Cinco professoras da UFSC são premiadas na 4ª edição do ‘Mulheres na Ciência’

16/10/2025 14:58

Prêmio Mulheres na Ciência foi entregue pela atual gestão da UFSC a cinco pesquisadoras da instituição. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom

A ciência protagonizada por mulheres foi celebrada e prestigiada na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) na tarde desta quarta-feira, 15 de outubro, na Sala dos Conselhos. Na quarta edição do Prêmio Mulheres na Ciência, a instituição reconheceu cinco trajetórias que impulsionam o conhecimento científico em suas áreas de conhecimento. Entre os objetivos da homenagem, sobressai o de inspirar estudantes — sobretudo jovens pesquisadoras — a enxergar a Universidade como espaço de oportunidades e de construção do futuro. A mensagem que o momento proporciona é que quanto mais diversa é a ciência, mais potente ela se torna.

O evento contou com as presenças e falas do reitor, Irineu Manoel de Souza; da vice-reitora, Joana Célia dos Passos; do pró-reitor de Pesquisa e Inovação (Propesq), Jacques Mick; e da pró-reitora de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe), Leslie Sedrez Chaves — lideranças que também entregaram os diplomas às homenageadas do dia. A participação da gestão da UFSC simbolizou o compromisso institucional de avançar em políticas e ações concretas de valorização da ciência feita por elas.

Em uma cerimônia marcada por emoção e significado, as pesquisadoras expressaram sua gratidão à instituição pela criação da iniciativa e enfatizaram a relevância do prêmio, especialmente em um contexto onde as mulheres enfrentam jornadas múltiplas e desafios estruturais. Suas falas evidenciaram a força e a resiliência feminina na ciência, mostrando como, mesmo diante de adversidades, transformam suas trajetórias em inspiração e resultados que impactam positivamente a sociedade. O sentimento predominante foi de que a conquista vai além do âmbito individual, representando um triunfo coletivo que inclui colegas de trabalho, estudantes, familiares, amigos e, sobretudo, todas as mulheres que não tiveram as mesmas oportunidades.

Nesse contexto, a edição deste ano — realizada em data tão especial, no Dia do Professor — homenageou cinco docentes da UFSC em três grandes áreas do conhecimento.

 

Áreas do conhecimento Pesquisadora Categoria
Humanidades Aline Beltrame de Moura (Direito) Júnior
Elizete Vieira Vitorino (Ciência da Informação) Plena
Vida Ana Carolina Fernandes (Nutrição) Júnior
Exatas e da Terra Camila Fabiano de Freitas Marin (Química) Júnior
Cíntia Soares (Engenharia Química e Engenharia de Alimentos) Plena

 

Aline Beltrame de Moura

A professora destacou que a honraria vai além de resultados, “ele celebra trajetórias, escolhas difíceis, privações, muitas horas de estudo e, sobretudo, o trabalho coletivo de uma equipe incrível que eu tenho a felicidade de ter ao meu lado.” Além disso, ressaltou a importância da representatividade feminina na ciência, afirmando que “ver mais mulheres reconhecidas em todas as áreas do conhecimento é essencial para ampliar os horizontes da pesquisa e para que ocupemos o nosso espaço na ciência, sendo reconhecidas pelo nosso trabalho em igualdade de condições.”

Com 18 anos de trajetória na UFSC, onde foi estudante e agora atua como docente, Aline destacou o privilégio de coordenar projetos de pesquisa financiados internacionalmente, promovendo diálogos e boas práticas entre a Europa e a América Latina. Ela também mencionou seu trabalho no Núcleo de Práticas Jurídicas da Universidade, auxiliando pessoas em situação de vulnerabilidade por meio de mediações extrajudiciais. “Se há uma palavra que resume o que aprendi nesse percurso, ela é o diálogo”, afirmou.

A professora Aline recebeu o diploma da pró-reitora Leslie

A professora agradeceu ainda à sua família que, segundo ela, provam ser possível equilibrar carreira e vida familiar. “Construímos juntos uma vida que me dão forças para seguir.” Ela também celebrou as amizades construídas na academia, reconhecendo colegas e orientandos pela troca de conhecimentos que renovam sua esperança no futuro. Finalizando, parabenizou as demais mulheres premiadas e reforçou a importância da UFSC como um espaço de pensamento crítico e transformação. “Que a UFSC siga sendo um lugar de esperança ativa”, concluiu.

