessários para o desenvolvimento dessa cadeia produtiva”, concluiu.

Assista à audiência pública na íntegra:

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
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