Audiência na UFSC debate política pioneira para estudantes indígenas e quilombolas

21/08/2025 09:38

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realizou, no dia 20 de agosto de 2025, audiência pública para debater a minuta da Política Institucional para o Ingresso e a Permanência de Estudantes Indígenas e Quilombolas. As contribuições ao documento serão recebidas até 31 de agosto na plataforma Participa + Brasil, onde a versão integral do texto está disponível. O evento ocorreu no Auditório da Reitoria, a partir das 14h, e foi transmitido ao vivo pelo canal do YouTube da TV UFSC.

A discussão abordou a importância da institucionalização das Ações Afirmativas, destacando a necessidade de apoio acadêmico, financeiro e social para os estudantes indígenas e quilombolas. Durante o encontro, foram apresentados os princípios, diretrizes e concepções da minuta, além das responsabilidades institucionais das pró-reitorias e secretarias, os critérios de ingresso e validação da autodeclaração, e as estratégias de apoio pedagógico e assistencial. A audiência enfatizou a colaboração e o protagonismo dos próprios estudantes da UFSC na construção da política, considerada uma iniciativa pioneira entre as universidades brasileiras.

O evento foi conduzido pelas pró-reitorias de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) e de Permanência e Assuntos Estudantis (PRAE). O debate foi mediado pelas assistentes sociais Bárbara Nobrega (Proafe), Juliane Pasqualeto (Proafe) e Maria do Rosário de Lima Oliveira (PRAE), que também representaram o Grupo de Trabalho (GT) responsável pela elaboração da proposta.

Na abertura do evento, a pró-reitora Simone Sobral Sampaio (PRAE) nomeou os 21 povos indígenas e quilombolas presentes na UFSC, destacando o impacto transformador que a presença desses grupos tem na universidade pública, ao promover a chamada “justiça epistêmica”. Segundo ela, essa prática exige o reconhecimento de saberes igualmente potentes para compreender a vida, o mundo e construir relações sociais mais igualitárias. Simone ressaltou que, embora a política represente um avanço significativo, ela é apenas um passo em uma luta contínua e em constante evolução.

A diretora de Ações Afirmativas e Equidade Marilise Sayão (Proafe) fez questão de registrar, em sua fala, que os estudantes indígenas e quilombolas são protagonistas na história das Ações Afirmativas na UFSC. Para Marilise, são os estudantes que impulsionam reflexões diárias dentro da instituição. A simples aprovação de um programa não é suficiente, e reforçou que são as ações contínuas de enfrentamento e luta que garantem a permanência e o pertencimento. A diretora também destacou que a UFSC possui 17 anos de Ações Afirmativas, com reserva de vagas para indígenas e quilombolas desde o início, antes mesmo da implementação da legislação nacional. Ela afirmou que uma nova política representa um avanço crucial, ao ir além do acesso e buscar uma permanência com qualidade e pertencimento, rompendo com a lógica de uma “permanência universal” que historicamente favoreceu apenas grupos hegemônicos.

A minuta da política, lida e debatida durante a audiência, contempla princípios como o combate ao racismo institucional, a valorização da pluralidade étnica e cultural, o reconhecimento dos valores ancestrais e a proteção dos conhecimentos quilombolas. Além disso, garante o consentimento livre, aviso e informado das comunidades envolvidas. O documento detalha as responsabilidades institucionais para promover a permanência desses estudantes, incluindo ações como ampla divulgação de vagas, formas específicas de ingresso, validação rigorosa da autodeclaração étnico-racial e a oferta de suporte pedagógico e assistencial. Também estão previstos auxílios financeiros, como bolsas e autorizações no Restaurante Universitário, além da criação de moradias específicas, como o alojamento estudantil indígena. O texto ainda orienta que o ensino, a pesquisa e a extensão da Universidade considere as especificidades culturais e linguísticas dos povos indígenas e quilombolas, valorizando a oralidade como forma de transmissão de conhecimento. As iniciativas previstas abrangem desde a Educação Básica, no Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI) e no Colégio de Aplicação (CA), até os níveis de Graduação e Pós-Graduação.

Após a leitura da minuta, foi aberto espaço para manifestações orais dos participantes, que puderam apresentar sugestões e reflexões sobre cada título do documento e da política como um todo.

