Artigo: ‘Entre discurso e fatos’

23/02/2026 15:33

A administração das universidades brasileiras, no atual contexto de austeridade fiscal, enfrenta um desafio imenso e, em sua escala, inédito. A redução drástica dos investimentos e do custeio do sistema federal de ensino superior público impõe soluções igualmente duras e escolhas difíceis. Ignorar esse cenário revela profundo desconhecimento da realidade das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES).

A Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes) estima que as restrições orçamentárias acumuladas desde 2014 correspondem a cerca de 50% do orçamento de custeio das IFES. Em consequência, os déficits se multiplicam em escala nacional. Diariamente, as universidades são obrigadas a decidir quais compromissos financeiros honrar e quais postergar, configurando um cenário permanente de administração sob escassez. Ao contrário do que muitas vezes se tenta fazer crer, essas escolhas são profundamente políticas, pois extrapolam o mero cálculo contábil e expressam compromissos com o papel da universidade como agente de transformação social.

Cotidianamente, as IFES enfrentam demandas emergenciais e, ao mesmo tempo, a necessidade de sustentar projetos estruturantes que só produzem resultados no médio e longo prazo. Na UFSC, os desafios não são menores: o esforço diário para manter a universidade em funcionamento, dentro dos marcos da normalidade institucional, tem sido intenso e permanente.

Apesar das adversidades, trabalhamos arduamente, dia após dia, para cumprir o programa que nos elegeu em 2022. Assumimos a universidade pós-pandemia, em um contexto de grave asfixia financeira, resultante de decisões orçamentárias tomadas pelo governo federal. Mesmo assim, amparados pela confiança da comunidade universitária, não nos afastamos de nossos compromissos. Implementamos políticas de permanência estudantil e de inclusão social. Lutamos junto ao governo federal e buscamos alternativas com outras IFES, para a criação da Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (PROAFE), assegurando, em nossa gestão, políticas institucionais voltadas à pluralidade e à diversidade.

Realizamos esforços significativos para atender às demandas de expansão e funcionamento dos campi, assim como para regularizar contratos e serviços naquele momento inexistentes ou insuficientes. Apesar das limitações orçamentárias, o apoio à pesquisa e à extensão e o trabalho sistemático pela melhoria do ensino e a garantia da permanência estudantil, foram, de fato, compromissos centrais da gestão.

Nas instâncias de decisão — em especial no Conselho Universitário — mantivemos permanentemente o diálogo aberto com a comunidade. As portas da administração central estiveram e permanecem abertas, e jamais deixamos de ouvir, acolher e dialogar com estudantes, docentes, TAEs, trabalhadores terceirizados e comunidade. O caráter democrático de nossa gestão é inequívoco e amplamente reconhecido, a ponto de, não raras vezes, sermos considerados excessivamente tolerantes com protestos. O que fizemos, na prática, foi reafirmar o diálogo como fundamento de uma universidade plural, aberta e democrática, na qual a comunidade pode se manifestar, pressionar, criticar e participar ativamente da vida institucional. É essa a universidade em que acreditamos e pela qual lutamos: uma universidade que não teme a participação de sua própria comunidade.

Nesse contexto, movimentos de desagregação da comunidade universitária e da gestão acabam por servir apenas a interesses pessoais ou aos que atacam sistematicamente o ensino superior público federal. Com coragem e responsabilidade, enfrentamos problemas estruturais graves, garantimos os recursos necessários às bolsas estudantis e asseguramos o funcionamento do Restaurante Universitário, o maior equipamento de permanência estudantil da UFSC.

As políticas de inclusão e diversidade não são patrimônio de indivíduos ou grupos. São fruto de lutas históricas, debates públicos e mobilização social, consolidadas no conjunto das universidades brasileiras. Ações afirmativas, políticas de enfrentamento ao racismo, à discriminação de gênero e o respeito à diversidade sexual são hoje reconhecidas em diversas instituições de ensino. Na UFSC, essas conquistas foram efetivadas com respaldo institucional e esforço concreto de nossa gestão, em um processo de construção coletiva. Nesse contexto, é importante ressaltar que a UFSC é uma das referências nacionais nas políticas de inclusão e diversidade. Contudo, apropriar-se individualmente destas conquistas revela postura incompatível com o compromisso institucional que se espera de quem ocupa cargos de direção.