Elizete Vieira Vitorino

A trajetória de Elizete foi marcada por dedicação e disciplina desde cedo. Antes de ingressar na docência, trabalhou em diversos empregos que, segundo ela, moldaram seu compromisso com horários e responsabilidades. Aos 23 anos, iniciou sua carreira como professora substituta e, desde então, a pesquisa se tornou uma constante em sua vida. “A pesquisa está na minha vida há muito tempo. Não é brincadeira, é trabalho duro, é disciplina”, afirmou, destacando o esforço por trás de sua jornada.

Atualmente, Elizete é referência nacional e internacional na área de competência em informação, com estudos financiados por instituições de apoio à pesquisa. Sua produção acadêmica a tornou a pesquisadora mais produtiva da América Latina nos últimos 20 anos em sua área. Em sua fala, agradeceu à UFSC e aos colegas que contribuíram para suas conquistas. “Agradeço imensamente à UFSC, aos meus colegas de trabalho, aos alunos de graduação, mestrado e doutorado, e aos integrantes do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Competência em Informação”, declarou.

A professora Elizete recebeu o diploma da vice-reitora Joana

Ao encerrar, Elizete reconheceu a importância do apoio de colegas e familiares ao longo de sua trajetória, especialmente durante suas formações e pesquisas. Recentemente, celebrou a conquista do título de professora titular, atribuindo esse marco ao trabalho coletivo e à paixão pelo ensino e pela pesquisa.

Ana Carolina Fernandes

A professora dedicou o prêmio “a todas as mulheres que não tiveram o mesmo privilégio que eu, às mulheres trans, às mulheres pretas e às demais que possuem a mesma ou até mais competência, mas que não tiveram as mesmas chances.” Emocionada, destacou que sua trajetória é fruto da educação pública de qualidade, desde a graduação em Nutrição até o doutorado, todos realizados na UFSC. “Tenho muito orgulho de ser fruto da UFSC e de poder devolver à sociedade o que recebi”.

Ela também celebrou o protagonismo feminino em seu curso, departamento e grupo de pesquisa, liderados por mulheres. Segundo ela, o grupo se tornou uma rede de apoio mútuo. “Nós somos mães, pesquisadoras e professoras, e não é fácil conciliar tudo, mas seguimos firmes porque acreditamos no impacto do nosso trabalho.” A professora compartilhou os desafios da maternidade durante sua carreira, como amamentar sua filha enquanto coordenava a pós-graduação e realizava pesquisas, enfatizando que tudo foi possível graças à persistência e ao apoio ao seu redor.

A professora Ana Carolina recebeu o diploma do pró-reitor Jacques

Por fim, destacou a relevância de suas pesquisas voltadas à rotulagem e regulação de alimentos, que têm influenciado políticas públicas no Brasil e no exterior. “Nosso objetivo é melhorar a alimentação da população e impactar positivamente a saúde pública.” Agradeceu à família, especialmente à filha, que considera sua maior inspiração. “Embora muitos acreditem que a maternidade seja um obstáculo, ela me tornou mais forte, empática e sensível”.

Camila Fabiano de Freitas Marin

Camila iniciou sua fala parabenizando pelo Dia do Professor e relembrou com carinho a influência dos professores em sua trajetória, desde o ensino infantil até a pós-graduação, mencionando especialmente uma professora do terceiro ano primário. “Ela provavelmente não se lembra mais de mim, mas eu jamais vou me esquecer dela. Foi em sua aula que, ao ser questionada o que queria ser quando crescesse, eu disse: ‘Quero ser cientista’. E aqui estou hoje, graças a essa inspiração inicial”, disse.

Sua trajetória acadêmica foi moldada por importantes orientadores e colegas que deixaram marcas profundas. Camila expressou gratidão ao professor Noboru Hioka, da Universidade Estadual de Maringá, que a ensinou que é possível ser um excelente professor, pesquisador e ser humano, e ao professor Ivan Muniz, supervisor de pós-doutorado, por lições de liderança e humildade. Ela também destacou a convivência com colegas de laboratório. “Aprendi muito com eles, porque essa convivência é essencial para o nosso crescimento.” Agradeceu ainda aos órgãos de fomento, que possibilitaram sua formação e mantêm suas pesquisas, além dos alunos, que aceitaram suas ideias ousadas e trouxeram novas perspectivas.