Atualmente, a UFSC conta com 187 estudantes indígenas e 55 estudantes quilombolas, conforme dados da PRAE. A construção da minuta foi resultado de um processo colaborativo iniciado em 2022, com a formação de um GT que realizou 59 reuniões e envolveu 75 participantes, entre os quais 40 estudantes indígenas e quilombolas e 31 servidores da Universidade, entre técnicos-administrativos e professores

Assista à audiência na íntegra:

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
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UFSC sedia exposição ‘Salim Miguel: 100 Anos’ até 12 de setembro

19/08/2025 13:09

Exposição “Salim Miguel: 100 anos” está aberta ao público até 12 de setembro, no térreo do Centro de Cultura e Eventos da UFSC

Na noite desta segunda-feira, 18 de agosto de 2025, foi inaugurada a Exposição “Salim Miguel: 100 Anos”, uma homenagem à vida e obra de um dos maiores nomes da literatura brasileira e catarinense contemporânea. O evento apresenta documentos, fotografias, manuscritos e objetos pessoais do autor, permitindo ao público compreender a amplitude de sua contribuição cultural. A visitação, gratuita e aberta à comunidade, estará disponível até 12 de setembro, de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, no andar térreo do Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

A cerimônia de abertura reuniu os filhos de Salim Miguel, Sônia e Paulo Sérgio, o reitor Irineu Manoel de Souza, o chefe de Gabinete Bernardo Meyer, a secretária de Cultura, Arte e Esporte (SecArte) Eliane Debus, e o coordenador do Departamento Artístico Cultural (DAC) Oto Henrique Bezerra da Silva Leonardo Pinto. O público presente pôde prestigiar a exposição que destaca o legado de Salim Miguel para a cultura brasileira e a relevância de sua obra.

A secretária de Cultura, Arte e Esporte da UFSC, Eliane Debus (E), e os filhos de Salim Miguel, Sônia e Paulo Sérgio. Foto: Divulgação

A secretária Eliane Debus abriu a exposição relembrando as ações já realizadas, iniciadas em janeiro de 2024, no aniversário de Salim Miguel. A primeira foi a instalação de uma placa comemorativa na Editora da UFSC (EdUFSC), em reconhecimento à contribuição do autor, que dedicou oito anos de trabalho à instituição, ajudando, inclusive, na coleta de recursos para a construção de sua sede. Desde então, diversas iniciativas foram planejadas, como o II Festival Literário, que homenageou Salim Miguel com uma programação abrangente, incluindo exposições fotográficas, mostras cinematográficas e a reedição de suas obras pela EdUFSC.

Eliane destacou que o festival e a publicação das obras já foram concluídas, mencionando que o romance “Primeiro de Abril: narrativas da cadeia” tornou-se leitura obrigatória no Vestibular da UFSC. A mostra fílmica está programada para começar em setembro deste ano, no Teatro Carmen Fossari. Entre os filmes destaques da mostra, estão os que Salim Miguel atuou como roteirista. A secretária também ressaltou o trabalho de Zeca Pires na recuperação do áudio do filme “O Preço da Ilusão”, do qual apenas oito minutos estão preservados. Eliane encerrou sua fala agradecendo à família de Salim Miguel pelo apoio e pela dedicação na organização das imagens e registros históricos do autor.

O reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza (E), participou da abertura da exposição. Foto: Divulgação

Em seguida, Paulo Sérgio expressou sua gratidão à UFSC pelas comemorações do centenário de seu pai. Ele evidenciou o desejo de que todas as obras de Salim Miguel sejam disponibilizadas em breve, e acessíveis como o livro “Primeiro de Abril: narrativas da cadeia”.

Encerrando os discursos, o reitor Irineu Manoel de Souza enalteceu o papel de Salim Miguel como escritor, artista e figura essencial para a cultura catarinense e brasileira. Ele classificou a homenagem como um “tributo necessário e justo”, confirmando o impacto do autor na promoção da leitura entre os jovens. Irineu também parabenizou toda a equipe envolvida no evento e reforçou o compromisso da Universidade em preservar a memória e o legado de grandes personalidades como Salim Miguel, cuja trajetória continua a inspirar gerações.