É de conhecimento público que, ao longo do mandato, projetos pessoais e ambições políticas interferiram, em diversas ocasiões, no compromisso da então vice-reitora com a gestão da UFSC. No dia 18 de fevereiro, a menos de dois meses da consulta informal à comunidade para a Reitoria, recebemos a carta de renúncia da, até aquele momento, vice-reitora – fato inédito nos 65 anos de história da Universidade Federal de Santa Catarina.

Em sua carta, a ex-vice-reitora apresentou uma série de acusações públicas contra o reitor. Cabe destacar que nossa gestão foi a primeira na história da UFSC a assegurar paridade de gênero no primeiro escalão, não como gesto retórico, mas como opção política estruturante, capaz de alterar concretamente as relações de poder dentro da universidade. Rompemos com uma tradição que naturalizava a exclusão das mulheres dos espaços centrais de decisão e governança. Assim, ao contrário de uma leitura meramente formal da paridade, garantimos às mulheres não apenas presença numérica, mas autoridade real, protagonismo institucional e participação efetiva nas decisões estratégicas da Reitoria, com poder político e responsabilidade sobre os rumos da UFSC.

Ainda em sua carta de renúncia, a ex-vice-reitora acusa o reitor de não buscar alternativas para a crise orçamentária da UFSC. Caso estivesse mais presente no cotidiano institucional, teria podido constatar a atuação permanente do reitor em Brasília, na Andifes, no Congresso Nacional e no MEC. Para além das reuniões com a bancada federal, participamos da formulação das propostas para a construção de um modelo de financiamento sustentável das IFES, aprovado por lei específica, e pela extinção da lista tríplice e do modelo 70/30 nas eleições para a reitoria.

O fato é que a divulgação pública dessas acusações, em forma de factoide, mais uma vez expôs a UFSC à exploração midiática local e nacional, oferecendo munição aos que insistem em deslegitimar o ensino superior público.

Para nossa surpresa, na manhã seguinte à renúncia, no dia 19 de fevereiro de 2026, recebemos do Ministério das Mulheres uma correspondência oficial, datada de 13 de fevereiro de 2026, solicitando a cessão da então vice-reitora para ocupar cargo naquele ministério, em Brasília. A data do documento evidencia que o convite ao novo cargo antecedeu a renúncia. Os fatos são inequívocos, ainda que alguns insistam em negá-los, o que é especialmente grave em uma instituição comprometida com o rigor dos fatos e com a verdade.

Em nosso entendimento, essa sequência de acontecimentos revela que o compromisso da ex-vice-reitora com a UFSC esteve subordinado a projetos pessoais de carreira. Mais grave ainda é constatar que sua renúncia banaliza o cargo que ocupava, um posto que deveria ser exercido com responsabilidade institucional até o último dia do mandato.

A publicização da renúncia às vésperas de um processo eleitoral, com os motivos alegados pela ex-vice-reitora, compromete sua legitimidade ética. Silenciar por anos e vocalizar críticas apenas no contexto eleitoral indica interesse político, e não compromisso com a universidade.

Não corresponde à realidade a afirmação de que o programa eleito pela maioria da comunidade universitária “não foi realizado”. Apesar das dificuldades, cumprimos praticamente todas as propostas apresentadas. Seguimos trabalhando com determinação para enfrentar os desafios orçamentários sem comprometer o potencial científico, tecnológico e cultural da UFSC, nem a permanência estudantil.

