Reitor da UFSC concede entrevista e aponta desafios e prioridades para 2026

15/01/2026 10:07

Em entrevista concedida ao Instituto de Estudos Latino-Americanos (IELA), nesta quarta-feira, 14 de janeiro, no Gabinete da Reitoria, o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, traçou um diagnóstico sobre a situação orçamentária das universidades federais e apresentou as prioridades da gestão para 2026. Para o reitor, 2025 foi “um ano bastante difícil”, com “poucos recursos” para manter a instituição em pleno funcionamento.

Apesar do reconhecimento da importância da educação pelo governo federal e da abertura de diálogo com o Ministério da Educação (MEC), ele afirma que “na prática ocorreram poucas alterações” no financiamento. Irineu lembrou que as universidades sofreram cerca de 57% de redução orçamentária na última década e que, para 2026, houve novo corte legislativo de quase R$ 500 milhões no conjunto das instituições federais, o que, no caso da UFSC, significou menos R$ 12,8 milhões: o orçamento nominal, que foi de R$ 171 milhões em 2025, caiu para R$ 164 milhões neste ano.

O reitor classificou a situação como “um grande paradoxo”: há valorização discursiva da universidade pública, mas falta “sensibilidade” para construir o orçamento em diálogo com reitores e reitoras e defender no Congresso os recursos indispensáveis para despesas essenciais — energia, água, restaurante e moradia estudantil, manutenção predial e funcionamento de laboratórios. Nesse cenário adverso, a UFSC concentrou esforços em manter a qualidade acadêmica e a permanência estudantil, com decisões colegiadas e ampliação do diálogo: “Temos um gabinete aberto”, disse Irineu, sublinhando que a gestão tem evitado conflitos ao abrir o Conselho Universitário para participação em temas sensíveis e manter conversa permanente com docentes, técnicos-administrativos, estudantes e trabalhadores terceirizados, historicamente invisibilizados.

O reitor também destacou que a universidade avançou em frentes estratégicas: acelerou o fluxo de aprovação de projetos de pesquisa e extensão — no Gabinete, propostas não ficam mais de três dias para decisão, e o trâmite completo dura de um a dois meses —, aprovou a política de internacionalização e implementou medidas de qualidade de vida e segurança, como a política de teletrabalho e flexibilização para técnicos-administrativos, ampliação de bolsas, valorização das ações afirmativas, reforço da iluminação nos campi e a criação de um fórum de segurança.

Ao mesmo tempo, pontuou as dificuldades impostas pela terceirização: com menos pessoal efetivo e mais contratos, a universidade lida hoje com cerca de 200 empresas, exigindo fiscalização constante. Diante de falhas como falta de insumos e limpeza, a UFSC abriu processos administrativos e prepara novas licitações, orientando que fiscais de cada setor reportem irregularidades à Pró-Reitoria de Administração.

Inclusão, combate à evasão e novas formas de ingresso

Irineu defendeu que a universidade pública é “o maior patrimônio de um país”, responsável pela formação de quadros e por 90% da produção científica e da inovação tecnológica no Brasil. Por isso, considera urgente resistir a movimentos de desqualificação das universidades e intensificar a comunicação com a sociedade para mostrar o impacto concreto da pesquisa e da extensão no desenvolvimento do estado e do país.

A pauta da inclusão e da permanência estudantil, afirma, é central: hoje, 50% dos ingressantes na UFSC vêm de escolas públicas, o que reforça a necessidade de recursos para garantir que esses estudantes concluam seus cursos. O reitor reconhece que a pandemia agravou a evasão no Brasil e no mundo, e que há quem sustente que a universidade poderia ser substituída por aprendizagens fragmentadas via internet; para ele, trata-se de “um grande erro” com custos sociais e econômicos futuros.

Para ocupar todas as vagas e tornar o acesso mais inclusivo, a UFSC está redesenhando o processo de ingresso. Além do vestibular, que permite primeira e segunda opções e agora a reopção gratuita, a instituição adotará o ingresso por histórico escolar para cursos com vagas remanescentes, também com inscrições gratuitas. Em 2025, apenas nove vagas ficaram sem preenchimento ao final do ciclo, embora cerca de mil não tenham sido ocupadas na etapa do vestibular tradicional; a meta é preencher as 4.500 vagas anuais.

