Ponte Hercílio Luz, 100 anos: para a UFSC um ‘símbolo que conecta pessoas, territórios e saberes’

13/05/2026 18:00

Na noite desta terça-feira, 12 de maio, a Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc) realizou sessão especial em comemoração aos 100 anos da Ponte Hercílio Luz. Proposta pelo deputado Marcos Vieira (PSDB), a solenidade foi marcada por homenagens e manifestações de memória e afeto ao principal cartão‑postal catarinense, contando também com a presença do chefe de Gabinete da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Bernardo Meyer.

“Celebrar o centenário da nossa Ponte Hercílio Luz é reconhecer, ao mesmo tempo, a grandeza de uma obra de engenharia e a força de um símbolo que conecta pessoas, territórios e saberes. Ao longo de décadas, a UFSC formou profissionais e pesquisadores que contribuíram com estudos, ensaios e pareceres técnicos para a conservação desta estrutura singular. Essa trajetória, em diálogo permanente com o poder público e com a sociedade, reafirma nossa missão: transformar ciência em serviço, patrimônio e cidadania para Santa Catarina”, destaca Meyer.

O Parlamento reuniu autoridades, familiares e trabalhadores que ajudaram a construir, manter e restaurar a ponte. Entre os homenageados, esteve o aposentado Ivo Pelegrini, que dedicou toda a carreira à estrutura, chegando a mestre de obras. Também receberam reconhecimento ex‑governadores, lideranças envolvidas na preservação do bem histórico e familiares do ex‑governador Hercílio Pedro da Luz, reforçando a dimensão coletiva da obra e de sua salvaguarda.

A programação integrou ainda uma exposição fotográfica com imagens do livro “Ponte Hercílio Luz – uma ligação de amor”, de autoria do arquiteto, fotógrafo e pesquisador Joel Pacheco, obra já lançada anteriormente na Alesc no contexto das ações do centenário. Como complemento, foi apresentada ao público uma réplica da ponte, construída pelo comerciante florianopolitano Marcelo Pedro dos Santos — uma peça de 1,80 metro de comprimento que permanecerá exposta no hall da Alesc entre os dias 12 e 22 de maio.

Durante a cerimônia, um vídeo institucional resgatou a linha do tempo. Concebida como prioridade de governo em 1918, com projeto iniciado em 1919 e obras a partir de 1922, a estrutura foi oficialmente inaugurada em 13 de maio de 1926, tornando‑se então a maior ponte pênsil do mundo com sistema de barras de olhal. Construída com cerca de cinco mil toneladas de aço importadas dos Estados Unidos, em quatro remessas marítimas, a ponte enfrentou o desgaste das décadas seguintes: foi interditada em 22 de janeiro de 1982 após sobrecarga de asfalto, reaberta em 15 de março de 1988 e novamente fechada em 4 de julho de 1991, em razão da deterioração das barras de olhal.

A partir de debates intensificados na Alesc em 1996, sucederam‑se iniciativas de preservação: um projeto de restauração apresentado em 2005, o rompimento contratual por atrasos em agosto de 2014, nova contratação para as torres em fevereiro de 2015 e, em 2016, os trabalhos foram assumidos por uma empreiteira portuguesa. O processo — que substituiu aproximadamente 40% da estrutura metálica e mobilizou centenas de profissionais — culminou na entrega à população em 30 de dezembro de 2019, num gesto simbólico de reconciliação de Florianópolis com seu maior ícone.

Em seu discurso, o prefeito de Florianópolis, Topázio Neto, sublinhou a ponte como solução estrutural que integrou a ilha ao continente, possibilitando o desenvolvimento urbano, econômico e acadêmico da capital — neste último ponto relacionado à criação e à expansão da UFSC nas décadas seguintes. Ao reconhecer a contribuição da Universidade e dos diversos agentes públicos e privados envolvidos na restauração, o prefeito também ressaltou a atualidade da ponte para a mobilidade urbana e para a identidade cultural da cidade.

Em síntese, a solenidade celebrou o centenário da Ponte Hercílio Luz combinando memória, técnica e cidadania: revisitou a trajetória histórica da obra (de 1922 a 2019), reafirmou seu papel decisivo na integração e no desenvolvimento de Florianópolis e prestou tributo a personagens históricos, autoridades, instituições — entre elas a UFSC — e trabalhadores que asseguraram a permanência do monumento como símbolo maior de Santa Catarina e ativo relevante para a mobilidade da capital.

Assista à cerimônia na íntegra:

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