A gestão segue trabalhando, pois há muito a fazer pela UFSC. Compartilhamos as conquistas, porque são da comunidade universitária, e reconhecemos também os limites e as ações não realizadas. Ainda assim, mantemos nossa crença no potencial da UFSC e das pessoas que a constroem diariamente: docentes, TAEs e estudantes.

A UFSC é maior do que interesses particulares. A exposição pública irresponsável da universidade, nos termos em que foi realizada, produz instabilidade institucional e alimenta aqueles que desejam enfraquecer o ensino superior público. Divergências fazem parte da democracia; atacar a instituição, não. Nosso compromisso com a UFSC antecede o exercício de qualquer cargo e se renova agora com ainda mais convicção, na certeza de que a maioria da comunidade seguirá unida em defesa da universidade pública, democrática e comprometida com o desenvolvimento de Santa Catarina e do Brasil.

 

Irineu Manoel de Souza
Reitor da UFSC

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Política institucional contra assédio e discriminação entra em vigor na UFSC

23/02/2026 12:03

A Política de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), aprovada pelo Conselho Universitário em 18 de novembro de 2025, foi publicada no Diário Oficial no dia 19 de fevereiro de 2026, e objetiva promover uma convivência digna, saudável, segura e sustentável.

A Resolução Normativa nº 221 aplica-se a toda a comunidade universitária — discentes, docentes, técnicos-administrativos, estagiários, aprendizes, trabalhadores terceirizados e prestadores de serviços — em quaisquer espaços físicos ou virtuais vinculados às atividades institucionais, abrangendo assédio moral e sexual, bem como todas as formas de discriminação.

A política responde a uma demanda histórica da comunidade e a acordos de greve firmados desde 2015. Por este motivo, a pró-reitora de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodegesp), Sandra Carrieri, a considera um avanço institucional: “não é uma pauta restrita a um determinado público, mas organiza procedimentos e cria condições para encaminhamentos adequados às três categorias da comunidade universitária, as quais necessitam de acolhimento qualificado. Ao colocar a política em prática, a UFSC assegurará esse atendimento”.

Esse marco normativo se orienta por princípios como a dignidade da pessoa humana, a garantia de um ambiente seguro, o sigilo e o tratamento humanizado, com respeito à diversidade e atenção a grupos vulnerabilizados. Suas diretrizes priorizam um ambiente saudável e inclusivo, uma abordagem integrativa que considere contextos organizacionais e socioculturais, e o incentivo a uma cultura de respeito, equidade e diálogo. Os objetivos incluem ações contínuas de informação e capacitação, identificação de fatores de risco, acolhimento e cuidado biopsicossocial, adoção de ações administrativas e restaurativas, tratamento de denúncias e formação obrigatória, especialmente para quem ocupa cargos de gestão.

O reitor Irineu Manoel de Souza reitera o caráter histórico da política e acrescenta que a iniciativa “fortalece a gestão ao estabelecer com clareza procedimentos e responsabilidades, organizar uma rede de acolhimento e tornar mais ágeis e efetivas as ações institucionais de prevenção e enfrentamento ao assédio e à discriminação.”

O enfrentamento ocorre em quatro frentes: divulgação e capacitação; acolhimento e acompanhamento em saúde; ações administrativas, práticas restaurativas e mediação; e tratamento de denúncias. Essas abordagens podem ocorrer em paralelo, mas, após a formalização de denúncia na Ouvidoria, via Fala.BR, passam a vigorar os trâmites específicos definidos na própria Política e na legislação aplicável.

A Rede de Acolhimento reúne setores como Prodegesp, Pró-Reitoria de Ações Afirmativas e Equidade (Proafe) — em especial o Serviço de Acolhimento a Vítimas de Violências (SEAVis), Pró-Reitoria de Assuntos Estudantis (PRAE), Pró-Reitoria de Graduação e Edcuação Básica (Prograd), Pró-Reitoria de Pós-Graduação (Propg), Ouvidorias (UFSC e Hospital Universitário), Comissão de Ética e as equipes pedagógicas do Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI) e do Colégio de Aplicação (CA), entre outros. O acolhimento deve observar escuta humanizada, sigilo e linguagem acessível, com encaminhamentos para atendimento em saúde e outras medidas necessárias.