A professora Camila recebeu o diploma do reitor Irineu

Camila encerrou sua fala com uma mensagem inspiradora para pais, educadores e todas as pessoas que convivem com crianças: “Não deixem as meninas pensarem que existem limites. Elas precisam acreditar que tudo é possível, que qualquer profissão está ao alcance delas, desde que tenham esforço e dedicação.” Com emoção, dedicou o prêmio a Pedro, seu filho ainda por nascer, que já ocupa o centro de sua vida.

Cíntia Soares

“Este prêmio celebra não apenas uma trajetória pessoal, mas um caminho construído coletivamente. A ciência é um bem público, capaz de promover mudanças positivas na sociedade”, afirmou a professora, relembrando como sua curiosidade surgiu ainda na infância, ao brincar de cientista, misturando substâncias e criando experimentos. Esse interesse a levou à graduação em Engenharia Química na FURB, ao mestrado e doutorado na Unicamp e, finalmente, à UFSC, onde encontrou seu lar acadêmico e se consolidou como cientista, professora e formadora de novas gerações.

Ela compartilhou memórias de sua trajetória na UFSC, onde “iniciei um laboratório em um espaço emprestado, com duas mesas usadas, dois computadores doados e dois alunos de mestrado.” Um desses alunos, Natan Padoin, tornou-se seu parceiro de pesquisa, e juntos fundaram o Grupo I2P (Intensificação e Inovação em Processos Químicos e Biotecnológicos), que hoje desenvolve soluções sustentáveis e inovadoras. Entre seus maiores avanços, destacou o uso da Fluidodinâmica Computacional, ferramenta que otimiza processos químicos e biotecnológicos, promovendo eficiência e sustentabilidade. Com emoção, afirmou: “Ver meus ex-orientandos se tornarem docentes, pesquisadores e profissionais de destaque é o que mais me orgulha.”

A professora Cíntia recebeu o diploma da pró-reitora Leslie

A professora refletiu sobre os desafios de fazer ciência no Brasil, destacando a importância da disciplina, persistência e resiliência: “Foi com disciplina que construí, com persistência que enfrentei obstáculos e com resiliência que segui acreditando que valeria a pena.” Encerrou com uma mensagem aos jovens cientistas: “Sigam curiosos, persistentes e apaixonados. A ciência é feita de perguntas, erros e descobertas, mas, acima de tudo, de propósito. Quando fazemos ciência com propósito, construímos pontes entre o conhecimento e a esperança”.

A premiação

Criado na gestão anterior, em 2021, o prêmio foi mantido e reforçado pela atual administração. “Fizemos questão de dar continuidade e apostar no sentido que o prêmio tem de valorizar a agenda da igualdade”, afirmou o pró-reitor Jacques. Ele adiantou que o próximo edital do Mulheres na Ciência terá uma nova categoria para reconhecer servidores técnicos que atuam em pesquisa.

O pró-reitor frisou a motivação central do prêmio, que é o combate estrutural à desigualdade no país. Citando Darcy Ribeiro, declarou: “O Brasil é um país enfermo de desigualdade. E essa não é uma doença que a gente acaba da noite para o dia”. No balanço da gestão, afirmou que a premiação se soma a ações amplas para promover igualdade de gênero e racial. “Ainda não temos nem 8% de professores negros”, reconheceu, ao mesmo tempo em que apontou a relevância da visibilidade das mulheres, que são 45% do corpo docente: “A valorização do trabalho delas é um desafio constante”.

Mick também destacou projetos com potencial de transformação social; e uma política de bolsas desenhada para diminuir a sub-representação feminina em áreas tradicionalmente masculinas. Ao encerrar, reforçou que mudanças culturais exigem perseverança e têm produzido efeitos visíveis na comunidade acadêmica. Para ele, trata-se de “abrir espaço” e “valorizar a diferença”, combinando “rigor e afeto”, como mostraram as homenageadas na cerimônia. “Nós devemos admirar mulheres, entender e valorizar o que elas fazem”, concluiu

O prêmio contempla anualmente pesquisadoras, docentes e técnicas do quadro permanente da UFSC. As indicações são distribuídas em três categorias, definidas pelo tempo de ingresso na instituição:

  • Categoria Júnior: ingressos após 31/12/2013
  • Categoria Plena: ingressos entre 31/12/2000 e 31/12/2013
  • Categoria Sênior: ingressos antes de 31/12/2000

E tem como missão promover a equidade de gênero no ecossistema científico da UFSC, valorizando a produção de conhecimento, a inovação e o impacto social das pesquisas conduzidas por mulheres. Ao reunir diferentes áreas do saber e distintas gerações acadêmicas, a iniciativa amplia a visibilidade de resultados e referenciais, contribuindo para uma Universidade e uma ciência mais inclusivas.

