UFSC visita escola e projeto do Centro de Cultura e Inovação Social no Monte Serrat

07/08/2026 14:05

Colégio Marista Escola Social Lucia Mayvorne, localizado na comunidade do Monte Serrat, no Maciço do Morro da Cruz. Foto: Rede IVG

Representantes da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) visitaram, nesta sexta-feira, 7 de agosto, o Colégio Marista Escola Social Lucia Mayvorne, localizado na comunidade do Monte Serrat, no Maciço do Morro da Cruz, região central de Florianópolis. A instituição integra a Rede Instituto Padre Vilson Groh (IVG) e o encontro teve como objetivo discutir novas parcerias e ações comunitárias entre a Universidade e a entidade.

Participaram da visita o reitor da UFSC, Amir de Oliveira; o assessor institucional, Carlos Alberto Marques; a pró-reitora de Extensão, Maria Luiza Bazzo; e o secretário de Inovação, Ronaldo David Viana Barbosa. A comitiva foi recebida pela diretora do colégio, Fraya da Cunha, que apresentou a estrutura da escola e o projeto do Centro de Cultura e Inovação Social (CIS) Monte Serrat.

O CIS será o primeiro centro do gênero em uma região periférica da Grande Florianópolis. O empreendimento começou a ser implantado pelo IVG em novembro de 2025. Com conclusão prevista para 2027, o local deverá beneficiar aproximadamente 40 mil moradores do Maciço do Morro da Cruz, em uma região formada por 16 comunidades.

A proposta é reunir, num mesmo local, iniciativas de qualificação profissional, promoção cultural, inclusão produtiva e desenvolvimento de soluções para os desafios sociais enfrentados em territórios periféricos. O espaço também buscará aproximar os jovens da comunidade de empresas de tecnologia e de outros setores relevantes para a economia da região, como cultura e turismo.

Além das atividades de formação, o CIS pretende estimular a colaboração entre empresas, instituições de ensino, organizações sociais, poder público e moradores. A expectativa é criar um ambiente de construção coletiva, no qual sejam desenvolvidas ações inovadoras, sustentáveis ​​e de impacto social. O acesso da população às atividades oferecidas será gratuito.

A visita também buscou aproximar as áreas de extensão e inovação da UFSC das iniciativas pela Rede IVG no território. A participação da Universidade poderá contribuir para a realização de atividades de formação, pesquisa, desenvolvimento tecnológico e extensão universitária, de acordo com as demandas da comunidade e os objetivos do novo centro.

A atuação social e educacional do padre Vilson Groh no Monte Serrat teve início na década de 1980, com a criação de bases comunitárias e projetos de educação popular. Esse trabalho contribuiu para a formação do IVG e para o atendimento, por meio de entidades parceiras, a crianças, adolescentes e jovens do Maciço do Morro da Cruz.

A aproximação entre a UFSC e o IVG teve início há quase uma década. Em 30 de março de 2017, as instituições firmaram um acordo de cooperação para promover intercâmbios nas áreas técnica, científica, cultural e administrativa, incluindo o compartilhamento de instalações, equipamentos e recursos humanos. Em 23 de novembro de 2022, uma parceria foi renovada por meio de um Protocolo de Intenções destinado ao desenvolvimento de ações conjuntas. O documento criou condições para a realização de iniciativas de pesquisa e extensão, cursos de pós-graduação, capacitações, treinamentos e outros serviços de interesse comum.

Setor de Imprensa do Gabinete da Reitoria | Secom
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Com informações da Rede IVG.

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Reconhecimento institucional: UFSC concede Doutor Honoris Causa ao padre Vilson Groh

06/10/2025 17:23

Padre Vilson Groh. Foto: IVG

O Conselho Universitário (CUn) da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) realizou, no dia 30 de setembro, sessão especial dedicada à apreciação da concessão do título de Doutor Honoris Causa ao padre Vilson Groh. O nome do homenageado foi escolhido pela ampla maioria dos conselheiros pela extensa trajetória de Groh como educador popular e líder comunitário, marcada pela luta pela justiça social e pela atuação junto a comunidades vulneráveis de Florianópolis.

A indicação do título acadêmico partiu da Cátedra Antonieta de Barros: Educação para a Igualdade Racial e recebeu aprovação unânime em instâncias internas da Universidade, incluindo o Departamento de Estudos Especializados em Educação e o Conselho de Unidade do Centro de Ciências da Educação (CED).

