Lançamento da Cuidoteca na UFSC: política intersetorial que fortalece o direito ao cuidado

27/04/2026 13:46

Projeto Cuidoteca foi lançado no dia 24 de abril, na UFSC, com a presença de representantes do MDS. Fotos: Gustavo Diehl/Agecom

A Cuidoteca, novo espaço da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para cuidado de filhos de estudantes, servidores e terceirizados, foi lançada nesta sexta-feira, 24 de abril, na Sala dos Conselhos, com a presença de representantes do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS). A iniciativa, desenvolvida em parceria com o órgão, integra a Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024). As inscrições para o projeto seguem abertas até o dia 3 de maio de 2026.

O projeto extensionista é destinado a crianças de 4 a 10 anos, com ou sem deficiência. O serviço funcionará no período noturno, com atividades no Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI) da UFSC, que disponibilizará duas salas para atividades, cozinha para preparo de refeições e áreas externas e comuns. A proposta inclui práticas lúdicas e acessíveis, rodas de conversa com as famílias e oferta de alimentação saudável.

Na abertura do evento, foi evidenciado que a política reafirma a universidade como espaço de transformação social, sensível às desigualdades que impactam especialmente as mulheres. Ao inaugurar a Cuidoteca, a UFSC fortalece a política de assistência estudantil e amplia a rede de apoio à comunidade universitária, em alinhamento com as diretrizes nacionais de inclusão e justiça social. “Celebra-se hoje não apenas a abertura de um espaço, mas a concretização de uma parceria institucional que une universidade e governo federal em torno de um propósito maior: garantir que o cuidado seja política pública, direito assegurado e instrumento de permanência e pertencimento”.

Na mesa de abertura, o reitor da UFSC, Irineu Manuel de Souza; a diretora da Secretaria Nacional da Política de Cuidados, Maria Carolina Alves; a pró-reitora de Permanência e Assuntos Estudantis (PRAE), Simone Sobral Sampaio; a coordenadora geral da Cuidoteca, Josiana Piccolli; e a representante do Coletivo MãEstudantes, Chaiane Guterres da Silva

Participaram da mesa de lançamento o reitor da UFSC, Irineu Manuel de Souza; a diretora da Secretaria Nacional da Política de Cuidados, Maria Carolina Alves; a pró-reitora de Permanência e Assuntos Estudantis (PRAE), Simone Sobral Sampaio; a coordenadora geral da Cuidoteca, Josiana Piccolli; e a representante do Coletivo MãEstudantes, Chaiane Guterres da Silva.

A diretora Maria Carolina Alves afirmou que a iniciativa é uma das ações centrais da política nacional prevista em lei. Segundo ela, o objetivo é “garantir acolhida e cuidado para as crianças nos períodos que excedem a jornada escolar, especialmente à noite, em um lugar seguro, acessível e com qualidade, enquanto mães, pais e responsáveis trabalham, estudam ou fazem qualificação profissional”.

Diretora da Secretaria Nacional da Política de Cuidados, Maria Carolina Alves

Maria Carolina também destacou que a Cuidoteca materializa o direito ao cuidado por meio de ações do governo federal e será implementada em parceria com universidades. “A UFSC foi uma das primeiras com quem conversamos e estamos muito felizes de estar aqui concretizando o projeto e fazendo o lançamento”, disse.

A coordenadora Josiana Piccolli salientou que recebe o projeto “com muita alegria e com profundo senso de responsabilidade”. A professora mencionou que a iniciativa “não nasce no NDI nem na UFSC”, mas é fruto da Política Nacional de Cuidados, que reconhece o cuidado como direito e condição para acesso, permanência e participação plena na vida universitária, “especialmente das mulheres”. Segundo ela, o NDI soma-se a esse movimento ao ceder infraestrutura e, sobretudo, a experiência acumulada em 45 anos de trabalho em ensino, pesquisa e extensão voltados à infância.

Josiana ainda ressaltou que a Cuidoteca não se configura como oferta de educação infantil, “até porque envolve atendimento em período noturno”, e sim como política intersetorial que amplia o olhar sobre o cuidado como responsabilidade compartilhada entre Estado e sociedade. “A Cuidoteca nos ajuda a reconhecer que garantir espaços para as crianças é também garantir condições mais justas de permanência para suas famílias”, afirmou, agradecendo à Reitoria, ao MDS e à PRAE pela viabilização do projeto. “Que a Cuidoteca seja um espaço vivo, coletivo e comprometido com o cuidado e com as infâncias, na construção de uma universidade mais justa, inclusiva e democrática”, finalizou.

Assinatura simbólica do projeto entre UFSC e MDS

A representante do Coletivo MãEstudantes, Chaiane Guterres da Silva, afirmou que o momento é resultado de anos de mobilização. “Só chegamos até aqui porque, muitas vezes, abrimos mão de nos formar no tempo esperado e de estar com nossos filhos para construir políticas públicas”. Ela citou marcos recentes que, segundo ela, impulsionaram a pauta materna nas universidades — como iniciativas legais sobre mães na ciência, licenças e exercício domiciliar — e destacou a criação de grupos de trabalho que “saíram do ventre da UFSC”, em diálogo com parlamentares e ganharam o país. Esse percurso, disse, culminou na Política Institucional de Permanência para Mães Estudantes da UFSC, “com avanços significativos, como o auxílio materno de R$ 300 e o auxílio‑natalidade”.