As pesquisadoras receberam um diploma e será produzido um vídeo de divulgação científica, que será veiculado nos canais institucionais da UFSC e integrará a galeria Destaques na Ciência da Propesq — um acervo que busca ampliar o alcance do trabalho desenvolvido nos laboratórios, arquivos, clínicas e grupos de estudo da universidade.

Mais informações: propesq.ufsc.br

 

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Fotos: Gustavo Diehl | Agecom

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Reitores da UFSC e Udesc na abertura do 5º Congresso Brasileiro de Riscos e Desastres

16/10/2025 08:57

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) sediará, entre 15 e 17 de outubro, o V Congresso Brasileiro de Redução de Riscos e Desastres (CBRRD), com o tema “Resiliência e Inovação na GIRD: Conectando Saberes”. A cerimônia de abertura ocorreu à noite, no Centro de Cultura e Eventos Reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo, campus Trindade, em Florianópolis, e contou com a presença dos reitores da UFSC, Irineu Manoel de Souza, e da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), José Fernando Fragalli, anfitrião do evento.

O congresso está sendo realizado em parceria pela Associação Brasileira de Pesquisa Científica, Tecnológica e Inovação em Redução de Riscos e Desastres (ABP-RRD), pelo Programa de Pós-Graduação em Desastres Naturais (PPGDN) do Departamento de Geociências da UFSC, pelo Grupo Coordenado em Gestão de Riscos e Desastres (Ceped) e pela Pró-Reitoria de Extensão, Cultura e Comunidade (Proex) da Udesc.

O CBRRD visa promover um espaço de intercâmbio de conhecimentos, experiências e práticas inovadoras em Redução de Riscos e Desastres (RRD), com foco em gestão integrada, resiliência e inovação. O evento reunirá pesquisadores, gestores públicos, técnicos, estudantes e lideranças comunitárias. Entre os objetivos, destacam-se a divulgação de pesquisas e experiências bem-sucedidas em diversas regiões do Brasil, o estímulo à cooperação entre universidades, órgãos governamentais e organizações sociais, e o incentivo ao uso de tecnologias e soluções inovadoras na gestão de riscos.

A programação abordará temas como mudanças climáticas, riscos geológicos e hidrológicos, tecnologias de monitoramento, políticas públicas e práticas em gestão de riscos. Haverá destaque para a interação entre saberes locais, comunitários e científicos, promovendo uma abordagem integradora que reconhece e valoriza o conhecimento tradicional.

Além disso, o congresso busca fomentar a educação e a comunicação voltadas a populações vulneráveis e contribuir para o alinhamento das políticas brasileiras de redução de riscos e desastres aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e ao Marco de Sendai, referência internacional na área.

A representatividade das duas principais universidades públicas do Estado reforça a relevância do congresso para o fortalecimento de pesquisas e ações voltadas à redução de riscos e desastres — uma área estratégica diante dos desafios climáticos e ambientais enfrentados pelo Brasil.

O reitor Irineu Manoel de Souza destacou que o congresso consolida o papel das universidades públicas na produção de conhecimento aplicado às urgências do país. “A parceria entre UFSC e Udesc demonstra que ciência, gestão e comunidade podem caminhar juntas para reduzir vulnerabilidades e salvar vidas. Este é um compromisso com Santa Catarina e com o Brasil”, afirmou.

Para Irineu, a integração entre saberes acadêmicos e conhecimentos locais é decisiva para a gestão de riscos. Ele ressaltou que “ouvir as comunidades, dialogar com gestores e mobilizar tecnologias abertas e inovadoras” fortalece a resiliência dos territórios e qualifica políticas públicas.