Em debate interno e nacional, a universidade considera simplificar o vestibular em cursos de baixa demanda — com ingresso apenas por histórico escolar ou prova de redação —, de caráter classificatório e não eliminatório, mantendo o Sisu/Enem como via complementar. Com mandato até 4 de julho, o reitor afirma que a gestão seguirá priorizando a permanência estudantil, a qualidade de vida de docentes, técnicos e estudantes, e a consolidação de políticas aprovadas, como internacionalização e segurança, além de completar melhorias no trâmite de projetos de ensino, pesquisa e extensão.

Confira a entrevista na íntegra:

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Tags: entrevistaIELAOrçamentoUFSC

Nota da Andifes sobre cortes no orçamento para universidades federais

23/12/2025 08:47

Nota da Andifes sobre os cortes no orçamento aprovado pelo Congresso Nacional para as Universidades Federais

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) manifesta profunda preocupação com os cortes promovidos pelo Congresso Nacional no orçamento das Universidades Federais durante a tramitação do Projeto de Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026.

De acordo com análise preliminar realizada pela Andifes, o orçamento originalmente previsto no PLOA 2026 para as 69 universidades federais sofreu um corte total de R$ 488 milhões, o que representa uma redução de 7,05% nos recursos discricionários das instituições. Esses cortes incidiram de forma desigual entre as universidades e atingiram todas as ações orçamentárias essenciais ao funcionamento da rede federal de ensino superior.

A situação é ainda mais grave no que se refere à assistência estudantil, área estratégica para a permanência de estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. Apenas nessa ação, o corte alcançou aproximadamente R$ 100 milhões, o equivalente a uma redução de 7,3%, comprometendo diretamente a implementação da nova Política Nacional de Assistência Estudantil (PNAES), instituída pela Lei nº 14.914/2024, e colocando em risco avanços recentes na democratização do acesso e da permanência no ensino superior público.

Os cortes aprovados agravaram um quadro já crítico. Caso não haja recomposição, o orçamento das Universidades Federais em 2026 ficará nominalmente inferior ao orçamento executado em 2025, desconsiderando os impactos inflacionários e os reajustes obrigatórios de contratos, especialmente aqueles relacionados à mão de obra. O quadro se torna ainda mais preocupante diante de cortes semelhantes ocorridos nos orçamentos da Capes e do CNPq.

Estamos, portanto, em um cenário de comprometimento do pleno desenvolvimento das atividades de ensino, pesquisa e extensão nas Universidades Federais, de ameaça à sustentabilidade administrativa dessas instituições e à permanência dos estudantes em situação de vulnerabilidade socioeconômica. A restrição orçamentária também impõe entraves à continuidade do desenvolvimento científico e, portanto, à soberania nacional.

A Andifes reconhece e valoriza o diálogo mantido com o Ministério da Educação, que tem demonstrado sensibilidade em relação à gravidade do cenário orçamentário. No entanto, reafirma que os cortes aprovados pelo Congresso Nacional exigem ações imediatas de recomposição, sob pena de comprometer o funcionamento regular das Universidades Federais e limitar o papel estratégico dessas instituições no desenvolvimento científico, social e econômico do país.

A Andifes seguirá de forma firme e articulada junto ao Governo Federal e ao Congresso Nacional em defesa da recomposição do orçamento das Universidades Federais e da pesquisa científica nacional, da valorização da educação superior pública e do cumprimento do compromisso constitucional do Estado brasileiro com a ciência, a educação e a redução das desigualdades sociais e regionais.

Brasília, 22 de dezembro de 2025.

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Reitoria promove audiência pública com a comunidade universitária sobre orçamento

15/07/2024 15:44

Secretária Andréa Trierweiller apresentou números do orçamento da UFSC (Fotos: Caetano Machado/Agecom/UFSC)

A Reitoria da UFSC promoveu nesta segunda-feira, 15 de julho, uma audiência pública com a comunidade universitária para tratar da questão orçamentária e informar sobre as previsões de manutenções e obras na Universidade. A audiência, realizada no auditório Garapuvu do Centro de Cultura e Eventos, foi solicitada pelos movimentos de estudantes, servidores e professores no contexto das greves encerradas recentemente.