Salim Miguel

Nascido no Líbano em 1924, Salim Miguel chegou ao Brasil com apenas três anos de idade e viveu grande parte de sua vida em Santa Catarina, onde construiu uma das carreiras mais notáveis da literatura brasileira. Autor de mais de 30 livros, ele se destacou como romancista, contista, cronista, ensaísta, crítico literário, jornalista, editor e roteirista. Entre suas obras mais conhecidas estão “NUR na Escuridão”, “A Voz Submersa”, “Primeiro de Abril: narrativas da cadeia” e “Nós”, esta última publicada pela Editora da UFSC um ano após sua morte em 2016 e selecionada como leitura obrigatória para os vestibulares da UFSC e Udesc.

Figura central da cena cultural brasileira, Salim Miguel foi um dos líderes do Grupo Sul, movimento que marcou Florianópolis entre 1947 e 1958. Ao lado de sua esposa, Eglê Malheiros, escreveu o argumento e o roteiro do primeiro longa-metragem catarinense, “O Preço da Ilusão”. Como jornalista, destacou-se na revista Manchete e como crítico literário no Jornal do Brasil nas décadas de 1970 e 1980.

Durante o regime militar, Salim Miguel foi preso em 1964, experiência que desenvolveu o romance “Primeiro de Abril: narrativas da cadeia”, eleito o melhor romance do ano em 1994 pela União Brasileira de Escritores. Além disso, recebeu prêmios importantes ao longo de sua carreira, como o Prêmio Machado de Assis, concedido pela Academia Brasileira de Letras, e o Prêmio Zaffari & Bourbon. Em 2002, foi homenageado com o título de Doutor Honoris Causa pela UFSC.

Salim também deixou uma marca significativa como gestor cultural. Como diretor da Editora da UFSC entre 1983 e 1991, tornou-se em referência nacional. Em 1993, assumiu a superintendência da Fundação Franklin Cascaes, onde contribuiu para a criação de uma política cultural para Florianópolis. Sua memória é preservada em espaços como a Sala de Leitura Salim Miguel, no Hospital Universitário da UFSC, e o Espaço Eglê Malheiros & Salim Miguel, no Centro de Florianópolis.

Mais informações: salimmiguel100anos.com.br

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
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Vice-reitora destaca em seminário a violência política de gênero no espaço universitário

19/08/2025 10:03

A Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc), por meio da Comissão de Trabalho, Administração e Serviço Público, em parceria com a Escola do Legislativo Deputado Lício Mauro da Silveira, sediou, nos dias 6 e 7 de agosto, o Seminário Internacional de Observatórios da Violência contra a Mulher. O evento teve como um de seus objetivos promover uma reflexão propositiva sobre como os observatórios podem colaborar para fortalecer as políticas públicas de prevenção e combate à violência contra a mulher.

A relevância do tema foi destacada por dados alarmantes apresentados na abertura: o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública revelou que, em 2023, 1.467 mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, o maior número registrado desde a criação da Lei Maria da Penha. Em Santa Catarina, a taxa foi de 1,5 mortes por 100 mil mulheres, superando a média nacional. Em 2024, os números de violência de gênero continuaram crescendo, com o registro de 87.500 vítimas de estupro e estupro de vulnerável, 1.492 feminicídios (dos quais 63,6% das vítimas eram mulheres negras e 64% foram mortas dentro de casa por parceiros ou ex-parceiros), além de 747.683 casos de ameaça contra mulheres.

Um dos destaques do seminário foi a mesa-redonda de abertura, intitulada “Dados e Políticas Públicas em Prol das Mulheres: Transformando Decisões para um Futuro Mais Justo”, mediada por Cibelle Farias, vice-coordenadora do Observatório da Violência contra a Mulher de Santa Catarina. A participação da professora Joana Célia dos Passos, vice-reitora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), chamou atenção por sua análise aprofundada sobre a violência política de gênero no contexto acadêmico.

Joana Célia dos Passos, que também é pesquisadora e ativista feminista e antirracista, iniciou sua fala ressaltando a importância de “nomear essas violências”. Segundo ela, a universidade, como parte da sociedade, também reproduz violências estruturais, incluindo o patriarcado, discriminações, xenofobia e racismo, que se manifestam em diferentes níveis hierárquicos.

A vice-reitora enfatizou que “a universidade é uma síntese da sociedade brasileira”, e que as mulheres em posições de poder dentro dessas instituições podem “assegurar direitos para outras mulheres”. Contudo, ela alertou que nem todas as mulheres em cargos de poder têm esse compromisso, citando exemplos de lideranças que não adotam uma postura de defesa dos direitos femininos.

