Ex-reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier de Olivo, será homenageado pelo Ministério da Educação

12/11/2025 18:24

Ex-reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier de Olivo. Fotos: Acervo Agecom/UFSC

O ex-reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Luiz Carlos Cancellier de Olivo, será homenageado postumamente com a Ordem Nacional do Mérito Educativo, em celebração aos 95 anos do Ministério da Educação (MEC). A cerimônia contará com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.

A honraria será entregue em solenidade marcada para o dia 14 de novembro, às 15h, no Palácio do Itamaraty, em Brasília, como reconhecimento pelos relevantes serviços prestados à Educação. Representando a família, os irmãos do professor, Acioli Antônio de Olivo e Júlio Cancellier, participarão do evento.

Cancellier

Luiz Carlos Cancellier, o “Cau”, é descrito por seus amigos e familiares como um mediador, uma figura conciliadora que permanentemente buscou o diálogo, especialmente como gestor na UFSC. O catarinense de Tubarão nasceu em 13 de maio de 1958, filho de uma costureira e um operário, tendo dois irmãos: Júlio e Acioli.

Em 1977, ingressou no curso de Direito da UFSC. O período era de resistência contra a ditadura militar e luta pela abertura política do Brasil. Engajado no movimento estudantil, Cancellier trabalhou ativamente nas campanhas para a redemocratização do país, mesmo com risco de prisões e morte. Envolvido, parou os estudos para se dedicar integralmente à carreira de jornalista, até ser assessor parlamentar no Senado Federal de 1992 a 1994.

Em 1995, veio à UFSC para continuar nela até o fim. Retomou o curso de Direito, graduando em 1998. Tornou-se mestre em 2001 e doutor em 2003 no Centro de Ciências Jurídicas (CCJ), com a tese A reglobalização do Estado e da Sociedade em rede na era do acesso.

Como profissional, sempre esteve próximo da área de gestão. Durante a graduação, havia trabalhado como assessor da presidência do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Especializou-se em Gestão Universitária e Direito Tributário. Em 2003, foi Coordenador Geral da Secretaria de Estado da Saúde. Mas é em 2005 que ele ingressa como professor na UFSC, no próprio CCJ.

Ali, lecionou as disciplinas relativas a Direito Administrativo, tornando-se coordenador do curso e membro do Conselho Universitário em 2008. No ano seguinte, foi eleito chefe de departamento por três anos e, ainda, presidente da Fundação José Arthur Boiteux. No começo de 2012, foi nomeado diretor do Centro de Ciências Jurídicas.

Em 2015, venceu o pleito para Reitoria, tendo como vice a professora Alacoque Lorenzini Erdmann, na chapa “A UFSC pode mais”. Cancellier, como gestor, conquistou o caráter de ser uma figura mediadora e conciliadora, dedicando-se profundamente à Universidade e tendo uma trajetória de rápida ascensão.

“Por mais que as dificuldades surjam, uma palavra de conciliação, de abertura e de diálogo sempre pode trazer uma luz”, disse no ato de posse. A meta do seu trabalho foi de trazer a excelência acadêmica e a eficiência administrativa, apostando na descentralização da gestão e na valorização e participação de todos os Centros e Unidades da universidade nas tomadas de decisão.

O seu mandato teve 858 dias, contados de 10 de maio de 2015 a 14 de setembro de 2017, desde a posse à data de aprisionamento, quando foi afastado. O reitor Luiz Carlos Cancellier de Olivo foi liberado, mas impedido de entrar na Universidade e de ter contato com todos que lá trabalhavam. Afastado do que mais amou e ao que se dedicou em toda sua carreira, tirou a própria vida no dia 2 de outubro de 2017, uma segunda-feira.

A sua gestão foi sucedida pelo reitor pro tempore Ubaldo Cesar Balthazar em 2017, que escolheu dar continuidade ao trabalho e manteve a equipe que Cancellier escolheu. Ubaldo foi eleito reitor em novo pleito no ano de 2018 e encerrou seu mandato em julho de 2022.