O reitor enfatizou ainda que a UFSC seguirá ampliando pesquisas, formação e extensão na área. “Vamos manter investimentos, fortalecer o PPGDN e parcerias como as do Ceped e a ABP-RRD”, disse. Segundo ele, os resultados do congresso devem se traduzir em novas cooperações, protocolos de atuação e soluções tecnológicas, “com impacto direto na prevenção, na resposta e na reconstrução pós-desastres”.

 

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Seminário nacional destaca papel estratégico da segurança universitária e defesa da educação pública

15/10/2025 12:09

Entre 6 e 10 de outubro, o auditório da Associação dos Docentes da UnB (ADUnB) sediou a 31ª edição do Seminário Nacional de Segurança das IFES e EBTTs – Segurança Pública e Comunitária em Defesa da Carreira, da Universidade Pública e Democrática. O encontro reuniu servidores técnico-administrativos da área de segurança de institutos e universidades de todo o país, em uma agenda de debates, formação e articulação voltada à valorização da carreira e à defesa da educação pública.

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) foi representada pelo secretário de Segurança Institucional, Leandro Oliveira, – e dos servidores da SSI, Teles Espíndola e Geraldino Barbosa -, que participou de mesas e reuniões com gestores e profissionais do setor. Para ele, a segurança universitária deve ser tratada como dimensão estratégica do quadro técnico das instituições, com impacto direto no ensino, na pesquisa, na extensão e na administração. “Estamos falando de vidas. Estudantes, técnicos e professores que circulam diariamente por universidades e institutos federais em todo o país. Segurança na comunidade acadêmica não é um detalhe operacional: é condição básica para que ensino, pesquisa, extensão e administração aconteçam”, afirmou.

Ao longo dos cinco dias, o seminário abordou segurança pública e comunitária no contexto universitário, com ênfase na humanização da atuação dos servidores. Os profissionais foram reconhecidos como integrantes essenciais da comunidade acadêmica, responsáveis não apenas pela proteção do patrimônio, mas também pela preservação da integridade e do bem-estar das pessoas que circulam nos campi. A programação contemplou mesas de debate, oficinas e espaços de troca de experiências que resultaram na construção de diretrizes para o fortalecimento das equipes de segurança nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) e nas escolas técnicas e tecnológicas (EBTTs), com atenção especial à formação continuada e qualificação técnica, à definição de protocolos de acolhimento e de atendimento a situações de vulnerabilidade, à atuação integrada com áreas acadêmicas e administrativas, à adoção de políticas de prevenção de conflitos e violências, à disponibilização de infraestrutura adequada e à articulação com órgãos de segurança pública.

O encontro foi marcado pela leitura crítica do cenário de desafios que atravessam a educação e o serviço público no país. Nesse contexto, participantes enfatizaram que fortalecer a segurança universitária é condição para garantir ambientes de aprendizagem, trabalho e convivência orientados por princípios democráticos e de respeito à diversidade. Integrando esse diagnóstico, o secretário Leandro Oliveira reforçou a necessidade de transformar estudos e recomendações em ação: “Pesquisadores e especialistas têm estudado o tema há anos e apresentado propostas concretas de melhoria. Segundo ele, a prioridade deve ser imediata e baseada em medidas efetivas: “Pais e mães, responsáveis e familiares — filhos, sobrinhos, netos — precisam ter a garantia de que os campi são espaços protegidos. A prioridade deve ser imediata: políticas de prevenção, protocolos claros, infraestrutura adequada, formação das equipes e integração com órgãos de segurança pública. Sem segurança, não há universidade que funcione plenamente.”

Ao final, o seminário consolidou-se como espaço de referência para a construção de uma segurança universitária cidadã, comprometida com a missão acadêmica e com a vida no campus, reafirmando a carreira de segurança como eixo estruturante da universidade pública e democrática e indicando caminhos para a qualificação das equipes e a implementação de políticas consistentes de prevenção e proteção nas IFES e EBTTs.