As denúncias devem ser registradas na plataforma Fala.BR, por qualquer pessoa, sendo que chefias têm o dever de comunicar fatos de que tiverem ciência. A manifestação precisa conter elementos mínimos de autoria, materialidade e compreensão, podendo a Ouvidoria solicitar complementações. O encaminhamento à apuração depende do vínculo da pessoa denunciada: servidores/as são apurados pela unidade correcional, discentes em processo próprio, e terceirizados/as por meio da gestão do contrato com apoio da Pró-Reitoria de Administração (Proad). O tratamento deve ser célere e pautado pela proteção de dados, pela não revitimização e pela valorização do depoimento da vítima, garantindo-se transparência sobre o desfecho, conforme a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A governança da Política prevê a criação de uma Comissão Intersetorial Permanente, com representantes de órgãos institucionais, entidades sindicais e estudantis, e áreas de gestão. Cabe a essa Comissão coordenar a execução da Política, recomendar providências, monitorar dados e denúncias, propor campanhas e melhorias, apoiar medidas cautelares, fomentar capacitação e práticas restaurativas e promover a avaliação e a revisão da Política.

Leia mais: Ouvidoria da UFSC: seu canal de escuta e participação

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Tags: Política de Prevenção e Enfrentamento ao Assédio e à DiscriminaçãoProdegespSandra CarrieriUFSC

Ouvidoria da UFSC: seu canal de escuta e participação

23/02/2026 09:18

A Ouvidoria da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) é o canal oficial para a comunidade universitária e a sociedade encaminharem manifestações, como reclamações, sugestões, solicitações, elogios, denúncias e propostas de simplificação de serviços e atividades. Seu propósito é fortalecer a participação social e contribuir para o aprimoramento contínuo da Universidade.

A Ouvidoria está à disposição para ouvir, orientar e encaminhar suas demandas, contribuindo para a transparência, a melhoria dos serviços e o fortalecimento da gestão pública. O setor orienta sobre como apresentar sua manifestação; recebe, analisa, trata e encaminha as manifestações às áreas responsáveis da Universidade; trata denúncias encaminhando-as para apuração, com proteção de identidade conforme a legislação; busca soluções e propõe melhorias em serviços e procedimentos a partir das manifestações recebidas; e acompanha os prazos e a qualidade das respostas fornecidas aos manifestantes.

Por outro lado, a Ouvidoria não apura diretamente denúncias, não atua como instância recursal, não investiga nem pune (atribuições das áreas correcionais ou de controle), não substitui setores específicos na resolução imediata de problemas ou no fornecimento de informações que já possuem canais próprios e não exerce poderes coercitivos para exigir, modificar, anular ou revogar atos.

A Ouvidoria recebe diferentes tipos de manifestação: denúncia (comunicação de irregularidades ou atos ilícitos, que a Ouvidoria analisa, trata e encaminha ao setor competente para apuração), reclamação (registro de insatisfação com serviços prestados ou condutas de agentes públicos), solicitação (pedido de providências ou de informações sobre ações e serviços da UFSC), sugestão (ideias para melhorar serviços e atendimentos da Universidade), elogio (reconhecimento de satisfação com um serviço ou atendimento) e simplifique (propostas para desburocratizar e facilitar serviços e processos administrativos).

Onde registrar a manifestação

  • Plataforma Fala.BR: falabr.cgu.gov.br
    Em caso de dúvidas, é possível contatar a Ouvidoria presencialmente, por e-mail ou por telefone.

Carta de Serviços ao Cidadão
Para identificar o setor da UFSC mais adequado à sua demanda, consulte a Carta de Serviços ao Cidadão, que reúne os serviços oferecidos, formas de acesso e compromissos de atendimento.