Ao abordar a violência política de gênero em espaços universitários, Joana Célia dos Passos destacou diversas formas de manifestação:

  • Assédio sexual e moral: que afeta predominantemente mulheres negras, indígenas e LGBTs.
  • Descredibilização do trabalho de pesquisadoras: evidenciada pela predominância de homens nas referências bibliográficas e pela menor obtenção de financiamento para estudos conduzidos por mulheres.
  • Sub-representação em cargos de poder: apesar de serem maioria entre estudantes e professoras, as mulheres representam apenas 30% das reitoras e vice-reitoras no Brasil.
  • Violência online e perseguição: com aumento de denúncias após a implementação de protocolos de atendimento, que incluem desde “nudes” até xingamentos.
  • Masculinização de áreas do conhecimento: citando departamentos da UFSC que não possuem nenhuma mulher docente, o que dificulta a atração de meninas para áreas de exatas e tecnologia.

A vice-reitora compartilhou resultados preliminares de um estudo que vem conduzindo com reitoras e vice-reitoras de universidades federais, revelando um sentimento de “deslegitimação no exercício do cargo” e um “processo de isolamento institucional e falta de condições adequadas para o pleno exercício da função”. Ela também destacou a persistência da narrativa de que as mulheres “nunca estão prontas para os cargos”.

Para enfrentar esses desafios, Joana Célia propôs o fortalecimento de políticas de equidade de gênero nas universidades, a criação de canais seguros para denúncias de assédio e discriminação, a promoção da representatividade de mulheres e grupos LGBT+ em cargos de decisão, e a educação da comunidade acadêmica sobre violência de gênero e intersexualidades.

Durante sua apresentação, ela também exibiu o “Guia de Direitos diante da Violência Política contra Mulheres”, produzido em parceria com o Ministério das Mulheres, e destacou a necessidade de expandir a legislação atual, que hoje se limita a cargos eletivos, para abranger outras formas de violência política.

Encerrando sua participação, Joana Célia dos Passos citou a poetisa Conceição Evaristo, deixando uma mensagem de resiliência e força feminina:

“A noite não adormece nos olhos das mulheres, há mais olhos que sono, pois ecoam as vozes de nossas bisavós, avós, mães e tias.”

O seminário reforçou a necessidade de ações articuladas entre todos os poderes e a sociedade civil para garantir a segurança e os direitos das mulheres. A mensagem de Joana Célia dos Passos foi enfática: é preciso enfrentar a violência em todos os seus âmbitos, inclusive no acadêmico.

Assista ao seminário na íntegra:

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
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UFSC é novamente premiada como a Universidade mais lembrada na região

15/08/2025 12:58

Fotos: Agência J Somensi. Divulgação

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) conquistou o prêmio Top of Mind 2025 como a universidade mais lembrada pela população da Grande Florianópolis. A premiação, promovida pela NSC Comunicação, ocorreu na noite desta quinta-feira, 14 de agosto, na sede da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), e contou com a presença de lideranças e representantes de diversas instituições. O reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, representou a Universidade na cerimônia.

Realizado há 30 anos, o Top of Mind reconhece os nomes e marcas mais presentes na memória dos catarinenses, abrangendo diferentes setores da economia e da sociedade. Na categoria “Universidade/Faculdade”, o prêmio foi resultado de uma pesquisa espontânea, onde os(as) entrevistados(as), sem receber opções prévias de resposta, foram convidados(as) a apontar o nome da universidade ou faculdade que mais lembravam.

Reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza

O reitor Irineu Manoel de Souza destacou a importância do reconhecimento: “Ser, mais uma vez, reconhecida como a instituição mais lembrada pela sociedade é motivo de grande orgulho e reflete o impacto transformador das nossas ações na vida das pessoas e na realidade ao nosso redor. Este prêmio reafirma nossa relevância para Santa Catarina e para o Brasil, consolidando-nos como um patrimônio coletivo e uma referência em ensino, pesquisa e extensão. Há mais de seis décadas, temos impulsionado a produção de ciência e tecnologia, além de contribuir para o desenvolvimento social e econômico do estado, sempre com o compromisso inabalável de oferecer uma educação pública, gratuita e de excelência.”