No parecer conclusivo, o conselheiro-relator Sérgio Romanelli manifesta-se integralmente favorável à concessão do título, ressaltando o padre como referência de compromisso com a dignidade humana e a pluralidade cultural brasileira, incluindo o respeito e a valorização das religiões afro-brasileiras. O texto enfatiza ainda a criação e a atuação do Instituto Padre Vilson Groh (IVG), que, por meio de programas de educação, inclusão financeira e mobilização social, beneficia milhares de crianças, jovens e famílias na capital catarinense.

O título de Doutor Honoris Causa é concedido pela UFSC “a pessoas eminentes, que não necessariamente sejam portadoras de um diploma universitário mas que se tenham destacado em determinada área (artes, ciências, filosofia, letras, promoção da paz, de causas humanitárias etc), por sua boa reputação, virtude, mérito ou ações de serviço que transcendam famílias, pessoas ou instituições”.

Vilson Groh

“Quando falo em fome, não é só da fome de pão, mas também da fome da beleza, da fome pela liberdade, da fome pela solidariedade, da fome por amizade. É a fome da materialidade de esperança de que é possível sim, um dia, haver equilíbrio entre as pessoas que vivem na humanidade e que produzem a riqueza, e que esta riqueza seja revertida dignamente para todos que a produzem, para que ninguém fique excluído dela. Esta é a motivação que me alimenta e me persegue diariamente”.

Padre Vilson Groh é uma liderança social e religiosa, educador popular e articulador comunitário. Nascido em 24 de abril de 1954 em Brusque, migrou para Florianópolis na década de 1970 para estudar Teologia no Instituto Tecnológico de Santa Catarina e, desde então, dedicou-se integralmente às periferias urbanas, inicialmente no bairro Pantanal e, a partir de 1979, no morro do Mocotó, onde o encontro com a umbanda e o sagrado das religiões afro-brasileiras ampliou sua compreensão sobre a pluralidade religiosa e cultural do país.

Ordenado diácono e presbítero em 1981, decidiu morar no próprio morro do Mocotó diante da precariedade habitacional que testemunhou, estabelecendo-se em seguida no Monte Serrat, de onde passou a tecer pontes entre igreja, poder público, setor privado e atores sociais locais para fortalecer condições de vida dignas nos morros de Florianópolis. Sua atuação, que conjuga fé, mobilização comunitária e compromisso com a justiça social, consolidou-se em iniciativas de educação e cidadania, sem perder a dimensão acadêmica: em 1998 concluiu o mestrado em Educação pela UFSC, integração simbólica e prática entre universidade e território.

Em 2011, fundou o IVG, estrutura que coordena sete organizações sociais voltadas à educação, cultura, juventude, direitos humanos e mobilização comunitária, oferecendo gratuitamente desde educação básica e formação pré-universitária até inclusão financeira e projetos de inovação tecnológica e social. Apenas em 2022, o IVG alcançou cerca de 5.685 crianças, adolescentes e jovens, além de 2.989 famílias, somando mais de 22 mil pessoas atendidas.

Essa capilaridade levou à formalização de convênios com a UFSC em projetos de extensão que mobilizam estudantes e docentes em ações conjuntas nos territórios do Morro da Cruz e região continental, e, desde 2012, a instituição mantém um programa de bolsas de ensino técnico e superior que apoia o acesso e a permanência de jovens na universidade. Reconhecido estadual e nacionalmente, recebeu o Diploma de Mérito Educacional do Conselho Estadual de Educação (2019), o título de Doutor Honoris Causa pela Unisul (2024), a Comenda da Ordem de Rio Branco no Palácio Itamaraty (2025) e teve sua trajetória documentada em “Pão e Beleza: Caminhos de Padre Vilson” (2024).

Aos 71 anos, permanece morador do Monte Serrat, formando lideranças jovens, assessorando pastorais e projetos sociais e integrando o Colégio de Consultores da Arquidiocese de Florianópolis. O parecer do Conselho Universitário da UFSC destaca que sua vida congrega produção de saberes, ciência e educação popular, materializando o compromisso da universidade pública com os territórios e os saberes plurais, e simboliza um reconhecimento necessário à pluralidade religiosa e identitária do Brasil, com ênfase na centralidade das religiões afro-brasileiras na multiplicidade cultural catarinense e nacional.

Nesse contexto, a UFSC enxerga em Groh “o educador que transcende a sala de aula, o intelectual orgânico que fez do morro sua cátedra e do povo seus mestres”, e cujo exemplo ético e político de integração entre forças diversas para a garantia de direitos e dignidade fundamenta a concessão da honraria.

A sessão especial foi transmitida ao vivo pelo canal do CUn no YouTube.

 

Rosiani Bion de Almeida | Divisão de Imprensa do GR
imprnsa.gr@contato.ufsc.br

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