Saiba mais

A Ordem Nacional do Mérito Educativo, criada em 1955 e regulamentada pelo Decreto nº 4.797, de 31 de julho de 2003, é uma honraria destinada a agraciar personalidades que tenham se distinguido por serviços excepcionais prestados à Educação.

As condecorações são entregues às personalidades nacionais e estrangeiras que se destacaram em ações para a melhoria e o desenvolvimento do ensino e da educação brasileira, a fim de reconhecer o impacto dos trabalhos realizados e incentivar a continuidade de esforços em prol de uma educação de qualidade e equidade.

Os homenageados são reconhecidos em cinco diferentes graus: Grã-Cruz, Grande Oficial, Comendador, Oficial e Cavaleiro. As nomeações e promoções são feitas por decreto do Presidente da República, mediante proposta do Ministro da Educação, após parecer favorável do Conselho da Ordem Nacional do Mérito Educativo.

 

Divisão de Imprensa do GR | SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc

Com informações de: 

Cinco anos sem Cancellier: o legado de uma vida interrompida [Notícias UFSC]

Ordem Nacional do Mérito Educativo [Portal Gov.br]

 

Tags: Luiz Carlos Cancellier de OlivoMECOrdem Nacional do Mérito EducativoUFSC

Hospital Universitário inaugura Laboratório de Simulação Clínica

06/11/2025 17:04

O Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), inaugurou nesta terça-feira (4/11) o novo Laboratório de Simulação Clínica, desenvolvido em parceria com o Centro de Ciências da Saúde (CCS) da UFSC. O espaço foi estruturado com equipamentos e manequins de simulação adquiridos especificamente para atividades de ensino e treinamento em saúde, e sua adequação foi viabilizada por meio da colaboração entre as duas instituições.

Após a solenidade, foram realizadas demonstrações práticas dos novos equipamentos, com transmissão em tempo real do laboratório para o público presente no auditório e para convidados que acompanharam o evento de forma on-line.

Simulação clínica como filosofia de cuidado

A gerente de Ensino e Pesquisa do HU, Jane da Silva, destacou que o novo ambiente representa um marco no aprimoramento das práticas de ensino voltadas à formação e capacitação de profissionais de saúde. “A simulação clínica não é apenas uma ferramenta didática, mas uma filosofia de cuidado e segurança. Nesse ambiente, alunos, residentes e profissionais podem aprender fazendo, se permitir errar, refletir e repetir até o aperfeiçoamento, tornando-se mais ágeis, preparados e responsáveis”, afirmou.

Jane destacou ainda que a implantação do laboratório teve início em 2022, com o planejamento e a aquisição dos equipamentos pelo HU e foi concluída com o apoio de diferentes setores e do CCS. A iniciativa contou com a colaboração de docentes, profissionais e técnicos da Gerência de Ensino e Pesquisa, com suporte institucional da direção do Centro e do colegiado executivo do hospital.

Parceria fortalece o ensino e a pesquisa

O superintendente do HU-UFSC, Spyros Cardoso Dimatos, enfatizou o caráter estratégico da parceria entre o hospital e o CCS. “Esse projeto vem sendo construído há mais de três anos e se concretiza hoje com o investimento de R$ 258 mil em simuladores e manequins. Essa estrutura estará disponível a todos os docentes e estudantes da universidade, reforçando o papel do HU como hospital de ensino e campo de formação para cerca de 800 estudantes de graduação e 200 residentes”, disse.

Ele também anunciou que, em breve, terão início as obras do novo Centro de Estudos do HU-UFSC, em parceria com o CCS e o Departamento de Clínica Médica.

Integração entre ensino e assistência

O diretor do CCS, professor Fabrício de Souza Neves, ressaltou que a iniciativa representa um avanço na integração entre ensino e assistência. “Esse ensino de simulação vai complementar o aprendizado com o paciente real, que já ocorre no hospital. Faltava um espaço prévio para a prática controlada e segura, e agora o temos. É um bonito avanço, fruto da união de esforços para superar desafios em benefício da formação dos estudantes e da qualidade do atendimento à população”, afirmou.

O reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, destacou que a inauguração reforça o papel do HU-UFSC como hospital de ensino. “Precisamos cada vez mais fortalecer o trabalho conjunto entre o CCS e o Hospital. Esse é um passo importante para consolidar o HU como um hospital-escola de excelência, referência tanto no atendimento ao SUS quanto na formação de profissionais qualificados”, afirmou.

Organização e funcionamento do novo espaço

Durante o evento, a fisioterapeuta e instrutora do laboratório, Ana Carolina Starke, apresentou o funcionamento do espaço e explicou o processo de reserva e utilização. Segundo ela, o laboratório terá uma agenda disponível no Portal de Ensino da UFSC e contará sempre com um instrutor responsável do HU-UFSC para garantir o uso adequado dos simuladores, que são equipamentos de alto custo e exigem cuidados específicos.

O novo Laboratório de Simulação Clínica do HU-UFSC está preparado para atender diferentes níveis de complexidade, desde simulações de suporte básico de vida até cenários de alta fidelidade com manequins computadorizados e atores simulando situações clínicas reais. O objetivo é proporcionar um ambiente de aprendizado seguro, realista e colaborativo, que contribua para a formação de profissionais de saúde mais qualificados e comprometidos com a segurança do paciente.

Sobre a Ebserh

O HU-UFSC faz parte da Rede Ebserh desde março de 2016. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.

Fonte: gov.br

Tags: CCSEbserhHULaboratório de Simulação ClínicaMECUFSC

Professor(a): saiba como solicitar a Carteira Nacional Docente do Brasil

20/10/2025 10:33

Professores de todo o país podem solicitar a Carteira Nacional Docente do Brasil (CNDB) por meio do sistema Mais Professores, do Ministério da Educação (MEC). A CNDB é um documento de identificação destinado aos professores da educação pública e privada. Ela tem validade de dez anos, é gratuita e aceita em todo o território nacional. Podem solicitar o documento professores de todos os níveis e etapas da educação.

Com o documento, os docentes poderão ter acesso facilitado aos descontos garantidos para a categoria, como meia-entrada em cinemas, teatros e shows, e a novos benefícios exclusivos do programa Mais Professores para o Brasil — entre eles, cartões de crédito com condições especiais, desconto de 15% em hotéis, além de benefícios e vantagens do #TôComProf, que reúne lojas físicas, e-commerce e serviços de várias categorias. Para ser elegível, é preciso que o docente tenha Cadastro de Pessoa Física (CPF) em situação regular junto à Receita Federal e esteja em exercício da atividade docente em instituição de ensino.

Confira o passo a passo para solicitar a CNDB

Tags: Carteira Nacional Docente do BrasilMECSistema Mais ProfessoresUFSC

Seminário nacional sobre educação de surdos reúne lideranças e gestores públicos

01/10/2025 16:19

O seminário nacional A Formação de Professores para Atuar na Educação Bilíngue de Surdos ocorreu nos dias 30 de setembro e 1º de outubro, no Auditório Antonieta de Barros, na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), em Florianópolis. O evento representou um marco para a educação de surdos no Brasil, ao reunir, pela primeira vez, gestores federais, estaduais e municipais, pesquisadores, representantes da comunidade surda e educadores, entre eles pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Com o objetivo de discutir os desafios e as perspectivas da formação de professores para a educação bilíngue de surdos no Brasil e em Santa Catarina, o seminário também buscou elaborar proposições a partir de debates públicos com agentes do campo educacional. A organização esteve sob a responsabilidade da deputada estadual Luciane Carminatti (PT), presidente da Comissão de Educação e Cultura da Alesc, que mediou, no primeiro dia, uma mesa-redonda sobre o cenário catarinense, com a participação da UFSC e de outras instituições públicas. No segundo dia, os professores e pesquisadores da UFSC, Marianne Rossi Stumpf, Ronice Müller de Quadros e Dionísio Schmitt, conduziram o seminário com foco na perspectiva histórica.

