Dossiê entregue à UFSC mapeia efeitos da cirurgia de redesignação em mulheres trans

28/08/2026 11:29

A professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Helena Moraes Cortes, entregou na manhã desta quinta-feira, 27 de agosto, à vice-reitora da instituição, Felipa Amadigi, o Dossiê Redesignadas: Mapeamento sobre Repercussões da Cirurgia de Redesignação Sexual em Mulheres Trans Brasileiras.

O estudo foi desenvolvido pelo Laboratório de Pesquisas, Tecnologias e Inovação em Enfermagem Psiquiátrica, Atenção Psicossocial e Transgeneridades (MentalTrans), vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Enfermagem (PEN) da Universidade, em parceria com o Instituto Nacional de Mulheres Redesignadas (Inamur), e reúne dados de abrangência nacional sobre saúde física e mental, sexualidade, qualidade de vida e acesso ao atendimento após o procedimento de redesignação genital.

Para a vice-reitora Felipa, o documento oferece subsídios importantes para o planejamento institucional. “Identificar essas experiências, necessidades e barreiras é fundamental para que a gestão universitária possa formular ações concretas, qualificar os serviços e fortalecer políticas institucionais que contribuam efetivamente para a garantia dos direitos, do respeito e da dignidade das pessoas trans dentro e fora da Universidade”, afirmou.

O levantamento inédito contou com a participação de mulheres trans e travestis redesignadas das cinco regiões brasileiras. Ao todo, 144 pessoas responderam ao questionário da pesquisa, 104 entrevistas em profundidade e 28 integraram grupos de convergência. A metodologia combinou informações quantitativas e qualitativas para identificar repercussões clínicas, emocionais, sociais e institucionais da cirurgia.

A professora da UFSC, Helena Moraes Cortes (dir.), entregou à vice-reitora da instituição, Felipa Amadigi, o “Dossiê Redesignadas: Mapeamento sobre Repercussões da Cirurgia de Redesignação Sexual em Mulheres Trans Brasileiras”. Foto: divulgação

Entre as participantes que responderam ao questionário, as idades variaram de 22 a 76 anos, com média de 40 anos. A maior parte fez uma cirurgia entre os 31 e os 44 anos, embora quase metade tenha iniciado uma transição social ou hormonal entre os 13 e 18 anos. Para a pesquisa, a diferença entre esses períodos ajuda a dimensionar as barreiras enfrentadas até o acesso ao procedimento, como o número limitado de serviços habilitados, a espera no Sistema Único de Saúde (SUS) e os custos da cirurgia na rede privada.

Os resultados mostram índices elevados de satisfação. Entre as entrevistadas, 86,1% afirmaram que a autoconfiança aumentou muito depois do procedimento, 79,8% declararam estar satisfeitos ou muito satisfeitos com o resultado geral e 82,7% avaliaram que a cirurgia contribuiu positivamente para a sensação de segurança em espaços públicos. Os relatos também demonstram melhorias na autoestima, na saúde mental, na vida sexual, nas interações sociais e no alinhamento entre a identidade de gênero e o corpo.

Os benefícios, entretanto, convivem com dificuldades no atendimento pós-operatório. Segundo o dossiê, 64,6% das participantes enfrentaram alguma complicação depois da cirurgia. Entre os problemas relatados estão a deiscência de sutura, caracterizada pela abertura dos pontos, registrada em 54,8% dos casos, e a estenose vaginal, que pode provocar o estreitamento ou o encurtamento do canal, apontado em 46,2%.

Para a docente Helena, coordenadora do estudo, os resultados demonstram que a assistência não pode se limitar ao procedimento cirúrgico. O cuidado precisa considerar as repercussões da cirurgia na saúde mental, na sexualidade, nas relações sociais e na qualidade de vida, além de garantir o acompanhamento multiprofissional no longo prazo. “O desconhecimento dos profissionais no Sistema Único de Saúde para cuidarem das mulheres trans redesignadas aparece como uma dimensão importante. A transfobia institucional vai se revestindo de outras facetas que demandam intervenções importantes de toda a força de trabalho da saúde, especialmente da Enfermagem”, afirmou a pesquisadora.

