UFSC na mídia: gestores falam, em entrevista, sobre demolição de blocos e reurbanização da área

03/02/2026 16:55

Início da demolição (Foto: DPAE/UFSC)

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) deu início à demolição dos blocos modulados construídos na década de 1970 no campus de Florianópolis. Erguidos originalmente como solução provisória e de baixo custo, os prédios foram utilizados por décadas e abrigaram importantes estruturas acadêmicas da instituição. Em entrevista ao Balanço Geral Florianópolis, o reitor Irineu Manoel de Souza e o prefeito universitário, Matheus Lima Alcantara, detalharam o histórico do processo, os motivos da decisão e o plano de reurbanização da área.

Segundo o reitor, a discussão sobre a desativação e demolição dos blocos é tema recorrente há mais de dez anos, motivada por questões de segurança e pela incompatibilidade das instalações com normas técnicas atuais. “Há mais de uma década que tem essa discussão da demolição desses blocos modulados por motivo de segurança, as instalações não de acordo com as normas técnicas, enfim. E também para aproveitar melhor o espaço físico do campus universitário”, afirmou. Ele explica que a área dará lugar a um amplo espaço verde. “A ideia é uma revitalização de todas essas áreas com bancos, jardins, árvores, enfim, para que também os estudantes, os docentes, os técnicos possam aproveitar melhor o campus universitário.”

Os prédios, apelidados de “labirinto” pela comunidade acadêmica, passaram a apresentar problemas estruturais graves nos últimos anos, como infiltrações, goteiras, mofo, falhas elétricas e falta de acessibilidade, o que tornava a circulação pelo local especialmente desafiadora. “Várias questões muito sensíveis de segurança, de degradação ambiental e questões com bombeiros, Ministério Público, a própria qualidade das edificações, qualidade do espaço, problemas reais de segurança e de acessibilidade também”, resumiu o prefeito universitário.

Simulação gerada por IA de como ficará a área

A partir de laudos técnicos emitidos desde 2019, a UFSC promoveu interdições parciais das estruturas. Em março do ano passado, o espaço foi totalmente fechado e todas as atividades foram encerradas, abrindo caminho para a fase atual, que contempla a demolição completa dos prédios e a reurbanização do terreno de 18 mil m². “Esse projeto tem dois objetos: a demolição dessas edificações problemáticas e a reurbanização, que inclui terraplanagem, construção de calçadas, paisagismo e iluminação. Tudo isso pensando principalmente em acessibilidade e segurança”, explicou Matheus.

De acordo com o reitor, a ideia é transformar esse espaço em área de lazer. “No futuro, poderá ser discutida a construção de alguns prédios para atendimento de demandas da universidade”, acrescentou. Ele pontuou ainda que as salas demolidas eram majoritariamente utilizadas pelo Centro de Ciências Físicas e Matemáticas (CFM), único centro da UFSC que não dispõe de um prédio próprio de salas de aula, o que mantém no horizonte discussões futuras sobre a infraestrutura acadêmica.

O investimento previsto para esta fase das obras é de R$ 3,6 milhões, com recursos do orçamento da própria universidade e do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. A previsão de conclusão é novembro de 2026.

Assista à entrevista:

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Demolição dos Blocos Modulados marca início da reurbanização de área do campus da Trindade

23/01/2026 08:45

Os estudantes que retornarem ao campus da Trindade da UFSC no dia 9 de março, para o início do primeiro semestre letivo de 2026, vão se deparar com um novo cenário no terreno aos fundos do Centro de Comunicação e Expressão (CCE). Os Blocos Modulados, cujos corredores eram conhecidos popularmente como “Labirinto”, foram demolidos e abriram espaço para a urbanização da área. Futuramente, o local poderá servir também como área de expansão da universidade, abrigando novas edificações.

O trabalho de demolição dos Blocos Modulados está em fase de conclusão. O contrato firmado com a empresa Conquistar Serviços e Construção Ltda engloba a demolição de 17 construções (totalizando 8.168 metros quadrados), reforma da edificação onde está instalado o Núcleo de Estudos do Mar (Nemar) e urbanização de uma área de 18 mil metros quadrados.

No escopo do contrato estão incluídas as demolições de corredores a áreas técnicas que as conectam, como subestações e banheiros. Também estão previstas supressões de espécies de árvores e infraestruturas subterrâneas, conforme informações do Departamento de Projetos de Arquitetura e Engenharia (DPAE) da Prefeitura Universitária.