 

Os debates estão disponíveis na íntegra:

 

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UFSC inaugura Sistema Agrifotovoltaico para integrar produção de alimentos e energia solar

15/10/2025 10:30

Inauguração do Sistema Agrivoltaico instalado no Laboratório de Energia Solar Fotovoltaica da UFSC. Fotos: divulgação

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) inaugurou, na tarde de 14 de outubro, o Sistema Agrifotovoltaico instalado no Laboratório de Energia Solar Fotovoltaica, no Sapiens Parque, em Florianópolis. Participaram do evento o reitor, Irineu Manoel de Souza; o superintendente de Projetos da Pró-Reitoria de Pesquisa e Inovação (Propesq), William Gerson Matias; o professor Ricardo Rüther, e a pesquisadora Marília Braga, do laboratório. A nova infraestrutura é considerada um marco para a pesquisa em energia solar na instituição e um passo decisivo na transição para um modelo energético mais sustentável e eficiente, alinhado às demandas da sociedade.

Desenvolvido em parceria com a Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), o sistema integra, no mesmo terreno, a geração de eletricidade por meio de painéis solares e a produção agrícola. O objetivo é avaliar a viabilidade técnica, econômica e ambiental dessa combinação, utilizando áreas tradicionalmente dedicadas ao cultivo para também abrigar placas fotovoltaicas – seja em estruturas elevadas sobre as plantações, seja em cercas solares. Com isso, busca-se ampliar o aproveitamento do solo, produzir energia limpa e manter a eficiência produtiva das lavouras.

As pesquisas contemplam o teste de diferentes espécies vegetais para identificar aquelas que melhor se adaptam à redução parcial da incidência direta de luz, sem perdas significativas de produtividade. Serão analisadas configurações de sombreamento, distanciamento e altura dos painéis, com o propósito de maximizar simultaneamente a geração de energia e o rendimento agrícola. A Epagri é responsável pela condução das atividades relacionadas às culturas, enquanto a UFSC lidera o desenvolvimento, a implementação e a avaliação das soluções fotovoltaicas.

O projeto conta com financiamento da Repsol Sinopec, empresa espanhola do setor de energia, e o apoio de outras instituições parceiras. Entre os potenciais benefícios esperados estão o aumento da produtividade do solo por meio do uso múltiplo da terra, a otimização de recursos naturais, a redução de impactos ambientais e o fortalecimento da resiliência do campo frente às mudanças climáticas, com ganhos de segurança energética.

Para o reitor Irineu Manoel de Souza, o sistema agrivoltaico “inaugura uma fronteira tecnológica estratégica, porque permite o uso simultâneo da terra para alimento e energia”. Segundo ele, a integração entre produção agrícola e geração solar amplia a produtividade, otimiza recursos e fortalece a resposta às mudanças climáticas: “Produzimos mais e melhor, com menor impacto ambiental e maior segurança energética.” Ao destacar a trajetória da UFSC na área, o reitor afirmou que a iniciativa reforça a capacidade de inovar e de responder aos desafios da transição energética, ao mesmo tempo em que reafirma a soberania alimentar, valoriza o trabalho no campo e protege o meio ambiente. “Que este espaço seja fértil em ideias, resultados e parcerias, e que daqui surjam pesquisas, protótipos e políticas de referência para Santa Catarina e para o Brasil”, disse.

 

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Fórum Ecoar: aliança comunitária quer transformar territórios por meio da extensão universitária

14/10/2025 15:44

Saneamento precário, mobilidade insuficiente, vulnerabilidade social são alguns dos problemas de Florianópolis que estão mapeados, diagnosticados e documentados em pesquisas acadêmicas. Mas como transformar esses dados em ação? Como fazer a universidade transpor seus muros e devolver à sociedade, em forma de solução, o conhecimento que produz? É nessa ponte entre academia e comunidade que atua o Fórum Ecoar, uma aliança comunitária que reúne Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc) e Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), e ainda 56 organizações e movimentos sociais para construir respostas coletivas aos desafios dos bairros da capital catarinense.

A parceria tornou-se institucional em 27 de julho de 2024, quando a UFSC e o Fórum Ecoar firmaram o Protocolo de Intenções para a Curricularização da Extensão. O reitor, Irineu Manoel de Souza, e o coordenador do Fórum, Eugênio Luiz Gonçalves, assinaram acordo alinhando a universidade às diretrizes da Resolução CNE/CES nº 7/2018 e consolidando uma estratégia que leva a comunidade universitária aos territórios, transformando-os em laboratórios vivos de aprendizagem, pesquisa e transformação social.