Após uma fala inicial do reitor Irineu Manoel de Souza, a secretária de Planejamento e Orçamento, Andréa Trierweiller, fez uma apresentação dos dados orçamentários da UFSC, contendo entre outras informações uma série histórica dos recursos de custeio (utilizados para pagamento de bolsas, manutenção do Restaurante Universitário, pagamento de contratos terceirizados e despesas de água e luz, por exemplo).

A projeção realizada, levando em conta o cenário de julho, indica que a UFSC terá uma disponibilidade de recursos para custeio na casa dos R$ 168,3 milhões este ano, já incluídas as suplementações realizadas pelo governo federal e utilização de recursos próprios. A projeção de despesas, no entanto, chega aos R$ 186 milhões, resultando num deficit de pelo menos R$ 17 milhões em 2024.
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Andifes debate inclusão do financiamento permanente das universidades federais no Plano Nacional da Educação

28/02/2024 11:47

Professor Irineu se manifestou em apoio ao Plano de Reestruturação da Carreira dos servidores TAEs (Foto: Divulgação)

O reitor da UFSC, professor Irineu Manoel de Souza, participou da 165ª Reunião Extraordinária do Conselho Pleno da Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), realizada nos dias 21 e 22 de fevereiro, em Brasília. Na ocasião, os dirigentes discutiram a necessidade de recomposição orçamentária em 2024 e a inclusão do financiamento permanente das universidades federais no Plano Nacional da Educação. Os temas também motivaram reuniões da diretoria da Andifes com parlamentares e com a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet.

O Seminário Andifes, realizado durante a reunião, abriu espaço para debate das contribuições da Associação para o Plano Nacional da Educação 2024-2034. Foram abordadas as políticas para a educação superior no PNE e o financiamento permanente das universidades federais. O encontro teve a presença da senadora Teresa Leitão, da Comissão de Educação do Senado Federal; Heleno Manoel Gomes de Araújo Filho, coordenador da Conferência Nacional de Educação 2024 (Conae) e Nelson Cardoso Amaral, presidente da Associação Nacional de Pesquisa em Financiamento da Educação.

Durante o encontro, foi informado que as moções aprovadas na Conae serão publicadas no site do Fórum Nacional de Educação (FNE). Das 57 moções aprovadas na plenária final da Conferência, duas foram propostas por delegados da Andifes no FNE, reitores Alfredo Macedo Gomes (UFPE) e Marcelo Pereira de Andrade (UFSJ): Moção 18 – Manifesta posição de defesa da alteração legislativa pelo fim da lista tríplice e respeitando a autonomia universitária; e Moção 28 – Moção pela recomposição do orçamento das universidades federais para 2024.

Busca de apoio político
A diretoria da Andifes realizou encontros com parlamentares e integrantes do governo em busca de apoio político à recomposição orçamentária às universidades federais. Na quarta-feira, 21 de fevereiro, a presidente da Andifes, reitora Marcia Abrahão (UnB) e o vice-presidente, reitor José Daniel Diniz Melo, reuniram-se com a senadora Teresa Leitão. A presidente da Andifes ressaltou a necessidade de uma suplementação de R$ 2,5 bilhões, para tornar o orçamento de 2024 equivalente ao de 2017 e garantir um mínimo necessário para funcionamento das universidades até o fim do ano. A senadora, segundo relato dos presentes, se comprometeu a articular com o Congresso Nacional e o Ministério da Educação (MEC) para o avanço dessa pauta.

Outro encontro político foi a reunião da diretoria executiva da Andifes com a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet. A ministra mostrou-se sensível ao pleito da Andifes e às necessidades das universidades federais, comprometendo-se a contribuir para encaminhar o assunto junto ao Ministério da Educação.

Ao presidente do Senado Federal, senador Rodrigo Pacheco, os diretores da Andifes entregaram ofício pedindo apoio à recomposição do orçamento destinado ao financiamento das universidades federais em 2024. Segundo o vice-presidente da Andifes, reitor Valder Steffen Júnior (UFU), o senador demonstrou conhecimento dos temas relativos à educação e se propôs a discutir o tema com o Ministro da Educação, Camilo Santana.