Atendimento e contatos da Ouvidoria da UFSC

 

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UFSC cria superintendência para ampliar o cuidado em saúde da comunidade universitária

20/02/2026 11:50

A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) oficializou, em 9 de fevereiro de 2026, a criação da Superintendência de Atenção à Saúde, estrutura estratégica voltada à consolidação e ampliação da rede de cuidado destinada à comunidade universitária. A nova unidade é resultado dos estudos e trabalhos institucionais desenvolvidos desde 2023 e estará vinculada à Pró-Reitoria de Desenvolvimento e Gestão de Pessoas (Prodegesp).

A Superintendência nasce com o propósito de organizar, integrar e qualificar as ações institucionais de promoção, prevenção e assistência em saúde — abrangendo de forma integrada a saúde física e mental —, estruturando fluxos de cuidado mais articulados e ampliando o acesso da comunidade universitária aos serviços ofertados.

Para conduzir a nova unidade será designada a servidora Nicolle Doneda Ruzza, atual diretora do Departamento de Atenção à Saúde (DAS) e que esteve à frente das comissões institucionais. A criação da Superintendência se justifica pela necessidade de consolidar uma estrutura integrada capaz de acolher e atender estudantes e servidores de forma mais ampla e resolutiva, fortalecendo políticas institucionais de saúde e promovendo bem-estar, qualidade de vida e permanência qualificada na Universidade.

Entre as principais atribuições da Superintendência estão: acolher e atender a comunidade universitária no âmbito da saúde; criar, implantar e gerenciar políticas institucionais de saúde e áreas correlatas; desenvolver programas e projetos voltados à promoção e prevenção em saúde; articular redes com organismos internos e externos.

Com a nova configuração, a Superintendência terá como diretrizes prioritárias o mapeamento e a integração dos serviços já existentes; a qualificação de protocolos de atendimento e acolhimento; o estabelecimento de políticas que dialoguem com as especificidades da vida acadêmica e das condições de trabalho dos servidores; e a ampliação de ações de cuidado, prevenção e promoção da saúde em parceria com unidades acadêmicas, administrativas e com a rede pública de saúde.

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UFSC e governo estadual inauguram primeiro laboratório da Rede Catarinense de Robótica

19/02/2026 15:35

Foto: Gizely Campos

A consolidação de uma infraestrutura científica de alto nível marca um novo momento para a robótica no estado, com a criação de uma rede que integra diferentes regiões, fortalece a pesquisa de ponta e já demonstra potencial de aplicação em ações conjuntas com forças de segurança e órgãos de fiscalização. Em Santa Catarina, essa iniciativa resultou na criação da Rede Catarinense de Laboratórios de Robótica Avançada (RCRobótica), que conecta três campi da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Nesta quinta-feira, 19, foi inaugurado, em Joinville, o primeiro laboratório físico multiusuário da rede. As unidades da UFSC em Florianópolis e Blumenau serão inauguradas nos dias 2 e 3 de março, respectivamente.

A RCRobótica foi viabilizada com recursos da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Estado de Santa Catarina (Fapesc), por meio do Programa Multilab SC, com investimento total de R$ 2,5 milhões.

A implantação nos três campi foi definida como estratégia para garantir especializações técnicas específicas, ampliar o acesso regional à infraestrutura científica e fortalecer a articulação entre grupos de pesquisa no estado.

Durante a cerimônia, o presidente da Fapesc, Fábio Wagner Pinto, ressaltou que a implantação da rede faz parte de uma política pública estratégica do Governo do Estado, sob a liderança do governador Jorginho Mello, voltada ao fortalecimento da ciência, da tecnologia e da inovação. “Trata-se de um projeto aprovado no âmbito do Programa Multilab SC, estruturado para assegurar às universidades acesso a infraestrutura científica qualificada e a equipamentos multiusuários. Com a implantação desses três laboratórios estratégicos, voltados à robótica industrial e móvel, avançamos na pesquisa de alto nível, na integração entre equipes e no uso compartilhado da infraestrutura, fortalecendo o papel de Santa Catarina como referência em ciência, tecnologia e inovação. Com uma estrutura como a do Multilab e com a visão do governador Jorginho Mello, conseguimos viabilizar projetos nos quais o aluno da universidade e o membro da comunidade percebem diretamente os benefícios do desenvolvimento tecnológico, do incentivo à pesquisa e da inovação”, afirmou.