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
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‘Múltiplas vozes’ ecoam no encontro da ministra Macaé Evaristo com movimentos sociais

13/08/2025 13:19

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil, Macaé Evaristo, reuniu-se com representantes de movimentos sociais catarinenses na UFSC. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom/UFSC

A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil, Macaé Evaristo, chegou à Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ao anoitecer do dia 12 de agosto, onde foi muito aguardada e bastante aplaudida pelo público que lotou o Auditório da Reitoria. No local, ela se reuniu com representantes de movimentos sociais catarinenses e membros da comunidade para promover um espaço de diálogo e escuta.

Antes do encontro, Macaé fez uma breve passagem pela Sala dos Conselhos, em que foi recebida pelo reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, pela vice-reitora, Joana Célia dos Passos, e por servidores(as) e gestores(as) da instituição. Durante essa recepção, a vice-reitora destacou os avanços, projetos e desafios enfrentados pela universidade na promoção da inclusão, equidade e acessibilidade. Em sua fala, Joana Célia ressaltou o protagonismo da UFSC em iniciativas como a ampliação das reservas de vagas em concursos públicos para pessoas trans e quilombolas, medida adotada pela instituição antes mesmo de a legislação federal determinar o percentual de 30%. Além disso, mencionou a transformação do Núcleo de Estudos da Terceira Idade (NETI) na Universidade Aberta para Pessoas Idosas (Unapi), uma iniciativa que reflete o compromisso da gestão com a inclusão de diferentes públicos.

A vice-reitora também apresentou à ministra projetos em fase de construção, como a política de equidade de gênero, ações de combate ao assédio e iniciativas voltadas à saúde mental, além de uma política específica para assegurar a permanência de estudantes indígenas e quilombolas. No entanto, ela destacou que a acessibilidade é um dos principais desafios enfrentados pela UFSC, especialmente devido às barreiras arquitetônicas presentes no campus. Para lidar com essa questão, foi desenvolvido um projeto de acessibilidade espacial, elaborado por servidores da instituição, que inclui um plano de ação detalhado, mas que depende de recursos financeiros para ser implementado.

A ministra Macaé foi recepcionada na Sala dos Conselhos

Joana Célia chamou atenção para a complexidade de administrar a UFSC, que, com cerca de 40 mil pessoas, funciona como uma pequena cidade. Isso exige políticas integradas em áreas como moradia estudantil e infraestrutura pública. Ela sugeriu uma parceria mais ampla entre o Ministério das Cidades e o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania para atender a essas demandas e ampliar o suporte às instituições de ensino superior. Outro ponto abordado foi a necessidade de criar estratégias para combater o extremismo político e social, que tem se manifestado de maneira preocupante em Santa Catarina. A UFSC, descrita como um “laboratório” para esses desafios, desenvolveu, com o apoio do curso de Jornalismo, um projeto voltado à produção de instrumentos de comunicação capazes de enfrentar o extremismo. Segundo Joana Célia, essas ações podem servir de referência não apenas para o estado, mas para todo o país.

Ao final de sua fala, a vice-reitora entregou à ministra Macaé Evaristo os projetos desenvolvidos pela UFSC, e destacou a importância do diálogo entre a universidade e o poder público para a construção de soluções que garantam a permanência, segurança e dignidade de toda a comunidade acadêmica. “Esperamos que o ministério possa avaliar nossas propostas e indicar possibilidades de colaboração, para que possamos avançar juntos”, concluiu.

Ministra Macaé Evaristo

Ao se dirigir para o seu primeiro compromisso da agenda, a ministra foi, carinhosamente, recebida por representantes de diversos movimentos sociais, uma oportunidade para dar visibilidade para suas pautas. “É uma alegria imensa estar aqui hoje, em um momento onde recebemos tantas pessoas e movimentos que lutam por direitos e dignidade. As políticas públicas só existem porque os movimentos as pautam, e é nosso dever ouvi-los e agir em resposta às suas reivindicações”, afirmou Macaé Evaristo.

Entre os participantes, destacaram-se organizações ligadas à população em situação de rua, que entregaram um documento elaborado em plenária no dia 3 de julho de 2025, no auditório da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc). O texto denunciava graves violações de direitos enfrentadas por essa população no estado.

Durante o encontro, foram chamados à frente representantes da população em situação de rua, e em um gesto simbólico, entregaram o documento à ministra, detalhando denúncias sobre abusos e violações cotidianas nas cidades catarinenses.