Estande do Fórum Ecoar na Sepex (2023)

O protocolo reconhece que os territórios são espaços onde problemas e potencialidades locais inspiram soluções criativas, sustentáveis e socialmente justas, em sintonia com o princípio constitucional da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. Para a pró-reitora de Extensão da UFSC (Proex), Olga Regina Zigelli Garcia, o regulamento “reconhece que o conhecimento, para ser emancipador, precisa circular, dialogar e se reinventar em contato com as realidades concretas da sociedade”.

Na avaliação de Olga Regina, a parceria “desloca a universidade de uma lógica vertical para uma horizontal e colaborativa, na qual o conhecimento é coproduzido com as comunidades”. Mais do que uma colaboração acadêmica, trata-se de uma aliança pela democracia e pela justiça social, que reconhece a comunidade como coautora do conhecimento e protagonistas da mudança.

Ao estabelecer a parceria, a UFSC reafirma sua vocação pública e cidadã, fortalecendo a extensão como via privilegiada de aproximação entre universidade e sociedade. A iniciativa visa mobilizar estudantes, docentes e técnicos-administrativos das três instituições públicas de ensino superior a atuarem diretamente nos territórios, aprendendo com as comunidades e contribuindo para soluções em educação, cultura, saúde, meio ambiente, habitação e economia solidária.

Da experiência comunitária à articulação institucional

Criado em 2021 e articulado pelo administrador aposentado da UFSC, Eugênio Luiz Gonçalves, o Fórum nasceu da experiência concreta de autogestão comunitária. Morador da Costa de Dentro desde 2010 e voluntário do conselho comunitário local, Eugênio testemunhou como a comunidade gere há 35 anos o abastecimento de água para 199 famílias por meio do CODEN, sem apoio do poder público. Essa vivência, somada à participação em conselhos municipais e em imersões de estudantes da UFSC em projetos de saneamento e resíduos sólidos, sedimentou uma convicção: a universidade precisa estar presente nos territórios, transformar pesquisa em política pública e disponibilizar seu conhecimento à sociedade de forma continuada.

“Os alunos vão ao bairro, fazem pesquisa, a informação morre na sala de aula”, sintetiza Eugênio. Para ele, o abismo entre o discurso de “cidade inteligente” e a realidade dos territórios, com baixa cobertura de saneamento e alta vulnerabilidade, evidencia a urgência de uma mudança de método. O Fórum propõe grupos de trabalho interdisciplinares e permanentes atuando em bairros-piloto por ciclos sucessivos de diagnóstico, ação, avaliação e retorno, garantindo soluções progressivas.

Projetos em ação nos territórios

Projeto Fesinova, no Conselho Comunitário da Costa de Dentro (2024)

Na prática, a curricularização da extensão na UFSC já ganha corpo em projetos que respondem a demandas concretas das comunidades. No segundo semestre de 2024, iniciativas como o Fesinova — Fortalecendo a Economia Solidária no Distrito do Pântano do Sul, e o curso “Empreendedorismo e Projetos Sociais: da Ideia à Transformação Comunitária” aproximaram lideranças locais e acadêmicas.

Projetos como “Regenera Lagoa”, que promove a regeneração do Parque Natural Municipal das Dunas da Lagoa da Conceição, e o guia de Turismo na Comunidade do Pântano do Sul evidenciam a integração entre conservação ambiental, inclusão produtiva e planejamento territorial. A salvaguarda do patrimônio material e imaterial da pesca artesanal na Barra do Sul, as ações de inclusão digital de idosos (Conexões Costa de Dentro), a Escola Sustentável com foco em Lixo Zero e a criação da Feira da Costa para pequenos empreendedores ilustram um leque de ações orientadas ao bem comum e à geração de renda com base comunitária.

A “Escola de Extensão da UFSC” ampliou esse alcance ao ofertar capacitações diretamente ligadas às necessidades dos bairros: formação para gestores comunitários e associações de moradores, captação de recursos para projetos locais, cursos práticos para cuidadoras e familiares de idosos com Parkinson e demência, educação alimentar e energética, orientação sobre imposto de renda, horta comunitária e compostagem urbana, programação e desenvolvimento de sistemas, design aplicado à gestão comunitária, entre outros.

Governança participativa e plataforma digital

Reunião no IFSC (2023)

O Fórum funciona com governança compartilhada, participativa e democrática. De um lado, reúne conselhos e associações de moradores, movimentos sociais e lideranças comunitárias articulados em redes; de outro, mobiliza as três instituições – UFSC, Udesc e IFSC -, para executar ações de extensão articuladas a ensino e pesquisa aplicada, com impacto direto nos bairros.