O projeto de urbanização externa objetiva renovar o ambiente com implantação de passeios acessíveis, drenagem, iluminação e vegetação. A proposta é criar passeios nos grandes eixos de deslocamento de pedestres nesta área do campus. Ao longo dos passeios e no entorno da área serão instalados 73 postes de 4 metros com luminárias de LED, criando rotas seguras e acessíveis de deslocamento à noite.

O valor do contrato é de R$ 3.608.278,02, com recursos do Orçamento da UFSC e do Novo Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. A previsão é de que as obras estejam concluídas no início de novembro de 2026.

Simplicidade e economicidade

Região modulados/ Setor 09 – anos 80. (Fonte: Agecom, 1985)

De acordo com informações da Coordenadoria de Planejamento do Espaço Físico (Coplan) do DPAE, as edificações conhecidas como ‘Blocos dos Modulados do Básico’ foram construídas na década de 1970 para uso por atividades do Centro de Estudos Básicos (CEB). O sistema construtivo escolhido à época priorizava a simplicidade e a economicidade.

O CEB agregava departamentos de diversos cursos e áreas da Universidade, tais como Biologia, Matemática, Física, Química, Geociências, Psicologia, Sociologia, História, Filosofia, Teologia, Língua e Literatura Estrangeiras, Língua e Literatura Vernáculas, Biblioteconomia e Documentação e o Departamento de Artes.

Em anos mais recentes, as edificações dos Blocos Modulados foram utilizadas principalmente em atividades de ensino e pesquisa do Centro de Ciências Biológicas (CCB) e do Centro de Ciências Físicas e Matemáticas (CFM), além de laboratórios e salas para o serviço administrativo. Havia salas ocupadas por entidades representativas do movimento estudantil e também pelo Sindicato dos Professores das Universidades Federais de Santa Catarina (Apufsc). A biblioteca setorial do CFM ocupava um dos espaços dos Blocos Modulados. A partir de 2018, grande parte das atividades do CCB foram transferidas para as novas instalações, no Córrego Grande, dando início à desocupação das edificações.

Corredores dos Blocos Modulados eram conhecidos como Labirinto

Desde o final dos anos 90 as construções dos Blocos Modulados passaram a ser questionadas, tanto pelo tempo decorrido de uso das instalações, consideradas provisórias, quanto pelas condições de conservação. Em 2019, um diagnóstico realizado por uma comissão da Secretaria de Obras, Manutenção e Ambiente (Seoma) considerou inviável a reforma e condenou estruturalmente algumas das construções. Os primeiros blocos foram interditados. A partir de 2022, intensificaram-se as realocações de atividades desenvolvidas no local, tarefa concluída em março de 2024, quando ocorreu a interdição total.

Área de expansão do campus

Futuramente, o terreno liberado com a demolição dos Blocos Modulados poderá servir também para a expansão do campus da Trindade. Desde o Plano Diretor Universitário de 2005, a área é denominada de Setor 09 – Renovação. “Esta nomeação advém da necessidade, diagnosticada já à época, de alteração da ocupação da região, com busca às densidades construídas médias e à garantia do papel integrador desta área central do Campus”, relata a engenheira Carolina Cannella Peña, do DPAE, no relatório técnico para demolição dos Modulados.

Sucessivos planejamentos da UFSC apresentaram diferentes propostas de ocupação da área, desde a criação de espaços de convivência com vias de circulação de pedestres até construção de novas edificações para abrigar cursos e núcleos de pesquisa. Essas ideias não foram concretizadas, mas a demolição dos Blocos Modulados abre uma nova oportunidade.

Interdições dos Blocos Modulados começaram em 2019

Embora apresente algumas restrições – como o fato de ter áreas sujeitas a alagamentos e de integrar o Projeto de Recuperação de Áreas Degradadas (Prad) sobre Área de Proteção Permanente do Campus, que prevê a limitação construtiva nas áreas de margem de rios -, o terreno é considerado central e nobre para a Universidade.

Ainda este ano, a Coplan pretende iniciar a elaboração de um Plano Setorial para o terreno, de modo a planejar novas ocupações da área, que atendam de maneira estratégica as necessidades da Universidade. O novo Plano Setorial (MasterPlan) deverá “definir diretrizes construtivas para novas edificações, com zoneamentos que organizem fisicamente o espaço, definindo layouts urbanos, usos previstos e parâmetros construtivos para projetos”, informa a Coplan.

Para saber mais:

https://repositorio.ufsc.br/handle/123456789/238356
https://dpae.ufsc.br/planos-diretores/
https://dpae.ufsc.br/recuperacao-de-areas-degradadas/

 

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