O reitor da UFSC, Irineu Manoel de Souza, também destacou a importância da iniciativa ao afirmar que a Rede Catarinense de Laboratórios de Robótica Avançada fortalece o protagonismo da universidade ao integrar laboratórios multiusuários e ampliar o acesso a equipamentos de ponta. “Editais como o Multilab são fundamentais para a manutenção da universidade pública, para a continuidade da pesquisa e para a qualidade do ensino e da extensão”, frisou.

A coordenação geral da rede é do professor Daniel Martins, que reforçou a importância dos mecanismos de fomento e do apoio institucional para a viabilização do projeto. “O acesso compartilhado a equipamentos de alto custo é fundamental para estimular a colaboração entre áreas e consolidar Santa Catarina como referência em pesquisa avançada em robótica”, declarou.

Sobre o Laboratório de Robótica para Ambientes Aquáticos e Subaquáticos

Inaugurado em Joinville, o laboratório é uma unidade multiusuária dedicada ao desenvolvimento de robótica móvel aplicada a ambientes aquáticos e subaquáticos. Com aproximadamente 65 metros quadrados, o espaço conta com um veículo aquático de superfície autônomo (ASV), dois veículos subaquáticos operados remotamente (ROVs), além de sistemas de controle, sensores, infraestrutura computacional e suporte técnico especializado para pesquisas.

A unidade atende pesquisadores, estudantes e parceiros do setor produtivo, apoiando atividades de ensino, pesquisa, inovação e cooperação com empresas e instituições públicas, com foco em demandas relacionadas ao ambiente aquático e subaquático.

Segundo o coordenador do polo, professor Roberto Simoni, a nova infraestrutura amplia significativamente as possibilidades de aplicação e inovação tecnológica.

“Essa estrutura viabiliza o avanço de pesquisas aplicadas em áreas estratégicas, como meio ambiente, pesca, energia, segurança e arqueologia subaquática, promovendo o desenvolvimento e aplicações robóticas para a atuação em ambientes aquáticos”, destacou.

Além das atividades acadêmicas e científicas, os equipamentos já são empregados em parcerias institucionais com a Polícia Federal e a Receita Federal, apoiando operações em alto-mar e inspeções em embarcações. O drone aquático também foi testado em ações conjuntas com o Corpo de Bombeiros Voluntários de Joinville, em atividades de busca e resgate em áreas de mata, demonstrando o potencial da tecnologia para aplicação em situações reais de emergência.

Sobre o MultiLab SC

Os laboratórios integram o Programa MultiLab SC, que, por meio do Edital 15/2023, selecionou projetos voltados ao uso compartilhado de espaços laboratoriais nas áreas de Ciências Agrárias, Biológicas, Saúde e Engenharias. As iniciativas estão alinhadas a temas estratégicos definidos pelo Governo do Estado, como Saúde Única (One Health), Mudanças Climáticas e Recursos Hídricos.

Com investimento total de R$ 111 milhões, o edital contemplou 50 projetos de 19 instituições de ensino superior distribuídas por todas as regiões catarinenses, incluindo cidades como Blumenau, Brusque, Chapecó, Florianópolis, Jaraguá do Sul, Mafra e São Miguel do Oeste. Os recursos serão aplicados na modernização da infraestrutura laboratorial, aquisição de equipamentos e fomento à pesquisa científica de ponta em Santa Catarina.

Texto: Fapesc

Tags: FapescJoinvillePrograma Multilab SCPropesqRede Catarinense de Laboratórios de Robótica AvançadaUFSC