A programação incluiu palestras de especialistas, como Patrícia Luiza Ferreira Rezende-Curione, diretora de Educação Bilíngue de Surdos do Ministério da Educação (MEC), e mesas protagonizadas pela comunidade surda e a apresentação de experiências exitosas de Santa Catarina e de outros estados. Representantes de instituições como a Federação Nacional de Educação e Integração dos Surdos (Feneis), a Associação de Surdos da Grande Florianópolis (ASGF) e a Associação de Surdos da Região de Laguna (Assul), além de gestores surdos em cargos públicos, marcaram presença no encontro.

Santa Catarina destacou-se no evento por suas iniciativas pioneiras, como o curso de Letras Libras da UFSC, referência nacional na formação de professores, e o Campus Palhoça Bilíngue do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), único da rede federal com essa característica. Além disso, o estado conta com escolas especializadas, programas de apoio consolidados e experiências exitosas em diversos municípios.

Durante o seminário, a professora Ronice Quadros abordou as conquistas da comunidade surda e a importância de se avançar ainda mais. Ela celebrou o protagonismo de lideranças surdas em espaços de destaque e ressaltou as transformações sociais e culturais que levaram ao reconhecimento e à valorização da língua de sinais. “Hoje nós temos uma mudança de consciência. Nós temos um crescimento, um avanço da sinalização”, afirmou.

Ronice enfatizou a necessidade de “fortalecer essa educação desde a base” e destacou a tecnologia como uma aliada no processo de inclusão e empoderamento da comunidade surda. “A tecnologia está aqui, está posta. Nós precisamos aceitá-la e trabalhar com isso, trabalhar usando essa ferramenta. É um ganho surdo.” Ao rememorar os desafios históricos, ela comparou o período do oralismo, que restringia o uso da língua de sinais, a um “momento obscuro” e destacou os avanços proporcionados por legislações como a Lei de Libras (2002) e o Decreto 5626 (2005), que abriram caminhos para a regulamentação da educação bilíngue e a formação de professores.

Ronice também ressaltou a importância do contato com outras línguas de sinais, como a língua de sinais internacional, e reforçou a ideia de um mundo plurilíngue e conectado. Encerrando sua fala, deixou uma mensagem de esperança: “Passamos por momentos obscuros, sim, mas hoje nós temos a luz. Que vocês sintam essa luz, que vocês vejam essa luz e levem com vocês.”

Dionísio Schmitt, outro palestrante do seminário, revisitou a história da educação de surdos em Santa Catarina, destacando o papel central de Francisco, conhecido como Chiquito, na criação da Associação de Surdos de Santa Catarina nos anos 1950. Dionísio ressaltou o impacto do trabalho pioneiro de Francisco, que mapeou a comunidade surda, criou redes de apoio e disseminou a língua de sinais. “Se ele não estivesse nesse momento da história desenvolvendo todo o trabalho que desenvolveu, nós não estaríamos aqui”, afirmou.

Ele também relembrou a criação da primeira escola para surdos em Florianópolis, liderada por Francisco, e os desafios enfrentados com o surgimento do Instituto de Audição e Terapia da Linguagem (Iatel), que defendia o método oralista. Apesar das dificuldades, Francisco foi responsável por criar as bases que fortaleceram as associações e os movimentos surdos ao longo das décadas.

Dionísio destacou ainda o papel das instituições de ensino superior, como a UFSC e a Udesc, na formação de professores e na valorização da Libras. Ele relembrou a criação do primeiro curso de Letras Libras do Brasil, fruto de uma luta coletiva, e a importância de polos de educação bilíngue em cidades como São José, Joinville e Chapecó. “Antes não havia nenhum curso de Letras Libras. A reitoria aceitou a nossa proposta e foi criado então o primeiro curso de Letras Libras do Brasil”, disse.

O seminário também serviu para refletir sobre o papel das associações de surdos na conquista de direitos e na criação de políticas públicas. Dionísio lembrou o movimento de 2005, quando associações, instituições de ensino e a comunidade surda se reuniram em frente à Alesc para lutar por formação de professores e pela difusão da língua de sinais. Para ele, as associações foram essenciais para abrir caminhos e consolidar as conquistas celebradas hoje.