O documento, intitulado Carta da Plenária da População em Situação de Rua de Santa Catarina, foi lido no evento e trouxe à tona a realidade vivida por essas pessoas, além de exigir ações concretas do poder público. A ministra Macaé Evaristo lembrou que, em resposta às denúncias, uma missão interministerial, em parceria com o Comitê Intersetorial de Acompanhamento e Monitoramento da Política Nacional para a População em Situação de Rua (CIAMP-Rua), esteve em Santa Catarina realizando visitas e acompanhamento. A equipe investigou as condições enfrentadas pela população de rua e ouviu as demandas diretamente de quem vive essa realidade.

As organizações e movimentos presentes foram chamados, individualmente, para registros fotográficos, seguidos por uma foto coletiva que simbolizou a união das diversas lutas representadas. Entre eles estavam: Sonia Livre; Grupo de Pesquisa de Combate ao Racismo Religioso; Observatório para o Enfrentamento do Racismo em Santa Catarina; Frente Catarinense pela Descriminalização e Legalização do Aborto; Movimento Mulheres Camponesas de Santa Catarina; UNALGBT (Chapecó); Frente Trans; 8M; Círculos de Hospitalidade; Ciranda Sem Fronteiras; Pastoral do Migrante; Missão Scalabrini; Demitidos do Plano Collor; Ocupação Contestado; Ocupação Vale das Palmeiras; Comitê de Luta por Moradia; Associação dos Angolanos em Florianópolis; Frente Parlamentar de Políticas Públicas da População de Rua; Grupo de Trabalho para os Direitos da População Migrante; Comunidade Quilombola de São Sebastião da Bárbara; Grupo de Angolanos em Florianópolis; Frente pelo Desencarceramento de Santa Catarina; e Articulação Nacional de Saúde dos Direitos Humanos.

A ministra Macaé Evaristo expressou seu desejo de retornar à UFSC futuramente, reafirmando seu compromisso com as demandas apresentadas durante o evento. Para ela, no entanto, isso não significa que será necessário esperar por outro encontro para avançar nas questões discutidas. “O trabalho começa agora, e vamos seguir dialogando e construindo ações a partir do que foi compartilhado”, afirmou.

Macaé destacou a importância de momentos como aquele, que permitem ouvir “múltiplas vozes” e aprender com as lições trazidas por elas. Ela ressaltou a pluralidade e a diversidade de Santa Catarina, um estado que, segundo a ministra, “tem muito amor e uma luta constante pela democracia e pelos direitos humanos”. Essa riqueza humana e cultural, acrescentou, é “uma inspiração para todos nós”.

A ministra também pontuou que a grande lição do encontro foi a resistência e a capacidade de persistir na luta por direitos, mesmo diante das adversidades. Ela agradeceu a todos os que participaram, destacando a relevância das diversas agendas representadas. Em tom descontraído, comentou que não via necessidade de uma aula magna formal, pois “a verdadeira aula está aqui”, referindo-se às experiências e relatos compartilhados pelos participantes.

Para Macaé, a verdadeira lição está presente nas vozes e nos rostos das pessoas que atuam diariamente em defesa dos direitos humanos, vindas de diferentes lugares e com pautas diversas. É nessa luta, afirmou, que os movimentos se encontram e ajudam a transformar o Brasil. Reconhecendo os desafios enfrentados pelos movimentos sociais, a ministra reforçou que, apesar daqueles que tentam silenciar ou frear essas ações, Santa Catarina mostra sua resistência e afirma seu direito à dignidade. “Estamos aqui, estamos juntos, e seguimos na luta”, defendeu a ministra.

A organização do evento contou com a parceria do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), do Instituto Federal Catarinense (IFC), da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e da Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS). O convite à professora e assistente social Macaé Evaristo deve-se por sua trajetória de excelência no campo da educação e na luta antirracista. Reconhecida nacionalmente, a ministra tem se destacado pela defesa dos direitos humanos e por sua atuação sociopolítica e educacional em todo o Brasil.

A programação culminou com a participação da ministra na Aula Magna do segundo semestre letivo da Universidade, intitulada Direitos Humanos e Cidadania nas Instituições Públicas. O evento foi realizado, na sequência, no Auditório Garapuvu, localizado no Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, com transmissão ao vivo.

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Gustavo Diehl | Agecom | SECOM

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