A líder do coletivo reforçou que a Cuidoteca nasce da necessidade concreta de mães e responsáveis que compõem a comunidade acadêmica. “A universidade tem mães, pais e responsáveis, e seus filhos fazem parte deste espaço”, Em relato pessoal, contou ter se tornado mãe estudante aos 16 anos e atravessado toda a trajetória acadêmica nessa condição: “A universidade pode romper correntes; o cuidado transforma vidas.” Ao final, agradeceu aos responsáveis pela viabilização do projeto e saudou “todas as mulheres, mães e responsáveis que sonharam e construíram essas políticas — e que, muitas vezes, se formaram antes de ver esse sonho concretizado”.

A Cuidoteca é mais do que um espaço físico, constitui-se um território de acolhida e cuidado. O funcionamento à noite permitirá que mães, pais e responsáveis se dediquem às suas atividades acadêmicas e profissionais com maior tranquilidade, encerrou.

Ao final, foi feita a assinatura simbólica do projeto entre UFSC e MDS.

Para candidatas(os) que possuam IdUFSC (como estudantes e servidores), a inscrição deverá ser realizada neste link. Para pessoas que não possuam IdUFSC (contratados e terceirizados), a inscrição deverá ser realizada por meio deste link.

Confira o edital completo.

Mais informações: cuidoteca.paginas.ufsc.br

 

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Fotos: Gustavo Diehl/Agecom

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Editora da UFSC lança romance ‘Zama’, primeiro da Coleção de Literatura Hispano-Americana

28/11/2025 13:55

A Editora da Universidade Federal de Santa Catarina (EdUFSC) acaba de lançar “Zama”, romance do escritor argentino Antonio Di Benedetto, obra que inaugura a Coleção de Literatura Hispano-Americana traduzida ao português do Brasil. A iniciativa, coordenada pelos professores do Centro de Comunicação e Expressão (CCE) da UFSC, Liliana Rosa Reales e Joca Wolff, representa um marco na aproximação entre a literatura brasileira e hispano-americana.

Publicado originalmente em 1956, “Zama” conquistou o status de leitura obrigatória para uma geração de célebres escritores como Augusto Roa Bastos, Julio Cortázar, Juan Rulfo, Mario Vargas Llosa e Roberto Bolaño. O escritor argentino Juan José Saer declarou que “Zama é superior à maior parte dos romances escritos em língua espanhola nos últimos trinta anos”. A obra também recebeu elogios do prêmio Nobel de Literatura John Coetzee e, em 2017, ganhou adaptação cinematográfica dirigida por Lucrecia Martel, indicada ao Oscar de melhor filme estrangeiro.

Com uma linguagem inusual e surpreendente para a época, Di Benedetto narra em primeira pessoa dez anos (1790-1799) da vida de Diego de Zama, funcionário letrado da coroa espanhola. Afastado do centro de poder e deslocado para uma cidade distante (que o autor identificou como Assunção do Paraguai), o protagonista vive atormentado pelo tédio, a solidão e a pobreza, aguardando uma transferência que nunca acontece. O romance é dedicado “às vítimas da espera”.

A obra explora temas profundos como o colonialismo, a marginalização e a busca por pertencimento na América Latina. Uma das metáforas mais marcantes do livro compara a condição do protagonista à de um peixe que deve lutar constantemente contra as águas que o querem expulsar – imagem poderosa da luta dos povos latino-americanos pelo direito de pertencer à própria terra.

Projeto Editorial

A Coleção de Literatura Hispano-Americana nasce de uma política editorial implementada pela direção da EdUFSC, sob gestão de Nildo Ouriques, com foco na América Latina. Segundo a professora Liliana Reales, cada livro é resultado do trabalho de toda uma equipe envolvida na produção editorial.

“Muitas das obras clássicas ou de autores prestigiosos da literatura de nosso subcontinente contam com poucas reedições e alguns nunca foram traduzidos no Brasil”, explica Liliana. “Para entender melhor as forças que movimentam o presente e o destino de nossa América Latina é necessário o conhecimento do campo cultural e literário.”

Cada volume da coleção oferece, além da tradução da obra, prefácios e, em alguns casos, posfácios com estudos críticos, auxiliando leitores e estudantes universitários na compreensão do contexto histórico e literário de cada autor.

Próximos lançamentos da Coleção

Após “Zama”, a coleção publicará “O tempo principia em Xibalbá”, do escritor guatemalteco de origem maia Luis de Lión, nunca antes traduzido ao português, e “Última antologia”, da poeta uruguaia Idea Vilariño. Diversos outros títulos de importantes autores já estão sendo selecionados.

Sobre o autor

Nascido em Mendoza, Argentina (1922-1986), Di Benedetto foi jornalista, escritor e uma das primeiras vítimas da última ditadura militar argentina. Sequestrado em 24 de março de 1976, permaneceu encarcerado e torturado por dezessete meses. Libertado graças à pressão internacional de escritores como Heinrich Böll e Günter Grass, foi obrigado a exilar-se na Espanha por oito anos.

Autor de narrativas mundialmente elogiadas, recebeu diversas distinções, incluindo a bolsa Guggenheim (1974) e o título de Cavalheiro da Ordem do Mérito pelo governo italiano. Sua obra continua sendo objeto de estudos acadêmicos, teses de doutorado e adaptações cinematográficas, demonstrando sua relevância duradoura.

Ficha técnica

Título: Zama
Autor: Antonio Di Benedetto
Tradução: Byron Vélez Escallón
Prólogo: Liliana Reales
Editora: EdUFSC
Coleção: Literatura Hispano-Americana
Coordenação: Liliana Reales e Joca Wolff
Mais informações: site da EdUFSC
Vendas no site da livraria virtual ou pelo e-mail: vendas.editora@contato.ufsc.br

Divisão de Imprensa do GR | SECOM
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