Eugênio informa que a aliança é suprapartidária. “Política pública, não política partidária”, afirma. Para ele, a ciência é o elo capaz de unir frentes distintas em torno de problemas comuns.

A plataforma digital do Ecoar (ecoar.ufsc.br) funciona como ferramenta de gestão e ponte entre demandas comunitárias e oferta universitária. Neste site, qualquer pessoa pode registrar e acompanhar o status das demandas.

Perspectivas futuras

No horizonte próximo, o Fórum Ecoar está se alinhando ao projeto UniCOM (Universidade–Comunidade), inspirado no formato do Projeto Rondon, porém aplicado de forma contínua e territorializada, bairro a bairro. Um dos marcos fundamentais nesse processo foi a elaboração do Relatório Diagnóstico Participativo de Florianópolis, coordenado pelo Observatório de Inovação Social de Florianópolis (OBISF/Udesc), que contou com a participação ativa das três IFES, além de lideranças comunitárias e movimentos sociais. Esse processo reuniu e sistematizou mais de 460 demandas dos distritos, registradas no relatório “Diagnóstico Participativo de Florianópolis: Olhares dos Distritos sobre a Cidade”, apresentado publicamente com ampla presença da sociedade civil e de representantes políticos.

A partir desse esforço, articulado pelo Fórum Ecoar, está se consolidando uma rede colaborativa entre universidades e territórios, com o objetivo de transformar os diagnósticos em intervenções concretas nos bairros. A proposta é organizar frentes integradas de extensão, pesquisa e ensino para enfrentar problemas prioritários — como saneamento, mobilidade e vulnerabilidade social — por meio de metodologias de imersão nos territórios e de acompanhamento contínuo dos resultados.

Projeto Unicom (2025)

Eugênio também propõe a criação de uma incubadora social interinstitucional, voltada à economia solidária e criativa, para apoiar quem já empreende por necessidade nas periferias. “O nosso maior recurso é a inteligência”, diz, criticando a concentração de esforços apenas na interface universidade–indústria e defendendo que a mesma potência se volte aos bairros.

O chamado é direto: com cerca de 100 mil pessoas circulando entre UFSC, Udesc e IFSC, há capital humano para transformar realidades locais. O Fórum oferece a ponte, a governança e a plataforma.

Convite à participação

O Fórum Ecoar reforça o convite à participação de estudantes, docentes e técnicos das três IFES a integrarem uma aliança comunitária que conecta a universidade às demandas reais dos bairros. A proposta é fazer da cidade um laboratório vivo, onde saberes acadêmicos, técnicos e populares se encontram para construir soluções coletivas orientadas pelo bem comum, sustentabilidade e justiça social.

Para a comunidade universitária, o Ecoar representa uma oportunidade concreta de colocar a extensão no centro da formação e da vida acadêmica: estudantes podem cumprir a curricularização com projetos de impacto real; docentes podem articular disciplinas e pesquisas às necessidades dos territórios; técnicos podem aportar conhecimento aplicado à gestão pública e comunitária.

A efetividade do protocolo depende do engajamento ativo da comunidade universitária. É necessário construir uma cultura institucional de participação, sensibilizar para o valor pedagógico, social e político da extensão, criar condições para a atuação nos territórios e reconhecer, institucionalmente, o mérito desse engajamento. “O êxito será medido pelas vidas tocadas, vínculos criados e saberes compartilhados — não por documentos assinados”, concluiu a pró-reitora.

Organizações comunitárias e coletivos podem formalizar a entrada na rede pelo Formulário de Adesão.

Moradores, lideranças e grupos podem encaminhar necessidades do bairro pelo Formulário de Demandas.

Grupos de extensão, laboratórios e disciplinas podem identificar demandas “em aberto” no site ecoar.ufsc.br e propor a adoção, iniciando o ciclo de trabalho conjunto.

Mais informações:

Site: ecoar.ufsc.br
WhatsApp: (48) 99164-1958 (Eugênio Gonçalves)
Instagram: @fgecosocial

 

Rosiani Bion de Almeida | Divisão de Imprensa do GR
imprensa.gr@contato.ufsc.br

 

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