O despreparo técnico, o desrespeito ao nome social e a objetificação dos corpos durante consultas aparecem entre os problemas relatados. O Ambulatório Trans foi apontado como o serviço mais procurado para atendimento em saúde mental, citado por 55,6% das participantes. As unidades básicas de saúde, embora sejam a principal porta de entrada do SUS, ainda são evitadas por parte dessas mulheres em razão do medo de discriminação e da falta de profissionais capacitados.

A cirurgia também não eliminou a exposição à violência e ao preconceito. Mesmo depois do procedimento, 52% das participantes afirmaram vivenciar transfobia com alguma frequência. A rua foi apontada como o principal local das ocorrências, presente em 50% dos relatos, seguido pelo ambiente de trabalho e pelos serviços de saúde, com 42,3%. Para 25,6% das entrevistadas, a violência também ocorre no ambiente familiar.

Além dos resultados, o projeto se diferencia pelo envolvimento direto de mulheres trans redesignadas na sua produção. A professora Helena, que compartilha essa identidade, avalia que a composição da equipe contribuiu para estabelecer relações de confiança com as participantes e formular perguntas relacionadas às experiências da população pesquisada. “Deixamos de ser apenas objeto de pesquisa e passamos a ocupar o lugar de quem pensa, analisa e produz conhecimento sobre a própria realidade”, declarou. Segundo a professora da UFSC, essa abordagem rompe com uma tradição acadêmica em que pessoas trans e travestis são frequentemente estudadas sob perspectivas externas, sem atuação direta na construção das pesquisas.

O Dossiê está disponível para consulta pública, e a expectativa é que as evidências reunidas orientem políticas públicas mais inclusivas e ajudem a construir um modelo de atendimento que assegure cuidado continuado, humanizado e livre de transfobia.

Com informações do Coren-RS e Notícias UFSC.

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Hospital Universitário da UFSC realiza solenidade de posse do novo superintendente

06/08/2026 08:27

O enfermeiro e servidor Michel Maximiano Faraco assumiu a Superintendência do Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC), em solenidade realizada na manhã desta quarta-feira, 5 de agosto de 2026. A cerimônia reuniu gestores, docentes, técnicos, estudantes, residentes, colaboradores e comunidade.

Michel Faraco está no cargo desde 21 de julho, quando foi oficialmente nomeado. Durante a solenidade, o termo de posse foi assinado simbolicamente pelo reitor da UFSC, Amir Antônio Martins Oliveira Junior, e pelo presidente da HU Brasil, Arthur Chioro. Também integraram a mesa de autoridades a vice-reitora, Felipa Rafaela Amadigi, e o secretário de Estado da Saúde de Santa Catarina, Diogo Demarchi Silva.

Com 23 anos de atuação profissional no HU-UFSC, Faraco exerceu atividades na assistência e em funções de gestão. Em seu pronunciamento, relembrou sua trajetória na instituição, iniciada como enfermeiro intensivista, e mencionou a experiência acumulada em diferentes áreas administrativas do hospital.

Durante a cerimônia, o superintendente apresentou diretrizes que orientarão sua atuação à frente da instituição, voltadas aos trabalhadores, às atividades de ensino, aos usuários do hospital e ao fortalecimento das atividades do HU-UFSC. Manifestou-se que pretende conduzir a gestão com diálogo, transparência, respeito e responsabilidade. Também destacou a importância das equipes para o funcionamento do hospital e mencionou a integração entre assistência, ensino e pesquisa como um dos temas da administração.

A vice-reitora Felipa destacou a integração entre o Hospital Universitário e a UFSC e registrou que, pela primeira vez, a Superintendência da unidade é exercida por um profissional da Enfermagem. Em sua participação, reiterou: “O HU é UFSC. O HU é SUS.” Felipa também declarou que a Vice-Reitoria da UFSC pretende manter a articulação institucional com o Hospital Universitário para o desenvolvimento de ações conjuntas.

O reitor Amir ressaltou o papel do Hospital Universitário na formação de estudantes e residentes e na prestação de assistência à população por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). “O HU é SUS, mas ele é principalmente hospital-escola”, afirmou. Amir também mencionou a atualização do Plano Diretor Estratégico do HU e o andamento dos trabalhos da comissão de avaliação contratual, conforme deliberações do Conselho Universitário, instância máxima da UFSC.

Rosiani Bion de Almeida | Setor de Imprensa do GR
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