A reunião da Andifes contou com a presença do novo secretário de Educação Superior do Ministério da Educação (Sesu), Alexandre Brasil Carvalho da Fonseca. Além das questões de financiamento, foram discutidos também assuntos relativos ao quadro de servidores das universidades federais.

Fasubra na Andifes
Integrantes da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) apresentaram proposta para a carreira dos servidores técnicos administrativos.

Na ocasião, o reitor da UFSC fez uma fala em apoio ao Plano de Reestruturação da Carreira dos servidores TAEs, destacando a qualificação desse conjunto de servidores em oposição aos baixos salários da carreira. O plano de carreira, segundo o professor Irineu, “impulsiona o crescimento pessoal e profissional desses colaboradores e repercute de forma positiva na excelência do ensino, da pesquisa e da extensão”.

A reunião também teve informes do Fórum Nacional de Pró-reitores de Gestão de Pessoas (Forgepe), a respeito do planejamento do MEC para reposição de vagas de servidores docentes e TAEs contido no Projeto de Lei Orçamentária Anual (Ploa).

Tags: AndifesOrçamentoPlano de CarreiraReitorTAEsUFSCUniversidade Federal de Santa Catarina

Reitoria reúne diretores de Centros de Ensino em preparação para o início do semestre letivo

30/01/2024 15:37

Diretores dos Centros de Ensino foram recebidos no gabinete do reitor (Fotos: Luís Carlos Ferrari/Secom)

A Reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) promoveu nesta segunda-feira, 29 de janeiro, reunião com os diretores dos Centros de Ensino com o objetivo de preparar a Universidade para o início do primeiro semestre letivo, em 11 de março. O tema central da reunião foi a manutenção dos aparelhos de ar-condicionado das salas de aula e laboratórios de ensino.

Ficou acertado que servidores da Prefeitura Universitária (PU), Pró-reitoria de Administração (Proad), Secretaria de Planejamento e Orçamento (Seplan) atuarão conjuntamente com as Unidades Acadêmicas no encaminhamento das medidas necessárias à identificação e manutenção dos aparelhos de ar-condicionado, bem como à realização de reparos e manutenção de pisos, sanitários e bebedouros dos Centros de Ensino.

O reitor Irineu Manoel de Souza abriu o encontro com informes da última reunião da Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes), realizada nos dias 24 e 25 de janeiro, em Brasília. O orçamento das universidades federais foi um dos principais assuntos da reunião, segundo o reitor.

Ele afirmou que os desafios de manutenção das universidades permanecem: na UFSC, a previsão é chegar ao final do ano com um déficit ao redor de R$ 35 milhões, depois de ter fechado com déficit de R$ 6 milhões em 2023. Por isso, a Andifes está pleiteando junto ao Ministério da Educação (MEC) e ao Congresso Nacional uma suplementação de R$ 2,5 bilhões para as universidades, o que representaria voltar aos patamares orçamentários de 2017, corrigidos pela inflação. No entanto, o reitor afirmou que não há, ainda, nenhum aceno de que estes recursos virão. “É uma luta de toda a comunidade universitária”, enfatizou o reitor sobre a busca por suplementação de recursos.

Na sequência, vários diretores de Centros de Ensino manifestaram preocupação com as condições de manutenção das salas de aula e edificações, principalmente relacionadas a infiltrações e falta de manutenção de aparelhos de ar-condicionado. O reitor salientou que em 2024 a manutenção da infraestrutura da Universidade será prioritária.

Em relação aos aparelhos de ar-condicionado, o professor Irineu informou que a Administração Central está buscando as soluções mais rápidas e efetivas, conforme a orientação da Proad. A primeira alternativa é buscar adesão a atas de registro de preços de outros órgãos públicos.

A prioridade será o atendimento às unidades acadêmicas. Diretores dos Centros de Ensino presentes na reunião manifestaram sua disposição em colaborar com o levantamento das necessidades das unidades, que será coordenado pela equipe da Prefeitura Universitária. O levantamento das atas que poderiam ser utilizadas já foi feito pela Proad, com apoio da Seplan.

Uma nova reunião com os diretores foi marcada para o dia 15 de fevereiro, para avaliação dos encaminhamentos adotados.

 

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