Ambos os palestrantes reforçaram a importância de revisitar o passado para reconhecer os desafios superados e celebrar as conquistas históricas. O seminário foi encerrado com um chamado à continuidade da luta por uma educação inclusiva e bilíngue, que valorize a língua de sinais e amplie as oportunidades para as futuras gerações da comunidade surda.

 Assista ao seminário na íntegra:

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

 

 

Tags: AlescCCEDeonísio SchmittEducação Bilíngue de SurdosFormação de ProfessoresLuciane CarminattiMarianne Rossi StumpfMECRonice Müller de QuadrosUFSC

Reitoria da UFSC participa de agenda estratégica em Brasília para futuro das IFES

22/08/2025 15:28

Nos dias 20 e 21 de agosto de 2025, a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) realizou, em sua sede em Brasília (DF), a 182ª Reunião Extraordinária do Conselho Pleno. O evento contou com a participação de gestores(as) de todo o país, incluindo o reitor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Irineu Manoel de Souza, e a vice-reitora, Joana Célia dos Passos, para debater temas estratégicos relacionados ao futuro da educação superior no Brasil. Entre as pautas destacaram-se a Política Nacional de Educação Superior (PNEDS), o orçamento das universidades federais e uma proposta de cooperação com a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Brasil.

O primeiro dia do evento (20) teve início, às 14h, com o Seminário Temático sobre a Política Nacional de Educação Superior. Após a abertura, uma mesa-redonda reuniu especialistas como Lúcia Pellanda, diretora de Desenvolvimento Acadêmico da Secretaria de Educação Superior do Ministério da Educação (SESu/MEC); Jacques Marcovitch, professor da Universidade de São Paulo (USP); Lia Rita Azeredo Bittencourt, vice-reitora da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp); Luiz Cláudio Costa, reitor do Centro Universitário IESB; e a deputada federal Ana Cristina de Lima Pimentel. A discussão girou em torno da necessidade de atualização da política educacional, cujo último documento formal data de 1968, para enfrentar os desafios contemporâneos da educação pública.

Os debates abordaram questões como orçamento, autonomia universitária e a resistência à inovação, além de explorar as oportunidades trazidas pela Inteligência Artificial (IA). Houve consenso sobre a importância de as universidades federais liderarem esse processo de transformação, repensando currículos, metodologias de ensino e estratégias de comunicação com a sociedade. Além disso, destacou-se a relevância de indicadores de impacto, que vão além de métricas quantitativas, para evidenciar o valor social das instituições e, assim, garantir financiamento adequado.

A deputada federal Ana Pimentel enfatizou a necessidade de aproximação com o Congresso Nacional para fortalecer pautas relacionadas à educação superior. Pimentel alertou sobre o desafio de aprovar medidas progressistas em um cenário de aumento desproporcional das emendas parlamentares, o que compromete a lógica de funcionamento do Estado e impacta diretamente as universidades públicas. Segundo ela, é essencial reforçar o papel das universidades no debate sobre a democratização da educação.

A professora Lúcia Pellanda (SESu/MEC) reforçou a importância de uma construção coletiva para a PNEDS. Pellanda mencionou que o processo teve impulso a partir de uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU), em 2021, e visa estabelecer diretrizes e indicadores alinhados aos objetivos constitucionais e legais da educação. Também apresentou áreas temáticas como financiamento, acesso, permanência, pesquisa e extensão, além de incluir temas emergentes como inovação pedagógica, IA e mudanças climáticas.

O professor Jacques Marcovitch (USP) destacou a diferença entre métricas de “resultado” e “impacto”. Enquanto o resultado refere-se ao produto de atividades acadêmicas, avaliado pelos pares, o impacto reflete os efeitos econômicos, sociais, ambientais e culturais dessas atividades, medidos pelos beneficiários. O docente criticou o foco excessivo no monitoramento de insumos e processos, em detrimento de resultados e impactos, defendendo a necessidade de as universidades prestarem contas à sociedade por meio de indicadores qualitativos.

A professora Lia Rita Bittencourt, vice-reitora da Unifesp, compartilhou sua experiência ao migrar de uma visão baseada em métricas quantitativas para uma abordagem mais orientada ao impacto. Ela sugeriu formas de medir o impacto do ensino, como o envolvimento de egressos; da pesquisa, por meio de parcerias extra-acadêmicas e mudanças em políticas públicas; e da extensão, considerando o engajamento comunitário. Lia também ressaltou a importância de considerar as especificidades regionais e o porte das instituições na avaliação de impacto, sublinhando a colaboração entre universidades públicas paulistas no uso estratégico de dados.

O professor Luiz Cláudio Costa, ex-secretário da SESu e ex-reitor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), apresentou um panorama sobre a evolução da IA, desde sua concepção até avanços recentes, como o lançamento do ChatGPT (2022). Dentre as suas projeções, a IA irá transformar profundamente, em poucos anos, o setor educacional. Costa argumentou que o modelo atual de universidades pode dar lugar a instituições que priorizem a certificação de habilidades, em vez de currículos extensos e rígidos. Ele sugeriu que o Brasil invista em IA setorial, voltada ao SUS ou à rede federal de ensino, em vez de competir globalmente no desenvolvimento de IA geral. Por fim, destacou que essa tecnologia deve ser uma aliada dos professores, mas alertou para desafios como vieses discriminatórios e a plataformização da educação.

O seminário culminou em um consenso sobre a urgência de uma política de educação superior que seja protagonista, flexível e orientada ao impacto social, integrando tecnologias emergentes sem perder o foco no desenvolvimento humano e na democratização do acesso ao conhecimento. As discussões serão sistematizadas e servirão de base para os próximos passos na elaboração da PNEDS, com um seminário mais amplo programado para setembro deste ano.

Ainda no dia 20, às 18h30, ocorreu um encontro entre reitoras e vice-reitoras e a ministra de Estado das Mulheres, Márcia Lopes, na sede do ministério. O diálogo reforçou a importância de parcerias entre instituições de ensino e o governo para a promoção de políticas públicas voltadas à igualdade de gênero e ao fortalecimento da educação superior.

Encontro entre reitoras e vice-reitoras e a ministra de Estado das Mulheres, Márcia Lopes (segunda da dir. p/ esq.). Foto: Divulgação

A programação do dia seguinte (21) começou com a apresentação de Lisandro Granville, novo diretor-geral da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Em seguida, novamente a ministra Márcia Lopes participou de um diálogo, abordando ações conjuntas para ampliar a participação feminina no meio acadêmico e em posições de liderança. A vice-reitora da UFSC, Joana Célia dos Passos, pontuou a necessidade de revisar a legislação que tipifica a violência política contra mulheres. Durante sua passagem pela SESu/MEC, Joana Célia também levou projetos relacionados à acessibilidade, IA, ações afirmativas e diversidade, além do II Seminário Nacional de Gestão em Ações Afirmativas para a Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi).

No período da tarde, os debates se voltaram aos desafios e prioridades financeiras das universidades federais, com a presença de Marcus Vinicius David, secretário de Educação Superior (SESu/MEC); Aline Pereira Leal, coordenadora-geral de Planejamento e Orçamento das Instituições Federais de Educação Superior (CGPO/Difes/SESu); e Evandro Rodrigues de Faria, coordenador do Fórum de Pró-Reitores de Planejamento e Orçamento das IFES (Forplad).

Encerrando o evento, foi apresentada uma proposta de cooperação entre as universidades federais e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) no Brasil, com a participação de representantes da OPAS. A iniciativa visa fortalecer a pesquisa, a formação acadêmica e o impacto social das universidades no campo da saúde pública.

Acompanhe o debate na íntegra:

 

Rosiani Bion de Almeida | SECOM
imprensa.gr@contato.ufsc.br

Tags: AndifesConselho PlenoMECMinistério das MulheresPolítica Nacional de Educação SuperiorSecretaria de Educação SuperiorUFSC
  • Página 2 de 4
  • 1
  • 2
  • 3
  • 4